Foto-ouvinte: Enroscado

 

Deu rolo

O banner com assinatura da prefeitura de São Bernardo cada dia está mais enroscado nos fios elétricos e cabos de telefonia e televisão, na rua Nicolau Gagliardi, bairro de Noca Petrópolis.  Pelo prejuízo que esta instalação pode causar, o ouvinte-internauta Luis Antonio Iarossi gostaria de ter o respaldo das concessionárias que pagam para usar os postes na reclamação.

Buracos da Cidade: Virou cinema

 

 

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Nossa colega de todos os domingos, Maria Lucia Solla aderiu ao Buracos da Cidade em grande estilo. Preparou uma apresentação especial sobre buraco que teima em abrir levado pela água no caminho de seu passeio diário na Rua Dr. Fonseca Brasil, próximo do Shopping Jardim Sul. Não bastasse o dinheiro público gasto a toa por falta de coordenação do setor público e desrespeito à cidade, restos da obra ainda são deixados no meio-fio como a lembrar o desperdício

Do banco dos tribunais aos do ônibus (II)

 

Por Adamo Bazani

Advogado troca o terno e a gravata pela graxa das garagens de ônibus e se diz realizado, na segunda parte da história sobre o empresário Aroldo de Souza Neto, 32, de Mauá, no ABC Paulista.

Se na época, quando conseguiu comprar o primeiro ônibus, Aroldo pensou que acabara de vencer um grande desafio, não sabia o que o esperava. “Eu sempre gostei de ônibus e meu sonho era esse. Mas na prática, vi que atuar nesse ramo era muito mais difícil”.

Aroldo na garagemA manutenção foi o primeiro susto. Aroldo diz que manter um ônibus é muito caro e trabalhoso. Se num carro de passeio, itens como freio, suspensão, óleo de motor, etc são trocados a cada seis meses ou 15 mil quilômetros, nos ônibus isso deve ser feito praticamente toda a semana. Isso sem contar que os custos destas peças são bem maiores que em veículos convencionais.

“O diferencial, os freios e o preço dos pneus, que chegam a custar cerca de mil reais, quando radiais, me deram um baque, são um absurdo. Mas eu tinha contrariado tudo e a todos por este meu sonho. E por ele, deveria continuar”

Mais uma vez o velho empresário Osvaldo, que agregou o ônibus de Aroldo,  e outro empresário do setor, Carlos Roberto Gritz, dono da locadora GTZ, com o qual trabalhou, passaram outra lição importante: empresa de ônibus tem de ter estrutura de emergência, de manutenção. Existem peças de reposição que não podem faltar numa garagem e até mesmo dentro dos ônibus.

A lição é importante principalmente para pequenos empresários que, normalmente, não tem carros de reserva e compram no varejo, mais caro. Os passageiros, no caso clientes de fretamento, querem chegar ao seu destino, não querem saber de peça de ônibus.

Aroldo lembra de um episódio enfático, que representa bem isso. Em 2006, com seu O 371 R, ex-Firenze, foi fazer um fretamento para um grupo religioso, saindo do ABC para Ibiúna. Chegando lá, um dos pneus traseiro estourou.

“O susto foi grande, o ônibus balançou muito e fez um estrondo enorme”.

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Mais um depósito de ônibus abandonados

 

Depósito de ônibus

Uma antiga área da CMTC na avenida Guido Caloi, na capital paulista, abriga cerca de 600 ônibus em processo de sucateamento. Douglas Nascimento, do site São Paulo Abandonada, diz que é possível identificar trólebus fabricados entre 97 e 98 abandonados na enorme área do Jardim São Luiz, na zona sul. Pesquisando em sites e blogs de busólogos (você acha que só existe o Adamo Bazani) descobri que por lá ficam veículos que eram da companhia municipal ou usados por empresas clandestinas e apreendidos nos anos 90. Há modelos como os O 362, Veneza, Numbus e Condor Urbano. Douglas fez as fotos de alguns dos ônibus que apodrecem a céu aberto. Ao lado há uma garagem de ônibus que estão em operação.

Canto da Cátia: Famílias, fora !

 

Reitegração de posse em São Paulo 

Policias militares foram mobilizados para retirar cerca de 800 famílias que ocupavam terreno na região do Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo, conforme decisão da Justiça. Houve resistência, a polícia invadiu o local e barracos foram incendiados, a princípio pelos próprios moradores. A repórter Cátia Toffoletto registrou a ação.

(16:37)

Tem novidade aqui no post: além de outras imagens disponíveis com as famílias retiradas do terreno, você pode ver vídeo gravado pela Cátia Multimedia Toffoletto.

