Buracos de São Paulo: Independência e queda

 

 

Buraco na Av Independência

Foram sete os buracos na avenida Independência, entre a avenida dos Bandeirantes e a rua Guararapes, contados pelo ouvinte-internauta João S. Nicolau. E a lista dele não para por aí: “tem vários buracos na Marginal Pinheiros, pista expressa, para quem vai em direção ao Cebolão, da Ponte Ari Torres até a Cidade Jardim, na pista da direita próximo a estação Ceasa, …”. João Nicolau além de contar e relatar, fotografou alguns desses buracos.

Avalanche Tricolor: Dia dos pais

 

Barueri 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Barueri/SP

O domingo do Dia dos Pais foi de extremos: começou em Porto Alegre e se encerrou em São Paulo. Na primeira parte, frio, vento e chuva, marcas dessa última semana na capital gaúcha. Na segunda, temperatura pouco acima do esperado para este fim de inverno paulista. Lá era filho homenageando o pai, enquanto aqui fui pai homenageado pelos filhos

Foi lá, por sinal, que vi anúncio de jornal, assinado pelo Grêmio, no qual apareciam pai e filho abraçados envolvidos em uma bandeira e assistindo ao jogo do tricolor. Na mensagem, destaque para o objetivo de todo o pai que é ver seu filho vencedor. No que concordo plenamente. Apenas não limitaria este sentimento a escolha clubística, mesmo porque o conceito de vitória muda de família para família.

Sempre entendi que aos pais cabe oferecer oportunidade para que seus filhos se transformem em cidadãos. Que sejam pautados pela ética e o respeito. Saibam que a conquista não é meta a ser alcançada a qualquer custo, mas com todo o esforço. Não sou obcecado em ver meus filhos com o “canudo” na mão. De nada adiantará tê-los doutor se o forem da maracutaia.

Este domingo, aliás, me reservou momento raro desde que mudei para São Paulo, em 1991. Por quatro horas seguidas, praticamente sem interrupção, eu e meu pai conversamos sobre “Deus e todo mundo”. Naquele quarto, estava evidente que o orgulho era mútuo. Compartilhamos idéias sobre família, saúde, jornalismo e futebol, é claro. Afinal, foi com ele que aprendi a importância do esporte na vida. E dele conquistei a paixão pelo Grêmio.

A propósito de futebol, pai, fique tranquilo pois nada do que tenha ocorrido neste domingo, em Barueri, será suficiente para que eu me arrependa de ter seguido seus conselhos. Orgulho-me das escolhas que fizemos juntos, mesmo que algumas vezes nosso time não o faça por merecer.

De problemas da cidade

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De problemas na cidade” na voz da autora

Olá

Com certeza, isto não é novidade.
O vai-e-vem é frenético, nas ruas da cidade.
O mais forte acotovela, e o não tão forte, acotovelado, resmunga injuriado.

Diversidade surpreende no meio da multidão.
Circula, pelas vias, gente das mais diversas etnias.
Ouvem-se gritos de vizinhos que brigam, e passos de transeuntes que nem ligam.
Os sons, que sem pedir licença penetram os ouvidos, são tecidos por murmúrios de amor, aqui, e por gemidos de dor, ali.

Livres, circulam, por todo lado, o perfume da dama e o odor nauseabundo da lama,
enquanto a pobreza caminha assim, pari passu com a riqueza.

Veem-se prédios de apartamento, de construção interessante,
mas alguns deles, irregulares, são feitos sem cuidado bastante.

Leis são promulgadas para serem seguidas por todos, sem exceção,
mas fica evidente, ao olhar inteligente, que isso não é bem assim,
em tempos de corrupção.

Veem-se, ao longo da caminhada, construções erguidas no terreno da irregularidade,
criando um desenho estranho, no corpo da cidade.

Novos ricos, exercitam a vaidade, babando por mais poder,
enquanto políticos, exercitam a ganância,
babando por dinheiro e cada vez maior abundância.

