Por Carlos Magno Gibrail

Como avô e economista, chego à conclusão que os últimos dias não tem sido os melhores para ostentar estas condições.
Sarney (dono do Mar, do Maranhão, do Pará, do Senado e da maior cara de pau) o avô que apóia o nepotismo, Mercadante (economista tratadista da irrevogabilidade) revogou o irrevogável e Belluzzo (economista bom de bola, mas nem tanto de contas) conseguiu errar em 200 bilhões uma conta de 288 bilhões do Mantega, mandou publicar no Globo, mas não assessorou o assessorado Giannetti, que hoje chora os 200 bilhões a pagar e a “quebra dos exportadores”.
Eis aqui a fala de Belluzzo retratada no jornal O GLOBO há dias, antes, portanto do almoço com o Ministro da Fazenda na sexta feira:
“Em abril de 2007, a pedido de um grupo de exportadores – a Belluzzo e Associados Ltda. e a LCA Consultores Associados – realizaram um estudo sobre os valores do Crédito Prêmio de IPI, chegando ao expressivo valor de R$ 69,7 bilhões. Tomando-se em conta uma margem de erro de 20% para cima ou para baixo, este valor pode oscilar entre R$ 55,8 bilhões e R$ 83,7 bilhões.
Chama a atenção particularmente a cornucópia de cifras absurdas apresentadas em editoriais e matérias editorializadas: R$ 288,0 bilhões, nem R$ 208, nem R$ 280, mas R$ 288 bilhões. A unanimidade em torno dos valores do Crédito Prêmio de IPI permaneceu inabalável nas manchetes e artigos que circularam nos últimos dias nas várias cidades brasileiras: R$ 288,0 bilhões. Diante de retumbante unanimidade, deveríamos, no mínimo, destinar um pouco de atenção – e curiosidade, por que não – para a fonte que alimentou nossos formadores de opinião: o terrorismo anti-exportador e anti-nacional”.
O economista sofismou, pois ignorou que os 288 bilhões foram calculados e extensivamente publicados pelo Ministério da Fazenda, o que explica a unanimidade, além de confundir incentivo com subsidio o que gerou o grito do GATT.
É bom lembrar que os exportadores tiveram incentivos de todos os lados: eliminação dos impostos diretos, Befiex, investimentos do BNDES em modernização, empréstimos favorecidos através de ACEs, etc. etc. Foi com esses incentivos que os exportadores contribuíram, em cinco anos, para a formação do maior volume de reservas de nossa história.
Dizer que o não reconhecimento do crédito-prêmio é o mesmo que lutar contra as exportações é uma forma de terrorismo que fica bem em campos de futebol, mas não se justifica em questões técnicas como essa.
O veto do presidente Lula, seguindo a decisão do STF ainda não dá sossego, se atentarmos aos interesses e as armas envolvidas.
Aqui, verdadeiramente, o nosso país nunca antes teve tal montante em risco para pagar.
Como presidente do Palmeiras, o economista deve ter noção do absurdo destes números, pois mesmos os originais calculados por ele, 55, 88 ou os 288bilhões da Fazenda, estão muito distantes dos “modestos” 14 bilhões para a COPA 14.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, economista, avô, escreve às quartas no Blog do Mílton Jung e ainda assim dá conta do recado.