Sua Marca: o que Davos ensinou aos gestores de marcas

 

 

“Ou você olha para as questões ambientais de uma forma comprometida e séria ou você trava a economia” — Jaime Troiano

A 50ª edição do Fórum Econômico Mundial, que se encerrou há uma semana, em Davos, na Suíça, deixou recado bem claro de que o desenvolvimento dos negócios está diretamente ligado a questão ambiental. Para Jaime Troiano e Cecília Russo, comentaristas do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, a mensagem precisa ser entendida pelos gestores de marcas porque ninguém mais vai investir em empresas que não tenham compromisso sério com os temas do meio ambiente.

“Antes a discussão se concentrava naquelas marcas ou empresas em que havia um efeito nocivo ao meio ambiente de forma evidente …. hoje, está em todas as empresas geradoras de produtos e serviços, e isso impactando a gestão da marca” —- Cecília Russo.

As marcas que têm práticas efetivas, comprometidas e transparentes com o meio ambiente saem na frente neste momento e terão um papel pedagógico para o restante dos mercados, pois demonstram que essa postura desenvolve uma proximidade com a sociedade e geram negócios. Exemplo da Natura e Ypê que são marcas que aparecem com frequência em destaque na pesquisa Top of Mind, realizada anualmente pelo jornal Folha de São Paulo, no quesito respeito ao meio ambiente.

“Nos projetos de branding é preciso haver uma área que pense o quanto essa marca está comprometida com o assunto ou está apenas fazendo espuma”, diz Troiano.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN, e tem a apresentação de Mílton Jung.

Conte Sua História de São Paulo: tentando desvendar-te em cada noite fria

 

 

Neide Lopes Ciarlariello
Ouvinte da CBN

 

 

 

 

No Conte Sua História de São Paulo vamos ouvir o soneto da ouvinte da CBN Neide Lopes Ciarlariello, paulista, filha de paulistanos e neta do cantor paulista Paraguassu. Neide está com 80 anos, é poeta, pertence a Academia Contemporânea de Letras de São Paulo e a Real Academia de Letras do Rio Grande do Sul:
 

 

Intrinsicamente ligadas, eu e tu amada minha
Tão bela! Sonho que percorro em cada via
Em cada esquina, em cada praça em cada vinha.
Te absorvo passo à passo, noite e dia
 

 

Na incansável busca do teu cerne
Tentando desvendar-te em cada noite fria
Eu não consigo, por mais que me aderne
No rastro prateado daquela estrela guia.
 

 

Pedantife de esmeraldas de Fernão
Cinzelada pela força do trabalho
És única nesse turbilhão, és joia rara
 

 

Emoldurada em ouro pelo sol
Minha São Paulo!
Minha terra!
Meu torrão!
 

 

Neide Lopes Ciarlariello é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie suas lembranças da cidade para contesuahistoria@cbn.com.br. 

Mundo Corporativo: para ser um líder inovador é preciso desapegar das velhas soluções, diz Eliana Dutra

 

“Você como líder, como investidor, como CEO, você tem que conhecer os seus vieses, os seus preconceitos para você não se deixar limitar, porque a inovação ela é sempre disruptiva, ela sempre vai lhe causar um desconforto”

As empresas estão constantemente em busca de inovação e têm sido impactadas pelas transformações que ocorrem nos diversos setores da economia. Para liderar essas empresas, há necessidade de uma forte capacidade de adaptação para a qual nem sempre os profissionais estão preparados. Eliana Dutra, CEO da Profit Coach, tem se dedicado a treinar esses líderes desde 1999 e foi com ela que nós conversamos no programa Mundo Corporativo, da CBN.

 

Dutra sugere que o líder inovador seja desapegado de suas funções e de seus sucessos, porque só inovamos quando nos desapegamos das velhas soluções:

“… a inovação é sempre disruptiva, sempre vai causar um desconforto, então você tem de olhar este desconforto e perceber se ele é um desconforto só porque é inovação ou porque está anexado a algum preconceito”.

Eliana ressalta que o perfil do líder deixou de ser o do profissional autoritário, que manda o outro fazer as tarefas, para ser o líder com visão estratégica capaz de engajar os colaboradores da sua equipe:

“Eu costumo dizer que um líder sem seguidores é só um sujeito dando um passeio”

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas, pelo Twitter (@CBNoficial) e pela página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e domingo às 10 da noite em horário alternativo. Você pode ouvir o programa também em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Rafael Furugen, Bianca Kirklewski e Débora Gonçalves

Conte Sua História de São Paulo 466: os passeios de bar em bar na noite paulistana

 

Carlos Ferreira Lima
Ouvinte da CBN

 

 

São Paulo nunca foi uma cidade, digamos, muito tranquila. Sempre teve seus bandidos, alguns até famosos. Mas entre os anos de 1970 e 1980 dava para atravessar, por exemplo, sem medo, de madrugada, a Praça da Sé — ao menos era o que eu fazia, sem susto, sem sobressaltos.