Nos becos mal-iluminados, mata-se por um anel,
enquanto nos gabinetes bem-frequentados,
se a gente não se cuida, se lhes tira o couro e, se bobear, levam-lhe também o chapéu.

No quesito moradia, a situação é covardia;
paga-se o olho da cara e, se bobear acaba-se na sarjeta, levada pela carestia.

Feriados abundam no calendário local. Num deles o povo perde a fronteira.
Escravos se tornam reis e rainhas, e se comete muita besteira.

Se você se questiona: “sobre que cidade ela fala?”
Eu garanto, se você acertar antes de ler o final, ganha de mim uma bala

Veja as queixas da população e me diga se há aqui algo de anormal

Queixam-se do tráfego, do ruído e do caos exagerado
do tempo necessário para o deslocamento e da sujeira por todo lado
Dos preços exagerados, da invasão de imigrantes e, principalmente, daquela dos meliantes.

Não me refiro a São Paulo, nem ao Rio ou Piratininga,
Falo de Roma, meu amigo, falo da Roma Antiga.

Ah, é preciso acrescentar que não deduzo ou imagino.
Não me refiro ao brasileiro e nem ao povo americano.
Estas são queixas comprovadas pela história, nos tempos do Imperador Trajano.

Há dezenove séculos, era o que acontecia.
E você, o que quer, o que queria?
O tempo não resolve nada sozinho;
o que é mesmo preciso é que o homem resolva assumir que é Homem, e deixar de ser homenzinho.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira, aos domingos descreve no Blog do Mílton Jung o mundo sem eira nem beira

Aviação: O pecado está no ar

Por Armando Ítalo

Bandeira pirata

Nos últimos artigos que escrevi aqui no blog discutimos sobre os riscos e os perigos de colisão entre aeronaves, urubus e balões, adensamento populacional em torno de importantes aeroportos, e a localização errada de alguns deles, como Cumbica (Nuvem Baixa).

Pensa que parou por ai? Ledo engano !

Como se não bastassem os infortúnios e tribulações enfrentados pelos heróis, abnegados tripulantes das aeronaves e controladores de vôo, temos também as perniciosas rádios piratas, muitas identificadas como religiosas. Mas pecadoras. Principalmente na grande Terminal São Paulo, TMA_SP, com dimensões de 113 milhas náuticas x 84 milhas náuticas ou 182 km x 135 km de largura no seu lado mais abrangente.

Estas emissoras interferem de forma danosa nas fonias entre controladores de voo e aeronaves que partem e chegam na Terminal São Paulo, podendo contribuir para causar, em qualquer tempo, gravíssimos acidentes aéreos

Os riscos lá em cima? São muitos. Só quem está pilotando uma aeronave pode descrevê-los com clareza.

Com a palavra os amigos e colegas aviadores, por favor.

Segundo dados da Aeronáutica, chegam a ser registradas por mês aproximadamente 200 interferências por rádios piratas nos aeroportos paulistas. A solução para o caso parece distante. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não tem estimativa sobre o número de rádios ilegais em atuação. Apenas no ano passado perto de 1.600 foram fechadas, no Brasil.

Reportagens já divulgaram gravações que mostravam a gravidade da situação:

Controle – Como recebe controle na 120.05?

Piloto – Com a mesma interferência de rádio evangélica.

Controle – Ciente. Qual (freqüência) tem menos interferência?

Piloto – Tá igual aos outros. Estamos recebendo o culto completinho.

Mesmo correndo riscos de multas e processos, é fácil montar uma radio pirata comprando componentes eletrônicos em lojas especializadas.

Segundo a Anatel, sempre que uma rádio é flagrada, os equipamentos são apreendidos e o estabelecimento fechado. Mas a agência admite que é difícil controlar, porque os piratas mudam constantemente de frequência e de local. Enquanto não tivermos legislação mais eficiente continuaremos correndo riscos.

