Como tomar decisões melhores? Como aumentar as chances de conquistar o que quer? Como ter mais paz e sossego?
Em resumo: como ser melhor?
Existe uma habilidade que, se construída, nos dá um super-poder.
Essa habilidade nos fornece mais informações, daquelas que poucos têm e fazem muita diferença no resultado final; nos fornece autodomínio, ou seja, nos ajuda a regular nossos sentimentos ao invés de sermos arrastados por eles… Essa habilidade nos dá poder, liberdade e mais felicidade.
Contemplar.
A atitude de contemplar vem em 3 passos: parar, observar, raciocinar. Por vezes, dependendo da grandeza da situação, ou de sua complexidade, precisamos refazer os passos, até chegarmos a um lugar de estratégia determinada e início da ação.
Contemplar é um treino que ninguém nos ensina com clareza, mas que diferencia aqueles que são leves e livres dos que ruminam e ruminam e sentem a vida empacada e pesada.
Comecemos pelo pequeno. Contemplar sobre a rotina desse dia de hoje; depois, contemplar sobre as mudanças de hábitos mais urgentes; então, contemplar sobre aquele problema familiar ou financeiro que está escondido embaixo do tapete (mas insistindo em incomodar seu sono e sua paz).
Nada de grandes saltos. Treinar essa habilidade com grandes problemas gerará angústia, desistência e frustração. Aqui, quanto mais lento o processo, mais robusto e eficaz o resultado.
Seja super-poderoso. Escolha se ajudar a viver uma rotina que flui, que é suportável e mais – desejada e com muitas pitadas de alegria.
Seja você o herói que irá te resgatar. Contemple, passo a passo, dia a dia… E comemore suas vitórias poderosas!
A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.
“Se tudo der certo, você vai envelhecer. Então, cuide bem dos idosos próximos a você.”
Francisco Carlos Gomes
A população brasileira com mais de 60 anos cresce em ritmo acelerado e, a partir de 2030, será numericamente maior que a de jovens. Com isso, aumenta também a urgência de refletir sobre o envelhecimento como parte da existência — e não como sinônimo de fim. O que ainda faz brilhar os olhos depois dos 60? Onde encontrar sentido quando os vínculos sociais enfraquecem e a finitude se torna mais presente? Esse foi um dos temas da entrevista com o psicólogo clínico e logoterapeuta Francisco Carlos Gomes ao programa Dez Por Cento Mais, apresentado por Abigail Costa.
Francisco é especialista na abordagem desenvolvida por Viktor Frankl, psiquiatra austríaco sobrevivente de campos de concentração nazistas, e explica que a logoterapia se volta à pergunta: qual o sentido da minha existência? “O nosso objetivo é sempre ajudar as pessoas no processo de entender que há sentido, que talvez naquele momento esteja obscuro, que a pessoa ainda não está enxergando.” Ele detalha os três caminhos propostos por Frankl para essa busca: os valores criativos — aquilo que nós doamos ao mundo; os valores vivenciais — os relacionamentos, a conexão com o belo, com a vida; e os valores atitudinais — as nossas atitudes diante das questões que não conseguimos mudar.
O que a vida quer de mim?
Quando a dor se impõe — seja por perdas, doenças, envelhecimento ou frustrações — o sofrimento existencial aparece. “A sensação de falta de sentido pode nos trazer sofrimento”, afirma Francisco. “Mas o vazio existencial não é uma doença. Ele é um espaço em que nos desconectamos desse compromisso de viver com dignidade.”
Encontrar sentido, diz o psicólogo, exige envolvimento ativo: “Depois que eu descubro, eu preciso fazer algo significativo.” E esse processo é profundamente individual. “Nós, psicólogos, psiquiatras, não podemos dar sentido para a vida de ninguém. Podemos ajudar as pessoas a encontrar um sentido para a existência dela.”
A busca por esse sentido, ele reforça, muda ao longo da vida: “O sentido não é fixo. Ele vai mudando de acordo com as fases de desenvolvimento que nós estamos passando.” Na velhice, essa pergunta pode estar ligada ao legado: “É aquilo que você também está deixando para a sociedade, através da construção da sua obra — que seja a família, que sejam filhos, que sejam livros, que sejam ações colocadas no mundo.”
A liberdade interior diante das opressões
Francisco destaca que, mesmo em contextos extremos de violência e opressão, como os vividos por Viktor Frankl ou por Nelson Mandela, é possível manter uma liberdade essencial. “A liberdade do pensamento, a liberdade interior, é um caminho de fortalecimento.” Mas ele alerta: “A maioria das pessoas não sabe que tem essa liberdade interior, porque muitas vezes foram dominadas por outra pessoa.”
