Os vereadores de São Paulo e os ônibus fretados

 

Bolsão de Fretados na Cidade Jardim

Saber o que pensa o seu vereador é importante principalmente em relação aos grandes temas da cidade. Ou, aos mais polêmicos. Henrique Boney foi à internet e levantou a opinião dos parlamentares sobre a restrição aos ônibus fretados na capital, tema de projeto de lei aprovado em primeira votação. Ele comparou a opinião dos parlamentares publicada no site Rede Brasil Atual com o voto dos vereadores.

Projetos para serem transformados em lei, além de passarem por comissões temáticas (constituição, finanças, etc), precisam ser aprovados em dois turnos no plenário. É comum os vereadores apoiarem o projeto na primeira votação com o compromisso de que emendas (sugestões) serão apresentadas e discutidas antes da segunda votação.

Chamo atenção ainda para o trabalho do Boney (fonte do post sobre as ciclovias na capital) que usa as mesmas ferramentas que temos em mãos para levantar informação dos vereadores: a internet. Explorar este recurso em favor do cidadão é um dos pontos que norteiam o trabalho do Adote um Vereador.

Acompanhe a pesquisa de Henrique Boney sobre o que pensam alguns dos 55 vereadores da cidade de São Paulo sobre a restrição dos ônibus fretados. Se algum dos vereadores não citados neste levantamento tiver interesse em publicar sua informação, por favor use o espaço reservado aos comentários pois daremos publicidade, em seguida. Se alguma das informações publicadas não estiver de acordo com o que pensam, não se acanhem, também.

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Buracos na cidade: “É uma vergonha”

 

Na extensão da rua Michigan e na Ribeiro do Vale, no Brooklin, os buracos permanecem apesar dos muitos pedidos à subprefeitura. O ouvinte-internauta Marcos Cabral avisa que um deles na esquina das duas ruas está lá desde maio e já deixou muitos motoristas no prejuízo.

O Angelo Raposo faz um roteiro para o passeio matinal do subprefeito: Cerro Cora, Tonelero, Ricardo Medina Filho e segue pelas ruas do abandonado bairro da Vila Ipoujuca. Sugere que o descaso seja na praça da rua Dinieper (“é de chorar”).

A Suzana Izumi tem um buraco de estimação, o qual acompanha dia a dia e com orgulho o vê crescer. É na esquina da Judith Zumkeller com a Avenida Zumkeller, no Mandaqui, bem no caminho do berçário do filhinho dela. Ele também está crescendo.

Para o Ricardo Brandão, o problema é que no fim da av. Diogo Gomes Carneiro, próximo do quilômetro 15 da Raposo Tavares, tem um trecho de 500 metros de terra, cercado de árvores, que se transformou em local de depósito de entulho.

Tem, também, o buraco persistente: é na rua Jonatas Serrano, 316. O buraco abre, a Sabesp fecha e cinco dias depois, está de volta, explica Dailton Gomes.

José Silva Rocha da Silva
pergunta se quem presta este serviço está sendo cobrado pelo que faz. Ele passou pelas avenidas Sapoemba e Juliani, no Jardim Elba, e Mateu Ben, em São Mateus e ficou chocado com as “costelas de vaca” pelas quais teve de passar: “é de dar vergonha”.

Avalanche Tricolor: Por um goleiro

Grêmio 4 (9) x 1 Flamengo
Brasileiro – Olímpico Mionumental

Encerrei minha curta carreira de jogador de futebol no gol, na escolinha do Grêmio. Fui para lá indignado com a perda de um campeonato no ano anterior após uma sequência de frangos do nosso goleiro. Decidi que se fosse para perder assim, que o fosse por minha culpa, minha tão grande culpa. No ano seguinte, continuamos sem vencer mas ao menos não me consagrei um frangueiro. Quem jogou comigo deve lembrar muito mais dos carrinhos e chutes na canela que distribuía enquanto ocupava as posições de quarto zagueiro e lateral esquerdo.

Ter terminado por lá também deve ter sido obra do destino, afinal meu pai era goleiro de ofício – no colégio, na pracinha em frente de casa e no time da rádio. Tinha o pretensioso apelido de Aranha Negra, referência a alcunha de um dos maiores goleiros do mundo, o russo Yashin que se vestia de preto da cabeça aos pés.

