Trólebus no ritmo da Copa

 

Veículo elétrico da empresa operadora Metra foi decorado para mostrar ao País a torcida pela seleção e pela alegria do povo brasileiro. Já é a segunda empresa no ABC que prepara um veículo especial para comemorar o mundial de futebol

Por Adamo Bazani

A ansiedade está cada vez maior pelos nossos astros da bol, que têm a missão muito maior do que ganhar algumas partidas, mas de proporcionar a alegria que o brasileiro merece, fazerem bonito neste mundial da África do Sul, em 2010.

Pelo menos a torcida brasileira, como sempre, faz sua parte. Da simples bandeirinha na janela de uma casa humilde de alguma periferia neste País de dimensões continentais até a mais sofisticada decoração no luxuoso estabelecimento comercial ou conjunto residencial, ricos e pobres, iletrados e cultos, todos falam a mesma língua e proporcionam à Nação uma energia especial que pode ser sentida de alguma forma nas ruas, apesar de todos os problemas que a população enfrenta.

E esse clima contagiou de vez o setor de transportes no ABC Paulista.

Depois do BUS COPA, que roda pelas ruas de Santo André, com o simpático motorista Edílson Oliveira Santos, da Viação Vaz, agora é a vez de um dos melhores sistemas de transportes com tecnologia limpa do País, exemplo para o mundo, com corredor segregado moderno, também mostrar sua torcida.
Até o final da Copa do Mundo, em 11 de julho, roda pelo Corredor Metropolitano ABD, um trólebus todo decorado, com adesivação especial em homenagem ao esporte maior da nação. No corredor que liga São Mateus, na zona leste da capital, ao bairro do Jabaquara, na zona sul, passando pelos municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema, e Mauá, na região do ABC, a empresa operadora Metra decorou o trólebus de prefixo 7301, modelo Urbanuss Pluss LF, que pode ser visto revezando de linhas no corredor exclusivo.

Aliás, o sistema tem de comemorar mesmo na Copa.

Para a instalação dos BRTs (Bus Rapid Transit), em cidades como Pretória, Joanesburgo, Porto Elizabeth, Cidade do Cabo, o sistema do ABC Paulista foi uma das inspirações para as autoridades sul-africanas, que também consideraram os exemplos de Curitiba, o primeiro sistema de via segregada com embarque rápido e veículos especiais do mundo, inaugurado em 1974, e o Transmilênio, de Bogotá, na Colômbia.

Aliás, a Colômbia que mesmo não jogando, foi muito bem representada na Copa do Mundo, com a apresentação da pop Star Shakira. Como o país está fora do mundial, restou à musa torcer pelo Brasil, conforme declarou em entrevista, em bom português, ao canal Sport TV que você pode conferir aqui.

A escolha do carro 7301 também não foi à toa.

O veículo é um dos orgulhos da Metra e uma prova de que o Brasil tem muito mais a oferecer ao mundo que o Futebol. Uma destas coisas é a tecnologia de ponta 100% nacional para transportes coletivos limpos. O trólebus que tem mais de 10 anos funcionava com sistema de corrente contínua e chassi de tração importado. A empresa Eletra, que produz veículos sem emissão de poluentes totalmente brasileiros, pertencente ao grupo da Metra e da Auto Viação ABC, numa operação inédita, no ano passado, conseguiu converter o trólebus para corrente alternada.

O sistema é mais econômico, moderno e possibilita maior força de arranque nas operações do trólebus. A principal vantagem, no entanto, é que pelo fato de a corrente ser alternada, a relação entre o motor e o eixo de tração é bem mais simples. Sendo assim, os trólebus de corrente contínua usam eixos de tração importados, já o de alternada, possibilita o uso de qualquer eixo nacional, articulado por conta do peso maior de um trólebus.

Este tipo de eixo é bem mais barato, elimina as taxas de importação e a manutenção é simplificada, podendo-se achar peça de reposição em qualquer concessionária ou revenda especializada.

Sem a necessidade de importação das peças, é mais fácil controlar os estoques e as reposições são mais rápidas.

Além disso, a Metra aproveitou o layout do ônibus elétrico para decorá-lo, pois é o único do sistema que possui o padrão de cor verde, justamente por causa dessa alteração conseguida pela empresa Eletra. Com as frases “Todos Torcemos pelo Brasil” e “Brasil Rumo ao Hexa”, a pintura verde do trólebus, na lataria, se une a um campo de futebol, estampado na janela, que é inteiriça por conta do ar condicionado.  No desenho, um jogador está pronto para chutar e fazer o que é mais importante numa partida: o gol. Afinal, “Bola na Trave não Altera o Placar.”

Ao fundo deste cenário, uma torcida com confetes, enfeites bem alegres e uma bandeira do Brasil tremulando … Típico cenário dos estádios e da casa de muita gente. Um dos detalhes mais bonitos é a bandeira no vidro traseiro.

Rosana Isabel dos Santos, de 24 anos, usuária do corredor metropolitano, gostou da idéia. “A bandeira atrás do ônibus poderia ficar sempre, mesmo depois da Copa.”, comentava sorridente.

