Celular ao volante não é legal: vídeo usa cenas de pedestres para alertar motoristas

 

 

Cenas de pedestres usando o celular enquanto caminham são usadas para alertar os motoristas sobre os riscos de usar o telefone ao volante. O vídeo, produzido pelo governo da África do Sul, termina com imagens fortes de acidente de carro provocado por uma motorista que acessava o celular.

 

Recebi este material de um ouvinte do Jornal da CBN, motivado pela campanha “Celular ao volante não é legal”, que lançamos na semana passada no programa, durante a Semana Nacional de Trânsito.

A Copa na visão de um busólogo

 

A seleção do Dunga deixou a desejar. Mas, no quesito ônibus, o Brasil conquistou a África do Sul. A campeã, Espanha, é referência na fabricação de ônibus e atua aqui pela Irizar.

ônibus na Cidade do Cabo

Por Adamo Bazani

Domingo, 11 de julho de 2010. Final da Copa do Mundo. Copa que foi das surpresas, boas e ruins. Quanto ao futebol brasileiro, a seleção sempre favorita, em qualquer competição, não passou das oitavas de final. A Ditadura Dunga, do aquartelamento, mostrou que santidade pode ganhar o céu, mas não ganha jogo … Nem farra, também. No mundo da música, tanto na abertura quanto no encerramento, um país que não se classificou, a Colômbia, se destacou com a performance que chega perto da perfeição da estrela Shakira, que sacudiu e animou o mundo com sua beleza, simpatia e talento, interpretando a música tema do Mundial, Waka Waka. No mundo animal, destaque para o polvo que tem mais visão de jogo que muito técnico por aí.

Quanto ao mundo dos ônibus, nosso tema principal, o Brasil foi campeão. Cerca de 800 veículos brasileiros serviram os sistemas de Corredores Rápidos Modernos e Segregados que atenderam os espectadores do Mundial e ficarão como legado aos moradores da África do Sul. Deste total, 460, foram para servir, exclusivamente, a Copa. Fora os 32 ônibus da Hyundai, patrocinadora oficial, que ostentavam as frases de cada país participante, veículos que transportaram Comitê Organizador da Fifa, autoridades locais e mundiais, delegações e imprensa. Estes são um misto de São Bernardo do Campo (Mercedes Benz) com Caxias do Sul (Marcopolo). Eles ficarão lá na África, como legado brasileiro.

Mas já que no Planeta da Bola, a inédita Espanha faturou a Taça na Copa do Mundo aqui vai nossa homenagem a campeã. O destaque deste post é para uma fabricante espanhola de carrocerias, que atua antes mesmo de o ônibus se tornar popular no mundo.

A história da Irizar no Brail revela que o País tornou-se um mercado interessante para grandes fabricantes internacionais de ônibus. Além disso, mostra os problemas enfrentados pelo setor com a maxi-desvalorização do Real e a necessidade cada vez maior, frente às instabilidades econômicas, de as encarroçadoras não só se concentrarem no mercado local, mas já pensarem em ser exportadoras dos produtos brasileiros. É também um exemplo mundial de cooperativismo no setor de produção de ônibus.

A Irizar é de Ormaiztegi, região basca ao norte da Espanha. Até o início dos anos de 1990, as vendas se resumiam à própria Espanha, mais Itália, França e Israel. A diretoria decidiu que era hora de expandir os negócios para novos mercados. Foram analisados países que davam prioridade ao transporte rodoviário, o que representaria demanda por carrocerias de ônibus, e cujas malhas ferroviárias eram pouco expressivas ou subaproveitadas. A primeira fábrica da Irizar fora da Europa foi na China, em 1994, mas a empresa foi acionista minoritária no próprio empreendimento, pois as leis do país obrigam que, em qualquer empresa de capital internacional, o governo detivesse 51% das ações. Logo em seguida, foi aberta uma fábrica no Marrocos, ao norte da África.

GARCIA 7815 IRIZAR PB SCANIA

O Brasil entrou nos planos da encarroçadora em 1997, quando desembarcaram os primeiros executivos no País. Para divulgar os produtos, a empresa trouxe três ônibus europeus, comprados pela Viação Garcia, com Chassi Volvo, pela Tranbrasiliana, com Chassi Scania, e para a São Manoel, que usou um chassi Mercedes Benz. A idéia era procurar um parceiro nacional. Depois de várias ofertas foi firmado acordo com a Caio. A planta da Irizar foi instalada ao lado da parceira, na verdade, na desativada fábrica de matérias de fibra de vidro da Caio. Nesta época, não havia cercas e divisões entre as duas empresas.

O primeiro modelo produzido pela Irizar no Brasil foi o rodoviário de luxo Century, apresentado na Expobus de 1998. O veículo chamou a atenção pelo seu desenho e materiais inovadores. Depois foram fabricados outros modelos, como o Intercentury, em 2001, um modelo mais simples para linhas de menor distância e serviços de fretamento. Em 2007, houve um aperfeiçoamento do modelo, que foi dividido em duas categorias, Century Luxury e Century Semiluxury. Antes do lançamento da maior parte destes modelos, porém, a Irizar teve de aprender a se virar sozinha no mercado brasileiro. A crise que afetou a Caio, levando-a à falência em 2000, fez com que a parceria se encerrasse.

