Mundo Corporativo: conviver, liderar e criar

 

As atitudes são importantes na definição de quem cada pessoa será. Se você quer mudar, deve transformá-las, também. A sugestão é do consultor Dill Casella, entrevistado do Mundo Corporativo da rádio CBN e autor do livro “Atitude e Altitude – uma história sobre convivência, liderança e criatividade” (Editora Vozes). No programa, Casella falou, também, sobre como os profissionais devem se organizar para atingir suas metas: detalhando, orçando, planejando, priorizando, estipulando uma data e, talvez, a reavaliando no futuro.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, no site da rádio da CBN, às quartas-feiras, às 11 horas, ao vivo, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn.

De definição

 

Por Maria Lucia Solla

 

Flores

 

Dizemos que o que se planta, se colhe; e ao mesmo tempo mora na mente a crença na sorte e no azar. Eu colho o que planto e vira e mexe me vejo de mãos dadas com uma ou o outro. Quando passo um tempo com um deles, depois da festa ou do sofrimento, me dou conta de quanto aprendo, de quanto cresço, de quanto tenho e do pouco que preciso. Tem também o fato de que o que é sorte para um pode ser azar para o outro. De qualquer ângulo que eu olhe, dentro ou fora do cerco, esses dois aparentados me dão a oportunidade de me tornar mais humilde e de me levar a entender que estar no comando do barco é uma função que se curva frente à força do mar. Sinto que vale mais o que tenho, do que o que não tenho.

 

Na verdade é preciso ter coragem para seguir o coração e para perceber a oportunidade que a sorte carrega. É pegar ou largar. Sorte e azar são duas faces da moeda, como tudo neste planeta de contrastes. Sorte vem vestida de alegria, satisfaz; azar vem devastando na porta de entrada. Agora, que a moeda cai de um lado ou do outro e vira a vida de pernas para o ar, isso não dá para negar.

 

Tenho aprendido que não é a sorte que vem até mim, mas sou eu que percebo o caminho até ela e decido ficar ali o maior tempo possível. Cada um escolhe o seu caminho, ou não…

 

“A definição está sujeita a revisão; é um ponto de partida, não algo esculpido em pedra para ser defendido até a morte.” Daniel C. Dennet, no livro que ganhei do Dimas e do Zeca, Quebrando o Encanto.

 

Até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: dinossauros, mentirosos e insatisfeitos

 

A cultura de forte hierarquia ainda vale nas empresas brasileiras, mesmo que dissimulada pois todos sabem ser um traço dinossaurico. Este comportamento infantiliza as lideranças nas organizações e os liderados acabam delegando todas as decisões para cima e não exercitam o seu potencial. Diz a consultora Betania Tanure, entrevistada do programa Mundo Corporativo da CBN, que “quanto mais alto na organização hierárquica, autoritária, mais cercado de mentirosos você está”.

 

Pesquisa desenvolvida pela consultoria Betania Tanure e Associados, especializada em transformação de cultura empresarial, em novembro de 2012, mostra que 74% dos homens que ocupam cargo de liderança estão insatisfeitos com o nível de equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Este índice é ainda mais alto, 91%, entre as mulheres com filhos até 10 anos.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar no site da rádio CBN, às quartas-feiras, 11 horas, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn

De politicamente correto

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

O que quer dizer politicamente correto? O advérbio que dá qualidade a um adjetivo é um fator excludente na comunicação. Se eu digo que estou fisicamente cansada, excluo o cansaço mental, ou de outro tipo. Descrevo meu cansaço. Agora, correto é correto e pronto. De novo me lembro das coisas que meu pai dizia. Quando alguém comentava que fulano era muito honesto, ele interferia: não existe ninguém muito honesto, nem pouco honesto. Ou você é honesto ou não é.

 

O governo anterior fez uma tentativa parcialmente fracassada, de uniformizar parte da língua pátria. Ela não vingou legalmente, mas infelizmente de certa forma vingou porque está minando a fala da mídia, que leva a cartilha a sério. O falar e o escrever dos seus funcionários estão banhados nela. Mais grave ainda é o que está acontecendo com a linguagem e as ideias na literatura infanto-juvenil.

