Aposentadoria ou morte!
Por Carlos Magno Gibrail
Do 26,5 milhões de brasileiros aposentados 8,5 milhões ganham acima de um salário mínimo. Não possuem mais força competitiva no mercado de trabalho, que os rejeita. Não recebem reajustes compatíveis na pensão devida pelo Estado, que os discrimina. E são taxados no valor que recebem de aposentadoria pelo Sistema Tributário, que os assalta.
Ainda assim são acusados de ameaçar o INSS, como se fossem os responsáveis pela incapacidade atuarial de Governos passados e pela frieza contábil do Governo presente.
Desde 1998 o benefício dos aposentados vem perdendo espaço na equiparação com o salário mínimo nacional que em relação a esse está defasado em mais de 75%.
Luiz Nassif analisa: “Há dois pontos opostos em relação à Previdência Social. O primeiro, o da manipulação dos números, jogando em cima do Regime Geral da Previdência despesas que não lhe dizem respeito, como forma de reduzir os benefícios. O segundo, os dados, sem manipulação, que indicam problemas pela frente.
Previdência Social é obra de longo prazo, que exige ajustes periódicos para se manter financiável. Esses ajustes decorrem principalmente de mudanças demográficas, do envelhecimento da população, do aumento da longevidade, da redução do tamanho das famílias”.
E conclui: “Pela matriz demográfica de 2004, em 2050 o país deveria ter 259 milhões de habitantes. Com os novos dados, terá apenas 215 milhões, uma redução de 44 milhões de pessoas, alterando o planejamento de todos os organismos estatais, do IPEA, FGV, Previdência etc. Em 2004 se previa para 2050 146 milhões de pessoas na faixa de 16 a 59 anos – idade produtiva. Agora, a previsão caiu para 120 milhões. Essas são as razões que levarão, em breve, a uma nova rodada de discussão sobre os rumos da Previdência”.
Diante de perdas crescentes os aposentados começam a pressionar através das várias entidades que os representam.
Antonio Graffi da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas obteve de Michel Temer o compromisso de colocar o tema em pauta na Câmara.
João Batista Inocentini do Sindicato Nacional dos Aposentados Pensionistas e Idosos da Força Sindical anuncia que os aposentados pretendem reunir um milhão de ações na Justiça contra o fator previdenciário e pela criação de uma política nacional de recuperação do poder de compra do benefício. Diz ainda que as primeiras dez mil ações devem ser ajuizadas agora em São Paulo.
A Federação dos Aposentados e Pensionistas de Minas Gerais demonstra que o pensionista que se aposentou em 1998 com dez salários mínimos, deveria receber R$ 4.650 hoje, mas com as correções diferentes, o benefício atual é de R$ 2.635,06, uma perda de 76,47%.
Inocentini da Força afirma ainda que a ideia não é vincular a correção do benefício ao mínimo, e sim criar um indicador próprio para reajustar as aposentadorias.
Esse índice deve ser baseado nos custos de vida do aposentado.
De acordo com Inocentini, foi elaborada uma lista com cem itens que vão desde os gastos com a casa (luz, água, telefone, gás) até itens de saúde (plano de saúde, medicamento de uso contínuo, óculos, dentista).
“Não tem como o aposentado fugir desses gastos. E todos eles sobem mais que o INPC”,diz.
O INPC é normalmente usado para basear os reajustes dos benefícios.
A campanha do Sindicato já foi lançada em outras cidades, principalmente as do Sul e Sudeste, regiões que concentram 85% dos aposentados e pensionistas que recebem mais que um salário minimo. A ideia é que os aposentados procurem os sindicatos da categoria em cada cidade para ajuizar ações individuais, mas que serão encaminhadas coletivamente à Justiça. “Um milhão de processos até dezembro é uma forma de pressionar o governo a negociar”,afirma.
Pode ser que haja mudanças. O presidente do Senado, José Sarney marcou para o dia 8 de julho a votação, em sessão do
Congresso, do veto do presidente Lula à proposta aprovada pelos parlamentares que reajustou todas as aposentadorias em 2006 com o mesmo índice de correção do salário mínimo, 16,67%.O Governo deu apenas 5% para os benefícios acima de um salário mínimo.
