De foco


Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Foco” na voz da autora

A flor

Há que mudar o foco da luz. Do jeito que estão as coisas, o ruim recebe toda ela enquanto o bom vai morrendo.

feito planta famélica
inodora angélica

Dá para continuar? É isso que a gente vai escolher? É assim que você e eu pretendemos viver?

o flash deve iluminar a imagem que a gente quer eternizar
a imagem que escolher é a que vai dia a dia nos acompanhar

também há que alimentar o positivo para que cresça e tome espaço
pra que o negativo diminua se enredando no laço

não precisa o negativo aniquilar
basta que o deixe restrito ao seu lugar

ou você se esqueceu de como foi que cresceu
ou acha que tudo simplesmente por acaso aconteceu

que um dia você acordou
e esse ser que hoje se olha no espelho
do nada se formou

Cada dia, cada minuto do dia, precisa de atenção, de carinho e de alimento. Não dá pra acordar e dormir.

dormir e acordar
no piloto automático funcionar

Coloque dois vasos de flores na sala de casa, troque a água e livre um deles das folhas mortas;

não lhe vire jamais as costas

Com o outro, no entanto, faça diferente. Deixe que a água, antes limpa, se encha de bactérias, e deixe que elas dele se alimentem.

e o que vai acontecer
é óbvio meu amor que vai sofrer e logo em seguida morrer

é isso que eu quero dizer
se é que você quer me entender
que criamos para nós armadilhas
e nos aprisionamos em pequenezas e quinquilharias

o pior disso é que se prestamos atenção
vemos que vivemos presos ao passado
chorando pelo que foi
sem nos darmos conta da riqueza e da alegria

diferentes é claro na nova realidade
que tenta nos prender nos envolver
para que nunca nos livremos da saudade

E você, está focando o quê?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.


Maria Lucia Solla é terapeura, professora de língua estrangeira e desenvolve cursos na área de comunicação e expressão. Aos domingos, é luz própria no Blog do Mílton Jung.

Conte Sua História de São Paulo: A partida

 

Por Vera Helena Gasparotti Praxedes
Ouvinte-internauta do CBN SP

Ouça o texto ‘A Partida’ sonorizado por Cláudio Antônio

Este poema fiz quando mataram meu vizinho, em frente a casa dele que fica em frente a minha, em um lugar lindo com uma pracinha, ao lado de um também belo parque que se chama Parque Nabuco no Jardim Jabaquara. O nome dele George Alexandre, um professor de inglês que lecionava em Diadema e chegava todos o dias em sua casa por volta das 00:30 hs. da madrugada. Só sabemos que quem o matou foi um ou dois homens em uma moto, provavelmente queriam entrar com ele, que reagiu.

A Partida

Um grito ecoou pela noite escura,
Desafiante, profundo, cheio de horror,
O peito pulsou sem doçura:
– Seria de dor? – Seria de pavor?

Um estampido ressoou pelo ar,
Não murchou as flores, não secou as árvores,
Não calou os pássaros, não rachou o chão,
Certeiro, perfurou o coração.

O corpo caiu num baque aguçado,
Sombreado pela luz da lua,
Vermelho, em vez de prateado.

Um suspiro seguiu…
Nem mesmo o tempo parou
Para velar o quê partiu…

É mesmo assim, fica tudo assim mesmo.


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Participe enviando seu texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br.

Foto-ouvinte: Pra refrescar

 

Parque Chico Mendes

Uma semana inteira de calor acima dos 30 graus e baixa umidade relativa do ar provocando desconforto no paulistano bem que merece terminar na sombra e água fresca desta árvore fotografada pelo ouvinte-internauta e colaborador do Blog, Marcos Paulo Dias, no Parque Chico Mendes, em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo. Quando esteve lá, encontrou “bambus, muitas folhas, diversas espécies de pássaros,formigas, uma turma jogava bola, outra caminhava, crianças brincavam, e uma coisa me chamou atenção: muitas pessoas faziam leitura sob a sombra das árvores”.

