A imaginação não tem limites. Presos e visitantes foram flagrados tentando usar pombos para transportar droga e celulares para dentro da prisão, durante o feriado de Páscoa. A descoberta foi feita por agentes do Centro de Detenção Penitenciária de Mauá, região metropolitana de São Paulo, após receberem informações de como funcionaria a estratégia. Os pombos, com pequenas bolsas adaptadas para transportar drogas e celulares, seriam levados para a área externa pelos visitantes; do lado de fora, os produtos seriam colocados na bolsa e, em seguida, as pombas seriam soltas, devendo voar de volta ao local de origem. No dia 29, uma pomba-teste foi vista pelos guardas pousando em uma das ventanas de ventilação das celas de inclusão. Na bolsa que carregava havia restos de papel alumínio que simulavam em tamanho e peso aparelhos de celular. Nos dias seguintes, foram encontrados de posse de visitantes dois pombos que seriam usados para o transporte. As informações são da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo.
Na iminência do lançamento da telefonia celular no Brasil, nos anos 80, fui convidado pela então Telesp para testar a nova tecnologia. Na época, recebi um “tijolo” de telefone celular. Ao atender uma chamada em local público – na rua, no shopping – as pessoas me dirigiam olhares curiosos e indagativos: “ele está falando sozinho!?”, “será que enlouqueceu!?”.
Hoje, dirijo olhar curioso para as pessoas nos locais públicos – na rua, no shopping, no elevador, no cinema, na praia, e em lugares inimagináveis para mim: “por que não desgrudam do iphone, ipad!?”, “o que as leva a ficar tanto tempo focadas nesses aparelhinhos!?”
E chega a meu conhecimento uma nova forma de buscar as “iminências”:
Trend Hunter = Caçador de Tendências
É um profissional em geral jovem, de 20 a 35 anos, com fôlego para circular pelas ruas, cinemas, shows e exposições da cidade registrando tudo, até a roupa que você está usando. Com olhos atentos, máquinas fotográficas e notebooks, ele capta comportamentos, estilos, novos talentos, ídolos emergentes e desejos de consumo. Informações preciosas para as indústrias de moda, tecnologia e design.
Marcas líderes e seus concorrentes utilizam um relatório de tendências anual para entender as tendências do consumidor, identificar oportunidades e acompanhar a inovação do concorrente. Marcas como Kelloggs e Nestlé dependem de caçadores de tendência para desencadear uma inovação.
A TrendHunter, empresa especializada neste tipo de abordagem, emprega cerca de 100.000 caçadores de tendência espalhados por 191 países.
Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Escreve às terças-feiras, no Blog do Mílton Jung
A morte de um senhor de 76 anos, em incêndio na Vila Formosa, zona Leste de São Paulo, na sexta-feira passada, ganhou detalhes ainda mais dramáticos no depoimento de um vizinho que tentou salvar a vítima, ouvido pela reportagem da rádio CBN. O homem contou que ao chegar na casa que pegava fogo tentou, desesperadamente, arrancar as grades das janelas. O máximo que conseguiu foi pedir para que o idoso se deitasse no chão e esperasse a ajuda que não chegou. O senhor morreu ali mesmo, deitado, impedido de escapar pelo fogo que consumia a casa de um lado e pelas grades de proteção do outro. O medo da violência urbana nos leva a colocar grades nas janelas e portas na ilusão de que estaremos protegidos. O pavor de termos a casa invadida é tanto que nos cega para outros riscos como a de tornar intransponível as rotas de fuga em caso de emergência como a vivida pela família da pequena e sem saída rua Horácio de Matos.
Minha casa não tem grades, mas muros enormes e com portões que impedem a visão para a rua. Descobri que havia construído uma armadilha quando tive a residência invadida por um bando que agiu tranquilamente sem ser importunado por nenhum vizinho que, por ventura, tivesse passado na minha calçada. Ninguém seria capaz de desconfiar o que acontecia lá dentro. Um especialista em segurança me contou que pesquisa feita com presos, condenados por assalto à residência, revelou que eles se sentem protegidos quando entram em casas com muros grandes.
