Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o Diabo que veste Prada também pode consumir a alma da sua marca

Meryl Streep volta a brilhar em Diabo Veste Prada 2

Jaime e Cecília foram ao cinema. E como você, caro e cada vez mais raro leitor, sabe bem, a nossa dupla de comentarista é incapaz de ir a algum lugar sem observar os detalhes — lá onde costuma estar o diabo (sem trocadilho). A partir dessas observações, eles identificam oportunidades, inspiram-se para novos conhecimentos e extraem lições que podem ser aplicadas na gestão de marcas. Desta vez, a diversão deles foi assistir ao filme O Diabo Veste Prada 2.

Uma das ideias que Jaime Troiano e Cecília Russo trouxeram para a nossa conversa, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, foi que marcas podem sobreviver a crises, mudanças de mercado e até à troca de comando. O que muitas não suportam é perder a própria identidade.

O caso retratado no longa mostra a revista fictícia Runway enfrentando uma mudança de gestão após a morte do proprietário. O filho assume o comando com uma visão estritamente financeira e passa a cercar a empresa de consultores preocupados apenas com números.

Para Jaime Troiano, esse tipo de mudança costuma ameaçar a essência das marcas. “Trocar a paixão e a vocação pela moda, por uma orientação que busca resultados a qualquer custo. É isso que está em jogo naquela hora”, afirmou.

O comentário ajuda a entender um conceito importante da gestão de marcas: propósito não é slogan. Trata-se da razão que sustenta uma empresa, do conjunto de valores que orienta decisões, produtos, comunicação e relacionamento com o público. Quando isso desaparece, a marca pode continuar existindo no papel, mas perde força simbólica e conexão emocional com as pessoas.

Jaime chamou atenção para um aspecto que costuma aparecer em processos de sucessão familiar ou troca de executivos. “Esse filme em particular é uma bela aula sobre o respeito que os donos e gestores de marcas precisam ter sobre a história da marca, sobre os seus valores, onde elas estão enraizadas.”

Cecília Russo ampliou a reflexão ao destacar que esse risco não aparece apenas em sucessões familiares. Também pode surgir quando empresas contratam gestores sem vínculo com a cultura do negócio. “O perigo que ronda muitas empresas nessa hora é exatamente esse”, observou. Segundo ela, há situações em que a busca por resultados rápidos enfraquece justamente aquilo que tornou a marca relevante.

A análise feita pelos comentaristas dialoga com exemplos reais do mercado. Há empresas que cresceram rapidamente após cortes de custos e reestruturações financeiras, mas perderam capacidade de influência, criatividade e identificação com o consumidor. Em alguns casos, o impacto não aparece imediatamente no balanço financeiro. Surge aos poucos, na perda de prestígio, na queda da fidelidade do público e na dificuldade de se diferenciar da concorrência.

Cecília resumiu esse dilema ao comentar o desfecho do filme. Na história, a recuperação acontece quando uma nova investidora assume o controle da empresa acreditando novamente nos valores que deram força à marca. “Ela escapou dessa armadilha de olhar só para caixa, olhar só para curto prazo.”

Ao fim do comentário, Jaime Troiano fez uma síntese direta sobre o tema: “Marca sem um propósito, como você sabe, aquele que é ideal pelos seus criadores, são marcas que não têm alma.”

A frase ajuda a explicar por que algumas empresas conseguem atravessar décadas mantendo relevância, enquanto outras desaparecem mesmo cercadas de recursos financeiros. Marcas fortes dependem de estratégia, claro. Mas também dependem de coerência entre discurso, cultura e prática.

A marca do Sua Marca

Resultados financeiros são indispensáveis para qualquer empresa. O problema começa quando o caixa passa a ser o único critério de decisão. Marcas duradouras costumam equilibrar gestão financeira com identidade, cultura e propósito. Quando a alma do negócio desaparece, o consumidor percebe — às vezes antes da própria empresa.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que aprender da estratégia para a escolha do nome “Nubank Parque”

NuBank Parque
Foto: Divulgação NuBank

Você, não sei. Mas a torcida do Palmeiras, com certeza, participou da escolha do novo nome da arena do clube. A estratégia foi usada pelo banco digital NuBank que está assumindo o “naming rights” do complexo esportivo e cultural, em São Paulo. Para Jaime Troiano e Cecília Russo, do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, transformar as pessoas em participante de uma decisão pode ser mais eficiente do que investir apenas em propaganda. 