Em 1999, a Irizar no Brasil sofre outro susto: em janeiro, o Real sofreu uma desvalorização de 40%. O preço dos ônibus tiveram de ser reajustados principalmente quando se usava peças importadas. O mercado interno desaqueceu. Isso acelerou os planos da Irizar para exportar os produtos feitos no Brasil. Os demais mercados latinos estavam mais aquecidos e a desvalorização monetária tornava os produtos brasileiros mais atraentes para os compradores externos.

Chile, Uruguai e República Dominicana foram os primeiros compradores internacionais de ônibus brasileiros da Irizar. No ano 2000, a demanda européia registrou forte aumento. Para dar conta, a empresa mandava para o “Velho Continente” ônibus produzidos no Brasil. Em 2003, os produtos da Irizar do Brasil chegaram ao continente africano. A precoce onda de exportações deu versatilidade e credibilidade à marca Irizar no mercado interno, que sofria com boatos espalhados pela concorrência sobre a durabilidade dos ônibus e a manutenção da empresa no Brasil.

A empresa começou a sentir os frutos dos investimentos no Brasil em 2005, quando houve crescente procura por seus produtos. Um dos principais marcos da Irizar no Brasil foi o lançamento, entre 2008 e 2009, do modelo topo de linha, PB. As primeiras unidades foram adquiridas pela Viação Garcia, do Sul do País. O Irizar PB já tinha sido lançado na Europa em 2001, e mais uma vez chamou a atenção dos brasileiros pelo desenho diferenciado e os acessórios de luxo, como disposição de equipamentos e poltronas anatômicas exclusivas.

O início da Irizar no Brasil teve comando de Fabián Berridi passando em 2001 para Gotzon Gómes. A empresa surgiu na Europa, em 1889, fazendo carruagens de luxo para passageiros. Nos anos de 1910, começou a se dedicar a fazer carrocerias para ônibus. O nome Irizar é da família fundadora, mas desde os anos de 1950 pertence à cooperativa de seus funcionários. Cada trabalhador da planta espanhola, independentemente do cargo, tem a mesma cota de ações na empresa. No Brasil, o modo de gestão se assemelha ao da Espanha. Em 2008, a Irizar figurou no ranking das 150 melhores empresas para se trabalhar no Brasil, feito pela Revista Exame.

Uma campeã, assim como a seleção da Espanha.

Adamo Bazani é jornalista da CBN, busólogo, apaixonado pela Copa e mais ainda pela Shakira

A FIFA encurralada

 

Por Carlos Magno Gibrail

Mexicanos reclamam erro em favor da Argentina

Em tragédia anunciada, a FIFA marcou um evento em Pretória na segunda-feira para árbitros e convidou a imprensa para conversar e também aprender a analisar impedimentos.

Na véspera, domingo, 27 de junho de 2010, os dois jogos marcados para as oitavas de final apresentaram erros gritantes, inclusive de impedimento, a olho nu. À sistema eletrônico, nem se discute.

Em Inglaterra x Alemanha depois do primeiro gol alemão com impedimento não anotado, a Inglaterra marcou seu gol de empate quando perdia de 1×2, com a bola entrando 33 cm além da linha do campo, que o árbitro não validou.

Poucas horas após, no jogo Argentina x México, Tevez assinala um gol argentino completamente impedido. Com direito a repetição no telão do estádio.

A Inglaterra, prejudicada agora, beneficiada em 1966, certamente mudará de postura, pois no International Board, órgão incumbido de discutir e aprovar os recursos eletrônicos, do qual participam o País de Gales, a Escócia, a Irlanda e a Inglaterra, os ingleses e irlandeses foram contra o uso de qualquer meio eletrônico para tirar dúvidas.

Beckham e seus compatriotas devem ir adiante, assim como o jornalista escocês Andrew Jennings está há anos denunciando as peripécias da FIFA, e que agora começam a tomar um tom mais grave dada a coerência das incoerências nas estratégias utilizadas.

Jennings, em entrevista à jornalista Flavia Tavares sugere o encurralamento em função da força do futebol brasileiro, e denuncia o motivo da chamada que a FIFA deu no Brasil sobre as futuras obras para a Copa 2014:

Uma fonte havia me dito que Valcke e Ricardo Teixeira tinham tirado férias juntos, estavam de bem. Então, o que está por trás dessa gritaria? É pressão para o governo brasileiro colocar mais dinheiro público nas mãos da CBF. Mundialmente, as empreiteiras têm envolvimento com corrupção. Dá para sentir o cheiro daqui.

É o que já está acontecendo com a Copa de 2014. Qualquer brasileiro com mais de 10 anos sabe que a corrupção já está instalada. Por que ninguém faz nada?

E, para a ocasião das eleições, um recado:

O que me deixa enojado é que os líderes dos países – o primeiro-ministro britânico, o presidente Lula e todos os outros – façam negócio com essas pessoas. Eles deveriam lhes negar vistos, deveriam dizer que não querem se relacionar com dirigentes tão corruptos. E tenho certeza de que, se os governantes se voltassem contra a corrupção da FIFA, teriam apoio maciço dos torcedores/eleitores”.