Vale lembrar que o trólebus da Copa só vai operar no trecho entre São Mateus, Santo André e São Bernardo do Campo, até o Terminal de Piraporinha, únicos trechos do corredor eletrificados e que podem receber este tipo de veículo.

Pela Metra, a torcida pela seleção será mais saudável e com o ar mais limpo. Afinal, o trólebus, depois de 61 anos no Brasil, ainda é o único veículo com emissão zero de poluentes, economicamente viável com a realidade brasileira.

Os ônibus decorados no ABC Paulista foram aprovados pela população. Basta ver se aprova, hoje, o time de Dunga.

Adamo Bazani, jornalista, busólogo, fã da Shakira, torce para o Brasil e escreve no Blog do Mílton Jung.

Vuvuzela não cala decepção de trabalhador africano

 

Trabalhador na África do Sul

O estádio Moses Mabhida, em Durban, reuniu na noite de domingo duas verdades desta Copa da África do Sul: o espetáculo do futebol e o escândalo da desigualdade social. Os milionários jogadores da Alemanha já haviam deixado os vestiários de volta para a concentração, após a goleada por 4 a 0 contra a Austrália, quando estourou o confronto entre policiais e centenas de trabalhadores que prestam serviço no local.

Os funcionários protestavam contra o pagamento que consideram insuficiente para a função que realizam. Reclamavam terem recebido ofertas de salário que chegariam a R 1,500 mas não levaram mais de R 190. Em bom português: em vez de R$ 350 por dia, ganharam R$ 45.

Poucos dias antes do início dos jogos, o analista do jornal sul-africano Business Report Terry Bell alertava que os sindicatos e trabalhadores não identificam nenhum favorecimento para os movimentos sociais vindos da Copa e da Fifa. Enquanto a organizadora dos jogos garantia o maior lucro possível para si, eximia-se de qualquer responsabilidade em relação aos direitos trabalhistas advindos de contratações relacionadas a Copa.

Um dos líderes de sindicato que reúne trabalhadores de empresas de energia elétrica Lesiba Seshoka acusou a concessionária de emperrar as negociações por aumento salarial com o objetivo de jogar a opinião pública contra os funcionários, pois estes, supostamente, estariam interessados em prejudicar a realização da competição. “Não podemos adiar a fome para os nossos filhos”, comentou em um jornal que eu lia na praça procurada por milhares de turistas na hora do almoço, em Cidade do Cabo.

Aqui mesmo, em conversas com funcionários, nas áreas de prestação de serviço, é possível identificar outros motivos para a indignação. Muitas das vagas criadas para atendimento do público durante a Copa foram ocupadas por trabalhadores que chegaram dos demais países do continente. Calcula-se que 30% delas estão servindo a pessoas que se deslocaram desde Angola, Gana, Moçambique, entre outros.

Boa parte dos empregos que surgiram na onda dos jogos é temporária e informal. Ou seja, desaparecerá assim que o capitão da seleção vencedora levantar o caneco.

Nem o entusiasmo das vuvuzelas menos ainda a violência do gás lacrimogênio e das balas de borracha – jogados sobre os trabalhadores que participaram do protesto de domingo – serão suficientes para encobrir a frustração desta gente que acreditou no “espetáculo” do futebol.

De vida e trabalho

 


Por Maria Lucia solla

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Ouça “De trabalho e vida” na voz e sonorizado pela autora

Silvana pediu que eu falasse sobre trabalho na minha vida, para um trabalho dela na universidade.

Gostei e rapidamente me prontifiquei. Mais uma oportunidade pra eu pensar no que gosto.

É bom pensar no que se gosta. As vezes a gente se empolga e fica lá, viajando no pensamento e se deixando levar de bom-grado, por ele. Aquietando a mente do agora e despertando outra: atemporal, amoral, anônima. Livre!

mente é escrava de começos e meios
mas soberana de finais
e o quê na vida
se pode pedir mais

mas prometo me concentrar
preparar as rédeas
e a minha mente encilhar

Vem cá, mente minha, ô sua traquinas! façam um belo trabalho, você e o meu coração, e digam pra mim, de modo que eu possa colocar em palavras, o que é que eu penso, afinal, de vida e trabalho.

E assim, de bate-pronto, como plim-plim, o quadro é claro, e vejo na tela, nitidamente, o passar da minha vida:

trabalho e vida

pernas e braços
esquerda e direita
bem-me-quer malmequer
cabeça tronco e membros

como viver um sem a outra
só não vê quem não quer

trabalho é caminho
é Vida
que é não por acaso
também chamado de Lida

trabalho é levantar da cama cedo
pra treinar com o Val
é preparar o ano todo
fantasia pro Carnaval

trabalho é fazer café
pro grande amor
ou pro chefe doutor
sempre adoçado com mel
o escolhido
entre ele e o fel

é andar estudar amar

sim porque amar é trabalho também
ou você acha que é fácil
ter juntinho a você
alguém pra chamar de bem

Trabalho é forma de expressão; trabalho é o leão correr atrás do sustento da leoa e seu rebento.

E termino pedindo desculpa pela invasão do poema, mas acabo sem sentir culpa, pois não me afastei do tema.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua inglesa e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Por quem você torce e por quê ?

