G, 13: – Eu quero matar quem inventou a saudade.
L, 10: – Não pode porque foi Deus. Ele criou todos os sentimentos.
G, 13: – Eu quero matar quem inventou a saudade.
L, 10: – Não pode porque foi Deus. Ele criou todos os sentimentos.
O destaque no noticiário ficou para as palavras “sexo” e ” pornô”, mas a pesquisa realizada pela Symantech apontou lista mais ampla de termos procurados por crianças e adolescentes na internet. Para que ninguém fique mal-dizendo a rede e imaginando que os computadores são a porta de todos os males, veja o que eles mais procuraram neste primeiro semestre:
1. You Tube
2. Google
3. Facebook
4. Sexo
5. MySpace
6. Pornô
7. Yahoo
8. Michael Jackson
9. Fred Figglehorn
10. Ebay
A lista completa com as 100 palavras mais procuradas pelas crianças você encontra no site da Symatench
A Câmara de São Paulo quer proibir anúncios pornográficos no saguão de salas de cinema e teatro, comuns na região central, sob a justificativa de que as crianças que passam pela calçada ficam expostas a este material. A proposta do vereador Quito Formiga soa ultrapassada ao se ter a informação de que “sexo” e “pornô” estão entre as 10 palavras mais procuradas por crianças e adolescentes, na internet, conforme levantamento da Symantech, que desenvolve software de segurança. Certamente não serão estas casas que apresentam sexo explícito na tela ou no palco que irão desvirtuar os meninos e meninas, mesmo porque a maioria não passeia mais por estas áreas degradas da capital paulista.
Os garotos e garotas – sim, elas também tem a mesma curiosidade – quando querem saber mais sobre o tema tem outros canais à disposição. O psicólogo Rodrigo Nejm, entrevistado no Jornal da CBN, disse que antes de se pensar em censurar as mensagens ou usar alguma ferramenta que impeça o acesso ao material impróprio às crianças é preciso mudar o “software” de nossas mentes, incluindo o dálogo e a orientação na relação com os filhos.
Acreditar que o silêncio ou a fiscalização sem aviso serão suficientes para impedir que as crianças e adolescentes naveguem por sites pornográficos ou mantenham conversas que os exponham a riscos, é fugir da responsabilidade de pai e mãe. Nem sempre é fácil falar de sexo com os filhos, as palavras podem soar de forma agressiva, a vergonha e falta de habilidade atrapalham o diálogo, sem dúvida. Não se pode imaginar que com tantas informações eles acreditarão naquela história de cegonha ou do passarinho na florzinha. Tão pouco é preciso “partir para a ignorância”.
A escola também pode orientar os pais a desenvolver este diálogo. Claro, aquelas que são capazes de trabalhar com o tema sexualidade na sala de aula.
Na dúvida, vá também na internet e busque informações que possam ajudar nesta relação com os filhos. O SaferNet, entidade que trabalha no combate a pornografia infantil na internet, mantém site com sugestões de como se prevenir deste ataque virtual. Visite o site www.denuncie.org.br
Um grupo de promotores públicos de São Paulo recomendou os deputados estaduais a derrubarem o veto do governador José Serra (PSDB) a lei que proibe a venda de alimentos gordurosos e companhia em cantinas de escolas. Para o pessoal que atua com temas ligados à saúde pública no Ministério Público a medida seria importante para combater a obesidade infantil e melhorar a qualidade de vida das crianças.
Caso aceitem a recomendação do MP, os deputados estarão tomando uma medida inédita no parlamento paulista. Conta-se nos dedos o número de vezes que o legislativo estadual teve coragem e argumento para derrubar um veto do governador. E não apenas do governador Serra. Todos que o antecederam, poucas vezes (e digo poucas para não cometer erros, pois não lembro de isto ter acontecido de fato) foram desafiados em suas decisões.
Mas vamos a lei anticoxinha:
Reportagens publicadas em jornais, nos dias 19 e 20 de maio, se transformaram em tema de discussão na sala de aula entre alunos de 9 e 10 anos de escola da zona sul de São Paulo. Naqueles dias, havia expectativa sobre decisão do Governo paulista em relação a lei que proibia a venda nas cantinas escolares de produtos com gordura trans, de alto teor calórico e de poucos nutrientes. O projeto da deputada estadual Patrícia Lima (PR) foi vetado pelo governador José Serra (PSDB). Ao mesmo tempo, houve reportagens sobre o desrespeito à lei Cidade Limpa que estava para completar dois anos, na capital paulista. Passeio pelas ruas da cidade mostrava que ainda havia comerciantes insistindo em colocar painéis, cartazes e faixas irregulares.
A professora Graziela Dib Dutra, do Colégio Guilherme Dumont Villares, decidiu levar para dentro da sala de aula estes assuntos. Com jornais em mãos, provocou a leitura das reportagens e incentivou os alunos da quarta série do ensino fundamental a escreverem para a sessão “Carta dos Leitores”, desenvolvendo, além da escrita, o senso crítico.
