Conte Sua História de SP: Alagoano na Água Fria

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto enviado pelo ouvinte-internauta José Carlos da Silva:

 

Ouça este texto que foi sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Como todos sabem sou Alagoano e vim a São Paulo, como milhares de migrantes nordestinos, em busca de uma vida melhor. Foi nessa grande metrópole que consegui vencer na vida, criar meus filhos e conheci minha atual esposa.

 

No inicio não foi nada fácil! Da Zona Sul a Zona Norte, batalhei e encontrei paulistanos maravilhosos e que me ajudaram, mas foi no bairro da Água Fria que minha vida deu uma guinada. Recebi ajuda de um delegado da região e hoje posso dizer que minha permanência em São Paulo se deve a esse homem extraordinário e também a zona norte que me proporcionou estabilidade.

 

São Paulo é a cidade de várias etnias que recebe todas as culturas e crenças. Lugar dos grandes encontros e de grandes negócios. Capital da gastronomia, de muitas faces, São Paulo não é apenas um mundo, mas vários mundos e parafraseando o cineasta Ugo Giorgetti, sua função é ligar o Brasil ao resto do planeta.

 

É aqui que encontramos o lar de tribos e nacionalidades variadas que descobrem o seu espaço e juntas convivem em harmonia. A sua grandiosidade inspira e renova cidadãos.

 

Agradeço por tudo que conquistei nessa cidade e reconheço sua importância. É por isso que quero trabalhar cada vez mais por ela, poder retribuir tudo o que São Paulo fez por mim e fazer por São Paulo tudo o que essa metrópole merece!

 

O Conte Sua Historia de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN São Paulo. Você pode participar enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou marcando entrevista em vídeo e áudio no Museu da Pessoa.

Avalanche Tricolor: Miralles, o ressurgimento

 

Grêmio 3 x 1 Caxias
Gaúcho – Olímpico Monumental

 

 

O futebol está sempre disposto a nos proporcionar momentos fantásticos, pronto para ser palco de cenas memoráveis e histórias contadas por personagens incríveis. Nós, gremistas, sabemos bem o que isto significa, pois desde os primeiros momentos de nossas vidas fomos marcados por fatos sensacionais e aprendemos a ouvir os feitos de gente como Lara, o goleiro imortal, ou Aírton, zagueiro que teve seu nome estampado nas camisas tricolores na tarde deste domingo. Houve times inesquecíveis, seja pelos talentos reunidos seja pelas vitórias impossíveis. E como tivemos. Portanto, não me surpreenderia se estivéssemos diante de mais um destes fenômenos, talvez não da mesma dimensão, mas com detalhes que valham alguns parágrafos bem escritos mais adiante (não por mim, mas por alguém com talento para tal, lógico). Refiro-me ao ressurgimento de Miralles, provocado pelo desmonte físico que nosso ataque vem sofrendo nas últimas semanas. O argentino que, pela fama que leva, fez muito pouco até aqui, andava desmotivado, sem destino, procurando o eixo, um caminho para recontar sua passagem no Grêmio, onde constantemente tem seu nome gritado pelos torcedores que cultivam uma paixão inexplicável pelo atacante. Em menos de uma semana, foi resgatado do ostracismo e levado ao time titular. Em campo foi veloz para chegar na área, dar um corte nos zagueiros que apareceram no seu caminho e chutar de maneira a desviar a bola do goleiro. Foi festejado por todos da equipe, apertou a mão do técnico como agradecendo pela oportunidade oferecida, fez o sinal da cruz, e o nome voltou a ecoar nas arquibancadas do Olímpico Monumental.

