Avalanche Triciolor: Em família, feliz e na Libertadores

 

Grêmio 2 x 1 São Paulo
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

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Sozinho, sofredor e sempre acreditando, começo a assistir à decisão deste domingo emocionado com o estádio Olímpico tomado de gremistas. É das últimas vezes que veremos estas imagens do Monumental sacudindo com o pulo e grito dos torcedores, que, por merececimento, teriam de vir acompanhadas de uma excelente apresentação e a vitória, lógico. Como esperar tudo isso, porém, com quatro dos principais jogadores afastados, dois deles fundamentais para o time, casos de Elano e Kleber, e contra uma equipe que, foi o que ouvi durante toda a semana dos entendidos em futebol, tem feito atuações fabulosas? O revés no primeiro tempo, no instante em que o time apresentava-se melhor, resultado de dupla falha de Saimon, um dos que deixaram o estaleiro para formar a defesa, reforçava o ceticismo, sem apagar a esperança.

 

Aos poucos meu isolamento no sofá foi sendo substituído pela companhia da mulher, a primeira a se aproximar. Fez para me ver feliz, pois, mesmo tendo trabalhado com futebol por muitos anos, nunca admirou muito as partidas. Os meninos, como sempre, começaram o jogo diante do computador, apesar de que, com a habilidade que desenvolveram desde pequeno, são capazes de compartilhar a diversão digital com as emoções do jogo na TV. O resultado ruim em campo os fez se aproximar, talvez pelo mesmo sentimento que moveu a mãe, solidariedade. Sabiam quanto uma derrota naquelas condições, com aquela expectativa, com a chance desperdiçada de alcançar a passagem direta para a Libertadores iria calar fundo.

 

O menor se espremeu entre os pais. O mais velho chegou em seguida e se sentou no chão a frente do sofá. Para todos estarem ali em volta era porque percebiam que o momento exigia concentração total. Eram necessários mais do que os 45 mil torcedores que estavam no Olímpico. As tentativas de gol eram festejadas e as excelentes jogadas de Zé Roberto aplaudidas. Olhavam-me com piedade nas bolas perdidas e tentavam entender minha reclamação contra o árbitro mesmo quando ele acertava. O apoio deles me trouxe força e preocupação. Não gostaria de tê-los ali para compartilhar uma derrota. Seria marcante comemorarmos juntos uma virada que começou a se desenhar com a excelente – ou seria fabulosa? – apresentação do segundo tempo. Era outro time, outros jogadores, um futebol com mais personalidade.

 

Veio o primeiro gol do Guerreiro e a certeza de que o segundo se avizinhava. Veio o segundo com Moreno e a garantia de que nada mais poderia nos deter. Os torcedores gritaram “Fica Luxemburgo” e tive de explicar o por quê. Pediram “Fica Zé Roberto”e eu expliquei, também. Deram olé, foram superiores e comemoraram a vitória como se tivessem levado o título. E eu não precisei dizer mais nada. Apenas nos abraçamos, pois estávamos de volta à Libertadores no melhor estilo do Imortal Tricolor.

Avalanche Tricolor: o Campeonato Brasileiro do G4

 

O Fluminense é campeão virtual do Brasileiro 2012, estando nove pontos distante do Atlético Mineiro e dez pontos à frente do Grêmio, a apenas quatro rodadas do fim da competição. O aproveitamento do time carioca é de 72% até aqui e seus números são invejáveis. No entanto, se disputasse um campeonato paralelo com os demais três times que estão no G4, a equipe treinada por Abel Braga seria a terceira ou quarta força apenas. Se olharmos o confronto direto dos quatro primeiros colocados veremos que o Fluminense apenas conseguiu ganhar uma das seis partidas que disputou, contra o São Paulo, no primeiro turno, por 2 a 1, no Rio. Perdeu uma e empatou outra com o Atlético Mineiro; perdeu uma e empatou outra com o Grêmio. E empatou nesse domingo com o tricolor paulista, no Morumbi.