Resultado, opiniões surpreendentes, assim como discordantes, o que demonstra a personalidade crítica de cada uma das crianças que não deixaram se levar apenas por aquilo que estava escrito nos jornais ou pela opinião das autoridades.
Para que o trabalho desses meninos e meninas ficasse completo, e a ideia de atuarem criticamente diante dos diferentes temas fosse incentivada, teriam de ter suas “cartas” publicadas, também. Em um dos jornais distribuídos na capital, o editor se negou a divulgá-las sob alegação de que não fazia parte do público-alvo. Como tive acesso às cartas, decidi postá-las por aqui como forma de estimular a abertura de espaço para que as crianças sejam ouvidas e novos projetos com o mesmo sentido em sala de aula.
Lembro que os textos que serão lidos abaixo são escritos por alunos de 9 e 10 anos e estão publicados sem intervenção deste “editor”.
Olá,
Gabriela, Gabi, Gabiroba, Gabiruta da minha vida; minha sobrinha querida.
Sexta-feira foi o dia do teu aniversário e, como o tempo não para e não dá trégua a ninguém, aí está você; linda, sensível, desabrochando a mulher.
Nunca fui uma tia convencional, mas você sabe o amor que tenho por você, não sabe? Pois bem, eu poderia dizer o que vai no meu coração, ao pé do teu ouvido, segurando a tua mão; transformando em solene uma corriqueira situação.
No entanto, vou dizer aqui as coisas que brotam em mim quando penso em você assim. Você tem noção da joia preciosa que é? Tem noção de quanto e de quanta gente te ama e o bem enorme que te quer?
Quero que o mundo inteiro veja a artista que você é.
Teus pais se orgulham disso,
mas filha do meu irmão, minha filha também é.
Ando poeta, ultimamente. Sensível a tal ponto,
que muitas vezes fico sem palavras; sem ação.
Se você me visse agora, não iria acreditar, porque não sou mais só tua tia;
sou um imenso coração.
Ainda temos muito tempo para eu te falar de amor, de loucura, de paixão,
mas sugiro que o façamos, bem longe do meu irmão.
Enquanto esse momento não chega, pra gente falar com calma,
lembra que o teu corpo é o templo da tua alma.
Quando quiserem contar a você os segredos do coração,
atenta, não acredite em tudo pois a maior parte é pura convenção.
Cada um tem seu caminho, meu anjo. O de ninguém é o mesmo que o teu.
Não o do teu pai, não o da tua mãe, e muito menos o meu.
Amo você, pequena. Nunca se esqueça disso.
A hora que precisar me liga ou venha cá,
pra gente fazer pipoca, rir muito, e conversar.
Beijo da tia malu
Maria Lucia Solla é terapeura e professora de língua estrangeira. Toda domingo está aqui no Blog do Milton Jung a se revelar.
Por Abigail Costa
Aprendo sempre. Independentemente do professor. Neste caso, ele só tem nove anos.
– Estou pensando em trabalhar!
– Como?
– É, trabalho. Tenho que começar agora, ou você acha que o Bill Gates não começou cedo?
O diálogo é com uma criança que se prepara para ir pra cama. A preocupação não é com a prova de matemática do dia seguinte. Mas com o futuro.
Na maioria das vezes somos assim:
Aos dez anos, imaginamos o namoro dos 15, torcendo pelos 18 e com este a carteira de motorista. Depois a pressa em sair da faculdade, de atropelar o estágio, ter a carteira de trabalho assinada. E depois ?
RG, CPF, cheque especial, compromisso, responsabilidade. E não muito raro, parar e contar para todos como o tempo passou rápido. Como quase tudo aconteceu de repente. O quase, é um pedido de desculpa pela pressa de virar a página da vida.
Quando percebo nos outros essa vontade de pensar lá adiante, me lembro das palavras da minha mãe.
– Espera, você ainda terá muito tempo para pensar nisso, aproveita agora. A chegada é inevitável, não precisa apressá-la.
Mas temos sonhos, planos e se puder antecipar parte deles, por que não?
Enquanto me preparava para repetir os conselhos da vovó, meu futuro trabalhador pega no sono.
Sou capaz de imaginar seus pensamentos decolando, um atrás do outro. Viagens com roteiros conhecidos e percorridos por mim, por você, por eles.
Somos normais e iguais. Temos pressa de viver.
Abigail Costa é jornalista e toda quinta-feira escreve sem pressa e aproveitando cada palavra, no Blog do Mílton Jung
Dedicada a preparação de novos jogadores, a ex-tenista Patrícia Medrado publicou comentário sobre o tema discutido e assinado por Carlos Magno Gibrail (O remédio que cura, mata), na quarta-feira, no Blog do Milton Jung. Para aqueles que não costumam vasculhar na área dos comentários, destaco o texto escrito pela, hoje, empresária que mantém o Programa Tênis na Escola:
Vejo como avanço a regulamentação do ofício de pegador de bolas, uma vez que agora todos os que oficialmente forem selecionados para tal estarão inseridos na Lei da Aprendizagem. Os clubes que visitei recentemente como o Paulistano, Pinheiros e Harmonia tem uma gama enorme desses aprendizes de 14 a 16 anos, todos uniformizados, com horários a cumprir, carteiras de trabalho assinadas, direito a férias e 13º salário garantidos por lei. Seguramente um passo rumo a um futuro melhor, seja através desse ofício ou de outras opções que sairão desse meio social.
Quanto aos menores de 14 anos, temos que pensar a melhor forma para que vivam uma infância digna, com educação, saúde, prazer e lazer. A inserção dessas crianças no meio esportivo pode se dar de outras formas que não a do trabalho remunerado. Pelo menos em São Paulo, a Secretaria de Esportes Lazer e Recreação do município, tem programas gratuitos com muitas opções de esportes, espalhados em diversas unidades (Programa Clube Escola), ainda com muita disponibilidade de vagas.
O crescimento do terceiro setor vem oferecendo inúmeras oportunidades de inserção através do esporte seja nos núcleos esportivos em comunidades carentes, parques ou de outras iniciativas do gênero.
Quanto às Academias de Tênis, com o intuito de inclusão poderiam oferecer em horários ociosos programas de aulas gratuitas para as crianças menores, porém como ato de responsabilidade social e não em troca de serviços remunerados. Dessa forma, além do ato cidadão, estariam dando a sua contribuição para a continuidade dessa cadeia formativa de atletas.
O vereador de São Paulo e ex-secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social Floriano Pesaro publica artigo no jornal Folha de São Paulo em resposta ao secretário de Trabalho e Desenvolvimento Econômico, vereador-licenciado Marcos Cintra, que deu origem ao comentário de Carlos Magno Gibrail, no Blog do Milton Jung, nessa quarta. Para que você tenha mais argumentos para debater e opinar sobre o tema, reproduzo aqui a opinião de Pesaro:
TRABALHO infantil é proibido. É proibido não por decisão de alguma autoridade de plantão, mas pelo ECA (Estatuto de Criança e do Adolescente) e pela Constituição Federal, a Carta Magna da nação. Crianças em trabalho infantil e nas ruas mostram o grau de nosso atraso.
Por isso, causou-me surpresa o artigo do secretário municipal de São Paulo Marcos Cintra (Trabalho e Desenvolvimento Econômico), publicado neste jornal no dia 10/4, no qual ele considera um “equívoco” a decisão de retirar do trabalho infantil crianças que, numa academia de tênis, trabalhavam como pegadores de bola (“Um soco no estômago”, “Tendências/Debates”). Em seu artigo, o secretário diz: “Um dia, as autoridades baixaram no recinto e proibiram, sob alegação de trabalho infantil, que esses jovens continuassem naquelas condições”.
Ora, “as autoridades” a que ele se refere eram o então secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. Ou seja, eu. Sim, fui eu quem “baixou” na academia e “proibiu”, em parceria com o Ministério Público do Trabalho da 2ª Região, o trabalho infantil que ali se praticava.
Em 40 e poucas páginas, o juiz Fernando Antônio Lima justifica a decretação do “toque de recolher” para crianças e adolescentes na cidade de Ilha Solteira, desconhecida de boa parte dos brasileiros, que ganhou direito a citação em rede nacional de televisão – jornal, rádio e internet, também. A intenção dele é “proteger o cidadão que está com seu intelecto e moral em desenvolvimento”.
O país está cheio de gente bem intencionada como o magistrado. Preocupada com a educação dos jovens e a falta de limites. Interessada em oferecer mais segurança as crianças. Leis não faltam neste sentido. O Estatuto da Criança e do Adolescente é peça primordial desta rede de proteção.
Em nome desta defesa, lá no noroeste do estado de São Paulo, quem tem até 14 anos só fica na rua, desacompanhado, até às oito e meia da noite; adolescentes entre 14 e 16 anos de idade voltam para a casa até às dez da noite. E meninos e meninas de 16 a 18 anos podem “brincar” até às 11 da noite.
Assim que o tema foi ao ar no CBN SP, dezenas de ouvintes-internautas se posicionaram em relação a medida que está em vigor em Fernandópolis e Itapura, além de Ilha Solteira. Maioria assustadora defende a intervenção do Estado na educação dos filhos, não confia na competência dos pais e no poder da família. Há quem veja na regra uma forma de se defender dos jovens e não defendê-los.
Aguarda-se decreto judicial que coiba a violência doméstica contra crianças, esta sim uma das formas mais cruéis de violência que parte dos próprios pais, escondida da sociedade, dentro de casa. O serviço Disque-100, que recebe denúncias anônimas, registra mais de 67% de ligações feitas devido a agressão física e moral contra meninos e meninas.
Sugiro que se proíba a instituição da família para “proteger o cidadão que está com seu intelecto e moral em desenvolvimento”.