A cara da política brasileira: falsa filiação e emendas parlamentares

 

Três reportagens que li neste fim de semana, na revista Época e no Estadão, mostram um pouco de como se faz política no Brasil. Na primeira, o jornal mostra que muitos filiados do PSDB sequer sabem que têm ficha no partido, aliás há quem nem saiba que partido é esse. Pior do que um sinal de desorganização do principal partido de oposição no País, é se identificar que algumas pessoas foram levadas a se filiar quando tentavam participar do programa Leve Leite, do Governo do Estado de São Paulo, que está sob comando da legenda há seis gestões. A irregularidade apareceu durante organização das prévias para escolher o candidato do partido à sucessão do prefeito Gilberto Kassab (PSD).

 

A troca de favores também está por trás de outra situação descrita em reportagem de duas páginas do Estadão, desta vez incluindo todos os partidos paulistanos. O Orçamento da cidade de São Paulo para 2012 tem R$ 4,6 milhões em emendas parlamentares destinadas a custear competições esportivas em redutos eleitorais dos vereadores. Somado o dinheiro destinado as obras de instalações como gramado sintético, iluminação, alambrado, entre outros, o valor chega a R$ 21 mi ou 20% dos R$ 123,9 mi previstos em todas as emendas apresentadas no fim do ano passado. Os vereadores fazem favores com o dinheiro público e depois são retribuídos com seus nomes propagandeados pelas instituições de bairro, sem levar em consideração as prioridades de cada região. No Morro do Sabão, extremo sul da cidade, conta o jornal, até hoje não se conseguiu ampliar o número de creches, deixando centenas de crianças sem atendimento. Em compensação, o vereador Arselino Tato do PT não abriu mão de separar dinheiro do Orçamento para o campinho de futebol no bairro.

 

As emendas parlamentares ganham capítulo especial na reportagem de capa da edição nacional da revista Época. Em “Anatomia da corrupção”, a grana separado pelos deputados no Orçamento aparece como uma das sete fontes usadas por “corruptos para meter a mão no nosso dinheiro”. O esquema é bastante conhecido: depois de incluir no Orçamento a verba para a prestação de serviço ou realização de uma obra em seu reduto eleitoral, o parlamente negocia com o Governo a liberação do dinheiro, influencia na empresa que será contratada e, a partir de notas frias, desvia parte do dinheiro.

 

Em todos os casos, as velhas promessas de que as irregularidades serão investigadas, os culpados serão punidos e as regras modificadas para impedir falcatruas. As soluções são de conhecimento público e passam pela transparência nas negociações e pelo monitoramento eletrônico de toda movimentação do dinheiro, o problema é que estas ferramentas para serem acionadas na maior parte das vezes depende desses mesmos políticos.

Avalanche Tricolor: Eram outros tempos

 

Juventude 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Caxias do Sul

 

 

Fossem as férias de inverno fossem as de verão, subir a Serra Gaúcha era programa obrigatório na época em que ainda era um guri de Porto Alegre. Em Caxias do Sul vivia boa parte dos Ferretti – tios, tias e primos de meu pai que nasceu por lá, em 1935, conforme ele próprio contou semana passada no texto semanal que escreve aqui no Blog. Pelo que consigo lembrar, as primeiras viagens foram a bordo do Gordini azul da família, no qual eu me espremia no banco de trás com meu irmão e minha irmã. Nos aventuramos de Fusca, também, por algum tempo, e somente mais tarde encaramos a estrada sinuosa com motores potentes. O mais importante não era a viagem, mas a estada no casarão da Avenida Júlio de Castilhos com três andares e um número razoável de quartos. O prédio era todo de madeira e eu sempre ficava impressionado com o tamanho das portas e das fechaduras. O poço que havia no quintal atiçava minha curiosidade, pois era quase sempre impedido de chegar perto devido ao risco de uma queda que seria fatal. As janelas se transformavam em camarotes VIPs no período da Festa da Uva, pois o desfile de carros alegóricos, em que o principal sempre trazia no topo a Rainha, passava bem diante de nós. Naquele tempo, a cidade serrana já tinha tradição no futebol e seus clubes se destacavam no cenário estadual, impondo dificuldades para os times da capital, apesar de não serem capazes de conquistar títulos – isto só foi acontecer muitos anos depois. Atualmente, não é mais surpresa chegar ao Alfredo Jaconi, estádio do Juventude, e ao Centenário, do S.E.R Caxias, e sair de lá derrotado como aconteceu neste domingo. Confesso, porém, que tenho saudade, muita saudade, daqueles tempos.