A liberdade, segundo ele, deve andar com responsabilidade. “Existe um binômio que eu trabalho muito: liberdade com responsabilidade. Não somos livres para tudo, mas somos livres para atuar na nossa vida, na nossa existência.”
Esse compromisso com a própria existência inclui, para ele, reconhecer o peso do racismo estrutural na construção de sentido entre a população negra. Francisco compartilha sua experiência pessoal ao visitar o porto de onde partiram os primeiros navios negreiros para o Brasil e ressalta: “Houve quase 400 anos de escravidão no Brasil. Não é pouca coisa.” E ainda hoje, diz ele, os efeitos estão presentes: “De gerente para cima, para diretores, você não encontra [pessoas negras], ou encontra muito pouco.”
Uma vida que ainda vale a pena
Criador do canal Longidade, Francisco participa de iniciativas voltadas ao envelhecimento com propósito. Ele lembra que a solidão, o isolamento e o sentimento de inutilidade são experiências comuns após a aposentadoria. “Nós vivemos várias etapas. Se nós não fizermos algo significativo nessa etapa, temos uma tendência a deprimir.” Ele defende que a velhice não seja reduzida a uma caricatura: “Infantilizam o idoso, usando palavras no diminutivo, ‘velhinho’, ‘fofinho’. Vai se descaracterizando.”
Na sociedade do espetáculo, envelhecer é visto como fracasso, mas Francisco propõe uma inversão: “Envelhecer é uma coisa maravilhosa nesse sentido — eu consegui chegar nesse lugar.” O sentido da vida, reforça, está também em poder olhar para trás e dizer: “A minha vida valeu a pena de ser vivida.”
Assista ao Dez Por Cento Mais
O Dez Por Cento Mais pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, ao meio-dia, pelo YouTube. Você pode ouvir, também, no Spotify.
“Eu sou aquela mulher a quem o tempo muito ensinou. Ensinou a amar a vida e não desistir da luta, recomeçar na derrota, renunciar a palavras e pensamentos negativos. Acreditar nos valores humanos e ser otimista”
Cora Coralina
O filme francês O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001) conta a história de uma jovem sonhadora que dedica a vida a consertar pequenas dores de outras pessoas: devolve um brinquedo esquecido, junta casais ou espalha bilhetes anônimos para fazer alguém sorrir. Ela faz tanto pelos outros que, por um bom tempo, esquece de si mesma, deixando sua vida cheia de histórias alheias, mas vazia do próprio cuidado.
Assim como Amélie, muita gente acredita que precisa ser útil, boa e generosa ao extremo para garantir que será aceita, valorizada ou pertencente.
Evidentemente, esse não é um padrão que alguém escolhe ter de maneira consciente.
Em geral, a ideia de que ser amado está associado a ser útil nasce de experiências antigas, de situações nas quais a criança, cedo demais, entendeu que precisava fazer além do que podia para receber amor, atenção ou segurança.
Às vezes é o filho mais velho que, ainda pequeno, assume o cuidado de irmãos menores enquanto os pais trabalham, e aprende, sem se dar conta, que precisa ser “responsável” para ser elogiado ou notado; ou a criança que nota que os pais estão sobrecarregados, doentes ou emocionalmente ausentes, e então tenta não dar trabalho, engole a própria dor, faz tudo para ajudar em casa, acreditando que isso evita brigas e mantém a família unida. Em outros casos, é a criança que recebe afeto apenas quando tira boas notas, faz tudo “certinho”, ajuda em tudo e percebe que não há espaço para ser apenas criança, com erros e limites.
Assim, muito cedo, a mensagem se instala: “Eu só sou amado quando faço algo por alguém”.
E o que era apenas uma forma de sobreviver emocionalmente vira, na vida adulta, um padrão invisível, difícil de perceber, mas que faz a pessoa se doar além da conta, enquanto carrega, lá no fundo, a sensação de nunca ser suficiente.
Ser generoso, amoroso ou disponível não é um defeito. É algo valioso! O risco está em oferecer tudo sem critério. E quem já me conhece sabe que sempre digo: tudo é muita coisa!
Porque quando se faz demais, corre-se o risco de atrair quem só fica enquanto se beneficia. O resultado? O que era afeto disponível vira recurso de utilidade.
Talvez dentro de você exista uma Amélie: doce, cuidadosa, disposta a juntar pedaços do mundo dos outros. Que bom! Mas, hoje, faça o compromisso de cuidar também do seu próprio mundo, de cuidar de você.
