IRBEM: Paulistano fala de mobilidade urbana

Passageiros se espremem para pegar ônibus (Foto: Marcos Paulo Dias)

Uma das questões propostas aos paulistanos para construir os Indicadores de Referência de Bem-Estar relaciona-se à mobilidade urbana.O tema influencia diretamente na qualidade de vida de quem mora, estuda ou trabalha na capital paulista. A repórter Cátia Toffoletto ouviu algumas pessoas para entender quais são as prioridades em relação ao transporte.

Redução no tempo de espera nos pontos de ônibus ou no deslocamento na cidade, ampliação da rede de metrô, soluções para diminuir o trânsito, investimento no sistema de trólebus e ciclovias por toda São Paulo são algumas das opções apresentadas no questionário desenvolvido pelo Movimento Nossa São Paulo. Algumas delas apareceram nesta enquete promovida pelo CBN SP.

Ouça aqui a reportagem de Cátia Toffoletto e aproveite para refletir sobre os indicadores que podem fazer São Paulo uma cidade maior. O questionário pode ser respondido no site do Movimento Nossa São Paulo.

Vandalismo em exposição do Metrô

Vandalismo na poesia

Um vândalo decidiu deixar a marca da sua cultura – ou falta dela – em painéis de exposição no saguão do metrô Santa Cecília em São Paulo. Com uma caneta, riscou de ponta a ponta as placas que apresentam poesias de autores importantes da literatura nacional como Cassiano Ricardo e Guilherme de Andrade e Almeida. As imagens que você vê (clique na foto e veja mais) foram feitas pela repórter da CBN Raquel Mello.

E mais Paulista

Placas na Paulista

A nova sinalização na Avenida Paulista atende a demanda de pedestres que reclamavam da dificuldade para identificar o nome das ruas. A placa ficará nos protetores de ferros colocados nas esquinas, conforme imagem acima. “Aproveitamos e inserimos as primeiras plaquinhas em braile com todos os dados da rua”, explica Regina Monteiro, da Emurb. Segundo ela o projeto é um antigo sonho do órgão que pretende estender à toda cidade de São Paulo

Foto-ouvinte: Mais Paulista

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O acesso deste prédio quase na esquina da avenida Paulista com a Joaquim Eugênio de Lima foi reformado recentemente. A obra não teve o cuidado de preservar o piso da Paulista que ganha, assim, mais uma cicatriz. O ouvinte-internauta André Medeiros sugere que os fiscais da cidade façam uma visita ao local e multem a empresa responsável pelo estrago.

Nota da Secretaria das Subprefeituras (publicado 26.06 – 11h44)

“Com relação à reclamação do ouvinte Rodrigo Meira, o desnível do edifício Paulicéia, localizado no número 960 da Avenida Paulista, não é resultado de má execução de obra, mas da adequação às normas vigentes da legislação de acessibilidade, que determinam que a inclinação constante máxima do passeio deve ser de 2% e 3%. Antes da reforma, a calçada da avenida apresentava inclinações entre 4% e 6%. As legislações precisam ser respeitadas tanto pelos órgãos públicos quanto pelos cidadãos ou entidades particulares. A Prefeitura realizou as adequações, atendendo à legislação, na área pública, mas nas áreas privadas como neste caso, cabe ao próprio condomínio fazer a regularização do acesso para ficar em conformidade com a lei. O representante do Edifício Paulicéia foi orientado pela Prefeitura a procurar um profissional para que elabore a solução técnica de adequação do edifício.

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Dezoito anos depois

Por Abigail Costa

Depois de dezoito anos de empresa, o chefe chama o funcionário e diz:

– Você não tem o perfil da empresa.

Esta frase normalmente vem acompanhada:

– “Você está demitido”!

E fim. Para a empresa o problema está resolvido. Para o ex-empregado o problema começa aí.

Em conversas com diretores de recursos humanos, o “fora do perfil” significa que a pessoa não evoluiu, não acompanhou o crescimento da empresa.

De acordo com esses profissionais do RH também pode ser uma redução de custos.

Sai um velho de casa e de idade que ganha X+Y e entra em seu lugar um novo de profissão e alguns bons anos a menos ganhando – Y.

Seja lá qual tenha sido o motivo é justo que a empresa faça a troca quando achar necessária.

O injusto é não cobrar o funcionário durante anos, é não incentivá-lo a uma reciclagem, é não traçar um plano de carreira.

Claro que qualquer um, demitido depois de tantos anos de serviços prestados a empresa,  tem o direito de pensar que até ontem ele era produtivo, hoje não mais. E ainda, por que ninguém nunca reclamou antes ?

Sinceramente na maioria dos casos penso que o diretor, chefe, seja lá quem esteja mandando, esses, deveriam mudar a frase que tem sido usada como uma muleta.

É humilhante quando alguém conta que foi dispensado assim. É uma sensação de pensar que tudo que foi feito estava errado.

Longe da ingenuidade em achar que a empresa deve funcionar como casas de assistência social. Não é isso.

