Novas linhas atrapalham passageiros em Santo André

 

Por Adamo Bazani

População ainda não se acostumou com mudança de número de identificação de linhas de ônibus
Todas as linhas com extensão R receberam novos números. Primeiro dia útil de operação confundiu usuários.

ônibus em Santo André 2 T 18

No primeiro dia útil de operação das linhas que foram renomeadas pela Prefeitura de Santo André, muitos passageiros deixavam o ônibus que utilizam passar, porque não reconheciam as novas nomenclaturas das linhas. A Prefeitura decidiu retirar a letra R, depois do número de algumas linhas. A letra indicava que a linha era uma derivação do trajeto original percorrido pelas linhas principais.

O poder público alega que os passageiros se confundiam com as derivações, ramais, extensões e desvios, muitas vezes descendo muito longe dos pontos previstos. Um exemplo era a linha B 63 e B 63 R, A B 63, saindo da Vila Palmares vai até o Jardim alvorada, via Hospital Mário Covas e Bairro Paraíso. A B 63 R (hoje B 64) vai até o Termonal Santo André Oeste, no centro da cidade e longe ainda do Hospital e demais bairros,

Mesmo com cartazes colocados em ônibus e terminais antes das mudanças, muitos passageiros não decoraram o número das linhas, conforme o Blog observou em algumas paradas da região Central de Santo André.

A Prefeitura de Santo André possui um serviço de informações por telefone sobre as linhas: 0800 – 019 19 44. No site da Prefeitura, há relação das linhas, mas ainda nem adianta consultá-lo, pois as novas nomenclaturas ainda não constam no portal do governo municipal.

O Blog traz os números de linhas que mudaram:

  • AL 111 R origem: Terminal Vila Luzita/destino: Clube de Campo (via Rua Sagui da Serra); mudou para AL 112 – A linha principal, AL 111, continua com o mesmo nome.
  • AL 113 R origem: Terminal Vila Luzita/destino: Recreio (via Rua Anambé). Mudou para AL 114. A AL 113, principal, continua com o mesmo nome
  • T 12 R origem: Jardim Ana Maria/destino: Centro de Santo André mudou para T 14. A T 12 permanece
    T 16 R origem: Parque João Ramalho/destino: Ipiranguinha (via Jardim Rina); renomeada para T 18. A T 16 não muda de nome.
  • T 27 R origem: Parque Gerassi/destino: Terminal Urbano Prefeito Saladino para T 28. A T 27 não muda de nome
  • B 63 R origem: Estação de Santo André/destino: Fundação Santo André; para a ser B 64
  • A T 12 R não mudou para T 13, porque já existe a linha B 13.

Mesmo com a letra da frente diferente, a população poria se confundir com o número. Todas as linhas T e B são operadas pela Viações Guainazes / Curuçá, lote 01 do sistema de Santo André e as AL pela Expresso Guarará, lote 08.

Adamo Bazani é repórter da CBN, busólogo e pega ônibus em Santo André, mas ainda não perdeu o rumo.

Veja o que seu vereador fez em São Paulo

 

No começo dos trabalhos da Câmara Municipal, o Diário de São Paulo publica levantamento sobre a qualidade do serviço prestado pelos vereadores da capital paulista no primeiro semestre do ano. A reportagem do jornalista Sérgio Roxo mostra uma série de dados sobre o desempenho do parlamentar, conforme destacou em comentário neste Blog, o colaborador Marcos Paulo Dias. Como o Diário mantém um site no qual apenas registra parte das informações publicadas na versão impressa, aproveito para sugerir que seja criado um link na página que dê acesso a todos estes dados, importantes para que o cidadão possa avaliar a ação do seu representante.

O que você lê abaixo é apenas a reprodução da versão online que se restringe a divulgar o que o jornal entende ser um desperdício de tempo: “Nome de rua e criação de datas são 28% dos projetos na Câmara”. O eleitor com os dados completos pode fazer avaliação mais profunda sobre o trabalho na Câmara Municipal, pois mesmo que ainda se perca tempo com projetos de lei de baixo ou nenhum impacto no desenvolvimento da cidade, não se pode negar que algumas leis aprovadas pelos vereadores, no primeiro semestre, são fundamentais. Exemplo já citado em post desta segunda é a que trata da política pública para combater as mudanças climáticas, projeto enviado pelo Executivo.