O Nubank colocou três opções em votação pública: “Nubank Parque”, “Nubank Arena” e “Parque Nubank”. Durante 20 dias, torcedores e consumidores puderam votar. O nome escolhido foi “Nubank Parque”, com 47% dos votos. A decisão trouxe um efeito importante para a marca: o público passou a discutir, compartilhar e defender a escolha.

Cecília Russo observou que o processo gera sensação de pertencimento. “Quando você convida, as pessoas se sentem ativas nessa mudança e você vai ter menos ruído em relação a isso”, afirmou.

A lógica por trás desse movimento é relativamente simples. Em vez de comunicar uma decisão pronta, a empresa cria uma experiência de participação. O consumidor deixa de ocupar apenas o papel de espectador e passa a atuar como alguém que ajudou a construir a história da marca.

Esse tipo de estratégia também produz outro efeito valioso: amplia espontaneamente a circulação da mensagem. Pessoas comentam nas redes sociais, discutem em grupos de conversa e levam o tema para ambientes fora do universo publicitário. O assunto ganha vida própria.

No comentário, Cecília lembrou que a discussão ultrapassa o ambiente digital e chega ao cotidiano das pessoas. “Na nossa empresa mesmo, a gente começou: ‘Que nome que você escolhe?’”, contou.

Jaime Troiano ponderou que esse movimento ainda não representa uma transferência das decisões estratégicas para o consumidor. Para ele, as empresas continuam definindo os caminhos principais, embora estejam aprendendo novas maneiras de gerar envolvimento. “As marcas estão aprendendo de alguma forma a navegar no mundo dessa hiper-informação”, disse Jaime.

Ele citou como exemplo a campanha “Compartilhe uma Coca-Cola”, que estampava nomes próprios nas embalagens. Embora não houvesse votação pública, a ação estimulava as pessoas a procurar seus nomes, fotografar as latinhas e compartilhar o conteúdo espontaneamente. “Quanto mais as pessoas se sentem envolvidas, mais elas ficam abertas a falar sobre isso, quase como se fossem embaixadoras da marca”, explicou Jaime.

Existe aí uma mudança importante na forma de comunicação das empresas. Durante muito tempo, marcas falavam e consumidores apenas ouviam. Hoje, muitas companhias perceberam que participação gera memória, conversa e engajamento. É como transformar o consumidor em coproprietário simbólico daquela narrativa. Mesmo que a decisão final continue nas mãos da empresa, o público sente que deixou sua impressão digital no processo.

A marca do Sua Marca

Marcas ganham força quando conseguem envolver as pessoas na construção da própria narrativa. Participação cria vínculo emocional, reduz resistência a mudanças e amplia espontaneamente o alcance da comunicação.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que a Disney continua encantando gerações

Foto der Eric Vo no Pexels.com

Poucas marcas conseguem atravessar um século mantendo a capacidade de emocionar pessoas de diferentes idades, culturas e classes sociais. Portanto, não me surpreendeu o fato de a Disney ter reaparecido na pauta proposta pelo Jaime Troiano e Cecília Russo para o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

A Disney virou um caso raro de permanência especialmente se considerarmos que vivemo em um mercado que muda em velocidade acelerada. Enquanto empresas de tecnologia surgem, crescem e desaparecem em poucos anos, a companhia criada em 1923 segue entre as marcas mais valiosas do planeta. Segundo dados da Brand Finance  citador por Jaime Troiano, a marca Disney vale cerca de U$ 48 bilhões e permanece entre as 50 mais valiosas do mundo.

Para Jaime, a força da Disney está menos nos personagens e mais naquilo que eles despertam nas pessoas. “A capacidade de emocionar as pessoas. Esse é o papel supremo das marcas”, afirmou.