Sujismundo, atual como sempre

 

SUJISMUNDO DA PAULISTA - 18.08

 

Lançado no período do Regime Militar e com lema daqueles que agradam os milicos de plantão (Povo limpo é povo desenvolvido), o personagem Sujismundo ganhou a simpatia do cidadão e se transformou em sinônimo de pessoa sem asseio, desleixada, que desrespeita a cidadania. Carequinha e sempre rodeado por moscas, o desenho foi criado pelo animador e quadrinista Ruy Perotti Barbosa, em 1971. 

Sujismundo foi lembrado hoje durante o Jornal da CBN quando a repórter Mônica Poker registrou entulho abandonado na calçada da avenida Paulista em “ponto viciado” (veja as fotos clicando nas imagens acima). Ela própria já havia denunciado que o local, há algum tempo, vem sendo usado para descarte de material de escritório, geralmente carpete e lâmpadas fluorescentes.

E você relembra o personagem clicando aqui.

Agora o outro lado

Resposta da Subprefeitura da Sé (24.08, 17:19)

“Com relação à informação de lixo na Avenida Paulista, agradecemos e informamos que as equipes de limpeza foram acionadas para recolher o material despejado irregularmente. Reiteramos a importância da consciência e colaboração dos munícipes em procurarem os Ecopontos ou contratarem empresas cadastradas pela Prefeitura para fazer o descarte de entulho de forma adequada em aterros sanitários, evitando transtornos na cidade. Pedimos também a cooperação da população, denunciando e informando a Prefeitura para que possamos autuar os responsáveis pelo descarte irregular de entulho em vias públicas, através do telefone 156 ou pelo site da Prefeitura (www.prefeiturasp.sp.gov.br)

Cinzeiro ganha flores na ESPM

 

Com os cinzeiros fora de moda na cidade de São Paulo, a criatividade passa a ser exercida nestas peças até então muito sem graça, pois serviam apenas para esmagarmos a única parte do cigarro que não iria nos matar. Encontrei a foto ao lado no site Miscelanium Fashion, da jornalista Dani Rodrigues, que conta ter sido a criação obra da ESPM, Escola Superior de Propaganda e Marketing. De acordo com o post, os cinzeiros espalhados pelo campus foram transformados em vasos de flores. Se você encontrar outras boas saídas para o cinzeiro, mande para milton@cbn.com.br, que a gente publica por aqui.

Avalanche Tricolor: Meu gremistinha faz 10 anos

 

Lorenzo e Greg na festa de 2005

Lorenzo e Greg na festa de 2005

Grêmio 4 x 1 Atlético – PR
Brasileiro – Olímpico Monumental

A lágrima que escorria no rosto, abraçado a um dos cachorros que tenho em casa, era a mensagem que precisava para o fim de uma dúvida que atormenta todo pai apaixonado pelo Grêmio. Meu filho torcerá ao meu lado ? Era 26 de novembro de 2005, Lorenzo estava com seis anos e correu para meu lado ao saber que o time pelo qual sofria estava prestes a perder a decisão da Série B do Campeonato Brasileiro. Não perdeu, e você sabe como. Além de ganhar a Batalha dos Aflitos, conquistamos um gremista.

Desde aquele tempo, ele tem sido um torcedor à distância. Não senta ao meu lado para assistir aos jogos. Prefere o computador e as brincadeiras com o Gregório, o mano mais velho – no que faz muito bem. Mas não deixa passar uma partida sem querer saber como estamos. Hoje, no terceiro gol, comemorou, menos a vitória, muito mais a certeza de que teria um pai tranquilo no dia do seu aniversário.

Sim, meu gremistinha completou 10 anos. Quando nasceu, ganhamos o Gaúcho – e nós sabemos como é bom – e a Copa Sul . Desde lá, ainda festejou (sempre à distância) títulos na Copa do Brasil e três estaduais. Muito mais do que estas competições, aprendeu com as vitórias impressionantes, as viradas inimagináveis e a capacidade de recuperação nos instantes mais difíceis. Tão acostumado está com estas façanhas que costuma perguntar antes de o jogo começar: “Pai, hoje a gente precisa ganhar de quanto ?”. Forjou-se, assim, a personalidade de um Imortal Tricolor.

Depositamos nesta história de superação, a expectativa de uma arrancada neste Campeonato Brasileiro. De um time que, mesmo incapaz de repetir fora o espetáculo que oferece à sua torcida em casa, permanece na disputa e a poucos passos de seu primeiro objetivo: disputar a Libertadores. Um título sobre o qual o Lorenzo ouviu falar várias vezes, por duas sentiu o sabor na sua boca, mas ainda não teve o prazer de comemorar com o pai e o mano.

