Exercício para o cérebro e inspiração para desenvolver senso crítico

 

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Colocar o relógio de cabeça para baixo, escovar os dentes com a mão invertida e tomar banho de olhos fechados. Pode parecer meio estranho — e é mesmo —, mas são exercícios que cientistas propõem para reduzirmos a incidência de Alzheimer e outras formas de demência.

 

A proposta, apresentada pelo Dr Luis Fernando Correia, no quadro Saúde em Foco, dessa quarta-feira, no Jornal da CBN, é desenvolvermos atividades do cotidiano de forma diversa das que estamos acostumados e, por consequência, estimularmos regiões e circuitos cerebrais diferentes do cérebro. Ou seja, conseguiremos manter as conexões entre essas áreas de neurônios —- que não costumam ser exercitadas — funcionando a pleno vapor.

 

 

Veja outras mudanças sugeridas:

 

— Modifique sua rotina matinal; comece por trocar a ordem das atividades que realiza assim que acorda, como tomar banho, vestir a roupa, tomar café e arrumar a bolsa ou mala de trabalho.

 

— Quando reunir a família para uma refeição, troque as posições na mesa; isso mudará seu ponto de vista daquele ambiente.

 

— Procure ler em voz alta ou mesmo escutar alguém lendo para você, isso faz com que circuitos cerebrais diferentes sejam ativados.

 

Correia conseguiu com essas sugestões ao menos estimular os ouvintes do Jornal da CBN, que compartilharam algumas mudanças que já fizeram nos seus hábitos. Tem quem trocou o mouse de lado; tem quem passou a tocar instrumentos musicais com a mão invertida; tem quem goste de caminhar ou correr de costas; tem de tudo um pouco.

 

Diante da intolerância que registramos em comentários e discussões políticas, penso que poderíamos ampliar esse exercício para o campo do pensamento.

 

Por exemplo, antes de elogiar a fala ou a atitude de algum politico que você admira, imagine o que você pensaria se aquilo fosse feito por um adversário político. Da mesma maneira, antes de criticar o comportamento de um adversário político, imagine como você reagiria se fosse do político que você admira.

 

Se feito com honestidade, esse exercício aumentaria nosso senso crítico e tolerância com os que pensam e agem diferentes de nós. Vamos tentar?

Para Sempre Alice: antes que tudo que você conquistou vá embora

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Para Sempre Alice”
Um filme de Richard Glatzer, Wash Westmoreland
Gênero: Drama.
País:EUA/França

 

O filme conta a história de uma renomada professora de linguística em sua luta contra o mal de Alzheimer.

 

Por que ver:
Confesso que só assisti ao filme pois fui intimada por Maria Lucia Solla, que também escreve no blog do Mílton… Caramba, Maria! Realmente precisei dos lencinhos e do chocolate…Mais precisamente, brigadeiro de colher…O motivo que me fez protelar em assistir ao filme, é o mesmo pelo qual o indico. Um dos filmes mais crus dos últimos tempos…Sem enfeites, real, preciso, tocante… Daqueles que te deixam sentindo uma ausência mental por meia hora… Um filme de atriz..

 

A história é fascinante, não por suas surpresas, mas pela maneira como nos expõe a um de nossos maiores medos(ao menos um de meus maiores medos) a invalidez… Ao fim…

 

As vezes me questiono sobre nossas pedaladas na vida(não me refiro à pedalada fiscal não…). Pedalamos para chegar “onde queremos”, profissionalmente, financeiramente, pessoalmente… No filme vemos bem isto quando em uma palestra a personagem diz “tudo que acumulei na vida, tudo que trabalhei tanto para conquistar, agora tudo isso está sendo levado embora. Como podem imaginar, ou como vocês sabem, isso é o inferno. Mas fica pior.”

 

Portando tiro uma conclusão bem clichê disto: vou me agarrar ao presente ao máximo, e vivê-lo intensamente e com a maior alegria que puder!

 

Como ver:
Seguindo a sugestão da Maria Lucia, com uma caixinha de lencinhos e chocolate para te fazer companhia.