 

Na Praça da Sé mesmo, do lado esquerdo de quem entra no imponente prédio de fachada de estilo jônico e granito negro da Caixa Econômica Federal, havia um bar minúsculo, desses que não suportariam três fregueses em pé, chamado Toca da Onça, que ficava aberto 24 horas. As sugestões de ‘comes e bebes’ eram poucas, e honestas: servia um sanduíche de linguiça do tipo Bragança, saboroso, feito na chapa. Podia-se até encomendar a compra da linguiça, a granel, por quilo. Depois que o bar fechou, o lugar virou loja de cartuchos, cujo letreiro até outro dia ainda estava estampado no toldo. Voltou a fechar.

 

Eu trabalhava no BCN — Banco de Crédito Nacional, que também não existe mais, na Rua Boa Vista. Algumas vezes, às sextas-feiras, após o expediente e quando não tinha aula, caminhava até o Bexiga que na época bombava como hoje ferve a Vila Madalena. Havia bares como o Café do Bexiga, o Persona e o Boca da Noite. Daqueles tempos, resistem o Café Piu Piu e o Café Aurora.

 

O Persona era de um artista plástico, todo decorado com espelho e velas. Nele jogava-se o Persona com um espelho, um par de velas e um disco do tamanho de um long play. Um casal, frente a frente, intercambiava imagens e brincava com isso por um bom tempo. Jazz e rock ao vivo eram as trilhas sonoras. O baixista Pete Woolley estava sempre tocando por lá.

 

Na volta do Bexiga, a pé, de madrugada, pela Santo Amaro, Maria Paula, Viaduto Dona Paulina, chegava a Praça da Sé. Uma parada para comer um sanduíche, beber, provavelmente, uma saideira, descer a General Carneiro e chegar Praça Ragueb Chohfi, no Parque Dom Pedro II. De lá seguia para casa, com um ônibus que circulava 24 horas — coisa rara naquele tempo. Esta linha que seguia para Ferraz de Vasconcelos, na Região Metropolitana, cortava a zona Leste — passava pelo Tatuapé, Carrão, Vila Formosa, Itaquera. Não existe mais, assim como muitos dos bares que frequentei. Assim como a tranqüilidade que me permitia caminhar de madrugada. O que persiste é São Paulo. A nossa São Paulo.

 

Carlos Ferreira Lima é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também as suas lembranças da cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo 466: o primeiro emprego no estúdio dos jingles

 

Cláudio Moreira
Ouvinte da CBN

 

 

Nasci na Maternidade São Paulo. Hoje, tenho 73 anos. E me veio a mente as lembranças do meu primeiro emprego, em 1961. Fui trabalhar no centro da cidade que para mim era uma consagração, pois fui para a rua mais badalada de São Paulo daquela época, a Barão de Itapetininga. Número 255, Galeria Califórnia. Ali havia a Magson que depois virou Studio G. Martins, onde eram gravados os melhores jingles do rádio e da TV brasileiros.

 

Eu era office-boy e tinha contato direto com os grandes criadores: Gilberto Martins, Heitor Carillo, Carlos Henrique e o o maestro Hector, um argentino. Lá foram criados os jingles da ‘Grapette, quem toma repete’, ‘Tody dá mais energia’ e, entre outros tantos, o do Creme Rugol ….

 

Não segui esse caminho da criatividade. Fui para o mundo financeiro, que não deixa de ser criativo, vai? Agora, aposentado, ouço a CBN boa parte do dia e curto minha neta Duda, de cinco anos. Aprendi muito com aquele pessoal do primeiro emprego. Considero-me um cara alegre e criativo —- ao menos é o que Duda costuma dizer quando fala do vovô.

 

Claudio Moreira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva as suas lembranças da cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

Sua Marca: usar influenciadores digitais exige autenticidade

 

 

“Antes tínhamos os garotos ou garotas-propaganda os influencers são a versão modernas deles” — Cecília Russo.

O uso de influenciadores digitais para construção de uma marca tem se tornado bastante comum e com resultados impactantes como mostram pesquisas recentes. De acordo com estudo realizado no Reino Unido, 61% dos consumidores entre 18 e 34 anos mudaram suas escolhas de compra a partir da opinião de um influencer. A ampla maioria das pessoas, porém, diz que somente segue o influenciador quando enxerga nele autenticidade.
 