A observação ajuda a entender um fenômeno que vai além do entretenimento. Marcas fortes criam vínculos emocionais. Elas deixam memórias, ocupam espaço afetivo e passam a fazer parte da rotina das pessoas. Portanto, não se fala apenas de consumo, mas de relação.

Jaime  destacou que emoção sem consistência não se sustenta. Segundo ele, a Disney mantém uma “gestão muito estruturada”, associada a bons produtos e comunicação coerente ao longo do tempo. A combinação entre emoção e organização explica por que a marca consegue fidelizar consumidores por tantas décadas.

Cecília Russo chamou atenção para outro aspecto importante: a capacidade da Disney de preservar sua essência enquanto se transforma. “A Disney é super apegada às raízes, às tradições, mas ela sabe também ir além”, disse.

Esse talvez seja um dos maiores desafios das empresas atuais. Muitas marcas mudam tanto para parecer modernas que perdem identidade. Outras se agarram ao passado e deixam de conversar com o presente. A Disney parece ter encontrado um equilíbrio delicado: muda sem deixar de ser reconhecida.

A aquisição de empresas como Pixar, Marvel e Lucasfilm foi apresentada por Cecília como exemplo desse movimento. Ao incorporar novas linguagens e personagens, a marca ampliou seu alcance sem abandonar o universo da fantasia.

Outro ponto lembrado foi a expansão da experiência da marca. A Disney deixou de existir apenas no cinema. Criou parques, produtos licenciados, jogos e diferentes plataformas de relacionamento com o público. Cecília resumiu essa presença ampla ao lembrar que é difícil encontrar uma casa que não tenha ao menos algum produto ligado à marca.

A medida que Cecília e Jaime falavam, impossível não pensar em filmes e personagens que nos acompanharam ao longo do tempo. Ou remexer a memória das experiências em parques das Disney com as crianças.  Aquela montanha russa absurda que me meti, as dezenas de vezes que entrei no carrossel do Buzz Lightyear ou o café com personagens que nos fez levantar cedo para não perder a reserva. 

Ops, de volta ao Sua Marca: a Disney ajuda a ilustrar uma lição importante para qualquer negócio. Por mais que pordutos possam ser copiados, ficarão aqueles que trouxeram algum signficado. Quando uma marca consegue ocupar um espaço emocional na vida das pessoas, ela deixa de disputar apenas preço ou funcionalidade.

A marca do Sua Marca

A principal reflexão do comentário está na ideia de que marcas duradouras não vendem apenas produtos. Vendem sensações, memórias e significados. Como resumiu Jaime Troiano: “O que você tá vendendo além do seu produto?” A pergunta serve tanto para grandes empresas quanto para pequenos negócios que desejam criar vínculos mais profundos com seus consumidores.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando a brasilidade vira estratégia 

Foto de Bia Santana on Pexels.com

As marcas brasileiras estão redescobrindo o valor de contar suas próprias histórias. Um tema que já foi motivo de conversa no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso e foi retomado recentemente, a partir de pesquisa que Jaime Troiano e Cecília Russo estão desenvolvendo. O resultado final ainda não está pronto, mas nossos comentaristas anteciparam algumas das ideias que apareceram até o momento.

O movimento de brasilidade não surgiu por acaso. Ele parte da percepção de que cresce o interesse por elementos culturais, artísticos e até esportivos que nascem no Brasil e ajudam a formar identidade. Ao mesmo tempo, uma análise de mercado mostra que empresas nacionais passaram a incorporar esses traços no jeito de se comunicar.

Jaime Troiano resume essa mudança ao afirmar que “é um movimento de aproveitar elementos da cultura, da vida brasileira, no branding de nossas marcas” . Branding, aqui, pode ser entendido como o conjunto de ações que constroem a imagem e a personalidade de uma marca.

Durante décadas, o caminho foi outro. O próprio Troiano lembra que o marketing brasileiro seguiu um padrão “mimético”, ou seja, baseado na cópia de referências estrangeiras, sobretudo americanas. A virada acontece quando esse padrão passa a conviver com outro movimento, mais autoral, que valoriza o que nasce no país.

Na prática, isso significa equilibrar influências externas com características locais. É o que ele descreve como uma busca por algo mais “profético”, que nasce das próprias raízes e projeta um futuro com identidade própria.