O perigo da ciclofaixa desativada no domingo, em SP

A campanha publicitária é intensa, seja da prefeitura que a usa para fazer de conta que incentiva o uso da bicicleta na cidade, seja pelo Bradesco que investe na imagem positiva que a iniciativa trará. Apesar disto, a ciclofaixa que liga três parques da cidade de São Paulo voltará a ficar fechada neste domingo. É a segunda vez, desde que foi criada há pouco mais de dois meses. Pela primeira experiência, o risco é enorme.

Os avisos de que uma corrida neste domingo impedirá a utilização da ciclofaixa são tímidos, insuficientes para bem informar o cidadão que planejava por o pé no pedal e usufruir do benefício gerado pelos 5 km de pista exclusiva para as bicicletas na cidade. É bem possível que muitos levem a família para passear entre os parques do Povo, Ibirapuera e das Bicicletas e se deparem com os carros ocupando a faixa.

O cicloativista André Pasqualini pedalou durante a Virada Esportiva quando a ciclofaixa foi desativada pela primeira vez: “Muitos ciclistas com crianças na cadeirinha, ou escoltando seus filhos em bicicletas de rodinhas, se aventuraram na ciclofaixa na cara e na coragem”. Quanto aos carros, muitos respeitavam o direito de quem pedalava nas avenidas, mas havia aqueles que jogavam os veículos sobre os ciclistas e ainda berravam pela janela: “Está desativada”. Uma espécia de propaganda boca a boca.

Dois pontos a serem considerados:

1. Mesmo que a ciclofaixa esteja desativada, o ciclista tem o direito – garantido por lei – de pedalar na rua e avenida;

2. A partir de 2010, é recomendável que a prefeitura reavalie o percurso das provas de ruas (atividades importantes para a cidade, também) ou o volume de publicidade informando que a ciclofaixa estará desativada.

Leia aqui a avaliação de André Pasqualini no site CicloBR de onde, aliás, “roubei” a foto que ilustra este post

Canto da Cátia: Promotor na Calçada da Fama

 

Calçada da Fama em construção 1

As estrelas ainda não estão na Calçada da Fama, a polêmica, sim. A rua Canuto do Val, região central de São Paulo, tem sido palco de discussão desde que a empresária Lilian Fernandes conseguiu apoio da Câmara Municipal e da prefeitura para ampliar a calçada na área em frente aos restaurantes dos quais é proprietária. Agora, o Ministério Público mandou instaurar um inquérito civil para apurar se existe alguma irregularidade nas obras.

Ouça a reportagem da Cátia Toffoletto, no CBN SP

Vereadores cobram de diretora da Emurb críticas à Câmara

 

Convocada pela Comissão de Política Urbana da Câmara Municipal para falar sobre a publicidade nos relógios digitais, a diretora da Emurb e mentora do programa Cidade Limpa, Regina Monteiro, foi cobrada por vereadores pelas críticas que fez a aprovação de projeto de lei que permite a “pichação eleitoral”, na campanha de 2010.

Em agosto, quando o projeto foi aprovado, Regina Monteiro falou ao CBN São Paulo e discordou da opinião de vereadores que haviam saído em defesa da lei que autorizava a propaganda eleitoral em muros e fachadas de prédios (Leia post neste blog). A opinião dela causou constrangimento principalmente na bancada do PSDB que havia publicado apoio as mudanças que tornariam mais frágeis as regras do programa Cidade Limpa, o mais significativo da gestão Gilberto Kassab (DEM).