 

Um gol na boa vitória deste domingo pode ser pouco para quem pretende reescrever sua história no Grêmio. Teremos que esperar os próximos atos para saber se este enredo será eternizado por Miralles, mas, sem dúvida, foi uma ótima retomada. Principalmente, porque o fez ao lado de André Lima, jogador que passou por situação semelhante e também marcou na partida de hoje. Imagine que, se isto der certo e chegarmos ao título, poderemos falar com orgulho aos nossos filhos (e para a inveja dos nossos adversários) que um dia buscamos mais uma grande conquista com um ataque formado por jogadores que aprenderam, por linhas tortas, o poder da imortalidade.

De obrigado

 

Por Maria Lucia Solla

 

Céu

 

Olá,

dizemos obrigado a muita gente, e muitas muitas vezes ao longo da vida. Tem vezes que agradecemos assim como quem diz bom dia, no piloto automático, sem nos darmos conta da intensidade da manifestação, mas tem outras que, quando brota a palavra mágica, o corpo inteiro se entrega ao sentimento de gratidão. Um jorrar de amor que vai se encontrar com o amor que jorra do gesto do outro. Em tempo não muito remoto, a vida era mais simples, e a gente fazia no máximo duas ou três coisas ao mesmo tempo e pensava outras tantas. Lembro da minha mãe na cozinha preparando o macarrão de quinta e domingo. A macarronada não era assim tão rápida como a de hoje. A massa era feita em casa, fuzzili ou tagliarini, e o molho era preparado por ela ou pela minha avó Grazia, que vinha duas vezes por semana dar uma mão à minha mãe no preparo dos quitutes da semana. Nada de cozinheira. O tomate, fresco e bem maduro, mas firme e vermelho, era ligeiramente batido no liquidificador e depois coado. Esse suco lindo ia para uma panela alta e virava molho. Na panela, faziam parte da receita, bifinhos enrolados que escondiam cenoura, toucinho e outras gostosuras. Então essa mistura cozinhava em fogo bem baixo e cozinhava, cozinhava, até se transformar num molho de comer de joelhos. Eu rodopiava pela cozinha e tinha sempre permissão de, no meio da manhã, comer um pãozinho sem miolo, fechado nas laterais e recheado com um bifinho enrolado, quase se desfazendo de tão macio, e uma colherada do molho. Era o céu! Elas, minha mãe e minha avó, desenvolviam um balé que me encantava. Fogão, mesa, pia e panela acompanhavam a conversa que tinha às vezes um tom mais baixo porque era coisa de gente grande; não para os meus ouvidos. Da sala vinha o som de música na vitrola, que meu pai não vivia sem ela. E esse era o enredo e a trilha sonora.

 

Hoje não fazemos só duas ou três coisas ao mesmo tempo, e não preciso descrever como funcionamos, ao menos em cidades frenéticas como São Paulo. É burbulhar na panela, no tablet, no telefone, nas mensagens no celular, no e-mail, na televisão, na mente e no coração, de fazer inveja a conjunto de percussão. Imagino que, por isso, da mente ocupada e embaralhada, os nossos obrigado e muito obrigado afloram cada vez mais no piloto automático. Só quando vivemos um período de perrengue daqueles é que, ao agradecermos, agradecemos com todas as células que nos compõem, que cantam em uníssono a nossa gratidão. E é assim que tenho me sentido, há algum tempo.

 

Andei mudando de obrigada para grata, porque nunca me sinto obrigada a nada, mas acabei como o Recruta Zero e resolvi me entregar outra vez ao obrigada, já instalado no programa de todo mundo. Portanto, a todos os que têm me ouvido, lido, abraçado, alimentado, acompanhado, partilhado comigo folia e tristeza, compreendido a dificuldade do obstáculo e dos perrengues que enfrento, aqui e ali; a todos os que têm aguentado meus arroubos de alegria e meus miados, meu muito obrigada que não jorra guiado por piloto automático, mas por uma gratidão que toma meu corpo inteiro.

 

Feliz Páscoa.