Tudo indica que as coisas começam a mudar, e as facilidades encontradas pela FIFA serão coisas do passado, pelo menos por parte da mídia e da opinião publica.

A revista CARTA CAPITAL, traz entrevista de Jennings feita por Paolo Manso, em que acusa e aponta provas contra Havelange, Teixeira e Blatter. Sobre João Havelange e Ricardo Teixeira, em resposta à pergunta qual o resultado da chegada de ambos à FIFA e à CBF:

Um “boom” de corrupção! A imprensa suíça escreveu que Havelange e Teixeira embolsaram a maior parte das propinas.

As propinas pagas pela FIFA apenas nos anos 90 são estimadas pelo Tribunal de Zug na Suíça em aproximadamente 100 milhões de dólares.

Andrew Jennings fala sobre quando tudo começou:

Em 1976, o então presidente da entidade, o britânico Sir Stanley Rous, foi deposto. Ninguém podia corromper Stanley. Em seu lugar entrou o brasileiro João Havelange, que era muito corrupto. Foi ele que inaugurou o “sistema”, recebendo propinas via ISL.

São Paulo como sede da Copa 14 provavelmente centralizará ações que irão confirmar ou não as suspeitas das interferências políticas e financeiras em benefício de poucos, e em detrimento de todos. Um dos membros de Teixeira, Marco Polo Del Nero, já voltou da Cidade do Cabo, mas parece que foram ostras estragadas que o trouxe mais cedo.

O ministro dos esportes parece confirmar as preocupações de Jennings, pois escreveu na Folha de segunda artigo defendendo a “construção de um novo estádio à altura de São Paulo”.

A competência demonstrada pela FIFA, a partir de Havelange, no aspecto mercadológico é agora colocada em cheque e em choque quanto à transparência operacional, financeira, gerencial e moral.

A Copa 2010 evidencia falha grave na bola e na arbitragem, itens básicos da base do futebol. Permitir à Adidas tudo, e não permitir à arbitragem nada, é má-dministração ou má-fé.

Fabricar uma bola em que o maior goleiro do mundo em seu primeiro contato já detecta a similaridade com produto de supermercado, é simplesmente falta de tudo. Como sabemos a USP confirmou a avaliação de Julio César, informando que as costuras a menos impedem a circulação do ar, aumentando a sua resistência e ocasionando mudança de direção.

Imprensa e torcedores/eleitores, ao que tudo indica começarão a agir. É o que começamos a fazer. E, acuado, Joseph Blatter também. Informou, ontem, ao pedir desculpas à Inglaterra e ao México, que irá reabrir o processo sobre o uso da tecnologia. Ao mesmo tempo em que se sentindo ameaçado pela interferência de Nicolas Sarkozy no futebol francês, tornando o mau desempenho na Copa assunto de Estado, advertiu publicamente o governo francês.

Quem sabe uma nova Revolução Francesa não estará a caminho?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Cético e entusiasmado, o Brasil no voo para o Hexa

 

O aeroporto na Cidade do Cabo estava vazio para suas dimensões. E cheio de torcedores brasileiros a caminho de Johannesburgo. Eram 10 da manhã, e a partida do Brasil seria apenas às oito e meia da noite, hora local. Um deslocamento tranquilo e tenso, ao mesmo tempo. Com check-in sem estresse e voo na hora certa, a apreensão ficava por conta do que aguardaria a seleção no estádio Ellis Park, na disputa pela vaga nas quartas-de-final.

Para completar este cenário de contradições, eu com mala em punho seguia o mesmo caminho que eles, passaria por Johannesburgo, mas não assistiria ao jogo. Nem mesmo na televisão. Estaria a bordo de outro avião tomando o rumo que a nossa seleção só pretende seguir depois do dia 11 de julho: São Paulo.

Duas horas e meia depois de deixar a cidade em que morei nos últimos 21 dias, estava em Johannesburgo e do futebol consegui assistir apenas a alguns minutos da vitória da Holanda na Eslováquia. Suficiente para enxergar o meio-campo Arjen Robben comandando os Laranjas e tocando bola com uma categoria reservada a poucos. Fui saber da classificação holandesa pelo comandante do voo que ao anunciar em um “inglês-africano” o placar foi recepcionado com um leve murmurinho dos passageiros. Ninguém ali parecia preocupado com esta partida.

No ar, restava fechar os olho e esperar que após duas, duas horas e meia, o comandante fizesse novo anúncio. De preferência, a vitória do Brasil. Não consegui dormir. Passei a lembrar daqueles torcedores animados do aeroporto. Um grupo se organizava para vestir a enorme camisa coletiva fabricada em verde e amarelo com o nome do Brasil a frente. Três outros levavam uma imagem de Ronaldinho Gaúcho: “se o Dunga não chama, a gente convoca”. A menina que encerrara seu compromisso no Cabo e deveria voltar ao Brasil conosco ficou exultante ao saber que havia um brasileiro vendendo ingresso para o jogo por U$ 200, bastaria descer na escala em Johannesburgo, remarcar o voo e torcer para que as malas já despachadas chegassem, sozinhas, com segurança a São Paulo.