 

Direto da Cidade do Cabo

Primeiro de tudo. Esqueça este papo de que jornalista é imparcial. Não torce por ninguém. Torcemos, sim. E este que vos escreve é gremista desde pequenininho. Azar de quem não gosta.

Em seguida, vamos ao que interessa.

Torcedores em Cidade do Cabo

A bola começa a rolar, e você lá com aquele olhar blazê. Coreia do Sul e Grécia, não interessa. A troca de bola rápida chama a atenção. A movimentação de um dos times lhe agrada. A defesa do goleiro, entusiasma. E, de repente, o gol. E você, discreto, comemora. Por que você torce ?

Eu escolhi os asiáticos porque mostraram futebol melhor do que os gregos, e estavam cheios de Jung na escalação. Me dei bem.

Aqui na Terra da Copa, há torcedores de todos os lados. Eles caminham juntos, cruzam um pelo outro, tocam uma corneta (não, não é da vuvuzela que estou falando), brincam, se cumprimentam e seguem em frente. Vestem a camisa da sua seleção, pintam o rosto com a bandeira nacional e às vezes pregam algumas peças.

O menino com a jaqueta do Brasil é mexicano. O brasileiro de verde e amarelo veste o uniforme da África do Sul. As suecas, também. E os dois argentinos não se acanham de andar prá lá e prá cá com a bandeirinha da Inglaterra – receberam de umas moças de shorts curto que saíram de dentro de um enorme e barulhento ônibus que tocava o hino da Rainha, diante da praça na qual turistas se encontram em V & A Waterfront, área rica da cidade.

Torcida inglesa

No jogo da Argentina, a torcida dos brasileiros pela Nigéria era explícita. Os poucos ataques do time africano eram acompanhados com atenção; enquanto os chutes de Messi e companhia, com apreensão. Não fiz parte desta torcida, pois tendo a ficar com os sul-americanos, mesmo quando estes são considerados arquirivais. Acertei o lado, de novo.

EUA e Inglaterra estavam em campo lá na parte de cima da África do Sul. Aqui na parte de baixo, “americanos” e “ingleses” sentaram lado a lado em uma pequena arena montada diante de um tela gigante de TV na praça do shopping Victoria Wharf. Havia africanos-ingleses, franceses-americanos, indiano-ingleses, sei-lá-o-quê-americanos e assim por diante.

Torcedores em Cidade do Cabo

Conversei com alguns brasileiros: Marcelo torce para os EUA porque “eles estão melhorando”; Fabi para a seleção de Beckham e ele é o motivo da torcida dela; Carol morou seis meses em Londres e não tem receio em socar o ar quando sai o primeiro gol do jogo; está com mais dois amigos que também viveram por lá e até agora não entenderam como Green deixou a bola passar. Eles quiseram saber para quem eu torcia: Inglaterra, eu disse. Se não os americanos vão perder em que esporte ?

A torcida internacional no Victoria Wharf se definia de acordo com o passar do jogo. Havia umas 400 pessoas sentadas nas arquibancadas ou debruçadas nas cercas do andar de cima. Os ingleses de origem e os agregados eram maioria, apenas uma pequena parcela comemorava os lances em favor dos Estados Unidos. Havia americanos de verdade, com bandeira enrolada, garrafa de whisky na mão e mais exaltados do que todos. Quando ensaiavam um “USA” desafinado, eram logo calados pelo “England” que soava mais alto e em diferentes sotaques.

Torcedores em Cidade do Cabo

As três amigas sul-africanas que estavam voltando para casa, depois de um dia de trabalho no shopping, sentaram por ali mesmo. A mais excitada era “american”, a colega “england” e a terceira “não-fede-nem-cheira”: “Nem gosto muito de futebol, mas está muito divertido.

Assim que a temperatura baixou ainda mais e a chuva apareceu, Inglaterra e Estados Unidos perderam o apoio de uma parcela da torcida.

“Por que vai embora ?”, perguntei. “Com essa chuva, deixa eles pra lá”, respondeu o torcedor com o moleton estampando a bandeira da Eslovênia. Deve ter deixado o local feliz com o empate de 1 a 1 que assistiu. Ele não estava ali torcendo, estava secando. A seleção dele joga amanhã contra a Argélia e se vencer termina a primeira rodada líder.

E você, como escolhe a seleção pela qual vai torcer. Ou secar ?

Eles querem as gordinhas

 

Por Dora Estevam

Fluvia Lacerda

O frio chegou, assim como a Copa. E a fome também. Há quem brigue com a balança achando que está quebrada, que tem algum engano. Também pudera – não sei você, mas eu não paro de comer. E isso que o Brasil ainda não jogou.

Não pensa que esqueci das festas Juninas. Pelo menos duas são obrigatórias. Para quem gosta de comida típica como eu, impossível fugir delas.

E tem também os desfiles da SPFW – edição que apresenta a coleção de verão 2011. E volta o assunto das modelos magras. Mas sempre foram. E vai coleção, vem coleção o assunto é sempre o mesmo. Uma campanha aqui, outra ali, e continua tudo igual. Verdadeiros cabides.

Calma, não estou querendo dizer que deveria ser diferente nem criticando o fato de não ser como elas (nem de longe… ) também não posso dizer que tem que ser assim mesmo porque senão as gordinhas vão me matar.

Tá ! Por falar nelas, agora muito, mas muito mesmo, em moda são as modelos Pluz Size (modelo GG) garotas de bem com a vida e lindas. A novidade este ano é que o evento que organiza o Miss Brasil (normalmente, Miss Magrinha) agora também seleciona Miss Brasil GG. Legal, né!

A garota precisa seguir alguns pré-requisitos, nada complicado: primeiramente, é claro, ser G ou maior que G; ser solteira, não pode nem morar junto (põe o namorado pra correr); nunca ter posado nua, nem mostrado o seio em foto (ufa!) nem ter feito filme pornô; e ser muito alegre, simpática, ter boa postura, estar com a saúde em forma e a educação, também.

Bem, se você conhece alguém que se enquadra nestes requisitos e gostaria de ser Miss, vale a pena tentar. É só clicar www.misssaopaulo.com.br.

Fluvia LacerdaUm caso muito conhecido de modelo nesta categoria é o da brasileira Fluvia Lacerda, 29 anos,13 anos em Nova York. Pode-se dizer que a moça revolucionou o mercado GG no Brasil. Voltou para renovar o conceito das confecções com relação aos tamanhos grandes e também deu um empurrão nas modelos gordas que na opinião dela eram desvalorizadas e mal pagas.

Tem mercado para todo mundo, ninguém fica de fora nem a barriguinha proveniente da comilança, efeito Copa, Festa Junina, desfiles, e etc.

O interessante é que a roupa exerce um poder nas pessoas sem que elas percebam. Mesmo que diga que não liga pra estas coisas, acaba caindo em contradição quando vai às compras porque a peça que está em casa está fora de moda ou está velha. É sempre assim.

Eu conheci gordinhas lindas e super bem vestidas, meninas que se produzem com peças da moda e ficam charmosas. Assim como outras que nem ligam para a moda e dão graças a Deus por ter um camisão bem largo para se esconder dentro dele. Também conheço magras que são verdadeiras cafonas e outras que são chiquérrimas. Tudo é uma questão de gosto e estilo da pessoa.

Agora, é muito comum ouvir as grávidas, as gordas e as pessoas com deficiência reclamarem que nunca tem roupa para eles. É verdade. Vergonha mesmo é o Brasil com tantos talentos de estilistas não ter um sequer que faça a moda voltada para estes segmentos. Assim como o pessoal do Miss Brasil deu o primeiro passo quem sabe o Paulo Borges, diretor do SPFW, não segue o caminho e convide estilistas com propostas para este mercado desfilarem na próxima edição.

Na mesa com o Capitão do Tri

Direto da Cidade do Cabo

Carlos Alberto Torres

Véspera da abertura da Copa do Mundo, o jantar foi em um dos melhores hotéis de Vitoria & Alfred Waterfront, área turística, rica e movimentada. Na mesa, um convidado especial, Carlos Alberto Torres, Capitão do Tri, bom papo e bem humorado apesar da dor provocada pelo nervo ciático que não resistiu a mais de 12 horas de avião entre Rio, São Paulo, Johannesburgo e Cidade do Cabo.

Para acompanhar a conversa, um Saxenburg Pinotage 2004, vinho produzido em vinhedo não muito distante daqui, de sabor amadeirado capaz de agradar a este escriba.

A safra é boa ?

Não é das melhores, respondeu Carlos Alberto. Nós não falávamos de vinho, mas de futebol. “Nenhuma seleção se sobressai”, disse logo de cara.

Fez algumas ressalvas, ao citar a Espanha que tem a melhor formação desde 1962 quando perdeu para o Brasil por 2 a 1, na Copa do Chile. Lembrou da Argentina e os jogadores de ataque, principalmente, citados ao mesmo tempo que Carlos Alberto tocava o peito com a mão fechada, sinal de que acredita que a raça desta turma pode fazer diferença.

“Messi, se entrar no ritmo da Copa, pode dar seu grande salto”, acrescentou quando perguntei quem seria o melhor jogador deste Mundial.

E o Brasil, “Capita” ? Perguntou o anfitrião que escutava a conversa e demonstrava intimidade.

Quando Carlos Alberto Torres fala da seleção brasileira demonstra a mesma personalidade forte que o consagrou em campo. Não esconde seu descontentamento com o time que estreia dia 15 contra a Coreia do Norte, em Johannesburgo. Em entrevistas já havia revelado discordância em relação a convocação feita pelo técnico Dunga e a falta de criatividade.

Preferia ter em campo Ronaldinho Gaúcho, Ganso, Neymar e Adriano.

“Imagina o Adriano entrando em campo, aquele baita cara, impõe medo no adversário”, explicou assim por que era a favor de que tivesse havido mais cuidado de Dunga com o atacante da Roma.

Para ele, o técnico brasileiro deveria ao menos ter trazido Paulo Henrique Ganso, menino do Santos, time pelo qual Carlos Alberto Torres também fez sucesso, entre 1966 e 1974, com Pelé ao lado. Dunga não teria nada a perder e ofereceria ao torcedor mais esperanças: “tá todo mundo com uma cara assim, será que vai dar ? Não sei, não !?”

