O uso do celular no avião

 


Carlos Magno Gibrail

O vôo Porto Alegre – São Paulo, na quinta-feira, permitiu e estimulou os passageiros a usarem seus celulares para contatos familiares e profissionais. No Air Bus A312 a TAM passa a disponibilizar o uso através dos Smartphones para ligações telefônicas, SMS, internet e demais conexões eletrônicas, até então apenas possíveis em terra. É a primeira companhia brasileira a utilizar a aprovação da ANAC para os serviços de telefonia e internet nos aviões com SMP serviço móvel pessoal.

De acordo com a Diretoria de Marketing da TAM na palavra de Manoela Amaro: “O uso de celular a bordo foi uma demanda detectada por meio de pesquisas com nossos passageiros que desejam estar conectados ao trabalho, à família e a amigos enquanto viajam”.

A percepção que se tem é que o Comandante Rolim buscava sempre a diferenciação com base no conforto dos passageiros. A questão é saber que público dentre os principais segmentos de estilo de vida dos passageiros da TAM , que a Manoela Amaro está atendendo, ao liberar o uso do celular. O seu pai, pelo feeling, talvez nem precisasse de sistemas de pesquisa, pois diuturnamente estava atendendo em Congonhas os passageiros até o embarque, na escada dos aviões, em cima do tapete vermelho, ao lado do comandante e da chefe de serviço da aeronave. “Boa viagem, Gibrail” foi o que ouvi inúmeras vezes.

A ANAC certamente ao promulgar a liberação do uso do celular levou em conta fundamentalmente o aspecto tecnológico, já testado e aprovado. A OnAir , fornecedora da TAM, aplicou em 135 mil vôos em 356 cidades e 83 países. O serviço permite que apenas oito passageiros utilizem os celulares para ligações telefônicas ao mesmo tempo. Não há restrições para envio de torpedos nem no número de passageiros acessando a internet por meio de smartphones.

Esqueceram apenas de perguntar aos passageiros. Ou, com a “barriga no balcão” como Rolim fazia, ou com a metodologia que permitiu que 0,004% do universo de eleitores brasileiros pesquisados pudesse projetar o resultado de mais de 130 milhões de votos.
Nos Estados Unidos, alerta dado pelos comissários de bordo através do sindicato de classe, levou o Congresso a proibir o uso dos celulares em função da liberdade individual dos cidadãos. Ao mesmo tempo inúmeras pesquisas demonstram que os americanos apoiam a manutenção da proibição.

A FCC Comissão de Comunicações dos Estados Unidos em Washington proíbe o uso de celulares em aviões, em parte devido a algumas preocupações não resolvidas sobre possíveis interferências nos sistemas de telefonia e demais equipamentos de navegação das aeronaves.

O presidente da OnAir, Benoit Debains rebate: “Nos Estados Unidos a situação tem um aspecto emocional forte”, porque segundo ele o ruído normal do vôo não deixa os demais passageiros ouvirem o usuário falando.

As restrições de poucas aeronaves, poucos usos simultâneos e tarifas altas, logo deverão ser ultrapassadas e certamente estaremos diante de um ambiente insuportavelmente poluído.

Como historicamente no embate entre as grandes corporações e os indivíduos, as primeiras sempre vencem, há duas saídas para os que querem sossego nos voos. Separação entre usuários e não usuários ou chegada dos novos consumidores, hoje em fase de gestação. Aqueles que Nizan Guanaes descreve em artigo de ontem na Folha como “os escritores de celulares”. O escrito se sobrepondo sobre o falado no aparelho destinado originalmente à fala.

O torpedo não interrompe reuniões, exige menos firulas, propicia linguagem direta, é mais eficiente, serve mais, incomoda menos. A tese de Guanaes tem coerência, ressência, é contemporânea e pode se adiantar a massificação do celular em aeronaves. E estaremos protegidos.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve as quartas no Blog do Mílton Jung

8 comentários sobre “O uso do celular no avião

  1. Uma sugestão gratuita: para não incomodar os passageiros com os blá blá blá furado nas conversas com celulares, Empresários transformando poltronas em extensão de seu escritório onde o passageiro que quer dormir, relaxar, ler um bom livro será obrigado a ouvir as ladainhas, as empresas aéreas deveriam instalar cabines onde a pessoa que quer falar ao celular usará essas cabines sem incomodar os demais passageiros. Da mesma forma que existe banheiros, tbém poderia ter cabines a bordo. Do contrário a praga dos celulares vai invadir o tão sossegado viagem de avião. Se alguma empresa gostou da minha sugestão, pode mandar a grana na minha conta. Que eu divido com o Carlos Magno. Rsss

  2. Daniel Lescano,é isso mesmo. Vamos ter dissabores, principalmente para aqueles que aproveitam o tempo de vôo para o sossêgo de uma leitura ou de um bom sono.
    A América, livre como quase sempre dá uma lição.
    A sua sugestão é boa, espero que outras companhias possam diferenciar-se da TAM e propor o compartimento para telefone.

  3. Ola Carlos
    Sou contra o uso de telefone celular em aeronaves em voo.
    Muitos testes foram realizados para que se pudesse utilizar telefones celular em aeronaves.
    Mas sou contra o uso.
    Concordo plenamente com o Daniel Lescano.
    O que vai ter de executivos transformando o avião em extensão do escritorio, outros conversando alto, falandso nos milhões que foram acertados na ultima reunião e por ai vai.
    Certamente vai incomodar muitos passageiros que aproveitam o voo para tirar uma soneca, descansar, ler o seu jornal, revista, trabalhar nos seus note books em paz.
    A VASP em seus 727 200 na década de oitenta dispunha aos seus passageiros um telefone afixado em um dos paineisproximo a galey e assi quem precisava falar ao telefone ia la "no orelhão" do avião.
    Sem incomodar ninguem.
    As empresas aéreas poderiam retornar a este sistema utilizado nos 727 da VASP.
    Recentemente estava retornando de SJ dos Campos de onibus e ao meu lado um representante comercial ficou no celular a viajem toda tradando de negocios.
    Foi de encher a paciência de todos.
    E uma garota com os seus vinte e poucos anos pedindo dinheiro ao pai para ir a praia.
    Essa alternativa precisa ser bem estudada!

  4. Com a possibilidade de usar o celular, agora sim que ninguém mais ler dentro do avião. Antigamente, não muito, o pessoal sempre levava o livrinho embaixo do braço, agora levam o computador e o smartphone – e não é para ler. Com o celular para falar ou navegar, a leitura ficará em segundo plano.

  5. Edson M.,não é questão de ser ranzinza , mas de respeitar a liberdade de todos.
    Avançar no silêncio falando de coisas particulare é de extremo mau gosto e sem nenhuma civilidade.
    Aliás, em tempos idos existia além do LATIM aula de CIVILIDADE.

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