Todos repetiam o que parece ser um mantra do torcedor brasileiro: “rumo ao Hexa”.

Passavam das 10 e meia da noite, jantar servido, serviço de bordo realizado, quando meu silêncio foi interrompido pela voz no alto-falante: “Ladies and Getlemen: Brazil 3, Chile 0, Brazil qualified for the last 8 of the World Cup”. Gritos e aplausos tomaram conta do voo 224 da South Africa. E eu pude dormir tranquilo sabendo que mais uma vez se confirmava a superioridade brasileira nesta Copa.

O desembarque no Brasil foi depois das 11 e meia da noite, em um aeroporto de Guarulhos ainda mais vazio do que aquele que deixei na Cidade do Cabo. Apenas não tão bonito, muito menos moderno.

Assim que matei a saudade com abraços e afagos, passei a receber um relatório completo sobre o que foi a partida, a partir dos dois analistas mirins que tem me municiado de avaliações técnicas e emocionais durante esta Copa:

“Juan, Robinho e aquele número 9 fizeram os gols”, disse o mais velho. “Precisa ver o que o 9 (eles esquecem o nome composto de Luis Fabiano) fez, pegou a bola assim, cortou pra cá, tirou o goleiro e chutou no gol”, comentou o mais novo desenhando com as mãos toda a jogada do nosso goleador. “Gostei mais do Robinho, ele soltou a perna”. “Legal foi a barreira que os amigos fizeram para o Juan cabecear”, e eles se colocaram lado a lado para mostrar o posicionamento na cobrança de escanteio. “Foi mais de 50 quilômetros por hora a cabeceada que ele deu”. Nesta altura já não sabia mais quem contava o quê. Todos queriam mostrar seu entusiasmo com a vitória sobre o Chile de Bielsa: “o cara não parava no banco, se agachava, virava a cara, bufafa, e ele colocou três atacantes”.

Hoje pela manhã, acordei cedo pra ver os lances da vitória brasileira e ouvir a avaliação dos críticos sobre o futebol jogado pelo Brasil. Do ufanismo que cega ao pessimismo que despreza, havia um pouco de tudo à disposição na TV e nos jornais.

Na dúvida, resolvi pedir ajuda a Marcão, torcedor sofrido do Brasil que tem acompanhado o jogo com os meus dois comentaristas de plantão e que apesar de estar feliz por ter ganhado uma Jabulani de presente ficou cabreiro com a vitória: “Tô lembrando do Maguila que batia em todo mundo, mas quando pegou um cara bom mesmo, se entregou”, referência ao lutador de boxe sucesso por aqui, mas que beijou a lona quando encarou gente grande como Evander Holyfield (1989) e George Foreman (1990).

A alegria dos meninos e o ceticismo do Marcão são sentimentos que parecem uma contradição, mas que se completam e têm ajudado o Brasil a construir seus resultados nesta Copa. Que sigam juntos, assim, até o Hexa.

Árbitros, erros e trapalhadas no caminho do Hexa

Direto da Cidade do Cabo

O Brasil estará em campo na disputa por uma vaga nas quartas-de-final enquanto eu estarei em um avião no caminho de volta pra casa, duas semanas depois de ter desembarcado na África do Sul. Dunga terá todo seu time à disposição ao que parece, com o retorno de Kaká, insubstituível mesmo combalido, Elano, imprescindível neste momento, e Robinho, imbatível quando se solta a driblar. O treinador vive o melhor dos cenários, comparado a colegas de profissão, despachados mais cedo ou com times sem capacidade para ficar entre os 16 melhores.

De todas as seleções que apareceram até aqui, boa parte da crítica esportiva, fora do País, concorda que o Brasil é das mais equilibradas – outras equipes tem um ou outro setor em destaque – e segue firme e forte entre os candidatos ao título. Mesmo o baixo rendimento do jogo anterior, prejudicados que fomos pelas mudanças por suspensão ou exaustão, mostrou que o time pode segurar ataques fortes e atrevidos.

O Chile é um adversário curioso, pois apesar de seus bons momentos aqui na Copa e mesmo nas Eliminatórias sofre ao saber que terá de pegar o Brasil pela frente. Foi goleado na ida e na volta (3×0 e 4×2) na disputa sul-americana. E Bielsa terá de ter muito mais do que arrojo e competência para ganhar da seleção brasileira, apesar de alguns de seus jogadores apontarem suposta fragilidade da nossa defesa.

Hoje, vimos o que pode acontecer com uma equipe que respeita além da conta seu adversário. E me refiro ao México que, apesar de prejudicado pelo árbitro, visivelmente, temia a força argentina.

Nosso favoritismo, porém, não nos dará o direito de errar. O futebol jogado nesta Copa e a estratégia montada pelos treinadores têm demonstrado que o espaço para construir é cada vez mais escasso. O ato de destruir tem privilégio nos esquemas táticos e, assim, fica-se a espreita da bola mal cortada, do passe irresponsável, da falta próximo da área, do vacilo do goleiro ou de alguma artimanha da jabulani.