Pensando bem, os goleiros fazem parte da minha vida. Torço alucinadamente pelo único time no mundo a colocar na letra do hino o nome de um jogador de futebol, Lara, o goleiro que morreu de amor por seu clube. E foi vestindo a mesma camisa que tantos outros se consagram e tem seus nomes lembrados pela torcida: Mazaropi e Danrley, são apenas dois de uma enorme lista.

Falar de goleiro no dia em que seu time goleia um tetracampeão brasileiro pode parecer heresia. Perea seria o personagem ideal para esta crônica que de lupa encontra heróis sempre que o Imortal está em campo, mesmo quando estes não existem. Fez o jogo de número 50 e retornava ao time depois de um ano, recuperado de grave lesão e quase tendo sido vendido. Fez o gol que abriu a goleada.

Réver não poderia ser deixado de lado. Jogando mais a frente do que de costume, usou suas pernas longas para fazer dribles desengonçados e completar uma das jogadas com o gol que pôs o Grêmio no caminho da vitória. Seria merecido o destaque, ainda, para a segurança das duas cobranças de pênalti de Jonas, o goleador que quanto mais gols marca mais parece ter de provar que pode ser o goleador titular.

Que me perdoem os amantes do futebol arte. Nem dribles, nem cruzamentos certeiros, nem cabeçadas fulminantes ou cobranças de pênalti seguras são maiores do que as defesas de Vítor. Ele é a esperança de que o gol certo pode ser evitado, é a certeza de que todos os erros do time podem ser perdoados. Nesta tarde, cada vez que ele se agigantava diante do adversário, se antecipava a jogada final ou estendia seus braços em direção aos pés do atacante – ainda considerado por alguns Imperador -, comemorei como se um gol a nosso favor fosse marcado. Foram cinco os “gols” de Vítor que teve seu heroísmo reconhecido pela torcida.

Para que sejamos justo com nosso goleiro, vamos combinar o seguinte: a partir de agora, cada defesa impossível do Vítor será comemorada com a avalanche que homenageia os goleadores gremistas.

De livros e desafios

 

Por do Sol por Solla

Maria Lucia Solla lançou De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa (Ed. Libratrês) em 2002. O texto estava pronto bem antes, mas o deixou adormecido ou amadurecendo até a decisão de transformá-lo em livro de capa e papel. Sete anos depois resolve encarar uma tarefa das mais complicadas: se intrometer nos próprios pensamentos e se debater com as certezas que tinha uma década atrás. Não que ela seja mulher de fugir de suas responsabilidades, mas para enfrentar este desafio quer contar com a sua cumplicidade.

A partir deste domingo, e sempre aos domingos, você terá aqui no Blog a construção de um novo livro ou do mesmo, dependendo o resultado final. Seus comentários serão fundamentais para traçar os caminhos que Maria Lucia irá percorrer. Lembre-se, cada vez que você publicar uma ideia, um conceito ou uma frase por mais simples que seja a respeito do que está escrito aqui, poderá mudar o destino de uma história ou confirmar um pensamento.

Seja bem-vindo !

Mílton Jung

Reescrevendo de Bem Com a Vida Mesmo Que Doa

Por Maria Lucia Solla

Agradecimentos

Na minha jornada, nesta vida, a consciência começou a despertar cedo, em mim. Fui uma menina de olhar profundamente triste, solitária e fechada, mas transbordava de curiosidade, expectativa, ansiedade e de mais e mais curiosidade.

Meu ser assim me levou a buscar nos livros, nos idiomas, no estudo e no comportamento das pessoas à minha volta, o que minhas pernas ainda não podiam alcançar. Meu caminho de busca deixou, muito cedo, de ser singular e eu aceitei, como ainda aceito de braços abertos, a sua pluralidade.

Assim construo minha história pessoal.

Há muita gente envolvida no processo. Gente que entra na minha vida através de livro, aula, música, sorriso, embate, encontro e desencontro. Mesmo aqueles que nunca encontrei contribuem com o despertar da minha consciência. Cada um acende ao menos uma luz no caminho da minha vida, que é uma rota de eterna surpresa.

A todas essas pessoas, ofereço minha mais sincera gratidão.

