Olhar para trás e seguir em frente!

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa 

Foto: Pixabay

“No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais”

Belchior

 

Segundo o dicionário Aurélio, passado significa aquilo que passou. Antiquado, obsoleto. Portanto, algo antigo, que caiu em desuso e que não existe mais. Apesar dessa definição, um comportamento comum para muitas pessoas é o apego a lembranças do passado, de forma tão intensa, capaz de produzir emoções no momento presente.

Recordar momentos que nos foram agradáveis ou utilizar experiências vividas para resolver problemas podem ter efeitos benéficos, inclusive para elaborarmos um planejamento para o futuro. Porém, quando ficamos presos a pensamentos negativos e repetitivos, fazemos o que em psicologia é chamado de ruminação mental.

O processo de ruminação é caracterizado por pensamentos persistentes, geralmente com conteúdo negativo, autocríticos e relacionados a acontecimentos do passado. 

Os pensamentos ruminativos tendem a gerar perguntas feitas a si mesmo:

  • Se eu não tivesse feito aquilo?
  • Se eu tivesse me comportado de outra forma?
  • O que eu poderia ter feito para que isso nunca tivesse acontecido?

Esses pensamentos repetitivos e contínuos tendem a produzir emoções negativas, como tristeza, culpa e arrependimento, favorecendo o círculo vicioso da ruminação, apontado como fator de agravamento ou manutenção de sintomas depressivos.

Avaliar situações do passado e pensar como poderiam ser diferentes é o mesmo que tentar correr na vida adulta com o calção que usávamos na infância: não serve mais. Aperta, incomoda, aprisiona a uma condição que não mais nos pertence. 

Desejamos modificar eventos ou ações praticadas no passado e ignoramos que são justamente nossas vivências, nossas experiências, as memórias construídas sobre nós e sobre o mundo que nos constituem.

Aceitar aquilo que não podemos mudar não significa resignação. Pelo contrário, envolve um conhecimento amplo de quem somos, da nossa história, e com olhar refinado, experiente e menos crítico; nos permite construir metas direcionadas à mudança, não do passado, mas de quem somos hoje, de quem desejamos ser amanhã. Não é voltar e percorrer o mesmo caminho. É olhar para trás, mas para seguir em frente.

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Psicologia: sua construção histórica e as histórias construídas

 

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

 

 

“Há mais na superfície do que o nosso olhar alcança”.

 Aaron Beck

 

A busca pela compreensão sobre o ser humano parece tão antiga quanto a própria história da humanidade. Por que uma pessoa age de um jeito e não de outro? Quais os impactos que um evento pode produzir no psiquismo? Por que diante de uma situação semelhante as pessoas agem de maneiras tão diferentes?

 

Mesmo sem ser psicólogo, todos arriscam respostas para tais perguntas, indicando uma apropriação dos conhecimentos da Psicologia Científica, ainda que superficiais, para explicar e compreender os fenômenos e problemas da vida cotidiana. Por outro lado, tais explicações não podem ser confundidas com a Psicologia, uma área da ciência que envolve estudos acadêmicos e sistemáticos sobre o processamento mental e o comportamento, cuja origem remete à filosofia da Grécia antiga

 

Os filósofos gregos procuravam compreender a relação do homem com o mundo, valorizando o papel da razão na sobreposição aos instintos. Na Idade Média, o conhecimento psicológico ficou associado à religiosidade, tendo como principais expoentes Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, cujos estudos procuravam explicar a diferença entre essência e existência.

 

No renascimento ocorreu uma valorização do ser humano e um grande avanço da ciência. O corpo passou a ser visto como uma máquina e os estudos em fisiologia e anatomia permitiram novos conhecimentos sobre o funcionamento do cérebro.

 

No século XIX, estudos em psicofísica permitiram a mensuração de comportamentos, especialmente os reflexos, favorecendo a realização de estudos que atendiam aos critérios metodológicos e científicos vigentes. A psicologia foi se afastando da Filosofia e novos estudos começaram a ser estruturados na área da psicofísica, com o objetivo de compreender os fenômenos mentais.

 

Em 1879, Wilhelm Wundt fundou o primeiro laboratório para experimentos em psicofisiologia, na Universidade de Leipzig, Alemanha. Inaugurava-se a era científica da Psicologia.