“Sete dos 25 projetos de lei de autoria de vereadores paulistanos aprovados em segunda votação no plenário da Câmara Municipal, no primeiro semestre, tratam da denominação de rua e equipamento público ou da criação de datas comemorativas e de conscientização.

O percentual chega a 28% do total, o que não é bem visto por especialistas. “O plenário deveria ser o espaço para o debate das grandes questões”, diz o professor Rui Tavares Maluf, da Fundação Escola e Sociologia e Política de São Paulo”

Se o Diário não colocar à disposição na internet, caberá a cada um dos participantes do Adote um Vereador reproduzir os dados no seu blog ou lá no wikisite da campanha.

Twitter é destaque na InfoExame

 

Twitter na InfoExame

Colher de chá da InfoExame. No guia sobre Twitter que está nas bancas destacou o trabalho realizado há um ano com o microblogging no CBN São Paulo. Fico satisfeito em ver que depois daquela iniciativa outros programas, tanto da CBN como de outras emissoras de rádio, inseriram a ferramenta em sua programação com o objetivo de se aproximar do ouvinte-internauta – que todos ainda teimam em chamar apenas de ouvinte.

Sarney e fretados na volta ao trabalho

 

De vereadores a senadores, todos voltam ao trabalho nesta segunda-feira. Na prática retornam amanhã, terça. Ninguém ainda foi capaz de acabar com o recesso parlamentar. Apesar de que neste ano a mídia não deu folga pelo menos ao Senado, bola da vez. Há quem aposte na saída de Sarney ainda esta semana, inclusive ‘parentes’ do presidente da Casa. É o que está na primeira página de O Globo. Nem todos, porém, estão otimistas assim.

O Cony, no Liberdade de Expressão, no Jornal da CBN, crê na presença dele por mais tempo no comando do Senado. A dúvida que fica é comandar o quê ? Pois temas importantes estão travados por lá, sem discussão muito menos votação. O Crédito Prêmio de IPI nas exportações que pode levar até R$ 288 bi do Governo Federal é um desses. Sobre isto recomendo que leiam os últimos textos do Carlos Magno Gibrail aqui no Blog.

Ainda do Sarney, o cientista político e professor do INSPER (ex-IBEC SP), Carlos Alberto de Mello, chamou atenção para algo que não podemos esquecer nesta discussão toda. Os problemas do Senado não tem apenas um nome, José Sarney, é estrutural, sério e de muitos anos. Para resolver a encrenca do legislativo federal é preciso ir bem mais além, mas estamos preferindo olhar única e exclusivamente para Sarney, o presidente. Fica mais fácil para todo mundo.

Trabalho legislativo é o que se espera da Câmara Municipal de São Paulo, a partir desta semana. Está na hora dos vereadores se posicionarem de forma clara sobre a questão dos fretados que está parando regiões da cidade e atravancando a vida de pelo menos 40 mil pessoas que usufruem do sistema. Não tenho a conta de quantas mais serão prejudicadas pelos congestionamentos.

Escrevo que os vereadores precisam dizer a que vieram neste caso, pois quando tiveram oportunidade de debater o tema, durante discussão sobre o Plano de Mudanças Climáticas, na capital paulista, abriram mão desta responsabilidade sob a alegação de que não poderiam prejudicar todos os demais assuntos apenas por não haver acordo entre prefeitura e empresas. O prejuízo certamente ocorreria e não seria bom para a cidade desperdiçar aquela oportunidade. O que não é aceitável é ver os vereadores dando de ombros ao tema e deixando tudo para decreto da prefeitura. Só poderia dar a confusão que deu.

Aproveite e pergunte ao seu vereador qual a opinão dele sobre o transporte de fretados na cidade de São Paulo. Você ainda lembra quem é o seu vereador, não ? Se não lembra, adote um vereador.

Da Assembléia Legislativa de São Paulo não falo, hoje, pois pouco se tem para falar desta casa que há algum tempo é gabinete do Governador. Não apenas deste.

E como o tema é volta ao trabalho, não sou parlamentar mas retornei hoje  e na apresentação do Jornal da CBN já que o Heródoto Barbeiro está em férias. Espero contar com a sua confiança, também.