Soma-se a isto o erro dos árbitros, fundamental nos dois resultados desse domingo, a começar pela conquista alemã. A seleção da Inglaterra não tinha futebol suficiente para superar a Alemanha, mas se o gol legítimo tivesse sido sinalizado as dificuldades da equipe de Joachim Low seriam muito maiores.

Dunga e o Brasil mostraram que sabem encarar estas situações e têm dado poucas chances ao adversário. Portugal, o mais habilitado, não alcançou nada além de um empate contra uma seleção desmontada em seu meio-campo pelos motivos que já conhecemos. Por isso, não se arrisca nenhum resultado que não seja o da vitória, com direito a classificação a fase seguinte.

É provável que somente saiba do placar quando estiver a bordo do avião. Não terei o direito de torcer pela bola chutada por nossos atacantes ou secar o avanço chileno contra o gol de Júlio César. Fico com a impressão de que não terei como ajudar o Brasil neste desafio. Pura pretensão de torcedor, sem dúvida. Pois nada do que façamos lá fora é suficientemente maior do que os jogadores podem aprontar em campo. Ou o que podem aprontar com eles.

Que a seleção brasileira jogue o futebol para o qual está capacitada e foi preparada. E que esteja livre destes árbitros trapalhões no caminho do Hexa.

Jogadores de futebol e seus uniformes maravilhosos

 

Por Dora Estevam

Foto Colagem

Os uniformes fazem show à parte na Copa.

É impressionante a explosão de cores das camisas e shorts, da roupa dos goleiros, e das chuteiras. Estas são maravilhosas nas cores fluo: verde, amarelo, azul, laranja …

Escadalosas de lindas.

foto 2 chuteira

Quem dera se no dia-a-dia os homens saíssem assim com uma peça de cada cor no corpo. Mesmo em uma ocasião menos formal é bem difícil encontrar estas combinações. Inspire-se, pois para os jogadores do esporte mais popular do mundo elas estão caindo muito bem.

Pelé, dia desses, comentou que no tempo dele não havia vuvuzela nem chuteira cor de rosa, se referindo ao colorido que chamou sua atenção – mas parece que não lhe agradou. É que no tempo dele bastava jogar muito bem futebol.

Segundo fabricantes, a ideia é fazer a cor e o modelo da chuteira saltarem aos olhos do telespectador em close na TV, e de carona surge a marca. Uma estratégia que dá resultado em campo e retorno de marketing.

FOTO 3 GOLEIRO

Os uniformes foram desenhados de acordo com os padrões físicos dos jogadores. Teve marca que não pensou apenas em tecido fashion, mas também que desse vibração maior ao craque. Se a técnica empregada funciona não sabemos, mas que ficou bonito, ficou.

Esta fusão do esporte com moda gera muita publicidade para os jogadores (os mais belos, em especial) e para as marcas mais famosas do mundo. Cristiano Ronaldo e Kaká são modelos Armani para underwear e relógios. E até mesmo o troféu ganha mala especial, Louis Vuitton.

FOTO 5 MILÃO

Já que estamos falando de moda, se você se entusiasmou com as cores dos uniformes e acha que no próximo verão vai poder vesti-las, pode começar a guardar as camisas. A tendência apresentada na Semana de Moda de Milão, masculina, para o verão 2011, teve muito modelo colorido. 

Mesmo com todas essas cores, os estilistas apostam em propostas sóbrias com sapatos com solado branco, e paletós ajustados e com algumas estampas, também. São combinações que tem tudo para dar errado, mas vou confiar no seu bom gosto que saberá jogar uma dessas peças coloridas com um belo jeans, mistura que sempre funciona.

A regra, como diria o outro, é clara: vista uma ideia simples e usável. E, com certeza, você vai se transformar em um craque da moda.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

O pebolim estava mais emocionante

Direto da Cidade do Cabo

Brasil e Portugal no pebolim

O melhor do Brasil foi Dunga.

Explico, antes que alguém pense que fiquei louco, afinal, das três substituições que fez, as duas primeiras não funcionaram e, ainda, impediram que a terceira desse certo.

Júlio Batista estava mais perdido que cusco em procissão, corria pra cá, se movia prá lá, e não sabia o seu papel em campo. Daniel Alves entrou em campo disposto a enfiar um canudo nos portugueses de qualquer jeito e esqueceu que futebol é coletivo, tem mais gente doida pra marcar e mais bem colocada para tal.

Nilmar que substituiu Robinho, poupado devido a lesão, bem que tentou fazer alguma coisa, deu o chute mais perigoso do Brasil após uma bola que o Luis Fabiano não-tocou pra ele. A ideia era outra, mas chegou no lugar certo. É o que interessa. Pena o goleiro português ter feito o papel dele tão bem

Nosso goleador e Nilmar, porém, foram vítimas do meio campo sem criatividade, que se movimentava menos que time de pebolim, apesar de algumas tentativa sem sucesso. Verdade seja dita, a defesa de Portugal que, além dos quatro de trás, ainda recebeu o reforço de mais cinco meio campistas, deixando apenas Cristiano Ronaldo para as bolas sorteadas lá na frente, também não se mexia. Resultado: nada.

