Mundo Corporativo: Fabiana Fragiácomo, do Instituto Ayrton Senna, fala de marketing relacionado à causa

 

“Esse momento que a gente está tendo é uma janela de oportunidade para um despertar das empresa e da sociedade” —- Fabiana Fragiácomo, Instituto Ayrton Senna

A chegada de uma nova geração nas empresas e no mercado consumidor, além da própria aceleração impulsionada pelos riscos que a pandemia gerou às pessoas e às empresas, fortaleceram a ideia de se trabalhar com marketing relacionado à causa. A opinião é de Fabiana Fragiácomo, head de comunicação e marketing do Instituto Ayrton Senna, entrevistada do programa Mundo Corporativo da CBN. 

“Houve um mudança geracional. Essa última geração que entra no mercado de trabalho, que entra no mercado consumidor é uma geração ligada no propósito, que também veio com uma escassez. Veio com uma abundância de tecnologia e escassez de recursos…”

A executiva entende que a pandemia sensibilizou empresas e empresários, e um dos dados que ilustram essa realidade foi o fato de que nunca antes houve tantas doações em dinheiro ou equipamentos feitas no país, como nesse período. O desafio para ele é fazer com que essa transformação seja perene:

“O que a gente está vendo é um gatilho de mudança. E eu acho que acabou com essa pandemia escancarando algo que já sabíamos que eram problemas. Então, o problema da educação não era um problema novo. O problema da fome não é um problema novo. O problema da crise climática muito menos”.

O marketing relacionado à causa pode ser um instrumento usado pelas mais diversas empresas, independentemente do tamanho e da área de atuação. O importante é que líderes e colaboradores estejam identificados às causas que falem com eles para que as ações sejam feitas de forma genuína e tenham o alcance desejado.

O Instituto Ayrton Senna é um centro de inovação que  desenvolve programas e pesquisas na área da educação e mapeia empresas que têm o foco no ativismo e estão em busca de um propósito para desenvolver projetos em parceria.

O conhecimento adquirido a partir de pesquisas realizadas com universidades internacionais é aproveitado na criação de programas que trabalham no desenvolvimento de alunos, com o treinamento de equipes técnicas da área de educação, em estados e municípios. O Instituto tem dado ênfase a formação de competências socioemocionais, criatividade e pensamento crítico: 

“Só o desenvolvimento dessas habilidades dará conta das incertezas que o mundo está apresentando, porque o conteúdo muda. O conteúdo está mudando o tempo todo. A tecnologia está mudando o tempo todo. O que não vai mudar é a sua capacidade; a sua estrutura psicológica e emocional de lidar com tantas mudança em um velocidade tão grande”.

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN. A gravação do programa pode ser assistida, ao vivo, no site da CBN, pelo canal da CBN no Youtube e no Facebook. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Guilherme Dogo, Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Sua Marca: cuidado porque o consumidor não é Peteleco, é Emília

“Se você quer que a sua marca seja um sucesso não economize tempo, não economize dinheiro para saber o que é que estão falando de você, se é o que você de fato fala da sua marca” —- Jaime Troiano.

Os “reviews” ou as avaliações de consumidores são a principal fonte de promoção e divulgação de empresas, produtos e serviços. Mesmo que a comunicação oficial, a publicidade e seus influenciadores tenham importância na estratégia da marca, a opinião pública fala mais alto, especialmente com a força que sua expressão ganhou nas plataformas digitais. Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo alertam gestores para a necessidade de estarem de ouvidos bem abertos para o que andam dizendo da sua marca.

“O consumidor não é um ventrículo como o Peteleco, que falava o que o humorista Oscarino Faria queria; é muito mais Emília, de Monteiro Lobato, que diz tudo que vem da sua cabeça” —- Jaime Troiano.

A força de um elogio ou uma indicação por um usuário independente vale muito mais do que comunicação oficial da marca. Da mesma forma, uma crítica pode ser destrutiva para a reputação do negócio. Cecília Russo diz que em uma das metodologias que usam para auditar a marca existem cinco estágios na relação do consumidor: idealização, preferência, familiaridade,  rejeição e desconhecimento.