 

Desde a fundação do laboratório de Wundt, muitos conhecimentos foram sendo desenvolvidos e aprimorados sobre o funcionamento mental e comportamental, admitindo-se, atualmente, que estes sejam influenciados por três grupos de fatores: biológicos, psicológicos e socioculturais.

 

Essa perspectiva biopsicossocial do ser humano exigiu que a construção teórica do saber psicológico se amparasse em outras áreas científicas, com estudos em fisiologia, sociologia, neurociências, dentre outros. Se o embasamento teórico exigiu multidisciplinaridade, não seria diferente com a prática psicológica. Na maioria das áreas de atuação, o psicólogo trabalha em equipes ou com diferentes profissionais, de maneira interdisciplinar.

 

No Brasil, a Psicologia passou a ser reconhecida como profissão apenas em 27 de agosto de 1962, data atualmente instituída como o Dia Nacional do Psicólogo.

 

Apesar de ser uma profissão relativamente nova, segundo dados do Conselho Federal de Psicologia, nosso país tem atualmente mais de 370 mil psicólogos, atuando nas diversas áreas: psicologia clínica, social, escolar/educacional, organizacional e do trabalho, hospitalar, do esporte, do trânsito, psicologia jurídica e neuropsicologia.

 

Faço parte desses 370mil profissionais e nessa breve retomada da história da psicologia, fui relembrando um pouco da minha história também…

 

Ainda na adolescência, a minha curiosidade sobre o ser humano e meu gosto em trabalhar com pessoas acabaram definindo a minha escolha profissional. Recordo o dia da matrícula, quando vi na ficha de disciplinas a cursar que no primeiro semestre teria aula de anatomia. Estudar cadáveres? Não! Eu tinha escolhido a psicologia para trabalhar com gente viva!

 

Ali fui descobrindo que para ser psicóloga teria um longo caminho a percorrer, com muitos estudos, mais completos e complexos do que imaginara. Além da graduação e da especialização, como optei por uma carreira acadêmica, fiz mestrado e doutorado, atuando no ensino da psicologia, uma das minhas atuações favoritas e tão importante para o desenvolvimento da profissão em nosso país.

 

Quando olho para a história da psicologia e para minha trajetória profissional compreendo que talvez uma das maiores dificuldades que enfrentamos hoje seja a conscientização de que a prática psicológica não pode ser confundida com práticas indiscriminadas, muitas vezes denominadas terapias alternativas, que se afastam significativamente das teorias científicas, seguindo métodos duvidosos e muitas vezes beirando ao charlatanismo.

 

Pegam carona na Psicologia, se revestem de psicologismos, mas não são Psicologia. Psicologia é exercida por psicólogos!

 

Ser psicólogo é conviver com os dilemas, dores e sofrimentos alheios. É muitas vezes se perguntar quanta dor cabe numa vida.  Mas também é participar da construção de vidas mais adaptadas, realizadas e felizes. É saber que as mudanças são possíveis. É contribuir para que as transformações aconteçam tanto de forma individual como coletiva.

 

Não apontamos o caminho a ser seguido, mas percorremos esse caminho junto com o paciente, com uma lanterna na mão. Essa lanterna é a luz do conhecimento científico e da experiência, acumulados com muito estudo, dedicação e prática, que permite a nós e aos pacientes enxergarmos aquilo que num primeiro momento, como sugere Aaron Beck, talvez nossos olhos não pudessem alcançar.

 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Expressividade: a representação correta de seu papel transmite credibilidade.

 

Acompanha hoje mais um trecho do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressão”, escrito para o livro “Expressividade — Da teoria à prática” (Revinter), organizado pela fonoaudióloga Leny Kyrillos, em 2005. É minha homenagem a fonoaudiologia e em referência ao Dia Mundial da Voz, comemorado em 16 de abril:

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A LINGUGAGEM DO CORPO

 

Como já vimos, comunicação não é o que eu digo, mas o que você entende. Para que a mensagem seja compreendida em sua plenitude é importante usar todas as ferramentas que temos à disposição. Sobrancelhas, olhos, bocas, gestos, mão são elementos que complementam este processo, mesmo porque a linguagem do corpo é considerada mais fiel por ser inconsciente.

É fácil mentir com as palavras, difícil é confirmá-las com a mímica.

Para ser bem recebido pelo telespectador, fala-se com o corpo inteiro mesmo que apenas seu rosto esteja aparente. Os pés dividem com a coluna a responsabilidade de dar equilíbrio e, portanto, devem estar colocados de forma firme no chão, mesmo que você esteja sentado. Ter consciência da sua postura colabora para o pleno desempenho da sua função.