Os portugueses jogaram o primeiro tempo pra garantir a segunda vaga, e o segundo pra conquistar a primeira. Os brasileiros jogaram para vencer, ou melhor, queriam jogar para vencer, mas não havia gente capacitada.

O legal foi confirmar que Júlio César é o melhor goleiro do mundo, pois todas as vezes que é exigido atende nossas expectativas. Hoje, por duas vezes, fez o que o pessoal da marcação não havia conseguido: tirar a bola dos pés dos atacantes portugueses.

Por falar nos nossos defensores, se houve uma jogada emocionante no segundo tempo foi o quase carrinho de Lúcio, dentro da área brasileira, que cortou as pretensões de Cristiano Ronaldo em uma das muitas escapadas que deu. Apesar de que o Lúcio, esse sim, poderia ter ficado cravado lá atrás como a linha de defesa em time de pebolim. Às vezes, ele resolve se mandar pra frente com a bola nos pés e fica parecendo caminhão sem freio descendo a ladeira, desgovernado.

Mas vamos a justificativa para a primeira afirmação deste texto.

Na entrevista, após o empate com Portugal, Dunga disse que Robinho fez mais falta porque é driblador e sabe aproveitar os espaços curtos, comentou que a seleção insistiu muito em tocar bola na área mais congestionada do campo e falou que o futebol do Brasil precisa evoluir em relação ao que fez até aqui nesta Copa. O que justifica sua irritação ao lado do campo. Em uma partida na qual ninguém foi além da média, ao fazer a leitura correta do jogo, Dunga cumpre bem sua tarefa.

De minha parte, vou continuar assistindo ao jogo de pebolim disputado por torcedores brasileiros e portugueses aqui no Village Terra, em Cidade do Cabo, muito mais emocionante e disputado do que o Brasil e Portugal que assistimos, nesta sexta-feira.

Uma nova dimensão para o futebol do Brasil

Direto da Cidade do Cabo

Torcedor confia na vitoria contra Portugal

Torcedor confia na vitoria contra Portugal

Uma das atrações desta Copa é a transmissão em terceira dimensão por emissoras de TV confirmando um casamento antigo no qual tecnologias inovadoras nos são apresentadas tendo como atração o Mundial de futebol. Há dois dias, tive oportunidade de assistir ao compacto da vitória do Brasil sobre a Costa do Marfim em um aparelho destes, à disposição em um shopping da Cidade do Cabo. Somos obrigados a colocar um óculos, não muito cômodo, diga-se, caso contrário o que teremos é um jogo sem foco, parecido com aquelas televisões nas quais se enrolava um bombril na antena para captar melhor a imagem – ou com o futebol apresentado pelos franceses, compararia algum crítico da crônica esportiva.

Assim que nos posicionamos diante da tela e com óculos a postos, o espetáculo muda. Mais nítido do que aquele que vemos das arquibancadas dos estádios brasileiros. Nas imagens, o torcedor por trás da cena e os jogadores se deslocando parecem estar ao nosso alcance. Oferecem uma noção de profundidade que nos permite avaliar bem a distância do atacante para o gol.

O corredor que Luis Fabiano encontrou entre os zagueiros para receber o passe de Kaká e a visão que tinha para encher o pé contra o goleiro marfinense são nítidos. O duplo chapéu dele nos defensores fica ainda mais belo gravado naquele formato. Tem-se ideia da lucidez do atacante ao encontrar por cima da cabeça do marcador o caminho para deixar sua marca nesta Copa. Um gaiato ao meu lado chegou a dizer que até parecia haver alguma distância entre a bola e o braço que ele teria usado para facilitar as coisas.

Fico imaginando o que seria a imagem em 3D do terceiro gol do Japão no fim da rodada dessa quinta-feira com o drible malandro de Keisuke Honda que diante de um goleiro apavorado teve tranquilidade para servir Shinji Okazaki e deixar o gol aberto e livre para o companheiro fechar a vitória que classificou os japoneses às oitavas de final.

O chute distante do italiano Quagliarella sobre uma área congestionada de eslovacos que alcançou o gol pode não ter sido suficiente para impedir o vexame de os campeões mundiais serem desclassificados ainda na primeira fase, mas deve ter proporcionado um lindo momento para as câmeras que captam os lances em 3D.

No jogo visto nesta dimensão temos impressão que fomos convidados para a festa, mesmo longe do estádio. E, assim, nos tornaremos ainda mais exigentes em relação ao show que nos será apresentado.

Verdade que o futebol mundial evoluiu tanto quanto a tecnologia.

Para se ter ideia, as 12 seleções mais velozes desta Copa aceleram acima dos 30 km/h em uma partida. O México, segundo na sua chave e primeiro em velocidade, bate a casa dos 32 km/h, enquanto o Brasil, o quinto mais rápido, chega a marca de 30,75 km/h.

Se tiver interesse confira no site da Fifa, também, a quilometragem percorrida pelos jogadores. O alemão Sami Khedira, líder na estatística, já rodou 35 km em três jogos. Todos estes números são o dobro dos registrados na época da TV em preto e branco.

O problema é que enquanto a evolução da televisão foi na qualidade, a do futebol foi na força e velocidade.