“Quero pedir também ao presidente Sarney e aos líderes que o voto não seja secreto durante a sessão do Congresso que decidirá sobre esse veto. Sei que a Constituição exige votação secreta no caso de vetos, mas gostaria que, como em outras oportunidades, cada deputado ou senador pudesse anunciar nos microfones o seu voto”, disse Paulo Paim autor do Projeto.
Ontem, entretanto além da pressão sobre Sarney e talvez por essa causa a votação dos nomes dos novos integrantes do Conselho Nacional do Ministério Público terminou em confusão. Os dois candidatos foram rejeitados. O vice-presidente da Casa, Marconi Perillo , que comandava a sessão, fechou a votação mesmo com parlamentares presentes. Os senadores que não votaram alegaram desatenção e começaram o bate-boca no plenário. “Quantos integrantes do MP serão maculados por conta da crise do Senado?”, questionou Demóstenes Torres.
Enquanto isso, José Sarney, reuniu de noite em sua casa alguns aliados para avaliar o impacto dos pedidos para que ele se afaste da Presidência da Casa. Ele aguarda reunião da bancada do PT para decidir se permanece no cargo.
Resta saber se pela pauta do dia 8 os aposentados devem ou não torcer pela “aposentadoria” do velho Sarney.
Aposentadoria ou morte!
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas escreve no Blog do Milton Jung
Tecnologia dá vida à rede aérea
Por Adamo Bazani
A situação do trólebus não é fácil no Brasil, onde várias cidades o aboliram completamente. Em São Paulo, discussões e desentendimentos entre operadores, gerenciadores e administrações públicas já viraram uma marca da atual fase deste modelo de transporte de passageiros. Mas é no campo de tecnologia que se pode encontrar a saída para a continuação dos trólebus como veículo capaz de reverter o quadro cada vez pior de poluição sonora e do ar.
Quem garante é o administrador de contratos da Eletra, única fabricante cem por cento nacional de ônibus com tecnologia limpa, José Antônio do Nascimento.
José Antônio diz que o mundo está no caminho da tração elétrica para os transporte urbano. Ele conta que na cidade de Nova Iorque já existem mais de 500 ônibus híbridos (motores de partida a diesel e motores de funcionamento a energia elétrica) em operação; e na China e boa parte da Europa, os administradores locais em parcerias com a iniciativa privada voltaram a investir no trólebus com rede aérea.
“Posso garantir que em corredores exclusivos, o trólebus de rede aérea ainda é melhor alternativa que o híbrido. Na empresa Eletra, que nasceu do Grupo da Viação ABC de Transportes, de São Bernardo do Campo, percebemos que a procura pelo híbrido é cada vez maior, afinal ele possui uma flexibilidade maior que o trólebus e igual ao ônibus a diesel, mas, pelo fato de o trólebus durar mais e não gerar nada de poluição, em corredores segregados, ele é opção ainda melhor”.
“Num corredor segregado, a rede aérea não produz a mesma poluição visual que no meio da rua, onde há entrocamentos e cruzamentos de fios de outros serviços, como de telefone e energia elétrica residencial e comercial. Além disso, o híbrido pode poluir até 90 por cento menos que o ônibus comum a diesel, mas o trólebus polui 100 por cento menos. O Brasil deve estar atento a outro fato de vantagem de veículos com tração elétrica: diferentemente de muitas regiões do mundo, que produzem eletricidade em usinas movidas a carvão e óleo, nós produzimos por água, ou seja, não poluímos e gastamos menos para produzir eletricidade.”
Sendo bem realista, num cenário em que apesar de ser mais barato que metrô e que o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), o corredor segregado de ônibus pouco cresce, José Antônio afirma que a solução de curto prazo está no investimento da rede aérea já instalada e em sistemas nos ônibus que ocasionam menos quedas de pantógrafo (alavanca que liga o ônibus até os fios aéreos). Para isso é necessário repotencializar a rede. Ele conta que uma boa parte dos trólebus que circulam na cidade de São Paulo são veículos reformados e reencarroçados, que foram produzidos entre os anos de 1979 e 1981. Entre 1994 e 1996, os veículos passaram por uma atualização, mas a rede aérea não.