De São Paulo um dia depois da festa

 

Por Maria Lucia Solla

 


Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora

 

 

São Paulo chora, e não é manha. Síndrome do dia seguinte? A cidade amanheceu chorando. Não um choro explosivo, intenso, mas aquele choro intermitente de quem para pelo cansaço, se lembra das agruras e dá-lhe chorar de novo.

 

São Paulo é uma senhora respeitável, de 458 anos, com artérias comprometidas e algumas irremediavelmente entupidas. A quantas plásticas já foi submetida, perdeu a conta, Quando nas cidades do exterior a moda muda, corremos para dar o que consideramos um upgrade na nossa, em vez de respeitarmos sua personalidade.

 

Nossa cidade vem rapidamente perdendo suas curvas ao enfrentar escavadeira, britadeira e toda a parafernália moderna usada para modificar sua beleza natural e real em favor da beleza prometida e comprometida. Insatisfeitos e cegos, copiamos daqui, colamos de lá e criamos uma balbúrdia tão grande que nem nós conseguimos aguentar.

 

Essa respeitável senhora teve seus veios de água, por onde deveria correr livre e solta a sua emoção, condenados a prisão perpétua e enjaulados em canos de concreto.

 

Nos breves intervalos do seu choro arrastado e gemente, imagino que ela deva dar graças por nenhum dos velhos amigos estar por perto. Ela não aguentaria a dor, pois tem certeza de que nenhum deles a reconheceria.

 

Observando seu choro, me transposto a uma conversa lá em Camanducaia, no alto do morro, quando meu filho me explicava, paciente, como ele e sua família, três filhos pequenos, viviam cercados pela Natureza quase intocada, sem medo.

 

Tranquilizando meu coração que há muito está distante da terra, ele dizia, mãe, precisa negociar com a Natureza, é isso que fazemos aqui. Não é só escolher o pedaço de terra onde se quer viver, cortando aqui, alinhando lá, precisa respeitar limite. Antes de a gente chegar aqui, tudo obedecia a um ritmo que a gente veio modificar. Demos um chega pra lá nos bichos, modificamos o desenho do chão, plantamos concreto onde havia flor. Se não tiver o mínimo bom-senso, se não agir com a consciência acordada, com respeito, a relação fica impraticável. Não te preocupa, mãe, que as crianças fazem parte desse equilíbrio.

 

Ele tinha razão; fora a queda de um andaime deixado pelos pedreiros, que resultou num bracinho quebrado e depois remendado no hospital, e um ataque de abelhas, a Natureza acabou cuidando para que nada sério acontecesse aos pequenos, lá em cima da montanha.

 

Por isso, chora, São Paulo, chora até que as lágrimas acalmem o teu coração.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

O Retiro da moda popular em São Paulo

 

Por Dora Estevam

 

 

O que diriam paulistanos que conheceram as chácaras e fazendas do Bom Retiro, no Século 19, e encontravam no local refúgio para o descanso e a tranquilidade se visitassem o bairro nos dias atuais ? Definitivamente, descansar não é mais verbo a ser conjugado por lá, haja vista o enorme movimento de pessoas nas ruas deste distrito que faz parte do centro de São Paulo – cerca de 80 mil por dia. Calcula-se que 20 ônibus chegam diariamente de diversas partes do Brasil, em especial do Sul, trazendo consumidores que se somam aqueles que vão de carro e lotam os 30 estacionamentos que têm nas proximidades. A maioria destes é revendedor e responsável por 60% das compras feitas nas lojas do bairro.