Aprendi com meus colegas do Portal Terra que o que assistimos nesta Copa são equipes com algo que os especialistas chamam de futebol concreto. É um jogo mais objetivo, sem floreio, pois a marcação forte e veloz não dá tempo para o jogador pensar. Um, dois, três toques no máximo para que se encontre uma boa solução em campo. É preciso muita disciplina tática para atender os padrões atuais.

A criatividade tem ficado em segundo plano.

Espero que, nesta sexta-feira, a seleção brasileira, mesmo sem seu principal nome, Kaká, e com a ausência de Elano, autor de dois gols até aqui, seja capaz de mostrar novamente a sua superioridade em relação a boa parte dos adversários desta Copa. Com um futebol que respeita as regras atuais, equilibrado em seus diferentes setores, forte na marcação, disposto a chegar com a bola no chão até a área inimiga e sempre pronto a nos surpreender com um lance particular.

Um Brasil capaz de nos presentear com um futebol de outra dimensão.

A justiça se faz nesta Copa (até aqui)

Direto da Cidade do Cabo

Bandeira francesa em liquidação na Cidade do Cabo

Bandeira francesa em liquidação na Cidade do Cabo

A justiça não é uma máxima do futebol, haja vista as eternas e amadas seleções que não venceram as Copas para as quais eram favoritas. A Hungria na Suiça, em 54, o Carrossel Holandês na Alemanha, em 74, e o Brasil de Telê na Espanha, em 82, são exemplos do que escrevo.

Aliás, o futebol não foi inventado para que houvesse justiça, haja vista o fato de ser dos poucos esportes em que o time inferior tem quase a mesma possibilidade de vencer que o superior. Quantas vezes sua equipe, a melhor de todas, perdeu o jogo dito imperdível, saiu fora de uma competição após o tropeço contra uma agremiação insignificante.

Apesar disso, é da justiça que o futebol nos ofereceu até esta altura da Copa que irei escrever neste espaço.

O gol emocionante aos 46 minutos do segundo tempo, marcado por Donovan que classificou os Estados Unidos às oitavas de final, foi mais do que justo. Registre-se, quem diz isso foi autor de um texto neste mesmo blog no qual comentei que havia torcido pela Inglaterra contra os americanos porque afinal de contas os EUA não podem ganhar em tudo.

Na partida seguinte contra a Eslovênia, após estarem perdendo por 2 a 0, o time de Bob Bradley e sua cara de Steve Jobs não apenas conseguiu empatar de maneira espetacular como teria virado, não fosse a intervenção indevida do árbitro que inventou uma falta dentro da área no momento do gol. Outro erro na arbitragem impediu que os EUA saíssem na frente contra a Argélia e quase os deixou fora da Copa. Noventa e um minutos e 22 bolas chutadas a gol depois, a justiça se fez. E o chute de Donovan entra para a galeria de gols sensacionais.

E como o assunto é justiça, não posso deixar de citar a França. Alguém dirá que a seleção de Raymond Domenech e sua cara de não-fede-nem-cheira sequer teria de ter passaporte para a África do Sul, pois precisou de um lance irregular para ganhar sua vaga nas eliminatórias europeias. Depois de assistir ao vexame dos franceses nesta Copa, fiquei pensando na peça que o destino havia pregado a eles. Deixou que viessem, chegassem aqui com jeito de menino malandro que enganou os outros para, então, serem punidos diante dos olhos do mundo com os péssimos resultados dentro e fora de campo.

A vitória de Gana, mesmo perdendo seu último jogo para a Alemanha, torna justa a presença africana nesta Copa. O time de Milovan Rajevac e sua cara séria e sérvia era considerado o melhor do continente e, provavelmente, será o único a representá-lo nas finais do Mundial feito para a África, oportunidade para que o povo daqui siga acompanhando e vibrando com os jogos de futebol. Hoje era tocante, nos restaurantes e nas ruas, ver os africanos da África do Sul, os africanos de Angola, os africanos da Nigéria, enfim, os africanos de toda África comemorarem cada lance dos ganenses. Diferentemente da rivalidade que existe entre os países sul-americanos.

Assim como a classificação de Gana é justa, coloca o continente em seu devido lugar no cenário mundial. Por questões políticas, Joseph Blatter inchou a participação da África no futebol, ofereceu à região cinco vagas na Copa, além do próprio país-sede. Não mereciam tanto e a maioria tinha de ficar pelo caminho mesmo. A América do Sul de futebol superior tem quatro vagas à disposição e uma disputada na repescagem, por onde o Uruguai entrou.

Se é injusto este desiquilíbrio, a presença de um africano na sequência da Copa é boa para a competição e para a África, lógico.

E a África do Sul? Primeiro país-sede a deixar a competição ainda na primeira fase? Isto é justo para um povo que investiu tanta alegria no futebol? O time de Carlos Alberto Parreira e sua cara de Ronald Golias não tinha força para ir muito além, mas se despediu da Copa com uma vitória sobre a França, e isto ofereceu aos sul-africanos um sabor especial. Hoje, ainda, os jornais daqui fizeram manchetes destacando o orgulho desta conquista.