E quando José Antônio fala em corredores, ele quer dizer vias segregadas mesmo, não apenas faixas pintadas nas vias, com o mesmo asfalto, com as mesmas ondulações, passando pelos mesmos semáforos que os carros comuns. Os corredor entre São Mateus / Jabaquara, via ABC paulista, é considerado bom exemplo por José Antônio:
“Boa parte é segregada totalmente e o piso é de concreto”
Mas enquanto corredores não saem do papel, a solução, para José Antônio é investir em veículos e sistemas cada vez mais modernos. Já está desenvolvido até mesmo um sistema que evita ou diminui drasticamante a queda dos pantógrafos, além de um corredor 100 por cento eletrificado de grande distância, sendo o primeiro “corredor verde” no mundo.
Boas férias para você !
Podia ser em janeiro ou fevereiro. Tinha de ser no verão. Lá no Sul, as férias escolares eram na praia. Casa alugada e família reunida completavam o pacote. O mar nunca foi lá essas coisas e quem já esteve no litoral gaúcho sabe do que estou falando. O legal mesmo é que se podia ficar mais tempo na rua, passeava-se com os amigos na beira da praia sem o mesmo controle rígido do pai e da mãe. E sempre havia a chance de uma escapadinha à noite no centro.
Com a vida profissional, a mudança para São Paulo e a criação da própria família, os hábitos mudaram. As férias se transformaram em um quebra cabeça de agendas. A dos filhos, com a da mulher, com a do marido e com a do trabalho. Nem sempre se consegue combinar todas as datas, mas por menor que seja a coincidência se aproveita o que dá. Neste ano, deu.
Assim, a partir desta segunda estou de férias e as aproveitarei nos próximos 30 dias. Terei tempo de ler mais, descansar mais, conhecer mais e brincar ainda mais. Peço a você licença para passar menos neste espaço. A você e a mim mesmo, pois desde que este blog foi ao ar, há dois anos, criei o hábito de postar todo santo dia. Virou mania daquelas difíceis de largar. Deixar de publicar um texto, uma imagem ou um vídeo me dá a impressão de dever não cumprido. De vazio. Como se encontrasse um amigo e não tivesse o que dizer.
Assim, toda vez que você voltar a este blog, mesmo que eu não tenha passado por aqui ainda, saiba que em algum lugar qualquer estarei em busca de novidades para contar. E as contarei assim que surgirem e houver acesso à internet.
Além disso, é bom lembrar que os parceiros de blog não nos deixarão: o Adamo às terças; o Gibrail às quartas; a Abigail às quintas; e a Maria Lucia aos domingos. Estarão todos por aqui provocando nossos pensamentos e aguardando seus comentários.
No CBN SP, o comando estará nas mãos da Fabíola Cidral (fabiola.cidral@cbn.com.br); no Twitter (http://twitter.com.br/miltonjung), pretendo contar alguns detalhes da viagem; no blog, conto com vocês todos.
Aproveitem bem, não é sempre que dou uma folga dessas aos ouvintes-internautas. Até a volta ou a qualquer momento em edição extraordinária !
Avalanche Tricolor: “Azul, negro e branco”
Sport 3 x 1 Grêmio B
Brasileiro – Recife
A TV quase não deu bola. Preferiu repetir exaustivamente jogadas em que os adversários se digladiam dentro da área ou em uma disputa qualquer em detrimento da informação. Na pequena torcida gremista que esteve no estádio da Ilha do Retiro, no Recife, havia a faixa: “Sou azul, negro e branco”.
Recado claro a quem, propositalmente ou não, tenta confundir os fatos, desde o bate-boca de Maxi Lopez e Elicarlos, durante a primeira partida da semifinal da Libertadores, no Mineirão, em Belo Horizonte. Momento em que conhecidos sanguessugas do futebol saíram a dar palpite e se apresentaram como defensores da moral e ética de toda a nação brasileira.
