Conte Sua História de SP: o leite na porta de casa e o padeiro na sala, na Alameda Franca

 

Por Cristina Khouri

 

 

Sou neta de imigrantes sírios que chegaram no Brasil ainda na adolescência. Meus Avós eram irmãos e aqui construíram seus negócios e fizeram família. Meu pai, Manoel Francisco, se estabeleceu na região da 25 de Março vendendo tecidos na famosa LOJA 73 na antiga Rua Santo André.

 

Ele me contava sempre sobre as histórias da cidade, como a construção do Mercado Municipal da Cantareira e da dificuldade de fazer a fundação pelo fato do solo não ser firme, dos lampiões de gás que eram acesos com uma vareta longa nos fins de tarde e apagados no começo da manhā. Sempre lembro desse detalhe quando passo todos os dias pela Praça da Sė a caminho do trabalho e vejo aqueles postes imponentes enfeitando a Praça. Imagino a magia desta cena! Pena que nāo estāo cuidados!

 

Falava-me sempre sobre a Revoluçāo de 32 e por que as iniciais MMDC no Obelisco do Ibirapuera.

 

Na época do carnaval, ele nos levava para acompanhar o Corso, um desfile de carro, e íamos felizes, sentados no porta malas aberto da perua Dodge, participando das brincadeiras de rua, jogando confetes e serpentinas nos foliões.

 

Passeava com minha māe, Dona Emília, na rua Direita, numa casa de lanche onde ela se encontrava com amigas para um chá. Aliás, também para compras, pois o comércio se concentrava no centro da cidade.

 

Lembro-me bem da nossa casa na Alameda Franca em cuja porta o leiteiro deixava as garrafas de vidro cheias de manhā e minha mãe retornava as vazias no dia seguinte quando ele trazia o leite novamente. O padeiro, o senhor Vilarinho, trazendo na sua camionete uma variedade enorme de pães, que ele colocava numa cesta oval de vime e entrava nas casas para as pessoas escolherem. Esse ritual acontecia no café da manhã e na hora do almoço. Enquanto eu almoçava, escolhia o pāo doce que iria levar para o lanche da escola.

 

 
Que emoçāo andar naquele bonde aberto na Avenida Paulista! Era um passeio divertido! E quando saíamos de carro, eu pedia pro meu pai sempre andar nos trilhos .

 

Assim como ir no Parque Shangai, no circo do Arrelia ou no Horto Florestal! As brincadeiras de rua, onde a meninada batia figurinha, jogava bolinha de gude ou andava de carrinho rolemā! Costumávamos ir até a Igreja da Penha pois meu pai era devoto.

 

Foram tempos marcantes na minha vida e de meus irmāos. Eu amo esta cidade, ela nos acolheu e ofereceu tudo que tem de melhor.

 

Cristina Khouri é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode enviar seu texto para miltonjung@cbn.com.br e ler outras história da nossa cidade aqui no Blog.

Mundo Corporativo: Stella Susskind fala como cliente oculto ajuda a melhorar o atendimento

 

 

“Tem de pensar que todo cliente é um cliente secreto, não se pode pecar com cliente nenhum, todos devem ser atendidos com atenção especial, não se pode esquecer que por trás desta palavra “cliente” existe um ser humano, com ligações racionais e emocionais com cada uma das marcas”. A recomendação é de Stella Kochen Susskind, especializada em atendimento ao cliente, entrevistada por Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Susskind é presidente da Shopper Experience e foi pioneira na aplicação da metodologia do cliente oculto para avaliação do serviço prestado pelas empresas, no Brasil. Ela explica os benefícios deste método, como funciona e, inclusive, a oportunidade de emprego que existe: “é um consumidor efetivo com hábito de compra, uma dona de casa, profissional liberal, estudante e executivo que são treinados e avaliam lojas, companhias aéreas e bancos; eles vão além da experiência do cliente comum”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site http://www.cbn.com.br, com perguntas do ouvinte pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN e tem participação do Paulo Rodolfo, Douglas Mattos e  Ernesto Fosci.

Conte Sua História de SP: chegamos em um caminhãozinho só com caixotes para sentar

 

Por Inês Scarpa Carneiro

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte-internauta Inês Scarpa Carneiro:

 

Sou a décima terceira filha de Dona Ana, somos em sete homens e seis mulheres. Minha mãe Ana chegou viúva com seus 13 filhos aqui em São Paulo, em 1959. Quando aqui chegou ficou tão encantada que gritou: isso é o paraíso!

 

Paraíso porque saímos de uma cidadezinha do interior chamada Echaporã – um chinês falava é sapo e o outro japones dizia é rã, então, ficou Echaporã.

 

Fomos morar em Vila Formosa. Chegamos em um caminhãozinho só com caixotes para sentar. Logo, ela colocou meus 5 irmãos a trabalharem no Moinho Santista e tudo melhorou. Os outros foram morar no comércio, na feira … Não deu  para nenhum fazer faculdade, mas todos vivem bem aqui em São Paulo.

 

Eu senti muito pois não conheci meu pai, morreu com 51 anos com complicações de uma mordida de escorpião que estava dentro do saco de arroz.

 

Aprendi a amar São Paulo como minha mãe amou, fiz um curso técnico agropecuário e  hoje sou produtora rural do Sítio da Felicidade e vendo meus produtos dentro de um galpão no parque da Água Branca. Tenho ovos verdes, coloridos, de “galinhas felizes”. Soltas, alegres, botam ovos quando querem, namoram o dia inteiro porque tem vários companheiros galos.

 

Esse foi meu grande sonho realizado aqui na cidade, pois eu pegava esses ovinhos coloridos lá em Echaporã para minha mãe quando tinha meus três aninhos…

 

Obrigado, São Paulo por nos acolher. Você sempre vai estar em meu coração. Cada vez que viajo não vejo a hora de voltar.

 

Inês Scarpa Carneiro é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade: mande seu texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: a encomenda do japonês

 

Por Marco Antonio Alcantara Fernandes

 

 

Entre os anos de 2001 e 2003, eu já fazia transporte executivo. Tinha um Omega azul marinho, placa DEP3333. Eu de terno, óculos escuros, num  bom estilo.

 

Estava voltando do Aeroporto de Guarulhos pela Avenida Tiradentes quando um amigo, que também faz esse serviço, me liga perguntando se poderia ir até Guarulhos na casa de um cliente dele que esquecera uma encomenda e não poderia embarcar por Congonhas sem ela.

 

Era um japonês, Dei meia volta e fui correndo à casa dele. Uma japonesa já me aguardava na porta com um pacote retangular e me entregou em mãos. O que tinha no pacote? Pelo estilo, parecia dinheiro, dólar ou similar.

 

O VIP me ligava a todo instante e o trânsito não auxiliava. E com muita pressão, tomei uma decisão: comecei a parar as motos no corredor da Tiradentes para ver se o motociclista aceitava trocar comigo.

 

Após algumas tentativas e parecendo um doído com minha proposta – ele me emprestava a moto e levava meu carro até Congonhas por um R$50,00 – eis que surge um filho de Deus. O rapaz ainda tentou me explicar as manhas da moto, mas a adrenalina estava forte para concentrar naquele assunto. Troquei números de celular e estava saindo quando, 50 metros à frente, vi que havia esquecido o dito pacote em cima do banco  do carro. Voltei ainda no contra fluxo, peguei o pacote e ele voltou insistir, queria me instruir sobre freio, marcha e outras coisa.

 

A moto era muito pequena. As rodas não estavam alinhadas. Uma mais à esquerda, outra mais à direita. O capacete não entrava todo na cabeça. Mesmo assim, lá fui eu: 1 metro e 89 de altura, 120 quilos, terno e gravata, no comando daquela pequena e abençoada moto.

 

Foi difícil. Mas cheguei e entreguei a encomenda. O VIP nem percebeu o movimento, me deu um cheque de R$ 100 chorado … e eu fiquei mais uns 45 minutos aguardando a chegada do abençoado motoqueiro. Dei-lhe R$50,00 e seguimos nossos caminhos.

 

Marco Antônio Alcantara Fernandes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade: mande seu texto para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Marco Crespo, do Instituto Ayrton Senna, convida você a construir carreira no terceiro setor

 

 

“A gente quer trazer cada vez mais pessoas talentosas que possa dedicar o seu tempo e ser remunerada por isso para fazer o bem para a sociedade”. A afirmação é de Marco Crespo, diretor de negócios do Instituto Ayrton Senna, que defende a ideia dos profissionais construírem carreira no terceiro setor. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, Crespo fala da experiência de mais de 20 anos da organização que hoje alcança cerca de 1 milhão de pessoas através de ações na área de educação. O executivo faz recomendações para quem pretende atuar neste segmento e trata das estratégias de negócio necessárias para a implantação de projetos no terceiro setor.

 

O Mundo Corporativo é apresentado às quartas-feiras, 11 horas, ao vivo, pelo site http://www.cbn.com.br. Os ouvintes podem participar com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a participação de Paulo Rodolfo, Douglas Mattos e Ernesto Fosci.

Conte Sua História de SP: a primeira menina de algum lugar

 

Por Rosangela Mascarenhas de Mendonça

 

 

Considero-me a típica paulistana que nasceu no fim dos anos 60 bem próxima da mais paulista das avenidas, no Hospital Matarazzo. Trabalho desde os 16 anos e mesmo criança já sabia o que queria. Minha história é sobre este querer: lembro de estar em uma sala imensa com um grande espelho na minha frente, eu vestia macacão rosa, sainha e sapatilhas da mesma cor, além do coque na cabeça – como toda menina que faz ballet. Do alto de meus 8 anos, chorava copiosamente: “Quero lutar, não quero dançar”,dizia aos prantos. O seriado da moda era Kung Fu, do David Carradine, e os meus desenhos animados eram Sawamu, Super Dínamo, Ultramen …

 

Minha mãe, que já faleceu, atônita, acabou desistindo de me levar para a atividade praticada por 99% das meninas. Porém, ela falava que luta era para meninos. Eu ouvia aquilo e pensava: serei uma lutadora, nem que seja a primeira menina de algum lugar.

 

Com as sincronicidades da vida, poucos anos após minha saída do ballet, estava eu descendo do ônibus azul da CMTC, Avenida Circular 508-J, feliz da vida, ao lado de meu amigo Marcinho, indo em direção a Rua Vitorino Carmilo, na Barra Funda, onde está a primeira sede da Sino Brasileira de Kung Fu. Que sensação maravilhosa e eterna me invadiu, eu estava no lugar dos meus sonhos, uma sala grande rodeada por aquelas armas que povoavam os meus filmes e desenhos preferidos.

 

Meu encontro com Chan Kowk Wai, o Mestre, que começou a treinar com 4 anos foi inesquecível. Ele me recebeu com muita gentileza e atenção, falou que eu poderia começar a treinar assim que meus pais aprovassem. Minha mãe aprovou na hora minha entrada no mundo das artes marciais, pois o Mestre enfatizou que arte marcial era para todos que quisessem levar uma vida saudável, disciplinada e pacífica. A vida deste imigrante chinês é coerente com o que ele prega: dá aulas diárias para centenas de alunos até às 11 da noite e está com mais de 80 anos.

 

Naquela época poucas meninas treinavam na Academia, eu fui muito bem acolhida por todos e alguns treinam comigo até hoje; de 1980 até 2015.Costumamos dizer que somos a família Chan.

 

Sou professora formada pelo Mestre Chan, também sou formada em Tae Kwon Do, pela Academia Liberdade. Lembra do começo desta história quando pensei que nem se fosse a primeira, pois fui a primeira mulher 2º Dan de TKD do Brasil; o dan é graduação de faixa preta.

 

Hoje, treino somente Kung Fu, apesar de ter amigos e respeitar todas as artes marciais que pregam a não violência. o controle da mente e o caminho da paz.

 

O Circular Avenidas saiu de linha; a Sino Brasileira está em outro endereço, minha mãe cuidadosa mora no meu coração e um marido amoroso me acompanha nos eventos e na vida. Continuam iguais o encantamento, o entusiasmo e a alegria. Os mesmos que povoavam o coração daquela menina que batalhou por sua vocação e por uma vida com sentido e produtiva.

 

Terminando esta história: tenho uma imensa felicidade de ter gravado entrevista que minha mãe, emocionada, deu para a TV, na época em que eu era penta campeã brasileira e conhecida como a Loira do Tae Kwon Do. Ela disse e me emociono ao lembrar: “tenho um orgulho imenso da minha filha”

 

Rosangela Mascarenhas de Mendonça é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade, envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Flora Alves mostra como a gamificação ajuda na performance da empresa

 

 

Usar gamificação no contexto da educação corporativa significa se apropriar de elementos, estética e mecânica de games para que você possa promover a aprendizagem, engajar as pessoas e estimulá-las para a solução de problemas. É a partir deste olhar que Flora Alves, sócia-fundadora da SG, desenvolve projetos que incluem o uso de jogos para melhorar a performance de profissionais e empresas. Alves foi entrevistada pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Nessa conversa, ela mostra que o ideal é o desenvolvimento de estratégias específicas para cada tipo de relação que está em jogo, mas também entende que é possível usar os videogames que as pessoas têm em casa para diversão como ferramentas de aprendizagem corporativa.