 

Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

 

Os óculos que completam o estilo

 

Por Dora Estevam
 

 

Em qualquer estação do ano, os óculos de sol são mais do que bem-vindos. Todo mundo usa; todas as classes, também; e tem óculos para todas as idades. É um acessório cobiçado. Há quem tenha coleções e os quem guardam apenas um. De “grifado” ou não, é uma peça democrática. Venha comigo ver as fotos que separei para ter ideia do que os estilistas colocaram no mercado para a estação e como as pessoas se produzem nas ruas.
 

 

Estas primeiras imagens são da coleção nova da marca Ermenegildo Zegna. Os modelos são masculinos, em especial para os que gostam de ousar nas lentes e armações. Elas aparecem coloridas, boas até para os dias mais nublados, porém com bastante claridade. Combinam com jeans azuis ou coloridos.
 

 


 

 

Agora, conforme prometido, algumas imagens de pessoas usando os óculos para as suas tarefas diárias. Já se imaginou em uma dessas cenas?
 

 


 
 

 

Nesta democracia fashionista dos óculos, não podemos esquecer de regrinhas básicas, tanto para quem usa como para quem os vê usando.
 

 

Por favor, ao cumprimentar alguém faça a gentileza de levantar os óculos para não bater no rosto do amigo. Tire os óculos para a pessoa não ficar feito boba olhando para o nada, ainda mais se as lentes forem espelhadas. Se for andar com os óculos em lugar fechado, como um shopping, se prepare para as piadas: “ele pensa que é Lenny Kravitz?”; ou “nossa, tá um sol aqui?”. Pode ser a lente mais chic do momento, mas, a piada será inevitável. Sorry!
 

 

Se o uso do óculos de sol justificar naquele momento, se estiver usando por um motivo de saúde e indicação do oftalmolgista, ok, enfrente, caso contrário, guarde-os na bolsa até a hora da saída. Lembro, ainda, que os óculos são de sol , ou seja, para serem usados de dia, não à noite. Não foram feitos para a luz noturna e podem prejudicar a visão. Mais uma vez, consulte um especialista para fazer tais ousadias.
 

 

Para finalizar a nossa conversa, um pouco de música. The Gramps fala sobre o uso dos óculos de sol à noite. Uma ótima brincadeira.
 

 


 
Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, no Blog do Mílton Jung

 
 

Mundo Corportivo: Professores melhores para descobrir talentos

 

Para desenvolver talentos na Universidade, as escolas superiores estão convidando os professores a voltarem para a sala de aula, através de programas de qualificação. O diretor executivo de Gente e Gestão do Grupo Estádio, Miguel de Paula, explica como este trabalho pode melhorar a qualidade de ensino e desenvolver os profissionais. Em entrevista ao Mundo Corporativo, da rádio CBN, ele explica que a intenção é oferecer novos conhecimentos de preferência relacionados a pedagógia do ensino e não sobre o conteúdo programático que já é de domínio dos professores: “ensinamos como aplicar melhor as tecnologias que temos à disposição, por exemplo”.

 

Para Miguel de Paula a dificuldade de encontrar talentos e profissionais qualificados está relacionada à defasagem dos profissionais de educação.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Foto-ouvinte: Uma lua “ensolarada”

 

A lua de São Paulo

O sol insiste em deixar suas marcas na lua. Ou seria a lua que insiste em aparecer quando a estrela no céu deveria ser o sol ? Tudo vai depender da hora em que esta foto foi feita por Massao Uehara, autor desta bela foto, ouvinte-internauta do Jornal da CBN, membro da rede Adote um Vereador (e, claro, um incrível fotógrafo)

Escreva bem, é simples

 

Aproveito o feriado de sexta-feira para dividir com você texto publicado há algumas semanas em O Globo, no qual a professora de Língua Portuguesa Erika de Souza Bueno mostra que a escrita de qualidade pode ser bem mais simples do que imaginamos. Neste artigo, a coordenadora-pedagógica do Planeta Educação/Vitae Futurekids desmistifica algumas regras da gramática. Faça bom proveito, é simples:

 

Não é preciso ser professor de língua portuguesa para conhecê-la. Os gramáticos não são os únicos capazes de produzir textos coerentes, concisos e adequados. Não, a língua portuguesa não é a mais difícil de ser entendida. Não, português não é difícil de aprender. Acredite, você é capaz de produzir textos concisos, caprichados e perfeitamente entendíveis às pessoas que você deseja que tenham acesso a eles. Para começar, defina seu assunto, ou seja, sobre o que você pretende falar ou discursar. Entenda que não é o título (ao concluir seu texto, não se esqueça dele), mas o assunto a ser desenvolvido, aquele que será seu objeto de análise, tal como uma matéria-prima que precisa ser moldada para ter os formatos de acordo com o estilo de cada um. Uma das dicas para isso é inserir em seu cotidiano a leitura em suas formas verbais e não verbais, tendo um olhar atencioso a todas as formas de textos que o rodeiam, tais como propaganda, fôlder, charge, placa de trânsito, anúncio de emprego, discurso de algum político, enfim, atente-se a tudo o que é capaz de transmitir uma mensagem. Aproveite para se questionar sobre como esses exemplos conseguem fazer com que uma mensagem seja entendida por um determinado grupo de pessoas. Bom, escolhido o assunto, defina, indispensavelmente, seu público-alvo, pois ninguém escreve bem se não souber para quem vai escrever. Essa dica vale até mesmo se você desejar que seu texto seja lido por um grande número de pessoas. Nesse caso, utilize-se de uma linguagem simples e formal, ou seja, não utilize palavras que parecem existir apenas em dicionários e, muito menos, não utilize expressões grosseiras e gírias. Observadas essas dicas, você pode, enfim, começar seu rascunho. Isso mesmo! Rascunho, pois um bom texto, na maioria das vezes, é o resultado de uma releitura realizada pelo próprio autor. Isso acontece porque, ao reler o que escrevemos, vamos identificando outras formas de passar a mesma informação. Nesse processo, aumentamos nossa garantia de que a mensagem será entendida pelos nossos receptores. A partir de seu primeiro rascunho montado, faça uma releitura atenciosa, verificando se existe alguma palavra escrita incorretamente ou, ainda, se é necessário mudar a ordem em que as frases foram escritas. Aproveite essa releitura, também, para verificar se não existem formas mais claras de dizer alguma sentença, apostando na simplicidade das falas e na consequente clareza da mensagem. Por falar em simplicidade, entenda-a como um dos caminhos para a concisão de seu texto. Por exemplo, em vez de começar um e-mail com “Venho por meio deste solicitar minha transferência de setor”, prefira, simplesmente, “Solicito minha transferência de setor”, não se esquecendo de começá-lo com os devidos cumprimentos. Aproveite esse momento, ainda, para identificar possíveis pleonasmos, pois eles cansam o leitor, impedindo-o, muitas vezes, de completar a leitura. Exclua de seu texto, por exemplo, expressões como “elo de ligação”, “sair para fora”, “calçar os sapatos nos pés”, entre tantas outras. Para finalizar, na releitura de seu próprio texto, tente atentar-se para regras simples da língua portuguesa, ou seja: Não separe sujeito e verbo, e acentue todas as proparoxítonas. Analise os parênteses. Compreenda que tudo pode acontecer dentro deles, ou seja, outras vírgulas, pontos-finais e, até mesmo, exclamação e interrogação. Por isso, primeiramente, analise sua frase sem eles e, somente depois, volte seu olhar para analisar o que foi escrito, verificando se há mesmo a necessidade de inseri-los. Verifique se as palavras terminadas em ágio, égio, ógio e úgio estão devidamente acentuadas, bem como se a crase não foi inserida antes de palavras do gênero masculino ou antes de verbos no infinitivo. Se seu texto obedecer às regras da Nova Ortografia, exclua o trema e os acentos de paroxítonas “oi/ei”, bem como o circunflexo de formas verbais como “veem e creem”. Lembre-se que temos até o fim de 2012 para nos adequarmos a ela. Se for utilizar os verbos “tem” e “vem” no plural, não se esqueça de acentuá-los. Atente-se para a escrita correta de cada palavra, verificando se não está faltando nenhuma letrinha. Em caso de ênclise, principalmente no Word (o Word insiste em eliminar alguns acentos indevidamente), verifique se os verbos (com exceção apenas de verbos terminados em “ir”) estão acentuados, como ocorre em “identificá-lo, rompê-lo, construí-lo”. Ainda falando em colocação pronominal, identifique se o pronome não está sendo atraído por palavrinhas como “não, jamais, quanto, quem, que…”. Por exemplo, em vez de escrever “não negaram-me a certidão”, escreva “não me negaram a certidão”. Evite o gerundismo, pois, assim como o pleonasmo, também pode desmotivar a leitura. Veja se você não repetiu alguns termos desnecessariamente, lembrando que a razão de os pronomes existirem é exatamente essa, ou seja, substituir palavras, retomando seu completo significado. Além dessas regras que podem ser lembradas mais facilmente, vale mais uma dica muito importante: peça que outra pessoa leia seu texto, pois nada como um olhar diferente para apontar algumas falhas que, mesmo após a nossa releitura, não conseguimos identificar. ERIKA DE SOUZA BUENO é professora de Língua Portuguesa, coordenadora-pedagógica do Planeta Educação/Vitae Futurekids.