Falei pouco esta semana sobre o tema, e nada escrevi a propósito no blog porque sabem bem aqueles que me acompanham o tom do meu discurso nesta Avalanche. Meu colega de redação Fernando Gallo, que algumas vezes abrilhantou este espaço com ótimos artigos, deixou gravado nos comentários sua frustração por não ter lido por aqui alguma palavra minha. Como se fosse preciso.
Não sinto necessidade de escrever que sou honesto. Parto do princípio que aqueles que me conhecem sabem disso. Os que desconfiam do contrário que me conheçam melhor antes de construir qualquer pensamento a respeito.
Preciso dizer que discordo de qualquer atitude racista ? Minhas posições são públicas, e publicadas diariamente no CBN São Paulo. Quem acompanha o programa conhece minha postura. Quem lê este blog não deve ter dúvida do meu comportamento.
Também jamais me verão levados pelo espetáculo dos fatos, típico no futebol e em boa parte da cobertura jornalística no País. Daqueles que fizeram coro contra Maxi Lopez muitos são os mesmos que fazem comentários jocosos sobre situação social quando falam da torcida do Corinthians, se assanham a fazer piadas sexistas quando o assunto é o São Paulo ou taxam a ignorância de “baiana” e a arrogância de “argentina”. Não quero a companhia desses em nenhuma campanha.
É preciso também buscar informacão, ter comedimento e relativizar os fatos.
Lá no pampa argentino, macacos somos todos nós brasileiros, não pela cor de nossa pele, mas por supostamente imitarmos os americanos. Diferentemente do uso dado a palavra no pampa gaúcho, onde a expressão tem conotação racista. Que se mude os hábitos, aqui e lá.
Não vou aqui julgar o atacante gremista. Se ele tomou alguma atitude errada – e, ao contrário de outras oportunidades, isto não ficou claro diante das câmeras – que responda pela injúria. Mas, por favor, não se aproveite desta situação para expor ideias xenofóbicas. Faça deste caso um momento de reflexão sobre atitudes que já tenham sido tomadas por você contra ou a favor de qualquer tipo de preconceito.
Entre torcedores, assim como nas demais comunidades que se formam neste país seja por afinidade política, religiosa ou social, deve haver quem entenda ser superior ao outro pela diferença de raça. Infelizmente, este é um pensamento que ainda existe na sociedade brasileira. E precisamos condená-lo nos fóruns competentes e com atitudes produtivas, não, oportunistas.
Para o Grêmio, que fique claro a todos, não há opção: somos azul, negro e branco. Somos de todas as raças. Somos um time de raça.
De salas e moradas
Por Maria Lucia Solla
Olá,
“Na casa de meu Pai há muitas moradas”, são palavras atribuídas a Jesus, o Mestre.
Tudo o que foi dito e o que continua a ser dito por Mestres são Mistérios; e Mistérios são desvendados de acordo com o ritmo de cada um, a cada etapa da vida, a cada portinhola aberta na Consciência.
Tua e minha.
E é bom lembrar que não falo da consciência da mente física, aquela do Ministério da Moralidade Terrena. Falo da Consciência Mãe. Falo da Consciência que nos permite ver, sentir, falar, agir além do ego, como Mestres ou como Emissários deles.
É ela que nos permite sentir alegria, sem quê nem porquê.
É ela que nos deixa ver o brilho do Sol, lá no fundo do porão, ao despertar de uma noite de verão.
É ela que nos faz exultar ao ouvir o riso de um filho, no momento em que ele se desarma e se deixa fluir com a vida.
É ela que permite ver no olhar do ser amado, de novo, o brilho do amor que se pensava aprisionado.
E para que serviriam as palavras de um Mestre senão para nos mostrar o caminho da União, da Completude? Um Mestre não leva seus discípulos pela mão, não os aprisiona e nem exige que trilhem, todos, a mesma rota. Um Mestre desenha o mapa do Caminho de Casa.
