Conte Sua História de SP: pássaros, cheiros e sabores da cidade

 

Por Elisabeth Cury

 

 

Nasci em São Paulo e aqui estou até hoje. São anos e anos!

 

Vou puxar pela memória, buscar acontecimentos. Mas não vou puxar muito, não. Drummond dizia que o que for preciso de esforço para lembrar é que não foi importante.

 

Sei de uma coisa: desde muito cedo me deixei impressionar pelos sentidos. Foi meu jeito de captar o mundo, a vida, esta cidade. Então vai ser fácil.

 

Eu morava na periferia, quando ainda havia trechos de mata – a Atlântica – no caminho para o centro, para a “cidade” como se dizia.. Procurava ver, ouvir, sorver os aromas, saborear, pegar, vendo tudo que podia com minhas próprias mãos. – sentir.

 

Que céu! O ar transparente: de dia, quando havia sol, nuvens espetaculares, sobre azul, com formatos que eu queria sempre associar a bichos, gente, coisas, como fazem as crianças. À noite, estrelas no azul-marinho. Nessa hora, meu pai, que fora pescador marítimo em sua terra, me dava aula de céu – o que era estrela, o que era planeta, constelações e o nosso Cruzeiro do Sul.

 

O cheiro da terra molhada, quando chovia. Delícia! Natureza. Nas trovoadas, minha mãe punha-nos, a mim e a meu irmão, debaixo de uma mesa, embrulhava a tesoura que usava nas costuras em um pano, toda a casa ficava fechada. Ninguém podia fazer nada, até que o mau tempo passasse. Então podíamos sair. Era hora de ver a enxurrada em ruas e terrenos de bairro que principiava.. Era pôr o pé na água, sem ninguém falar às crianças que podia dar leptospirose. Era muito divertido molhar os pés, soltar barquinhos de papel.

 

Revoada de pardais no amanhecer e no entardecer. É que nos fundos do meu quintal havia um riozinho, ainda limpo naquele tempo, e, na beirada, uma touceira de bambu, opulenta. Era dormitório de um sem número de pardais. O dia acordava com uma cantoria inesquecível. À tardinha, eles iam chegando. O movimento deles nessa hora era curioso: não chegavam e iam quietinhos para o abrigo noturno. Não. Em bandos incontáveis, pousavam e logo saíam em revoada, descreviam um círculo e voltavam. Outro bando partia. Assim ia até ir escurecendo e eles se aquietando em seus lugarezinhos.

 

Os parentes que iam em casa – nesse tempo usava-se receber e fazer visitas – desfrutavam desse acontecimento. Era até uma atração turística da minha casa. Além dos pardais, os bem-te-vis, os sabiás, as rolinhas e o arrulho dos pombos da comadre, vizinha, que mantinha um pombal.
Perfumes. Principalmente o de gardênia, que minha mãe chamava de jasmim-do-cabo e que ela conservou em nosso jardim por muito tempo, quase sempre.

 

Sabores: de uva, azedíssima e de mexerica, já que havia nove pés no quintal. Eu só tinha uma pena: eu queria que elas dessem no verão, que eu ia aproveitar mais. Elas ficavam prontas no outono, quando já estava frio.

 

Era a São Paulo da garoa, muitos meses do ano em cinza. Que frio!… Acho que é por isso que eu estou sempre pronta para o inverno, foi meu princípio, foi como conheci o meu lugar no mundo.

 

Saudades dessa São Paulo!

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade, escrevendo seu texto e enviando para milton@cbn.com.br

Os brasileiros que deram certo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Henrique Dubugras, 19, corintiano, aos 12 anos, contrariado pela mãe que tinha negado a compra de um jogo eletrônico, resolveu criar um. Aos 17, cruzou na rede com Pedro Franceschi, 16 anos, (supostamente são-paulino), que aos 8 já programava. Detectaram um nicho de mercado e fundaram a “Pagar.me”, plataforma de pagamentos eletrônicos em 2012. Levantaram R$1 milhão com duas empresas investidoras, e operam a “Pagar.me” no azul desde dezembro, e preveem movimentar este ano R$500 milhões.