Demóstenes Torres, o senador ganancioso

 

Por Mílton Ferretti Jung

 

Meu assunto de hoje é a ganância. Escrevo inspirado nesta frase: ”Não se admite que os destinos da nação (o cacófato danação foi cometido pelo autor) possam ser geridos por representantes que não possuem conduta adequada à dignidade das relevantes funções públicas”. Quem costuma acompanhar o noticiário sobre a política brasileira está, com certeza, muito bem informado sobre a imensa contradição entre o que aparentava ser o senador Demóstenes Torres e o que se ficou sabendo dele, agora, para espanto geral. Demóstenes, relator da Lei da Ficha Limpa, deu à luz à frase com a qual abri o meu texto, usada por Ophir Cavalcante, presidente da OAB, autor do livro Ficha Limpa: a Vitória da Sociedade, obra prefaciada pelo senador, que se danou por ser amigo do bicheiro Carlinhos Cachoeira “y otras cositas más”, por exemplo, o fato de o Procurador de Justiça, professor e advogado, senador da República, abrigar em seu gabinete servidores fantasmas.

 

É de se perguntar o que leva muitas pessoas com vida mansa, sem problemas financeiros ou de qualquer outra ordem, a querer enriquecer sempre mais e mais, demonstrando ambição exacerbada de ganho, esquecendo-se que, de repente, a sorte pode mudar de lado, tal qual ocorre, neste momento, com o antes impávido cavaleiro da moralidade Demóstenes Torres. A ganância ilimitada, que maculou muitos políticos brasileiros, inclusive ministros, por se tratar de quem se imaginava que fosse, tornou maior o descrédito já volumoso que vem denegrindo a classe. Salve-se dele, descrédito, quem puder. E não for ganancioso.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: Um jogo em que só lembrei de Airton

 

Ipatinga 0 x 1 Grêmio
Copa do Brasil – Ipatinga (MG)

 

Em partida na qual desde o técnico até o último jogador a entrar em campo – refiro-me a Marquinhos – salvou-se mesmo o destemido Fernando, fiquei boa parte do tempo pensando se aqueles atletas tinham ideia do que representava a tarja preta na manga da camisa. Se alguém havia se dado ao trabalho de conhecer a verdadeira história de quem homenageavam. E como nada do que acontecesse em campo, nem mesmo a vitória que eliminaria a partida de volta, poderia ser mais importante do que Airton Ferreira da Silva, nosso Imortal Zagueiro Tricolor, aproveito esta Avalanche para reproduzir texto oferecido pelo próprio autor, Airton Gontow, assim batizado em homenagem ao nosso ídolo das décadas de 50/60. E quanto a este jornalista e gremista que, assim como eu, mora em São Paulo, não tenha dúvida, sabe muito bem o que significou Airton.