 

 

O Mundo Corporativo é transmitido, ao vivo, toda quarta-feira, 11 horas, pelo site da rádio CBN, com participação dos ouvintes pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN. O Mundo Corporativo tem a participação de Leopoldo Rosa, Carlos Mesquita e Ernesto Foschi.

Participe do 7º Prêmio CBN de Jornalismo Universitário

 

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Conversar com estudantes de jornalismo tem sido um hábito nos últimos tempos. Incentivá-los na profissão, uma obrigação, especialmente partindo de alguém que se construiu nas redações de rádio, TV, jornal e internet. E nos meus bate-papos frequentes, lembro que as oportunidades hoje estão muito mais acessíveis do que na época em que estudei na PUC-RS, a despeito de toda infraestrutura que a Famecos me oferecia com professores e laboratórios qualificados.

 

Hoje, é bem mais simples tornar público o material desenvolvido: a internet está aí com todos os seus recursos e baixo custo. Naqueles tempos de faculdade, em Porto Alegre, o mais próximo era o jornal impresso: além de ter de tirar o dinheiro do bolso – que era escasso -, as chances de distribuí-lo para um número razoável de pessoas eram pequenas.

 

Podcast, videocast, canal do You Tube, Tumblr, blogs e páginas nas redes sociais abriram enorme perspectiva e permitem que possamos desenvolver aos poucos nossa carreira no jornalismo mesmo antes de estar com o diploma em mãos. Podemos testar diferentes e inovadores formatos, aventurar-se no texto, na mensagem e no desenho, enfim, arriscar, errar e arriscar novamente. Além disso, os principais veículos de comunicação oferecem curso para estudantes, que se transformam em excelente escola para quem está chegando no mercado.

 

A CBN, pelo sétimo ano consecutivo, abre mais uma bela oportunidade para você que ainda está na academia: o Prêmio CBN de Jornalismo Universitário. Neste ano, o tema escolhido para as reportagens é: “Mais tolerância, menos conflitos”. O desafio proporcionado pela rádio aos alunos de todo o Brasil é o de buscar histórias de conflitos solucionados, do entendimento alcançado.

 

Os trabalhos de rádio podem ser individuais ou em grupos e os três melhores serão premiados, sendo um considerado vencedor e, os demais, menções honrosas. O primeiro colocado terá direito a troféu, Ipad e visita supervisionada para acompanhar o nosso trabalho na rádio, em São Paulo, com as despesas de passagem e hospedagem pagas. Além disso, a reportagem vencedora, assim como as duas que receberam menção honrosa, serão reproduzidas na programação da CBN. As inscrições podem ser feitas no site cbn.com.br até o dia 31 de julho.

Conte Sua História de São Paulo: no cortiço, os melhores dias da minha infância

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto de Mariza Christina, de 60 anos, moradora da Água Funda, que preferiu escrever uma carta à mão em lugar de nos enviar um e-mail, pois assim se sente mais próxima das pessoas:

 

 

Em 1961, eu estava com 7 anos e minha irmã, 5. Meus pais passavam por dificuldades financeiras, não podiam pagar mais o aluguel da casa onde morávamos, no bairro da Ponte Rasa, onde nasci, por isso decidiram que iríamos morar com a minha avó materna até a situação melhorar. Ela morava na Rua da Glória, entre a Rua Conselheiro Furtado e a Rua Lava-pés, bem no centro de São Paulo. Era um terreno longo e estreito com vários quartos. Imagine seis pessoas num quarto 6×3, mais ou menos, era um aperto danado, bem diferente da casa grande e confortável que vivíamos, mas para mim e minha irmã era novidade e nos divertíamos muito.

 

Naquela época era comum quartos como aquele por serem baratos e fáceis de alugar, eram popularmente chamados de ‘cortiços’. E foi nesse quarto tão simples e apertado que passei os melhores dias da minha infância. Moramos lá um ano, mas o suficiente para deixar muitas lembranças.