 

O time de melhor desempenho neste quadrangular fictício é o Atlético que venceu três de seus jogos e perdeu apenas para o São Paulo, por 1 a 0, no segundo turno. O Grêmio pode até passar dos mineiros, pois ganhou duas, empatou duas e perdeu uma. Para tanto, precisa vencer por dois gols de diferença do São Paulo no fim de semana, no Olímpico Monumental. Na primeira partida entre os dois clubes, fez 2 a 1, no Morumbi. O São Paulo venceu apenas uma partida e empatou outra no confronto direto com os adversário do G4. Se ganhar no fim de semana (deixe-me bater três vezes na madeira), empurra o Fluminense para a lanterna desta competição paralela.

 

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CAMPEONATO BRASILEIRO DO G4
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Atlético MG 3 x 2 Fluminense
Fluminense 0 x 0 Atlético MG

Atlético MG 1 x 0 São Paulo
São Paulo 1 x 0 Atlético MG

Atlético MG 0 x 0 Grêmio
Grêmio 0 x 1 Atlético MG

Grêmio 1 x 0 Fluminense
Fluminense 2 x 2 Grêmio

São Paulo 1 x 2 Grêmio
Grêmio – x – São Paulo

Fluminense 2 x 1 São Paulo
São Paulo 0 x 0 Fluminense

 

Este torneio que inventei não tem o menor valor a medida que o Brasileiro é disputado entre 20 equipes e o campeão é aquele que conquistar o maior número de pontos ao fim de 38 rodadas. Mas serve para mostrar que em uma competição com o tamanho do Brasileiro todas as partidas são decisivas, pois ganha-se o título com os três pontos tirados do laterna em uma rodada aparentemente sem importância e se desperdiça a temporada com derrotas e empates bobos em jogos considerados fáceis dentro de casa. Caso do Grêmio que botou fora seis pontos contra Portuguesa e Palmeiras, e mais alguns empates em jogos que estavam praticamente ganhos como contra o Santos e o Botafogo – todos no Olímpico.

 

Há muitos anos, ainda era um guri, ouvi de um dos nomes que fizeram história com a camisa do Grêmio, Paulo Lumumba, na época já atuando como técnico, que o Campeonato Gaúcho se perdia contra os times do interior e não contra o Inter. No Brasileiro, o cenário é muito semelhante. O jogo contra o líder não é uma final antecipada, como costumam dizer por aí. Todos os jogos são partes de um final que podem nos dar o título Brasileiro – ou nos tirar.

Avalanche Tricolor: gol de guerreiro, de torcedores guerreiros

 

Grêmio 1 x 0 Ponte Preta
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Futebol é como uma batalha, para vencer o adversário é preciso conquistar terreno. Na luta pela ocupação de espaço, vencem não apenas os mais valentes ou durões, mas os persistentes. É preciso explorar o talento e usar as melhores estratégias para se sobrepor ao inimigo. Foi esta conjução que levou o Grêmio a conquista dos três pontos neste início de noite de sábado. A cobrança de escanteio de Zé Roberto foi o traço de talento que faltou em quase toda a partida, em especial nos cruzamentos que eram feitos de um lado ou de outro. Mas para que aquela bola alcaçasse seu destino antes precisava ser desviada por alguém. Foi quando entrou em cena o desbravador André Lima, a quem falta muito daquilo que o futebol técnico exige, mas que jamais poderá ser acusado por desistir de lutar. Estava em desvantagem dentro da pequena área, fato que não o impediu de se jogar em direção a bola que havia sido caprichosamente enviada a ele. Com a determinação que se espera de um lutador, tomou o pequeno espaço que havia entre o goleiro e o zagueiro adversários. Os dois estão até agora reclamando de uma falta que jamais existiu. Não entenderam que eram apenas vítimas do espírito guerreiro que André leva para campo sempre que é sacado do banco para tarefas quase impossíveis. O atacante, ciente de suas limitações, abre veias e coração para incorporar o desejo dos torcedores que das arquibancadas (ou diante da televisão) têm apenas o grito e a fé como armas. Foram estes torcedores que fizeram o Grêmio ser melhor quando tinha um a menos em campo, aliás foram eles que deram o carrinho que causou a expulsão de Julio César (e o aplaudiram por isso), pois sabiam que era a única forma de salvar o Grêmio, depois da injustiça cometida pelo árbitro que não marcou falta em Elano. Assim como foram estes torcedores que empurraram aquela bola de André Lima para dentro do gol, aos 45 minutos do segundo tempo. Uma torcida que ainda pode nos levar muito longe. E aí daqueles que duvidarem.

