Ouvintes começam a gravar depoimentos para a CBN

 

CBN SP
Em menos de uma semana, dez ouvintes-internautas já marcaram a data e hora para gravar sua participação na nova fase do Conte Sua História de São Paulo. Os depoimentos serão registrados em áudio e vídeo na sede do Museu da Pessoa, instituição especializada em resgatar e armazenar a memória do cidadão brasileiro.

Em lugar dos textos enviados por e-mail e interpretados por mim aos sábados, nesta etapa o Conte Sua História de São Paulo publicará as experiências dos moradores na capital paulista contadas por eles próprios. Além disso, o material passará a fazer parte do acervo do Museu da Pessoa, com possibilidade de acesso pela internet.

Na semana em homenagem aos 456 anos de São Paulo, que começa nessa segunda-feira (18.01), você terá oportunidade de ouvir alguns depoimentos que integram a memória digital do Museu. Foram selecionadas histórias de infância, lembranças de família, casos curiosos e inusitados que nos oferecerão um olhar sobre a diversidade da capital.

Para agendar sua entrevista, você deve ligar para 011 2144-7150, ou entrar no site do Museu da Pessoa.

Leia mais sobre o Conte Sua História de São Paulo especial e a programação da CBN no aniversário da cidade.

Árvore caída, árvore derrubada

 

Árvore que cai

Aqui, uma árvore despencou sobre o carro do ouvinte-internauta Welton Pereira, após ter estacionado na rua Edson, no bairro do Campo Belo, zona sul de São Paulo. A dúvida dele é quem vai pagar pelo prejuízo provocado pelo incidente.

Árvore que vai cair

Aqui, as duas árvores ainda estão em pé porque a foto foi feita antes do crime cometido. Elas estavam diante da agência do Banco do Brasil, na avenida Padre Antônio José dos Santos, em Cidade Monções, também na zona sul. O ouvinte-internauta Arthur Dalmaso conta que a da direita foi derrubada e a da esquerda terá o mesmo destino. E cadê a responsabilidade ambiental do banco, pergunta.

Empresas e prefeitura brigam pelo preço do lixo

 

O lixo na cidade vai dar muita dor de cabeça ainda para o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e para os moradores de São Paulo. Apesar do otimismo demonstrado pelo secretário de Serviços (e de Transporte, também) Alexandre de Moraes, o que ouvimos no CBN São Paulo, nesta quinta-feira, sinaliza que a queda de braço entre as empresas que fazem coleta e tratamento de lixo e a prefeitura ganhará nova dimensão com o debate sobre o reajuste do contrato assinado, em 2004. O gasto mensal da prefeitura está em torno de R$ 48 milhões com as duas empresas, Ecourbis e Loga.

Os presidentes das concessionárias, entrevistados no programa de hoje, alegam que as empresas estão tendo gastos maiores com novas exigências da prefeitura e o aumento na quantidade de lixo recolhido. Segundo o presidente da Ecourbis, Ricardo Acar, nos três últimos meses de 2009 foram recolhidos 10% a mais de lixo do que no mesmo período de 2008. Alexandre de Moraes nega que isto esteja ocorrendo.

Já o presidente da Loga, Luiz Gonzaga Alves Pereira, põe na conta até mesmo mudanças que serão necessárias para atender a lei que obriga as empresas a coletar o lixo com hora certa. Para ele, haverá necessidade de se realizar número maior de viagens na cidade. Pereira criticou, ainda, o fato de que grandes gereadores de lixo, que teriam de contratar empresas particulares, estão utilizando o sistema público encarecendo ainda mais a realização do serviço. O empresário cobrou mais fiscalização pela prefeitura.

Alexandre de Moraes, em meio ao debate, acusou as empresas de não estarem cumprindo com suas obrigações. Ao ser questionado sobre o serviço que não estaria sendo realizado devidamente, o secretário não foi muito claro na resposta. Disse que as concessionárias não estariam cumprindo com o horário de coleta (mas a lei entrou em vigor na semana passada) e não teriam avançado em serviços como a coleta seletiva (mas foi a própria prefeitura que para tornar mais barato o serviço mudou os prazos)

Ouça as três entrevistas e tire sua própria conclusão:

Ouça o que disse o secretário de Serviços Alexandre de Moraes1401

Ouça as explicações do presidente da Loga, Luiz Gonzaga Alves Pereira

Ouça as justificativas de Ricardo Acar, da Ecourbis

Terminar o dia em paz

 

Abigail Costa

Um dos prazeres em ser jornalista é conhecer gente. Todo o dia tem uma pessoa nova. A semana toda ouvindo histórias de encher os olhos de otimismo, outras que são a cara da dor de tanta amargura.

– Oi, prazer, como vai?