Semana passada, Ethevaldo Siqueira divulgou no Jornal da CBN estratégia sugerida pelo SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência para facilitar a busca de parentes de vítimas. Os técnicos pedem para que se coloque no celular o nome AAEmergência e o telefone para o qual gostaríamos que ligassem em caso de acidente. Imediatamente, recebi mensagens de pessoas entendendo que a medida seria um risco à segurança, pois em caso de sequestro relâmpago ou roubo do telefone, os bandidos saberiam para quem ligar. Outros disseram que a medida não teria sucesso pois os celulares têm códigos para impedir o acesso de terceiros.
Bloquear celulares, não registrar número de emergência, gradear as janelas e elevar ao máximo os muros de nossas casas são todos sintomas da mesma paranoia que nos leva a proibir os filhos de brincar na rua, deixar de sair à noite, esconder-se em condomínios fechados e dos vizinhos, aceitarmos vivermos em um BBB caseiro, com câmeras vistas pela internet, controlada à distância por estranhos, e GPS pessoal. Resultado do medo que nos cerca e da desconfiança que alimentamos do outro, que consome relações. Precisamos repensar alguns desses hábitos e avaliarmos se vale a pena seguirmos em frente restringindo cada vez mais nossas liberdades e morrendo, aos poucos, atrás de grades.
Jeremias é motoristas de táxis e estava impressionado com o que havia lido um dia antes, no Estadão de domingo. Uma pesquisa mostrava que 59% dos jovens dirigem teclando no celular e apesar de boa parte deles (48%) entender que o comportamento é arriscado não abre mão de conversar com os amigos, responder e-mails, postar no Facebook ou tuitar no meio do trânsito, pelo smartphone. Um hábito que não se restringe aos instantes em que o carro está “estacionado” no meio da avenida devido ao congestionamento ou porque o sinal fechou. Ocorre mesmo em alta velocidade como se percebe em parte das entrevistas feitas com 350 motoristas de 18 a 24 anos. Um absurdo, uma irresponsabilidade – esbravejava Jeremias – antes de seguir com seu discurso: muitos acreditam serem capazes de realizar os dois atos com a mesma precisão, alguns garantem que digitam sem olhar para o teclado.
Tudo foi tão chocante para Jeremias que ele resolveu guardar o caderno Metrópole, do Estadão, para mostrar a passageiros como eu. Por isso, a cada nova informação que me transmitia, sacudia o jornal com a mão direita, enquanto a esquerda mantinha o carro na faixa. Virou a página com destreza para me mostrar outra reportagem sobre o mesmo assunto. Em entrevista ao jornal, um jornalista americano William Powers, autor do livro O BlackBerry de Hamlet, comentou que todo dia jovens sacrificam suas vidas para ler uma mensagem enquanto conduzem um automóvel. Jeremias gostou mesmo foi da ideia de Powers que sugeriu o envolvimento das empresas de telefonia móvel em campanhas para mudar esta situação extremamente grave e que tende a se agravar se nada for feito. Segundo leitura rápida feita pelo motoristas de táxis, enquanto dirigia, empresas como Google e Facebook estão incentivando as pessoas a se desconectar, sair da frente da tela dos computadores.
Ao fim do minucioso relato sobre a reportagem que tanto o incomodou, Jeremias virou para trás e me entregou o jornal para ver uns desenhos que explicavam tudinho o que ele estava me falando. E enquanto o trânsito fluía normalmente nessa segunda-feira de feriado em São Paulo, eu agradecia por não ter embarcado em um táxi conduzido por um desses motoristas jovens e conectados. Ainda bem que encontrei Jeremias, senhor de idade, responsável, adepto as práticas de direção segura e que não usa estes equipamentos eletrônicos enquanto dirige. Só lê jornal.
Campanha de vídeo da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego
Estes engenhos eletrônicos têm propiciado aos usuários benefícios e vícios. Tais quais as drogas proibidas, sensações e emoções com sequencias de auto-dependência e interferência danosa a terceiros.
Como novos elementos a fazer parte da vida atual, são embalados pela utilidade e pelo prazer que fornecem. Entretanto, a certeza futura do aumento de usuários e da intensidade de uso é preocupante. É hora de estabelecer algum ordenamento jurídico e social para que possam conviver civilizadamente em nosso meio.