 

Aproveite o gravador abandonado no fundo da gaveta e grave a leitura de um texto sem movimentar as mãos, de preferência estático. Grave o mesmo texto marcando a fala com gestos e o corpo relaxado. Preste atenção no resultado final.

Atuar naturalmente tanto quanto falar de forma coloquial criam cumplicidade entre os agentes da comunicação.

Usar as mãos e o corpo é preciso, mas sem exagero. Os acenos, o movimento da cabeça ou a expressão facial devem antecipar a notícia que se vai dar. Algumas vezes acontecem simultaneamente. Jamais depois da mensagem porque não transmite confiança. Por normais que sejam estas ações, não podemos esquecer que diante das câmeras ou do público —- que pode ser formado por centenas de pessoas, dezenas de colegas ou apenas algumas unidades de desconhecidos — encaramos uma situação diferente da fala espontânea.

 

O apresentador de televisão quando transmite a notícia utiliza-se de equipamento eletrônico, o teleprompter. Ao ler textos escrito por um redator, tem de transformá-lo em mensagem falada. Conversa com a máquina como se falasse para cada uma das pessoas que formam sua audiência. Assim, age como ator diante das câmeras. Este fenômeno é que torna a tarefa jornalística um desafio à medida que o profissional atua mentindo, mas apresentando a realidade. A representação correta de seu papel será traduzida em credibilidade.

 

Os textos do capítulo “Santo de casa não faz milagre, mas tem expressividade”, publicados até agora, você tem acesso, na ordem decrescente, clicando aqui

The Bridge: um corpo, dois policiais e uma série imperdível

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“The Bridge”
Uma série de Gerardo Naranjo
Gênero: Suspense Policial
País:USA

 

Um corpo é achado na fronteira do México com os Estados Unidos…Uma metadizinha para cá ,outra para lá…Exatamente…!!! Então, um policial mexicano conformado e uma policial CDF americana começam a investigar o crime.

 

Por que ver:
Em 8 adjetivos: eletrizante, angustiante, genial, original, agressivo, misterioso, paralizante, crível …Não consigo definir com uma só palavra para esta série . Um dos melhores suspenses policiais que já vi na vida. O roteiro é impagável, os atores e direção perfeitos e na medida!

 

Genial, gostaria de ver uma continuação já que só tem até a segunda temporada.

 

Como ver:
Em casa, com quem quiser e tiver estômago forte. Não é nada apropriado para crianças.

 

Quando não ver:
Após comer, ou se tiver em recuperação “unhas” (acabei de inventar o termo), pois se você for um roedor de unha contumaz, ah, meu amigo, esqueça esta série pois não vai existir cotoco para contar história.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

De desencontro

 

Por Maria Lucia Solla

 

Desencontro

 

cada inspiração
cada batimento
do meu coração
traz você
complemento

 

chega quieto
atiça
ouriça
um quê de discreto

 

meu coração ciumento
meu corpo sedento
teu avesso
meu complemento

 

no enlace imaginário
eu ponto
você contra-dança
na semelhança
no desencontro
nem te conto

 

você surge
eu me escondo da despedida
e então me exponho
desmedidamente comedida

 

na bolha de sabão
no raio X do coração
no carro que desembesta pela contramão
na fruta madura
no desejo de ternura
que possa fazer de mim
cada vez mais
mulher

 

Et voilà!

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

O poder da tatuagem

 

Por Dora Estevam
 
Elas aparecem espalhadas pelo corpo ou mais timidamente por trás dos cabelos, na nuca; também estão discretamente nos tornozelos e punhos; as mensagens são inúmeras; o desenho, ora incrível ora estranho, dependendo o ponto de vista. Frases apaixonadas e dedicadas aos namorados, amores, filhos, maridos e religião. Enfim, cada tatuagem tem seu motivo.

Esta moça da foto é tão apaixonada pela Chanel que resolveu fazer o desenho do logo na pele. Esta é de verdade.  
 
É que na coleção Primavera/Verão 2010 as tatuagens fake da Chanel viraram febre. Bastava pressionar o desenho na pele, e pronto.
 
