Por Dora Estevam

Esta semana, observei alguns pontos de táxis. O que me chamou a atenção foi a roupa dos motoristas. Notei que, atualmente, eles estão mais sociais na maneira de se vestir, e isso me causou uma boa impressão.
Quando estão em grupo, é fácil identificar o que estão vestindo, parece uniforme mesmo: calça bege ou preta, camisa branca e sapato social. Barba bem feita e carro limpo … Para combinar, é claro.
“Esta é uma das nossas preocupações, além da ética no atendimento com o cliente”, diz Natalício Bezerra Silva, presidente do Sindicato dos Taxistas de SP. “Nosso compromisso com o passageiro vai desde o relacionamento até o bem estar dele em toda a viagem. Imagine se um passageiro entra no carro e da de cara com um motorista todo sujo e mal cheiroso”.
Eu jamais pegaria um táxi se o motorista estivesse cabeludo, barbado e de óculos escuros, isso depõe contra o profissional. “E se eu fosse um cliente me manteria longe deste tipo”, ensina Edson Lamonica, motorista com ponto no Real Park, em SP.
“Aqui no ponto, nós trabalhamos durante a semana com roupas sociais, somente no sábado partimos para o casual, mas sempre bem arrumado. Procuramos estar com o rosto sempre a mostra, o carro limpo e organizado e, em todos os pedidos, descemos do carro para abrir a porta para o passageiro, seja ele uma empregada doméstica ou um grande executivo” – conta.
Edson trouxe na bagagem a experiência de 12 anos como motorista de empresa particular. Assim, foi mais fácil a adaptação. Ele até passa dicas para os amigos.
Estar barbeado e asseado faz parte do compromisso com o passageiro, a regra é fiscalizada e cobrada pelos coordenadores das praças.
“Assim como a roupa, o motorista tem de ser discreto: Não podemos falar mal da cidade de São Paulo nem tampouco dos passageiros, seja ele turista ou morador.” Discrição, também, em relação ao cliente, explica Natalício: “não podemos sair por ai contanto tudo o que ouvimos ou vimos dentro do táxi”.
O carro é como se fosse uma empresa. O motorista precisa se vestir adequadamente, falar bem e ter educação. O perfil dele indica a maneira com que conduz o carro. Um motorista bem arrumado causa boa impressão.
Ao pegar um táxi, espero que o motorista seja discreto, limpo, tenha bom senso, não ouça rádio com som alto e não encha minha viagem com histórias tristes, sobre a vida dos outros ou reclamando da própria. Espero que ele saiba me ouvir e me compreenda, além de chegar ao destino pelo melhor caminho.
Assim, certamente, ele fará parte da minha agenda, tão discreta e elegante.
Dora Estevam é jornalista, escreve aos sábados no Blog do Milton Jung e anda de táxi na cidade de São Paulo