 

Mas você deve lembrar de:

 

Atirei um pau no ga-to-to
Mas o ga-to-to não mor-reu-reu-reu
Dona Chi-ca-ca ad(i)mirou-se-se
Do ber-ro, do ber-ro que o gato deu.
Miau!

 

Pois bem, já tem muita gente ensinando as crianças a cantarem:

 

Não atire o pau no gato-to
Porque is-so-so
Nao se faz-faz-faz
O gatinho-nho
É nosso amigo-go
Não devemos maltratar os animais
Jamais! (em algumas versões você encontra Miau!)

 

Odeio o politicamente correto. É preconceituoso, totalitário, prepotente e burro. Sou pelo respeito. Essa maneira de tentar amordaçar línguas e mentes, e salientar diferenças em vez de igualdades, me lembra a época do colégio, quando a gente tinha que encapar os livros malditos pelo regime da época.

 

E por falar nisso tudo, a presidente Dilma foi vaiada ao se referir a presentes na 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência como pessoas “portadoras” de deficiência. Foi vaiada pela platéia. Depois se corrigiu dizendo: Desculpa, pessoas com deficiência. Entendo vocês, porque portador não é muito humano, não é? Pessoa é”. E foi aplaudida.

 

Socorro!

 

“O politicamente correto é a negação da própria vida,” diz Ilan Brenman no seu livro “A condenação de Emília: O politicamente correto na literatura infantil”, editora Aletria, que nasceu da sua tese de doutorado em Educação, pela USP. Recomendo.

 

Então começo a treinar. No Rio Grande do Sul brigadeiro é negrinho. Quer dizer que daqui para frente vou ter que pedir, na doceria, um afro-descendentezinho? E você, imagine-se lendo para os pimpolhos, na cama antes de dormirem, A Euro-Caucasiana e os sete verticalmente comprometidos…

 

… ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

O trote na rainha e o trote da rainha

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A rainha Isabel II da Inglaterra, em 1995, por ocasião do referendo sobre a Independência do Canadá recebeu no Palácio de Buckingham um telefonema do humorista Pierre Brassard imitando o primeiro ministro canadense Jean Chrétien, então preocupado com o separatismo de Quebec. O trote transmitido pela rádio CKOI FM, que começou com sotaque britânico, ao passar para o quebequiano, fez a rainha demonstrar certo embaraço. Logo completado quando o humorista passou da política para o preparativo com os trajes do dia das bruxas. Sua Majestade, ainda assim continuou e disse que era assunto que interessava aos netos. Ao que o comediante desfechou: “Mas para vossa Majestade é simples; basta colocar um chapéu”.

 

A mesma rainha, 17 anos depois, como Elizabeth II da Inglaterra, por ocasião do internamento de sua neta por afinidade, voltou a estar envolvida com trote. Parece que o inigualável humor britânico é exclusivo dos ingleses, que não conseguiram passar os bons modos às colônias do Império Britânico. Ao mesmo tempo em que a Corôa é alvo potencial de ataques de humor duvidoso. E, como sabemos desta vez com final trágico. A enfermeira indiana Jacintha Saldanha não aguentou a ridicularização a que foi exposta pelos radialistas da 2DayFM da Austrália e se suicidou. Os radialistas Mel Greig e Michael Christian, depois de curtirem projeção mundial instantânea, imitando a rainha Elizabeth II no trote à Jacintha, caíram na verdadeira extensão do ato. Menos mal que reconheceram a infeliz forma de fazer humor e se retrataram. Ainda que por forte pressão, talvez da própria mídia e do público que inicialmente se divertiu, mas agora os repreende ferozmente.

 

O recrudescimento dos programas de humor grosseiro em nosso país e as atitudes criminosas internacionais embrionadas em bullying são testemunhas de que não se respeita mais nada. Bebês, crianças, costumes, direitos humanos, etc.

