Avalanche Tricolor: simplesmente sofisticado

 

Ypiranga 1×2 Grêmio
Gaúcho – Estádio Colosso da Lagoa/Erechim

 

18326186_l

Lincoln comemora golaço, em foto de Diogo Zanaga/Gremio.net

 

O gol de Lincoln foi belíssimo. Há muito não se assistia a algo semelhante. O guri atrevido descobriu-se dentro da área, não bastasse todo o talento que tem demonstrado quando fora dela domina a bola, levanta a cabeça e coloca seus companheiros em condições de gol ou apavora seus marcadores com dribles rápidos e precisos.

 

A mando de Roger, Lincoln tem jogado mais próximo do gol e gols tem feito, como o que nos manteve na disputa da Libertadores no meio da semana, no minuto final da partida, e esse que nos ofereceu a liderança do Campeonato Gaúcho, ainda no primeiro tempo.

 

Dessa vez, o guri caprichou. Pelo alto, girando e de calcanhar colocou a bola longe do alcance do goleiro. Primeiro disseram que era de letra, depois chamaram o lance de chaleira, quiseram até compará-lo a Ibrahimovic, enquanto todos nós comemorávamos como sendo genial.

 

Foi preciso, porém, o guri deixar o gramado no intervalo de jogo para entendermos bem o que significava aquele gol para ele: uma ordem cumprida; função exercida a pedido do “professor”; aproveitar alguma bola que sobre por ali; nada de mais, até porque, disse com a mesma simplicidade com que dribla seus adversários, já marcou outros de calcanhar.

 

Visto o lance a partir da descrição de seu protagonista, confesso, tudo pareceu mesmo muito simples, sem ostentação, nada de excepcional, apenas o recurso que a jogada exigia pela maneira como a bola chegou nele e pela forma como ele chegou na bola.

 

Se com os pés, Lincoln fez os narradores lembrarem-se de craques do futebol, suas palavras me remeteram a um gênio da humanidade. Leonardo da Vinci já ensinou que “a simplicidade é o último grau da sofisticação”.

 

Lincoln foi simplesmente sofisticado.

Avalanche Tricolor: que o DNA de Roger prevaleça sempre

 

Cruzeiro-RS 1×3 Grêmio
Gaúcho – Estádio do Vale/Novo Hamburgo

 

25107003974_ee83876929_z

Bobô e Lincoln comemoram mais um gol Foto: Lucas Lebel/Grêmio FBPA

 

Jogadores titulares preservados para a próxima batalha logo ali na esquina, não se esperava muito da equipe escalada por Roger para a partida do fim de tarde de sábado, em Novo Hamburgo. Eram atletas que costumam treinar do mesmo lado, no time reserva, mas para os quais o técnico não dedica toda atenção tática. Treinam juntos, mas não coletivamente.

 

Verdade que alguns dos que entraram em campo a todo momento aparecem no time principal, muitas vezes sacados do banco como solução encontrada por Roger para resolver qualquer problema que por ventura ocorra no decorrer do jogo, casos de Fernandinho, Bobô e Henrique Almeida.

 

Dar oportunidade para Bruno Grassi no gol é sempre bom, pois ele demonstra segurança e personalidade no que faz. E a seleção está aí de olho em Marcelo Grohe.

 

As duas laterais apresentaram guris em ascensão: Kaio, que me pareceu mais disposto a ir ao ataque do que os próprios titulares, e Marcelo Hermes.

 

Ver Ramiro de volta ao time também me alegra, pois é daqueles jogadores que o grupo sempre precisa ter: se não deslumbra o torcedor pelo talento, o faz pela eficiência na função cumprida. Soube até que temporadas passadas foi dos que mais passes acertaram. Se não o que mais acertou. Informação a ser confirmada, mas que não me surpreenderia se verdadeira fosse.

 

Havia, também, Pedro Rocha, que inclusive já esteve entre os titulares e de quem sempre se está a espera de uma arrancada em direção ao gol, papel que cumpriu bem aos 26 minutos do primeiro tempo, ao empatar a partida.