Avalanche Tricolor: está na hora de decidir o que queremos

 

Bahia 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Salvador (BA)

 

As eleições fatiaram a rodada do Campeonato Brasileiro, anteciparam jogos para quinta-feira, empurraram outro para semana que vem, enfiaram alguns no sábado à tarde e deixaram os demais para o início desta noite – o do Grêmio foi um destes. Nesse domingo, dia sempre dedicado ao futebol, teremos o segundo turno das eleições em 50 cidades brasileiras, dentre as quais São Paulo, momento em que decidiremos quem será o prefeito da nossa cidade nos próximos quatro anos. Será a hora de fazermos nossas escolhas. Em alguns municípios, o cidadão pode manter o mesmo governante dando-lhe o prazer da reeleição, escolher um novo nome entre os candidatos que se capacitaram para disputar esta etapa ou mesmo levar de volta para a administração alguém que já tenha exercido a função. Levando em consideração os resultados do primeiro turno quando a abstenção passou dos 16%, é de se prever, nesse domingo, um grande número de não-eleitores, gente que prefere ficar em casa. Assim como também muitos eleitores devem optar por votar em branco ou anular. É comum disto acontecer no segundo turno pois parcela do eleitorado não simpatiza com nenhum dos candidatos. Ou sai da campanha sem ser convencido por nenhum deles.

 

Dou preferência às eleições nesta Avalanche porque de futebol tenho pouco a escrever. O desempenho do Grêmio, tanto quanto de seu adversário, no estádio do Pituaçu, em Salvador, se equiparou ao nível daquelas disputas eleitorais nas quais os candidatos se esforçaram muito mais em destruir o concorrente do que revelar seus talentos e potencial. A quantidade de erros cometidos e lances desperdiçados fez com que poucos se safassem nesta campanha (refiro-me agora ao futebol, lógico). De todos que estiveram em campo talvez apenas Marcelo Grohe levasse meu voto.

 

Agora é a hora de decidir se queremos sair desta disputa como vencedores, lutando até o fim, acreditando sempre, suando e sangrando se necessário, dando orgulho a seus torcedores ou se aceitamos o papel de coadjuvantes. E, entenda, não estou aqui a pedir o título (que está cada vez mais distante). Falo do espírito de conquistador que sempre prezamos em nossa história. Apesar do desânimo que o quarto empate seguido nos sugere, estou sempre disposto a rever minhas posições e a acreditar na força de recuperação desta agremiação. Por isso e pela campanha feita na maior parte deste campeonato que nos deixa na privilegiada zona da Libertadores desde o primeiro turno é que deposito meu voto de confiança nestes que aí estão a nos representar em campo. Que não nos decepcionem.

Avalanche Tricolor: Desculpa, Zé !

