Morador de rua pede estátua de Zumbi

 

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

Mãe preta 1

Ela não é santa, mas é venerada pelo povo simples. Ganha flores, velas, terços, moeda, e quase sempre, despacho de macumba. Dona Gilda, de 76 anos, depois de ter ido à igreja, toca a estátua da Mãe Preta e pede: “Me ajuda minha Mãe!” Quem não soube dizer o que fazia em cima da estátua, nesta quinta-feira, 19, no Largo do Paissandú, Centro, foi o morador de Rua Antonio de Categeró, que gosta de ser chamado de Negrão, apelido que ganhou na Vai-Vai. O sem-teto afirma ser um legítimo descendente de escravos, e protestou contra o fechamento da igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos no dia da Consciência Negra. Negrão, há muito tempo tem uma ideia: colocar no Largo do Paissandú uma estátua gigante de Zumbi dos Palmares, ao lado da Mãe Preta. “Mas tem que explicar direitinho, senão o povo vai continuar confundindo tudo, já existe a maior política aqui na praça entre a mãezinha (Mãe Preta) e a santinha” (Nossa Senhora dos Homens Pretos), disse Negrão.

Conte Sua História de São Paulo: Hoje eu vi um menino

 

Por Erony Marcellino
Ouvinte-internauta

Ouça o texto “Hoje eu vi um menino”, sonorizado por Cláudio Antoniop

Hoje eu vi um menino sozinho brincando na rua. Não deveria ter mais do que quatro anos.

O menino, lindo, estava sujo, imundo, nariz escorrendo, pés descalços, usava roupas maiores do que o seu magro corpo.

Hoje eu vi um menino brincando com o lixo jogado sobre a calçada numa rua localizada na zona “nobre”, ou “jardins”, na Capital de São Paulo.

Hoje senti bem de perto o quanto o abandono pode destruir um pequeno e indefeso ser humano.

Perguntei seu nome. Ele respondeu com naturalidade: “Não tenho nome”.

Insisti e falei, todos os meninos tem nome. A frágil criaturinha respondeu com voz de quase bebê:

“Minha mãe me chama de peste”.

Engoli em seco e perguntei: “Quer que eu brinque com você?”

Ele levantou os olhos por um instante e respondeu:”Sim”

Perguntei o que ele queria que eu fizesse. Pediu que o ajudasse a colocar um cone de papelão dentro do outro – muitos deles estavam misturados a outras espécies de lixo descartável. Em nenhum momento sorriu.

Passei algum tempo com o garotinho fazendo de conta que aquela brincadeira era muito interessante para mim.

E era. E foi. E será.

Hoje eu vi um lindo menino abandonado e sujo numa rua que não fica na periferia.

Hoje brinquei, com o coração machucado, com um menino que aprendeu a repetir que seu nome é “peste”.

Quando ele se afastou e foi procurar outra brincadeira, como faz qualquer criança de sua idade, me senti abandonada.

Perdi o rumo.

Hoje brinquei na calçada apoiando cones de papelão para valorizar um menino que desconhece seu nome.

Parada na calçada pensei, dentro de alguns minutos será noite: onde irá se abrigar o menino sem nome que tem como referência de identidade uma mãe que o chama de “peste”?

Neste bairro chamado “jardins”, nesta cidade denominada capital financeira de um país chamado Brasil, conheci um dos muitos brasileirinhos reféns da mais absoluta miséria física e moral.

Hoje eu vi um menino condenado pelo crime de ter nascido!

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Participe enviando seu texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br.

Foto-ouvinte: O Centro respira arte

 

Um centro vivo, tomado pelas cores do espetáculo “Os Estrangeiros” e pela criatividade dos brasileiros Os Gêmeos e dos franceses do Plasticiens Volans. Estas imagens, feitas nos dias 13 e 14 de novembro, no Vale do Anhangabau, em São Paulo, animaram os ouvintes-internautas Marcos Paulo Dias e Luis Fernando Gallo. Satisfeitos e acreditando em um dia ver o coração paulistano renovado, compartilham com os leitores do Blog do Mílton Jung alguns dos momentos que gostariam fossem permanentes.

A lição da Dona Anna do fusca

 

anavariani

Texto reproduzido do Blog MacFuca, com o título “Deus tem fuca, sim, só precisava de uma motorista”, assinado por Christian Jung:

Segunda-feira em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, partiu do convívio de todos a Dona Anna Variani com seus 98 anos. Conhecida como a “Vovó do Fuca” e por toda a comunidade devido sua atuação no Lar do Ancião e na Sociedade Beneficiente Santo Antônio.