“Quando a marca chega ao estágio da rejeição é terrível, porque é difícil de fazer a conversão para voltar aos patamais mais altos e se tornar uma marca preferida e idealizada”

\O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

Conte Sua História de São Paulo: pedalei meu kart no Largo do Arouche

Por Giuseppe Nardelli

Ouvinte da CBN

 

Nasci em São Paulo. Hoje, tenho 60 anos. Com oito meses mudei para a Itália e de lá retornei com a família após nove anos, quando meu pai foi convidado para trabalhar aqui no Brasil. Fomos morar em um pequeno apartamento no Largo do Arouche —- lugar bom naquela época. Sem saber falar o português, me virava do jeito que dava, não o suficiente para fazer amizades na escola

Meu pai me deu de presente um kart de pedalar. Eu descia o elevador e o zelador, Seu Frederico, me atravessava até a praça do Arouche, onde podia ficar brincando sozinho —- sem correr riscos. Minha mãe vigiava tudo  pela janela lá do alto do prédio

Houve um ano que a praça foi enfeitada para o Natal com bonecos gigantes de plástico e iluminados. Quando as festas passaram, vi os funcionários da prefeitura desmontando a decoração e fui até eles com meu pai para pedir um dos bonecos. O moço da prefeitura deixou que eu ficasse com um deles. Coloquei na cozinha do apartamento e dentro do boneco liguei um abajur para ficar iluminado como na praça. 

Do Arouche fomos para um apartamento maior na Henrique Schaumann. A rua ainda era estreita. O prédio tinha cinco andares e ficava bem na esquina. Quando decidiram tornar a Henrique Shaumann em uma avenida correu-se o risco dele ser destruído. Mas resistiu em pé. Durante as obras, eu andava de bicicleta na via que começava a ser aberta para a avenida passar.

Foi lá que completei meus 18 anos quando, então decidi sair de casa e morar sozinho. Apesar da Ditadura Militar, não encontrei problemas no meu caminho. Estudei e me diverti. Foram anos em que descobri as belezas da vida de um pós-adolescente, com seus prós e contras. Hoje, posso lhes dizer que tive uma juventude boa e cheia de alegrias, graças a Deus!

Giuseppe Nardelli é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outras lembrança, visite o meu blog miltonjung.com.br e se inscreva no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: sustentabilidade é estar conectado com as tendências do consumidor, diz Rafael Viñas, da Fundação Espaço ECO

“Investir em sustentabilidade é você garantir que os canais que você captura essas tendências estejam equilibrados, então que a forma com que você explora o capital natural, a sua matéria prima por exemplo, garanta esse atendimento de demanda de mercado” Rafael Viñas, Fundação Espaço ECO

O diálogo sobre sustentabilidade tem amadurecido ao longo das últimas duas décadas e se no início fazia parte apenas de acordos globais e debates internacionais hoje está bem mais próximo das empresas. A opinião é de Rafael Viñas, gerente da Fundação Espaço ECO, entrevistado pelo programa Mundo Corporativo, da CBN. Apesar de os riscos que a crise atual impõem, Viñas entende que os projetos empresarias com foco na sustentabilidade tendem a se fortalecer:

“…sem dúvida, é um risco. A gente traz muito a leitura da sustentabilidade como conexão de tendências. A gente hoje vive esse contexto econômico, social e de saúde; a gente tem de reconhecer que é uma tendência de consumo que vai mudar; a gente vai ter uma leitura nova como o consumidor e os negócios vão ter de se conectar nisso …  quais que são os temas mais relevantes? Se tem uma nova forma de consumo, como as empresas vão oferecer isso?”

A Fundação foi criada pela BASF e atua como uma consultoria para estratégias de sustentabilidade, com a intenção de traduzir a ciência para o contexto corporativo e desenvolvendo projetos para outras empresas e organizações. Um desses programas é o Mata Viva que se iniciou em área do Complexo Químico as margens do rio Paraíba do Sul, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo:

“… é um programa de conservação que trabalha com biodiversidade, e o principal recurso financeiro para mantê-lo a tem a ver com a compensação financeira da pegada de carbono que as empresas têm …”

Viñas acrescenta que para as empresas se sustentarem também haverá a necessidade de entenderem que os produtos para os consumidores são cada vez mais diversos e será preciso respeitar essa diversidade e oferecer informações que sejam sólidas a este consumidor:

“Traduzir sustentabilidade é você identificar além dos termos, as práticas: como você faz a gestão da cadeia sustentável para, por exemplo, oferecer um cosmético vegano, sendo que a 10 anos atrás a gente mal falava sobre o contexto vegano e muito menos sobre cosmético vegano. Essa tendência de consumo é uma das práticas que a gente tem na fundação: metodologias para capturar isso e desenhar estratégia para os negócios”.