 

Grêmio 0 x 0 Coritiba
Brasileiro – Olímpico Monumental

20OCT12_GremioxCoritiba_013

 

Lembro quando o Grêmio trouxe Paulo César Lima para formar o time que seria campeão gaúcho em 1979. Famoso por seu comportamento polêmico tanto quanto pelo futebol elegante que jogava, chegou ao Rio Grande do Sul sob a desconfiança daqueles que não viam nele capacidade de oferecer ao torcedor gremista o esforço que sempre esperamos daqueles que vestem nossa camisa. Diziam que não teria força nem vontade para disputar o ríspido Campeonato Gaúcho e logo tiraria o pé das divididas e seu time de campo. Eu era adolescente e recordo do orgulho de saber que o Grêmio estava contratando um craque que havia brilhado na seleção brasileira e nos campos da Europa, onde jogou pelo Olympique de Marseille. Naquela época não era normal trazermos jogadores com este perfil, nossos principais craques com carimbo no passaporte haviam passado pela Argentina e Uruguai. Caju, apelido que ganhou pela cor que pintava a cabeleira, provou ser maior do que os críticos, participou da histórica partida contra o Esportivo, em Bento Gonçalves, única disputada no Brasil abaixo de neve, driblou quem tentou intimidá-lo pela força e conquistou o título de campeão gaúcho daquele ano. Voltou ao Grêmio, em 1983, para conquistar o Campeonato Mundial.

 

Paulo César Caju surgiu nas minhas lembranças neste início de noite de sábado, quando, aliás, assistimos a um jogo nem um pouco memorável – bem distante disto. A imagem daquele craque apareceu graças a Zé Roberto e sua performance impressionante, um jogador que consegue ser talentoso mesmo quando a mediocridade o cerca. Na estatística apresentada ao fim do primeiro tempo, nosso camisa 10 havia feito 20 passes e acertado todos, não sei quantos desses de calcanhar, desnorteando seu marcador e deixando seus companheiros em situação de ataque. A facilidade com toca na bola e como se movimenta para driblar os adversários, além da inteligência e visão de jogo, fazem dele um jogador muito diferente dos demais. Lamento apenas que não é retribuído da mesma forma por parcela de seus companheiros que deveriam pedir desculpas por não serem capazes de acompanhar o raciocínio do nosso craque.

Avalanche Tricolor: a reafirmação de um título

 

Fluminense 2 x 2 Grêmio
Brasileiro – Engenhão (RJ)

 

 

Você que me privilegia, rodada após rodada, com a leitura desta Avalanche não vai se surpreender com o que direi a seguir. Talvez você que esteja somente de passagem, pouco acostumado as minhas declarações apaixonadas, se espante e imagine que estou aqui ocupando espaço com subterfúgios para justificar um resultado que para a maioria dos torcedores brasileiros se aproximaria do infortúnio, pois nos deixa distante do título, mais uma vez. No entanto, eu e, com certeza, boa parte dos gremistas jamais nos pautaremos pelo comportamento da maioria. Temos uma olhar singular em relação ao futebol jogado e as exigências quanto à disposição do nosso time. Entendemos cada partida como uma disputa única, um momento de prazer próprio.

 

E, convenhamos, que prazer foi ver o Grêmio lutar bravamente dentro de campo, nesta noite de quarta-feira. Jogar equilibrando talento e raça, o que para muitos pode ser incompatível. As cobranças de falta de Elano, com categoria, que nos levou ao primeiro gol e de Léo Gago, com força, que deu origem ao segundo, resumem bem este meu pensamento. Também soubemos tocar a bola com esmero e roubar a bola com valentia, apesar da desvantagem numérica, exatamente no momento em que mais precisaríamos estar completos.

 

Não me cabe agora julgar o que levou Marcelo Moreno a tomar aquela atitude antes mesmo de completar o primeiro minuto em campo, logo após substituir Leandro. Quero crer que tenha sido uma reação provocada pelo excesso de paixão, de alguém que não suportou ver o adversário injustamente virar o placar quando o empate parecia ser o resultado mais apropriado até aquele momento. O certo é que a saída do atacante boliviano nos deu oportunidade de reafirmar que somos merecedores do título que mais orgulha nossa torcida. E foi pela reconquista deste título que comemorei ao apito final. O título de Imortal Tricolor.

Avalanche Tricolor: desanimar, jamais !