Avalanche Tricolor: Tô em casa

Tcheco faz a festa em casa

Tcheco faz a festa em casa

Grêmio 4 x 1 Cruzeiro

Brasileiro – Olímpico Monumental


Um mês longe de casa. Deste tempo todo, 20 e tantos dias fora do Brasil e quase uma semana, em Porto Alegre, terra natal. Neste ritmo, o último fim de semana de férias foi pra colocar as coisas em ordem. Ajeitar as roupas, organizar a mesa do escritório, repor o estoque de comida e abrir o correio. Como a gente recebe publicidade na caixa postal (ninguém inventou ainda um anti-spam para correio não-digital ?).

Por melhor que sejam as dependências que contratamos para descansar e por mais queridos que sejam os que nos recebem na viagem, estar em casa é sempre confortável para todos. A cama é a que estamos acostumados e sabemos o que cada armário guarda, além de se ter tranquilidade para deitar no sofá embaixo das cobertas para assistir na televisão ao seu time preferido. Dá até para xingar o atacante que não cansa de desperdiçar boas jogadas, reclamar do juiz mesmo quando a bronca não é justa e gritar alto para comemorar um, dois, três, quatro gols como neste domingo.

Imagino que seja esta mesma sensação que leva o Grêmio e seus jogadores a serem tão superiores quando estão em casa, no gramado do Olímpico Monumental. Se sentem confortáveis para trocar passes, não ficam constrangidos em ensaiar um drible sobre o adversário e arriscam chutes da maneira como a bola vem. Ouvem a música que mais preferem, cantada pelos músicos que admiram e por quem são admirados: “Até a pé nós iremos ….” na voz da torcida do Imortal.

Curioso é que se sentindo bem apenas em casa, ainda assim conseguimos estar tão perto do G-4. Com apenas um ponto conquistado fora, somos o sexto colocado e estamos prontos para disputar a liderança em duas ou três rodadas, no máximo. Vai ser preciso um pouco mais de atrevimento, é verdade, mesmo na casa dos outros.

Por falar nisso, tem coisa mais caseira do que este cheirinho de Libertadores que já começamos a sentir ?

De Natureza e seus afins

 

Por Maria Lucia Solla

Create your own slideshow - Powered by Smilebox
Make a Smilebox slideshow

 

Olá,

Criamos cada dia maior barreira entre nós e a Natureza e, separados dela, nos perdemos.
De que Natureza é Vida, e de que somos Um com ela, disso nos esquecemos.

Temos alma, repetimos prepotentes; cheios de certeza,
e essa jóia ela não tem, a tão defendida Natureza.

“Bando de naturebas.
Esquecerem-se de que aprendemos a nos unir por Reinos, eu, você e eles
e a mantermos, bem separados, cada um e todos eles?”

“Olha só com que tipo de gente você está se misturando, meu filho!
Espera só que se não me obedecer, te faço ajoelhar no milho, até o
anoitecer.”

Mas o simples mortal nunca se considera tão simples assim e acha brega o papo de voltar à Natureza e à própria essência.
Estratificamos assim a nossa existência:

Lá em baixo o inferno
onde faz calor mesmo no inverno.

Depois vem nosso planeta, a Terra
onde há riqueza, e o alimento se encerra.

Logo depois, o que brota dela
milho, feijão, boi, vaca, cão e cadela.

Em seguida viemos nós
que separados disso tudo, com orgulho,
nos sentimos cada dia mais sós.

E finalmente vem o céu,
mas o que não percebemos, de tão sutil que tudo isso é,
é que logo depois dele, vem de novo o inferno.

É que, na verdade, é o céu que nos separa dele – do mundo cruel – com um simples e tênue véu.

Disso tudo, o que ainda mais não percebemos é que todas essas camadas nos permeiam e que nós as permeamos também.

Me perdoe, mas por hoje cansei.
Permite, Vida, que eu desligue só por hoje, mente e coração!
Não aguento mais, a cada segundo, ter de aprender uma nova lição.

E você se sente assim também?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem

PS 1: Quero agradecer a Mário Castello e a Stratos Giamoukoglou o enriquecimento do meu album de fotografia.

