O alarme do Banco do Brasil

 

Aumente o volume do seu computador e clique no vídeo à disposição neste post para ter ideia do que os vizinhos da agência do Banco do Brasil, na Teodoro Sampaio, bairro de Pinheiros, em São Paulo, enfrentaram de domingo para segunda, durante 19 horas seguidas. De acordo com descrição da ouvinte-internauta Eliana Gryn, o alarme de segurança da instituição bancária soou a primeira vez às duas da tarde de domingo. E assim permaneceu durante a noite, a madrugada e a manhã dessa segunda-feira sem que ninguém tomasse providência. Além de considerar um desrespeito aos moradores da região, Eliana põe em dúvida o sistema de segurança do banco.

Canto da Cátia II: Sem saída

 

Rua da Cantareira

A chuva mal havia começado no meio da manhã, nesta segunda-feira, e a repórter Cátia Toffoletto já se deparava com alagamento da rua da Cantareira, próximo do Mercado Municipal de São Paulo. Sujeira nas calçadas e bocas de lobo entupidas davam sinais de que seguimos despreparados para os temporais na capital paulista.

Canto da Cátia: Buraco, meu amigo !

 

Buraco no acesso a 23 de Maio

Todo motorista que chega pela avenida Radial Leste-Oeste e precisa entrar na 23 de Maio já teve oportunidade de “conversar” com este buraco que aparece na foto feita pela repóter Cátia Toffoletto, hoje cedo. Fica bem no acesso de quem vem da zona oeste, logo após a curva, e não há carro que escape de um “bate-papo” com ele. E este “diálogo” com o buraco é cada vez maior. Uma relação que vai se aprofundando a cada dia que passa e que deixa marcas para o resto da vida – ou até que se troque a roda do carro.

Calçadas tem lei de mais, respeito de menos

 

Calçada ou escada

Boa parte dos moradores de São Paulo usa as calçadas, mas não tem ideia das leis municipais que regulamentam a construção e manutenção deste espaço público. Sem publicidade, cada proprietário faz o que bem entende e ninguém sabe ao certo se tem direito a reclamar, e do que reclamar. Uma das situações que mais me chamam a atenção é a transformação da calçada em extensão da rua, principalmente em postos de combustível.

Os carros entram e saem dos postos na maioria das vezes sem sinalizar ou levar em consideração a preferência do pedestre. Os proprietários dos postos se preocupam em rebaixar toda a guia, de ponta a ponta, para facilitar o acesso dos veículos, mas se esquecem de avisar às pessoas infringindo ao menos um dos artigos do decreto (no. 45.904 de 2005) que trata do conceito de passeio livre:

“Os locais destinados a postos de gasolina, oficinas, estacionamentos ou garagens de uso coletivo deverão ter suas entradas e saídas devidamente identificadas e sinalizadas” (Capítulo V, art. 16, parágrafo único)

Na conversa com dois urbanistas no CBN São Paulo ficou evidente que há muitas dúvidas sobre o que a lei permite ou não em relação as calçadas. Cândido Malta, da FAU-USP, desconhece regras que impeçam o rebaixamento total das sarjetas diante dos postos de combustível. Sugere que a área seja sinalizada com piso diferenciado que faça o carro diminuir a velocidade e alerte o pedestre para o fato de que aquele trecho é de uso compartilhado. Da maneira como está hoje, um deficiente visual, por exemplo, é incapaz de saber se a calçada é ou não para acesso de veículos.

Regina Monteiro, diretora da Emurb, diz que a confusão nas leis também impede um comportamento padrão por parte dos subprefeitos e fiscais. Ela procurou o Secretário das Subprefeituras Ronaldo Camargo para que, em conjunto, seja elaborado um decreto que esclareça uma vez por toda o que pode ou não. Entende que deve ser estudado modelo que adapte o acesso dos veículos à segurança do pedestre.

Na entrevista ao CBN SP, Regina chama atenção para o fato de que, além do espaço maior do que o permitido, a calçada muitas vezes ganha degraus ou fica inclinada prejudicando o passeio.

Ouça a entrevista de Regina Monteiro ao CBN São Paulo

Uma das leis ainda em vigor é de 1988, de autoria do então prefeito Jânio Quadros, que permite o rebaixamento de até 3 metros da calçada, a cada lote. Seria clara não houvesse exceções: se o proprietário solicitar e o agente público aceitar, a área rebaixada pode ser maior. Mais recentemente, nova lei aceita que o acesso dos veículos ocupe até 50% do lote, porém nunca além de 5,5 metros, exceto os terrenos menores que podem ter toda a frente rebaixada.