Quero lhe propor um desafio: Pense em alguém importante na sua vida e se pergunte: “Essa pessoa me procuraria se ela não precisasse de nada?”
Se a resposta for não, talvez seja hora de rever esse laço, não com amargura, mas com a leveza de quem entende que vínculos verdadeiros não funcionam como caixas eletrônicos, onde alguém passa, retira o que quer e vai embora. Relações autênticas são presenças vivas em vias de mão dupla.
Penso que o tempo nos ensina… Nos ensina a amar, a não desistir, a recomeçar, a acreditar nos valores humanos e ser otimista!
Há sempre um jeito de seguir sendo generoso, sem se sacrificar, mas com respeito, equilíbrio e limites.
Afinal, afeto saudável não se mede pelo quanto você faz pelos outros, mas pelo quanto você consegue permanecer inteiro depois de se doar.
Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das fundadoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung.
“O trabalho é uma das maneiras de mantermos nossa utilidade na vida, mas não a única.”
Fábio Betti, Age-Free.World
O mercado de trabalho não quer mais saber de fidelidade cega, nem valoriza currículos marcados por longas permanências em um mesmo lugar. Enquanto os mais jovens pulam de emprego em emprego em busca de sentido e equilíbrio, líderes experientes questionam se ainda cabe a eles atuar em um modelo que exige energia de super-herói e uma dedicação que sacrifica a vida pessoal. Esse movimento de transformação — que atinge todas as gerações — foi tema da entrevista com Fábio Betti, que está à frente da age-free.world, no programa Dez Por Cento Mais, apresentado por Abigail Costa.
Entre gerações: rupturas e aprendizados
Para Betti, que também atua na Corall Consultoria, “envelhecer no mercado não deveria ser sinônimo de se tornar descartável”. Ele alerta que muitas empresas continuam presas a parâmetros que exigem velocidade e entrega constante, ignorando a experiência acumulada ao longo dos anos. “Muitos líderes chegam aos 55, 60 anos e dizem: ‘Eu não aguento mais’. Não porque falte energia, mas porque não faz mais sentido atuar em um ambiente desumanizador”, afirma.
A busca por um trabalho com propósito também não é exclusividade da nova geração. Para os mais velhos, surge a necessidade de se reinventar. Segundo Betti, mais de 40% das novas empresas no Brasil em 2019 foram abertas por pessoas com mais de 45 anos, mostrando que empreender também é uma alternativa para quem deseja continuar contribuindo, mas em outro formato. “A sensação de inutilidade adoece. Encontrar novas formas de se sentir útil é fundamental para a saúde mental”, destaca.
As novas gerações, por sua vez, querem clareza. “O jovem quer uma relação mais pragmática: ele quer saber como crescer, quanto vai ganhar e o que precisa fazer para chegar lá. E muitos líderes não sabem conversar sobre isso porque construíram suas carreiras em um modelo que pedia sacrifício absoluto”, pontua Betti.
Essa convivência entre cinco gerações no mesmo ambiente — boomers, X, Y, Z e alfa — intensifica os choques e, ao mesmo tempo, abre espaço para conversas importantes. “Precisamos integrar o velho e o novo, porque ambos têm valor. A evolução não é destruir o modelo anterior, mas entender o que manter e o que transformar”, explica.
O humano versus a máquina
Betti também observa que o avanço da inteligência artificial escancara a crise do trabalho automatizado. “Se o trabalho que fazemos pode ser substituído por uma máquina, o que resta de humano?”, questiona. Ele defende que a reflexão sobre o sentido do trabalho é urgente, já que o modelo atual, centrado em controle e metas incessantes, está “sobrevivendo por aparelhos”.
Para ele, o papel dos líderes deveria incluir cuidar das pessoas de forma integrada, não apenas fora do ambiente corporativo. “Vejo líderes que correm maratonas e falam sobre autocuidado, mas dentro das organizações continuam reproduzindo discursos de cobrança e desconfiança. Como integrar essas duas vidas?”, provoca.
No fim, a mudança depende de disponibilidade para ouvir e de coragem para criar um ambiente em que todos — jovens ou veteranos — possam pertencer e contribuir de maneira autêntica. “O grande desafio é lembrar que ninguém quer estar em um lugar onde a desconfiança é a base”, conclui.
Assista ao Dez Por Cento Mais
O Dez Por Cento Mais pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, ao meio-dia, pelo YouTube. Você pode ouvir, também, no Spotify.