 

Contra um adversário que disputava “copa do mundo”, a adversidade inicial, com mais um gol tomado de cabeça, não me assustou como deveria. Pois, mesmo diante de todas as fragilidades que pudéssemos ter, havia algo que me agradava: o DNA de Roger.

 

Sim, apesar de ser a equipe reserva, percebia-se a tentativa de tocar a bola com rapidez, se deslocar com agilidade, aproximar-se para receber e passar, e reduzir o espaço para o adversário jogar. Nem sempre com a habilidade necessária para que se protagonizasse em campo o ensaiado no treino, mas do jeito que Roger quer que o Grêmio jogue.

 

A satisfação de ver o esforço de a equipe reserva colocar em campo o que Roger pensa e gosta se deve ao fato de me sinalizar de que estamos criando uma cultura diferente no futebol gremista, que o tempo ainda reconhecerá com títulos.

 

Na partida desse sábado, porém, nada me agradou mais do que assistir ao futebol jogado por Lincoln.

 

Talentoso e aguerrido, nosso guri se agiganta no meio de campo. Técnico e destemido, torna nosso ataque melhor, pelo perigo que leva aos adversários ou pela qualidade em servir aos colegas mais bem posicionados na área – como no segundo gol, marcado por Bobô, aos 42 do primeiro tempo. Foi premiado com gol de pênalti provocado por seu domínio de bola, aos 11 do segundo tempo.

 

Talvez ainda seja muito novo para assumir a responsabilidade da camisa titular, especialmente diante dos compromissos mais sérios que temos pela frente, a começar pelo de terça-feira, quando teremos de ser maior do que fomos até aqui. Porém, Lincoln se transforma em esperança (e opção) de que o futebol qualificado, que tanto defendemos, terá vida longa.

 

Que chegue logo a terça-feira e o DNA de Roger prevaleça!

Avalanche Tricolor: vamos ao que realmente importa

 

Grêmio 0x0 Inter
Gaúcho/Copa Sul-Minas-RJ – Arena Grêmio

 

24937917964_13d7b257af_z

Miller em mais um ataque gremista FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

O Gre-nal deste domingo era um Gre-nal estranho. Valia por duas competições ao mesmo tempo (ambas sem muito valor), e estava intrometido entre dois jogos da única competição que realmente vale alguma coisa: a Libertadores.

 

Depois daquela atuação exuberante em busca do título sul-americano, com goleada em casa e o melhor desempenho até aqui na temporada, no meio da semana, o Grêmio foi apenas um esboço daquilo que o diferencia dos demais.

 

Nos primeiros minutos, bem que ensaiou o futebol de velocidade, precisão no passe e qualificado com o qual já estamos acostumados. E quase decidiu o jogo logo no seu início. Não teve sucesso.

 

Por mais motivados que pareciam estar nossos jogadores, lutando pelos espaços em campo (e alguns lutaram muito), disputando cada bola como se fosse a última, parece-me que se ressentiu da ressaca da Libertadores. Esteve mais lento do que o normal, mais distante do que de costume.

 

A retranca armada pelo adversário, típica dos times que enfrentamos no Campeonato Gaúcho, também nos fez sair das nossas características e nos levou a exagerar naquilo que mais nos faltava até aqui: chutes de fora da área.

 

De todos em campo, destaque para Geromel, o Senhor da Área. Ganhou todas as disputas que encarou e não deu chances aos atacantes que se atreviam a se aproximar de nosso gol. Nem precisou ser violento para isso.

 

Por cima, nosso zagueiro saltava mais alto do que qualquer outro e afastava o perigo de cabeça; por baixo, despachava para longe quando necessário ou buscava um companheiro mais bem colocado, se seguro fosse. E em baixo das traves impediu a consumação de uma injustiça com uma defesa incrível, no segundo tempo.

 

Por mais que a torcida, que fez belo espetáculo lotando a Arena, desejasse a vitória, porque vencer queremos sempre, do ponto de vista da competição estadual temos pouco a lamentar pelo empate, mesmo depois de assistir ao Luan desperdiçar o gol mais feito do jogo.