O Mundo Corporativo é apresentado por Mílton Jung às quartas-feiras, 11 horas, ao vivo, pela internet e pode ser assistido no canal da CBN no Youtube e no Facebook, e no site da CBN. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, e também está disponível em podcast. Colaboraram com este Mundo Corporativo: Juliana Prado, Érica Paixão, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscilia Gubiotti.

Sua Marca: “…longe delas há um sentimento de desterro”

 

“As marcas que entram nas nossa vidas falam para nós mesmos quem nós somos, longe delas há um certo sentimento de desterro” — Jaime Troiano

Lilian Calabria, ouvinte da CBN, relatou sua experiência no exterior em busca de marcas e produtos que tinham significado para ela no Brasil e inspirou nossa conversa no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Jaime Troiano e Cecília Russo também viveram algum tempo nos Estados Unidos e compartilhavam do mesmo sentimento de vazio quando deparavam com a ausência de produtos —- especialmente alimentos —- que consumiam no Brasil.

“Era um sentimento de vazio. É a questão de olhar para uma gôndola de supermercado e se sentir um estrangeiro: eu não sou daqui”, disse Jaime.

Além disso, há uma “pitada de nostalgia” que as marcas podem proporcionar nos consumidores. Cecília Russo lembra da falta que fizeram jabuticaba e manga, comuns no mercado brasileiro; ou produtos que vêm agregados à marca como Requeijão Poços de Caldas, Biscoito Globo e  chocolates Sonho de Valsa, apenas para citar alguns que fazem parte da memória do brasileiro.

“Mostra um sentimento de nostalgia, mas é uma memória. E marcas que são relevantes para nós geram essa memória”, diz Cecília Russo 

Se geram saudade, nostalgia ou aguçam a memória é sinal de que se tornam em oportunidade de negócio, por isso, empreendedores que moram no exterior podem investir em lojas de varejo importando produtos brasileiros —- algo que já é possível de encontrar em várias cidades de outros países, especialmente onde há maior presença de brasileiros ou hispânicos.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. O programa pode ser ouvido também em podcast.

Conte Sua História de São Paulo: o descrente viajante se transforma em distante apaixonado

Por Marco Aurélio de Souza Hilário  

Ouvinte da CBN

 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo em podcast

Para a Lane, sempre linda.

E para a Rosária e o Tata.

Todos cúmplices de paixões e amores.

Para um morador do interior das Minas Gerais, a cidade de São Paulo sempre foi sinônimo de fria grandeza: arranha-céus impedindo o crescimento de vida verde; asfalto pavimentando caminhos desordenados; habitantes acumulando moedas para as férias no ar condicionado de seus carros. E o desejo do encontro com a cidade malvista escamoteado diante de certezas antecipadas. 

Até que um amigo querido, em suas andanças por cidades e tendo a Avenida Paulista cravada na veia familiar decidiu fazer de São Paulo sua moradia. Daí ao convite para dias na cidade grande foi questão de tempo. E em data específica: no carnaval. A metrópole cantada como “túmulo do samba” foi escolhida como destino daquele que sempre imaginou a cidade como “difícil de viver”. E a visita em luxuosa companhia, com as respectivas namoradas, a do visitante e a do amigo. São Paulo aguardava serena a chegada de um descrente.

O amigo não fez da alegria do encontro flecha de cupido na troca de olhares do visitante com a cidade. Mas usou de singela perspicácia para que São Paulo, a cidade mesma, tomasse devagar as entranhas e o afeto daquele que chegava. 