Quem sabe um dia, talvez, apareça algum iluminado que tenha a iniciativa de mudar este cenário. Enquanto isso não ocorre, lembro aqueles que usam estas emissoras de maneira ilegal para proferir a palavra de Deus:

“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores”
Mateus 7:15

Até o nosso próximo voo, longe de urubus, balões, e destas rádios pecadoras.

Armando Ítalo é comandante e colabora com o Blog do Mílton Jung.

Inferno astral

 

Por Abigail Costa

Meu amigo desfrutava as últimas horas do fumódromo permitido dentro da empresa. Entre uma tragada e outra uma conversa entre virginianos. Como estamos próximos de completar mais um ano de vida, tudo o que não vem dando muito certo é culpa do inferno astral.

– Relaxa! Deixa pra resolver depois. São esses dias!

– Calma! Esse tipo de preocupação vai passar assim que chegar o dia do seu aniversário.

– Sério? Isso existe? De verdade?

Sabe que em determinados momentos é até bom acreditar em horóscopo, meditar nas palavras escritas no adesivo do pára-brisa do carro na sua frente.

“Deus deu a vida para cada um cuidar da sua”.

Essa li outro dia e costumo repetir a frase em tom de brincadeira.

Já pensou se a gente pudesse entregar a nossa vida nas mãos de alguém que durante um tempo zelasse por ela com paciência, amor, carinho, e nos devolvesse com juros, cotação lá nas alturas? Assim como um investidor cuida do nosso dinheiro, vez ou outra? Ações, euro, dólar, imóveis. Não quero nem pensar, faça o melhor por mim.

Acontece isso quando o mundo parece despencar na nossa cabeça. Vem de lá, de cá. Aparecem problemas até no pé da mesa!

Jesus apaga a luz ! Quando acender de novo tudo estará resolvido.

Enquanto ninguém toca na tomada, vou acreditando neste tal Inferno Astral, um jeito malandro que meu amigo me ensinou de ganhar tempo pra pensar melhor. No balanço das contas a gente percebe que alguns problemas não são assim tão urgentes.

Eles aparecem pra testar a nossa fé.

Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung sem nunca perder a fé

Participe do Encontro do Adote um Vereador

 

Neste sábado, integrantes da campanha Adote um Vereador, em São Paulo, se encontrarão para discutir assuntos relacionados ao movimento que se iniciou neste ano e tem como objetivo fiscalizar e divulgar o trabalho dos parlamentares das câmaras municipais. É um bate-papo informal para que troquem experiência sobre as ações que realizam no controle do legislativo. Boa oportunidade para mobilizar aqueles que ainda tem dúvida sobre a importância da participação do cidadão na política.

A reunião será neste sábado, às duas da tarde, no Centro Cultural São Paulo, na rua Vergueiro, 1000 (fone: 3397-4002). Os participantes se encontram sempre ao lado da cantina, próximo das mesas de xadrez.

Lei antifumo e não adianta reclamar

Os fumantes se mobilizaram da noite de ontem para esta manhã e enviaram uma centena de mensagens a jornalistas – para este que lhe escreve, inclusive – criticando a lei anti-fumo que entrou em vigor, nesta sexta-feira. A caixa de correio de ‘milton@cbn.com.br’ acordou cheia de reclamações de ouvintes-internautas-fumantes contra o que consideram ser “brutalidade” do Estado, entre outras expressões que surgiram por aqui.

A discussão é válida, a polêmica existe e há argumentos em favor de todos os lados. Mas a reclamação chega tarde, deveria ter ocorrido durante a votação do projeto de lei do Executivo na Assembleia Legislativa. O governador José Serra, patrocinador da ideia, enviou o projeto para lá, as comissões trataram do assunto e aprovaram, foi para o plenário da Casa e os deputados estaduais, após duas votações, aceitaram. No Palácio dos Bandeirantes, a lei foi sancionada, é lógico.