 

Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo fizeram uma lista de como o gestor da marca de uma empresa, negócio ou serviço deve agir diante dessa realidade:
 

 

  1. Escolha um influencer conectado com sua marca, ou seja, que tenha afinidade com o tema, autenticidade;
  2. Quanto mais espontânea for a mensagem melhor, discursos pré-formatados e engessados perdem valor;
  3. Não se concentre em um só influenciador para não ficar com cara de garoto-propaganda nem refém daquela imagem;
  4. Concentre-se menos em pautas sobre sua marca e mais sobre o setor e os atributos valorizados neste segmento. A marca não deve ser protagonista e sim a solução natural para a causa defendida pelo influencer.

 

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Sua Marca: o papel pedagógico das marcas

 

“As marcas têm um papel de formação da cidadania no Brasil, também” —- Jaime Troiano

Com uma quantidade enorme de pessoas ainda fora do mercado de consumo e outra parcela começando somente agora a experimentar algumas novas características de serviços, é preciso que as marcas tenham muita responsabilidade no relacionamento com esse público, desempenhando um papel pedagógico. O recado é de Jaime Troiano e Cecília Russo, em conversa com Mílton Jung no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN.

 

Um exemplo é o trabalho que algumas fintechs —- startups que otimizam serviços financeiros —- estão desenvolvendo ao atraírem clientes que até pouco tempo não tinham acesso ao sistema bancário. Segundo dados do Instituto Locomotiva, cerca de 45 milhões de brasileiros não têm conta bancária e, assim, encontro dificuldades de acesso a serviços essenciais para seu desenvolvimento como a obtenção de crédito para abertura de negócios.

 

A tentação em conquistar esses clientes não pode jamais se sobrepor a importância de se desenvolver uma comunicação que eduque o consumidor. “Quando a gente fala das marcas serem simples, acessíveis e inclusivas, estamos pedindo uma linguagem para que as pessoas entendam e melhorem sua capacidade de entrar no mercado de consumo, sem serem enganadas e fazendo escolhas mais conscientes”, diz Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo 466: meu amor preso na jaula do Parque Shangai

 

Cesar Campos
Ouvinte da CBN

 

 

Hoje estou com 65 anos. Quando criança vi coisas incríveis em São Paulo.

 

Meus pais eram separados e eu vivia com minha mãe e irmãos. Esperava com ardor o dia de sábado, quando ele me levava a passear no Parque Dom Pedro II. Cheio de árvores, caminhos ladeados de flores e plantas tropicais. Tinha lagos, uma ilha artificial. Pequeninas pontes. Que o coronel Américo Fontenelli transformou em estacionamento de ônibus.

 

Ao lado do parque D Pedro, meu pai me levava ao Shangai, uma jóia então perene para os olhos de uma criança de seis ou sete anos. Foi lá que tive minha primeira paixão de que me recordo. Uma bela moça, que deveria ter 18 ou 19 anos, que se transfigurava, por um acidente genético ou maldição tribal, em um enorme gorila. Era a Monga, a Mulher-Macaco. Uma morena de maiô, lindas pernas, cabelos ondulados e longos, lábios carnudos. Quando, ao apagar das luzes, ela se transformava e ameaçava sair da jaula, as pessoas corriam e gritavam. Eu ficava firme, como um herói, esperando que ela voltasse a sua beleza natural na próxima sessão. Ou no sábado seguinte.

 

Com minha mãe, eu andava de bonde. Com seu cobrador heróico, que circulava pendurado na boleia com os dedos cheios de notas de dinheiro fazendo troco. Curtia a chuva de dentro do “bonde camarão”, aquele fechado, onde eu via a publicidade do Rum Creosotado.

 

Pegava o bonde na Avenida Celso Garcia, no Brás, onde morávamos, até a Praça Clóvis Bevilacqua; e na Praça da Sé embarcávamos em um segundo bonde que subia a Vergueiro até a Praça Santo Agostinho, onde morava minha madrinha Josefina, amiga de mamãe dos tempos de juventude em Ribeirão Preto. Eu ficava horas na varanda, olhando aquela pracinha com ares europeus, árvores miúdas e banquinhos, ladeada por muros de tijolinhos à vista da Igreja e vivendo, quem sabe, um “dèja-vu” de outras vidas no velho continente.

 

Hoje, invejo as antigas cidades europeias que mantém suas paisagens centenárias e permitem aos velhos caminharem sobre as mesmas calçadas e tocarem os muros que guardam memórias.

 

César Campos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você também suas lembranças e envie e para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo 466: as cadeiras na calçada do Bexiga

 

Armando Fragnan
Ouvinte da CBN

 

 

Antigo reduto da colônia italiana desde o início do século passado, hoje transformado em bairro boêmio, acompanhei a todas as modificações ocorridas no Bexiga. Assisti à desapropriação na década de 60 que desfigurou grande parte da região.