 

É preciso parar, e respeitar a todos.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

O Medo na Pós-Modernidade

 

Por Julio Tannus

 

Por que vivemos em condomínios fechados? De carros com vidros escurecidos? De carros blindados? Dentro de shopping centers? Com medo de perder o emprego? Temos medo da violência urbana, do terrorismo, da exclusão social, de ficarmos para trás. Sentimo-nos sós e desprotegidos. Vários pensadores tem se debruçado no assunto, buscando entender o porquê desse medo que nos assola cotidianamente.

 

A modernidade veio com a promessa de vida melhor, mais segura, e nós apostamos nela, que traria desenvolvimento da ciência, a vida seria pautada pela racionalidade humana que é o lugar de certeza, segurança. Teríamos uma vida organizada e civilizada, com a ciência e a tecnologia bem desenvolvidas, a tal ponto que finalmente viveríamos sem o medo contínuo. Mas as esperanças se frustraram e, hoje, alguns séculos depois, novamente vivemos uma era de temores. A vida que os teóricos do Iluminismo avistaram para os indivíduos da era da modernidade é bem diferente da que temos hoje.

 

Esperava-se que os medos pudessem ser contidos; no entanto, como o sociólogo polonês Zygmunt Bauman explica, no ambiente que vivemos hoje, a luta contra o medo é uma tarefa para toda a vida.

 

Como nos conta Carlos Henrique Aguiar Serra e Flávia Mendes Ferreira em seu texto “Medos e Pathos: o indivíduo na (pós)-modernidade”:

 

Uma possibilidade interpretativa que consideramos no nosso trabalho é a formulada por Fredric Jameson no texto “Pós-modernidade: a lógica cultural do capitalismo tardio”. Este autor parte da premissa de que na pós-modernidade há uma inexorável fragmentação do sujeito. Assim, o que se coloca, portanto, nos dias atuais, contexto de pós-modernidade, é uma crise identitária, mais, uma fragmentação da identidade.

 

Para Bauman, o Estado não pode mais cumprir sua promessa de proteção neste tempo de globalização e mercados extraterritoriais. Assim, o que mais amedronta são os perigos que podem vir de qualquer lugar e o número de perigos aumenta cada dia mais. Sabemos que as ameaças são muitas (das pessoas nas ruas, de alguma coisa acontecer ao nosso lar, de uma catástrofe natural, de perder o emprego, etc.), mas o que se tenta é administrar o medo, ou seja, tornar a vida com medo algo tolerável.

 

Os perigos são percebidos como administráveis, mas são também percebidos como companhias permanentes, pois nunca iremos nos sentir livres de todas e qualquer ameaça, em estado de paz completa, mas ao contrário, sempre haverá algo a nos atormentar, ou mesmo que não seja uma ameaça real, em nosso imaginário sempre há algo a nos ameaçar. A vida dos indivíduos da sociedade atual está longe de ser livre das ameaças, ao contrário se tornou uma longa luta contra os perigos genuínos ou supostos que nos traz medo, uma luta impossível de ser vencida.

 

Chamamos a atenção também para outro aspecto que sinaliza para um desencontro e distanciamento entre modernidade e pós-modernidade: a perda da historicidade na pós-modernidade. Entendemos que esta perda de historicidade se coaduna com a tese central de Jameson acerca da “fragmentação do sujeito”. Na pós-modernidade nada tem lugar definido e mais, que a “primeira vítima do período pós-moderno, sua ausência misteriosa, é a ‘história modernista’” (JAMESON, 1996).

 

Assim sendo, numa tentativa de conclusão, os indivíduos vivenciaram e vivenciam, ainda hoje, na modernidade e pós-modernidade, medos, crises e particularmente, no que se constitui como o principal sintoma presente tanto na modernidade como na pós-modernidade: o pathos.

 

Pathos é uma palavra grega que significa paixão, excesso, catástrofe, passagem, passividade, sofrimento e assujeitamento.