Os fabricantes preveem que até o ano 2020 não existirão mais celulares. Eles serão substituídos pelos smartphones. Portanto, desconsideremos os inofensivos efeitos dos celulares, embora produzindo irritantes incômodos em salas de espera, aeroportos, elevadores e demais locais em que somos obrigados a ouvir intimidades de toda espécie, avançando em nosso direito de pensar, ler ou mesmo de não fazer nada. Vamos aceitar até mesmo a ilegal e perigosa fala ao dirigir veículos.
Os smartphones, estes sim, trazem um perigo multiplicado. De acordo com matéria publicada na revista Época sobre o tema, um estudo da Universidade Tecnológica da Virginia, EUA, dirigir falando ao telefone duplica a possibilidade de acidente. Entretanto ao teclar, o potencial de risco é multiplicado por 23. Além disso, diante de um simulador para medir a reação do motorista em diversos estados de atenção, constatou que ao digitar em redes sociais no smartphone o pesquisado teve a reação reduzida em 38%, enquanto quem fumava maconha ficou mais lento em 21% e quem bebeu de 2 a 3 latas de cerveja respondeu 12% mais demoradamente ao estímulo. Portanto, o Smartphone é 100% mais perigoso que o álcool, e 40% mais danoso que a maconha. Descoberta e tanta, digna do Freakconomics quando alertou que piscina mata mais criança do que revólver em casa.
Se considerarmos que o Smartphone além de prazer fornece utilidade e a imagem operacional não causa reprovação, seu potencial de uso comparativo com álcool e maconha é bem maior. Principalmente no trânsito caótico que vivemos.
É hora de cuidarmos do Smartphone. Antes talvez que nossa ultima frase esteja digitada no próprio, como o da garota americana de 18 anos. Taylor Sauer teclou: “Não posso discutir isso agora. Dirigir e escrever no Facebook não é seguro! Haha”. Bateu no veículo à frente que andava a 25km/h.
Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung
O homem vem criando e aprimorando ao longo, em especial, dos séculos XX e XXI (que me desculpem os inventores mais antigos, merecedores do maior respeito), tecnologias que facilitam sobremaneira o nosso dia a dia. Foram lançadas no mercado novidades que, nem faz tanto tempo assim, seriam inimagináveis para os nossos antepassados. Está, entre essas, em lugar de honra no pódio das invenções, sem a mínima dúvida, a internet. Sempre que vou digitar esse vocábulo fico em dúvida. Talvez devesse iniciá-lo com letra maiúscula ou mais que isso, completamente em caixa alta: INTERNET. Meu primeiro computador,um Compaq, foi adquirido em 1996 (já contei isso em postagem anterior). Desde então, aqui em casa e no trabalho, lido com PCs e, claro ,internet. Fala-se, hoje em dia, mais em digitar do que em escrever. Com a chegada do iPad, provavelmente, muitas pessoas (não serei uma delas, garanto) manterão suas bibliotecas, pequenas ou grandes, somente para enfeitar suas casas. Quem gosta de ouvir músicas enquanto caminha dispõe de outra das criações do falecido Steve Jobs, o iPop,aparelhinho que pode ser plugado também em automóveis que dispõe de sistemas de áudio mais modernos.
Entre todas as inovações tecnológicas que sacudiram o mundo existe uma, porém, cuja utilidade rivaliza com as que citei e com outras a que não me referi para não alongar demasiadamente este texto. Trata-se do telefone celular, lançado na cidade do Rio de Janeiro no início dos anos 90 visando, na primeira fase, a suprir a demanda reprimida pelos serviços de telefonia fixa. Nessa etapa, os celulares eram analógicos. Na segunda geração tornaram-se digitais, permitindo voz e dados. São agora aparelhos avançadíssimos e sofisticados. Jamais esqueci que o meu primeiro celular custou os olhos da cara, algo em torno de mil e quinhentos reais. Era um imenso Motorola. Hoje, graças a um plano de 200 minutos, que tenho com uma telefônica, saiu-me de graça um diminuto Nokia C3-00. Posso sobreviver sem PC, mas não sem telefone móvel. Não fosse um deles e eu teria ficado sem socorro quando meu carro sofreu pane tarde da noite numa via pública. Citar outros exemplos dos benefícios prestados por um celular às pessoas seria chover no molhado. Afinal, não há quem não os conheça e tenha deles se valido. O amigo leitor talvez não concorde com a primeira frase desse parágrafo, mas, se pensar um pouco, quem sabe me dará alguma razão.
Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)
Maria Helena e eu adquirimos o nosso primeiro computador, um Compaq, em 1996. Comprei-o sem sequer atentar para o fato de ele já ter sido manuseado por outros clientes da loja, porque estava em exposição e liberado para ser testado. Foi um erro, mas, felizmente, sem conseqüências. PCs têm de chegar virgens às mãos de seus compradores. A primeira providência que nós dois tomamos foi contratar um provedor para que, sem demora, pudéssemos nos transformar em navegadores da internet. O computador passou daí para a frente a fazer parte das nossas vida. Não podemos viver sem um deles. Ou melhor, mais do que um. Afinal, por isso os chamamos de Personal Computer. Depois do Compaq, com sua memória fraquíssima, parentes bem mais poderosos o substituíram, com acréscimos de periféricos e outros que tais, como é normal.
Para quem vem acompanhando os avanços tecnológicos dos últimos tempos, mesmo sem ainda ter adquirido algumas das maravilhas que estão no mercado e às quais se somam outras num piscar de olhos, causa espanto que existam pessoas avessas às modernidades. E que não se envergonham de confessar a sua recalcitrância. Fosse eu um desses, poria minha violinha no saco. Li num jornal gaúcho o texto produzido, provavelmente num PC, por um cavalheiro que não aprova as invenções de, imaginem, Steve Jobs. Ninguém é obrigado a ter iPhone,iPod e iPad. Estes aparelhos, que tanto facilitam a vida da gente, seja no trabalho, seja no lazer, ainda não são baratos. Escrever, porém, que essas maquinazinhas e outras, como o telefone celular, tiram a concentração dos aluno, transformando-se em tormento para os professores, é um baita exagero. Os alunos perdem a concentração na sala de aula quando os professores são muito chatos.
Sim, os avanços tecnológicos têm preço. Quem disse que não tinham. Já não concordo que, com um iPhone, por exemplo, as pessoas deixem de apreciar, num parque, o que existe de belezas naturais e andem como se fossem zumbis. Não entendo que, quem destesta novidades como as citadas, se atreve a criticar aquilo que não conhece. E não sabe sequer porque os nomes da agenda de celulares com touch screen deslizam tão rápidos que mal consiga os acompanhar.
Milton Ferretti jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)
Daniel Orlean é sócio diretor da Affero, especialista em inteligência Organizaçcional e Gestão do Conhecimento pela Coppe/UFRJ. Na entrevista para o Mundo Coporativo, Orlean fala de inovação na educação e gestão de pessoas e explica como a educação transmídia pode melhorar o desempenho dos profissionais de uma empresa. Ele mostra como a gestão de conhecimento pode ser implantada em grandes corporações através de casos que experimentou na Vivo e na Vale.
O Mundo Corporativo é apresentado toda a quarta-feira, às 11 horas, no site da CBN, e reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. A participação dos ouvintes-internautas é pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br
Alvos de reclamações por falta de resposta às mensagens enviadas por e-mail, os vereadores de São Paulo até que mostram bastante interesse nas novas tecnologias quando estão em plenário. Muitos passam a sessão conectados com o mundo exterior navegando na internet através de seus telefones celulares ou tablets. Foi o que flagrou Massao Uehara – fotógrafo informal do Adote um Vereador – que esteve na semana passada no plenário da Câmara Municipal.
Com um Iphone no ouvido e o Ipad na ponta do dedo, o vereador Marco Aurélio Cunha (DEM) era dos mais conectados em plenário. Não se desgrudou de seus gadgets mesmo durante os debates mais acalorados.
Carlos Apolinário (DEM), quem diria !? Apesar do discurso veemente contra os exageros em defesa dos gays, revelou-se sem qualquer preconceito. Quando precisou navegar na internet passou a mão no Ipad cor de rosa da assessora e saiu por aí. Mandou bem.
Netinho de Paula (PC do B) parecia entusiasmado com seu Iphone 4(?) e compartilhou informações com o colega da casa. O que estava acessando, não dava para saber, mas teve toda a atenção do parceiro de Mesa Diretora.
O vereador Agnaldo Timóteo do PR, por sua vez, aparentava dificuldade para conferir as mensagens que chegavam pelo telefone celular. A sugestão é que invista em um tablet que amplia as letras e exigirá menos esforço do parlamentar.