Há quem chegue tocando a campainha e há quem meta o pé na porta. Tanto uns quanto outros instalam-se por algum tempo, interagem comigo e me modificam. Para sempre.
Imprimem-se em mim.
Amigo, parente, professor, aluno, conhecido, colega de trabalho; amor.

Todos mestres

Todos importantes na construção do que sou e do que ainda serei. Durante a convivência, provocam em mim todo tipo de emoção; mas acima de tudo, me ajudam a ver.

Entre os que entraram na minha vida, há dois que têm cadeira cativa no meu coração. Meus filhos. Chegaram através do meu próprio corpo e têm sido os que mais me ensinam. A eles, sempre quis dar o melhor de mim. A eles, sempre quis oferecer o que tenho de mais bonito e de mais leve; o que tenho de mais perfumado e gentil, de mais claro e brilhante. E tudo isso vai no pacote do meu pedido de perdão pelas vezes em que não fui capaz de dar nada além de tristeza, lágrima, insegurança e dor.

Proposta

Nada é por acaso.

Um livro não chega às nossas mãos, por acaso. Ele tem uma missão a cumprir, e nós temos missões a cumprir, através de suas mensagens. Todo livro tem uma missão a cumprir; a de guardar uma das missões de quem o escreveu.

Comecei a escrever De bem com a vida mesmo que doa, num impulso incontrolável. Comecei a escrevê-lo porque o que tinha a dizer, transbordou. Usei um notebook, meu intelecto, corpo, memórias e experiências. No entanto o mais importante no processo foi o coração, que tem sido, sempre, meu aliado.

Para você que recebe agora o resultado do meu trabalho, vou fazer uma proposta. Mas antes dela, vou mencionar uma das Leis do Universo que você seguramente conhece. Ela diz que quando você recebe algo – uma idéia ou uma informação, por exemplo -, isso vai ser processado em você. Você filtra o que recebe e mistura com todas as outras idéias, informações e crenças que já existem em você, e que fazem de você o que você é. Então processa tudo, faz um coquetel, e é vital que devolva o resultado desse processo, ao Universo.

Abrindo espaço para o novo

Agindo assim, você abre espaço para que o novo entre na sua vida, mas se continua a armazenar e colecionar idéias e crenças, corre o risco de sufocar e até, eventualmente, implodir. Idéias acumuladas vão envelhecendo, perdendo a validade, e você se transformando num depósito de quinquilharias. Vai ficando endurecido, engessado; um poço de artrite física, mental e emocional. O novo procura, procura e não encontra brecha para entrar na sua vida. E assim, acaba não entrando.

Você perde oportunidades de evoluir, e breca o movimento natural, que é sinônimo de vida. Impede o processo de renovação e de evolução que é responsável pela manutenção da juventude, e que mantêm você vivo, sentindo que vale a pena viver.

Um ciclo perfeito de renovação

Um ciclo perfeito de renovação, crescimento e evolução, acontece mais ou menos assim:

➛ você se vê frente a frente com uma ideia nova
➛ ela desperta o teu interesse
➛ ele abre as portas e permite que ela percorra o seu caminho em você.
➛ depois de cumprir sua missão, ela precisa sair
➛ entra por uma porta, sai pela outra, e você se prepara para ainda uma outra.

Se reconhecer a oportunidade, você a recebe, permite o seu percurso, filtra o que quer manter e devolve o resultado ao Universo, de onde ela veio.

Como?
Faz isso através da tua voz, das tuas palavras, pensamentos, gestos, olhares, atitudes, conversas, e-mails, na arte da cozinha, no escritório, no palco. Enfim, em toda e qualquer comunicação que você venha a produzir.

E você, que ideias têm despertado o teu interesse?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça “Reescrevendo” na voz da autora

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira e está ansiosa pela sua participação para se reescrever sem punir seu passado.

A Cristo S. N. crucificado estando o poeta na última hora de sua vida

 

De Gregório de Mattos

Meu Deus, que estais pendente de uma madeiro,
Em cuja lei protesto de viver,
Em cuja santa lei hei de morrer
Animoso, constante, firme e inteiro:

Neste lance, por ser o derradeiro,
Pois vejo a minha vida anoitecer,
É, meu Jesus, a hora de se ver
A brandura de um Pai, manso cordeiro.