Essa coisa de comprometimento com o grupo, pode até ser importante, mas o Capitão do Tri volta a ser taxativo: “Seleção é seleção, seleção é diferente”.

Conta que em um dos muitos eventos internacionais que tem participado – está na África à convite da Visa -, depois de reclamar da ausência de jogadores que poderiam desequilibrar um jogo, ouviu de um interlocutor que Felipão também havia deixado Romário fora do time e ganhou a Copa mesmo assim.

“Mas ele tinha o Ronaldinho Gaúcho”, rebateu com a mesma objetividade e precisão que o levou a marcar o gol que fecharia a goleada sobre a Itália, por 4 a 1, na final da Copa de 70.

Na cerimônia do “pontapé inicial” da Copa da África, transmitida na TV que estava pendurada na parede atrás da nossa mesa, o lance escolhido para representar a conquista do Brasil no México 70, não por coincidência, foi o gol de Carlos Alberto. Ele sorriu quando todos olhamos para a tela e para ele: “Já não aguento mais, vi esse lance umas 50 mil vezes na vida”, desdenhou.

Aquela, sim, foi a melhor safra de todos os tempos.

A viagem no ônibus da Copa, em Santo André

 

Ônibus da Copa em Santo André

Por Adamo Bazani
 

“Já são três dias sem dormir direito. Não via a hora. Para mim a abertura da Copa do Mundo é hoje. A expectativa é a melhor possível”. A frase foi dita no dia 9 de junho, quarta-feira, e revelava a expectativa não de um dos convocados do técnico Dunga, mas de Fumassa (com dois esses mesmo), motorista da Viação Vaz, que faz parte integr o Consórcio União Santo André, gerenciado pela SATrans – Santo André Transportes.

Acostumado a se vestir de Papai Noel no fim do ano, desta vez o personagem que ele iria representar era outro: o de torcedor do Brasil, a bordo de um Comil Svelto Midi, motor Mercedez Benz OF 1418. A empresa vestiu o ônibus de verde e amarelo e o transformou em uma espécie de estádio de futebol ambulante. Há bandeiras e enfeites alusivos ao Brasil, uma réplica da Copa do Mundo no painel do Motorista e o assoalho está revestido com grama sintética. Além disso, foram instalados dois televisores LCD, de LED, 22 polegadas, para que os passageiros possam assistir aos jogos do mundial.

O sócio-diretor da empresa, Thiago Vaz, conta que a preparação do ônibus deu trabalho, mas que valeu a pena:

“Priorizamos a alegria e as cores do Brasil e isso será gratificante demais quando o ônibus estiver na rua. E esse veículo foi fruto de união, vontade, abnegação dos funcionários e trabalho de equipe. Primeiro elaboramos o layout com a opinião de todos, para deixar o ônibus com visual alegre, porém equilibrado, sem ser pesado ao olhos das pessoas. Depois veio o trabalho de envelopamento e adesivação, de acordo com o que foi autorizado pela gestora de transportes aqui de Santo André. Foi um dia inteiro de trabalho artesanal, contando com um profissional especializado. A parte interna, que tem os enfeites e a grama sintética, teve a participação de especialistas e também de funcionários. As idéias e boa parte do trabalho para decorar o ônibus internamente foram de duas funcionárias do setor de almoxarifado, a Regina e a Natiele. O ônibus integrou a equipe interna e com certeza vai integrar a Viação Vaz à comunidade” .

Só para o envelopamento externo a empresa investiu R$ 6,8 mil. Investimento que, segundo o dirigente, é compensado pela maneira como a comunidade reage diante de uma ação como esta.

Acompanhei a primeira viagem do ônibus pelas ruas de Santo André com o motorista Fumassa no comando. Mal saímos da garagem, no Jardim Bom Pastor, o pessoal de uma padaria foi para a calçada aplaudir e acenar.

“É hexa, é hexa” – gritava o motorista e a galera repetia.

Ônibus da Copa em Santo André

Na primeira parada, um presente para Fumassa. Era Dona Iraíde Paulo da Silva, que conhece o motorista desde pequenininho. Ela já entrou brincando:

“É muito chique viajar com o Fumassa. Conheço ele há 28 anos, quando tinha 5 aninhos e fazia o prezinho … Fumassa, sabe que eu tenho por você um amor de vó “ .

A demonstração de carinho emocionou o motorista, que lembrou de sua infância e adolescência difíceis. Junto com a mãe, ele tinha de ajudar no sustento da família.

“Minha mãe é uma guerreira, viu. Pena que ela já é de idade e doentinha. Senão, fazia questão que ela fosse minha primeira passageira neste momento tão especial” – emociona-se.

Especial mesmo. A cara emburrada e de cansaço de boa parte dos passageiros mudava ao ver o ônibus todo enfeitado e o motorista vestido como jogador da seleção – sim, porque Fumasse não perderia a oportunidade de estar travestido assim como o ônibus.

Muitos riam, outros puxavam assunto, faziam piadas. Alguns, mais surpresos, perguntavam se era mesmo o ônibus da linha I 03 (Jardim Bom Pastor / Parque Caupava).