Dizem que Karl Largerfeld  teria se inspirado no livro de Lee Tulloch, Nobodies Fabulous, de 1989, no qual a personagem principal, Reality Nirvana Tuttle (uma espécie de Carrie Bradshaw dos anos 80), tem tatuagens Chanel em seus pulsos e nas coxas. Curiosamente o livro vai virar filme em breve e foi escrito depois que a autora foi demitida da Harper’s Bazaar australiana. A expectativa é que o filme tenha um figurino maravilhoso, já que a heroína do livro é tão louca por moda que dá até nome para suas roupas.
 
 

A palavra tatuagem origina-se do inglês tattoo. O pai da palavra “tattoo” foi o capitão James Cook , que escreveu em seu diário a palavra “tattow”, também conhecida como “tatau”, uma onomatopéia do som feito durante a execução da tatuagem, em que se utilizavam ossos finos como agulhas, no qual batiam com uma espécie de martelinho de madeira para introduzir a tinta na pele. A partir de 1920 a tatuagem foi ficando mais  comercial, tornando-se mais popular entre americanos e europeus. Surgindo uma gama de tatuadores que eram artisticamente ambiciosos. Eles acharam muitos clientes nas décadas de 1950 e 1960. Durante muito tempo, nos Estados Unidos, a tatuagem esteve associada a classes sócio-econômicas mais baixas, aos militares, aos marinheiros, às prostitutas e aos criminosos.

 
  
De acordo com os historiadores, não havia um aborígene que não estivesse tatuado. A tatuagem percorreu mares e Américas e até hoje é cultuada em todo o mundo. Particularmente, não tenho um risco na pele, mas é muito difícil encontrar alguém que não tenha feito uma por inteiro.
 
A “arte na pele” já foi muito marginalizada, mas hoje está na pele de pessoas de todos os níveis sociais.
  
As celebridades aparecem nas entregas dos grandes prêmios sem nenhum pudor. Vestidos que deixam  ombros e costas a mostra para apresentar o desenho no corpo.  

Ano passado, os  tatuadores e fãs se reuniram em uma convenção internacional na capital tailandesa, Bangkok. O evento de três dias trouxe profissionais da Ásia, Europa e América e mostrou técnicas e estilos de arte corporal em diferentes culturas.

Entre os tatuadores que participaram do evento estava Arian Noo, o artista tailandês que teve o prazer de tatuar a atriz Angelina Jolie.

Muitos concursos também são realizados na conferência, incluindo melhor desenho do dia, melhor tatuagem oriental e melhores obras de frente e nas costas.
 
As convenções sobre tatuagens acontecem no mundo inteiro.
 
No entanto, é preciso tomar algum cuidado na hora de fazer a sua arte na pele. Procure um lugar seguro, limpo, conhecido. Espere até completar a idade adulta para ter certeza de que é essa a sua escolha. Pesquise bem antes de entregar a sua pele às agulhas.

Você se lembra do caso daquela menina de 18 anos da Bélgica que dormiu durante a tatuagem e acordou com o rosto cheio de estrelas? Depois se arrependeu.

Converse com o especialista para saber qual a melhor forma de começar. Homens e mulheres têm preferências diferenciadas: homens gostam de fazer o braço inteiro, já mulheres partes das costas, lombares e nucas.

De acordo com os dermatologistas, a maioria das pessoas que tentam removê-las é mulher. Elas até gostam do desenho, mas se sentem pressionadas com as críticas e comentários maldosos a respeito.
  
Se você faz parte desta legião de fãs das tatuagens aproveite para ver algumas fotos de pessoas que foram clicadas nas ruas da Europa e EUA.


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Depois da primavera, o verão.

 

Por Abigail Costa

Primavera

Mulheres, está chegando a nossa hora. A alta temperatura é um convite à pele bronzeada, roupas mais justas e curtas. Sem culpa.

Por que tive que comer feito uma louca no inverno?

Daquelas noites regadas a vinho(s) tinto, com foundes…. restaram lembranças, quase todas numa espécie de cinturão emoldurando parte do quadril.

A propaganda da academia me oferece um desconto e promete me deixar com o corpo esculpido como o de uma menina de 20 e poucos anos. (o corpo juvenil é por minha conta).

Entro numa sala cheia de aparelhos, daqueles que só quem tem intimidade liga, coloca o banco na posição correta, ajeita o encosto, e desliga. Não basta ter coordenação motora, sinto a necessidade de um livro por perto.

Ela me chama a atenção. Sim, a menina de 20 e poucos anos estava se exercitando.

Minha nossa! O corpo é daqueles que TODA a mulher merece ter ainda que por pouco tempo. O rabo de cavalo preso no alto da cabeça acompanhava as passadas largas, passadas não, a guria desfilava.