– Eu? indo né filha, a vida você sabe…

Começou por aí já sei que é melhor nem esticar a conversa. Dispenso o cafezinho e vamos direto ao assunto. É o tempo de ligar o microfone, duas ou três perguntas e fui.

Se já sei que não vou gostar do enredo pra que aceitar a dança?

Estou em fase de seleção. Quem oferece otimismo pra esse lado. Pessimismo, senhor? Lá atrás da fila, por favor.

Sabe que tem funcionado. A volta pra casa é mais leve. Isso acaba atraindo outros na mesma sintonia.

Tive o prazer de conhecer pais, mães, irmãos dos Mamonas Assassinas. Treze anos depois do acidente áereo, os filhos deixaram saudade, claro! Tristeza não.

Em nenhum momento ouvi:

Por quê? Justo com eles?

A lembrança é amorosa e você se pega quase que “enrolando” para o assunto render mais.

De volta pra casa penso que eles apesar do sofrimento pela perda, não se alimentaram do problema, não ficaram doentes.

Bom demais terminar o dia em paz.

Aprendizado que satisfaz a alma da gente.


Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung quando está em paz.

Velhice abandonada, carrinho quebrado

 

Carroceiro com carrinho quebrado

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Para o carroceiro Francisco Inácio do Santos, a quarta- feira, 13/1/010, foi um dia de muito trabalho e reflexão. Seria apenas mais um dia de busca de materiais recicláveis, se a sua carroça não tivesse perdido a direção e quebrado na descida da rua do Ouvidor, Praça da Bandeira, com 250 quilos de papelão. Para consertá-la, contou com a solidariedade de algumas pessoas.

Francisco falou um pouco de seu trabalho: “Quando a tarde vai chegando, o cansaço é tremendo. Sinto uma enorme fraqueza nas pernas. Há horas que dá vontade de desistir e largar tudo. Não posso fraquejar. O que mantém um homem de pé é a disposição pelo trabalho, a fé num ser superior. De que tenho medo? Olha, a rua é brutal. Tenho medo de gente pessimista, ignorante… Medo de morrer puxando carroça. É muito peso. Estou a caminho dos 70. Não, não sou o único velho, tem gente mais velha do que eu no varal de uma carroça. É preciso garra! Nem todo mundo aguenta, pensa assim… A velhice não me assusta. O que me assusta é a velhice acomodada, maltratada, esquecida, abandonada. Não, não me sinto velho abandonado. As pessoas são diferentes. Tenho um projeto… Alguém sabe quantos velhinhos de rua tem a cidade? Muitos estão doentes, morrendo à míngua debaixo dos viadutos. Eu estou trabalhando. A cidade está entupida de moradores de rua. Uma hora tudo isso explode¨.

Francisco está cuidando de sua aposentadoria e sonha com a paz das praias de João Pessoa, Paraíba, a sua terra.

Pesquisa vai confirmar queda de satisfação com Kassab

 

A nova pesquisa que vai avaliar a opinião do público sobre o trabalho do prefeito Gilberto Kassab (DEM) reforçará a ideia de que há crescente insatisfação do paulistano com a administração municipal, neste momento. O estudo encomendado pelo Movimento Nossa São Paulo ao IBOPE tem metodologia diferente mas tende a confirmar a piora da avaliação constatada pelo Instituto Datafolha, no fim do ano.

Desde o segundo semestre de 2009, Kassab tem enfrentado dificuldades diante da opinião pública com a crise do lixo, recuo na merenda escolar, aumento do IPTU, passagem de ônibus mais cara, fim da devolução da taxa da inspeção veicular e, finalmente, as chuvas. Na pesquisa do Nossa São Paulo, porém, será possível perceber que o descontentamento não se resume a estas áreas, pois a avaliação é bem mais abrangente e mostra, por exemplo, a demora no atendimento da população nas unidades de saúde.

Entre trancos e barrancos, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) tem tentado se safar da enxurrada de críticas que recebe da população principalmente com as constantes enchentes e demais transtornos provocados pelas chuvas de verão. Teve maior exposição na mídia nas últimas semanas, com entrevistas programadas em emissoras de rádio. Mesmo sem solução imediata para a maior encrenca que tem no seu caminho neste instante, o alagamento nos Jardins da zona leste (Romano, Pantanal etc), foi ao local umas nove vezes. Ação que não foi suficiente para acalmar os ânimos da população que corre o risco de perder suas casas – mesmo porque em algumas das visitas ainda errou na mão. Ou no pé, pois se negou a colocá-lo na lama.