 

Berlinck afirma que quando o pathos acontece, “algo da ordem do excesso, da desmesura se põe em marcha sem que o eu possa se assenhorear desse acontecimento, a não ser como paciente, como ator“ (BERLINCK, 2OO0).

 

Por fim, identificamos que os medos, e o pathos humano, assumem no atual estágio do capitalismo tardio, na pós-modernidade, uma dimensão considerável. Na verdade, se potencializaram e muito, e uma das possibilidades de superá-los é enfrentá-los, administrá-los e quem sabe, que os indivíduos sejam capazes de produzir fantasias catárticas, libertárias e prazerosas.

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada e escreve, às terças-feiras, no Blog do Mílton Jung

A adolescência das empresas, das instituições e das pessoas

 

Por Julio Tannus

 

Nas leituras sobre o que é ser um adolescente, vemos alguma proximidade com o que somos como povo.

 

Adolescência
É a fase que marca a transição entre a infância e a idade adulta. Com isso essa fase caracteriza-se por alterações em diversos níveis – físico, mental e social – e representa para o indivíduo um processo de distanciamento de formas de comportamento e privilégios típicos da infância e de aquisição de características e competências que o capacitem a assumir os deveres e papéis sociais do adulto.

 

Jacqueline Cavalcanti Chaves, em “Amor e ódio nos relacionamentos afetivos da contemporaneidade”, mostra que, paralelamente ao ideal amoroso romântico, surgem, hoje em dia, novos códigos de relacionamento e novas formas de sociabilidade. O “ficar com”, comum entre os jovens, é um exemplo destes códigos e se caracteriza pela busca de prazer imediato e pela ausência de compromisso com o outro. Levando adiante ideias desenvolvidas em trabalho anterior, a autora toma como exemplos o “ficar com” e a relação amorosa virtual para explorar o modo pelo qual o sujeito lida com sua ambivalência na atualidade, tendo em vista que a experiência amorosa é “limitada, ambivalente, imprevista e imperfeita”, considerando algumas características das sociedades ocidentais contemporâneas como a ênfase dada ao consumo, ao prazer imediato, à diversão permanente e ao bem-estar absoluto.

 

A construção da identidade do adolescente é contraditoriamente uma identidade individual e uma identidade coletiva. O adolescente precisa do adulto, precisa de referência; mas ele precisa diferenciar-se, construir sua própria identidade. Tornar-se adolescente é viver cercado por profundos conflitos.

 

Em “Jakob Willem Katadreufe: força e crueldade sem pertencimento”, trabalho de Elisa Maria de Ulhôa Cintra, temos minuciosa e sensível análise do filme holandês “Caráter”, que serve à autora como material para a discussão daquilo que chama de “eixo narcísico do desenvolvimento”. Como se constitui um adolescente cujo anseio por poder físico e intelectual e cuja aspiração à auto-suficiência domina o seu horizonte? Empregando em seu estudo noções como a de pulsão de domínio, Cintra diz que antes de mais nada será preciso verificar se houve, em sua história, experiências significativas de ser acolhido, de pertencer. O pertencimento implica sentir-se parte de um núcleo humano onde predominam trocas afetivas e capacidade de reconhecer o outro.

 

O que somos
Vemos-nos com irresistível capacidade de nos isolarmos e assim ficamos enfraquecidos, impossibilitados de enfrentar os desafios. Perdemos a capacidade de aglutinação, força necessária para dar legitimidade a uma representação efetiva. Nossa passividade torna-se permissividade.

 

No futuro, além de nos reservar grandes e rápidas mudanças, novos conceitos e demandas vão exigir um processo constante de adaptação e resposta, tanto por parte das empresas como das instituições em geral, reforçando cada vez mais a necessidade de estarmos juntos. E, para isso, cada vez mais necessitamos estar presentes coletivamente para fazer frente a essas mudanças.

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada e escreve às terças-feiras no Blog do Mílton Jung

A moda na República Federativa do Brasil

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Os nossos Estados Federados, há tempos em combate agressivo na disputa pelas montadoras de automóveis e caminhões, seguiram no mesmo ritmo na questão das cidades sede da COPA 14. Surpreendentemente se uniram agora no caso do petróleo. Partiram para assaltar as riquezas futuras do Rio e do Espírito Santo. Chegamos então ao limite. A competição passa a ser usurpação.