Às vezes, tudo o que nos resta é silenciar e elaborar melhor a dor provocada pela violência, pela indiferença e, até mesmo, pela banalização do sofrimento — seja de uma pessoa ou de uma comunidade inteira. No silêncio, reunimos forças para seguir lutando por uma sobrevivência minimamente digna. Não falo aqui de um silêncio mudo. Muito pelo contrário: falo de um silêncio que arranca vozes jamais escutadas, mas que, infelizmente, não ressoam como relevantes para muitos ouvidos.
É no silêncio gritante que me veio a profundidade da frase de Conceição Evaristo que dá título a este texto, em denúncia ao racismo estrutural, e ela tem ressoado nos meus pensamentos nos últimos dias, desde que soube do assassinato de Fernando Vilaça, rapaz de 17 anos que vivia em Manaus e morreu após se defender de ataques LGBTfóbicos.
Já comentei, em outros textos, sobre o “não-lugar” que a sociedade impõe às nossas vivências e identidades dissidentes. São marcas profundas que carregamos ao longo da vida, a cada experiência, e nos esforçamos além dos limites para nos encaixarmos ou, então, passarmos como invisíveis, só para garantir uma suposta paz e segurança.
É um preço alto que pagamos por isso.
Obviamente, não existe em nenhuma dessas alternativas a possibilidade de se viver com dignidade. Desde cedo, nos cobramos para que aspectos “aceitáveis” aos olhos da sociedade se tornem mais visíveis, na tentativa de validação e pertencimento.
Não tem como esquecer do Pedro Henrique, aluno bolsista de um colégio tradicional de São Paulo, que, em 2024, aos 14 anos, foi suicidado pela violência que sofria por parte de outros alunos da instituição. “Faziam chacota de mim por eu ser gay”, escreveu em uma das mensagens enviadas por WhatsApp. A cada pessoa que morre vítima da violência, uma parte de nós também se vai. Somos cúmplices por não conseguir acolher as pessoas em suas diferenças e insuficientes enquanto sociedade, que segue a vida como se nada estivesse acontecendo.
O Brasil é o país que mais mata pessoas LGBT, e ainda assim não temos políticas públicas que garantam nossa segurança, conforto e representatividade em todos os espaços.
A nós, que envelhecemos e seguimos resistindo, tentando nos manter fortes para honrar o legado daqueles que, infelizmente, tiveram suas vidas sacrificadas, cabem, também, as marcas e a incerteza de um futuro digno e acolhedor.
Sabemos que os estereótipos relacionados à identidade de gênero, orientação sexual e geração operam de maneira perniciosa, obscurecendo tanto a visão da sociedade quanto a ação do Estado, que insiste em manter discursos de igualdade enquanto ignora por completo as vivências dos grupos minorizados. Brecht, dramaturgo alemão, nos alertou sobre isso quando escreveu: “a cadela do fascismo está sempre no cio”, e sabemos muito bem quem ela busca para anular suas existências.
Não quero finalizar esse texto num clima pesado, mas também entendo que a inquietação e o estranhamento fazem parte do processo de transformação.
Talvez, mais do que palavras, reste-me provocar empatia: e se fosse comigo? E se fosse com meu filho? E aqui, sobrevivente de inúmeras violências institucionais e interpessoais do passado, um Diego que, muito cedo, quando ainda nem entendia o que o tornava diferente, conheceu a perversidade do não-lugar, o que eu desejo, de verdade, é que, mesmo após quase quarenta anos, a gente consiga mudar essa realidade.
Que mais vidas tenham o direito e a garantia de envelhecer e vivenciar suas velhices de forma digna.
Diego Felix Miguel é especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e presidente do Depto. de Gerontologia da SBGG-SP, mestre em Filosofia e doutorando em Saúde Pública pela USP. Escreve este artigo a convite do Blog do Mílton Jung.
“Liderança não pode se colocar como protagonista. Ela precisa ser um guia, ajudar, auxiliar.”
Rafael Mayrink, NP Digital
O sucesso das empresas hoje vai além das competências técnicas e depende, sobretudo, da maneira como as pessoas se comportam, se relacionam e aplicam a tecnologia a seu favor. Este é o alerta de Rafael Mayrink, CEO da NP Digital Brasil, que participou do programa Mundo Corporativo para discutir a importância das habilidades comportamentais, o papel transformador da liderança e o impacto crescente da inteligência artificial no ambiente corporativo.