 

O que mais atrai os milhares de visitantes, além da enorme concentração de lojas – cerca de 1.600 -, são as roupas baratas que há muito tempo deixaram de ser sinônimo de baixa qualidade. Este preconceito já está fora do dicionário da moda dos lojistas. Encontra-se no Bom Retiro produtos de acabamento invejável e é clara a preocupação com relação aos tecidos e aviamentos. No setor atacadista, a maioria das empresas tem estilista própria que viaja no mínimo duas vezes ao ano em busca de novidades e tendências, no exterior. Têm ainda empresas de consultoria que prestam serviço nesta área incentivando a criatividade e inovação. Todos os dias, as grifes abastecem as vitrines com seis novas peças o que atrai mais e mais clientes e gera empregos constantemente

 

No setor atacadista a maioria das empresas tem sua estilista que viaja no mínimo duas vezes por ano ao exterior em busca de novidades e tendências internacionais, além das empresas de consultoria que prestam serviços nesta área. Todos os dias tem novidade nas lojas, cada grife produz cerca de 6 peças novas por dia o que atrai mais e mais clientes, e também gera empregos constantemente – são 50 mil empregos diretos e 30 mil, indiretos. Um dos sinais de que os fabricantes estão conectados com o que há de mais novo é o surgimento de confecções preocupadas com a questão da sustentabilidade, caso da ADJI- Menswear.

 

Antenados, muitos lojistas desenvolveram sistemas de e-commerce, apesar de o maior sucesso ainda ser o telemarketing. Como as vendedoras conhecem o tipo de produto que atendem as necessidades de seus clientes, assim que chegam novos modelos elas entram em contato e, por telefone mesmo, fecham o negócio , sendo a mercadoria enviada pelo correio – 55% da moda feminina do Brasil saem do Bom Retiro. Os fabricantes da região faturam perto de R$ 3,5 bi por ano.

 

Um dos desafios dos empresários da região é com a manutenção do bairro e para que os problemas sejam resolvidos mais facilmente a Associação dos Lojistas do Bom Retiro têm mantido diálogo permanente com a prefeitura. Um dos resultados desta conversa foi a coleta de lixo pela manhã que impede o acúmulo de sacos com retalhos que antes acabavam abertos por catadores e se espalhavam pelas ruas. As calçadas são pouco confortáveis para o passeio, pois além da multidão que procura as lojas também existe uma série de barreiras como os postes de iluminação. Para amenizar este cenário, a Eletropaulo está fazendo o aterramento da fiação e os dois primeiros quarteirões do bairro já estão com energia sendo transmitida por baixo das vias. O custo para esta primeira parte da obra foi assumido pela Associação que agora espera que a prefeitura assuma seu compromisso e financie o restante do projeto. De acordo com informações da Subprefeitura da Sé ainda é preciso abrir o processo de licitação. A segurança melhorou um pouco com a Operação Delegada, da Polícia Militar, que reforçou o policiamento na região, mas muitas lojas ainda preferem manter equipe própria de vigilância.

 

Ufa! Se só de ler todos os aspectos que envolvem o Bom Retiro já dá fome, imagine caminhar por lá. Para matar a fome também não falta estrutura, são mais de 52 restaurantes, bares e lanchonetes para atender os visitantes. E com uma área dominada por coreanos – na maioria -, judeus, italianos e gregos, é possível imaginar a variedade de comidas. A culinária grega e italiana são minhas prediletas. Para você aproveitar melhor todo este espaço e não se perder na multidão, separei alguns endereços de lojas do atacado e do varejo. Aproveite o máximo e depois deixe aqui outras sugestões do Bom Retiro:

 

Jeans
Atacado: Di Collani – Rua Prof. Cesare Lombroso, 259 lj.,21 – 3224.0166
Varejo: Loony – Rua Jose Paulino, 190 – 3334.2050

 

Tricô
Atacado: Modelan – Rua da Graça, 42 – 3333-2193
Varejo: Rua Jose Paulino, 256  – 3223-7711

 

Camisaria
Atacado: Umen – Rua Jose Paulino, 140 – 3221-3203
Varejo: Fascynios – Rua da Graça, 450 – 3333-2000

 

Terninho
Atacado: Seiki – Rua Aimores, 143 – 3225-9214
Varejo: Karmiss – Rua Jose Paulino, 210 – 3331-6059

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do MÍlton Jung

Conte Sua História de SP: De gravata no cinema

 

A gravata era peça obrigatória para quem pretendia ir ao cinema de São Paulo, nos anos de 1940, e o comerciante José Leite da Silva, mesmo quando não tinha uma disponível, encontrava um jeitinho de se vestir a rigor. Pernambucano, nascido em 1922, ele falou sobre esta curiosidade paulistana ao Museu da Pessoa em depoimento que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo, em homenagem aos 458 anos da cidade.