São Paulo foi se apresentando aos poucos, dona de si, silenciosa, em plano geral e em detalhes. Deixar a cidade falar, insinuar seus encantos, mostrou ser sábia condução. As avenidas, ruas, cafés, restaurantes e bares, monumentos, praças, suas gentes, receberam o descrente visitante como um quase local, derramando sutis preciosidades e prazeres em lugares, pratos e copos ofertados. E o visitante, a essa altura constrangido e em crescente encanto pelo jogo da conquista, foi estabelecendo com a cidade elo de compromisso, já nocauteado diante da sedução desmedida. 

O agora apaixonado visitante andou por São Paulo com olhos de curiosidade infantil, sorrindo para o que via, descobria, conhecia, esquecendo-se do confete, da serpentina e das doces marchinhas. São Paulo era megalópole interiorana, ofertando ao desistente carnavalesco seus mais belos préstimos, dignos de uma cidade que não descansa.

Os dias foram passando, o visitante agora arrebatado e capturado por detalhes da cidade, fazendo andanças em uma pauliceia que se deixava descobrir, cúmplice assim do vivo entusiasmo do andarilho. Em momentos preciosos, o visitante apaixonado sentia São Paulo no peito, na respiração, no toque das mãos, como se natural fosse ter a cidade para si, como se não mais estrangeiro fosse. 

Na despedida, a cidade olhou o visitante de frente, sorriu levemente e deixou um até breve no ar. E o visitante, já saudoso do retorno urgentemente programado voltou ao seu interior, sabedor que muitas paixões sobrevivem à distância, na insistência de tornarem-se amores eternos.

Marco Aurélio de Souza Hilário é mineiro de Ubá, terra da manga e de Ary Barroso. Conheceu São Paulo há aproximadamente 30 anos e a cidade não saiu mais de seu pensamento.

N.E: a música usada para sonorizar este texto é “Sinfonia São Paulo” do compositor Ricardo Silva, executada pela Banda Sinfônica Paulista, regência maestro Ricardo Silva.

Marco Aurélio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio e a narração de Mílton Jung. Escreva o sei texto para contesuahistoria@cbn.com.br. E ouça outros capítulos da nossa cidade no podcast do Conte Sua História de São Paulo    

Mundo Corporativo: Cristiane Carvalho, RH da Microsoft, dá dicas de como a pandemia impacta a gestão de pessoas

 

“Você precisa atentar também ao bem estar das pessoas neste momento … então não quebre canais de comunicação porque a sensação de não estar socializando e de isolamento já é presente; então, incremente” —  Cristiane Carvalho, Microsoft Brasil

A hora do cafezinho acabou, a conversa do corredor não existe mais e a necessidade de trabalhar em equipe permanece. Para resolver essa equação —- que surgiu com a pandemia e, pela tendência em diversos segmentos, deve se manter nos próximos anos — são necessárias soluções comportamentais e tecnológicas. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Cristiane Carvalho, diretora de Recursos Humanos da Microsoft,  falou das oportunidades e desafios deste momento.

Assim que surgiram os primeiros sinais da chegada da Covid-19 no Brasil, todos os colaboradores passaram a trabalhar de casa. Essa migração em massa tornou-se possível e foi facilitada porque a Microsoft já tinha plataformas próprias para execução de projetos e comunicação. A empresa também levou muitas dessas soluções a seus parceiros de negócio.

Por outro lado, logo se percebeu que a integração trabalho e casa ocorria de formas diferentes para cada colaborador. Muitos pais tiveram dificuldades porque precisavam cuidar dos filhos, acompanhá-los nas aulas remotas e dar atenção para as demais atividades ao mesmo tempo em que estavam em seu expediente de trabalho.

Outro problema identificado por Cristiane Carvalho foi a fadiga do trabalho remoto:

“A gente tinha uma separação física do trabalho e da casa, tinha o tempo do translado da casa para o trabalho e vice-versa, a conversa dentro da empresa … isso fez com que as pessoas começassem a trabalhar mais, a  sofrerem com um estresse mental”

Com o ambiente de trabalho fechado, a socialização que havia deixou de ocorrer e para suprir essa ausência de contato presencial, segundo a diretora de RH da Microsoft, a empresa criou encontros virtuais para o café da manhã e para o fim de expediente, presenteou colaboradores com lanches durante o dia para a interação das equipes de trabalho, e restringiu os horários de reunião, adaptando-os as agendas dos pais que tinham, por exemplo, de preparar o almoço para as crianças.