 

Em resposta, o Rio de Janeiro, através de seu governador Sergio Cabral, informou que o estado não poderia realizar a COPA nem a Olimpíada sem o capital do petróleo. Insensatez que o prefeito Eduardo Paes assimilou. E, após apresentar o velódromo e o autódromo da cidade do Rio para demolição, ao receber um terreno para a futura construção do novo autódromo, atacou São Paulo, advertindo que tiraria dos paulistanos a F1 e a levaria para os cariocas. Fala bélica e inoportuna.

 

Mas, voltando ao universo competitivo padrão, percebe-se que os Estados deveriam ter mais foco e menos abrangência, competindo, mas apostando no talento e na cultura regional para apresentar produtos e serviços diferenciados ao mercado nacional. Evitando assim a oferta exagerada do mesmo, que não fortalece, enfraquece. Na literatura, na música, no cinema, no esporte, na gastronomia, enfim nas múltiplas possibilidades, será mais eficiente escolher setores peculiares ao Estado do que apostar a esmo.

 

Uma moda que a própria atividade industrial e comercial da Moda também se defrontou. Caminha agora para o equacionamento deste canibalismo. A Moda como indústria tem tido muitas cidades competindo para se tornar polo de criação e comercialização. Justamente numa fase de transição, onde um processo de concentração de empresas se intensificou ao mesmo tempo em que grande número de novos players internacionais aporta no país.

 

Ao encerrar o ciclo de lançamentos com a feira mineira, que também apresentou diminuição de marcas e de público, como já tinha ocorrido em São Paulo e no Rio, desponta uma tendência positiva. É a provável segmentação de estilos e produtos, de acordo com o potencial natural de cada cidade.

 

São Paulo, historicamente com a moda mais urbana e atualmente mais autoral, fica com o SPFW e a porta de entrada das grandes operações internacionais de moda.

 

O Rio, imbatível na modinha, hoje “fast fashion”, dominará a moda praia e a moda descartável, levando ao mundo o alegre espírito carioca através do Fashion Rio.

 

Belo Horizonte, através do Minas Trend Preview, dominará na moda festa e nos tricôs.

 

Tudo indica que desta forma os talentos da indústria de moda de cada região estarão fortalecidos e contribuirão para a maior racionalidade das marcas, dos compradores e da imprensa. Uma moda que deveria ser copiada por todos. Inclusive os de fora da moda.

 

O Brasil agradece. A todos, e aos Estados Federados.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

De imereceres

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Tem vezes que me encanto
com a vida e seus encantos
noutras choro a cada hora
me derreto em cada canto

 

nada é como a gente quer
um dia isto noutro aquilo
e vice-versa se você quiser

 

pego a direita hoje
a esquerda na parte da manhã
provo daqui
me queimo ali
tem dia que me sinto homem
tem outro que sou plena mulher
porque nada é de um jeito só
ou do jeito que a gente quer

 

há mundos há fundos
na mente que mente
no coração que sente

 

ele torce
ela distorce
ou vice-versa
se é assim que você quer
um pega o garfo
quando o outro se serve da colher

 

cada um tem o que merece
repito o que sempre disse meu pai
mas não sei não se acredito
nesse tal de merecer
de crime e castigo duvido
vivo dentro e fora
corro atrás de mim

 

deixo o não-dito pelo dito
seja ele bem dito ou mal
afinal sou eu a leiga
mas quem é que é erudito
?
pinto e bordo
aprendo na boa ou não
mas agradeço pelo assim e pelo assado também
que se não se tem tudo o que se quer

 

um dia chega
um dia passa
tanto já passou e passará
sempre
como
se
e quando der

 


Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Para onde vamos?

