Igreja nega fim da reciclagem, movimento desconfia

 

Abaixo-assinado em favor da reciclagem

A Arquidiocese de São Paulo nega que determinou o fim do trabalho de coleta seletiva na Associação Reciclázaro, na Paróquia São João Vianney, na Lapa, zona oeste da capital. Apesar disso, o serviço está parado desde dezembro quando foi anunciada a transferência do padre José Carlos Spínola, criador da organização que inclui moradores de rua e famílias carentes.

O padre Cido Pereira, da Pastoral da Comunicação, disse ao CBN SP que a intenção é ampliar a coleta seletiva pois a ação estaria de acordo com o tema da campanha da Fraternidade 2011 que será a preservação do meio ambiente.

Ouça a entrevista do padre Ciro Pereira

Ros Mari Zenha, que organiza abaixo-assinado para impedir o fim da coleta, não entende porém porque “os pobres trabalhadores estão na calçada esperando o lixo ser entregue pela população, que continua perplexa”. Na Reciclázaro são processadas 400 toneladas de material reciclável por mês.

Ouça a entrevista de Ros Mari, ao CBN SP, que foi ao ar, sexta-feira (31.12.10)

O fato de a Arquidiocese não ter ordenado a interrupção da coleta não significa que o pároco que substituirá padre Spínola não tome esta decisão. É isto que temem as pessoas que se mobilizam para manter o serviço na Lapa.

Além disso, desconfia-se que interesses econômicos possam estar por trás da medida. Com a Lei Nacional dos Resíduos Sólidos este negócio pode se tornar mais atrativo e empresas privadas estariam dispostas a entrar neste mercado que tende a ser lucrativo na maior cidade do país.

De minha parte, fico com a palavra do Padre Cido Pereira que, em entrevista, disse que o interesse da Igreja Católica é investir ainda mais na reciclagem. Mas é sempre bom ficar atento aos próximos passos. Ficaremos.

Aula de jornalismo, por Steve Wozniak

 

 

O bom livro – até aqui – de Steve Wozniak, que criou o primeiro computador pessoal e fundou com Steve Jobs a Apple, traz logo em seu primeiro capítulo uma aula de jornalismo.

Ele descreve brincadeira que fez junto com a mãe durante visita do candidato ao governo do Estado da Califórnia, Richard Nixon, à cidade de San Jose, em 1962.

Compareceu ao evento com um cartaz escrito a mão no qual declarava que o grupo de Operadores de Radioamador da Escola da Serra o apoiava. A brincadeira estava no fato dele ser representante dele mesmo, pois era o único operador na turma de alunos.

A surpresa de Wozniak, descrita em “iWoz”, editado pela Évora, no Brasil, é que sua foto apareceu na primeira página do jornal local como se fosse uma verdade:

Foi divertido e tudo, mas algo me incomodou, e digo que continua me incomodando até hoje. Por que ninguém percebeu a brincadeira? Ninguém checa os fatos? A chamada do jornal dizia algo como: “Steve Wozniak, alundo do sexto ano, representa um grupo da escola a favor de Nixon”. Eles não entenderam que não existia grupo algum da escola, que era tudo uma brincadeira que minha mãe havia preparado para mim. Isso me fez pensar ser possível contar qualquer coisa a um jornalista ou a um político que eles simplesmente acreditriam. Isso me deixou chocado – foi uma brincadeira que todos consideraram fato sem nem mesmo pensar duas vezes a respeito. Aprendi com isso que, em geral, as pessoas acreditam no que contam para elas – tanto brincadeiras quanto histórias malucas.

A história serve para lembrar que jornalista tem de ser desconfiado por natureza sob o risco de contar apenas a verdade que interessa à fonte, quando nosso papel é publicar toda a verdade – que, afinal, é o que interessa ao cidadão.

Leia, também, ‘Aula de jornalismo, com o prof. Pasquale”

Beijing restringe licença para novos carros

 

Beijing tem pouco mais de 17 milhões de moradores (penso que a expressão ‘pouco mais’ possa soar irônica) e frota que bate os 4,5 milhões de veículos. Este congestionamento de pessoas e carros não costuma dar muito certo – quem mora em São Paulo conhece bem a história. A capital chinesa tem o que especialistas consideram o pior trânsito do mundo. Por isso, o governo municipal está prestes a tomar medidas drásticas para conter a circulação na cidade.