Mui grande é vosso amor e o meu delito;
Porém pode ter fim todo o pecar,
E não o vosso amor, que é infinito

Esta razão me obriga a confiar,
Que, por mais que pequei, neste conflito
Espero em vosso amor de me salvar


Por sugestão do ouvinte-internauta Sergio Emerici Longato em comentário neste Blog

Conte Sua História: Nariz de palhaço

 

Por Tony Marlon
Ouvinte-internauta

Ouça o texto de Tony Marlon sonorizado por Cláudio Antonio para o CBN SP

Quinta-feira. Ônibus Paraíso – Parque do Engenho. Caminho Avenida Paulista. Meu amor.

Depois de noite mal dormida, o primeiro banco vazio era um, antes da catraca. Ali mesmo me sentei. Próximo ao Shopping Eldorado entra uma menina. Eu tenho quase certeza que ela era uma princesa daquelas bem lindas que gostam de se disfarçar pra ver o que anda acontecendo no seu reino.

Entrou, e com o ônibus cheio, ofereci meu lugar. Sua mãe a pegou, e a colocou no trono. No banco. Encostei na porta do outro lado do ônibus, bem longe dela, séria. Muito séria. De repente, um restinho de olhar passou rápido por mim. Pensei: opa. Eu vi direito?

Ela olhou de novo. Tentou disfarçar, mas não deu tempo. No canto da boca um sorriso bem do arteiro. E eu entre jogadas de corpo e desvios de puro reflexo da porta que não parava de abrir, pensei: é agora. Os olhares se intensificaram. Os sorrisos também, praticamente num filme de Chaplin: tudo em silêncio em nossa relação.

De repente, a mãozinha acena para que eu atrevesse o ônibus. Atravesso; pedido dela é uma ordem.

– Qual é o seu nome?
– Tony.
– Ah. Toony?
– Isso. E o seu?
– Maria Eduarda.
– Que lindo nome, Maria Eduarda.
– É. Eu sei.
– Quantos anos você tem?

Neste momento desaparece o som. Quem fala agora é a mão: quatro dedinhos convictamente estendidos.

Me afasto. Volto pro meu lugar. Longe. Sem som. E as brincadeiras continuam. Ela e eu vivemos uma realidade que não é a mesma do restante do ônibus. Nela, eu sou motorista até mesmo sem colocar a mão no volante.

– Tony, deixa eu ver sua mão?
– Claro. Olha.
– Nossa. Sua mão parece de mulher. Olha a sua unha!
– Mas é bonita?
– É. Muito bonita.
– Então melhor assim, né?!
– É. Olha a minha.
– Linda também.
– É. Eu sei.

E tudo para de novo. Cada um pro seu canto. E vamos brincar de Chaplin; num silêncio cheio de coisas mágicas que somente ela e eu entendemos. E ela ri muito.

De repente meu nariz imaginário cai. Procuro desesperado naquele chão sujo do ônibus e não o encontro. A minha cara de preocupação e choro encontra o rostinho da Maria Eduarda, também preocupado. Deve estar pensando ela: como este menino perde o nariz dele assim? No meio do ônibus? Que desastrado.

Passa um senhor de cabelo longo em minha frente e eu, claro, desconfio que ele pode ter achado meu nariz. Procuro até dentro de seus cabelos e nada. Ela, igual a mim, também começa a ficar preocupada. E o rostinho dela fica realmente.

Achei! Achei! Estava ali, perto da lixeira. Como é que eu não vi ? Olho e ela está sorrindo lindamente com cara de aliviada. Comemoro o meu achado. Tanto que meu nariz acaba escapando da minha mão e caindo nas dela. Que menina cuidadosa, segurou firme. E um lindo sorriso de quem acaba de salvar o mundo surge no seu rosto.

Peço que me jogue o nariz. Afinal de contas, é imoral ficar andando por aí sem nariz, não é verdade Wellington? Ela se prepara e joga o nariz.

– (em slow) Nããããão!

Lá se vai meu nariz de novo. Alguém muito distraído esqueceu a janela do ônibus aberta. De dentro do ônibus eu vi meu nariz pingando como bolinha de borracha no chão da Avenida Rebouças.