 

Mílton Jung, no CBN Young Professional, perguntou a eles sobre o método usado para o levantamento de capital. Disseram que foi graças a aposta pessoal dos investidores mais do que ao “Business Plan” apresentado. É fato, pois ambos certamente pertencem àquela classe de brasileiros acima da curva. A aprovação em Stanford, que iniciarão em 2016, é uma constatação evidente. (ouça o CBN Young Professional)

 

Alguns minutos depois, Luiz Barreto, presidente do SEBRAE, disse no Jornal da CBN que o Brasil alcançou no último censo sobre empreendedorismo a invejável marca de 34,5% de cidadãos empreendedores. Pesquisa que considerou a faixa etária entre 18 e 64 anos, cujo resultado é o melhor entre os BRICS, com a China em segundo lugar com 27% de empreendedores. É um número significativo também pela comparação com a posição anterior que era de 23%. (ouça a entrevista do Sebrae ao Jornal da CBN)

 

Crescimento positivo tanto pela expressiva margem como também pelo fator “formalização”, impulsionada pela reforma tributária realizada para as micros e pequenas empresas. Ressalte-se ainda que dos empreendedores nacionais 70% buscam negócios pelo desejo e 30% pela necessidade.

 

Se o caso da “Pagar.me” é de autores acima da média, os dados do SEBRAE podem ser corroborados pelo setor nacional de franquias. Considerando apenas os negócios formatados, temos a maior feira de franquias do mundo, 2.942 redes, 125.641 unidades, R$127 bilhões de faturamento, 1.096.859 empregos, e 94% de empresas brasileiras. Podemos afirmar que somos uma terra de empreendedores. Apesar de tudo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: serei parte desse teu chão

Por Valdeni da Silva
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Minha história inicia-se nos anos sessenta em um patrimônio chamado Aricanduva que pertence ao município de Arapongas que se localiza no norte no Estado do Paraná.

 

Cresci livre correndo entre as matas e cafezais, nadando nos límpidos riachos e se alimentando com carne fresca de porco e galinha e de frutas e legumes fresquinhos colhidos na horta e nos pomares que havia em todas as propriedades rurais, a minha infância foi de intensa felicidade, pois não conhecia o mal nem a malícia e a perversidade que assediam as crianças de hoje.
Cresci ouvindo a voz do Brasil e ouvindo falar na tal ditadura que papai nos explicou que era proibido falar mal do governo e só havia dois partidos o MDB que era dos pobres e a Arena que era do governo e dos patrões. Papai era o MDB, mas a gente não podia dizer isso na escola, nos dias de eleições no Ginásio Júlio Junqueira em Aricanduva a gente via o medo estampado no rosto das pessoas e os eleitores não ousavam nem cochichar pois eram vigiados o tempo todo e ao final das eleições que foram regulamentadas pelo AI 15 – este ato institucional impôs a data das eleições nos municípios para 15 de novembro de 1970 -quem vencia era sempre o candidato do governo.

 

Ditadura à parte, a vida continuava ótima na roça, os porcenteiros e sitiantes festejavam um ano de safra recorde de café até que chegou o fatídico ano de 1975. Talvez a melhor maneira de descrever este fato seja narrando-o do ponto de vista pessoal. Para os que viveram no Norte do Paraná naquela época, aquele inverno significou uma tragédia ao mesmo tempo coletiva e particular, algo que o Brasil praticamente não percebeu o verde dos campos foi substituído por um cinza funesto e os incêndios se alastraram pelo estado que teve a cafeicultura e hortaliças dizimadas pelo gelo. Foi essa geada de 1975 que quebrou a hegemonia do Estado do Paraná na produção brasileira de café, cedendo essa posição para Minas Gerais.

 

A exemplo de muitos, esperanças congeladas, lavradores frustrados, papai resolveu que viríamos para São Paulo, o Eldorado dos aventureiros, terra onde se ganha dinheiro e sucesso, aqui compramos casa em Vila Curuçá, encontramos emprego e com muita garra e luta nos estabilizamos. Fui Office boy, entregador, carteiro, metalúrgico e hoje sou um educador, profissão que amo de paixão, funcionário público com muito orgulho.

