De todo e Todo

 

Por Maria Lucia Solla

Somos diferentes uns dos outros, diferentes a cada dia; e a equipe que nos compõe e mantem vivos tem vida mais curta que a nossa.

50 trilhões de células trabalham com um só objetivo: nos manter funcionando. E, mesmo as que nasceram ou acabaram danificadas, fazem o que podem. Estamos nas mãos delas, e elas nas nossas.

Agora, como manter satisfeito e saudável um plantel de 50 trilhões de células que vivem para nos dar vida, e que por nós morrem? Dando a nossa vida pela Vida?

As células, imagino, não têm visão global. Não veem o quadro inteiro e não intelectualizam sua função: “Agora estou transportando oxigênio para os pulmões de maria lucia, para que ela respire e continue dando a vida dela pela Vida”. Claro que não! Simplesmente fazem o que têm para fazer porque estão ali para isso.

Tem as que põem fogo na fornalha, as que transportam o combustível adequado para cada departamento, e tem as que cuidam da limpeza dá máquina. Nada pode falhar. Perfeição!

As células do coração recebem, das outras, condições para exercerem sua função. E exercem. O mesmo com as células dos intestinos, pulmões, pele, e por aí vai. Nascem, crescem, desempenham a função de manter o todo funcionando, para que esse todo cresça e desempenhe sua função, seus dons, para que um Todo maior funcione e desempenhe a Sua função…

Inimigo invade o corpo, representa ameaça, vem a equipe da defesa e dá a vida pela vida. Tua e minha.

Agora, voltando ao fato de sermos diferentes, a diferença não está na composição. As 50 trilhões de células tuas são do mesmo tipo que as minhas, só que vibram em frequência diferente. Como dois violões feitos por artesãos diferentes, de madeira nascida de árvores diferentes, têm som diferente.

nós
você eu
ele ela
preto branco amarelo vermelho
ocidente oriente
norte sul
jovem velho
feio bonito
lá cá acolá
unha cabelo pele osso
sangue suor filé mignon pescoço

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira, realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

6 comentários sobre “De todo e Todo

  1. Sabe Mike Lima

    Tem gente que reclama da sua condição social, do pouco dinheiro que tem, “do mais humilde trabalho” que executa seja onde for.
    Até onde sei, os gluons são as menores parte da matéria, ou melhor, são antimatéria.
    Também tem as suas funções no universo, na micro, pequena e na macro esfera.
    Parabéns pelo texto e uma exelente semana.
    Obrigado minha amiga por deixar o seu recadinho no meu blog no dia que foi ao ar.
    Bjus
    Armando Italo

  2. Nas diferenças somos fortes, uma vantagem para nós e para as células de nosso corpo Malu. Sem entender de globalização elas cumprem a sua tarefa e nos mantém vivos. Direitinho, toda a vida. A diferença que une os viventes desta terra.
    Esta constante biológica não impediu que antigas sociedades fossem iguais em celebrar a diferença que divide, os sangue- azuis os mais sabidos mais fortes, mais belos mais ricos. Todas diferenças inventadas. Todas com intuito de dividir, privilegiar. E todas em absoluto terminam quando a vida cessa, em um amontoado de igualdades.

  3. sérgio,

    aqui o que conta parece ser a disputa, o ranger dos dentes, o apontar o dedo, o chega pra lá, o me dá o teu osso, mas não encosta no meu. É a sociedade do eu primeiro, de fevereiro a janeiro.

    obrigada pelo carinho.

    beijo e boa semana,
    ml

  4. Alfa india november,

    mistérios da internet… só hoje apareceu o teu comentário.
    Não foi falta de atenção minha, viu?

    Quando a gente se dá conta da própria pequeneza e ao mesmo tempo da própria grandeza, a gente se encaixa no todo, e viver fica um pouquinho mais fácil.

    A gente olha para o outro com respeito e compaixão, e não rangendo os dentes.

    Beijo e boa semana,
    ml (mike lima sierra)

  5. Olá Malú!

    Infelizmente somente nos momentos em que nos sentimos fragilizados por estarmos com um probleminha de saúde é que percebemos o quão:
    – frágeis e ínfimos somos;
    – necessitados de pessoas a nos ajudar
    – como todos somos iguais, indiferente de raça, cor, credo;
    – como o limiar entre vida e a morte é questão de segundos;

    Por esse motivo acredito que devamos tentar viver cada dia como se fosse o último, pois afinal não sabemos o dia de amanhã.

    Suas palavras vieram a calhar, pq depois de vários dias de cama, por causa de umas simples hérnias de disco, percebo que a ajuda, solidariedade nos chega por intermédio de pessoas com as quais não passavam por nossas cabeças necessitar e o pior… o afastamento daquelas que acreditavamos poder contar.

    Bjs

    Wal

  6. Walnice,

    meu computador “tá lelé” . Vi teu comentário e não deu pra responder na hora; depois não apareceu mais. Hoje, está aqui ele de novo.

    SIMPLES! hérnia de disco?

    Dor é sempre dor. Eu costumo dizer que a fruta de que mais gosto é aquela que estou comendo no momento; o mesmo com a dor. A tua, aquela que você está sentindo, é a pior. Agora, tem um truque: presta atenção naquilo que está perto, no que você está saboreando, porque não é à toa que está ali. Esquece o que não está, porque não é à toa que não está.

    A gente gosta, desde de bebê, de atenção e de carinho. Não perde tempo pensando na atenção que não chegou; curte aquela que está ali no momento.

    Você está melhor?

    Beijo e boa semana,
    ml

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