Ao longo da conversa, Mayrink destacou que “a pessoa precisa ler, ser curiosa, correr atrás, aprender mais sobre tecnologia e inteligência artificial para que ela use isso ao seu favor”. Para ele, o pensamento crítico se torna indispensável em um contexto em que as decisões precisam ser constantemente revisadas e alinhadas ao verdadeiro objetivo do cliente ou do projeto. “Se eu não tiver senso crítico para entender, perguntar e conhecer quem está do outro lado, não vou conseguir entregar o que realmente é necessário”, afirmou.
Treinar comportamento desde cedo
Mayrink defendeu que as competências comportamentais não nascem prontas e podem — e devem — ser desenvolvidas desde a infância. “Soft skills têm que estar lá na escola, desde o momento em que a criança começa a formar frases”, explicou. Segundo ele, é nesse processo que se aprende a falar em público, ouvir com atenção, lidar com frustrações e desenvolver empatia.
Ao falar sobre liderança, o executivo enfatizou que o líder precisa abrir espaço para os outros, ouvir ativamente e atuar como um orientador. “Nem sempre a liderança tem razão, mas por ter mais experiência, vai saber ouvir e guiar as pessoas para resolverem seus próprios problemas”, pontuou.
Inteligência artificial e o novo marketing
A tecnologia e a inteligência artificial já estão profundamente integradas ao marketing digital, e Mayrink apontou que isso exige um novo olhar sobre as funções e as relações de trabalho. “A inteligência artificial vem para aumentar produtividade, dar mais tempo e permitir que as pessoas desenvolvam outras habilidades”, comentou. Ele alertou, porém, que as mudanças exigem adaptação contínua e capacidade de aprender novas funções.
No encerramento, Mayrink aconselhou os jovens profissionais a ampliarem o repertório: “Faça algo fora do seu dia a dia. Aprenda um instrumento, pratique um esporte, explore novas experiências. Isso ajuda a desenvolver criatividade e habilidades de comunicação, fundamentais para qualquer carreira.”
Assista ao Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.
O desejo é um bichinho inquieto e guloso… está sempre com uma fome nova, muitas vezes de algo difícil de conseguir… coloca a gente em agitação, incomodados com a falta daquilo.
O desejo é um bichinho insatisfeito… você dá o que ele quer e, pronto, logo ele já nem saboreia mais aquilo e já parte pra outra vontade.
É o que temos – desejos. Desejos e mais desejos. Mil vozes na nossa cabeça: “Quero isso. Preciso daquilo. Olha, que legal, que vontade!” Existe férias da mente?
Essa intensidade cansa, mas ruim de verdade… é o tal do: Não!
“Não é pra você. Não dará certo. Não irão te ajudar. Não gostaram do que você fez. Não lhes interessam o que você pensa ou faz.”
Na mesma facilidade que o desejo pula, o Não vem. Às vezes da gente mesmo, às vezes de outras pessoas… Muitas vezes, da vida, que parece “não querer que aconteça”.
Então, não dá pra parar de desejar? Porque esse tal de Não dói pra caramba… A mente pensa: “A partir de agora, a ordem é não querer, deixa a vida me levar”.
Pois é, mas e quando vem o Sim? E quando nosso desejo é atendido… Que sensação mais gostosa! Uma comida, uma conquista material, um elogio de alguém, um amor… Desejos atendidos jogam luz em qualquer dia cinzento!
Então, quando a vida diz: Não! … Uma saída é dizer pra ela: Sim!
Sim, você comanda, você decide…
Sim, meu poder é limitado…
E, Sim, vou seguir aqui, porque vai que você me surpreende qualquer dia desses e me faz, ainda que momentaneamente, feliz?!
A vida diz Não, a gente diz Sim…
E que venham os desejos!
Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.
“Desejo não envelhece.” A afirmação do Dr. Fabrício Oliveira poderia ser apenas uma provocação retórica se não viesse sustentada por mais de uma década de trabalho clínico com pessoas idosas e pela escuta atenta a histórias muitas vezes silenciadas dentro de casa. No programa Dez Por Cento Mais, apresentado por Abigail Costa, no YouTube, o psicólogo e gerontologista defendeu com firmeza que envelhecer não significa perder vontade, nem identidade.
A entrevista trata de um tema ainda cercado por preconceitos: a sexualidade na maturidade. “As pessoas confundem sexualidade com ato sexual. Sexualidade é afeto, é toque, é desejo, é companheirismo. E isso não tem prazo de validade”, disse Fabrício, que, desde 2010, atua no universo do envelhecimento com foco no bem-estar emocional, psicológico e relacional dos idosos.