As crianças então eram as mais entusiasmadas. Fumassa retribuia distribuindo chaveirinhos para os meninos e meninas que festejavam a passagem do ônibus. Era presente para crianças, mas adulto também queria.

As reações dos passageiros do “Bus Copa” eram as mais variadas possíveis.

“Muita gente diz que o povo só é patriota na Copa do Mundo. Eu discordo. Só de acordar cedo, pegar uma condução nem sempre como queríamos, trabalhar o dia todo com pressão e ainda ter um espaçozinho dentro do coração para ser bem humorado, já é um sinal de amor ao País e à vida” – disse o mecânico José Tonduratto, um dos passageiros do sentido Capuava.

Aliás, frases e pensamentos como este eram despertados pelos enfeites e o entusiasmo do motorista Fumassa.

Num certo ponto da viagem, um senhor entrou no ônibus, ficou admirando os veículo. A grama sintética no piso, o que era mais comentado pelos passageiros, mas passou quase o tempo todo em silêncio. Este repórter então foi puxar um papo com ele. Não deu outra, o homem demonstrou toda a emoção e saudosismo que sentia no momento. Isso porque ele, já aposentado, fora motorista de ônibus e, mesmo sem o incentivo da empresa, em época de Copa do Mundo, sempre fazia questão de decorar  o veículo mesmo que de maneira simples.

Erinédio Soares trabalhou na Viação Garcia, não a famosa do Sul do País, mais uma de fretamento que operava no ABC. Ele foi motorista só desta empresa por 24 anos.

“Nossa, me lembro que eu decorava os ônibus também. Claro, era simplezinho, mas para mim era uma ocasião especial na época de Copa do Mundo e outras datas festivas. O senhor Ângelo Garcia fundou a empresa em abril de 1973. Já fui trabalhar na empresa quase em seguida. Em 1981, ele passou para outros donos que ficaram com a Garcia Fretamento até 1998. Foi quando eu fui transferido para a São José de Turismo. Trinta carros com os motoristas foram para a São José e 60 carros, também, com os funcionários para a Domínio. Êta época boa, dirigir ônibus tem seus problemas e estresse, mas é muito bom” .

Ao se aproximar do ponto final, Fumassa falava em alto e bom som: “Aqui é minha área”. Era verdade. Ele tinha de parar em quase todo o quarteirão para dar um olá para um conhecido e entregar um chaveiro para uma criança. A cada rua uma história.

“Vi o filho da dona deste bar pequenininho, agora ele está crescendo …. nos finais do ano, sempre uma velhinha que morava nesta casa vinha me ver de Papai Noel …. ah essa casa aí, ta vendo? .. Tem uma senhora muito legal. Me dá uma garrafa de café quase todo o dia”.

Muitas outras histórias foram contadas por Fumassa até chegarmos ao ponto final, no Parque Capuava. A satisfação dele contaminava a todos e a este repórter, em especial.

Ao desembarcar, pensei comigo mesmo: ” Falta de união para lutar por uma vida melhor… Pouco engajamento político… A crença e ilusões … A fácil manipulação… Tudo isso é crítica que se pode fazer ao povo brasileiro, mas é um povo batalhador que com todos os problemas ainda dá valor ao sorriso, como se vê no rosto e na alma do motorista Fumassa”.

Ádamo Bazani é repórter da CBN, busólogo, e torcedor do Brasil

Pedalando na Cidade do Cabo, amiga da bicicleta

 

Direto da Cidade do Cabo

Passeio de bicicleta na Cidade do Cabo

Além da mão inglesa – que ainda atrapalha a maioria dos turistas -, os britânicos que estiveram por aqui no século 19 parecem ter deixado outro legado para o trânsito da Cidade do Cabo: o respeito ao pedestre e ao ciclista. Parar antes da faixa de segurança e dar preferência aos que caminham e pedalam, é comum por aqui.

Foi neste ambiente que decidimos – eu e mais três colegas do Portal Terra – fazer um tour pela cidade de bicicleta. Tivemos de buscá-la no centro porque se a encomenda fosse no hotel custaria bem mais caro e a caução também seria maior. Com R 160, moeda local, algo próximo de R$ 50, você aluga uma bicicleta por 24 horas, e deixa o número do cartão de crédito à disposição para casos de desaparecimento.

O trajeto havia sido planejado com um mapa em mãos, mas logo o nosso caminho sofreu mudanças. Avenidas que nos levaram a passar por prédios modernos e calçadas largas foram escolhidas por curiosidade. A cidade que tem um pouco da cara do Rio de Janeiro, já que está na orla e tem o morro logo atrás, também abriga construções como as da avenida Berrini, em São Paulo (não me refiro a bom gosto, mas a dimensões). Isto se justifica por ser a capital legislativa da África do Sul, onde o Parlamento Nacional e vários escritórios do governo estão postados, além de ser um pólo comercial e industrial importante no país.

Mesmo o passeio tendo se iniciado logo após o meio-dia, o trânsito não chegou a ser uma barreira. Em algumas vias centrais era preciso prestar bem atenção para não sermos traídos pela mão invertida. Com exceção de um motorista que não pensou duas vezes ao fazer a conversão à esquerda para entrar na garagem, o que obrigou uma freada brusca, os demais parecem ser cuidadosos com os ciclistas – ao menos com estes que tem cara de turista.