 

O que me preocupa é que este Gre-nal, em meio a dois jogos realmente importantes, causou baixa significativa para o Grêmio, com a perda de Miller (ex-Bolaños) por cerca de 30 dias, agredido no início da partida, sem que seu algoz fosse punido.

 

Temos elenco suficiente para superar a ausência dele no ataque, mas quando se está em uma competição de alto nível, privilégio de poucos no Rio Grande do Sul, é sempre bom contar com força máxima.

 

Que Miller volte logo.

 

Até quarta-feira, pela Libertadores, que, afinal, é o que realmente importa!

Avalanche Tricolor: a imagem não estava boa

 

São Paulo-RS 3×2 Grêmio
Gaúcho – Aldo Dapuzzo/Rio Grande

 

25126789432_d696969e5f_o_l

Everton tenta chegar ao ataque em foto do Grêmio/Lucas Uebe

 

Já havia ao menos 12 minutos de bola rolando, em Rio Grande, e a televisão insistia em mostrar outro jogo. Não que o que eu via me desagradasse (aquilo-que-você-sabe-o-que-é), mas preferia muito mais assistir ao jogo do Grêmio, afinal paguei pra ver.

 

Quando as imagens de Rio Grande surgiram na tela da minha TV não duraram muito tempo.Um contra-ataque gremista congelou. E a responsabilidade não era da defesa adversária. Era na transmissão mesmo. Problema no sinal.

 

Em seguida, com jogo em andamento, para tudo (mais uma vez): entra comercial, sei lá o que estavam anunciando. Meu interesse era o jogo, mas tive de pacientemente assistir à toda propaganda.

 

Comercial feito, vamos para a bola rolando. Mais ou menos. Alguns ataques deixaram de ser destacados, porque o diretor de TV (aquele que escolhe as imagens que vão ao ar) preferia cortar para a cena dos torcedores, dos treinadores, reproduzir o lance anterior e outros salamaleques.

 

Insisti. Continue a assistir ao jogo, apesar da imagem precária devido a iluminação ruim do estádio Aldo Dapuzzo.

 

Fui até o fim e não gostei nada do que vi … dentro de campo (e neste caso a televisão não tinha nada a ver com isso)

Avalanche Tricolor: o mais importante era a vitória

 

Grêmio 1×0 Novo Hamburgo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

24551621423_c701390c3f_z

Bobô comemora gol da vitória FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA no Flickr

 

“O mais importante era a vitória”, foi o que disse Bobô ao fim da partida. Concordo com ele.

 

Sei que vencer é sempre importante. Desta vez, porém, os três pontos valiam muito mais. Diante da maratona que o Grêmio tem de enfrentar nestes primeiros meses do ano, é preciso manter todos os adversários ao nosso alcance. Não podemos permitir que alguém se desgarre ou a pressão dos que vêm de baixo exija esforço extra. Conseguimos isso ao chegarmos na quinta rodada do Campeonato Gaúcho somente a três pontos do líder e com gente metida a grande atrás de nós.

 

A vitória também era o mais importante, neste fim de tarde de domingo, porque somente esta seria capaz de controlar os intolerantes, uma turma incapaz de perceber que time de futebol não se contrói do dia para a noite. Especialmente um time que pretende impor uma forma de jogar diferente da maioria dos demais clubes brasileiros. O futebol qualificado, de toque de bola veloz e eficiente, com aproximação e tomada de espaço, além de marcação precisa, exige ajuste fino por parte do técnico e muito treino e boa condição física por parte do elenco. Isso não se alcança logo no início da temporada.

 

Tenho a impressão de que alguns torcedores têm a necessidade de encontrar um herói para a sua vida, buscam o salvador da pátria, aquele capaz de resolver todos os problemas do time dentro de campo e todas as suas frustrações fora do futebol. Agindo assim, nos transformamos em máquina de moer talentos. O herói de um jogo vira anti-herói no seguinte. E se o time não funciona, este é bode expiatório, vaiado e injustiçado, como chegamos a assistir na partida de hoje.