Argentina e Coreia do Sul, no Grupo A; Uruguai e México, no B; EUA e Inglaterra, no C; Alemanha e Gana, no D; além de Holanda no E e Brasil no G; são as seleções que já estão na próxima fase da Copa do Mundo. E pelo que apresentaram nesta primeira fase, não tenho medo de afirmar que o futebol foi mais do que justo até aqui.

Ainda faltam seis vagas para serem decididas. E estou curioso para saber se a justiça ainda vai prevalecer nesta Copa do Mundo. Vamos ver o que os Deuses do Futebol nos reservam. Não, melhor, não. Essa coisa de misturar Deus com futebol, ultimamente, tem dado muita controvérsia. Esta, aliás, uma briga pouco justa.

O que levar da Cidade do Cabo

Direto da Cidade do Cabo

Cidade do Cabo da Table Montain

A beleza intransferível da Cidade do Cabo seria o melhor que teríamos para levar daqui para São Paulo, pensei logo que a Fabíola Cidral perguntou-me sobre o assunto durante o CBN São Paulo, desta terça-feira. Fui injusto com certeza com esta que é a mais europeia das cidades sul-africanas, pois uma atenção maior no entorno e veremos que há muito mais do que a natureza ofereceu.

A limpeza do Cabo chama atenção, mesmo com a cidade tomada de turistas desde o início do mês. São milhares deles desfilando todos os dias, em especial no Waterfront, sem que deixem espalhados pelas calçadas suas marcas. Tive a curiosidade de perguntar a moradores daqui se a situação se devia aos cuidados para a Copa do Mundo e estes me garantiram que a vida por aqui é assim.

Desconhecem a Lei Cidade Limpa, pois é possível encontrar nas empenas dos prédios alguns anúncios publicitários. A poluição visual, porém, é imperceptível, talvez resultado do respeito que têm pela paisagem da cidade, desenhada pela Table Mountain e a baía logo em frente. Mesmo as lojas não usam luminosos extravagantes e na rua principal, Long Street, se esforçam para manter o cenário do passado, com balcões de arquitetura vitoriana que se estendem sobre as calçadas.

Cidade do Cabo

O desrespeito arquitetônico mais gritante está no pé da montanha, onde uma empresa de construção usou de uma brecha na legislação para levantar três torres absurdas que rasgam o visual da cidade. Exageraram tanto que chamaram atenção dos locais e as autoridades foram obrigadas a impedir que a construção seguisse para cima. Foi concluída, está em funcionamento, mas é uma vergonha viver ali.

Hoje pela manhã, encontrei com o jornalista Daniel Piza, do Estadão, que foi nosso colega na CBN, também. E ele me alertou para outro fator interessante que muitas vezes passa despercebido de nossos olhos: a organização nos pontos turísticos. Comparamos a subida a Table Mountain, feita por um teleférico, e a subida ao Corcovado, no Rio de Janeiro, que já havia sido motivo de queixa de um artista chileno que conheci. Aqui, chegasse aos 1.000 metros de altura e se tem um enorme parque para andar de maneira segura e rápida para as condições. As filas, apesar de grande, fluem sem cansar, ao contrário das que encontramos na capital fluminense. A estrutura oferecida ao turista também é muito boa.

Isto se repete em todos os demais pontos de visitação.

Cap Bay e Table Montain

Levaria para São Paulo, o respeito que os motoristas tem com as faixas de segurança. Em um trânsito que anda na mão inglesa, principalmente na área turística, o pedestre tem preferência para atravessar as ruas. Aliás, apesar dos problemas alegados para deslocamento, temos um tráfego bem mais ameno que o da capital paulista, pois falamos de uma cidade com 1,3 milhão de moradores que vivem em um extensa área geográfica, o que faz com que a densidade demográfica seja baixa, muito diferente de São Paulo.

Falaria, também, do respeito aos ciclistas, fator que presenciei nos primeiros dias de visita à cidade, porém ouvi queixas de brasileiros especializados no tema que estiveram por aqui. Renata Falzoni, por exemplo, disse que correram riscos ao encarar ruas e avenidas da cidade. Na dúvida, que levemos apenas o que eu vi e deixemos por aqui o que ela identificou.

A reclamar o serviço de táxi, bastante precário, apesar de termos encontrado motoristas sempre simpáticos e perdidos. Sim, eles pouco conhecem a cidade, parece que desembarcaram por aqui dias atrás para faturar com o movimento da Copa. Aliás, não só parece, pois é o que acontece com vários prestadores de serviço.

Torcedores na Cidade do Cabo

Deixemos por aqui, também, a violência que impera nesta sociedade. Mas São Paulo também é muito violento ? Índices comparados, a taxa de homicídio na capital paulista é metade da que encontramos na Cidade do Cabo. A insegurança, aliás, leva os restaurantes a manter hábito estranho para nós, às 11 horas as cozinhas fecham e não servem a mais ninguém. Quem chegou atrasado terá de se virar em algum pub da área turística.

Uma última coisa que gostaria de levar na mala é o clima que tomou conta da cidade neste Mundial, mas para tal teremos, primeiro, que garantir a participação de São Paulo na Copa2014.