Nos próximos meses, carro novo apenas se o motorista der sorte. Das cerca de 700 mil licenças concedidas por ano, serão sorteadas somente 240 mil, das quais 88% para carros particulares e o restante para veículos comerciais e instituições públicas. A frota oficial também ficará congelada nos próximos 5 anos.

Carros com placas de fora da cidade não poderão entrar em área central das 7h às 9h e das 17h às 20h, durante a semana.

Vai ficar 10 vezes mais caro estacionar na “zona azul” chinesa e o tempo de parada será reduzido pela metade, de acordo com as novas medidas. Em lugar de 2 yuan por meia hora, o estacionamento rotativo vai custar 10 yuan por apenas 15 minutos.

As mais duras medidas de restrição a circulação de carros na capital chinesa já causaram um primeiro efeito: a compra de “Zero Quilômetro” bateu recordes no mês de novembro, alcançando 95 mil unidades. São os chineses atualizando a frota antes que a lei entre em vigor.

Ao menos por lá, existem 300 quilômetros de trilhos disponível para quem prefere usar o metrô.

A titulo de comparação. A cidade de São Paulo tem em torno de 11 milhões de habitantes, frota que deve passar dos 6 milhões de carros e não mais do que 70 quilômetros de metrô. Na capital paulista, além de restringir caminhão e ônibus fretado, a medida mais drástica adotada pela prefeitura foi o rodízio municipal em vigor desde 1997. E a venda de carros continua um sucesso.

De resgate

 

Por Maria Lucia Solla


Ouça este texto sonorizado e apresentado pela autora

A Vila Cruzeiro foi ocupada, e o povo de lá se viu sob chuva de pétalas de rosas, em vez de chuva de balas. Surpresos, seus moradores assistiram a um show de policiais que faziam rapel, de um helicóptero ainda no ar, como fazem em alguns casos de resgate. Significativo.

Não entendo os meandros da política e da vida pública, daqueles que fazem e desfazem em meu nome e no teu, mas sei que por mais que a gente berre e reclame, dia após dia, das mesmíssimas coisas, por séculos, nada vai mudar. Sei também que por mais que a gente se descabele pelo que não foi feito e pelo que foi desfeito, nada vai mudar.

Mas voltando à Vila Cruzeiro, a polícia, depois do espetáculo de pétalas e da descida pela corda, distribuiu brinquedos para as crianças dali.

Na TV, vi o homem de fala mansa, que eu ouvira no rádio, dizendo que daqui para frente, tudo vai ser diferente. Acredito nele, e espero que seja mesmo. Bem diferente. Espero que os novos invasores tenham vindo para libertar e não para escravizar. Que esses homens de boa vontade possam vencer os de má vontade que seguramente estão infiltrados nos batalhões. Em vez de droga, oferecem paz.

Que homens e mulheres, daqui para frente possam ajudar a resgatar não apenas corpos, mas dignidade e sonho. Que possam compreender que do que mais precisam as pessoas que moram na Vila Cruzeiro, depois da festa e dos agrados, é respeito, porque desde que portugueses e jesuítas chegaram por estas bandas, nosso povo tem aceitado presente e promessa.

Quero me fazer entender. Acredito nesses homens, como sempre acredito no homem, até que me decepcione tanto que acabo me esquecendo, completamente, de que um dia admirava e respeitava. Pluf, cai a chave geral. Tenho claro que os antigos invasores de vilas e morros também prometiam muito, ofereciam possibilidade de crescimento na “empresa”, ofereciam morte rápida, tudo regado a chuva de bala, terror e escravidão. Os invasores da vez sabem disso, presenciaram isso durante anos até que o tempo certo chegasse – porque nada chega antes – e não vão repetir o erro. Estão do outro lado do campo, o campo do chamado bem, não é?

Entendo um pouco de gente, de gente que integra o lado do bem e de gente que integra o lado do mal, em todas as situações, e só vejo uma solução para todo esse imbróglio em que temos vivido há tanto tempo.

Respeito!

Não é a Educação para fazer do outro o que você quer que ele seja, e o levar a ser isso ou aquilo, que vai resolver. Não é a Saúde que se locupleta da nossa saúde, acariciando sintoma para alimentar grande$ grupo$, que vai resolver; nem um, nem outro. Não é com mais policiais armados na rua, gente como a gente, que se vai resolver a questão.