Cidade do Cabo ciclovia

Atravessar as ruas é tarefa facilitada pois todas as calçadas são acessíveis com guias rebaixadas. Nos locais em que não existem semáforos, a faixa de segurança é facilmente identificável seja pela pintura zebrada seja pelo piso diferenciado. Não há também aglomeração de pessoas circulando, o que permite pedaladas e paradas estratégicas para fotografia ou apenas para apreciar uma construção qualquer. Isto talvez seja resultado da baixa densidade demográfica de Cidade do Cabo. Cerca de 3 milhões e meio de habitantes vivem em uma área de 2.455km2 – bem mais extensa do que a maioria das cidades sul-africanas. Cálculo rápido:1.425 habitantes/km2.

Desnecessárias, talvez, e pouca utilizadas, com certeza, encontramos faixas exclusivas de bicicleta com sinalização horizontal e nos postes em parte do nosso caminho que a esta altura do campeonato já se aproximava de Waterfront, onde se encontra um complexo de lojas, bares e hotéis. Elas, por sinal, estão em rotas turísticas o que me leva a entender que tem como objetivo os que pedalam por lazer.

Questiono a necessidade das ciclofaixas demarcando a área pelo fato desta ser, claramente, uma cidade amigável dos ciclistas. Parece que mesmo sem estes sinais, o respeito seria mantido, como vimos nos trajetos em que a ciclofaixa não existe.

Quanto a utilização das mesmas, nosso passeio que durou cerca de 3 horas deu a impressão de que a bicicleta está na cidade apenas para quem se diverte, não para quem trabalha. Cruzamos por pouquíssimos ciclistas em todo o caminho que fizemos.

Caminho, aliás, que foi ganhando contornos ainda mais bonitos quando nos aproximamos do porto, área muito bem aproveitada que mistura o movimento de carga e descarga de navios com a exploração turística do local. Ali tivemos que pedalar com muito cuidado, devido ao grande número de pessoas, a maioria torcedores devidamente identificados, seja pelas camisas, seja pelos gritos.

Green Point stadium Cidade do cabo

Saindo da aglomeração, procuramos a Beach Road, que não se perde pelo nome, e encontramos quebra-mares curiosos, feitos de cimento em formato de âncoras gigantes. Trajeto que só foi possível porque estávamos de bicicleta. De carro teríamos ido embora sem prestar atenção no local. Este é um dos grandes baratos do passeio de bicicleta. Conseguimos enxergar melhor a cidade.

Foi de lá que tivemos das melhores visões do Green Point, estádio que será inaugurado na sexta-feira com a partida entre França e Uruguai. Chegar até ele passou a ser nosso novo objetivo, apesar de o mar batendo do lado direito também nos chamar atenção. O caminho é todo margeado por prédios novos com muitos apartamentos abrigando torcedores – tais eram as bandeiras esticadas nas sacadas.

Foi a possibilidade de nos aproximarmos do estádio que nos deu fôlego para continuar com a pedalada. No entorno do Green Point, as ciclofaixas estão delimitadas sobre as calçadas, com espaço para ida e volta, além da faixa dos pedestres. As placas alertam que lá é proibido parar automóveis em dias de evento. Em compensação, o número de vagas para os carros é enorme na área de estacionamento, o que faz com que o jornalista sem credencial ou o torcedor sem ingresso tenha de permanecer distante.

Depois de apreciar esta construção polêmica – por seu custo e local (outro dia conto esta história) – e muito bonita, nos restava voltar para “casa”. Afinal já estávamos a quase 3 horas pedalando.

A facilidade com que o deslocamento foi feito, a beleza das áreas pelas quais passamos e as novidades do caminho evitaram o cansaço deste que é ciclista nas horas vagas e pouco acostumado a fazer esta aventura em São Paulo, cidade que, infelizmente, não é amiga da bicicleta.

O exterminador do futuro

 

Por Carlos Magno Gibrail

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O exterminador do futuro para a ONG SOS Mata Atlântica é Aldo Rebelo, relator do Projeto de Lei que reforma o Código Florestal Brasileiro. Para ele são as ONGs, que de forma geral são patrocinadas pelo capital estrangeiro com interesse direto em impedir o avanço do agronegócio nacional.

Rebelo apresenta um discurso fortemente embasado em aspectos sociais. Criticando duramente a postulação do conservador inglês Roberto Malthus do século XIX, para quem a pobreza era imutável, transporta-a para a atualidade acusando os países ricos de absorver a tese malthusiana:

“O reacionarismo desumano de Malthus foi implacavelmente derrotado, na doutrina e na prática, mas ressurge, no confronto da agricultura fortemente subsidiada dos países desenvolvidos com a produção agrícola cada vez mais competitiva de nações como o Brasil”.

O romantismo de Aldo Rebelo, não encontra eco nos especialistas de tal forma que sábado através de artigo na Folha, os professores titulares* Thomas Levinson- Unicamp, Jean Metzger- USP, Carlos Joly- Unicamp e Ricardo Rodrigues- ESALQ ressaltaram que:

“A pretendida reforma deveria remover o estrangulamento para a expansão de terras agrícolas, hoje supostamente bloqueadas pela combinação de áreas de preservação permanente APP e reservas legais RL. Só que esse bloqueio não existe”.