 

Quando não ver:
Está em um momento “tarja preta”? Não veja… Assista ao Fabio Porchat ou algo do gênero, valerá mais a pena.

 


Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Escreve sobre cinema e filmes no Blog do Mílton Jung

De memória e da falta dela

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Memória? Sim, assunto corriqueiro no papo com amigos e, pasmem, com filhos e netos.

 

Desço as escadas, decidida, e quando chego lá em baixo: o que é mesmo que eu vim fazer aqui?

 

São mínimos segundos de branco, mas incomodam. Fica um ranço de será?

 

Quem ainda não passou por algo parecido, com certeza vai passar.
Estamos sendo atualizados com uma frequência nunca imaginada, e nossa memória dá sinais de sobrecarga. Vai rateandoo.

 

Mas enquanto tem ainda alguma função, quero contar que ontem assisti a Para Sempre Alice, com Julianne Moore, (que atriz!) por sugestão de um amigo. Bah! Faz muito tempo que um filme não consegue fazer isso comigo. Biba Mello, você concorda comigo? Você assistiu? É um arraso, do começo ao fim, não é?

 

Me organizei: café, água, celular por perto. Acontece que a cada tanto eu punha o filme no pause. Assistia até onde dava para assimilar a emoção, punha no pause de novo e ia fazer outras coisas. Sim, no plural. Aí voltava com um café e um petisco, e lá ia mais uma dose de filme. Assim passei o dia todo.

 

É um filme com efeito prolongado, que desperta sem jogar água fria. Mostra a tristeza e o desalento que tomam conta de uma família, quando a mãe é diagnosticada com Alzheimer precoce. Ela é jovem, tem 50 anos. Não vou contar mais nada, além de que ela é professora/doutora universitária, na área das letras. Apaixonada pelas palavras, vai perdendo uma a uma. Perde o contato com o mundo do modo como o conhecemos. Tudo parece ir se escoando por um ralo.

 

Será que esse é o momento em que superamos a barreira do tempo? Ou é o tempo que se afasta e leva consigo as antigas regras?
Será?

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

De Conselho

Por Maria Lucia Solla

Minha mãe, a conselheiraOlá,

Minha mãe sempre foi, e ainda é, uma mulher diferente. Fazia tudo com arte. Quem ainda tem um dos seus Cristos na Cruz, feitos com corda, sabe do que estou falando. Ou um de seus panôs feitos em veludo, brocado, feltro, seda, com personagens e cenários aplicados, pintados, e bordados com os mais diversos fios e pedrarias.

Quando eu era menina, a gente chamava pai e mãe de senhor e senhora, pedia a benção beijando a mão, e não se metia em assunto de gente grande. Minha mãe não falava dela. Era fechada, mas com o tempo fui descobrindo que veio de uma família muito unida e carinhosa, que era linda e que tinha 17 anos quando se casou com meu pai.

A mamãe nunca foi de muita risada. As mulheres que riam alto ou riam dobrado, ainda causavam estranheza. No caso da mamãe, o recato e a timidez eram regados, e muito bem cultivados, pelo ciúme do meu pai. Seu sangue luso-espanhol era de um homem bonito, alegre, sociável, sedutor, mas dominador e possessivo, entre outras características. O fato é que a minha mãe descobriu, no susto, que casamento pode não ser um conto de fadas. Que pessoas não são metades de uma laranja.

Um belo dia – sim, porque são todos belos – ela se deu conta de que cada um de nós é um universo tão complexo quanto cada galáxia existente neste, e em circuitos ainda maiores e mais complexos. Foi então que resolveu tomar o caminho de Alzheimer. Levou sua mente para outro plano de consciência, mas continua a nos educar, através do silêncio. Se eu pedisse a ela um conselho sobre o que deveria fazer, neste domingo de Páscoa, ela diria: “Vá ver seu filho, sua nora e seus netinhos. Eles precisam de você, e você precisa deles. Isso é vida, filha.” A gente demora mas aprende, mãe. Eu vou.

E você, vai ver alguém importante, hoje?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça “De Conselhos” na voz da autora


Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos revela as coisas de sua vida para que a gente seja capaz de descobrir aquelas que estão fechadas em nossa alma.