 

Por Julio Tannus

 

Monteiro Lobato fez parte de minha infância e de toda uma geração de crianças. Em nenhum momento fui impelido a qualquer tipo de preconceito. A revista Época, em novembro de 2011, publicou um texto de Celso Masson, Humberto Maia Junior e Rodrigo Turrer: “Como qualquer fábula, as de Monteiro Lobato (1882-1948) apresentam seres encantados, bichos falantes e situações inverossímeis. Foram escritas para despertar na criança o gosto pela leitura e fecundar a imaginação. Desde a década de 1920, as histórias do criador do Sítio do Pica-Pau Amarelo têm sido adotadas nas escolas públicas de todo o país. Agora, o Conselho Nacional de Educação acolheu uma acusação de racismo contra uma dessas fábulas e pode bani-la das salas de aula por, de acordo com essa acusação, não “se coadunar com as políticas públicas para uma educação antirracista”. Ficar sem Monteiro Lobato é evidentemente ruim para as crianças – mas proibi-lo é pior ainda para o Brasil”.

 

Friedrich Nietzsche foi considerado, pela Alemanha nazista, um autor nazista por suas considerações sobre o ser humano. Isto não quer dizer que o autor tenha sido nazista. Ao contrário, o professor Osvaldo Giacóia-Júnior, um dos autores brasileiros com excelente capacidade de interpretação da obra de Nietzsche, apresenta algumas considerações sobre Nietzsche e o Nazismo: “Nem mesmo entre os críticos da obra de Nietzsche, em sentido acadêmico, utilizam o falso argumento de que o filósofo sustenta o Nazismo. Há sim, evidentemente, as apropriações que o Nazismo fez da obra de Nietzsche, o que de nada representa ao filósofo”.

 

Cotas raciais nas universidades brasileiras. Por que ao invés do investimento público para estabelecimento de cotas, não investir na educação pública básica propiciando um nível adequado de educação as camadas pobres da população? Para a antropóloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Yvonne Maggie, tais projetos não promoverão a inclusão nem resolverão as desigualdades que existem no país: “Sabemos que a sociedade é dividida em classes e é aí que reside a fonte de toda a desigualdade. O Brasil optou por um sistema econômico altamente concentrador de renda. Sem lutar contra isso, sem lutar pela igualdade de direitos e pelos direitos universais não há como construir uma sociedade mais igualitária e justa”. A professora explica que é contra a proposta de cotas raciais nas universidades porque ela produz divisões perigosas: “Essa política exige que o cidadão se defina perante o Estado segundo sua ‘raça’ ou sua origem. Sabemos que toda vez que o Estado se imiscuiu nos assuntos de identidade dos indivíduos, obrigando-os a se definirem, o resultado foi a produção da violência.”

 

Manifesto “Todos têm direitos iguais na República”, assinado por 114 intelectuais e artistas contrários à aprovação da Lei de Cotas e do Estatuto da Igualdade Racial: “Políticas dirigidas a grupos ‘raciais’ estanques em nome da justiça social não eliminam o racismo e podem até mesmo produzir o efeito contrário, dando respaldo legal ao conceito de raça e possibilitando o acirramento do conflito e da intolerância. O principal caminho para o combate à exclusão social é a construção de serviços públicos universais de qualidade nos setores de educação, saúde e Previdência, em especial a criação de empregos”.

 

Thomas Mann, escritor alemão cuja mãe, Julia Mann, nasceu em Paraty no final do século 19, onde seu pai (avô de Thomas Mann) era fazendeiro, nasceu na Alemanha porque seu avô, desgostoso por estar sendo pressionado por alguns fazendeiros da região que eram contra a abolição da escravatura, voltou para sua terra natal. Isto não quer dizer que os fazendeiros do século 20 sejam escravocatras.

 

E Hannah Arendt nos diz: “a cultura se encontra ameaçada quando todos os objetos do mundo produzidos atualmente ou no passado são tratados unicamente como funções dos processos sociais vitais – como se não tivessem outra razão a não ser a satisfação de alguma necessidade – e não importa se as necessidades em questão são refinadas ou básicas”.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve às terças-feiras no Blog do Mílton Jung