“Eu só atendo idosos”
A decisão de se especializar no público idoso nasceu de um encontro entre a sensibilidade clínica e a demanda reprimida. Tudo começou com um trabalho de conclusão de curso que virou referência acadêmica. Depois, veio uma reportagem de televisão que repercutiu de forma inesperada. “Os idosos começaram a me procurar porque se sentiram representados. Eles diziam: ‘doutor, eu tenho vontade de reencontrar o primeiro amor, mas os meus filhos acham isso uma bobagem’”.
Fabrício entendeu que não bastava escutar. Era preciso acolher, orientar e também educar as famílias. Por isso, passou a oferecer atendimento domiciliar. “O idoso vai muito ao médico. Psicólogo? Só se for alguém que vá até ele. No consultório ele não aparece”, explicou. A visita à casa do paciente, segundo ele, abre espaço não só para a escuta terapêutica, mas também para a reorganização do ambiente doméstico — desde a retirada de tapetes até conversas com os filhos que, sem perceber, reforçam o etarismo.
Miss Longevidade e o protagonismo invisível
Se os consultórios ainda são pouco acessados, as passarelas podem ser caminhos de transformação. Foi assim que surgiu o projeto Miss e Mister Longevidade, idealizado por Fabrício em João Pessoa e já realizado em várias cidades da Paraíba. “A mulher passa o ano pensando no vestido. A neta vai à escola e diz: ‘minha avó é Miss’. Isso muda tudo.”
Mais do que promover autoestima, o concurso combate um estigma estrutural: a exclusão social da velhice. “A maior violência contra o idoso no Brasil não é a financeira. É a psicológica”, alertou. E parte dela começa na infância, quando se ouve frases como “cuidado com o velho do saco” ou se vê bruxas velhas como vilãs em contos infantis. Para ele, mudar isso exige uma presença ativa: “O idoso precisa ser protagonista. Quando ele afirma sua identidade, a família pensa duas vezes antes de zombar da idade ou fazer comentários discriminatórios”.
A velhice como escolha de vida
Perguntado sobre o que espera da própria velhice, Fabrício respondeu sem rodeios: “Eu não quero ser um velho cheio de manias. Mania afasta. Eu quero ser o velho legal, que abre a casa para os amigos, que está de boa”. Ele aposta na leveza como estratégia de convivência e qualidade de vida. E reforça: “Envelhecer é natural. O que não é natural é se isolar, deixar de viver, parar de amar”.
Ao fim da conversa, deixa uma sugestão simples, mas poderosa: “Acorde, olhe no espelho e diga: hoje eu envelheci mais um dia. E que bom que estou vivo”. Para ele, aceitar o processo com naturalidade e presença é a chave para viver bem — e melhor — os anos que virão.
Assista ao Dez Por Cento Mais
A entrevista completa está no canal Dez Por Cento Mais, que você assiste no YouTube. Inscreva-se no canal e receba as atualizações sempre que um episódio inédito for ao ar. Você também pode ouvir o programa em podcast, no Spotify.
que não vemos aquelas que foram abertas para nós.”
(frase atribuída a Alexandre Graham Bell)
Ela desceu as escadas apressada, com uma das chaves em mãos, acreditando que era a certa. Um sábado à noite frio em Paris. O lixo para fora, uma tarefa simples. Mas, ao voltar, o susto: a chave que tinha levado era do trabalho. A porta de casa continuava trancada. O celular? Lá dentro.
Por alguns minutos, Olívia ficou paralisada no corredor. Pensou nas opções. Ela recentemente havia trocado sua fechadura para mais segurança, e um chaveiro, a essa altura, seria financeiramente inviável. Tentou lembrar o número de alguém. Só vinha à cabeça o contato da mãe, o mais óbvio, o mais seguro. Ligou de um telefone emprestado pelos vizinhos. A mãe, do Brasil, tentou contato com o ex-marido de Olívia, que ainda tinha uma cópia da chave. Nenhuma resposta.
Enquanto isso, os vizinhos, um casal de idosos, ofereciam café, cobertores e preparavam uma cama para ela passar a noite.
A mãe, de longe, mobilizou pessoas nas redes sociais, amigos de Olívia que poderiam ajudar para que a mensagem chegasse à sua faxineira, que também tinha uma cópia da chave. Apesar de ser tarde, a faxineira, com muita boa vontade, cruzou a cidade de metrô para ajudá-la. Sim, de metrô, porque julgou que chamar um transporte particular, além de mais demorado, sairia muito custoso para Olívia.
Já era quase meia-noite, depois de horas de espera, a chegada da chave permitiu que a porta fosse, finalmente, aberta.
E ali, sentada no sofá da sala, com o casaco que permanecia nos ombros e os olhos ainda levemente marejados, Olívia percebeu, ao contrário do que mais ruminara em sua mente nas últimas semanas: ela não estava sozinha.