Os presentes que recebeu de aniversário, neste domingo, foram muitos e carinhosos, mas gostaria bastante de que, em família, festejássemos mais um título com a mesma emoção do dia em que foi batizado Gremista de Coração.

Que o Grêmio me proporcione esta oportunidade, em 2009 !

De expressão na comunicação e vice-versa

Por Maria Lucia Solla

Reescrevendo, relendo, revendo

Olá,

falávamos de ciclo perfeito de renovação, e da relação entre você e a informação que recebe. O verbo que acabei de usar já desenhou o que acontece. Você recebe; porque quando não quer receber fecha a porta, muda o canal da TV, muda a estação do rádio, enfim, escolhe o que lê, o que pensa, o que ouve, o que vê, o que toca e o que te toca.

Ou ao menos tem opções à disposição.

Quando uma informação chega, por qualquer dos sentidos, é recebida à porta pelo teu interesse, que é quem decide o que entra e o que não entra. Aquilo que entra cumpre um percurso em você. Vive em você, uma vida. Vamos chamá-lo de visitante.

O ciclo de renovação é perfeito quando o visitante viaja pelo teu universo; quando vive em você. Ele aciona a mente, acende fogueiras no coração e modifica você. Para sempre. Depois de sua passagem, você jamais será o mesmo.

Mas como toda vida é ciclica, o visitante, cumprida a missão, procura a porta de saída. E é esse o segredo, Marcelo①. Quando você abre a porta e deixa que o visitante se vá, só fica o que se imprimiu em você. O que já é parte de você. Deixa de ser conhecimento; é você. E isso não ocupa espaço.

Por outro lado, se você deixar a porta de saída trancada, o visitante fica estagnado, se deteriora e adoece e envelhece você. Então, é preciso que você receba, se assim decidir, processe o pacote e devolva ao Universo, se expressando. Você, transmissor, e o outro, receptor. E nesse momento pode nascer a comunicação. Digo pode porque a expressão só é considerada comunicação, quando o outro recebe e compreende o que você expressa.

E você se expressa falando, dançando, cantando, escrevendo, pintando, cozinhando, caminhando, gesticulando. Se expressa com o olhar, com a tonalidade da voz, com o ritmo da respiração. Se expressa parado, sem dizer coisa alguma, com olhos e bocas fechados.

Você se expressa no trabalho, no esporte, em casa e fora dela. Dormindo, acordado, andando, parado, nervoso, cheiroso, suado ou relaxado.

Não há limite para a expressão, assim como não há limite para o ser.
O importante é que, ao se expressar, você esteja presente, esteja inteiro, consciente, acordado, ligado.

É vital que você se expresse

Ao se expressar, você cria espaço para que o novo possa entrar na tua vida e dar continuidade ao teu caminho de evolução.

Proponho, então, que você se expresse comigo. Não aceite simplesmente o que eu digo. Cada um de nós é único, e só podemos falar daquilo que vemos, sentimos e percebemos, do ângulo em que nos encontramos. Apenas nos parecemos porque dançamos sob a batuta de leis e regras sociais. Só isso.
Fale comigo.

①Marcelo Elias:
16 agosto, 2009 as 13:47
Prezada Maria Lucia,
Acabei de entender aquela velha história do sábio com seu aprendiz em que o sábio diz que adquirir conhecimento é como encher um copo até o ponto em que temos de esvaziar o copo para adquirirmos mais conhecimento.
Eu sempre pensava que nossa capacidade adquirir e acumular conhecimento era ilimitada e eu não precisava esvaziar o copo. Não era exatamente isso, né?
Assim sendo, essa é a ideia que estou processando no momento.
Um abraço.
4
maria lucia solla:
16 agosto, 2009 as 15:53
Marcelo
Vejo dualidade em tudo, e vejo tudo através dela.
Entendo que o conhecimento pode gerar sabedoria, mas pode gerar presunção também.
Acredito, como você, na nossa capacidade ilimitada de adquirir conhecimento, mas armazenar… não.
Quando o conhecimento se instala em você – e ele só se instala se você permite e até onde você permite – você pode dar o disco de instalação para outra pessoa, ou livrar-se dele como quiser.
E precisa baixar atualizações.
É mais ou menos como comprar a laranja, cortar ao meio, fazer um suco, tomá-lo e descartar as cascas.