 

Fiquei encanada quando vi pela primeira vez o bonde, aquele carro grande que andava sobre trilhos carregando pessoas, e fiquei intrigada como elas não se molhavam quando chovia, pois não tinham portas! Será que elas abriram o guarda-chuvas?! Corri para contar à minha avó, tão curiosa e ofegante que mal podia falar. Assim que pude, a enchi de perguntas. Quanto ela me disse que os bondes iriam acabar, pois estavam sendo substituídos por ônibus, fiquei muito triste: eles eram tão bonitos! Às vezes, ficava horas no portão só para vê-lo passar, queria gravar aquela imagem na memória.

 

Todos os dias, as duas horas da tarde, saía uma fornada de pão da padaria que havia em frente a nossa casa, o cheiro era inebriante e tão delicioso que até hoje quando me lembro posso sentir aquele cheirinho maravilhoso. É inesquecível!

 

O Carnaval estava próximo. A ansiedade era grande, eu nunca tinha assistido a um desfile. Ao lado da nossa casa tinha uma lojinha que vendia de tudo; fantasias, plumas, máscaras, adereços, etc … O movimento na loja era enorme, pessoas que entravam e saíam alegres com fantasias que iriam vestir. Meus olhos brilhavam com tantas coisas bonitas e coloridas. Meus pais também iam desfilar e deixaram que eu ajudasse a escolher suas fantasias. Compraram ainda confetes, serpentinas e bisnagas de água, para mim e minha irmã.

 

Ainda não existiam blocos ou escolas de samba, eram cordões. As fantasias simples, sem luxo, porém, muito bonitas e criativas. Os cordões se concentravam na Rua Lava-pés e de lá saíam cantando marchinhas que até hoje são lembradas, subiam a rua da Glória e outras ruas do bairro. Quem não desfilava acompanhava jogando confetes e serpentinas. No ar, exalava um perfume delicioso de lança-perfume. Ao fim do desfile ia-se atrás do cordão preferido.

 

Apesar das dificuldades foram os dias mais felizes das nossas vidas e, com certeza, deixou muitas saudades em todos nós.

 

Mariza Christina é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br. Ou mande um carta como fez dona Mariza.

Como trabalhar sentado está matando você

 

BEA

 

Já conversamos sobre meu hábito de apresentar o Jornal da CBN em pé, neste blog. Volto ao assunto, porém, para compartilhar com você algumas informações que acabo de ler no site ATTN, em sua editoria de saúde, que publicou o post com o título Why You Might Want a Standing Desk, algo como “Por que você tem de ter uma mesa para trabalhar em pé”.

 

Informa o texto que os americanos ficam sentados, em média, 9,3 horas por dia. Curiosamente, eles trabalham, em média, 9,4 horas por dia. Ou seja, ficam mais tempo sentados do que dormindo, por exemplo. Aqui no Brasil não conheço estatística sobre o tema, mas comece a se preocupar com a saúde se você fica mais de seis horas sentado durante o dia. Você tem 40% mais chances de morrer nos próximos 15 anos do que seu colega que só fica três horas por dia sentado. Além disso, você tem o dobro de chances de sofrer com doenças cardiovasculares.

 

Leia mais: “O que é melhor: trabalhar em pé ou sentado?” – texto publicado neste blog em fevereiro de 2014

 

O melhor remédio para curar esta “doença” é, primeiro, conscientizar-se do mal que está causando a você mesmo. Depois, seguir algumas recomendações, muitas das quais tratamos, com frequência, com o Márcio Atalla, no Bem Estar e Movimento, do Jornal da CBN: a cada hora de trabalho se levantar e caminhar no escritório; aproveitar melhor o período do almoço, preferindo um restaurante um pouco mais distante ou fazendo um passeio antes de sentar para comer e subir escadas em vez de pegar elevador.

 

A autora do texto, Laura Donovan, diz que na sede da ATTN, em Los Angeles, tem mesas para que quiser trabalhar em pé, assim como no estúdio da rádio CBN, a qual uso muito mais do que a cadeira que está à frente de um computador na bancada do jornal. Ou seja, a persistirem os sintomas você vai ter de me aguentar vivo por muito mais tempo.

 

Leia o texto completo, no link a seguir e, se possível, o faça em pé ou caminhando:

 

ATTN (leia aqui)