E por que o faz? Porque essa é a sua Missão? Não; não na minha visão.
O Mestre assim o faz, pela continuidade da Vida; faz por Si.
Não o faz por você, por ser melhor do que eu.
Não o faz pelos bons ou pelos maus, pelos justos ou injustos. Essas qualidades são medidas humanas, para avaliarmos a “pequeneza” do outro e a “grandeza” do nosso ego, com maior precisão.
Não o faz pela mãe porque a maternidade a possa santificar.
Não o faz pelo pai porque o suor do trabalho o possa canonizar.
Faz para que possamos acordar e seguir nosso caminho.
Simples assim.
Se um de nós, um apenas, não tiver chegado ao Corpo do Todo, o Ciclo não se fecha, e não se fechando, um novo não poderá se abrir.
E assim os Mistérios, embriões de luz, são semeados. Pela paz, pela mansidão, pelo riso e a leveza. Não encontram terreno fértil na minha e nem na tua razão, mas no amor verdadeiro que levamos no coração.
Se é “Assim na Terra como no Céu”, também em nós existem muitas moradas. Temos uma sala especial, uns nos outros. Você tem cuidado da sua sala na morada do outro?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, abre as portas de sua morada no Blog do Milton Jung
Conte Sua História de São Paulo: O Teatro Municipal
Por Pedro D’Alessio
Ouvinte-internauta do CBN SP
Ouça o texto “Teatro Municipal” de Pedro D’Alessio
Aquela agitada sessão de inauguração do, hoje, quase centenário THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO – a ser devidamente lembrada e comemorada, assim esperamos, em 2011, constitui um fato histórico que bem exemplifica a opção do paulistano pelo cultivo da “brasilidade”, com a clara intenção de, com isso, expressar sua identidade plural maior : “São Paulo não é, São Paulo são…”.
A sociedade paulistana resultou da integração de todas as raças e culturas do planeta. Em São Paulo se encontraram migrantes de todas as regiões do Brasil e imigrantes de todas as Nações do mundo. Por isso, a grande diversidade brasileira se expressa melhor em São Paulo, onde se ouviu o grito da Independência.
A cidade guarda, bem viva, a memória dos bandeirantes, que demarcaram e alargaram as fronteiras do Brasil. E, generosa, ainda recebe gente dos quatro cantos do mundo, por dezenas de gerações, há quase cinco séculos. A convivência de origens múltiplas explode na sua diversidade cultural e se identifica com as raízes da própria formação da Nação brasileira.
Em 12 de Setembro de 1911, São Paulo ganhou seu primeiro grande centro de eventos culturais, uma obra imponente e com profundo significado para afirmar a “vocação brasileira” da cidade: o Theatro Municipal.
Na época, a Comissão Oficial de Inauguração, encarregada de preparar a programação da estréia, decidiu contratar a companhia lírica do famoso barítono Titta Ruffo, que encenava “Hamlet”, de Ambroise Thomas, no teatro Colón de Buenos Aires. Tudo parecia muito adequado… O suntuoso THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO seria aberto com uma ópera inspirada em Shakespeare !!!
Porém, instalou-se uma grande celeuma, travaram-se discussões acirradas junto aos críticos, com protestos de intelectuais na imprensa e fortes pressões da Câmara Municipal : exigia-se dos organizadores que a programação da estréia contemplasse uma obra nacional !!! São Paulo não poderia inaugurar o “seu” Theatro Municipal com uma obra estrangeira…
A Comissão foi, então, obrigada a ceder diante da polêmica. E a programação foi aberta com a execução, pela orquestra, da protofonia para “O Guarani”, de Carlos Gomes. Com isso, retardou-se a programada apresentação de “Hamlet”, que nem conseguiu chegar ao seu final. Ademais, porque “a praga pegou…”. O espetáculo tinha sido contratado às pressas e os cenários não chegaram a tempo, ficando retidos no porto de Santos. A encenação de Shakespeare acabou ficando mesmo para o dia seguinte.