Dalton Silvano (sem partido) foi quem sinalizou total desapego as traquitanas eletrônicas. Apesar do uso frequente em plenário, portava um aparelho tecnologicamente atrasado.
Mais antigo vereador da casa, Wadih Mutran (PP) mantém velhos hábitos e ao lado de sua cadeira no plenário ostenta um telefone fixo e com fio, enquanto confere informações impressas em papel.
Já o presidente da Câmara, José Police Neto (sem partido), mesmo com um computador de mesa à disposição ainda depende do uso da caneta para tomar decisões.
O vôo Porto Alegre – São Paulo, na quinta-feira, permitiu e estimulou os passageiros a usarem seus celulares para contatos familiares e profissionais. No Air Bus A312 a TAM passa a disponibilizar o uso através dos Smartphones para ligações telefônicas, SMS, internet e demais conexões eletrônicas, até então apenas possíveis em terra. É a primeira companhia brasileira a utilizar a aprovação da ANAC para os serviços de telefonia e internet nos aviões com SMP serviço móvel pessoal.
De acordo com a Diretoria de Marketing da TAM na palavra de Manoela Amaro: “O uso de celular a bordo foi uma demanda detectada por meio de pesquisas com nossos passageiros que desejam estar conectados ao trabalho, à família e a amigos enquanto viajam”.
A percepção que se tem é que o Comandante Rolim buscava sempre a diferenciação com base no conforto dos passageiros. A questão é saber que público dentre os principais segmentos de estilo de vida dos passageiros da TAM , que a Manoela Amaro está atendendo, ao liberar o uso do celular. O seu pai, pelo feeling, talvez nem precisasse de sistemas de pesquisa, pois diuturnamente estava atendendo em Congonhas os passageiros até o embarque, na escada dos aviões, em cima do tapete vermelho, ao lado do comandante e da chefe de serviço da aeronave. “Boa viagem, Gibrail” foi o que ouvi inúmeras vezes.
A ANAC certamente ao promulgar a liberação do uso do celular levou em conta fundamentalmente o aspecto tecnológico, já testado e aprovado. A OnAir , fornecedora da TAM, aplicou em 135 mil vôos em 356 cidades e 83 países. O serviço permite que apenas oito passageiros utilizem os celulares para ligações telefônicas ao mesmo tempo. Não há restrições para envio de torpedos nem no número de passageiros acessando a internet por meio de smartphones.
Esqueceram apenas de perguntar aos passageiros. Ou, com a “barriga no balcão” como Rolim fazia, ou com a metodologia que permitiu que 0,004% do universo de eleitores brasileiros pesquisados pudesse projetar o resultado de mais de 130 milhões de votos.
Nos Estados Unidos, alerta dado pelos comissários de bordo através do sindicato de classe, levou o Congresso a proibir o uso dos celulares em função da liberdade individual dos cidadãos. Ao mesmo tempo inúmeras pesquisas demonstram que os americanos apoiam a manutenção da proibição.
A FCC Comissão de Comunicações dos Estados Unidos em Washington proíbe o uso de celulares em aviões, em parte devido a algumas preocupações não resolvidas sobre possíveis interferências nos sistemas de telefonia e demais equipamentos de navegação das aeronaves.
O presidente da OnAir, Benoit Debains rebate: “Nos Estados Unidos a situação tem um aspecto emocional forte”, porque segundo ele o ruído normal do vôo não deixa os demais passageiros ouvirem o usuário falando.
As restrições de poucas aeronaves, poucos usos simultâneos e tarifas altas, logo deverão ser ultrapassadas e certamente estaremos diante de um ambiente insuportavelmente poluído.
Como historicamente no embate entre as grandes corporações e os indivíduos, as primeiras sempre vencem, há duas saídas para os que querem sossego nos voos. Separação entre usuários e não usuários ou chegada dos novos consumidores, hoje em fase de gestação. Aqueles que Nizan Guanaes descreve em artigo de ontem na Folha como “os escritores de celulares”. O escrito se sobrepondo sobre o falado no aparelho destinado originalmente à fala.
O torpedo não interrompe reuniões, exige menos firulas, propicia linguagem direta, é mais eficiente, serve mais, incomoda menos. A tese de Guanaes tem coerência, ressência, é contemporânea e pode se adiantar a massificação do celular em aeronaves. E estaremos protegidos.
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve as quartas no Blog do Mílton Jung