Ano passado, com 97 anos, renovou sua carteira de habilitação e era inseparável do seu Fuquinha Laranja. Parou de dirigir no último ano por insistência da família.

Tive o prazer de com o meu trabalho de mestre-de-cerimônia conduzir a solenidade de entrega do Troféu Ana Terra, em março de 2008, na qual Dona Anna foi a oradora de uma turma de 25 mulheres. Pequena de tal jeito que o pedestal do microfone não baixava mais para alcançá-la, falou por um bom tempo prendendo a atenção de todos que calados assistiam ao que não era somente um discurso mas, sim, uma lição de vida, provando mais uma vez que o tamanho das pessoas não tem ligação nenhuma com a grandeza de sua dignidade.

Vai Dona Anna, descansa em paz e tenha a certeza de que a lição que nos deixa é a que a senhora nos ensinou em “segredo” revelado para a jornalista Ieda Beltrão, do Blog Mel e Girassóis:

“Você precisa saber de uma coisa: o segredo da vida é sorrir”.

Conheça a história de Dona Anna em entrevista a Jô Soares

Dedicação total a você !

 

Por Abigail Costa

Sem meias voltas para dizer a mim mesma: “Eu sou a pessoa mais importante na vida”. Sei que minha mãe me ama, meu marido, meus filhos, minhas irmãs…. meus poucos amigos. Mas eu me amo mais.

Me gosto a ponto de me proteger para não sofrer.

Compro um vestido novo pra me sentir bem diante do espelho antes de arrancar elogios dos outros. Me perfumo a ponto de sentir meu próprio frescor e saber que quando os outros perceberem … eu fui a primeira!

Leio o que vai me deixar feliz! Compro a revista, folheio as páginas e paro naquela que vai me encher os olhos.

Cremes, lançamento de coleções. Nem vou comprar! Mas me delicío.

Conhecimento que me faz bem.

Outro dia numa revista, vi uma joia, ma-ra-vi-lho-sa, italiana, ca-rís-si-ma. LINDA de viver. Pensei num jeito de ter uma. Não aquela. Não uma parecida. Queria uma igual. Comentei com um amigo, joalheiro. Expliquei a foto, a cor, a corrente. Queria tudo da mesma forma.

-É possível?
-Claro que sim, faço pra você.
-Espera, quero tudo igual, menos o preço que vi!

O colar ficou divino no meu pescoço. Liguei pra ele. Tinha que agradecer.

-Tô ligando pra dizer que você foi responsável pra que eu me sinta mais bonita!
-Que ótimo. Essa é a primeira ligação desse tipo que recebo. Obrigado.

Ele feliz pelo reconhecimento do trabalho realizado.
Eu feliz, por ter conseguido realizar mais um sonho para me agradar.

Trabalho para isso. Para pequenos … ok, não dá pra enganar … também, para grandes mimos.

Sabe por quê?
Eu mereço, e não fico esperando que eles venham em datas especiais.

Não vou negar, às vezes exagero! Gosto tanto tanto de mim que….

Foi numa conversa nesse rumo que encontrei uma companheira de trabalho. Ela o oposto de mim.

-Isso é novo?
-É ! – respondi meio sem-graça, sei o jeito dela.
-Você não precisa de tudo isso!
-E você, precisa de quantos imóveis?

Para relaxar o clima e terminar a conversa, disse:

-Sabe qual será a diferença entre nós, nas escritas de nossa lápide?
-Credo! Claro que não!
-Na sua estará assim: “Essa moça ,apesar de precisar de apenas uma moradia para viver, teve a necessidade de comprar e manter oito apartamentos em vida”.

– E na sua ?

“Aqui jaz o corpo de uma mulher que não soube economizar para viver e ser feliz !”

Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung sempre afim de mostrar que sabe viver e ser feliz.

IPTU 2010: O e-mail dos vereadores

adoteEsper Leon, ouvinte-internauta do CBN SP, também ajuda o cidadão paulistano na discussão com os vereadores sobre o reajuste do IPTU-2010, na capital paulista. Você também tem mais informações sobre como entrar em contato com os vereadores no site da Câmara Municipal de São Paulo:

Queria parabenizar a iniciativa do também ouvinte, Antonio Carlos Falcari, que fez uso da sua cidadania ao escrever para os vereadores da Câmara Municipal de São Paulo, solicitando que votem CONTRA o aumento na taxa do IPTU.