 

Ouça o depoimento de José Leite da Costa, sonorizado por Cláudio Antônio

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, a partir das 10 e meia da manhã, no CBN São Paulo. Para participar deste quadro, você pode enviar um texto para milton@cbn.com.br ou marcar uma entrevista, em aúdio e vídeo, no site do Museu da Pessoa.

Mundo Corporativo: No teatro das empresas

 

A história de Sofia, a filha do dono que virou funcionária de fast food, tem ajudado empresas a melhorar seu desempenho, em uma peça de teatro. Entrevistado do Mundo Corporativo, da Rádio CBN, Felipe Zacharias fala da experiência que teve ao conversar com empregados do setor de alimentação e como conseguiu reduzir o turnover da empresa. Ele é ator, diretor de produção da peça “Amor de Bandeja” e dono da empreza FZ3, consultoria especializada em recursos humanos.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, com participação de ouvintes-internautas no Twitter @jornaldacbn e no e-mail mundocorporativo@cbn.com.br .O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de SP: Susto no cemitério da Consolação

 

Trabalhar próximo do Cemitério da Consolação causou alguns sustos em Luciano Strami que, em depoimento ao Museu da Pessoa, falou dos tempos de adolescente em que entregava carne para o açougue do pai, em Higienópolis. Luciano é paulistano, nascido em 1929, e acrescentou mais um capítulo no Conte Sua História de São Paulo, em homenagem aos 458 anos da cidade.

 

Ouça o depoimento de Luciano Strami, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar no CBN SP, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã. Você pode participar enviando um texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pesoa.

Coisa de cidade grande

 

Milton Ferretti Jung

 

Nasci em Caxias do Sul no distante ano de 1935. Como a maioria dos que se dão ao trabalho de ler estes meus textos das quintas-feiras sabe ,com certeza, Caxias foi uma das várias cidades, neste Brasil, colonizada por italianos. Meu pai era porto-alegrense e minha mãe, uma das quatro mulheres de uma prole completada por mais seis homens, caxiense como seus irmãos e irmãs. Vovô Vitaliano Ferretti não brincava em serviço. Possuir muitos filhos, naquele tempo, foi-se tornando, com o passar dos anos, cada vez mais difícil. E ainda mais filhos da mesma mulher. A vantagem é que os pais, como meu avô, punham os rebentos a os ajudar. Seu Vitaliano (o nome já dava uma ideia da nacionalidade dele) produzia mandolates e alguns dos filhos, imagino que os mais moços, vendiam a guloseima no cinema – creio que, na época, existia apenas um em Caxias. A receita do mandolate era da região Vêneta, de onde vieram para o Brasil inúmeros emigrantes italianos. Meu avô por parte de mãe foi um dos mais operosos. Chegou a ter uma malharia cuja sede ficava em sua casa. A residência avoenga era um sobrado, com porão e sótão. As peças, em sua maioria, eram grandes. Situava-se na principal avenida da cidade, a Júlio de Castilhos, naquela época ainda uma via sem calçamento. Quando chovia, ficava escorregadia e dificultava o ir e vir de caminhões, muitos carregados com toras.