PS 2: Música: De e por Maxime Le Forestier, “Comme un arbre” do cd Essentielles

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, escreve e desvenda o véu da vida no Blog do Mílton Jung

Gripe suína e descontrole põem medo em Porto Alegre

 

Foram três dias seguidos dentro de um dos principais hospitais de Porto Alegre, capital gaúcha. O desfile de máscaras era constante nos corredores. Lavar às mãos em totens de gel espalhados por todos os cantos, uma obrigação. Na porta da emergência, algumas pessoas se acumulavam a espera de informação e atendimento. Os leitos de maternidade deram lugar a pacientes que não haviam contraído gripe – tenha ela qual fosse o nome -, mas exigiam cuidados emergenciais. Os “gripados” estavam em macas dentro de quartos feitos de cortina. Os graves foram para isolamento. Áreas de convívio passaram a receber pacientes, também. Em um só dia, havia 23 a espera de internação, mas sem apartamento.

Pendurados no celular, as pessoas davam detalhes da situação, falavam de colegas de trabalho que contraíram a doença. “Está todo mundo gripado por lá”, ouvi de um deles. “A gerente está com pneumonia”, comentou a moça na cafeteria.

Enfermeiros e auxiliares tiveram carga de trabalho aumentada há um mês e tentam ser solícitos apesar dos (im)pacientes.

Lá embaixo, o grupo de operários se esforçava para interferir o mínimo possível no cotidiano hospitalar enquanto conclui a obra de ampliação do setor de emergência. Assim que esta etapa se encerrar, nova área sofrerá intervenção para que mais leitos estejam à disposição da população.

No ar, muito mais do que pó, bactérias ou vírus, havia preocupação e medo. Tudo por causa da gripe.

Na primeira página do jornal e a qualquer hora que ligar o rádio, repetem-se os números de pessoas mortas pela gripe suína. Médicos, infectologistas, diretores de hospitais e políticos são entrevistados, um atrás do outro. Uns dizem uma coisa, outros dizem outras. Nem sempre esclarecem o que disseram.

O secretário estadual de Saúde muda de opinião a medida que se sente coagido pelo noticiário. As escolas do Estado decidem ficar fechadas e as particulares são forçadas a repetir o mesmo gesto, pressionadas pela opinião pública. As da capital (enfim, alguém pensa) abrirão pois sem a merenda escolar os alunos tendem estar mais frágeis a doenças.

Os que não estão por aqui telefonam preocupados com a gripe. Alertam para os sintomas que se aparecerem devem ser combatidos imediatamente, “de preferência longe desta cidade que não tem mais leitos”. Mas cuidado quando pegar o avião, afinal por mais de uma hora todos estarão confinados no mesmo ambiente expelindo perdigotos e afins.

O pânico está instalado em Porto Alegre por causa do risco de morte provocado pela gripe suína. Mas a verdade, que a paranóia não deixa ninguém enxergar, é que, até o momento que escrevo este texto, ninguém morreu contaminado pelo vírus H1N1 na maior cidade do Rio Grande do Sul.

O que fazemos é um desserviço à saúde.

Avalanche Tricolor: Merecemos mais

 

São Paulo 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – São Paulo

 

Hospitais costumam ser frios e brancos. Nunca encontraremos neles, por mais que seus administradores se esforcem, o aconchego de nossas casas, não bastasse o fato de jamais estarmos lá por um bom motivo. A meta é nobre, sem dúvida: sairmos pela porta da frente com mais saúde do que entramos. Mas só vamos para lá por razões no mínimo desconfortáveis.

Nesta noite de quinta, um gremistão de quatro costados de quem tenho orgulho de ser filho esteve sentado em uma grande poltrona bege diante de um computador se esforçando para assistir ao seu time de coração. A TV pendurada na parede a frente da cama móvel, infelizmente deu preferência a outras partidas do Campeonato Brasileiro. Nunca entendi bem o critério das emissoras para escolher qual jogo iriam transmitir, principalmente os canais a cabo. E ‘pagar-para-ver’ não é opção oferecida nos estabelecimentos hospitalares, ainda. Tem mais com que se preocupar.

A conexão não é boa, a imagem também não. O radinho de pilha sintonizado na Rádio Guaíba, da qual é funcionário há mais de 50 anos, é a salvação para este momento de angústia (esportiva). Tentei amenizar a situação, dizendo que mais interessante do que a partida são os bons resultados nos exames médicos, mas ele não se convenceu: “sei disso, mas para mim é importante, também”.