Apesar de todo este trâmite poucos cidadãos se mobilizaram para debater o tema na Assembleia Legislativa. O lobby dos fumantes ficou por conta dos donos de bares e restaurantes que temem prejuízo com a perda de clientes – coisa que não acredito que aconteça, como não aconteceu em cidades como Nova York.

Que sirva de lição para todos nós. Se queremos discutir os temas que podem mexer nos nossos hábitos ou na nossa qualidade de vida, que estejamos mobilizados na hora e no local certos.

Avalanche Tricolor: Minha camisa do Tcheco

 

Minha camisa do Grêmio

Palmeiras 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – São Paulo

 

Tenho de acordar às quatro e meia da manhã para mais uma edição do Jornal da CBN. Para os madrugadores, assistir ao futebol é certeza de cansaço no dia seguinte. Por isso, mal terminou a partida desta noite no Parque Antarctica, tirei minha “camisa do Tcheco”e deixe ao meu lado na cama. Merece descansar após todo o esforço de hoje contra o líder do Campeonato Brasileiro.

Ver o Imortal jogando com a personalidade com que se apresentou em São Paulo, me dá certeza de que temos muito a fazer neste campeonato. Se alguns pensam que nosso caminho é a Libertadores, não se surpreenda se, mais uma vez, nos enxergarem disputando o título até a última rodada. Mesmo com todas barreiras que temos pela frente ou que um de nossos jogadores tenha de deixar o gramado desacordado como aconteceu com Réver.

Tcheco, aclamado por muitos e reclamado por alguns, pode não ter sido o melhor em campo. Mas fiz questão de vestir a camisa dele – presente de aniversário que ganhei nesta semana -pois poucos jogadores conseguem incorporar este espírito que faz do Grêmio um time especial. Consegue refinar o passe da mesma maneira que grita com a jugular saltando no pescoço para revelar sua paixão pelo que faz e por quem faz.

Será recompensado por isso. Seremos.

Só STF para barrar esqueleto de R$ 288 bi para exportadores

 

O Superior Tribunal Federal pode mandar de volta para a tumba um esqueleto de R$ 288 bi referente a incentivo fiscal reclamado por exportadores desde a década de 80. No dia 12 de agosto, semana que vem, se reúne para decidir se o pagamento é inconstitucional. Os deputados federais repetiram ontem o que os senadores já haviam feito: aprovaram a medida que permite o pagamento desta fortuna. Pagamento feito com dinheiro público, o nosso dinheiro.

Desde o primeiro semestre, o colunista do Blog, Carlos Magno Gibrail, vem alertando para esta conta que seria apresentada ao cidadão brasileiro. Na conversa desta quinta-feira com a Miriam Leitão, no Jornal da CBN, ela lembrou uma das muitas ironias na decisão dos deputados e senadores. Como o pagamento deste incentivo fiscal aos exportadores foi enfiado de contrabando na medida provisória que trata do projeto Minha Casa, Minha Vida, os parlamentares em nome de beneficiar os pobres, autorizaram que os ricos enchessem o bolso de dinheiro.

Miriam chamou atenção ainda para o fato de que o lobby comandado pela Fiesp de Paulo Skaf – que até pouco tempo sonhava em se eleger a um cargo público – foi duro nas últimas semanas, inclusive com assédio aos comentaristas de economia. O Governo, que finge ser contra o pagamento, apoiou a aprovação. O PSDB jogou para a galera dos exportadores. E todos os partidos – ou quase – assinaram embaixo.

Para entender mais sobre o assunto acesse os links abaixo e ouça o comentário da Miriam Leitão:

E o Senado não é mais aquele (Carlos Magno Gibrail)

De volta ao Senado (Carlos Magno Gibrail)

Ouça o comentário “O Esqueleto Levantou” de Miriam Leitão, ao Jornal da CBN