 

Para ilustrar, este texto a imagem feita por outro gremista: Francisco Carlos, desenhista de primeira.

 

 

Alto, forte e extremamente clássico, o jovem Airton despertou o interesse dos dirigentes gremistas. Jogava pelo pequeno Força e Luz, time porto-alegrense, que tinha gramado, mas não possuía um estádio. O Grêmio fez uma boa proposta. Acima das suas possibilidades. Mas o Força e Luz quis mais, bem mais. Foi aí que aconteceu a mais surpreendente das ofertas: 50 mil cruzeiros e mais o Pavilhão Social do estádio da Baixada.

 

Era o ano de 1954 e Airton foi para o Grêmio. Ou melhor, agora o tricolor gaúcho tinha o “Airton Pavilhão”, o homem que foi trocado por um estádio de futebol.

 

O ato aparentemente insano da diretoria – de trocar um patrimônio por uma simples promessa, de 19 anos, que poderia nem mesmo vingar ou até sofrer alguma contusão em um período em que a medicina esportiva era tão insipiente – se mostrou o maior negócio da história gremista.

 

Airton valia mais que um estádio!

 

Em 12 temporadas, ganhou cerca de 17 títulos, entre eles de pentacampeão gaúcho de 56 a 60 e o hexacampeonato estadual de 62 a 67. Tinha a companhia de craques, mas era o grande nome da equipe. Durante os anos em que atuou no tricolor dos pampas, aconteceram 52 grenais. Com ele, foram 42 jo..gos, com 22 vitórias, oito empates e 12 derrotas. Sem ele, nenhuma vitória tricolor. Foram dez jogos, sete ganhos pelo Inter e três empatados.

 

Ficou famoso também por uma jogada que só ele era capaz de fazer: em muitos jogos, levava a bola em direção à bandeirinha de escanteio, levando com ele alguns jogadores adversários. Aí virava o corpo e, colocando uma perna por trás da outra, recuava, de letra, a bola para as mãos do goleiro e, claro, para o delírio dos torcedores.

 

Nunca errou, mas alguns consideram que esta aparente irresponsabilidade foi responsável por sua não permanência na Seleção Brasileira, apesar de ter até conquistado o título de campeão Pan-Americano, em 56.

 

Segundo o conceituado comentarista gaúcho Ruy Carlos Ostermann, que viu atuarem pelas equipes gaúchas zagueiros como Calvet, Figueroa, De Leon, Anchieta e Gamarra e que acompanhou inúmeras Copas do Mundo, Airton Pavilhão foi o melhor defensor que assistiu em campo: “Não conheci zagueiro melhor do que ele…marcava sem pontapé, sem esforço físico, marcava naturalmente”, diz Ostermann. Para o jornalista e escritor Paulo Sant’Ana, conhecido por seus belos textos e também pelo seu fanatismo pelo tricolor gaúcho, Airton Pavilhão foi o maior craque da história gremista, acima de jogadores como Ronaldinho Gaúcho, Eurico Lara e Renato Portaluppi.

 

Ídolo da torcida, foi admirado até pelos grandes rivais. No ano passado, estive no Beira-Rio e entrevistei Claudiomiro, ex-centroavante do Internacional. “Qual é o melhor zagueiro que enfrentaste?”, indaguei. Ele foi taxativo: “Airton, Pavilhão!” e explicou: “Além de ser quase impossível passar por ele, nunca dava um pontapé, era incapaz de fazer uma falta”.

 

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