Não é dando dinheiro na mão do cidadão e presente em data festiva, como faziam os primeiros invasores, que vai resolver a situação.

É respeito, o primeiro ingrediente da receita. É preciso que aprendamos a respeitar o outro, sem esquecer que antes, muito antes disso, é preciso que cada um se respeite e se dê ao respeito. E é isso que a Vila Cruzeiro, os morros, os condomínios de luxo, os palácios e as taperas precisam.

quem sabe meu deus
a gente começa
enfim

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Ano Novo: Moda, é claro!


Por Dora Estevam

Depois de tudo o que você já viu sobre moda por aqui, acredito que este é o seu momento de escolher o que bem entender para atravessar a virada.

Esta época sempre exige uma boa dose de reflexão, o que não é nada fácil quanto parece. Mas, esta é a hora de botar tudo para trás e definir uma agenda nova e brilhante para 2011. Um processo que deve envolver toda uma rede de relacionamentos pessoais e profissionais.

Com o assunto em mente, falamos bastante da forte onda dos vestidos, dos mais diversos usos dos jeans, eternos companheiros, dos costumes masculinos e das tendências muito modernas das calças dobradas. Também falamos da recente volta do terninho feminino, sem esquecer das guloseimas e também da reportagem sobre nutrição.

Mesmo com tantos modelos e propostas achei interessante mostrar as bem vestidas de 2010, incluindo as modelos Olivia Palermo e Alexa Chung, muito comentadas por aqui o ano todo como as mais belas e bem vestidas, matéria editada e desenvolvida pela Style e também algumas fotos de streetstyle que são sempre bem vindas para nos dar uma noção do que as pessoas gostam de usar e como elas digerem as tendências no dia a dia; algumas fotos de desfiles e campanhas, todas já para 2011, com todo o glamour que você merece.

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A moda é uma festa o ano inteiro, são lançamentos, desfiles, tendências que não paran mais de chegar.

Para a passagem o que vale é o seu desejo de prosperar cada vez mais independentemente da cor ou do modelo que esteja usando.

Desejo uma chegada de 2011 encantadora para você e toda a sua família e que a sua vida seja regada de muitas festas este ano.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

Há 20 anos, vivendo em São Paulo

 

Acabo de gravar entrevista para Rádio Guaiba de Porto Alegre. Foi lá que comecei minha carreira jornalística, em 1984. Bem antes disso, foi no mesmo prédio na rua Caldas Junior que tive meu primeiro contato com o jornalismo quando ainda era guri de calça curta e corria pelo corredor ao lado do estúdio, chutando bola feita de lauda de papel.

Na conversa com o repórter João Batista, a intenção era falar sobre as expectativas para o Grêmio, em 2011. Mas foi a oportunidade de lembrar algo que me emocionou. Há 20 anos, nas primeiras horas do primeiro dia do mês de janeiro, eu desembacara de um avião da Varig, com mala e sem cuia nas mãos, na cidade de São Paulo para dar um salto em minha vida profissional e pessoal.

Retornava à capital paulista uma semana depois de ter estado por aqui para a festa de casamento de um amigo. Sem querer, descobri um teste para repórter da TV Globo. A pauta parecia simples: incêndio em casa antiga na Mooca. Transformei-a em discussão sobre o patrimônio histórico da cidade. Fui convidado para trabalhar de madrugada.

Da Globo, para a TV Cultura, de repórter de rua para âncora. Nesta caminhada, ainda passei pela Rede TV! e Portal Terra, época em que já estava de volta ao rádio por convite e obra de meu colega Heródoto Barbeiro. São mais de 10 anos na mesma emissora e na construção de projetos profissionais variados.

Mais importante, porém, foram as oportunidades que esta viagem me proporcionou de conhecer pessoas especiais e compartilhar, antes com minha mulher e, em seguida, com os dois filhos, a formação de uma família. Aqui, estruturei meu caráter, desenvolvi habilidades e, evidentemente, revelei carências para as quais estou sempre em busca de solução.

Se fim de ano é momento de reflexão e balanços (estão por todos os cantos da programação e das páginas de jornais), completar 20 anos em São Paulo, como acontecerá nesse 1º de janeiro de 2011, é motivo de muita satisfação.