Essa história poderia retratar uma cena de filme, daquelas em que, no final, a personagem aprende algo importante sobre a vida. Mas não. Essa história aconteceu na vida real.
Olívia vinha há meses se questionando sobre uma reconciliação com o ex-marido. Mesmo com o silêncio dele. Mesmo com a falta de cuidado. Mesmo com os sinais claros de que ele não estaria interessado nessa volta.
Uma cena que, no fundo, é familiar a muita gente.
“Por que “aceitar o pouco”? Por que insistir em quem não demonstra querer estar?
Pelo medo. O medo de ficar só, de não ser suficiente para ser amado.
Muitas histórias de vida guardam aprendizagens de um amor condicionado, onde se aprende, muito precocemente, que é necessário fazer muito para receber pouco. Que é necessário provar valor para não ser deixado. Que o amor é escassez e precisa de muito esforço para ser retribuído.
A Teoria do Apego, proposta por John Bowlby, destaca o quanto os vínculos afetivos, especialmente na infância, são fundamentais para o desenvolvimento emocional e social de uma pessoa. Quando crescemos com figuras de cuidado imprevisíveis, distantes ou negligentes, podemos desenvolver um padrão de apego ansioso — aquele que teme o abandono a qualquer custo. Um padrão que se antecipa à rejeição e se adapta demais, mesmo que isso custe o próprio bem-estar.
Embora muitas crenças sobre desamor se desenvolvam ainda na infância, a partir da forma como a criança vivencia os vínculos com seus cuidadores, elas também podem surgir ou se fortalecer em fases posteriores da vida, como na adolescência ou na idade adulta. Situações como rejeições amorosas, exclusões em grupos de amizade, relações abusivas, vivências de abandono ou mesmo relações familiares difíceis podem fazer com que a pessoa passe a acreditar que não é digna de amor ou que, cedo ou tarde, será deixada de lado. Quanto mais repetitivas ou emocionalmente intensas essas situações forem, maior a chance de a pessoa internalizar a ideia de que não merece ser amada, o que pode influenciar seus comportamentos futuros: seja evitando se envolver com medo de sofrer, seja buscando de forma ansiosa a aprovação e o afeto dos outros.
O problema é que na tentativa de evitar a solidão, muitas pessoas entram num ciclo de supercompensação: fazem demais, aceitam demais e, com o tempo, se sentem cada vez menos amadas. Isso reforça um padrão de pressupostos disfuncionais pautado na crença de desamor: “Eu só serei amada se eu for útil. Se eu não der trabalho. Se eu for perfeita e me sacrificar para fazer tudo para o outro.”
Mas naquela noite, Olívia viveu uma experiência diferente.
Ela não precisou fazer nada. Não precisou agradar, se explicar ou se esforçar além da conta. Apenas existiu. E, mesmo assim, pessoas se moveram, ajudaram, cuidaram. Gente que não tinha obrigação nenhuma, mas escolheu se fazer presente.
Exatamente quando tudo parecia sair do controle, a vida veio e trouxe pequenos sinais, mostrando que há caminhos mais leves, vínculos mais honestos, encontros que aquecem sem ferir.
E assim, enquanto finalmente se acomodava no sofá, ainda de casaco e com os olhos marejados, Olivia entendeu: estar sozinha não é o oposto de ser amada. Há portas que se fecham — algumas com estrondo, outras em silêncio — mas há também aquelas que se abrem quando menos esperamos. Entre cobertores emprestados, telefonemas solidários e o cuidado espontâneo de quem escolheu estar ali, a vida mostrou que o afeto verdadeiro não é fruto de um esforço solitário, mas de uma disposição mútua, de pessoas que escolhem se encontrar e permanecer. Já não se tratava mais da porta que havia se fechado, mas das outras que, sutilmente, estavam se abrindo bem diante dela.
Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das fundadoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung.
Vivemos uma revolução silenciosa, que até recentemente parecia invisível, mas que agora se revela em cada mensagem respondida, música composta, imagem gerada ou conversa simulada por inteligência artificial. Em meio a tanta eficiência tecnológica, um novo dilema emocional surge: como preservar nossa autenticidade em tempos em que até as emoções podem ser imitadas?