Pra ela, nada de agasalhos pretos (tradicional malha dos fora de peso pra se auto-enganar e imaginar que nada está sobrando – todo mundo sabe que o pretinho é básico e disfarça sim os quilos a mais. Mas na sua cabeça disfarça?) A menina usava laranja e marrom, um conjunto estiloso. Desses agarrados que faz muitos marmanjos se perderem na contagem dos abdominais.

Olhei, analisei. Definitivamente, eu assim como ela em alguns meses ? É melhor não me enganar.

Aceito a sugestão de uma amiga.

“Tenho um personal trainer, vai te dar a maior força”.

Força. É disso que a gente precisa pra recomeçar.

Passadas as apresentações, medidas, (aí que vergonha! Cintura…cm/ coxa…cm/ braço…. Sabia que até isso engorda?). Os números? Bem, é melhor deixá-los de lado.

Estou lá, firme e forte. O dia mal começou e eu meio sem rumo de tanto baixa-levanta-solta-vira. Ainda bem que a coordenação é dele.

Hoje, amanhã, semana que vem…. E eu lá, firme e forte.

(A figura da moça não me sai da cabeça).

Um belo dia, depois de uma certa intimidade com o professor, entro no assunto… “Então, bonito o corpo dela, não? E que barriga é essa?”
Ele responde sem rodeios: – “Barriga de plástica”; – “Peito de prótese, de quem nunca amamentou”.

Não deveria. Sei que posso ser mal compreendida…. Mas confesso, não queria mais aquele corpo.

É ele quem agora fala – fala não, elogia.

Sabe que pela sua idade, pelos filhos, pelo sei-lá-mais-o-que (só gravei o que realmente me interessava) você está maravilhosa, e ainda vai melhorar mais!

Eu?

É. Você.

Dá pra duvidar de alguém que tenta te deixar em forma e consegue melhorar sua auto-estima?

Eu respondo: claro que não!

Em caso de dúvida, aqui vai a recomendação:

Contrate um personal trainer. De preferência jovem, bem disposto…. Hã ! cheio de músculos, também. No mínimo, faz bem para os olhos.

Em tempo: minhas medidas já são outras…

Abigail Costa é jornalista e volta a escrever no Blog do Mílton Jung, só estava precisando retornas às aulas de ginástica.

De todo e Todo

 

Por Maria Lucia Solla

Somos diferentes uns dos outros, diferentes a cada dia; e a equipe que nos compõe e mantem vivos tem vida mais curta que a nossa.

50 trilhões de células trabalham com um só objetivo: nos manter funcionando. E, mesmo as que nasceram ou acabaram danificadas, fazem o que podem. Estamos nas mãos delas, e elas nas nossas.

Agora, como manter satisfeito e saudável um plantel de 50 trilhões de células que vivem para nos dar vida, e que por nós morrem? Dando a nossa vida pela Vida?

As células, imagino, não têm visão global. Não veem o quadro inteiro e não intelectualizam sua função: “Agora estou transportando oxigênio para os pulmões de maria lucia, para que ela respire e continue dando a vida dela pela Vida”. Claro que não! Simplesmente fazem o que têm para fazer porque estão ali para isso.

Tem as que põem fogo na fornalha, as que transportam o combustível adequado para cada departamento, e tem as que cuidam da limpeza dá máquina. Nada pode falhar. Perfeição!

As células do coração recebem, das outras, condições para exercerem sua função. E exercem. O mesmo com as células dos intestinos, pulmões, pele, e por aí vai. Nascem, crescem, desempenham a função de manter o todo funcionando, para que esse todo cresça e desempenhe sua função, seus dons, para que um Todo maior funcione e desempenhe a Sua função…

Inimigo invade o corpo, representa ameaça, vem a equipe da defesa e dá a vida pela vida. Tua e minha.

Agora, voltando ao fato de sermos diferentes, a diferença não está na composição. As 50 trilhões de células tuas são do mesmo tipo que as minhas, só que vibram em frequência diferente. Como dois violões feitos por artesãos diferentes, de madeira nascida de árvores diferentes, têm som diferente.

nós
você eu
ele ela
preto branco amarelo vermelho
ocidente oriente
norte sul
jovem velho
feio bonito
lá cá acolá
unha cabelo pele osso
sangue suor filé mignon pescoço

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira, realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung