Bragantino 1×0 Grêmio
Brasileiro — Bragança Paulista, SP
Os compromissos profissionais me obrigaram a estar no aeroporto de Congonhas, na capital, enquanto o Grêmio enfrentava o Bragantino, no interior de São Paulo. Assisti ao jogo na tela do celular. O sinal era tão instável quanto o futebol gremista. Fato que me fez pensar que a derrota já estava decretada nos minutos iniciais. Só pude ver a comemoração adversária. Da anulação do gol fiquei sabendo apenas minutos mais tarde.
Antes tivesse valido aquele gol. Quando as coisas já dão errado no início, temos pouco a lamentar. E a ilusão nem chega a se criar no imaginário do torcedor. Verdade que o futebol do primeiro tempo não me permitia alimentar muita esperança de melhora.
No intervalo, sentei para tomar um café no saguão do aeroporto. Um frei salesiano sentou-se ao meu lado. Ele se apresentou. Eu também. Trocamos cumprimentos e algumas palavras. Fiquei constrangido de dizer a ele que estava assistindo à partida. E, confesso, o bate-papo estava bem mais agradável.
Quando ele se foi, o segundo tempo já havia começado. O Grêmio dava sinais de melhora. E eu começava a acreditar que era resultado das bênçãos deixadas pelo frei. Nesta fase em que estamos, buscamos desesperadamente algum sinal de ajuda — mesmo que seja no campo espiritual. Até porque, no campo de futebol, as coisas estão bem complicadas.
Estava prestes a embarcar para o Rio de Janeiro, com as imagens do jogo dividindo a tela do celular com o cartão de embarque, quando tomamos o gol no minuto derradeiro. Foi um pecado. O empate teria sido o resultado mais justo. E, considerando o desempenho das demais equipes que ocupam a parte de baixo da tabela, até o pontinho que estávamos conquistando em Bragança me satisfaria.
A partida se encerrou logo em seguida. Sentei na poltrona do avião pensando na situação do Grêmio. Mesmo quando parece que o time começa a se ajustar, ainda nos ressentimos da falta de um futebol mais organizado. Apesar de termos sido reforçados por alguns jogadores de bom potencial, a equipe segue frágil ofensivamente, enquanto o setor defensivo se aglutina dentro da área e aceita a pressão adversária.
Já nos despedimos da Sul-Americana antes da hora; seguimos rondando aquela zona-que-você-sabe-qual-é no Campeonato Brasileiro; e teremos um clássico Gre-Nal pela frente na disputa por uma vaga na semifinal da Copa do Brasil.
Quando os piores pensamentos começavam a conspirar na minha mente, a comissária de bordo anunciou no alto-falante do avião:
“Desejamos a todos uma semana Azul.”
Cá estou eu, no quarto de um hotel, escrevendo para você, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, e apostando que a mensagem é um sinal divino para que eu siga acreditando que alguma coisa boa está para nos acontecer.
Que aconteça logo!