 

Sair de campo vencedor também foi importante para o autor da frase que abre esta Avalanche. Bobô terminou a temporada passada sem convencer, mesmo diante de seu esforço e alguns poucos gols. A chegada de novos atacantes deixou-o em segundo plano, para muitos até fora dos planos. Já ao entrar no lugar de Henrique Almeida, aos 10 minutos do segundo tempo, em vez de o coadjuvante das partidas anteriores transformou-se em protagonista. Apareceu três vezes seguidas em frente ao gol adversário, duas delas impedido de seguir as jogadas por irregularidades sinalizadas pelo árbitro, e a terceira para garantir a vitória. Será muito bom se sempre pudermos contar com o Bobô que assistimos em campo hoje.

 

Os três pontos ainda valiam a tranquilidade para Roger trabalhar com seu grupo, adaptar os novos atacantes, ter tempo para acertar a dupla de zaga e testar alternativas na equipe, mesclando jogadores titulares e reservas, conforme a conveniência. Sem a vitória, teríamos de arriscar o planejamento e expor alguns dos principais talentos da equipe a uma sequência perigosa de jogos.

 

Se já não fossem motivos suficientes todos os relacionados nesta Avalanche, a vitória marcou o 50º jogo de Roger como técnico do Grêmio, que chegou até aqui com 62% de aproveitamento, 27 vitórias, 12 empates e 11 derrotas. Mais do que esses números todos: Roger foi o responsável pela transformação que o futebol gremista sofreu do ano passado para cá. Por tudo que tem feito ao Grêmio, ele merecia esses três pontos, neste momento.

 

“O mais importante era a vitória”, sim, e tudo mais que esta representava para Roger, para o time, para Bobô e para todos nós que torcemos pelo Grêmio.

Avalanche Tricolor: agora é Libertadores!

 

Grêmio 0x2 São José
Gaúcho – Arena Grêmio

 

24690164130_42eea540ac_z

Luan é um dos destaques do elenco OTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA, no Flickr

 

Malas prontas. Bilhete na mão. Passaporte no bolso.

 

Nesse sábado, o Grêmio embarca para o México, primeira parada desta longa jornada até o topo da América. Caminhada das mais difíceis que já enfrentamos em todos estes últimos anos.

 

De um lado, adversários nas alturas e competitivos. Desde o ano passado, leio que fazemos parte do Grupo da Morte, o que deve ser motivo de preocupação e muita atenção, sem dúvida. Sem jamais esquecer, porém, de que consagrados como Imortal somente nós.

 

De outro, temos um grupo de jogadores jovens, alguns despontando como craques e outros com talento em formação. Muitos em busca da consagração. E todos sob a batuta de uma das maiores revelações do comando técnico do futebol brasileiro: Roger.

 

Como se não bastasse a manutenção do grupo que surpreendeu os adversários e críticos brasileiros no ano passado, ainda ganhamos adesões importantes, nesta temporada: Henrique Almeida, que estreou hoje, e Miller (ex-Bolaños), que começará em breve – o mais breve possível. Ambos chegam não apenas para reforçar o ataque. Vestirão a camisa tricolor para fortalecer a artilharia.

 

Se sentimos falta de alguma coisa nesta ascensão que se iniciou com a chegada de Roger, é daquele jogador que gostamos de chamar de matador, daquele tipo que está predestinado ao chute fatal, mesmo que a bola desvie no zagueiro, esbarre no travessão ou esteja diante de um goleiro considerado intransponível.

 

A partida do início da noite desta sexta-feira nos mostrou isso com clareza. Tivemos velocidade no passe e pressão sobre o adversário em parte do jogo. Boas oportunidades apareceram, especialmente no primeiro tempo. Chegamos muitas vezes na cara do gol. Faltou-nos, no entanto, o cara capaz de superar-se, mesmo quando os fatos em campo não conspiram a nosso favor.

 

Na Libertadores, não nos faltará.

 

Os matadores chegaram. O time está mais maduro do que na temporada passada. E Roger saberá como poucos tirar proveito da derrota desta noite para chamar a atenção da equipe de que se pretendemos conquistar a América temos de ser resilientes diante da adversidade e perseverantes na superação de nossos próprios limites.

 

Que venha a Libertadores!