Descobri-me maduro para profissão tão importante quanto o jornalismo; descobri-me cidadão para pautar minhas atitudes na cidade e na sociedade; e me descobri pai e marido, papéis que exerço com orgulho, mesmo com todas as falhas que me incomodam.

A viagem que começou em 1991 com medo e incerteza ainda não se encerrou, mas as conquistas alcançadas até aqui me fortalecem para mais esta etapa que se inicia em 2011.

Um ano de boas notícias para todos nós !

Lixão de luxo é desrepeito com cidade

 

Lixão de luxo

Acostumado a ver imagens de ruas da periferia paulistana tomada pelo entulho, há quem erroneamente culpe o cidadão pobre e de baixa escolaridade pela sujeira. Nos comentários abertos neste blog, lê-se críticas que soam preconceituosas quando fazem esta relação de causa e efeito. A estes convido que prestem atenção na imagem que ilustra este post. Foi feita nessa quinta-feira, dia 30.12, diante de prédio luxuoso na avenida Dona Helena Pereira de Morais, bem próximo do Parque Burle Max, encravado no rico bairro do Panamby, na zona sul.

O fotógrafo (eu), é verdade, não flagrou a imagem por completo, pois passava de carro pelo local e não havia como parar em busca de um ângulo melhor. Sinceramente, creio que não é preciso muito mais para mostrar a quantidade de lixo descartado pelos moradores do prédio a espera da empresa responsável pela limpeza pública que iria recolhê-lo ao fim do dia.

Esta mesma situação pode ser encontrada em vários outros prédios da região em calçadas que muitas vezes são ocupadas por famílias inteiras que catam na sujeira material que pode ser vendido em centrais de reciclagem.

Isto é para mostrar, também, que o mau comportamento e os hábitos inconvenientes na relação com o material descartado não estão relacionados a classe social e condição financeira, mas a falta de consciência cidadã que impera na sociedade. Problema que poderia ser evitado se houvesse política pública séria de coleta seletiva, na maior cidade brasileira.

Seu dia de sorte

 

Por Suely Aparecida Schraner
Ouvinte-internauta do CBN SP

Tarde quente. Ar abafado anunciando o temporal de sempre. Mais um verão escaldante. Céu azul celeste. O derradeiro dia de trabalho, enfim, as esperadas férias concentradas. Fim de ano. Desci do ônibus, no ponto final. Andei duas quadras. Ele atravessou a rua e veio na minha direção. De soslaio, notei que usava um chapéu como os de safári, enterrado na cabeça, até os olhos. Prognata. Bermuda larga, vermelha estampada e surrada. Camiseta grande , azul clara. Chinelo tipo havaianas, verde. Nas mãos uma sacola de supermercado, cheia. Foi chegando e perguntando:

– Por favor, você sabe onde fica o supermercado três amigos?

– Estou indo nesta direção. Vamos que eu te mostro.

– Você é corajosa.

– Você está me achando corajosa porque você pediu uma informação e eu respondi?

– É. Sabe que hoje em dia tem muita desgraceira por aí. É pai matando filho, filho matando pai, uns roubando e outros estuprando… Muita de maldade. Na moral, só tô falando, não quero te assustar. Eu mesmo fugi da cadeia, tá me entendendo? Tenho um carro logo ali, quer uma carona?

-Você está me dizendo que fugiu da cadeia….

– É. Do Carandiru. Peguei 27 anos. Sabe como é, cabeça quente, barbarizei. Mas você é corajosa, fala com estranhos, hein? Acha que eu ia ficar lá? Só quem já ficou é que sabe. Faz uma semana que estou de boa. De dia eu durmo, de noite fico andando. Pra não rodar. Bobeou, jacaré vira bolsa. Tomo banho na represa. Comida me dão nas lanchonetes por aqui. Sabe do que mais? Tô cansado de saber onde fica o supermercado três amigos. Você não está com medo?

Agora, chegando quase em frente de casa, pensei: “deve ser mais um louco na cidade tentando me assustar. Fazer confidências, a troco de quê?”

A rua morta. Nem mosquito à vista. Pensei em tocar na vizinha para despistar. Faltou vocação pra “amigo da onça”. Então, tentando aparentar a maior calma, e me fazendo de desentendida:

– É só seguir em frente, o supermercado fica depois da avenida.