Veja a leitura deste texto em gravação de vídeo feita pela autora

Maria Lucia Solla é terapeura e professora de língua estrangeira. Desde a semana passada, reescreve o livro “De bem com a vida mesmo que doa” em parceria com você leitor deste post dominical. Para ler o primeiro texto já publicado clique neste link

Conte Sua História de São Paulo: A escrivaninha de meu pai

 

Por Cyro Del Nero
Ouvinte-internauta

Ouça o texto ‘A escrivaninha do meu pai’ com sonorização do Cláudio Antônio

Levei até meu analista um fato – e eu já tinha 40 anos – ocorrido em minha juventude.

Foi o seguinte. Eu sempre estive curioso pela escrivaninha de meu pai. Era uma daquelas que têm um tampo de madeira que corre e fecha a mesa e seus escaninhos. Sempre tive curiosidade pelo conteúdo que eu apenas entrevia e que meu pai defendia abrindo a escrivaninha para um rápido trabalho e então ele imediatamente, a fechava .

Não resistindo, compulsivamente, um dia resolvi violar a escrivaninha secreta de meu pai. Com uma faca levantei com facilidade o seu trinco e fiz correr a tampa abrindo para mim os seus segredos. Descobri que os ricos escaninhos guardavam além de cartões, fotos e papéis, pequenos objetos que me pareciam fantásticos, como meia dúzia de cartuchos vazios de balas de rifle que certamente ele guardara desde a revolução de 32 quando saíra fardado para uma aventura nunca imaginada. Havia ainda pequenos objetos como um estranho anel, caixinhas apenas recheadas de agulhas e grampos, um pente feminino de marfim com um ornato barroco, cartas com selos de impérios que eu desconhecia, estampilhas, um velho canivete, uma pedra, uma espátula dourada, um broche antigo, cartões-postais com imagens da França e Portugal, uma moeda chinesa, um pequeno frasco de um líquido azul com um rótulo em alemão.
Afinal, que relação amorosa meu pai tinha com aquela coleção? Por que o segredo?

Contei isso para meu analista, Horus Vital Brasil e ele me perguntou algo que resume a aventura humana.
– Cyro, você queria saber se havia amor antes de você?

Todas as circunstâncias nos são inéditas e é necessário saber a origem e o porquê desse desconhecido que chamamos Destino ou simplesmente Existência e se há amor que os sustente. Isto resume a aventura humana.

Imagino o homem primitivo sem uma sociedade na qual espelhar-se ou poder inquirir. O ineditismo das revoluções físicas da terra – explosões vulcânicas, maremotos, raios e relâmpagos durante os quais no primeiro momento esse homem deve ter feito gestos nascidos da ignorância e do susto. Gritou em diversos tons – e gerou para os séculos vindouros a música; saltou e correu de medo – gerando para o futuro a dança e criou uma liturgia quando sentiu que Alguém anterior a ele, devia estar por trás de todas as coisas.

E imagino que muitas vezes atônito, se perguntou se tudo aquilo continha uma salvação, um prêmio, um calor afetivo, se tudo aquilo continha nos seus gestos sinais mensageiros de amor por ele.

Talvez ele tenha reconhecido alguns sinais… durante a Primavera.

Uma de nossas essências é o ineditismo de nossa existência e muitas vezes na juventude até duvidamos ter nascido daquele casal que se diz ser nossos pais. Muitos duvidaram e procuraram o que supunham ser um destino correto onde houvesse amor.
Édipo o fez e estava certo: eles não eram seus pais e em sua procura foi castigado mesmo sem ter culpa. A falta de amor que estava em sua origem, colocou-se contra ele.

É necessário sentir que diante de tudo e apesar de tudo, havia amor antes de nós. Isto é uma alegria perene, uma bagagem feliz.

O aparecimento de uma imprevista Primavera, prêmio amoroso universal, pode nos ajudar a receber e distribuir amor durante a nossa existência.

Creio-me abençoado e, em muitos momentos difíceis ou gratificantes, lembro-me disso, e tenho a certeza de que essa idéia ou lembrança me envolve cosmicamente. E imediatamente sinto uma confirmação, uma resposta.

Sim, sou herdeiro: havia amor antes de mim.

Há atitudes até mesmo profissionais de alguém – por exemplo – que se torna um Antiquário e busca no passado das coisas belas o amor que as criou. O que então se torna a resposta à pergunta que ele faz sobre a existência do amor antes dele.
Nota-se muitas vezes que a escolha de um ofício é uma herança amorosa ou a procura dela e muitas vezes podemos declarar essa herança em uma obra poética – ou reclamá-la.

O amor herdado é algo muito mais rubro e tépido do que o sangue. E também pode ser nosso testamento.

Eu procurei saber dele na escrivaninha de meu pai.

22 de Agosto de 2009
Quando se comemoraria o 109º Aniversário de meu falecido pai.


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você pode participar enviando seu texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br