Os exemplos ajudam a entender. Marcas como Farm e Hering constroem ambientes e narrativas que remetem imediatamente ao Brasil. Não é apenas estética. É linguagem, clima, repertório cultural. Uma loja, nesse caso, funciona quase como um território simbólico.

Cecília Russo reforça que esse caminho não é isolado. “É nossa e de muitas empresas que estão trilhando esse caminho”, afirma . Ela cita a Havaianas como um caso emblemático. A marca conseguiu transformar um produto simples em um símbolo reconhecido globalmente, associado ao estilo de vida brasileiro.

Cecília amplia o olhar ao lembrar que esse processo tem raízes históricas. Movimentos como a Semana de Arte de 1922, a Tropicália e a Bossa Nova já buscavam afirmar uma identidade nacional diante de influências externas. As marcas seguem essa mesma trilha, como reflexo do comportamento da sociedade.

Outros exemplos aparecem nesse cenário: Melissa, com linguagem urbana e tropical; Dengo, que explora o cacau e a natureza; Ypê, que carrega no nome e na comunicação referências diretas ao país; e até o Itaú, cuja origem do nome em tupi-guarani reforça esse vínculo.

O resultado é uma mudança de postura. Em vez de esconder a origem, as marcas passam a evidenciá-la. Em vez de copiar, reinterpretam. Em vez de seguir padrões prontos, constroem repertórios próprios.

A marca do Sua Marca

Valorizar a própria cultura não significa rejeitar o que vem de fora, reforça Jaime Troiano. O aprendizado está no equilíbrio: usar referências globais sem abrir mão da identidade local. Marcas que conseguem fazer isso deixam de ser genéricas e passam a ser reconhecidas com mais clareza.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando o consumo atravessa fronteiras e amplia identidades

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As marcas deixaram de caber em um território. Basta observar um movimento que já faz parte da sua, da minha rotina: compramos de fora, estudamos fora, investimos fora — e, muitas vezes, sem sequer perceber de onde vem aquilo que consumimos. Um desafio aos gestores de marca, como alertaram Jaime Troiano e Cecília Russo na conversa que tivemos neste sábado, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

Outro dia, navegando por um site de compras, me dei conta de que aquele produto que parecia tão próximo vinha, na verdade, de outro continente. Não era exceção. É regra. Como resumiu Cecília Russo: “o consumo hoje não tem mais um endereço único”. A frase parece simples, mas carrega uma mudança profunda. O endereço deixou de ser geográfico e passou a ser simbólico.

Entramos em uma loja física no Brasil e levamos para casa algo produzido na Ásia. Abrimos um aplicativo e encontramos a etiqueta “compra internacional” com a mesma naturalidade de quem escolhe entre tamanhos e cores. A origem já não é o fator decisivo. É o desejo que fala mais alto.

Esse movimento vai além do carrinho de compras. Está nos jovens que buscam intercâmbio ainda no ensino médio. Está nas famílias que reorganizam a vida para estudar fora. Está nas plataformas que conectam estudantes a universidades estrangeiras. Nesses casos, não se compra apenas um serviço. Compra-se um projeto de vida.

Há também o dinheiro que atravessa fronteiras. Contas em dólar, investimentos fora do país, novas formas de proteger o patrimônio. Você haverá de lembrar quando uma viagem ao exterior exigia uma visita à casa de câmbio e nos obrigava a levar um maço de dinheiro estrangeiro na bolsa. Cecília sintetiza bem: essas empresas “vendem mais do que uma conta. Elas vendem tranquilidade, segurança, a ideia de expansão”. No fundo, vendem a sensação de que o mundo ficou maior.

Jaime Troiano ajuda a entender o que está por trás desse comportamento. Ele fala de algo que não aparece na etiqueta do produto. “Há um sentimento por trás de que eu não tenho limites, que o mundo é todo meu”. É quase um jogo de conquista. Quem já brincou de War entende a metáfora.

A curiosidade também entra em cena. Experimentar o novo. Sair do conhecido. Testar sabores, culturas, experiências. Nem todos se jogam com a mesma intensidade, mas a possibilidade está aberta. E isso já muda a relação com as marcas.