De lei em lei, de exceção em exceção, ninguém é capaz de impor respeito e fazer com que o pedestre, pelo menos na calçada, seja prioridade.

Publicidade do mandato não é proganda eleitoral

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

Vive-se num país democrático cuja regra básica para as atividades públicas está na transparência dos atos das autoridades. Por outra, é necessário enfatizar que os políticos, com ou sem mandato, não são iguais. Na condição de mandatários e sob uma perspectiva de distinção, tem não apenas o direito mas efetivo dever de prestar contas das suas atividades parlamentares e de suas ações políticas.

De acordo com a legislação eleitoral, especialmente com a Lei nº 12.034/09, os parlamentares no exercício do mandato podem divulgar os seus atos públicos sem que isto caracterize propaganda antecipada ou alguma espécie de abuso, desde que não se mencione a possível candidatura ou se faça pedido de votos ou de apoio eleitoral.

Neste cenário, a modalidade mais difundida é dos boletins impressos de atuação parlamentar. Se o informativo, ainda que ilustrado com fotografias, charges e declarações de terceiros não faz nenhuma referência sobre o pleito que se anuncia, se não menciona candidatura, propostas e não faz apologia do voto, requisitos indispensáveis à caracterização da propaganda eleitoral, não há que se falar em punição. Também a manutenção de site pessoal ou institucional hospedado no endereço eletrônico da Casa Legislativa contendo o currículo do mandatário federal, estadual ou municipal, não caracteriza propaganda vedada.

É que segundo várias decisões do Tribunal Superior Eleitoral, órgão judicial que interpreta e define esta matéria, “entende-se como ato de propaganda eleitoral aquele que leva ao conhecimento geral, embora de forma dissimulada, a candidatura, mesmo apenas postulada, e a ação política que se pretende desenvolver ou razões que induzam a concluir que o beneficiário é o mais apto ao exercício de função pública. Sem tais características, poderá haver mera promoção pessoal – apta, em determinadas circunstâncias, a configurar abuso de poder econômico – mas não propaganda eleitoral”.

Por outra, é incontroverso que ao divulgar as suas atividades, projetos apresentados, audiências públicas, etc, o parlamentar está se promovendo pessoalmente. Mais: é evidente que a propagação de seus trabalhos e atuação estão diretamente ligados a sua pessoa. Portanto, é inexorável ocorrer a projeção do protagonista. Contudo, não há que se confundir propaganda pessoal com propaganda eleitoral.

Se a um ângulo o tema é sutil e pode gerar polêmicas e mesmo processo, a outro existe um direito garantido de divulgação. Somente a análise das peças confeccionadas é que permitirá se concluir pela eventual ilicitude ou desvio de finalidade da publicidade.

Ainda que possa haver dificuldade de entendimento ou mesmo de aceitação por parte de alguns segmentos acerca deste singular permissivo, o próprio TSE já reconheceu que “Há uma distinção fundamental entre alguém que é deputado e concorre à reeleição e alguém que não tem notícia a dar porque não é deputado (…). São situações distintas, decorrentes do processo democrático. Ou seja: um parlamentar que desenvolveu um trabalho, bem ou mal, dentro da Câmara dos Deputados (…) noticia esses trabalhos, isso tem conseqüências eleitorais, nós sabemos, mas é parte do jogo, porque é uma maneira de informar o eleitor”.

Para concluir, transcreve-se uma breve consideração do Ministro Gilmar Mendes lançada num voto que proferiu junto ao TSE: “Um político que não possa dizer que está engajado em uma determinada atividade ou que defende certas idéias, sem dúvida, não é digno dessa atividade”.

Em síntese: a divulgação do mandato, observadas e obedecidas as limitações legais em vigor, é um procedimento lícito e elogiável que corresponde a uma modalidade de prestação de contas.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung dando publicidade as regras do jogo político

Foto-ouvinte: Amor ou ódio ?