A pesquisa do Nossa São Paulo se repete pelo terceiro ano e, nesta edição, a principal novidade será a apresentação do grau de satisfação da população sobre os indicadores de bem-estar definidos em consulta pública, no ano passado. A crítica não ficará explícita apenas em relação ao prefeito, pois outras instituições serão avaliadas, como a Câmara de Vereadores. As informações foram coletadas entre os dias 2 e 16 de dezembro (portanto, antes da pesquisa Datafolha). O resultado oficial será divulgado dia 19 de janeiro, em comemoração ao aniversário da cidade.

Morre Zilda Arns, uma brasileira

 

Zilda Arns (Arquivo: Agência Brasil)

Das muitas notícias em 25 anos de jornalismo, poucas causaram tanta emoção como a sentida durante o programa ao saber da morte de Zilda Arns, da Pastoral da Criança.

Pouco antes de entrar no ar fomos informados de quatro brasileiros mortos durante o terremoto no Haiti, todos em dedicação à Força de Paz que atua no País. Sabíamos que haveria a possibilidade de ocorrerem mais perdas na tragédia.

Cada um dos soldados brasileiros que se transformaram em vítimas deste terremoto tem vida própria, referências da infância, relações mantidas desde a adolescência, fazem parte de uma família que deve estar sofrendo muito neste momento. Todos com o valor que uma vida deve ter.

Até então, porém, as mortes eram relatadas em números. Com a notícia sobre Zilda Arns, que chegou ao estúdio no ritmo da vinheta de plantão, ganharam nome e história. Ficaram mais próximas do nosso cotidiado. E talvez isto explique minha sensação de profunda tristeza durante a audição da notícia.

Líder humanitária e fundadora de um dos trabalhos mais incríveis desenvolvidos no Brasil em favor de crianças e famílias carentes, Zilda Arns é personagem brasileira, mas como lembrou o comentarista Gilberto Dimenstein talvez não com a popularidade – que, por sinal, jamais almejou – que o projeto de vida dela merecesse.

Ouça o comentário de Gilberto Dimenstein sobre o trabalho de Zilda Arns, na Pastoral da Terra

É possível que muitos conhecerão a projeção das suas iniciativas apenas a partir do noticiário da morte que tomará conta da programação jornalística, mas o modelo de atendimento às comunidades desenvolvido por Zilda Arns e sua equipe há muito tem repercussão em organismos nacionais e internacionas com influência em políticas públicas na área de saúde, alimentação, educação e cidadania.

Ouça a entrevista que fiz com Francisco Whitaker, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, sobre Zilda Arns, logo após a notícia da morte dela

Antes de encerrar o programa, tivemos a oportunidade de ouvir a voz de Zilda Arns a partir de gravação que foi feita pela CBN, em 2005, na qual ela explicou a construção da Pastoral da Criança, sua grande obra:

Ouça o que disse Zilda Arns, em 2005

Varejo brasileiro, pré-visões e pré-munições para 2010

 

Por Carlos Magno Gibrail

Ilustração do publicitário e ilustrador Randy Mora

A importância do varejo nacional não está na atual participação do PIB. Com aproximadamente 16% não chega perto de outros países equivalentes. Todos apresentam dados acima de 25% do PIB, desde a Alemanha com 25% até o Reino Unido com 32%.

A relevância aparece se considerarmos a recente evolução desta participação. A partir de 2004, diferentemente do que ocorria antes, o setor de varejo tem tido um comportamento acima do desempenho do PIB brasileiro, sendo responsável por melhorar o resultado geral da economia. Através do aumento do consumo interno das famílias, impulsionado pela melhoria da renda, do emprego, pela expansão do crédito e o forte crescimento do Índice de Confiança do Consumidor, o varejo teve um crescimento expressivo a cada ano. No período de 2006 a 2008 a expansão média ficou em torno de 8% em termos reais ao ano, o que a colocou dentre as maiores no mundo.

E mesmo no período mais recente seu comportamento tem sido diferenciado. No primeiro quadrimestre de 2009 o varejo cresceu 2,5%, pelos dados do IBGE, sendo um dos poucos países no mundo, ao lado de Austrália, Índia e China, com resultado positivo. É relevante porque os Estados Unidos com 28% de participação no PIB, decresceu 9,1% e na Zona do Euro houve queda de 1,2%.

A formalização do varejo nacional certamente contribuiu para o aumento dos empregos apresentando o melhor desempenho do mercado. Ao lado deste crescimento observa-se uma transformação na organização estrutural no setor que tende a continuar.

E, desta vez, também pelos ventos de fora. Em New York, na convenção anual da NRF National Retail Federation, que começou domingo, as palavras de ordem são de otimismo e sustentabilidade para o varejo 2010.