– Só mais um favor. (Abrindo a sacola e exibindo o conteúdo.) -Ganhei esses pedaços de pizza e preciso comprar um refrigerante.Tá tão calor. Você tem uns trocados pra me dar?

Até tinha, só que nesta altura não ia abrir a bolsa pra ele, ali no meio da rua.

-Vou ficar devendo, ando só com passes para a condução.

– Não tem não? Quem mora em casa tá pior do que quem mora na rua… Quer saber?

Enfiou a mão no bolso da bermuda e tirou um “bolo de notas” de R$10,00 e R$ 50,00, vi apavorada que a história da fuga era pra valer.

– Tó, pode pegar, presente pra você, ele insistia.

-Não muito obrigada, não precisa. Ao que retrucou aos gritos:

– O quê, vai recusar? Você falou comigo na boa. Foi simpática… Não posso te fazer um presente não? Pega aí!

– Claro que pode, e eu agradeço de coração, mas você está na rua e espero que aproveite bem seus dias de liberdade.

-Você mora aí?

Fui abrindo o portão de entrada da casa, coração aos pulos. Ele seguiu andando devagar, olhando pra trás. Mostrou o cabo do revolver enfiado sob a camiseta, no cós da bermuda e gritou.

– Tchau! Feliz Ano Novo! Olha, joga na loteria que hoje é seu dia de sorte!

Aula de jornalismo, por Pasquale Neto

 

A coluna do professor Pasquale Cipro Neto, na Folha, desta quarta-feira, tem alertas importantes para nós jornalistas – e para o consumidor de notícias, também.

Começa lembrando a falta de coerência entre o que se escreve e o que se mostra, a partir de exemplo encontrado em portal da internet, e a imprecisão de informações, com base em reportagens sobre a neve nos Estados Unidos. E conclui com crítica a uma daquelas muitas expressões que teimamos em usar na cobertura diária.

Reproduzo o último trecho do texto escrito por Pasquale:

Já que falamos de praia e de aeroportos, o que nos lembra viagens, convém lembrar outro caso do gênero. Chega o fim de semana prolongado e o litoral paulista fica cheio de gente de fora. No fim do feriadão, o rádio e a TV informam: “Acompanhamos o retorno do paulistano. Ainda faltam subir X veículos…”. Primeiro, não “faltam subir X veículos”; “falta subirem X veículos” (o que falta é X veículos subirem). Depois, quem disse que, se “desceram X veículos, necessariamente vão subir X veículos”? E o povo que fica por lá, que vai para o litoral sul e volta pela Régis etc.?
Por fim, quem disse que todos os carros que descem a serra são de paulistanos? O pessoal de Guarulhos é paulistano? E o de Osasco, o de Santo André, o de Jundiaí?

Pena a coluna dele não estar disponível na internet, mas vale esticar o olho no jornal do vizinho ou da redação para que erros como estes não se repitam em respeito ao público.

Foto-ouvinte: Chama o Sugismundo

 

A preocupacão com o lixo acumulado na cidade aumenta a medida que as chuvas de verão se aproximam. Nesta semana, chegaram cenas tristes encontradas nas esquinas de São Paulo que se transformaram em lixões a céu aberto.

Lixo no Jardim Jaqueline

O Jardim Jaqueline está na zona Oeste e não precisa andar muito para tropeçar na sujeira que toma conta das calçadas, enquanto crianças brincam e famílias inteiras tentam viver. Não basta responsabilizar a população pelo lixo acumulado, pois faz um mês que as reclamações são feitas à subprefeitura do Butantã, mas nada é recolhido, segundo informa o líder comunitário Antônio do Chapéu.

Lixo no Jardim Independência

O Parque Independência está na zona Sul e a situação é semelhante. A lixeira e a caçamba escondidas embaixo do lixo estão na avenida da Meonda Velha com a rua Feitiço da Vila, pertinho de uma escolha municipal. De acordo com Devanir Amâncio, da ONG Educa SP, a sujeira não é recolhida regularmente, “cabendo ao córrego Moenda Velha levar o lixo para a Represa Guarapiranga”.

Se a prefeitura é acionada e nada faz, resta ao cidadão recorrer ao Sugismundo, personagem criado na década de 1970 em campanha do Governo Federal que tinha como lema “povo limpo povo desenvolvido”. Com ele, ao menos, a gente dava boas gargalhadas