Há ainda um elemento silencioso: o desejo de pertencer. Consumir algo que vem de longe pode sinalizar a entrada em um grupo mais restrito. Lembro do que significava jogar basquete com um tênis All Star cano longo nos meus tempos de adolescente. Ter um daqueles pares de tênis dava a impressão de que jogávamos muito mais do que realmente éramos capazes. Para comprá-los, precisávamos da colaboração de algum conhecido que viajasse aos Estados Unidos. Eu tive de me contentar com um Charrua, comprado na fronteira do Rio Grande do Sul — mais acessível.

Como em toda escolha, existe o cálculo. Preço, oportunidade, proteção do dinheiro. “Há sempre alguma coisa ligada à ideia de fazer um bom negócio”, lembra Jaime. O racional acompanha o emocional. Caminham juntos.

No meio desse cenário amplo, uma pergunta se impõe: se tudo pode vir de qualquer lugar, o que mantém a relação entre marca e consumidor?

A marca do Sua Marca

Quando o consumo atravessa fronteiras, a confiança precisa ser o ponto de ancoragem. Produtos circulam, serviços se deslocam, experiências se multiplicam. O que permanece é a segurança de que aquela escolha vale a pena.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após as 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: os riscos da uniformização das marcas com o uso da inteligência artificial

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O avanço da inteligência artificial já impacta a forma como empresas produzem conteúdo, constroem campanhas e definem estratégias de comunicação. O ganho de velocidade é evidente. O risco, menos visível, aparece na perda de identidade. Como trabalhar diante do aumento de eficiência que a IA proporciona e o risco de perda de originalidade foi o tema da conversa com Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

Cecília chama atenção para um movimento que contraria avanços recentes na representação de pessoas na publicidade. “Eu vejo que um dos riscos que a IA traz para a comunicação é a de estarmos dando um passo atrás em algo que já achávamos que estava resolvido.” Ela se refere ao esforço das marcas, nos últimos anos, para mostrar pessoas mais reais e diversas.

Segundo Cecília, a tecnologia pode recriar um padrão artificial ainda mais distante do cotidiano. Imagens com traços irreais, imperfeições exageradas e ausência de expressão humana voltam a ocupar espaço. O efeito prático é um recuo em uma agenda que buscava aproximar marcas e consumidores por meio da autenticidade.

Esse ponto exige equilíbrio. A comunicação também trabalha com aspiração — aquilo que desejamos ser. O desafio está em não perder o vínculo com a realidade ao tentar projetar esse ideal.

Jaime aborda outro risco: a dependência intelectual. Para ele, o uso excessivo da IA pode limitar a capacidade criativa. “Estamos cada vez mais reféns da IA”, diz. A consequência aparece no resultado final das marcas: soluções parecidas, previsíveis e pouco distintas.

Ele recorre a uma referência cultural para ilustrar o problema. “A desobediência é uma virtude necessária à criatividade.” A frase, associada a Raul Seixas, reforça a ideia de que inovar exige romper padrões. Quando todos recorrem às mesmas ferramentas e bases de dados, a tendência é a padronização.

Na prática, isso significa campanhas que se parecem, discursos que se repetem e marcas que perdem aquilo que as torna reconhecíveis. A identidade — construída ao longo do tempo — passa a ser diluída por respostas automatizadas.

O alerta não é contra o uso da tecnologia. Pelo contrário. Ambos destacam que a IA traz benefícios importantes e deve ser incorporada ao trabalho. A questão central está no modo de uso. A ferramenta não pode substituir o pensamento crítico, a intuição e a criatividade humana.

A discussão reforça um princípio básico do branding: valor de marca está ligado à diferença. Quando todas falam do mesmo jeito, deixam de ser lembradas.

A marca do Sua Marca

A tecnologia deve servir como apoio, não como substituição da inteligência humana. Marcas relevantes combinam eficiência com criatividade própria e mantêm sua identidade mesmo diante de novas ferramentas.

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: escritores ensinam como consistência constrói valor

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Alguns escritores conseguem transformar seu nome em referência antes mesmo de o leitor abrir o livro. O tema foi discutido no comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, com Jaime Troiano e Cecília Russo.