É por isso que as estimativas tornam-se significativas para este setor que cresce em importância dentro da economia nacional. Vejamos algumas pela ótica de profissionais dos vários setores da área de varejo:

“Em um cenário altamente favorável para a economia brasileira, estamos prevendo um crescimento em nossas vendas na ordem de 30 %, parte pelas profundas mudanças que estamos empreendendo no negócio e parte  ( cerca de 10 % ) pelo cenário altamente favorável do Brasil no mundo, e mesmo pelo razoável otimismo do consumidor brasileiro verificado em pesquisas recentes” – Marcelo Abrão da YACHTSMAN.

“Tenho observado que as lojas no Brasil estão ficando com mais identidade, e penso que neste ano muitas empresas estão se programando para necessidade vital das marcas, lembrando que é uma necessidade do mercado. Ahhh eu não sou muito amigo desta palavra tendência. Depois de décadas da abertura da importação de produtos, o nosso mercado está mais atento aos concorrentes internacionais, com isso mais competitivo, ai a necessidade de mudança. Acredito que o Collor conseguiu fazer este bom projeto… risos internacionais. Com esta abertura e mais a globalização e a necessidade de ser único neste mercado tão competitivo, acontece à conscientização e mais profissionalismo. Eu acredito que de 2010 pra frente nosso pais vai ficar mais atento nessa área, estamos sendo observados pelo mundo. Para este ano e muitos próximos, eu a Marton+Marton estamos focando a sustentabilidade na criação de projetos de varejo. Com esta atitude conseguimos fazer projetos mais inteligentes e com flexibilidade de reformas, além de economizar com energia durante o ano”. J.Marton MARTON E MARTON ARQUITETURA.

“Como o varejo está a cada dia que passa se comoditizando mais, uma vez que oferecer em todas as lojas as mesmas coisas é muito mais cômodo para o varejista, os vencedores nos próximos anos serão aqueles capazes de conseguir algum tipo de diferenciação. Nós estamos ainda no processo de diferenciar lojas. Com o acirramento da concorrência teremos que diferenciar cada dia mais o sortimento. Poucos varejistas perceberam que estamos abertos para o mundo e o sortimento pode ser feito utilizando-se o que de melhor existe no exterior, além dos bons fornecedores locais. Acho que essas ações serão complementadas pela diferenciação através da segmentação por estilo de vida. Apesar de esse conceito ter aparecido no início dos anos 80, só nos últimos anos começou-se a falar dele no Brasil e ele vai dar muito que falar… O varejista de qualquer ramo de atividade que não prestar atenção nesse modelo de segmentação estará perdendo oportunidades extraordinárias de atrair e manter clientes. Estou em New York assistindo a NRF. Existem mais de 900 brasileiros inscritos. Hoje foi o primeiro dia de palestras. Ainda os americanos e europeus estão sob o impacto da recessão e da crise. Pela primeira vez, em 11 anos, ouvi falar que o Brasil é um país que deverá atrair investimentos estrangeiros no varejo”. Nelson Barrizzelli AGC INTERNATIONAL.

 “Acho que haverá um aumento expressivo do consumo consciente, com consumidores cada vez mais valorizando o custo beneficio dos produtos. A consequente adaptação das marcas já consolidadas a estes novos consumidores devera acontecer no conjunto marca / qualidade e preço. As marcas que não o fizerem, verão seus concorrentes fazer….” Nelson Dalcanale BARBARA STRAUSS.

“Os índices de varejo do natal de 2009 apontaram um crescimento de 11% das vendas de varejo nos shoppings. 
Nossa perspectiva de crescimento em vendas para 2010 é bastante positiva. Os empreendimentos que administramos apresentaram uma valorização de metro quadrado que animou os empreendedores a investir em revitalizações e novos projetos. 
Os consumidores estão confiantes, com acesso a credito o que facilita o investimento principalmente a novos lançamentos de tecnologia.
O efeito Copa do Mundo, também reflete positivamente no varejo, impulsionando o consumo”. Marcia Saad BROOKFIELD.

Para a minha previsão começo por endossar todas acima e acrescentar que a tão esperada explosão da internet possa ocorrer neste ano. Quanto ao atendimento acredito que será a munição extra para a diferenciação, onde se acentuará de vez o customizado e o auto-serviço. De outro lado o varejo que vende produtos iguais deve começar a usar a poderosa munição do atendimento diferenciado, com entrega, instalação e manutenção especializada e automática.

Através do Prof. Barrizzelli temos a identificação do primeiro indício de mudança, pois 900 patrícios na NRF onde a delegação brasileira já era a maior com 150 participantes, aliada ao fator inédito e positivo da imagem brasileira, sugere as melhores expectativas para o varejo de nosso país. Quem sabe estejamos nos aproximando do sonho do consumidor ser realmente o rei deste mercado?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escrveve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras, sem medo de pré-ver.