Conseguiu ver parte da partida e ouvir toda ela, mas tenho certeza de que se a pressão foi medida logo após o jogo apresentou forte variação. Ver o Grêmio perder mais uma vez fora de casa, mesmo contra um time como o São Paulo, causa alterações no humor e no coração. Principalmente, quando o árbitro é tão incompetente quanto alguns jogadores que vestem a camisa do clube que você ama.

Assisti de maneira bem mais confortável ao jogo desta noite. Aliás, assisti bem pouco ao jogo, pois estava muito mais atento a melhoria nos índices medidos pelos aparelhos médicos do que nas estatísticas anunciadas pelos comentaristas. E de todas as certezas que tive após os 90 e poucos minutos disputados, é que o meu pai merecia bem mais do que o Grêmio, o árbitro e a vida nos ofereceu nesta noite de quinta-feira.

O que me tranquiliza é saber que nós seremos – como sempre fomos – capazes de vencer mais esta etapa.

Carta à Dona Eunice

Por Abigail Costa

Escrevi outro dia para uma amiga que me pedia conselhos.

Em tempo: Aprendi que conselho se dá em duas condições, quando é pedido ou em caso de risco de morte. No meu caso, a orientação foi solicitada.

Como estava em outro país escrevi um longo e carinhoso e-mail. Disse que deveria ver a vida como uma viagem, sem se importar com o lugar (na janelinha ou no corredor ?), tudo deveria ser contemplado. Sem reclamar da demora na decolagem, da refeição, do companheiro ao lado.

Que ela experimentasse curtir a vida como uma viagem na qual a partida ou a chegada não fossem o mais importante, e, sim, o caminho todo ao destino esperado.

Pois bem, cá estou voltando das minhas férias dentro de um avião com a família. Fomos em cinco: eu, marido, dois filhos e a mamãe. Voltamos em quatro. A vovó ficou para cuidar da netinha que chega agora em outubro.

Como sempre fui ruim em despedidas, antes que alguém viesse até o carro me adiantei gritando: volto logo, sem choro por favor. Adiantou ? Que nada… a choradeira começou na sala mesmo.

Ok. sempre foi assim.

Estamos a não sei quantos metros de altura (é melhor nem saber), o jantar já foi servido. Ao meu lado uma senhora acompanha a filha e as netas. Pronto, lá vem a mamãe na minha cabeça. Um nó na garganta me deixa a sensação de boca amarga. Um choro sentido que não dá pra segurar. O comissário atento me oferece mais uma bebida. Aceito, sei que foi precisar.

Com a minha mãe na cabeça lembrei dos conselhos que, semana passada, havia escrito pra minha amiga. E a partir daí fiz um balanço de como tinha sido minha relação com a mamãe. Dei o que podia ? Ofereci o que ela merecia ? Retribuí à altura? Não digo em bens materias, falo de carinho e emoções. Daquela sopa maravilhosa que encontro pronta todas as noites de inverno. Da dedicação aos netos.

Até onde curti esses momentos ? Quantas vezes elogiei seu jantar ? Quanto tempo dei a ela ?

Cara, estou longe da Dona Eunice faz pouco tempo, mas a saudade já tem quilômetros !

Claro que ela sabe a filha que tem. TPM em último grau, voz alta até para agradecer, mas quando digo aos outro sempre reafirmo a mim mesma. Estou aqui para melhorar. E tento.

Outubro, Dona Eunice, te vejo de novo nos EUA. Por aí será inverno, mas a sua paciência como sempre será branda para me receber.

Eu vou voltar melhor, como filha e como mãe. Prometo aproveitar melhor meus momentos, afinal estamos aqui pra isso. Ainda bem que temos tempo ou pelo menos esperamos por ele.

Até lá.

Ps. Cuidarei bem dos seus netos.

Abigail Costa é jornalista, mãe, filha e verdadeira. É o resultado deste coquetel de emoções que você lê todas as quintas no Blog do Mílton Jung.

De volta ao Senado

Por Carlos Magno Gibrail

288 bilhões de reais é motivo suficiente para voltar ao tema. É vultoso em valor absoluto ou relativo, convertido em dólar ou libra, em euro ou yen.  Principalmente se considerarmos que este montante, equivalente a mais de 22 programas Bolsa-Família, poderá ser debitado a todos os brasileiros e creditado a uns poucos.