 

Grêmio 1 x 1 Botafogo
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Dá uma baita tristeza! A cara dos torcedores, destacada pelas câmeras na transmissão da TV, deixava isto muito claro. Um gol naquela altura do campeonato – literalmente – é de desanimar qualquer um. Assim como desanima ver que os lances a nosso favor são anulados, como o gol de Zé Roberto no primeiro tempo, enquanto os principais adversários são beneficiados, às vezes duplamente, na mesma partida.

 

O desânimo sobre o qual escrevo no parágrafo acima, no meu caso em particular, não dura mais do que algumas linhas, pois antes mesmo de começar a escrever esta Avalanche penso em tudo que já passamos na arquibancada, nas dificuldades encaradas com coragem, mesmo quando estávamos cientes da nossa incapacidade, nas derrotas sofridas e classificações que sabíamos impossíveis.

 

Logo percebo que vivemos outro momento, mesmo com resultados adversos como o desta noite de domingo. Mesmo entendendo que não conseguimos manter a bola no pé durante todo o segundo tempo. Sabendo que abdicamos de chutar a gol e nos faltaram substitutos a altura dos titulares.

 

Temos um time que desde a décima rodada está na zona da Libertadores. Tem o respeito dos adversários. Disputa ponto a ponto a vice-liderança. E ainda vive a esperança de conquistar o título, mesmo precisando driblar suas carências, erros de arbitragem e o talento dos concorrentes diretos.

 

Por tudo isso, não temos de desanimar, apenas lamentar. E no meio da semana nos recompor e encarar a partida como final de campeonato, pois não jogamos por um título. Jogamos porque gostamos. Porque queremos vencer sempre.

Avalanche Tricolor: uma jogada que conta uma história

 

Sport 1 x 3 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Retiro/Recife

 

 

Estava estatelado no chão, parecia abatido, sem força para reação. Foi humilde para se levantar sem lamentar, não esboçou qualquer reação nos olhos, parecia estar apenas cumprindo sua missão. Teve personalidade para erguer a cabeça, acreditar na sua capacidade, apostar em seu talento e enxergar no horizonte um espaço para brilhar. O lance que resultou no primeiro gol do Grêmio na importante vitória desta noite é praticamente a transcrição da história de Anderson Pico, nosso ala esquerdo que depois de todas as adversidades impostas por ele próprio encontrou no Olímpico, sua primeira casa, o ambiente que necessitava para rever sua carreira. Pediu para ficar, prometeu melhorar, entrou em campo e nunca mais deixou o time. Hoje, fez um gol segundos após escorregar no gramado da Ilha do Retiro e cair. Parecia perdido. Parecia, mas não estava. Ficou em pé, dominou a bola e viu, entre os zagueiros e o goleiro adversários, o espaço para dar inicio a mais uma conquista neste Campeonato Brasileiro. Não me refiro aos três pontos – estes buscamos todos os jogos -, mas a vice-liderança, uma posição que estamos galdando a cada rodada, para a qual nos preparamos para assumir na hora certa, sem precipitação. Faltam dez pontos para superar o líder e ficarmos com o título. A maior parte não acredita que sejamos capazes, considera o resultado final favas contadas. Muitos gremistas devem pensar da mesma maneira, principalmente quando viram que o time enfrantaria esta batalha contra os desesperados da Ilha com um elenco de reservas, pelas ausências de Gilberto Silva, Fernando, Zé Roberto, Elano e Marcelo Moreno. Devem ter preferido assistir às agruras de Max e o bem tramado enredo da novela Avenida Brasil. Azar deles todos, incrédulos. Perderam Anderson Pico, Naldo, Léo Gago, Marquinhos, Marco Antônio e o serelepe Leandro. Um dia serão todos, assim como eu, fiéis à Imortalidade.