Avalanche Tricolor: antes que comece a próxima partida

 

Veranópolis 0x1 Grêmio
Gaúcho – Estádio Antônio David Farina/Veranópolis

 

24580626999_73ae6a74de_z

Lincoln é destaque no time do Grêmio FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA no Flickr

 

Jogo tarde da noite, o caro e raro leitor deste blog sabe bem da minha dificuldade para escrever. Mal consigo ficar em pé até a hora que a partida se encerra, pois logo em seguida terei de levantar para trabalhar. Imagine, então, ter de traduzir em palavras meus sentimentos enquanto olho para o relógio e acompanho os ponteiros se encontrando à meia-noite. O problema é que se demorar muito para publicar esta Avalanche, o próximo jogo já se iniciou, pois amanhã, sexta-feira, já estaremos em campo novamente.

 

De qualquer forma, resolvi deixar para hoje cedo, quando o sono ainda me aplaca, para contar a você o que assisti, ontem ao fim da noite, no acanhado Antônio David Farina, em Veranópolis. Um estádio, aliás, que está anos-luz fora do tempo, com todo respeito aos simpáticos torcedores adversários; alguns, inclusive, vendo a partida sentados sobre o muro que cerca o local. O conforto aos jogadores reservas e comissão técnica não ia muito além. O reservado me lembrava as antigas casamatas, nas quais o pessoal ficava sentado a altura do campo e se levantasse corria o risco de bater com a cabeça no teto.

 

Confesso que não saberia falar sobre a condição do gramado, mas a forma como perdemos mais um volante neste início de temporada deu-me a entender que a coisa ali também estava feia. Moisés travou o pé no piso enquanto tentava desarmar o adversário, e foi de lá direto para o departamento médico fazer companhia para Wallace e Ramiro.

 

Preocupa-me muito a perda de jogadores com tantas competições sendo disputadas ao mesmo tempo. Levo medo sempre que um dos nossos escapa a driblar em direção ao gol, pois tenho a impressão de que o marcador será implacável à saúde alheia. Uma chegada mais afoita pode selar o destino de nossos jogadores para o restante do ano.

 

A boa notícia de ontem é ver que Lincoln tende a crescer ainda mais com a experiência e a personalidade que vem adquirindo a cada entrada no time. Se conseguimos produzir alguma coisa no ataque, devemos muito ao talento do guri que, ontem, vestiu a camisa 10. Sem contar que a assistência que levou Bobô a marcar o único gol da partida ainda ofereceu ao atacante a oportunidade de reconquistar a confiança perdida há algum tempo. Sabemos que a autoestima dos centroavantes depende muito dos gol marcados. E pela maratona de jogos que temos à frente, Bobô pode ser útil (desde que fazendo gols, claro).

 

Gostei também de ver Felipe Tontini estreando no segundo tempo em lugar de Giuliano (outro que andou pelo departamento médico). Pelo lado direito do campo, mostrou domínio de bola, coragem para driblar e bom passe. Mesmo que sejam necessários mais jogos para confirmar suas qualidades, é sempre legal saber que os talentos rondam nosso elenco.

 

Por falar em elenco, eis aí talvez a melhor das notícias de ontem à noite. Com todas as dificuldades de entrosamento, o Grêmio tem sido capaz de vencer suas partidas, acumular pontos nas competições que disputa e fazer um rodízio de jogadores. De bons jogadores.

 

Avalanche Tricolor: #GrêmioÉClassico

 

Grêmio 3×1 Aimoré
Gaúcho – Estádio do Vale/Novo Hamburgo

0_04FEB16_GremioxAimore_344_l

Luan e Everton, craques do Grêmio. Foto de Lucas Lebel/GrêmioFBPA

 

“Estadual é clássico” diz a hashtag do Canal Premiere, que transmite as partidas do Campeonato Gaúcho, no sistema “pagou-para-ver”. Parece-me que a intenção é valorizar as competições estaduais, há algum tempo enfraquecidas pelo número excessivo de times inscritos, muitos sem qualquer qualificação, fórmulas mirabolantes para encaixar as datas no apertado calendário do futebol brasileiro, e estrutura acanhada de estádios e cidades que recebem os jogos.