 

Monumento às Bandeiras e o público

Escalar até o ponto mais alto do Monumento às Bandeiras e se divertir com a família. Cena comum na obra construída por Victor Brecheret instalada diante do Parque do Ibirapuera que causa diferentes sentimentos. O autor da imagem, o ouvinte-internauta e motorista de táxi Davi Francisco da Silva, se incomoda com este comportamento. Enxerga desrespeito e vandalismo onde outros veem uma forma de intervenção urbana.

Como você analisa este comportamento ?

ONG vai divulgar voto de vereador sobre IPTU

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IPTU Imagem do site da prefeitura de SPA Sociedade de Amigos e Moradores de Cerqueira César (Samorcc) anuncia que vai acompanhar e divulgar o voto dos vereadores paulistanos no projeto do prefeito Gilberto Kassab (DEM) que aumenta o IPTU em até 60%, em 2010. A entidade que atua na região dos Jardins e Consolação teve forte atuação nos protestos contra a construção do corredor de ônibus na avenida Rebouças durante o governo Marta Suplicy (PT) e agora se mobiliza para impedir o reajuste no valor do imposto.

Leia a nota de repúdio a proposta da prefeitura de São Paulo que está em discussão na Câmara Municipal:

A SAMORCC, atendendo a solicitação de moradores da região de Jardins e Consolação – SP., manifesta através do presente, seu repúdio e descontentamento geral, em razão da proposta feita pelo Sr. Prefeito, para aumento do valor de IPTU, ressaltando que:

– Não tivemos aumento salarial ou de aposentadoria com a proporção proposta;

– Não tivemos o lucro empresarial em tal proporção;

– Não tivemos nem teremos qualquer benefício ou bolsa para auxiliar em nosso orçamento, já justo;

– Não temos qualquer perspectiva de lucro fácil ou comissões;

– Não tivemos vantagens econômicas com os serviços prestados pela Municipalidade, ao revés, nossas ruas estão esburacadas; nossas árvores sob risco; nossos bueiros entupidos, nossas ruas lotadas de lixo; nossas ruas escuras; nossos problemas urbanísticos e de incomodidades aumentaram;

– Não nos sentimos seguros ao ir e vir; não temos mobilidade urbana, não temos transporte público de qualidade, estamos bloqueados no trânsito e trancados em nossas casas, por falta de segurança segurança pública;

As únicas coisas que aumentaram, e muito, foi a publicidade do governo, em rádio, TV e jornais e o número de moradores de rua.

Já pagamos altas somas e não podemos permitir aumento do IPTU ou de qualquer outro tributo, superior à atualização monetária.

* Acompanharemos a votação de cada um dos Vereadores, divulgando à população o nome daquele que votou contra a sociedade paulistana e à favor do escandaloso aumento de imposto!

Pela NÃO APROVAÇÃO DA LEI PROPOSTA DE AUMENTO DO IPTU na proporção desejada!!!!

SAMORCC – SOCIEDADE AMIGOS MORADORES DE CERQUEIRA CÉSAR (Jardins e Consolação).

Vereador leva 2 meses para responder e-mail

 

adoteForam quase dois meses de espera, até que o vereador Francisco Chagas (PT) decidiu responder há algumas das questões apresentadas pelos irmãos Ana e Victor Fisch que mantém blog “Adotei Francisco Chagas!” para monitorar, fiscalizar e controlar o mandato do petista, na capital paulista. Eram questões que tratavam do comportamento do partido no cenário nacional e o do parlamentar no legislativo.

“Não tenho identificado sua presença muito ativa na Câmara no último mês”, escreveu em uma das perguntas Ana Fisch no e-mail enviado ao gabinete do vereador. Foi a oportunidade para que Chagas desfiasse uma série de ações que considera serem importantes e de autoria dele.

Trago este fato para mostrar a você que o cidadão tem o direito de cobrar dos parlamentares posições sobre os mais diferentes assuntos e que mesmo com a dificuldade imposta por alguns desses políticos, algumas vezes se tem sucesso. Há casos de vereadores/vereadoras que seguem se escondendo no gabinete, mas isto não pode ser motivo para que o eleitor se cale. Pelo contrário, use seu blog para denunciar este descaso e se lembre que pela internet ou com o acompanhamento do noticiário é possível encontrar informações sobre o vereador adotado.

Caso tenha interesse, leia as respostas enviadas pelo vereador Francisco Chagas (PT).

ONG que fiscaliza políticos pode fechar

 

A informação é de reportagem da jornalista Tatiana Conceição, publicada no jornal Diário do Grande ABC e se refere a ONG Politicus(e-mail: jornalista@politicus.org.br), mantida por dois irmãos, que tem como meta cobrar de parlamentares a opinião deles sobre diferentes temas. A ação facilita o acesso do cidadão com o político.

Há alguns anos entrevistei Hamilton e Ailton Tenório, no CBN São Paulo, curioso que estava sobre o trabalho que realizavam, a partir de sua “base” em São Caetano. Nosso contato ocorreu durante muito tempo por e-mail com troca de informações sobre os dados que levantavam. Por isso, me surpreende a notícia de que uma ideia séria como a deles tenha dificuldade para seguir em frente por falta de apoio.

Para conhecerem a ONG Politicus, reproduzo aqui trecho da reportagem do Diário:

“A ONG (Organização Não Governamental) Politicus, que se dedica a ajudar as pessoas a fazer contato com seus políticos, pode fechar daqui a alguns meses por falta de apoio, segundo Hamilton Tenório da Silva, 50 anos, microempresário, que mantém a entidade sem fins lucrativos junto com seu irmão, Ailton Tenório, 45, fotógrafo profissional.

Segundo Hamilton, a Politicus, que foi registrada como Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), surgiu no ano de 2000, em São Caetano. Na ocasião, a dupla pensou em fazer alguma coisa em prol dos seus filhos, sem precisar entrar na política tradicional.

O trabalho dos irmãos funciona da seguinte forma: eles selecionam um tema da atualidade para discussão e, a partir deste assunto, é divulgado um texto para os leitores cadastrados no site da Politicus, convidando-os a se manifestarem.

As manifestações são enviadas aos parlamentares, sem que o e-mail dos usuários cadastrados seja divulgado. As respostas dos políticos retornam para o sistema criado pela dupla, que depois redistribui as mensagens aos usuários.

Leia a reportagem completa aqui.

De linhas de fuga

 


Por Maria Lucia Solla

Ouça o texto De linhas de fuga na voz da autora

Vida e horizonte

Eu já tinha um assunto arquitetado para conversar com você, hoje. Ia falar da atitude de superioridade que muitas pessoas portam, como traje de gala, para circularem pela vida. Mas algo aconteceu, e decidi mudar o foco.

Mais uma criança morreu, esquecida no carro.

Sua idade não importa aqui. O local e o nome dos pais tampouco. O que grita é o modelo de vida que escolhemos, e que nos prende em suas teias e se alimenta de nós e de tudo e todos que amamos.

Crescemos nos preparando para a Vida, e nos preparamos tanto, e tão bem, que acabamos não tendo tempo de viver. Vida acaba sendo um sonho perseguido, mas raras vezes realizado.

Vida é vista como algo que está para chegar
para que a gente possa participar

E é lá que fica estacionada nossa atenção. Longe de nós, longe da vida de verdade. A que está acontecendo aqui, e da qual fazemos parte.

alô
é preciso prestar atenção
Vida não é só a que passa na televisão

Quando eu terminar este curso… quando tiver mais dinheiro, um carro… se ele me amasse… se eu pudesse… se eu fosse mais alto, mais baixo, mais gordo, mais magro, mais bonito, mais feio… mais rico, mais pobre… quando eu chegar lá… quando sair de lá…

é um eterno ensaiar
sem nunca no palco pisar
é uma lista interminável de sonhos
desculpa atrás de desculpa
de medo de participar

Objetivos são necessários, é claro. São pontos no futuro para onde dirigimos nossas linhas de fuga. Agora, é preciso esclarecer que linha de fuga não é roteiro de escape, mas um mapa para não perdermos a perspectiva. É a partir delas, das linhas de fuga, que desenhamos projetos e elencamos o que é preciso para a sua realização.

Tem mais, objetivo e plano de vida podem ser tão perigosos quanto úteis…

como a faca, o remédio, o amor
me prove o contrário você
se puder
por favor

Ouço aqui e ali, e certamente você também já ouviu, a frase: Quando me aposentar, vou morar na praia e começar a viver.

É triste. Muito triste.

E você, o que pensa disso?

Se não pensou ainda, pense; ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira, ministra curso de comunicação e expressão e escreve no Blog do Mílton Jung aos domingos. Ou seja, é protagonista desta Vida há muito tempo.