Olho e ela está com uma carinha de preocupação que mal cabe em seus quatro anos. Deve pensar: o que eu fiz com o nariz do Tony, meu Deus? Serei presa e castigada por isso.

Como eu sou uma alma bondosa, além de muito vergonhosa pra ficar lá nu de nariz imaginário, digo em silêncio que vou resolver. Alguém lá em cima ouve, e o ônibus para em seguida para subida de um passageiro. Dou uma piscada pra ela. E enquanto o passageiro entra no ônibus, eu estico meu corpo pro lado de fora e…e…e…pego meu nariz! Volto eufórico, antes que a porta feche e eu perca também a parte de cima do corpo. Ela sorri aliviada! Um sorriso sincero e lindo!

Ficamos intermináveis horas de segundos comemorando meu ato heróico. E o sorriso da Maria Eduarda mal cabia nela mesma. Até ameaçar uma dança de comemoração ela ameaçou, mas os buracos da Avenida Rebouças mostraram que precisamos repensar sobre cinto de segurança nos ônibus.

E as brincadeiras seguiram, Wellington. Quase todas em silêncio. Próximo à Avenida Paulista, ela se vira totalmente pra mim. Depois olha pra mãe e diz:

– Ele é engraçado, né, Mãe?
– É, né?!
– É. Muito.

E assim, com espírito de quem vai contar o maior segredo do mundo, coloca as mãos em forma de concha. As alinha junto à boca. Assim, deve pensar ela, ninguém ouve o que vou dizer. Respira fundo. Olha pros lados. Olha pra mim. Com voz de sussuro, diz:

– Tony?
– O quê?
– Porque você não vira um palhaço?
– Virar um palhaço? Você acha que ia ser legal?
– Ia. Você é muito engraçado, sabia?
– Hum! Então eu vou virar um, tá?
– Tá.

As mãos se desfizeram do segredo. E o sorriso dela também por alguns instantes. Sua mãe a pegou, e a fez descer do banco. Pela porta dianteira, foram saindo. Maria Eduarda se virou. Me deu tchau. Com um sorriso lindo de quem aprontou uma daquelas.

– Dá tchau pro seu amigo, filha?
– Tchau, Tony.
– Tchau, Maria Eduarda. Foi um prazer te conhecer.
– Imagina. O prazer foi meu.

E foi se sumindo. Sumindo. E a Avenida Paulista, em meio ao caos, fez silêncio nascer. Somente para acompanhar esta história. Somente para acompanhar esta história.


Você pode participar do Conte Sua História de São Paulo enviando texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br. O programa vai ao ar sábados, às 10 e meia da manhã, no CBN SP.

Marte, sai o avião entra o trem


Por Armando Italo

Imagem do Campo de Marte feita por Samuel kassapian Junior

Imagem do Campo de Marte feita por Samuel kassapian Junior

Aviadores e apaixonados, passageiros e empresas, foram todos surpreendidos com a notícia de que em cinco anos o Campo de Marte, marco e berço da aviação brasileira, inaugurada na década de 20, pai de Congonhas, será desativado – ao menos parcialmente. O aeródromo dará lugar a estação do trem-bala, Trem de Alta Velocidade, levando passageiros para a cidade de Campinas, no interior do Estado de São Paulo, e ao Rio de Janeiro. A pista de pouso será usada para operações do TAV. Há ainda a possibilidade de ampliar o centro de convenções do Anhembi e implantar um parque público.

Bernardo Figueiredo, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), explica que as aeronaves de asas fixas, os aviões, serão retiradas, sendo mantidas apenas as de asas rotativas, os helicópteros.

O projeto é do Governo Federal e a negociação teve envolvimento da prefeitura de São Paulo e do Governo do Estado.

Tudo em favor da população !

Questionamos:

O que fazer com as 280 operações por dia que se realizam no Campo de Marte, este aeródromo extremamente bem localizado ?

As autoridades ainda não notaram o caos que esta medida pode gerar, o risco de colapso devido a falta de estrutura diante de uma demanda enorme dos serviços de táxi aéreo dentre tantos outros prestados por lá.