A experiência provocada por esta pandemia também mudou a forma de se avaliar o desempenho dos colaboradores, medindo muito mais a tarefa cumprida do que o tempo dedicado ao trabalho. Assim como os gestores de áreas foram orientados a identificar a performance por períodos, compreendendo os impactos da pandemia.

“Algumas pessoas usaram esses últimos meses para aumentar o impacto e algumas tiveram de cuidar de outras coisas, de famílias, parentes doentes … o que a gente quis introduzir é o conceito de compreensão e empatia”

Assista à entrevista completa com Cristiane Carvalho, da Microsoft, no vídeo publicado neste post e se inscreva no podcast do Mundo Corporativo. Colaboraram com o programa Juliana Prado, Natália Mota, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Sua Marca: seis dicas de embalagens para atender o cliente, na pandemia

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“Embalagens são um veículo importante — não o único, claro — para apoiar o consumidor nesse momento difícil”, Cecília Russo

A preocupação com os riscos de contaminação devido a Covid-19 levou o consumidor a ficar mais atento às embalagens usadas nos produtos que compram, especialmente no comércio eletrônico. Para entender esse novo comportamento, a Narita Strategic Design, tradicional empresa do mercado brasileiro, que tem seu foco na identificação visual das marcas e embalagens, desenvolveu estudo exploratório que envolveu entrevistas em profundidade com consumidores.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo chamou atenção para a relevância deste trabalho diante do protagonismo das embalagens na relação da marca com seu cliente: 

“As  embalagens são pontos importantes de contato das marcas com seus consumidores. E estamos em um momento em que muitas pessoas querem evitar contato com o outro”.

Jaime Troiano e Cecília Russo destacaram seis pontos do levantamento feito pela Narita, alguns que já vinham se expressando mesmo antes da pandemia e outros que surgem agora para se tornarem permanentes:

  1. Cores e logo sempre foram importantes indicadores de reconhecimento das marcas mas nas compras online eles se tornam ainda mais relevantes. A Narita sugere cuidado com o branco, que pode ser bom para o ponto de venda físico mas “morre” no digital, confundindo-se com o fundo da tela;
  2. Imagens que demonstram como é o produto dentro da embalagem são bem-vindas. Consumidores querem “transparência” de diversas formas e essas imagens ajudam a trazer esse sentido. Nessa mesma linha, menos informações e menos texto — mais leitura e mais agilidade para entender o produto.  Uma referência é a estratégia da marca Mãe Terra que ilustra suas embalagens, por exemplo, com metade da imagem de um batata doce in natura e a outra metade como são os chips que a pessoa vai encontrar na embalagem.
  3. O uso do selo que garante 99,99% de eficácia no combate as bactérias não surte mais o efeito esperado, pois caiu no lugar-comum. Transmitem a imagem de algo promocional e sem confiança. O consumidor prefere selem que mostrem que produto e embalagem seguem normas de higiene, segurança e etc …
  4. A preferência deve ser por embalagens que facilitem o segurar, que tenha a anatomia da “pegada” e a simplicidade para abrir. Quanto menos contato com a embalagem, no sentido de precisar usar as duas mãos, apertar ou rodar, melhor.
  5. O consumidor sente-se mais seguro manipulando vidro e alumínio pois entende que é mais fácil a limpeza e evita a contaminação. O papel não permite essa mesma desinfecção, amolece quando úmido. 
  6. A segurança no fechamento das embalagens é essencial, especialmente em alimentos, pois transmite a mensagem de que não houve contaminação. Usar “zip lock” e selos de segurança, são recomendáveis. 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, e pode ser ouvido também em podcast.

Conte Sua História de São Paulo: pesquei lambari na praça 14 Bis, na Bela Vista

De Gabriel Whitaker

Ouvinte da CBN

Inscreva-se e ouça o Conte Sua História de São Paulo em podcast

 

Morei desde meu nascimento até me casar, em 1972, na Rua Aracuã — travessa da Avanhandava, na Bela Vista — que foi o primeiro loteamento da Companhia City.  Bem ordenado e, até então, um lugar muito tranquilo.

Tinha muitos amigos na vizinhança —- o Roberto, o Horacinho, a Luiza … jogávamos bola na rua, fazendo as portas de garagem de gol, o que enfurecia uma das moradoras, quando o gol  era convertido. Fazia um barulho danado, pois a porta era destas de metal. Correria para todo lado!