A conversa parte de uma constatação simples: autores também operam como marcas. Eles constroem uma identidade que combina estilo, temas e forma de narrar. Essa identidade cria expectativa no público. Como explica Cecília Russo, “as pessoas sabem o que esperar dessa autora, desse autor e por isso eles vão atrás de um novo livro lançado”.

Essa previsibilidade não significa repetição mecânica. Trata-se de coerência. O leitor reconhece traços comuns — linguagem, profundidade dos personagens, tipo de conflito — e se conecta com essa entrega. É o que acontece com autores como Carla Madeira, que mantém uma assinatura emocional marcada por relações humanas intensas, ou Itamar Vieira Junior, cuja obra carrega um olhar social enraizado na realidade brasileira.

O mesmo raciocínio vale para nomes internacionais, como Colleen Hoover, Elena Ferrante e Haruki Murakami. Cada um construiu um território próprio. Quem lê já entra na história com uma expectativa formada. Esse é um ativo poderoso.

Jaime Troiano amplia o olhar ao lembrar que isso não é novidade. “Mesmo antes de nós falarmos de branding pessoal, autores mais clássicos também representam marcas, com estilos próprios, antecipando expectativas do próprio leitor”. Machado de Assis, por exemplo, consolidou uma escrita marcada pela ironia, pela análise psicológica e pela crítica social. Ao manter esses elementos, fortaleceu sua identidade ao longo do tempo.

Há outro ponto importante: autores, assim como marcas, não buscam agradar a todos. Escolhem um público, ainda que de forma intuitiva. Isso ajuda a consolidar uma base fiel de leitores, que acompanha lançamentos, recomenda obras e até valoriza edições especiais. Forma-se uma comunidade em torno da marca.

Essa relação também traz um desafio. Quando a identidade está bem definida, o autor passa a ser cobrado por ela. Mudanças bruscas podem gerar estranhamento. É o preço de ter construído uma promessa clara.

A marca do Sua Marca

Consistência e identidade são pilares de valor. Seja um escritor ou uma empresa, quem mantém coerência no que entrega cria expectativa, fideliza público e fortalece sua marca.

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: seis regras para destruir uma marca

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Ignorar o consumidor, fechar os olhos para a concorrência e improvisar a identidade visual da marca são caminhos rápidos para comprometer um negócio. O tema foi discutido no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo no Jornal da CBN, a partir de uma provocação curiosa: o que fazer para que uma marca fracasse?

A proposta partiu de uma inversão de lógica. Em vez de listar atitudes que levam ao sucesso, Jaime e Cecília apresentaram regras que levariam ao resultado oposto. A estratégia lembra um raciocínio usado em matemática, quando se parte de uma hipótese absurda para demonstrar o caminho correto.

Jaime Troiano explicou a ideia logo no início: “Às vezes, é mais fácil chegar ao positivo partindo do negativo.”

A primeira regra para o fracasso é ouvir apenas o que se fala dentro da empresa. A sugestão, naturalmente, deve ser entendida ao contrário. Jaime Troiano brinca que os executivos deveriam evitar circular pelo mercado ou escutar clientes e consumidores. O recado implícito é claro: marcas fortes nascem da escuta ativa do público.

A segunda regra sugere ignorar completamente os concorrentes. Olhe apenas para a própria empresa e seus produtos. A provocação revela uma prática comum em gestão de marcas: acompanhar o mercado é essencial para entender tendências, movimentos estratégicos e mudanças de comportamento dos consumidores.

A terceira regra mira um problema recorrente em empresas: a improvisação na identidade visual. Jaime ironiza a prática de confiar a tarefa a alguém sem formação na área. “Acredite que a sobrinha do diretor é quem tem razão… Evite contratar designers para cuidar disso.” A frase mostra como decisões aparentemente simples podem comprometer a consistência de uma marca.

A quarta regra para o fracasso trata da extensão exagerada de marcas. A ideia, segundo Cecília Russo, seria usar uma marca conhecida para vender qualquer tipo de produto, mesmo que não tenha relação com o negócio original. Ela lembra um dos muitos casos que deram errado: “No caso da Sadia quando criou água mineral, não funcionou.”