Mais doloroso que o motivo para cortar as relações trabalhistas entre patrão e empregado depois de dezoito anos de convivência, é a mentira.

A verdade é mais humana.

Abigail Costa é jornalista, escreve no Blog do Mílton Jung às quintas e já sobreviveu a um sem número de chefes, diretores e departamentos de RH

Avalanche Tricolor: Lá vem mais um capítulo

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Cruzeiro 3 x 1 Grêmio

Libertadores – Belo Horizonte


O mais antigo e o melhor amigo que tenho é colorado (acredite se quiser). Terça à noite, ele visitou São Paulo e, enquanto dividíamos uma pizza, colocamos a conversa em dia. Falamos muito de futebol, é lógico. Estávamos em lados opostos no campo e na mesa. Não costumamos dar o braço a torcer quanto ao melhor time do mundo no nosso coração, mas às vezes confessamos algumas coisas inconfessáveis diante da grande massa de torcedores.

Uma pequena admiração por um jogador adversário, uma injustiça que a torcida oposta comete com seu craque incompreendido e até aquele jogo que eles foram bem melhores, mas nós ganhamos.

Quase na hora de pagar a conta (e desta vez, ele é que pagaria), veio o maior de todos os reconhecimentos. A esperança dele ser campeão da Copa do Brasil, quarta-feira que vem, está depositada em uma história escrita pelo seu maior adversário: a da Imortalidade. Aquela que fez do Grêmio não apenas um time de futebol, mas uma façanha a ser lembrada para sempre. Que nos permitiu gravar na camisa que visto está noite a frase “Nada Pode Ser Maior”.

Nesta noite, por sinal, lembrei do Paulo – o meu amigo colorado -, aos 33 minutos do segundo tempo, quando vi Souza ajeitando a bola no gramado e um mundo de jogadores se postando diante dele para impedir a visão do gol na cobrança de falta. Souza não precisa enxergar o gol, ele tem o faro apurado e o pé calibrado, tanto quando a língua afiada.

No intervalo, havia chamado atenção para a perda de três gols feitos que resolveriam com facilidade a classificação à final da Libertadores da América: “quem não faz leva”, disse o craque usando de um dos mais famosos lugares-comum do futebol.

Mas por que haveria de ser fácil, Souza?

Foi preciso desperdiçar três gols, levarmos três, perdermos a cabeça, errarmos passes e assistirmos a um juiz trapalhão que acabou substituído por problemas físicos até que a história retomasse seu rumo.

Com o toque sob a bola que a fez superar a barreira gigante e deslizar pela rede da goleira do Cruzeiro até o fundo do poço (sempre com a autorização de seu autor), Souza começa a escrever mais um capítulo da nossa Imortalidade. E com seu sotaque alagoano bem lembrou o ditado gaúcho ao fim da partida: “Não tá morto quem peleia”.

Semana que vem, Paulinho, eu pago a conta aí no Sul !

Ceagesp e prefeitura discutem caixas de plástico

Um Banco de Caixas será criado na Ceagesp para dar início à substituição das caixas de madeira por de plástico, mais resistentes e com vida útil mais longa. A intenção é que os primeiros passos neste sentido sejam dados até o fim deste ano, segundo a subprefeita da Lapa Soninha Francine, na zona oeste de São Paulo.

Durante um ano, são usadas cerca de 65 milhões de caixas de madeira para transportar os produtos comercializados na Ceagesp. Um problema ambiental e tanto em função da forma como é feito o descarte deste material – boa parte abandonada ao redor do centro de distribuição de alimento.

Ouça a entrevista de Soninha Francine, subprefeita da Lapa

Iniciativa Verde vê compensanção na Marginal

A cidade de São Paulo será recompensada pela perda de 1.534 árvores que serão retiradas do entorno do rio Tietê para a ampliação das pistas da Marginal, na opinião da ONG Iniciativa Verde que desenvolve ações para compensar emissões de gases do efeito estufa emitidos por atividades do homem. A opinião do presidente da Organização, Francisco de Aragão Maciel, vem em favor da obra que está sendo realizada em parceria pelo Estado e município de São Paulo.

Além do replantio, a cidade ganhará com a construção do  Parque Linear do Tietê, a plantação de um número ainda maior de árvores e a redução no nível de congestionamento na região, grande gerador de poluição na capital, conforme as palavras do dirigente entrevistado pelo CBN SP.

Ouça a entrevista de Francisco de Aragão Maciel

Procura-se “Auxiliar da Juventude” em São Paulo

“Auxiliar da Juventude” é cargo criado para identificar demandas dos jovens com o objetivo de aproximá-los do poder público, nas 31 subprefeituras da cidade de São Paulo. No entanto, em quatro dias de pesquisa a repórter da CBN Raquel Melo não encontrou estesprofissionais que já foram contratados e estão na folha de pagamento da prefeitura com salário que variam de R$ 800 a R$ 3 mil e poucos, por mês.