No fim dos anos 1950, iniciou-se a construção de um grande edifício na Rua Paim, que, pelas profundas estacas instaladas para sua fundação, fez subir o lençol freático, que transformou um terreno na Praça 14 Bis em pequeno lago. Tempos depois, descobrimos que havia aparecido lambaris e guarús, que pescávamos com puçás, molhando toda a roupa e fazendo o desespero de nossas mães.

Um pouco adiante dessa praça, havia um avião, da esquadrilha “Senta a Pua” da FAB, num monumento comemorativo da participação do Brasil na II Guerra Mundial. Mais adiante, na entrada do túnel da 9 de julho, nas fontes ali existentes, soltávamos barquinhos e pequenos veleiros, que às vezes ficavam presos nos canos dos chafarizes, nos obrigando a entrar na água para recuperá-los.

A farra maior era na manhã do “9 de julho”, quando acordávamos com o som de clarins, anunciando o começo das paradas comemorativas da Revolução Constitucionalista. Corríamos para a avenida e assistíamos extasiados, sentados nas sarjetas, à passagem dos soldados, canhões e tanques de guerra. Era comum levarmos sustos com os cavalos da polícia montada, que escorregavam do asfalto, empinavam e atrapalhavam o seguimento do desfile.

Bons tempos aqueles, em que nós crianças brincávamos na rua com segurança e tranquilidade.

Gabriel Whitaker é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Para contar a sua história da cidade, escreva seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca: diversidade em equipes de trabalho aumentará presença de mulheres negras na publicidade

 

“Vejo as marcas sempre como caudatárias do processo, elas chegam já quando já na sociedade esse sentimento latente”— Cecília Russo.

Na busca pela igualdade racial, existem dois movimentos visíveis neste momento na gestão de marcas: um que começa a aparecer nas mensagens publicadas pelas empresas e serviços, e outro que surge internamente nas equipes de trabalho das organizações. Apesar dessas constatações, dois estudos sobre diversidade mostram que a presença de negros na publicidade ainda avança lentamente. 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo destacou um levantamento que a TroianoBranding realizou para Editora Abril no qual foram analisados os anúncios publicados na revista Claudia, a partir dos anos de 1960 até 2006. Nos primeiros anos, apenas 1% tinha a presença de mulheres negras, cenário que avançou pouco cinco décadas depois: só 3% das mulheres que apareciam na publicidade eram negras e geralmente representando cozinheiras e empregadas domésticas.

A agência de comunicação Heads, desde fevereiro de 2016, tem feito levantamentos anuais para medir a presença de mulheres negras nos anúncios veiculados em televisão. Apesar do avanço, os resultados registrados estão muito aquém da diversidade da população brasileira:

2016 — 1%

2017 — 4%

2018 — 16%

2018 — 16%

Ou seja, apesar do salto que houve de 2017 para 2018, a representatividade de negras na publicidade ainda é baixa:

“Estamos longe da representação mais igualitária que obedece o perfil da nossa população…” — Jaime Troiano

Uma ação que pode impactar nesses resultados é o interesse de empresas em contratar pessoas negras com a intenção de combater a desigualdade racial. Há algumas semanas, o Magazine Luiza e a Bayer decidiram abrir programas de trainee em que apenas negros podem se inscrever. Cecília Russo destacou em seu comentário a frase dita por Frederico Trajano, presidente do Magazine Luiza, em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo”:

“A diversidade maior nos nossos quadros de liderança vai gerar resultados maiores. (…) Se tivéssemos mais representatividade de mulheres e negros – que é nossa questão mais sensível hoje – na liderança, teríamos ações mais efetivas. Isso geraria mais vendas e, em última instância, mais retorno aos acionistas”.

Para Cecília e Jaime, a questão racial é emergente — já bastante tardia. As marcas, porém, devem ter cuidado para não fazer desta promessa uma bandeira vazia, construindo um discurso que não se realiza na prática.

“(temos de buscar) essa combinação de justiça social, equidade e resultado — e lucratividade —- nesse universo capitalista”

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN e pode ser ouvido, também, em podcast.