 

Foi na casa da Júlio de Castilhos que nasci. Meus pais moravam em Porto Alegre e minha mãe deu-me à luz com auxílio de uma parteira, o que era normal naquele tempo. Permaneci por uma semana aos cuidados da vô Joana. Visitávamos seguidamente minha cidade natal, na qual eu possuía uma infinidade de tios e primos, muitos deles empregados da Eberle, forte indústria, dedicada à fabricação de talheres e outros produtos, que nasceu de uma simples funilaria montada por Giuseppe Eberle e vendida ao seu filho Abramo. A Caxias dos velhos tempos, a que mais cresceu na região de colonização italiana, está pagando alto preço pelo seu progresso. Vieram pessoas de todas as partes em busca de trabalho, o que havia sido uma vila se transformou. Os veículos que, aos poucos, foram substituindo os cavalos e as carretas que os colonos usavam para vender seus produtos de porta em porta, entopem hoje as ruas de Caxias. Ainda bem que o meu avô não viveu para ver em que se transformaria a sua cidade .Se vivo fosse, com certeza, tal qual este seu neto, nem sequer teria vontade de ir a pé do bairro de São Palegrino à praça que ficava em frente à Catedral e onde as pessoas se reuniam depois da missa dominical. Vovô Ferretti subia e descia a Júlio de Castilhos tão rápido, apesar de já ter idade avançada, que quase não conseguíamos o acompanhar. Inverno e verão, ele vestia terno com colete e não dispensava a gravata. Saudade machuca, mas não mata. Se matasse, eu já estaria morto. E este sentimento fica ainda mais palpitante quando leio o noticiário policial. Caxias do Sul participa dele com desgraçada frequência. A última notícia ruim publicada pelos jornais de Porto Alegre deu conta de que um jovem, por ter sido expulso de uma boate, matou duas pessoas a sangue-frio e feriu outra gravemente. Faz muitos anos que não visito Caxias. A que eu conheci não existe mais. Era dela que eu gostava.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: Prazer conhecê-los

 

Canoas 1 x 3 Grêmio
Gaúcho – Olímpico Monumental

 


 

O feriado era apenas em São Paulo e mesmo que o clima tenha sido esse, para mim a quarta-feira foi de muito trabalho, pois comecei logo cedo no Jornal da CBN e depois tive o privilégio de ser convidado a participar do CBN SP especial, em homenagem aos 458 anos da cidade. Foi lá que ouvi mais uma vez de um dos muitos “comentaristas esportivos” – aspas pois são apenas amigos admiradores do esporte – que a contratação de Kleber pelo Grêmio foi uma loucura: “gastaram muito dinheiro e não vai dar certo”. O Gladiador – é esta a marca que o acompanha – é bastante conhecido pelas confusões que se envolve e gols que marca, e dizem que costuma estar mais nelas do que neles. Tenho a tendência a acreditar que os jogadores irão corrigir seus defeitos e desenvolver suas qualidades assim que vestirem a camisa tricolor, principalmente se entre estas está o espírito guerreiro que sempre contamina a torcida – ou é contaminado por ela. Kleber tem este espírito e às vezes confunde um pouco as coisas, mas foi muito bem-vindo desde que anunciado ano passado. No início da noite de hoje, a partida do Grêmio começou às sete e meia da noite, ainda com muito sol na cidade de Canoas, na Grande Porto Alegre, o atacante marcou seu primeiro gol em partida oficial. Não foi um golaço, daqueles de driblar dois zagueiros, limpar a jogada e encher as redes; nem foi um gol decisivo, capaz de ficar marcado na memória dos gremistas; mas foi um gol de quem entende do riscado – como diriam os mais antigos -, tinha o olho na bola no momento em que foi cruzada para outro colega de ataque que estava na área, se deslocou por trás dos marcadores para o lugar onde ela deveria sobrar na jogada seguinte e apareceu sozinho ao lado da trave tendo apenas o trabalho de empurrar a bola para dentro do gol – não leia este “apenas’ com desprezo, está aqui para mostrar que a simplicidade é um mérito, neste caso. Kleber se apresentou e marcou. E mesmo que seja apenas o início, é um prazer conhecê-lo com a camisa do Grêmio. Assim como foi conhecer Marcelo Moreno, que chegou sem a mesma “má-fama” do colega de ataque, pelo contrário, é visto como um dos prováveis destaques da temporada, e, hoje, ao fazer sua estreia já marcou o primeiro gol (e de cabeça). Moreno e Kleber vão mesmo causar muita confusão em campo. Para o adversário, é lógico