Era o prenúncio do temperamento “brasilianista” de São Paulo; Shakespeare fica para amanhã…
Assim se afirmava a “brasilidade paulistana”, vocação que se afirmou e intensificou até chegar à metrópole de São Paulo dos tempos atuais, capaz de oferecer aos seus visitantes a sensação mais completa de que, de fato, eles estão no Brasil.
O autor do Conte Sua História de São Paulo é Pedro D’Alessio. A sonorização é de Cláudio Antonio. Você participa, também, enviando seu texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br. Conheça mais capítulos da nossa cidade no Blog do Milton Jung. Até lá
A morte de Michael Jackson
Por Janaina Barros
Noite Paulistana
De repente. De repente uma manchete estampava as páginas dos principais veículos de comunicação do mundo todo na noite desta quinta-feira: “Michael Jackson está morto”. As informações desencontradas de uma parada cardíaca e da internação de Michael Jackson em um hospital de Los Angeles entravam em nossas casas pelos programas de TV sem nos permitir um raciocínio lógico, nos paralisando e adiantando uma despedida que já estava marcada para o mês de julho com uma série de 50 shows em Londres. Eu, assim como muitos, fiquei sem reação diante do noticiário tentando digerir a informação inesperada. Nós sabíamos e era evidente a fragilidade estampada no rosto de Michael Jackson, mas a ideia da sua morte precoce não passava nem perto dos meus mais loucos devaneios. Ouvi vários depoimentos hoje e tenho mesmo a sensação de que não vimos tudo que o ídolo tinha para nos mostrar. Parecia claro que teríamos notícias de Michael com 70, 80, 100 anos. Coincidência ou não, já faz alguns dias que um cd ocupa a mesinha de centro da minha sala. “Motown 50 – yesterday, today, forever”, o cd que comemora os 50 anos da gravadora que lançou Michael Jackson e os irmãos dele, o grupo Jackson Five. A gravadora criou um estilo. O som da Motown era feito por artistas negros e representantes da soul music. Entre os astros destacam-se Diana Ross, The Supremes, Marvin Gaye e Stevie Wonder. Todos presentes neste álbum. Eu estava curtindo o disco triplo com os 50 maiores sucessos de todos os tempos da gravadora escolhidos pelo público. A notícia da morte de Michael Jackson antecipou minha conversa com vocês sobre esta obra-prima.
As primeiras músicas do cd1 são emblemáticas e nos proporcionam uma viagem pelas preciosidades da carreira do rei do pop, na época em que ele era um garotinho e roubava a cena do grupo formado por seus irmãos. Um pedacinho de gente que já demonstrava uma energia contagiante que revelaria ao mundo os passos iniciais de um futuro gênio. Polêmico, extravagante, excêntrico, por vezes esquisito e até bizarro. O ídolo marcou época. Chamava atenção a graça, o timbre cristalino do garotinho que ainda ensaiava seus primeiros passos de dança. “I Want You Back”, “I’ll Be There”, “Ben”, “ABC” representam o começo de um legado que influenciaria músicos de todo o mundo. Uma pequena parte do trabalho de Michael Jackson, a construção de sua majestade, da trajetória que lhe renderia o título de rei do pop, de uma das personalidades mais importantes do século XX, de ícone da cultura pop, do maior ídolo de todos os tempos. Há certas pessoas que parecem eternas aos nossos olhos e, por isso mesmo, é difícil acreditar que a cortina se fecha e é chegada a hora do aplauso final. Conversaremos mais sobre a carreira do genial Michael Jackson. Por enquanto, fica a nossa lembrança e homenagem ao astro inovador, ao criador revolucionário, ao exemplo de um artista completo.
Fui aprovado na inspeção veicular
Cheguei 15 minutos depois do horário agendado, 7h30, na segunda tentativa para fazer a inspeção veicular obrigatória no centro de atendimento na Barra Funda, zona oeste. Na primeira, falhei porque dormi demais e imaginei que se não estivesse na hora marcada perderia o direito à inspeção. Aprendi que o atraso pode ser de até 30 minutos, desde que não atrapalhe o agendamento dos demais. Aprendi, também, que para remarcar não seria necessário pagar nova taxa. Uma surpresa.