Avalanche Tricolor: a vitória de uma torcida

 

Grêmio 2 x 1 Cruzeiro

Gremio x Cruzeiro

 

O juiz acabara de apitar o fim da partida e Marcelo Grohe correu em direção a Geral do Grêmio para comemorar a vitória, jogou a camisa para os torcedores, voltou à goleira, ajoelhou-se e agradeceu. Agradeceu a Deus, a quem é devoto, tanto quanto havia agradecido à torcida gremista a principal responsável pela virada desta noite. Éramos mais de 30 mil no Olímpico Monumental, que não arrederam o pé apesar da dificuldade do time em chutar a gol, da dificuldade ainda maior de superar o goleiro adversário quando conseguia chutar a gol e da tempestade que despencou sobre o estádio assim que a bola começou a rolar. Nenhum trovão, nenhum relâmpago, menos ainda o aguaceiro que teimava em atrapalhar nossas investidas calaram a voz dos nossos torcedores. Assim que levamos o gol em uma jogada isolada e descuidada, o grito soou mais forte nas arquibancadas.

 

Quando voltamos para o segundo tempo, em desvantagem, a pressão aumentou. O time foi empurrado para frente, cada roubada de bola era uma comemoração, divididas eram aclamadas e o esforço para superar a limitação técnica, ovacionado. O gol mais bonito foi o de Marcelo Moreno que entrou no segundo tempo, apesar dos problemas de saúde. Um golaço. Mas foi o de Marquinhos o mais simbólico. Antes de a bola parar no fundo do poço, uma sequência de lances mostrou o que nossa torcida é capaz de provocar. Moreno prensou bola duas vezes com seus marcadores, na segunda, foi jogado ao chão, caiu de joelhos, mas conseguiu fazer o passe. Leandro deu seguimento, entrou com velocidade na área, escapou dos zagueiros e chutou com muita força. No rebote do goleiro, a bola parecia fugir do nosso ataque, mas Marquinhos, caído, com a perna esticada, conseguiu empurrá-la para dentro do gol, quando tudo parecia perdido. Marquinhos, não. A torcida do Grêmio fez aquela bola entrar no gol.

 

Kleber até destacou a energia transmitida no vestiário, durante o intervalo, por Emerson, nosso auxiliar, campeão da Libertadores, do Brasileiro e da Copa do Brasil. Não sabia ele que Emérson era apenas o porta-voz de nossos torcedores e somente por isso fomos capazes de vencer com Naldo, Marco Antonio, André Lima e Marquinhos, e sem Gilberto Silva, Zé Roberto e Elano. À torcida gremista, nosso brinde nesta noite de sábado.

Avalanche Tricolor: Uma só palavra

 

Grêmio 1 x 1 Santos
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Os últimos domingos têm se encerrado com uma boa programação de TV, a começar pelos jogos do Grêmio que, por coincidência, estão fechando as rodadas do Campeonato Brasileiro há alguns fins de semana. Ao fim do jogo troco, imediatamente, o apito do juiz real pelo juiz da ficção, conforme confidenciei há alguns domingos, nesta Avalanche. Tenho gostado muito da série FDP da HBO e não apenas por encontrar várias citações ao Imortal, mas pelas divertidas histórias envolvendo o árbitro Juarez Gomes da Silva protagonizado pelo ator Eucir de Souza. Em seguida, assistimos (e uso o plural, porque a família está unida no sofá de casa) à série The Newsroom que conta os bastidores de um fictício canal de TV e do telejornal comandado por Jeff Daniels no papel do âncora Will McAvoy. Neste domingo não foi diferente, apesar de o Grêmio ter tentado estragar a programação com um “empate fora da curva”. Tanto um seriado como o outro compensaram com boa diversão, polêmica e discussões existenciais.

 

E a você que aguentou ler todo o parágrafo anterior a espera de alguma explicação para o resultado desta noite, quando poderíamos ter nos aproximado perigosamente do vice-líder, colocado pressão sobre o líder e ficado ao alcance do desejo maior, tenho a dizer apenas a primeira palavra que me veio à cabeça, menos inspirado no seriado da HBO e muito mais na confusão que fizemos em campo: FDP.