Foi Deus que fez o livro

 

Por Jaime Pinsky

 

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Artigo publicado no site do autor, distribuído por e-mail e devidamente copiado por este blog pela relevância do tema.

 

Qual é a principal diferença entre os homens e os demais animais que habitam o nosso planeta? Vantagens apregoadas durante muito tempo, como a capacidade de amar, a memória, a organização social, os laços familiares duradouros, não podem mais ser considerados. Vídeos mostrando cenas “humanas” entre elefantes, golfinhos, leões, para não falar de cães e gatos estão à disposição de todos e a distância entre os chamados irracionais e nós parece-nos muito mais próxima do que parecia há algum tempo. Fica, contudo, a questão: O que fez com que o ser humano, desprovido de garras para caçar (como o leão), talento inato para construir (como o castor), agilidade para perseguir ou fugir (como o leopardo ou o veado), casaco natural para se aquecer (como o urso), se tornasse o verdadeiro rei dos animais?

 

A resposta é simples: O homem é o único habitante deste planeta capaz de produzir, guardar e consumir cultura. Cada achado, cada descoberta, cada poema, cada música, cada teorema descoberto, deduzido ou criado por qualquer homem em qualquer canto da Terra é devidamente anotado em linguagem acessível aos demais habitantes do planeta (ou boa parte deles) de modo a formar um conjunto fantástico de informações, de dados. A conexão que há entre os seres humanos de diferentes partes do planeta não existe entre nenhum outro tipo de animal, mesmo considerando que baleias e muitas espécies de aves atravessam continentes mais rapidamente e com mais autonomia do que qualquer um de nós.

 

Aí está a diferença: enquanto os outros animais são mais dotados, naturalmente (ou seja, pela natureza), nós somos muito mais capazes, socialmente (ou seja, por conta de nossa organização social). Em outras palavras, a superioridade do ser humano não é definida pela natureza, ou por qualquer deus, mas pela História. Não nascemos assim, mas assim nos tornamos. Não somos o que somos por decisão divina, mas por conta do nosso esforço. Para ser preciso, porque sabemos criar cultura, armazenar cultura e utilizar cultura se e quando achamos conveniente.

 

Armazenar cultura pressupõe, preferencialmente, o domínio da escrita. Mais precisamente, das letras e dos números. Há poucas dúvidas de que tanto a escrita, quanto os números surgiram em função da necessidade que antigos impérios do Médio Oriente tinham para controlar a produção (principalmente de grãos) e o pagamento de impostos. É possível que a escrita tenha surgido em mais de uma região de modo simultâneo, mas ainda não se pode afirmar se isso aconteceu ou se, por ser muito prática, a invenção se espalhou por difusão cultural. O fato é que aos poucos a escrita vai se aperfeiçoando até chegar à alfabética, bem próxima da que utilizamos até hoje. Aos poucos, também, o local em que se escreve vai mudando. É em blocos de pedras, depois em pedaços de barro, em plantas (como o papiro), em pele de animais (como o pergaminho), no papel. Neste, escrevia-se com penas naturais, depois com simulacros de penas (os mais velhos talvez se lembrem das canetas e penas escolares, dos tinteiros portáteis e fixos…). As canetas esferográficas foram substituídas pelas máquinas de escrever, estas pelo computador, pelo smartphone, etc.

 

Nesse processo todo o homem criou o livro. O livro passou, com justiça, a ser o símbolo mais acabado da cultura humana. É no livro que o cientista apresenta suas descobertas, que o historiador narra e explica o que aconteceu, que o escritor cria as narrativas que nos permitem viver aventuras sem correr risco, que o poeta expressa a dor que não sente, mas que nós sentimos. É no livro que o urbanista apresenta a cidade que não existe, mas que deveria existir, que lembramos a saga de nossa família, de nossa cidade, de nosso povo. É nos livros que discordamos de forma civilizada, que opomos ideia a ideia, sem guerrear, sem derramar sangue.

 

É nos livros que viajamos sem sair do lugar, que nos igualamos, jovens e velhos. Quando lemos não temos perna quebrada, não estamos presos no leito, não estamos impedidos de viajar, pois com o livro podemos viajar para qualquer lugar. Somos o bicho mais hábil e inteligente, porque só nós conseguimos ler livros.

 

Agora, mais do que nunca, é importante ler livros. Com eles, e só com eles, atravessaremos as piores tempestades. Se a capacidade intelectual do homem foi, como querem alguns, um dom de Deus, sem dúvida foi Deus que criou o livro.

 

Jaime Pinsky é historiador, professor titular da Unicamp, autor ou coautor de 30 livros, diretor editorial da Editora Contexto.

Mundo Corporativo: Marco A. Gioso ensina como cuidar de lojas de animais de estimação e veterinária

 

 

“Quando o veterinário está atendendo, quem é o mais importante no consultório: o animal, o dono do animal ou ele próprio?” A resposta para essa pergunta define na maior parte das vezes o resultado do trabalho realizado pelo profissional que atua no setor de clínica veterinária, petshop e loja para animais de estimação, de acordo com o médico e gestor Marco Antonio Gioso. Ele foi entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, e falou dos cuidados que devem ser adotados para gerenciar finanças, equipes e marketing neste setor que movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano, no Brasil. Gioso lembra que é muito comum no país, os serviços de veterinário, tosa e banho, e venda de prdutos serem oferecidos no mesmo local, o que exige estratégia ainda mais apurada para que um não prejudique financeiramente o outro. Autor do livro “Gestão da Clínica Veterinária”, Marco Antonio Gioso recomenda que os empreendedores interessados em abrir um negócio fazem planejamento e busquem conhecimento para desenvolver ferramentas de gestão, pois muitos agem de forma instintiva, não conseguem adminsitrar as contas pessoais e da empresa separadamente, acabam tendo prejuízos e fechando o negócio.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido, ao vivo, pelo site da rádio CBN (www.cbn.com.br). Os ouvintes-internautas participam com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

‘Cat Sense’ revela o que seu gato está pensando (e o Bocelli, também)

 

 

Bocelli costuma acompanhar passo a passo meu início de dia que, como você deveria saber, começa ainda de madrugada (que horas você pensa que eu acordo para apresentar o Jornal da CBN às seis da manhã?). Basta me levantar da cama e ele me pede para abrir a porta do quarto. Dali até embarcar no carro, me acompanha no banho, na barba, no vestir a roupa e no café da manhã. Quando volto para casa, costuma sair debaixo da árvore onde gosta de passar a manhã e me segue até a mesa do almoço. Soube nesses dias que Boccelli está incomodado com minha ausência em casa, corre para porta sempre que surge um movimento e retorna cabisbaixo ao perceber que não cheguei. Bocelli é meu gato de estimação, para que não haja nenhum dúvida sobre de quem estou escrevendo neste post. Descubro, agora, que ele me vê como outro gato, gigante e muito dócil. É o que ensina o biólogo John Bradshaw, autor de Cat Sense, livro que encontrei no topo da lista dos mais lidos do jornal The New York Times.

 

Bradshaw dedicou mais de 30 anos de sua vida ao estudo de comportamento dos animais domésticos e explica, no livro, porque os gatos agem como agem quando encontram os humanos. Diferentemente dos cachorros, os gatos foram acasalados com a intenção de torná-los mais bonitos e não mais dóceis, o que explicaria o fato deles serem menos domesticáveis. Calcula que 85% das “transas” que levam à procriação se dão entre gatos selvagens, já que os domesticados costumam ser castrados, o que dificulta o comportamento social da raça (desculpa aí, Bocelli!).

 

O pesquisador britânico desmistifica a ideia de que os gatos são indiferentes às pessoas: para ele, os gatos têm fortes emoções, mas tendem a sofrer em silêncio (pobre Boccelli, distante de mim, triste e com sentimentos enrustidos; garanto que volto logo, amigo!). Quando eles se esfregam nas suas pernas reproduzem o mesmo gesto de proximidade que realizam ao encontrar outro gato e, de forma afetiva, estão sinalizando que o consideram um gato não hostil. O rabo reto é uma espécie de saudação: “é provavelmente a maneira mais clara do gato mostrar sua afeição por nós”, garante o autor.

 

No livro, Bradshaw justifica o fato de os gatos largarem suas presas no meio da casa, o que muitos traduzem como sendo a demonstração de que eles querem alimentar seu proprietário. Para o pesquisador, os gatos apenas tentam levar a caça para um lugar mais seguro, mas logo percebem que a ração oferecida pelo dono é muito mais saborosa e a abandonam.

 

Tudo lido e revisto, a sugestão é que você deixe de chamar seu gato de “meu bebê”. Prefira “meu amigo”, “cara” ou “mano”. Provavelmente, ele se identificará muito mais com você.

 

Eu continuarei chamando o meu de Boccelli.

Nova estação, redobre os cuidados com seu animal de estimação

 

Por Dora Estevam

 

 

Quem tem um animal de estimação em casa? Quase todos nós. Como eu também tenho, duas delas, a Natacha (Labrador fêmea) e a Hanna (Husky fêmea), pensei em fazer um post para você falando um pouco sobre estes bichinhos que são as nossas fofuras. As minhas “meninas” sofrem quando muda a estação, no inverno, então, ficam resfriadas, caem os pelos – o quintal fica totalmente coberto de pelos brancos e beges. Saio correndo atras do veterinário. Como já estou mais bem instruída. penso nesses cuidados um pouco antes do inverno. Conversando com veterinários percebi que é comum apesar de muita gente ainda estranhar tais comportamentos. Tem outros cuidados também que passam despercebidos e um especialista pode nos ajudar. Para esclarecer estas questões, entrevistei o dr. Marcelo Ruiz, da Clínica Veterinária Paulista, do Morumbi, em São Paulo.

 

Ouça aqui a entrevista que gravei com o veterinário Marcelo Ruiz ou leia a seguir:

 

Quais os cuidados com os pets nesta época do ano?

 

Dr. Marcelo: É mais comum nesta época do ano aparecer doenças viróticas, tipo traqueíte virótica ou traquiobronquite dos cães, tem que se fazer as vacinas anteriormente antes que chegue o inverno, pois as gripes são contagiosas entre os cães,é como uma gripe humana. Em dias de frio os cachorros mais sensíveis têm crises de asma, precisa ventilar a casa, principalmente os que ficam confinados em casa. Tem também a troca de pelagem, a alimentação vai influenciar bastante nesta troca, uma ração de alta qualidade pode ajudar a não cair muito os pelos e não vai ficar com falhas no animal, evitando falhas e infecções de pele no animal.

 


Os banhos são necessários?

 

DR. marcelo: A rotina é a mesma. O banho precisa ser em um petshop que têm os secadores especiais e secam bem os pelos até a profundidade para não dar alergia.

 


Eles têm problemas com alergias?

 

Dr. Marcelo: Sim, muitos cães são propensos as alergias, tanto de contato (quando o proprietário limpa o chão com algum produtos não apropriados ) como as respiratórias, sistêmicas, alimentar (precisa dar uma ração especial).

 

As roupas são adequadas para todos os cães?

 

Dr. Marcelo: Os cães não tem tanto frio como nós, só os de pelo curto que tem um pouco de frio e você deve por uma roupa. Já para os de pelo longo é opcional, só que tem que tomar o cuidado de tirar a roupa todos os dias e escovar este animal todos os dias, pois a roupa vai embolar este pelo e isso pode dar problema de pele.

 


Um dica final.

 

Dr. Marcelo: Ame e cuide bem dos seus filhos (pets)

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda, estilon de vida e, também, de PETs, no Blog do Mílton Jung

Animais descartáveis

 

Por Milton Ferretti Jung

Vivendo e aprendendo é um dos ditados populares mais antigos dos muitos que conheço. Permitam-me que lhe faça um pequena modificação: lendo e aprendendo. Foi lendo um texto de Fabrício Carpinejar, cronista do jornal Zero Hora, que tomei conhecimento de um fato que me deixou muito revoltado, qual não seja o do descarte de “animais de estimação” (leia-se cães) em rodovias do Rio Grande do Sul, especialmente na freeway, que liga Porto Alegre, de onde escrevo, a uma série de praias do Rio Grande do Sul. Sou hoje um cachorreiro sem cão (coloquei “animais de estimação” entre aspas porque foi como estava no subtítulo da matéria do jornal) Tento me consolar desta carência com minha gata Micky. Os felinos, ao contrário dos cachorros, são interesseiros por natureza e não se submetem à vontade do seus donos. Logo, não são substitutos à altura para apreciadores de cães. Quem não tem cão, caça com gato, reza outro conhecido ditado.

Possuí vários cães, entre eles uma cadela dálmata, uns dois sem raça definida, um irrequieto daschund e, finalmente, um sheepdog que, como lembra o seu prenome – sheep – parece um ovelha. Sobrevivi a todos, mas tenho mais saudade do último, que fui obrigado a doar para uma empregada doméstica. Sejam eles como foram, cada um com suas peculiaridades, sempre os tratei com carinho. Hoje, distraio-me com os animais de estimação dos meus filhos. Até aproveito para passear com Malu, uma lhasa que adora crianças e, em especial, meninos que andam de skate.

Mesmo que não apreciasse cães, jamais me passaria pela cabeça lhes fazer mal. Que péssima índole têm esses cretinos que levam os seus a uma rodovia qualquer, onde os abandonam bem longe de suas casas. O resultado dessa prática hedionda é que 32% dos atropelamentos de cães ocorreram só no trecho Porto-Alegre-Gravataí,segundo a concessionária Concepa. Em boa hora e visando a evitar que o descarte prossiga, a Secretaria Especial dos Direitos dos Animais da Prefeitura da capital gaúcha e a Concepa iniciam no dia 7 de janeiro, no pedágio de Gravataí, campanha de conscientização contra o abandono de animais. Nesta época, a prática criminosa se intensifica uma vez que muita gente viaja para o litoral. Convém lembrar a quem pensa que pode se livrar dos “animais de estimação” (?) sem enfrentar problemas, que existe Lei Federal prevendo detenção por um ano e multa para os que maltratam bichos.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Cães são abandonados na Ilha do Bororé

 

Ilha do Bororé São Paulo

O abandono de animais é outra face do descaso com a Ilha do Bororé, extremo sul de São Paulo, cenário de uma série de reportagens do CBN SP e aqui no Blog. Cães, especialmente, são deixados do outro lado da margem por donos irresponsáveis e desalmados. Com isso a população animal aumenta em uma área que já tem pouco para as pessoas e muitos desses bichos acabam sofrendo e morrendo.

Esta situação foi descrita pelo veterinário Wilson Grassi que foi ao Bororé e na conversa com moradores de lá e funcionários da balsa que faz o transporte de carros e pedestres pela Represa Billings. No blog que assina conta a seguinte história:

Alguns “filhos de Deus” atravessam a balsa com o cachorro na coleira, e os soltam do outro lado da represa para que os animais não consigam retornar. Seguimos mais um pouco pela estrada de terra que corta a ilha e chegamos na segunda balsa, que vai para o outro lado, em São Bernardo. Encontramos a mesma situação, mas desta vez os relatos incluem que além do abandono ser quase diário, inúmeros cães embarcam sozinhos na balsa, e atravessam a represa várias vezes por dia.

Durante a visita, monitorada por uma moradora do Bororé, identificada apenas como Inês, protetora dos animais, encontrou um Rotweiller em estado terminal que chegou a ser levado para tratamento, mas 15 dias depois morreu, infelizmente.

Quanto à situação do abandono na região da balsa, vamos tentar levar alguns mutirões de castração para lá, pedir a instalação de câmeras e sugerir a punição dos “filhos de Deus” que forem identificados


Leia o texto completo no blog de Wilson Grassi
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Foto-ouvinte: Vale a pena fazer esta Cãominhada

 

Uma caminhada ao lado do seu cachorro de estimação foi o programa, na manhã de domingo, de muitos paulistanos, na Avenida Politécnica, ao lado da USP, zona oeste. Cenas interessantíssimas foram registradas pelo colaborador do Blog, Luis Fernando Gallo: “Impressionante, o carinho e o amor devotados a esses bichinhos de estimação”, escreveu o autor das imagens que nos passam exatamente estes sentimentos. Bom caminhada.