 

Se perguntarem se fui feliz na infância e adolescência digo que sim, pois tive o prazer de lutar pelas Diretas Já, fui ao Anhangabaú onde havia mais de dois milhões de pessoas reivindicando por um país democrático e eleições.

 

Sou hoje paulistano por adoção e amo São Paulo que tanto contribuiu para minha emancipação financeira e deu a minha amada querida esposa – também Educadora -, filhos e neto, enfim São Paulo é de todos, de negros, de brancos, de crentes, de católicos, de sulistas, nordestinos, estrangeiros… Se eu fosse ficar falando bem de São Paulo essa história quase não teria fim.

 

Ah São Paulo tão amada, cultuada e cantada em versos e prosa, símbolo da América do Sul, locomotiva que puxa o país, como eu te amo. Chão abençoado que como imã atrai os povos de todos os lugares.

 

Quando meu corpo tombar serei parte desse teu chão e meu corpo em teu corpo se tornará um só corpo e seremos sempre felizes.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, no CBN SP, logo após às 10 e meia da manhã. A sonorização é do Cláudio Antonio.

Mundo Corporativo: Ruy Goerck, da BASF, fala das transformações da indústria química

 

 

A indústria química, atualmente, é muito mais vista como parte da solução para este nosso mundo do que parte do problema. Esta é a ideia central defendida por Ruy Goerck, vice-presidente de químicos e produtos de performance da BASF, que participou das transformações promovidas pelo setor nos últimos 30 anos. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Goerck fala, entre outros assuntos, do programa Juntos Pela Sustentabilidade, criado em 2011, que reúne oito das das maiores empresas de produtos químicos do mundo e promove a sustentabilidade na cadeia de abastecimento. Na entrevista, o executivo mostra as oportunidades de trabalho que surgem neste mercado.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo site http://www.cbn.com.br. Os ouvintes podem participar com perguntas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participam do Mundo Corporativo Paulo Rodolfo, Cláudio Mesquita e Ernesto Foschi.

Conte sua história do rádio

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Sou fã de carteirinha do Conte Sua História de São Paulo. Não se trata de corujice do pai do Mílton. Não perco os textos que ele posta com este nome no seu blog. Caxiense por nascimento e porto-alegrense por adoção,as pessoas de outros estados do Brasil e mesmo estrangeiros que desembarcam em SP,em geral,ainda crianças,têm sempre boas histórias para relatar dos seus primeiros anos na capital paulista.

 

Nestes tempos em que,por motivos para lá de importantes, as mídias de toda espécie estão voltadas para os escândalos protagonizados por políticos e/ou funcionários governamentais,meus textos pareceriam ter virado samba-de-uma-nota-só,contaminado pela fartura de notícias do mesmo tipo. O Mílton que me desculpe,mas me obriguei a dar um tempo nos textos das quintas-feiras que escrevo,normalmente,no blog por ele capitaneado.

 

Talvez meu débito com o Mílton,quem sabe o único leitor das páginas que posto neste blog,aumentaria consideravelmente,se eu não tivesse lido o mais recente episódio do Conte Sua História de SP. Encontrei analogias entre a chegada de Dina Gaspar – este o nome dela – e a minha infância, apesar de a menina assustada com os estranhos barulhos que ouvia ao ter de entrar naquela que seria sua segunda casa, ”agarrava-se fortemente ao pescoço da prima Ercília visando a não entrar no seu novo lar”.

 

Dina não deixava de ter razão. Os autores da barulhada sequer falavam a sua língua. Afinal,ela vinha de uma “pobre aldeia argentina”. E o barulho soava,contou,como perigo iminente. Mal sabia que estava – palavras dela – sendo apresentada ao rádio,”aquela caixa de madeira escura de uns 60cm x 40cm”. Adorei a frase de Dina Gaspar no seu texto:”No mundo infantil não existiam apenas vozes sem corpo”. Não deixava de estar certa.

 

Dina Gaspar,se a minha matemática não está errada, diz no belo texto que escreveu, ”que, dessa intensa e intrincada vivência, os 70 anos seguintes nos mudaria a ambas: a mim e a São Paulo!”.

 

Falei na minha analogia com Dina porque,apesar dos 10 anos de diferença entre nós,na casa paterna,em Porto Alegre,de certa forma descobrimos, ainda muito cedo, que o rádio não faz mal a ninguém. Bem pelo contrário. Ouvi rádio desde pequeno, depois já adolescente. Meus avós,que moravam conosco,eram pagos para controlar se,no rádio,os anúncios de determinadas firmas íam ao ar nos horários combinados. Foi em um serviço de rádio escuta desses que tomei conhecimento de que uma pequena emissora havia aberto testes para candidatos a locutor. Fui um dos três que passaram no teste na Rádio Canoas.

 

Muito mais longe de sua casa paterna foi o Mílton Jr. que,com uma feliz combinação entre nós,passou a ser conhecido com Mílton Jung. Mais corajoso que o pai,ele fez teste na TV Globo. E passou. Acho que a história dele em São Paulo bem que poderia ser contada pelo próprio.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Mundo Corporativo entrevista Guilherme de Almeida Prado sobre empreendedorismo social

 

 

Negócios sociais reúnem a intencionalidade de fazer o bem das ONGs com a meritocracia e a busca pelo lucro da empresa privada. De acordo com o administrador de empresas Guilherme de Almeida Prado este é um novo modelo que tem se apresentado com forte potencial nos últimos anos. Sobre as estratégias e oportunidades neste segmento, Prado foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele é diretor da Konkero, um portal de finanças pessoais que trabalha dentro dos parâmetros de empresas sociais.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas,no site da rádio CBN: CBN.com.br. Os ouvintes podem participar com e-mails para mundocorporativo@cbn.com.br e para os Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a participação de Paulo Rodolfo, Carlos Mesquita e Ernesto Foschi.

Conte Sua História de SP: licença para ser paulistano

 

Por Silvio Afonso Almeida

 

 

Minha paixão pela cidade de São Paulo começou bem cedo e cada vez aumenta mais. Cheguei de Minas Gerais aos três anos de idade e minha família foi morar em Diadema e depois em São Bernardo do Campo no ABC paulista.

 

Na minha adolescência tinha o sonho de ir a São Paulo para comprar roupas, pois era comum ouvir as pessoas contarem o quanto era legal fazer compras na “cidade”. Na primeira vez me assustei, mas a sensação foi inesquecível: subir a General Carneiro entupida de gente foi uma visão incrível. No entanto, era difícil fazer aquilo sempre. Aos 19 anos vim morar na zona Leste de São Paulo sem ter outra opção, já que minha família encontrava-se numa tremenda crise e eu já era seu arrimo. O bairro não era exatamente o panorama de meus sonhos dessa maravilhosa cidade e foi difícil me acostumar. Mas com o tempo meu coração foi encontrando seu lugar aqui. Me recordo do dia em que passando em frente a Bolsa de Valores, vi um homem muito bem vestido falando em um aparelho móvel colado ao ouvido eu não acreditei no que via, era um celular, embora não tivesse noção exata disso. Tudo ao meu redor me provocava encantamento e fui me apaixonando.

 

O apogeu dessa minha paixão foi no dia em que tive a oportunidade de fazer um voo panorâmico pela cidade. Era uma promoção de um fornecedor da empresa em que eu trabalhava. Foi arrebatador! Decolamos do Campo de Marte e logo o horizonte infinito de São Paulo foi se desdobrando diante de minha vista. Como era imensa! Linda! Todas aquelas sensações iam como que consolidando dentro mim a minha ligação com essa cidade. O medo do aparelho voador ficou em último plano. Sobrevoamos o Ibirapuera, depois tive a impressão de estarmos sendo engolidos pelos telhados até pararmos bem encima da maravilhosa Avenida Paulista. Ciente do quanto eu gostava da cidade, o comandante fez questão de girar a aeronave em 360° e eu quase perdi o fôlego diante daquele espetáculo. Em seguida, nos dirigimos ao edifício Itália para onde iríamos mais tarde para um jantar. Dalí, fomos para Perdizes e pairamos sobre o Parque Antártica onde eu costumava assistir o verdão jogar. Infelizmente era um dezembro escuro do ano de 2001 e estávamos em plena crise de energia elétrica e o racionamento apagou as luzes do natal.

 

Do alto do Terraço Itália, saboreando uma trança de salmão com um legítimo vinho italiano, contemplávamos a cidade e eu tinha uma certeza: São Paulo é realmente a minha cidade e tive licença de me considerar um paulistano.

 

Silvio Afonso Almeida é personagem co Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você participar com história enviadas, em texto, para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo entrevista Mário Sérgio Cortella sobre trabalho, liderança e ética

 

 

A busca por um propósito é o melhor caminho para você enfrentar os desafios do ambiente de trabalho, com mais prazer e menos estresse. Essa é uma das recomendações do filosofo Mário Sérgio Cortella, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. “Todo esforço intenso gera cansaço, o que causa estresse é o esforço sem sentido”, diz Cortella, que também é comentarista do quadro Academia CBN, que vai ao ar no Jornal da CBN, de segunda à sexta”. Além de trabalho, Cortella fala, também, sobre liderança e ética.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas,no site da rádio CBN: CBN.com.br. Os ouvintes podem participar com e-mails para mundocorporativo@cbn.com.br e para os Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a participação de Paulo Rodolfo, Carlos Mesquita e Ernesto Foschi.

Inezita Barroso , guardiã da música caipira e da cultura do interior do Brasil

 

 

Inezita Barroso morreu neste domingo, dia 8 de março, dias após completar 90 anos. Tímida, apesar de dominar com maestria o palco e o público, e de sorriso fácil, mesmo que insista em dizer que era um professora brava, ela foi uma mulher encantadora. Fui conhecê-la, ao vivo e em cores, nos bastidores da TV Cultura, onde já apresentava Viola Minha Viola, programa que esteve no ar por 35 anos. Mesmo próximo dela, eu mantinha meu silêncio em reverência a cultura e conhecimento que Inezita carregava consigo. Ficava só a espreita ouvindo os causos que contava. E poucas pessoas conheceram tantos quanto ela. Mais do que isso, sabiam contar como ela, com riqueza de detalhes e conhecimento de causa.

 

Fui conversar com Inezita mesmo, além de alguns cumprimentos envergonhados, quando já estava na CBN em entrevistas esporádicas e programas especiais. Um deles, quando no estúdio da CBN, comemoramos juntos os 80 anos de vida de Inezita – época em que lançava CD em homenagem aos 25 anos do programa Viola Minha Viola. Oportunidade em que ela se mostrou muito à vontade contando cada detalhes da sua rica vida artística e cultural. Uma riqueza que começou a ser construída ainda pequenina e em família. Nasceu na Lopes de Oliveira, no bairro da Barra Funda, e conviveu na casa do avô, na Conselheiro Brotero, em São Paulo. Família apaixonada pela cultura e pela música brasileiras que recebia alguns dos maiores intelectuais e artistas da época: Sérgio Buarque de Holanda, Antonio Cândido, Mário de Andrade – gente que ela viu, ouviu, mas conversou pouco pois se dizia envergonhada, humilde. Um contato, porém, que foi suficiente para ela se apaixonar pela leitura, a ponto de formar em bibliotecononia.

 

Foi no interior, em Matão, na fazenda dos parentes, que ela passou a ouvir a Moda de Viola e as músicas religiosas, que a marcaram para sempre. Curiosamente, ela aprendeu a gostar desta música em uma época que se fazia pouco caso do caipira. Mais ainda: em uma época que mulheres tocando este tipo de música não eram aceitas. Mas Inezita sempre foi muito forte para se entregar por tão pouco. Pegou a viola aos seis anos mas foi tocá-la de verdade lá pelos 18/19 anos. Antes de fazer sucesso com a música, esteve no palco do teatro, fez cinema, ganhou prêmios importantes como atriz. O primeiro disco saiu em 1953, quando Inezita foi ao Rio, com Paulo Vanzolini, gravar Marvada Pinga, uma das músicas que marcaram sua carreira. Era só um teste, não se pensava em colocar à venda. Como o disco tinha dois lados, precisava escolher outra música e Vanzolini ofereceu Ronda, que não era caipira, era samba (e samba de paulista). E um lado e o outro do disco fizeram um baita de um sucesso.