A quinta regra propõe economizar na comunicação. Se o produto for bom, basta esperar que o público descubra sozinho. Na prática, empresas consolidadas fazem exatamente o contrário: investem em comunicação para reforçar reputação e presença na mente do consumidor.

A sexta e última regra — se é que sua marca já não fracassou por completo — é abandonar as raízes da marca em busca permanente de modernização. Em mercados acelerados, muitas empresas acreditam que precisam reinventar tudo o tempo todo. O risco é perder identidade e história — dois ativos que ajudam a construir confiança.

A marca do Sua Marca

A principal lição do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é fazer exatamente o oposto das seis regras apresentadas. Ouvir o mercado, acompanhar concorrentes, investir em design e comunicação, respeitar a essência da marca e manter coerência nas decisões são atitudes que ajudam a construir valor ao longo do tempo.

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Mundo Corporativo: Patrícia Macedo, CMO da Suzano, diz que marcas não devem esperar os sinais para se reposicionar

Patrícia Macedo, Suzano
Entrevista com Patrícia Macedo no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti CBN

“Para mim, essa observação constante da necessidade do consumidor, das motivações do consumidor é que fazem com que a marca suba as escadas.”

Nos últimos anos, a Suzano transformou um projeto estratégico em operação prática e levou seus produtos para dentro da casa de milhões de brasileiros. A empresa, historicamente associada à celulose e ao papel, consolidou uma unidade de bens de consumo com marcas como Neve, Mimo e Max. A mudança de lógica — de uma companhia voltada essencialmente à indústria para uma organização que dialoga diretamente com o consumidor final — foi tema de entrevista de Patrícia Macedo, CMO da unidade de bens de consumo da Suzano, ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

Segundo a executiva, o movimento combinou inquietação interna e resposta ao mercado. “Nos últimos 7 ou 8 anos, a gente fala que tirou do PowerPoint e virou um projeto concreto que está na casa aí de muitos milhões de brasileiros o que a gente chama da unidade de bens de consumo”, afirmou.

Ela explica que a companhia passou a complementar a gestão baseada em ativos com uma visão centrada no consumidor. “Eu não vou só gerenciar ativos e pensar em escala, em produtividade, mas eu vou olhar necessidade. Eu vou olhar como esse consumidor pensa, qual é a lógica de comportamento e de necessidades desse consumidor.”

Reposicionamento além da estética

O exemplo mais visível dessa estratégia foi o reposicionamento da marca Neve, com mais de 53 anos de mercado. Para Patrícia Macedo, não se trata apenas de mudar embalagem ou campanha. “É uma mudança de olhar para esse consumidor”, disse.

A empresa mapeou novos hábitos e rituais ligados ao banheiro e ao autocuidado. “Tem mais de oito comportamentos que a gente mapeou dentro do banheiro e a partir disso a gente se reposiciona.” O produto passou a dialogar não apenas com atributos funcionais, mas também com significados simbólicos. “A gente começa a falar também não de forma só funcional, mas de forma simbólica também, sobre as camadas do que acontecem na vida do consumidor.”

O desenvolvimento envolveu pesquisas, testes e ajustes técnicos. “Quando a gente testa papel higiênico dentro das nossas fábricas, além dos equipamentos, a gente testa na mão, que é o que a gente chama de handfeel, que é o toque da mão.” A executiva ressalta que a entrega precisa acompanhar o discurso. “Não adianta eu falar, escutar e não entregar.”

Tecnologia e sensibilidade

A estratégia inclui o uso de tecnologia e inteligência artificial, tanto na produção quanto na comunicação. “A inteligência artificial entra também não só nas ferramentas que a gente tem no dia a dia, mas também na produção dos nossos conteúdos”, afirmou.

Ela, no entanto, faz uma ressalva. “Eu não posso perder sensibilidade, porque a sensibilidade humana, a intuição, o discernimento têm que estar a favor do ser humano.” Para Patrícia Macedo, tecnologia e empatia precisam caminhar juntas.