Muito além de um elegante vestido preto

 

Por Rosana Jatobá
Vestido preto em tela por Bertrand Eberhard

Ela surgiu para esconder as vergonhas, mas hoje em dia revela o íntimo de cada um. A roupa é o sinal instantâneo da auto-imagem que queremos exibir. E, na visão da grande dama da moda, ela pode ser uma arma poderosa e infalível:

“Vista-se mal, e notarão o vestido. Vista-se bem, e notarão a mulher.”

Mademoiselle Chanel revolucionou, não apenas porque libertou a mulher dos trajes desconfortáveis e rígidos do fim do século 19. Mas porque valorizou o senso crítico:

“O mais corajoso dos atos ainda é pensar com a própria cabeça”.

Se os tempos modernos desafiam nossas escolhas em nome da Sustentabilidade, invocar a genialidade de Coco Chanel pode ser norteador. Foi o que eu fiz quando recebi um presente, que chegou cheio de recomendações:

– Tenha muito cuidado, guarde-o em lugar fresco e escuro, e, se sujar, leve a um especialista. Esta pele pertenceu à sua avó. É um vison!

Vesti e imediatamente senti o poder de transformação do visual. A peça macia e felpuda de cor castanha tinha a pelagem espessa, brilhante e vistosa. Embora com mais de meio século, mantinha um design atemporal. Envolta na altura dos ombros, proporcionava uma sensação de conforto e proteção. Era a mais perfeita tradução do luxo, o acessório que permitia a metáfora: os diamantes estão para as orelhas, assim como a pele está para o corpo.

Chegou o dia de exibi-la. A noite do casamento estava mesmo fria em São Paulo, coisa rara nos últimos invernos. A festa era de gala, num endereço tradicional da cidade, o Jockey Clube. Escolhi um vestido de seda preto, me enrolei no vison e me perfumei,
afinal, segundo nossa musa:

 “Uma mulher sem perfume , não tem futuro!”

 Mas a última olhada no espelho, em vez de glamour, revelava inquietação:

Eu sabia que o animal havia sido morto numa época em que não existia o risco de extinção da espécie. Tinha certeza de que ninguém iria me hostilizar na festa , pois grande parte das mulheres estaria ostentando a sua estola ou casaco de pele. Possuía o aval da papisa da moda, Anna Wintour, editora da vogue americana, fã incondicional de peles e uma das responsáveis pela “fur mania” atual, um boom que não se via desde os anos 80.

Tinha, portanto, razões de sobra para usar o bicho, mas nenhuma tão contundente quanto a deixada pelo legado de Chanel :

“A moda não é algo presente apenas nas roupas. A moda está no céu, nas ruas, a moda tem a ver com ideias, a forma como vivemos, o que está acontecendo.”

Não poderia ignorar que, se usasse o vison, vestiria a capa da indiferença diante de um mercado cruel e fútil, que não para de crescer. De acordo com a Peta (Pessoas pela Ética no Tratamento de Animais), a indústria da pele mata 50 milhões de animais por ano no mundo. Só na China, a produção atingiu números entre 20 e 25 milhões em 2010, ao passo que no ano 2000, oscilava entre 8 e 10 milhões de peles. A organização beneficente invade desfiles de moda e aterroriza as donas do acessório, jogando baldes de tinta para inutilizar a peça. É uma forma de protestar contra os maltratos dispensados aos bichos, que passam suas vidas confinados em minúsculas gaiolas.

Para a extração da pele, são eletrocutados, asfixiados, envenenados, afogados ou estrangulados. Nem todos morrem imediatamente, alguns são esfolados ainda vivos! Em alguns locais, para que as peles fiquem intactas, corta-se a língua do animal, deixando-o sangrar até morrer.