Regina Monteiro "enquadrada" na Câmara (Foto: site da CMSP)

Segundo fontes da Câmara, desde lá alguns vereadores queriam “enquadrar” Regina Monteiro e teriam decidido fazê-lo através da convocação para a comissão de política urbana sob a justificativa de discutir a lei que permitirá publicidade nos relógios digitais. O ressentimento em relação as críticas da diretora do Emurb ficou evidente já na fala do vereador tucano Juscelino Gadelha que não escondeu seu incomodo com a entrevista concedida ao CBN São Paulo. Outros colegas também entraram no tema com a intenção de justificar o projeto de lei aprovado há três meses.

Sobre o mobiliário urbano, algumas informações com base no que foi publicado no site da Câmara Municipal:

“A diretora da Emurb revelou a intenção de aumentar o número de relógios digitais instalados no município. Hoje, existem 330 unidades instaladas ao longo das ruas e avenidas; a intenção é chegar a mil. Segunda Regina, o objetivo é ter informações de trânsito, de alagamento e de clima. “A finalidade é ter mais tecnologia, que possa ser de interesse público; queremos ver se a publicidade nestes equipamentos pode arcar com os custos”, disse.

Ela ainda ressaltou que existe a intenção da Emurb em debater um Plano Diretor de Paisagem Urbana, com o intuito “de apresentar um diagnóstico da cidade para informar o que a população espera de seu município em relação ao urbanismo.”

Carros vão rodar a 30km/h. Calma ! É na Espanha

 

Os prefeitos de cidades espanholas estão sendo desafiados a reduzir o número de acidentes de trânsito e de vítimas com uma medida que deixaria os brasileiros de cabelos em pé. A Direção Geral de Tráfego propôs que os municípios restrinjam a velocidade máxima de circulação de carros em 30km por hora em 80% das ruas, segundo informou o jornal El Mundo.

De acordo com o especialista de trânsito Andrés Monzóm, a possibilidade de se sobreviver a uma acidente quando os veículos circulam até 30km por hora são muitas e as de evitar um atropelamento são “muitíssimas”. A maior ocorrência de atropelamentos está nas ruas de pouco tráfego, onde os pedestres andam mais confiantes, explicou.

Para justificar a ideia das “Zonas 30”, como é chamado o projeto proposto pela DGT, Monzóm é definitivo: “As ruas não são dos veículos, são dos cidadãos, dos pedestres, dos que andam”. A diretora do Observatório Nacional de Segurança de Tráfego Ana Ferrer completou: “o veículo tem de saber que é o último da fila”

Leia a reportagem completa no jornal eletrônico El Mundo.es

Burako e Burekas !

 

Por Luis Fernando Gallo

Sábado 31.10 fui ao bairro do Bom Retiro, zona central da cidade, buscar umas Burekas. Enquanto esperava pela minha encomenda, percebi varias pessoas comentando sobre um imenso “burako”bem na esquina da rua da Graça com Três Rios. Para minha surpresa o “burako” havia sido “consertado” e o entulho que era usado para sinalização do perigo foi retirado e usado para “decoração” do jardim ao lado.

A gente pode entender que as chuvas estão (estavam) sendo implacáveis, mas esse serviço de “tapa-burakos” simplesmente é ridículo. O transtorno e perigo continuam por lá e por que não se recolhe a sujeira feita pelo “cervisso” ? Esses procedimentos tem de ser reavaliados. É nosso dinheiro indo para o “burako”.

Pra quem quiser conhecer o Burako ou as Burekas (salgado folhado da Bulgaria) é só dar uma passadinha lá na rua Silva Pinto, 356, a 50 metros do já famoso Burako.

Se ninguém faz, ela faz

 

O nome não se sabe, mas a consciência que ela tem do seu papel na sociedade fica evidente no flagrante feito por Devanir Amâncio da ONG EducaSP, colaborador do Blog do Mílton Jung. Essa mulher preocupada com o risco provocado pelo enorme buraco na avenida Nove de Julho decidiu fazer o que as autoridades esquecem. Com alguns pedaços de pau e papelão sinalizou o enorme buraco, perigo para pedestres e motoristas. Simples como seu ato, explicou a atitude: “É para evitar acidente”.