De memória e da falta dela

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Memória? Sim, assunto corriqueiro no papo com amigos e, pasmem, com filhos e netos.

 

Desço as escadas, decidida, e quando chego lá em baixo: o que é mesmo que eu vim fazer aqui?

 

São mínimos segundos de branco, mas incomodam. Fica um ranço de será?

 

Quem ainda não passou por algo parecido, com certeza vai passar.
Estamos sendo atualizados com uma frequência nunca imaginada, e nossa memória dá sinais de sobrecarga. Vai rateandoo.

 

Mas enquanto tem ainda alguma função, quero contar que ontem assisti a Para Sempre Alice, com Julianne Moore, (que atriz!) por sugestão de um amigo. Bah! Faz muito tempo que um filme não consegue fazer isso comigo. Biba Mello, você concorda comigo? Você assistiu? É um arraso, do começo ao fim, não é?

 

Me organizei: café, água, celular por perto. Acontece que a cada tanto eu punha o filme no pause. Assistia até onde dava para assimilar a emoção, punha no pause de novo e ia fazer outras coisas. Sim, no plural. Aí voltava com um café e um petisco, e lá ia mais uma dose de filme. Assim passei o dia todo.

 

É um filme com efeito prolongado, que desperta sem jogar água fria. Mostra a tristeza e o desalento que tomam conta de uma família, quando a mãe é diagnosticada com Alzheimer precoce. Ela é jovem, tem 50 anos. Não vou contar mais nada, além de que ela é professora/doutora universitária, na área das letras. Apaixonada pelas palavras, vai perdendo uma a uma. Perde o contato com o mundo do modo como o conhecemos. Tudo parece ir se escoando por um ralo.

 

Será que esse é o momento em que superamos a barreira do tempo? Ou é o tempo que se afasta e leva consigo as antigas regras?
Será?

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

8 comentários sobre “De memória e da falta dela

    • Maryur,
      vi minha mãe se perdendo de si mesma.
      Mas é só como eu via. A gente tem as receitas anotadas, nem sabe de onde vieram, e não aceita mudanças. Acho que é isso que nos faz tristes. Somos mimados
      Beijo, obrigada por ter passado por aqui, e boa semana pra você

  1. Sim, o filme é importante, na medida que nos alerta para essa doença .
    Até hoje não os cientistas e médicos não conseguiram nem mesmo diminuir os efeitos devastadores dela e o filme mostra como é triste cada etapa da doença.
    Mas a falta de memória com o passar dos anos se torna natural com algumas ocorrências …!
    Abraços,

    • Eliana, querida Lili Cambraia,

      Já está tudo dito, o passo seguinte é lidar com os sentimentos.
      Nem tudo é como a gente quer…

      … Se o que é errado ficou certo
      As coisas são como elas são
      Se a inteligência ficou cega
      De tanta informação…

      Quem sabe

      Beijo e boa semana
      Feliz com a tua visita

  2. Maria Lucia, gostaria de agradecer a menção em seu texto. Não assisti ao filme por falta de coragem, acredita? Mas agora fui intimada e não me furtarei, rsrsrsrs. Vou fazer uma resenha a respeito! Quanto a memoria, tenho 37 anos e senti que após o nascimento de meu filho, sofrii com uma perda significante e agora anoto tudo! Com alarme no telefone para não esquecer de olhar! Impressionante pois acho que a falta de sono deste período me fez danificar o “HD interno”

  3. Biba,
    bom falar contigo.
    Acredito, sim. Se acredito!
    Vou te dar o mesmo conselho (eu sei que conselho não se dá, blá, blá, blá…) que dei para a minha amiga Stefi:
    Tenha uma caixinha de kleenex por perto, uns chocolatinhos (ah, se eu soubesse…), e não se acanhe, ponha no pause sempre que achar necessário.
    Ah, o HD!
    Sim, compreendo! Até porque meu filho mais novo tem 39 anos, e eu, consequentemente, um pouco mais. Nada exagerado.

    Volte sempre.
    Beijo e boa semana,
    PS: Ah! É um filme para assistir sozinha, eu acho. Não sei. Esquece tudo o que eu disse, vai lá e assiste.

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