Seguindo o exemplo do Antonio Carlos, também estou escrevendo minha mensagem aos vereadores e queria contribuir com os ouvintes do CBN-SP informando os endereços de todos os vereadores. Sim, os endereços estão disponíveis no site da Câmara, mas dá um certo trabalho copiar um a um. Assim, para que ninguém alegue não ter tempo, seguem todos os endereços. Basta copiar e colar no campo de destinatários de qualquer gerenciador de e-mails ou webmail:

abouanni@uol.com.br; adilsonamadeu@camara.sp.gov.br; adolfoquintas@camara.sp.gov.br; agnaldotimoteovereador@camara.sp.gov.br; vereadoralfredinho@camara.sp.gov.br; vereadoracr@terra.com.br; arselino@tatto.com.br; atiliofrancisco@camara.sp.gov.br; aurelio.miguel@camara.sp.gov.br; carlosbezerrajr@camara.sp.gov.br; carlosapolinario@camara.sp.gov.br; vereador@celsojatene.com.br; chicomacena@camara.sp.gov.br; vereadorclaudinho@uol.com.br; claudiofonseca@camara.sp.gov.br; claudioprado@camara.sp.gov.br; daltonsilvano@camara.sp.gov.br; domingosdissei@camara.sp.gov.br; donatopt@terra.com.br; eliseugabriel@camara.sp.gov.br; contato@florianopesaro.com.br; fchagas@camara.sp.gov.br; gabrielchalita@camara.sp.gov.br; gilsonbarreto@camara.sp.gov.br; contato@vereadorgoulart.com.br; italocardoso@camara.sp.gov.br; jamilmurad@camara.sp.gov.br; gabjoaoantonio@gmail.com; joojihato@camara.sp.gov.br; gabinete@joseamerico.com.br; vereadorzelao@camara.sp.gov.br; ver.missionariojoseolimpio@camara.sp.gov.br; policeneto@camara.sp.gov.br; julianacardosopt@camara.sp.gov.br; juscelinogadelha@yahoo.com.br; maragabrilli@camara.sp.gov.br; gabinete@vereadormarceloaguiar.com.br; marcoaureliocunha@camara.sp.gov.br; martacosta@camara.sp.gov.br; drmiltonferreira@camara.sp.gov.br; miltonleite@camara.sp.gov.br; natalini@camara.sp.gov.br; netinhodepaula@camara.sp.gov.br; noeminonato@camara.sp.gov.br; paulofrange@camara.sp.gov.br; vereadorpenna@camara.sp.gov.br; vereadorquitoformiga@gmail.com; ricardoteixeira@camara.sp.gov.br; tripoli@camara.sp.gov.br; sandratadeu@camara.sp.gov.br; senival.pt@ig.com.br; souzasantos@camara.sp.gov.br; vereador@toninhopaiva.com.br; kamia@camara.sp.gov.br; wadihm@camara.sp.gov.br

Ainda sobre o aumento abusivo na tava de IPTU queria comentar ser uma insanidade, conforme noticiado no CBN-SP, o metro quadrado na Cracolândia passar a ser mais caro do que o dos Jardins… Dessa forma, a anunciada “Nova Luz” não deixará nunca de ser uma quimera…

Abraço do ouvinte,

Esper Leon

Avalanche Tricolor: Eu também não torço contra, pai

 

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Grêmio 2 x 0 Palmeiras
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

Quando entra em campo, o Grêmio não disputa título nem uma vaga qualquer, escreve capítulos de uma história. Com esta frase, expliquei a luta até o último minuto na partida em que estávamos com dois jogadores a menos contra o Cruzeiro e nos valeu o empate de jogo praticamente perdido. E explico meu olhar sobre o time que aprendi a amar.

Forjei meu coração tricolor com sofrimento e lágrima. Quando passei a enxergar o futebol com paixão, era uma época em que o título gaúcho era nosso sonho maior. E por oito anos assisti ao principal adversário comemorar esta conquista. Tarefa tão árdua quanto a do Corinthians e seus anos de fila, apenas para traçar alguma referência com os leitores paulistas que são maioria neste blog.

Muitas vezes saí chorando do estádio Olímpico porque não aceitava a derrota, menos ainda torcedores vaiando meus ídolos. Gritava para que os verdadeiros gremistas continuassem a defender o azul, preto e branco de nossa camisa. Queria ouvir o hino sendo cantando com o orgulho de quem reconhece a luta pela vida, mesmo quando a morte surge.

Não entendia cronistas que se anunciavam gremistas e criticavam jogadores do Grêmio. Lembro de uma campanha cruel do jornalista Paulo Santana, muito respeitado no Sul do País e por alguns colegas meus aqui em São Paulo, também, contra o ponteiro esquerdo Loivo, que jogou com nossa camisa entre 1968 e 1975. Ele defendia a presença de Nenê entre os titulares, enquanto meu pai, a quem não preciso apresentar neste espaço, admirava a luta do Coração de Leão.