 

A campanha publicitária do canal também faz questão de mostrar que os estaduais costumam ser decididos por lances e jogadores inusitados, que fazem a diferença. O Grêmio é representado pelo atacante Pedro Junior e o gol de cabeça que garantiu o título de 2006, em um time que tinha como principal estrela o meio campista Tcheco e era treinado por Mano Menezes.

 

No Grêmio atual de Roger, porém, os protagonistas são mesmo os craques do time. Jovens talentos que têm desempenhado futebol acima da média e oferecido ao torcedor lances de excelência. Na noite desta quinta-feira, assistimos mais uma vez à movimentação incrível dos garotos Everton, Luan, Pedro Rocha e, no segundo tempo, Lincoln – uma turma que não tem medo de jogar futebol refinado, assim como não foge à luta, quando necessário (às vezes até exagera, não é Luan?).

 

Seria injusto creditar apenas aos meninos a segunda vitória seguida na competição, pois se são capazes de tocar a bola com precisão e se deslocar com velocidade para recebê-la de volta, isto se deve ao trabalho de uma equipe muito bem treinada que consegue equilibrar a juventude e a experiência nos diversos setores do time: Maicon e Wallace como volantes e os laterais Oliveiras, mostram isso com clareza. Sem contar Douglas, o veterano do time, que encaixa passes como poucos no futebol brasileiro.

 

Mesmo saindo atrás no placar, o que sempre pode causar desajustes na equipe, o Grêmio tem conseguido “voltar para o jogo”, como dizem os entendidos em futebol, colocado a bola no chão e oferecido ao torcedor (ao menos para mim) a certeza de que, em pouco tempo, retomará o domínio da partida, passará à frente e consagrará mais uma vitória.

 

Mesmo considerando que é apenas o início da temporada e temos coisa bem mais importante a fazer neste ano, arrisco a dizer que o Grêmio já está jogando um futebol de muita classe. O Estadual, não sei, mas o Grêmio 2016, este sim, tem tudo para ser um clássico.

Avalanche Tricolor: prazer em revê-lo!

 

Brasil 1×3 Grêmio
Gaúcho – Centenário/Caxias do Sul

 

24369503409_9614c397cb_z

Foto:Lucas Uebel/Álbum oficial do Grêmio, no Flickr

 

O estádio era o velho Centenário, na Serra Gaúcha, onde assisti a muitos jogos pelo Campeonato Gaúcho – e lá também trabalhei, nas épocas de repórter de campo pela Rádio Guaíba de Porto Alegre. A imagem da vizinhança sobre a laje das casas que rodeiam o local, transformada em arquibancada, permanece. A impressão é que os arredores, no bairro de Marechal Floriano, pararam no tempo, apesar do crescimento da cidade de Caxias do Sul.

 

O adversário na estreia do Campeonato Gaúcho também era bem conhecido, aliás é um dos mais tradicionais do Rio Grande: o Brasil de Pelotas, que teve de migrar para Caxias, neste primeiro jogo, devido a punição imposta pela Federação Gaúcha de Futebol, ainda na competição do ano passado. O time tem sido o melhor do interior gaúcho nas últimas temporadas, acaba de subir para Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro e sempre é empurrado por uma fanática torcida

 

Apesar de Caxias, o Centenário e o Brasil de Pelotas me trazerem boas lembranças dos tempos em que morei no Rio Grande do Sul, a saudade que sentia, até a bola começar a rolar, era do Grêmio que encantou o futebol brasileiro no ano passado. Era daquele estilo de futebol que Roger nos ensinou a gostar: marcação sobre pressão, pouco espaço para o adversário jogar, time se movimentando com rapidez, bola saindo de um pé para o outro sem precipitação e muita precisão.

 

Já havia assistido às duas partidas anteriores, o amistoso contra o Danubio e a estreia na Copa Sul-Minas-Rio, ambos sem muito entusiasmo, seja porque a primeira nada valia, seja porque a segunda era com time reserva, que pouco se entendia.

 

Hoje, não! Hoje começava a temporada propriamente dita.