“Por uma manobra articulada pelo próprio governo, a Câmara adiou, ontem, a votação da medida provisória (MP) 460, que reduz impostos do programa “Minha Casa, Minha Vida”. O motivo do impasse é o artigo, incluído pelo Senado, que garante o direito de as empresas aproveitarem créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre as exportações até 2002, o chamado “crédito-prêmio de IPI”. O governo não quer a aprovação e avisou que vetará a proposta se ela for aprovada pelos deputados. Até a semana passada, o Ministério da Fazenda confiava na derrubada do texto na Casa, onde a base é maioria”. Cristiane Jungblut e Eliane Oliveira, O GLOBO, 15 de julho.

A  MP 460 é a reedição da MP 449 no que diz respeito ao Crédito Prêmio do IPI. Suas Excelências tentaram introduzir na MP 449 o Refis 3 e os créditos acumulados no caso do IPI que montam a R$ 280 bilhões.

Não deu certo, porque na última hora o relator, senador Francisco Dornelles PP percebeu que o Tesouro teria um rombo bilionário, e retirou a emenda. Agora, as senadoras Ideli Salvatti PT e Lúcia Vânia PSDB  conseguiram contrabandear a mesma emenda para a MP 460, por força do lobby da FIESP e CNI, oferecendo esse brinde de R$ 280 bilhões para empresas como Sadia , Grupo Gerdau, Vale, CSN e outras grandes exportadoras brasileiras.

É importante observar que 80% das exportações brasileiras são feitas por menos de 50 empresas.

No domingo agora, Élio Gaspari, sob o título Bolsa IPI, chamou a atenção pelo fato da oposição no Senado estar apoiando os exportadores:

“A MP onde enfiaram contrabando quase foi aprovada antes do recesso da Câmara. A oposição (repetindo, oposição) fez força para isso, mas a base do governo atrapalhou o jogo. Como os interessados disseram que negociaram a ciranda com o Ministério da Fazenda e viram-se desmentidos numa nota oficial, é provável que o governo se empenhe para derrubar a emenda contrabandeada. Os interessados na Bolsa IPI têm até o dia 13 de agosto para concluir as negociações na Câmara. Depois disso o truque vira pó”.

Na nota, o Ministério da Fazenda diz que o reconhecimento do crédito-prêmio do IPI até 2002 terá como consequência uma corrida aos tribunais por aqueles que não se beneficiaram da medida. A estimativa dos técnicos é que 40% dos exportadores de manufaturados estão nessa situação.

A Fazenda também diz que o projeto viola as regras internacionais,  já que o benefício pode ser interpretado como subsídio. Por isso, é passível de contestação na Organização Mundial do Comércio.

Além disso, a aprovação da MP com a emenda do Senado representa para o governo federal uma confissão de que o benefício não teria sido extinto em 1983 (tese da União) ou em 1990 (tese do Supremo Tribunal Federal): “o que traduzirá em prejuízo evidente para a defesa do Estado perante o Supremo Tribunal Federal”.



Segundo a Receita Federal, a medida representa um risco potencial de R$ 288 bilhões. O ministro Guido Mantega rebateu a declaração do diretor do Departamento de Relações Internacionais e de Comércio Exterior da FIESP, Roberto Giannetti da Fonseca, de que teria havido acordo para a inclusão da emenda no Senado, pela relatora Lúcia Vânia (PSDB). O acerto teria como objetivo amenizar o rombo para a União. Ela (a emenda) não resolve o problema e é lesiva aos interesses da União. “Esse problema só será resolvido com julgamento pelo Supremo Tribunal Federal”, diz Mantega na nota, sendo contrário à proposta.

E cabe registrar que nesta mesma MP que cuida do programa Minha Casa Minha Vida e do caso do IPI, temos também a questão dos preços diferentes para pagamento com cartão de crédito.

É o reflexo do Senado de hoje, onde a coerência está na incoerência. Para não falar na decência, que ausente, pode dar lugar a indecência.

(Leia, também: O Senado não é mais aquele)

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, às quartas escreve no Blog do Mílton Jung e todo dia está de olho neles