 

Inezita se transformou em guardiã da música caipira e da cultura do interior do Brasil, carregou esta bandeira e história por todo o país, preservou-a na televisão, com seu programa na TV Cultura, e na academia, onde foi professora por muitos anos. Rígida professora, pois não admitia aluno copiando texto errado da internet. Obrigava-os a pesquisar e conversar com quem fez a história. E assim aprender e tomar gosto pela cultura brasileira como ela. Inezita é daquelas pessoas para as quais o Brasil terá de, eternamente, fazer reverência. E pelas quais, a gente dá graças à Deus por ter tido oportunidade de conhecer.

 

O programa que realizamos no CBN São Paulo, em 2005, você ouve no arquivo acima.

Conte Sua História de SP: aquela família que a gente forma por opção

 

Por Laura Hokama
Ouvinte da rádio CBN

 

 

São Paulo em que nasci, vivo profundamente todo o caos urbano e agradeço aos meus avós que vindo se aventurar de Okinawa- Japão, passaram por outras cidades e… pararam em São Paulo!!! Ê…Ê…Ê…Ê… São Paulo … Ê ….. São Paulo, São Paulo da garoa, São Paulo da terra boa!

 

Nos meus 50 e tralala…. morei no Tatuapé cuja referência é a rua Jacirendi, travessa da avenida Celso Garcia…. rua em frente ao prédio do Banco do Brasil, este construído com pastilhas brancas e azuis que na época era super Chic!

 

Na lembrança os vizinhos: dona Mercedes que morava num casarão chic e tinha telefone na casa dela! Ah! A dona Higínia também tinha sua casa muito chic e telefone! Esta por gostar muito da minha mãe, oferecia, quando se fosse por necessidade, o uso de seu telefone, mas a dona Guida, minha mãe, educadamente, sempre agradecia e quando precisávamos corríamos na farmácia do Megale para telefonar e não incomodar a dona Higínia!

 

A dona Léa, também com seu acolhimento humanamente amoroso, abria a sessão de sua super TV para os amigos de seu filho, o qual era o meu amigo rico!! As lembranças das tardes que chegávamos em sua casa, tirávamos os chinelos no quintal e entrávamos na sua cheirosa casa, íamos para a sala e assistíamos a TV, não lembro a marca, mas era linda, ficava embutida num armário com duas portas que se abriam para ser ligada e nos entretíamos por horas!

 

Tinha o barzinho do “ seu Zé” que, vez ou outra com os trocadinhos que guardávamos, íamos lá para escolher os doces de sua vitrine. Eu adorava o suspiro cor de rosa! São muitas as lembranças desta rua que ainda residem em minha memória!

 

Crescida, morei em outros bairros, fui morar em outras cidades do interior, e, agraciada, voltei para São Paulo!

 

Hoje, resido na Água Branca! Aqui era uma região com muitas fábricas e casas. Infelizmente ou felizmente, estão chegando os prédios, um deles onde moro. No prédio, vão chegando os novos vizinhos, todos se conhecendo e, passado um ano de convivência, formamos uma família! É, aquela família que a gente forma por opção! Afinidades por pensamentos, crenças e atitudes! Alguns, às vezes, se estranham, mas arrumam um jeitinho para conviver.

 

Percebo que estamos fazendo parte da mudança da região, fábricas saindo e chegando as moradias residenciais. Sabe, já está previsto uma linha do metrô, que ficará a poucos metros do prédio.

 

É a nossa São Paulo se modificando, crescendo e se expandindo para acolher os filhos da Terra!

 

Laura Hokama é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie a sua história para milton@cbn.com.br