A voz da consciência soprou mais uma vez ao meu ouvido e ouvi o conselho da mestra das agulhas:

“Elegância é recusar.”

Abri mão da gostosa sensacão térmica da pele morta do vison e fui às bodas.

No salão ricamente enfeitado, a fauna mórbida desfilava à minha frente. Era uma profusão de visons, chinchilas, raposas, zibelinas, cabras e cordeiros. Bichos montados, pendurados, entrelaçados em mulheres superproduzidas. …e bem agasalhadas.

Toda concessão tem seu preço.

O ar gelado entrava pelas janelas e resfriava até a minha alma, obrigando-me a contorcer os músculos.

Mas toda renúncia, a sua recompensa.

O desconforto em pouco tempo desapareceu, quando me senti envolvida pelo calor dos braços de um certo alguém. Como dizia Gabrielle Coco Chanel:

“Uma mulher precisa de apenas duas coisas na vida: um vestido preto e um homem que a ame”.

Rosana Jatobá é jornalistas da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP.


Veja mais imagens da galeria de Leemox, no Flickr

Um cachorro na prefeitura

 

O pedido inusitado está no no boletim Landmarketing, da Madiamundomarketing, que tem a frente Francisco Madia. Mas antes de deixar comentários aqui ou lá, leia até o fim, sem preconceito:

“Segundo estudos realizados pela FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA da USP, o chamado CENSO ANIMAL, em 2030, mantidas as taxas de crescimento atuais, o número de cães poderá superar o número de habitantes da cidade de São Paulo. Se até lá formos uma democracia de verdade, deveríamos eleger um cachorro para prefeito, e um gato para vice. Brincadeiras a parte, até que não seria uma má idéia, considerando a “qualidade” dos prefeitos da cidade de São Paulo, e da quase totalidade das cidades brasileiras.

O crescimento da população de cães e gatos na cidade de São Paulo é de arrepiar. De preocupação, e para muitos, de medo. Enquanto o número de paulistanos cresceu 3,6% nos últimos 6 anos, a população de cachorros cresceu 60%, e a de gatos – ATENÇÃO – cresceu 152%. Ou seja, o que já aconteceu em muitos países que famílias estão trocando seus cães – pelo trabalho que dão e envolvimento emocional que provocam – pelos gatos, também acontece por aqui. Uma outra razão pela preferência crescente pelos gatos, é que cães demandam espaços físicos maiores e gatos se ajeitam em qualquer cantinho.

Segundo o CENSO ANIMAL, a população canina oficial da cidade de São Paulo totalizou 2,4 milhões, e a felina, 580 mil. No CENSO ANIMAL anterior, 2002, o número de cães era de 1,5 milhão, e o de gatos, 230 mil. O CENSO constatou, também, total relação entre a presença de animais e lares com maior concentração de idosos, casais com filhos pequenos, ou grandes famílias.

Considerando-se que esse comportamento deve prevalecer em todos os próximos anos, o chamado PET MARKET continuará crescendo a taxas expressivas, e atraindo, cada vez mais, um número maior de empresas.

Com um cão na prefeitura recuperaríamos o verdadeiro sentido da expressão “eleger nossos representantes”.


Leia mais artigos do boletim Landmarketing clicando aqui

O cocô do Totó

 

Por Sérgio Mendes
Ouvinte-internauta

Em São Paulo já são mais de 3 milhões de cães e gatos domiciliados. Isto é mais que a população de muitas cidades médias em nosso país.

Imagine qualquer porcentagem disso em sacolinhas plásticas cheias de cocô…., preservado nelas por todo o tempo em que elas durarem sem serem decompostas na natureza…

Que fazer com esse resíduo?

Uma sugestão, pelo menos por enquanto, seria que ele fosse apenas coletado (não pode ser deixado em via pública) e descartado no vaso sanitário do banheiro da sua casa.

Daria mais trabalho, não seria assim tão romântico passear com seu amigão… Mas poderia ser algo mais a ser considerado, antes de adotar um animalzinho pra morar com você.

Ele é para toda a vida, o cocô e a sacolinha não.