 

Nascido e criado na rua João Passalacqua, quase nada lembra o antigo bairro. Os italianos, alfaiates, sapateiros, barbeiros e marceneiros desapareceram do bairro, com exceção dos padeiros que conseguiram resistir ao tempo. Naquela época lembro-me que segunda-feira era feriado para tais profissionais.

 

Ao domingos era infalível a missa na capela do Colégio Passalacqua. A seguir, os alunos rumavam para a segunda missa, na igreja Nossa Senhora de Achiropita. Nos fins de semana, a moda era frequentar o cine Rex, que exibia dois filmes aos moradores do bairro. Na rua Rui Barbosa, os vizinhos retiravam as cadeiras de suas casas, levando-as às calçadas onde sentavam enfileirados lembrando os costumes calabreses, sicilianos e napolitanos.

 

Havia as partidas de futebol de salão que se realizavam na quadra do Boca Junio’r da Bela Vista, na rua Santo Antonio.

 

Nas enfermidade da família era obrigatória a visita domiciliar do doutor Mazza que, religiosamente, acompanhava a evolução do paciente em casa, constituindo o médico da família, figura quase extinta nos dias atuais.

 

Pelas ruas do bairro, por falta de lugar apropriado, aconteciam os ensaios da Escola de Samba Vai-Vai, na época Cordão Vai-Vai.

 

Os primeiros namoros e, posteriormente, os bailinhos da rua Major Diogo, na época da Jovem Guarda, existem hoje apenas em nossas lembranças.

 

Do antigo Bexiga, que originou a este novo Bexiga, resta apenas a saudade de quem teve o privilégio de vivê-lo.

 

Armando Fragnan é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva suas lembranças da cidade e envie o texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos de São Paulo, visite o meu blog miltonjung@cbn.com.br

Conte Sua História de São Paulo 466: as tribos e índios que cercaram minha infância, no Planalto Paulista

 

Maria Ângela Silveira de Souza
Ouvinte da CBN

 

 

Tribos, índios e objetos indígenas cercaram minha infância. Não, não sou filhos de índios, mas o bairro onde morei dos três aos 11 anos, o Planalto Paulista, emprestou dos povos nativos diversos nomes para batizar suas ruas. Aratãs, Guainumbis, Itacira, Piassanguaba e Quinimuras são alguns dos que povoaram meu mundo. Meus vizinhos eram o Ibirapuera e Moema.

 

Minha taba … minha casa era cercada por ladeiras, que me viram passar e crescer entre os anos de 1950 e 1960. Quando mudei para lá, minha rua e outras como a Av Indianópolis eram de terra, e ela foi a matéria-prima para as minhas brincadeiras. Do barro, fazia as comidinhas para as bonecas. Na terra mais seca, caprichava nos buraquinhos feitos com tampinha de garrafa para jogar bolinha de gude. Empinar papagaio era minha alegria. Eu mesma construía meu pássaro com papel de seda, varetas, cola de farinha e linha de costura. Tudo comprado no armazém do bairro, que vendia também balas, maria-mole, arroz, óleo, caderno e um mundinho de coisas práticas.

 

Vi as ruas serem asfaltadas e logo ganhei minha primeira bicicleta. Uma Monark vermelha com cano para meninas. A sensação era de que havia ganhado o mundo. Pedalava ladeira abaixo, sozinha, feliz pela liberdade inocente e gostosa. às vezes exagerava. E o farmacêutico do bairro é que cuidava dos curativos.

 

Com o aeroporto de Congonhas, meu pai me levava para ver as aeronaves de perto e tomar um lanche. Me encantavam os passageiros muito bem vestidos e chiques. Em 1963, um avião caiu perto de casa. Dos 50 a bordo, 13 sobreviveram. Nunca mais esqueci o nome de um deles: Renato Consorte, conhecido comediante da época — que, hoje, é até nome de rua.

 

A avenida Paulista faz parte da minha vida —- quase uma extensão de casa. Vi o antigo Cine Astor, no Conjunto Nacional, se transformar na Livraria Cultura. Presenciei o incêndio no Center 3, em 1987. Em meados de 1990, mãe, frequentei o Parque Trianon com minha filha, e gostávamos de ver um bicho-preguiça que ficava na árvore. Nunca mais apareceu.

 

As mudanças na cidade eram visíveis e dava para acompanhar o que nascia e o que morria. Agora, a velocidade com que tudo acontece não dá tempo para expectativas e a mais paulista das avenidas mostra uma nova cara a cada dia. Deixou de lado a sisudez de terno, gravata e tailleurs e abriu os braços para todas as tribos
 

 


Maria Ângela Silveira de Souza é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.