Diferenciar o que é real do que é simulado se torna cada vez mais desafiador — e necessário. Uma pesquisa realizada com mais de 3,5 mil pessoas pela World no Brasil – uma rede da empresa Tools for Humanity que busca ajudar a diferenciar humanos de robôs e inteligências artificias – reflete esse contexto. Mais de 66% dos pesquisados se sentem preocupados quanto à possibilidade de encontrar bots ou perfis falsos em apps de relacionamento e 72% dos entrevistados disseram que já suspeitaram ou descobriram que algum de seus matches poderia ser um robô ou uma IA.
A IA não sente, mas simula sentir. Isso tem confundido a nossa percepção:
– Se um texto nos emociona, mesmo sendo criado por uma máquina, o sentimento é real?
– Se um avatar fala tudo o que queremos ouvir, isso basta?
Essa mistura entre o que é gerado artificialmente e o que vem de um ser humano está provocando um novo tipo de crise: a crise da identificação.
Começamos a nos perguntar:
– Isso foi feito por uma pessoa ou por uma IA?
– Essa emoção é verdadeira ou programada?
E nos relacionamentos?
Essa confusão não afeta apenas a forma como consumimos conteúdo — impacta diretamente a maneira como nos relacionamos. No mundo dos filtros, dos chats automatizados e das respostas perfeitas, começa a faltar espaço para o erro, a dúvida, o silêncio, a pausa, o imprevisto — ou seja, para o humano.
Relacionar-se de forma autêntica exige vulnerabilidade, mobiliza nossas emoções e, justamente nesse impasse, no emaranhado das sensações, é que nos conectamos e nos vinculamos realmente. Ainda assim, cada vez mais, estamos trocando essa vulnerabilidade por versões otimizadas de nós mesmos — versões editadas, práticas, seguras, agradáveis.
Estamos tentando ser o que “funciona”, não quem realmente somos.
O curioso disso tudo é que as ferramentas da IA otimizam e muito diversas atividades, encurtam etapas, nos poupam tempo e viabilizam caminhos. Mas quando o assunto é relacionamento entre humanos, a dinâmica natural das trocas fomenta o processo e é justamente nele que construímos pontes sólidas de interação, que nutrem nossos corações com o que mais necessitamos: amor.
Reconhecer, o quanto antes, se estamos nos comunicando com uma máquina ou um ser humano torna-se indispensável para nossa segurança. É preciso garantir que não estamos confiando o que temos de mais precioso — nossos sentimentos — a um robô que não sente e nunca foi o que se diz ser.
É preciso cultivar a autenticidade:
1.Reivindique o seu sentir
Não terceirize sua experiência à máquina. Sentir confusão, dúvida ou até tédio é humano — e essencial para amadurecer emocionalmente.
2. Exerça presença
A IA é rápida. Os vínculos reais, não. Eles exigem tempo, escuta, paciência e imperfeição. Conexão não se mede pela quantidade de interações, mas pela profundidade delas.
3. Questione a idealização
O relacionamento perfeito não existe. Buscar respostas exatas para emoções complexas é algo que nem mesmo a melhor tecnologia pode oferecer.
4. Seja curioso sobre si mesmo
A autenticidade nasce do autoconhecimento. Quem é você sem os filtros? O que te move, te toca, te paralisa? Cultive o olhar interno.
No fim das contas…
Talvez a grande pergunta da era da IA não seja o que é real ou irreal, mas sim: O que ainda é verdade para mim, mesmo em meio ao artificial?
A autenticidade, nesse cenário, é um ato de coragem. É escolher sentir, errar, experimentar e construir conexões reais, ainda que imperfeitas. Nenhum algoritmo, por mais avançado que seja, será capaz de substituir o impacto de uma presença viva, de um olhar que compreende ou de uma escuta que acolhe.
E você? Já se perguntou se está se relacionando com alguém — ou apenas com uma projeção que parece segura, mas não sente nada?
Caminhos para um futuro mais confiável
Neste novo mundo, em que as fronteiras entre humano e máquina se confundem, tecnologias como a que a World oferece surgem como uma tentativa de restaurar a confiança digital. A proposta é ousada: uma credencial digital pioneira baseada em prova de humanidade, permitindo que redes sociais e plataformas verifiquem se você está interagindo com uma pessoa real, e não com uma IA.
Esse tipo de solução ainda levanta debates importantes, mas já indica que a sociedade busca formas de reconhecer e valorizar o humano — não apenas no toque, no olhar ou na escuta, mas também nos espaços digitais, onde, cada vez mais, vivemos, amamos e nos relacionamos.
Pensar, ponderar, falar e pesquisar mais sobre o assunto pode ser justamente a forma de não nos tornarmos reféns da IA, mas termos o melhor dela.
Pamela Magalhães é psicóloga (CRP:06/88376) e especialista em relacionamentos.