Há a possiblidade de o movimento dos aviões, do aeroclube, entre outros, irem para o pequeno e saturado aeroporto de Jundiaí, com estrutura bem menor do que a do aeroporto de Marte. Determinadas aeronaves que pousam e decolam de Marte não terão condições de realizar as suas operações em Jundiaí SDJD.

O Aeroporto de Campinas Viracopos SBKP é um aeroporto com características de cargueiro e com pátio ainda inadequado para aviação geral e executiva.

O Aeroporto de Guarulhos Cumbica SBGR também está saturado e ainda recebe aeronaves executivas que não podem mais pousar em Congonhas SBSP.

Em Congonhas, existem inúmeras restrições impostas a aeronaves de pequeno porte, da aviação geral e executiva. Os slots simplesmente sumiram. Sem esquecer ainda que toda esta polêmica aeroportuária ganhou dimensão com o acidente com o A320 TAM 3054.

Os Aeroportos de Bragança Paulista, Sorocaba, Atibaia, Santos, Itanhanhém, são inviáveis para atender o tráfego de Marte.

Pistas curtas, infra-estutura a desejar, sem esquecer de mencionar, caso decidam por Sorocaba, os problemas com o trânsito pesado nas Rodovias Castelo Branco que passa ao lado da cidade.

Depois de Congonhas, o culpado agora parece ser o Campo de Marte.

Com a desativação e descaracterização deste histórico aeródromo paulistano, a cidade também perderá uma grande parte do acervo e patrimônio históricos, dentre muitas que já se foram. Cederá lugar e história para contribuir “para o desenvolvimento e modernização” da cidade de São Paulo.

Até o nosso próximo vôo! Se tivermos ainda um aeroporto para decolar e pousar, obviamente.

Armando Ítalo Nardi é comandante e colabora com o Blog do Mílton Jung

Dilma no carro é propaganda, mas não é

 

Entendeu ? Difícil para nós leigos, sem dúvida.

Por isso, fomos buscar a palavra de um das pessoas que mais entendem do tema, a assessora de comunicação do TRE de São Paulo Eliana Passarelli. Ela explicou para o jornalista Paulo Rodolfo de Lima, da CBN, que no entendimento do TSE não há irregularidade na atitude da deputada estadual Beth Sahão (PT-SP) ao “envelopar’ o carro com a imagem dela e da ministra-candidata Dilma Russef. A propaganda seria ilegal se houvesse mensagem explícita à candidatura como “Dilma – 2010” ou “Os Amigos de Dilma em 2010”.

Por muito tempo, o Tribunal Regional Eleitoral considerou ilegal ações como a da deputada e condenou candidatos à perda do mandato ou multa, mas quando o processo chegava no Tribunal Superior Eleitoral eles eram absolvidos.

Assim também aqueles cartões de Natal e Páscoa que você recebe do seu “deputado preferido” não podem ser caracterizados como propaganda eleitoral antecipada. Para o TSE a punição ocorre apenas se a mensagem for explícita.

Ou seja, todos sabem que é propaganda, mas frente ao rigor da lei não é propaganda.

Foto-ouvinte: Dilma desfila em São Paulo

 

Dilma e propaganda eleitoral

A imagem da ministra-candidata Dilma Roussef circula estampada no carro que leva a assinatura da deputada estadual do PT-SP Beth Sahao. A foto foi registrada pelo ouvinte-internauta Clécio Bachini, na terça, 11.08.09., na Radial Leste, em São Paulo. Além de considerar a iniciativa propaganda eleitoral antecipada, ele quer saber se as depesas do carro da deputado são pagas com dinheiro da Assembleia (leia-se, dinheiro do povo).

Casagrande bate um bolão no rock, na Globo

Casagrande

Bom da bola, Walter Casagrande mostra seu talento, também, quando o assunto é música. Sabe tanto que foi o personagem escolhido para abrir a série Sábados de Rock, que estréia amanhã, no Jornal Hoje. O assunto do ex-jogador é a influência do blues, a importância de Chuck Berry e das bandas brasileiras no rock and roll.

Serão sete reportagens apresentadas por personalidades diferentes com a historia de um período ou estilo do rock, uma adaptação da produção Seven Ages of Rock, da BBC.

Curiosidade: o toque de celular do Casagrande é música do Sex Pistol. O cara manja.