“Realocando para cultivo agrícola terras com melhor aptidão, hoje ocupadas com pecuária de baixa produtividade, e aumentando a eficiência da pecuária nas demais, por meio de técnicas já bem conhecidas, a área cultivada no Brasil poderá ser quase dobrada, sem avançar um hectare sequer sobre a vegetação natural.”

A nova ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira um pouco nesta linha e querendo lembrar outra necessidade que é o fim do desmatamento ressalta: “Eu entendo que podemos expandir as fronteiras agrícolas sem a necessidade de se desmatar um hectare sequer”.

O ex-ministro Carlos Minc, alertava assertiva e oportunamente para os seguintes aspectos que considerava cruciais:

– Manutenção das RL reservas legais
-Manutenção da centralização das políticas de proteção ambiental, não permitindo a descentralização na forma de regionalização, transferindo aos Estados total autonomia
– Manutenção de condenação aos desmatadores, não permitindo sua absolvição

Do romantismo ao tecnicismo podemos derivar ao pragmatismo, que em termos de futuro aponta um limite aos 900 reais de subsídios na vaca européia, enquanto a produtividade brasileira irá quase duplicar. Entretanto as certificações deverão acompanhar as demandas e obrigarão o cuidado ambiental ser cada vez mais cuidado. É um alerta significativo para a bancada ruralista. Ou não?

Quanto ao futuro a melhor proposição vem do economista indiano Pavan Sukhdev, coordenador do projeto criado pelo G8 “A economia dos ecossistemas e da biodiversidade TEEB” em entrevista ao editor de Veja, Diogo Schelp:

“Em vez de arrecadar impostos sobre a renda e os bens, como é feito hoje, seria melhor taxar os efeitos externos negativos da atividade empresarial. As alíquotas deveriam ser aplicadas sobre o uso dos recursos naturais e dos materiais. O modelo atual apenas incentiva o mau uso do capital.”
Os ambientalistas agradecem. E nós também.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung


*Thomas Levinson – Prof. Titular da Unicamp e presidente da Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação, Jean Paul Metzger – Prof. da USP e Coordenador do Laboratório de Ecologia de Paisagens, Carlos Joly – Prof. Titular da Unicamp e Coordenador do Programa Biota – FAPESP, Ricardo Rodrigues – Prof. Titular da ESALQ USP e Coordenador do Laboratório de Restauração.

A “mesa” está quase posta na Cidade do Cabo

 

IMG_1428No pequeno hotel do primeiro dia, no hotel boutique que será estadia até o fim dos dias por aqui e de qualquer outro ponto que você esteja em Cidade do Cabo, impossível não ver a Table Mountain – nome mais do que apropriado para esta formação rochosa que se parece mesmo com uma enorme mesa de onde é servida toda a beleza e elegância da cidade legislativa da África do Sul. Um mesão, diga-se de passagem, a mais de mil metros de altura e para onde se voltam boa parte das máquinas de fotografia penduradas no pescoço dos turistas que começam a chegar em maior número por aqui.

Neste segundo dia, enquanto conversava com Fabíola Cidral no CBN São Paulo, a combinação foi perfeita, pois alguns minutos após a rápida chuva que aparece algumas vezes ao dia, com as nuvens encostadas no topo formando uma espécie de “toalha” da mesa, surgiu um belo arco-íris. Satisfação e corre-corre de estrangeiros para registrar a imagem.

Ainda não fui ao alto da Table Mountain, onde se pode chegar pelo Cable Car, semelhante ao bondinho do Pão de Açúcar no Rio. Há os atrevidos que recomendam fazer a escalada a pé, e monitorada. Coisa de três horas. Outros convidam para descer de rapel. Coisa de louco. Vou no mais confortável, sem dúvida.

Além do visual maravilhoso, a vantagem de estar lá em cima, imagino, é não ter de ouvir a vuvuzela, som que faz parte do cenário de todas as cidades-sede, que se torna mais forte a cada turista que desembarca na região. Comprar uma dessas cornetas se transformou nesta Copa quase tão obrigatório quanto sair do México com sombreros ou de Salvador com um berimbau em mãos. Convenhamos, não há o que fazer depois e o objeto se transformará em incômodo na bagagem de volta.

Quem vive em São Paulo e tem de suportar os motoboys buzinando enquanto cruzam no meio dos carros tem ideia do ‘tamanho’ do barulho.

Aqui embaixo, ainda, além do barulho das cornetas, o cheiro de tinta está em vários pontos, sinal de locais renovados ou recém-construídos. Uma obra aqui outra acolá estão atrasadas, mas nada que esteja no caminho da Copa.

Durante o dia, porém, ouvi lá de Johannesburgo um burburinho diferente, com jornalistas atrapalhados pela falta de energia elétrica em alguns locais e a dificuldade para receber pontos de acessos para transmissão de áudio em outros. A expectativa é que nos próximos dois dias mais confusão apareça, pois os aviões não param de despejar torcedores e jornalistas.

Seja como for está quase tudo pronto.