 

Time titular em campo e competição tradicional em disputa faziam desta partida a mais importante até aqui. As circunstâncias do jogo tornaram o resultado ainda mais relevante, pois encaramos um adversário esforçado e com marcação persistente, um árbitro metido a disciplinador e um gramado que se desmontava a medida que era pisoteado pelos jogadores. Não bastassem essas intempéries, ainda falhamos na marcação logo no início da partida e saímos atrás no placar.

 

Apesar das dificuldades iniciais e da irritação aparente de alguns jogadores, o Grêmio não abriu mão de sua maneira de jogar. O pouco espaço que restava em campo, devido ao sistema defensivo bem montado pelo técnico adversário, era usado para fazer a bola rolar de pé em pé.

 

O time parecia consciente de que somente tendo o domínio total da bola é que conseguiria chegar ao gol. Apesar de ter criado poucas chances, no primeiro tempo, o talento foi premiado com a jogada pelo lado direito em que Luan foi forte na marcação e veloz para encontrar Maicon, que corria em direção à área. De presente, Luan recebeu o passe de volta e empatou a partida.

 

No segundo tempo, ficou evidente que a conversa com Roger no vestiário mais uma vez colocou as coisas nos seus devidos lugares. Luan e Maicon voltaram a ser protagonistas ao servirem com categoria Everton e Pedro Rocha, no primeiro e no segundo gol, respectivamente.

 

O Grêmio está de volta!

 

Foi um prazer revê-lo!

Avalanche Tricolor: porque somos gremistas, meninos!

 

Inter 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Beira Rio (POA)

 

GremioCamisa_Fotor

 

Há três dias vejo um dos meus meninos vestindo a camisa do Grêmio. Não essa tricolor que vestem nossos jogadores em campo, mas camisas estilizadas, com destaque para o azul que nos representa, o símbolo no lado esquerdo do peito e imagens de um passado recente em que o Olímpico era nossa casa. Algumas tem dizeres impressos no tecido, mensagens enaltecendo nossa história e nossos mitos. Vestiu para ir a faculdade e a academia; para passear no shopping, também. Vestiu porque mesmo tendo nascido longe do Rio Grande aprendeu a ser gremista. Gosta de ser visto assim, identificado como tal. Os amigos mais próximos insistem em perguntar para quem ele torce aqui em São Paulo, como se torcer para o Grêmio não fosse suficiente. Ele não titubeia em responder: sou Grêmio e isso me basta!

 

Hoje, desde cedo, ele e o irmão acordaram mais atentos ao futebol do que costumam ser. Já devo ter contado aqui que, apesar da paixão do pai pelo esporte, eles preferem se concentrar nos times que disputam as competições eletrônicas, especialmente League of Legend, do que na bola rolando. No almoço, queriam saber como estávamos para a decisão e o que nos esperava na partida final.

 

Mesmo que diante do computador, torceram por mim desde o primeiro minuto de jogo, em Porto Alegre. Viram-me sofrer com dois gols que tiveram origem em falhas indesculpáveis de nossos marcadores. Viram-me vibrar no único lance em toda a partida no qual merecemos fazer nosso gol. Aproximaram-se de mim no segundo tempo para compartilhar o drama do relógio que corria para o minuto final. Lamentaram nossos erros e a falta de criatividade como lamentamos todos nós que torcemos pelo Grêmio.

 

Neste domingo, em que nossos defeitos se repetiram e nossos méritos não surgiram, assim como eu, os dois ficaram frustrados com o resultado final. É claro! Perder títulos sempre nos deixa com um gosto amargo. Tiveram, porém, mais uma lição de como um gremista é forjado. De que maneira nossa alma se constrói e nosso coração é massacrado. De que forma precisamos aprender a sofrer para nos tornarmos maior. De que o caminho até a vitória é aberto a partir dessas derrotas. Aprendizado que me fez mais forte na infância para me transformar em campeão do mundo na adolescência. E que está aí para moldar uma nova trajetória com as correções de rumo que se fizeram necessárias.

 

Independentemente do que tenha acontecido hoje e do que venha a acontecer amanhã e depois, nosso destino já está traçado: somos gremistas. E isso nos basta!