Não esperar o sinal vermelho

Perguntada sobre o momento certo de reposicionar uma marca, a executiva defende acompanhamento contínuo do consumidor. “Para mim não tem que esperar um sinal, você tem que acompanhar o consumidor.” E complementa: “Você não precisa esperar perder share.”

Ela reforça que marcas consolidadas devem preservar seus pilares, mas atualizar conexões. “Uma marca não vai ficar flat para o resto do tempo.” O cuidado é não abandonar a identidade construída ao longo dos anos. “Eu posso preservar os ícones, posso preservar os valores dessa marca, mas as conexões dessa marca vão ser atualizadas de acordo com o movimento do consumidor.”

Carreira e comportamento

Ao falar sobre liderança em marketing, Patrícia Macedo destacou duas características que considera essenciais. “Ele precisa ser uma pessoa de negócio e não dá para ser só uma pessoa de comunicação.” E acrescentou: “Que escute, que veja e que se use os nossos sentidos humanos a favor da estratégia.”

No conselho final aos profissionais, resumiu a postura que defende: “Esteja aberto 100% do tempo a enxergar o que está acontecendo.” Para ela, acompanhar comportamento é tarefa permanente. “Se eu não ficar conectado com a missão interna de observar os comportamentos, as motivações 100% do tempo e ser incansável, eu não consigo seguir.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quem a sua marca é no galinheiro?

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Nem todas as marcas disputam o mercado em pé de igualdade. Algumas lideram, impõem preço e ditam referência; outras sobrevivem tentando escapar da comparação direta. Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, com Jaime Troiano e Cecília Russo.

A conversa partiu de um estudo clássico da etologia — área que observa o comportamento animal — realizado em 1920 pelo norueguês Thorleif Schjelderup-Ebbe. Ao acompanhar galinhas em um aviário, ele identificou uma hierarquia clara: havia aves que só eram bicadas, outras que bicavam mais do que apanhavam, até chegar ao topo, onde uma galinha bicava todas e não era bicada por nenhuma. Nascia ali a teoria conhecida como “ordem das bicadas”.

Jaime Troiano explicou que essa lógica ajuda a compreender o funcionamento do mercado. “A ordem das bicadas é um indicador de prestígio, poder e admiração”, afirmou. A metáfora é simples e direta: marcas fortes “bicam” mais do que são bicadas; marcas frágeis são substituídas com facilidade.

O conceito aparece no dia a dia do consumidor, mesmo sem que ele perceba. Influenciadores digitais ocupam posições distintas na hierarquia de relevância. O mesmo ocorre com produtos e serviços. Quando uma marca é vista como referência, ela sustenta preço mais alto e reduz o risco de troca na hora da compra. Já as que estão abaixo precisam competir por desconto ou conveniência.

Cecília Russo reforçou que essa organização não é apenas racional. “As nossas preferências por alguma marca, por outra e até falta de interesse ou rejeição por outras, é essa organização mental, perceptual dessa hierarquia”, disse. Em outras palavras, o consumidor classifica marcas na mente, criando uma escala de prestígio.

Exemplos ajudam a tornar o conceito concreto. No mercado de construção, a Quartzolit costuma ser tratada como padrão de qualidade por profissionais da área. Em culinária, há quem insista no fermento Fleischmann para garantir que o bolo cresça. São casos em que a posição hierárquica está consolidada: a marca do topo é pouco questionada.

A diferença entre galinheiro e mercado está na possibilidade de mudança. Enquanto, no estudo original, a posição das aves era difícil de alterar, no branding — gestão estratégica de marcas — há espaço para reposicionamento. Exige consistência, entendimento profundo do consumidor e proposta de valor clara.

Jaime sintetizou a lógica com uma provocação: “A marca que você tem, o da qual você cuida, você tem uma marca que bica mais ou que é mais bicada?” A pergunta vale para empresas de todos os portes.

A marca do Sua Marca

O principal aprendizado: toda marca ocupa um lugar na hierarquia mental do consumidor. Reconhecer essa posição é o primeiro passo para fortalecê-la. Quem ignora essa dinâmica corre o risco de competir apenas por preço. Quem entende a lógica da hierarquia pode trabalhar para ganhar prestígio e reduzir vulnerabilidades.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.