Loivo era meu ídolo. É meu ídolo até hoje.

Eu era um menino ainda quando ao fim de uma partida no Olímpico, na qual Nenê entrou no segundo tempo e resolveu o jogo para o Grêmio, Paulo Santana se ajoelhou aos meus pés, no espaço conhecido por Pórtico dos Campeões, e pediu para que eu o ouvisse mais do que ao meu pai quando o assunto fosse futebol.

Conheço meu pai e conheço Santana. Os dois, aliás, se respeitam muito e trocaram confidencias recentemente. E por conhecê-los sempre confiei mais no coração gremista do primeiro.

Nesta quarta-feira, enquanto Santana pediu no jornal Zero Hora para que o Grêmio entregasse a partida contra o Palmeiras para prejudicar seu principal adversário no Sul, meu pai me disse por telefone: “Eu não consigo torcer contra”.

Se outros fizeram isto conosco no ano passado, como alega Santana com seu pensamento vingativo, azar deles terem alma tão pequena. Se a vitória desta noite ajudará a alguém mais, sorte daqueles que serão ajudados. Para nós que torcemos pelo Grêmio deve interessar única e exclusivamente a honra de sermos gremistas.

Por isso, pai, eu também não torço contra. Jamais !

São Paulo pratica pena de morte ilegal

 

Título acima e reportagem abaixo, escritos por Renata Camargo, do Congresso em Foco, alertam para a violência policial no Estado de São Paulo. Para quem acredita que apenas a violência é capaz de impedir mais violência, uma boa leitura. Para todos os demais – entre os quais me incluo -, motivos a se preocupar:

“Dossiê elaborado por diversas entidades ligadas ao combate à violência no país revela que a polícia do estado de São Paulo pratica a pena de morte, ainda que esse tipo de condenação seja ilegal no Brasil. Embora o estudo tenha se concentrado na análise do comportamento da polícia paulista, os organizadores do dossiê alertam que as conclusões da pesquisa não representam uma realidade apenas de São Paulo. Como explica a historiadora Angela Mendes de Almeida, do Observatório das Violências Policiais de São Paulo, boa parte das constatações apresentadas no mapa de extermínio de São Paulo pode ser estendida para outros estados brasileiros.

O estudo, denominado Mapas do Extermínio: execuções extrajudiciais e mortes pela omissão do estado de São Paulo, revela que a polícia paulista tem usado a força letal de forma arbitrária e que o grau de extermínio de civis no estado é superior aos níveis mundiais aceitáveis.

As organizações trazem dados oficiais e extra-oficiais sobre o extermínio de civis feito por policiais em chacinas, em execuções sumárias aplicadas por agentes em serviço e fora de serviço e em mortes misteriosas de pessoas que se encontram sob custódia do Estado. As vítimas dessa “pena de morte extrajudicial” são, em sua maioria, jovens entre 15 a 24 anos de idade, moradores das periferias de grandes cidades, afrodescendentes e pobres.”


Leia a reportagem completa no Congresso em Foco

IRBEM: Educação foi nota 10, mas não é tudo

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Destacado pela mídia, o resultado da primeira etapa do Irbem – Indicadores de Referência de Bem-Estar – mostrou que o tema educação está no topo da lista de prioridades do cidadão. Não surpreende a escolha, haja vista a forte influência que teve a opinião de estudantes da rede pública em especial no ensino municipal que responderam o questionário apresentado pelo Movimento Nossa São Paulo. Das cerca de 36 mil pessoas que deram sua opinião, pouco mais de 22 mil são crianças e adolescentes.

Houve uma espécie de “lobby do bem”, expressão que usei em conversa pelo Twitter com o secretário municipal da Educação Alexandre Schneider que comemorou o resultado com toda razão. Dentro deste tema, são prioridade para as crianças “transporte escolar gratuito”, “escola limpa e conservada”, e “educação para os direitos das crianças e adolescentes”.

Apesar de os temas apresentados no levantamento inicial serem um bom sinalizador, este ainda não é um retrato das prioridades da cidade de São Paulo. O questionário foi aberto ao público, sem nenhum critério científico. Apenas se quis dar oportunidade para que a população participasse da construção desses indicadores de maneira democrática em vez de, simplesmente, apresentar à sociedade uma pesquisa dirigida.

Assim, poderemos saber o que realmente é importante para a capital paulista apenas após a apresentação do resultado final com base em pesquisa científica, com amostra proporcional aos vários segmentos da população de São Paulo, organizada pelo Ibope, que deve ser entregue em 19 de janeiro de 2010.

Leia mais sobre o tema e veja o resultado da consulta pública no site do Nossa São Paulo.