Desta vez, mesmo saindo mais cedo, o chuvisco da manhã atrapalhou o caminho, mas havia saído com folga e, assim, minha entra no centro de inspeção deu-se dentro do previsto. Placa do carro confirmada no computador e a cancela se abriu. Orientado pelo funcionário fui a uma das sete filas que não tinham mais de três carros cada uma. Eram 7h50.
Foram nove minutos entre parar na fila e chegar a faixa amarela onde outro funcionário me aguardava. Um menino, ou com cara de menino, mascarado. Pediu para abrir o capô, deixar o carro com a chave e me sentar nas cadeiras ao lado do posto de inspeção. Enquanto esperava meu carro ser levado ao local, outro veículo era inspecionado. O dono tinha olhar curioso e apreenssivo. Acho que todos ficamos assim.
Às 8h07 era minha vez. Fiquei na cadeira fazendo de conta que aquilo era a coisa mais normal do mundo. Mas me sentia como pai que leva filho ao vestibular. Sabe que ele estudou tudo direitinho, toda a vida se preparou para aquele momento, e o teste que vai fazer nem é dos mais difíceis. Vai que não passa ?
Um olhar por baixo do carro com aqueles espelhos de policial de filme americano que procura bomba; capô escancarado, óleo checado, rotação em baixa, acelerador pisado no fundo, um cabo no motor e uma sonda enfiada no escapamento. Os dois analistas não fazem nenhuma expressão. Nem se sim, nem se não. Homens frios diante daquela angústia.
Tudo não levou mais de três minutos. Isso mesmo, às 8h10, fui chamado por um dos analistas que levou meu carro mais à frente e me entregou uma papeleta azul. Era o boletim de notas. Na hora não consegui prestar atenção se o aluno havia tirado 0 ou 10. Apenas ouvi a recomendação dele para guardar os dados com os documentos, mostrou-me um número que seria útil para fazer o licenciamento e solicitar a devolução da taxa de inspeção no site da prefeitura. “Está perfeito”.
Havia passado com menção honrosa, soube mais tarde ao pedir explicação a um técnico da área sobre os resultados registrados no boletim escolar que eles chamam de “certificado de aprovação”.
São três os índices identificados a partir de duas medições realizadas em marcha lenta e com rotação de 2500 RPM. O índice tolerado de Monóxido de Carbono (CO), resultado da queima do combustível, é de 1%. Marquei 0,10%. Muito bem, meu filho.
A quantidade máxima aceitável de hidrocarboneto, parte do combustível líquido não queimada, é de 700 ppm (partículos por milhão). Tasquei 35 em alta rotação. Boa, meu garoto.
O resultado mínimo do cálculo final para identificar o percentual de diluição – não me pergunte a fórmula usada para chegar a este número porque é muito complicada – é 6%. E não é que bati a casa dos 15%. Mais do que o dobro. Orgulho do pai.
De volta a Barra Funda: Com um agradecimento pela atenção me despedi do funcionário e entrei no carro que comigo sorria orgulhoso da sua performance. Depois de alguns anos de convivência, sempre cuidadoso na manutenção, trabalhando dentro das recomendações de fábrica e gasolina abastecida nos mesmos postos, ele correspondia a todo meu esforço.
Apesar de tudo sei que meu carro, assim como tantos que andam na cidade, mesmo atendendo as especificações previstas em lei, é responsável por parte da poluição na capital paulista. Não me iludo com o resultado da inspeção. Muito menos me envergonho de ter me sentido um cidadão melhor.
Foto-ouvinte: Calçada insegura
A obra na cobertura que há na entrada do prédio da Secretaria Estadual de Segurança, na rua Libero Badaró, centro de São Paulo, interrompeu a calçada. E para tornar a situação ainda mais prejudicial ao pedestre, este carro que aparece na foto feita pelo ouvinte-internauta Mário Bonfá está estacionado em local proibido. Na calçada do órgão responsáveis por manter a ordem no Estado, respeitar a lei não é uma regra.