Nem o secretário das Subprefeituras Andrea Matarazzo soube explicar bem o motivo destes profissionais serem desconhecidos dentro dos órgãos da administração pública municipal ou estarem atuando em desvio de função. Apesar de ter conversado com a repórter da CBN na terça-feira à tarde, até a manhã desta quarta, a Secretaria das Subprefeituras ainda não tinha informações esclarecedoras.

Ouça a reportagem de Raquel Melo

Quem tiver informações escreva para gabinetedoprefeito@prefeitura.sp.gov.br ou deixe recado aqui no blog.

SPFW: Preconceito na passarela

Por Carlos Magno Gibrail

Recorte de O Estadão mostra Paulo Borges, criador da SPFW, e o filho

A questão racial foi bater na porta de Paulo Borges, personagem ilustre do setor de Moda, tão caro e importante para a Economia brasileira.

Criador e dirigente do SPFW, maior evento da Moda no país, adotou uma criança negra. Era a prova definitiva que não havia preconceito da direção do espetáculo.

A Folha, provavelmente quando publicou em janeiro do ano passado reportagem que originou inquérito do Ministério Público, desconhecia a adoção ou a desconsiderou. Como também não levou em conta que a Direção do SPFW não interfere na escolha das modelos.

O ponto de partida era que em 2008, apenas 8 modelos negros desfilaram contra 344 brancos, 2,3% .

Deborah Kelly Affonso, promotora do grupo de atuação especial de inclusão do Ministério Público e autora da proposição, talvez empolgada com o TAC (Termo de ajustamento de conduta) sobre anorexia e idade mínima de 2007, diz: “O percentual de modelos negros no evento [em torno de 3%] é bem menor que o de brancos. O objetivo da Promotoria é fazer um acordo de inclusão social. Estabelecer um número mínimo de modelos negros a desfilar”. Foi procurar Paulo Borges e resumiu: “Ele disse que não tem controle sobre quem vai desfilar”.

“Em 2007, por causa de problemas de modelos com anorexia, assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Promotoria da Saúde Pública e da Juventude se comprometendo a cumprir uma série de exigências, inclusive em relação à idade mínima das modelos [16]. Isso passou a figurar em uma espécie de “manual das grifes” da SPFW. Agora, ele [Borges] diz que não é possível consignar no manual a exigência da cota. No que é diferente das outras?” E, continua citando Paulo Borges : “Há algum tempo ouvi uma entrevista onde ele dizia: Moda não é arte. Moda é serviço, é dinheiro. É um negócio.’ Nesse ponto”, conclui ela, “a gente está de acordo”.

Da Saúde Pública e Juventude ao Preconceito sem discernimento não há equivalência. A não ser a quem negue a Moda como arte. Ou se confunda com questão de ordem de Borges. Arte, serviço, dinheiro, negócio não podem ser vítimas de preconceito. Nem que seja para atacar preconceito.

A estilista Glória Coelho é da opinião que “a cota pode interferir na obra do estilista”. “Nosso trabalho é arte, algo que tem de dar emoção para o nosso grupo, para as pessoas que se identificam com a gente”.

Alexandre Herchcovitch não se opõe. “Pra mim, isso (cota) não é problema. Nunca excluí modelo por causa de cor”. Ele não acha que a cota pode interferir na obra do estilista

O baiano Helder Dias Araújo, proprietário da HDA Models, agência paulista que trabalha exclusivamente com modelos negros. “Claro que existe [preconceito]. É mais social do que racial. Se fosse um Pelé, um Barack Obama, ninguém iria ignorar.”

Ainda assim, Hélder é contra a cota. “O Brasil tem é de tomar vergonha e ver que não é um lugar de raça pura”.

Anderson Santos modelo da HDA :“Nem nas provas de roupas os estilistas querem modelos negros. Eles são claros – não mandem negros. As modelos negras encontram uma abertura maior fora do país. No Brasil, o mercado publicitário é mais flexível que o da moda”. Segundo o último censo do IBGE (de 2007), 49,7 % da população brasileira é composta por negros e pardos. “Nosso país é miscigenado, uma mistura de diversas etnias e todas devem estar representadas. Por que os modelos negros não são convocados?”.

Pelo TAC assinado agora a direção do SPFW orientou as empresas participantes a procurar desfilar com 10% de modelos negras no prazo de 2 anos.

O resultado reflete que o sugerido foi atendido, pois 148 modelos negros desfilaram num total de 1149 modelos, dando um percentual de 12,8%.

A Educafro – Educação e Cidadania de Afro descendentes e Carentes – que realizou manifestação na SPFW deu os parabéns e o frei David falou : “A organização demonstrou sensibilidade com o povo afro-brasileiro”.

Resta posicionar e enfatizar que a Moda, quer arte ou negócio, não pode receber interferência de maiorias ou minorias. É uma atividade de mercado.

À Folha, à Promotoria e ao Frei: Por que não a isonomia? Se a preocupação é levar a proporcionalidade da amostra populacional brasileira para todas as atividades, mãos a obra. Começando pela Folha, pelo Ministério Público e pela Educafro, ou pela Igreja?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Mílton Jung e sempre defendeu a ideia de que o preconceito deve estar sempre fora de moda.