Fórum rebate críticas a Seminário de Educação

 

O texto a seguir, foi enviado por Airton Goes,
coordenador do Fórum Social da Cidade Ademar e Pedreira – uma das organizações que promoveu o 1º Seminário de Educação Infantil da Cidade Ademar e Pedreira, em resposta ao post assinado por Devanir Amâncio, da ONG Educa SP (leia aqui)

Por Airton Goes

Os organizadores do 1º Seminário de Educação Infantil da Cidade Ademar e Pedreira, realizado sábado (26/3), têm uma avaliação muito positiva do evento. Os objetivos do encontro foram atingidos e a sociedade local saiu fortalecida para realizar outras ações e cobrar do poder público a ampliação de vagas em creches e EMEIs na região.

Como ainda não há um movimento por creche e pré-escola que organize e mobilize as mães da região – o que seria ideal –, a estratégia dos promotores da iniciativa foi focar o seminário em três objetivos: realizar um debate qualificado, entender melhor os problemas causados pela falta de vagas no ensino infantil e estimular as organizações e lideranças locais a se envolverem com o tema.

Tendo em vista os objetivos escolhidos, os organizadores optaram por um seminário de dia todo (das 9 às 17 horas) – o que certamente dificulta a participação das mães. Como resultado da estratégia definida, poucas mães compareceram ao evento – duas delas relataram publicamente suas dificuldades perante o ministro da Educação, Fernando Haddad, e o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider.

Por outro lado, a qualidade do debate foi um dos pontos fortes do seminário, que contou com a participação de Ariel de Castro, ex-conselheiro do Conanda (2007/2010) e atual vice-presidente da Comissão Nacional da Criança e do Adolescente da OAB, Maria Stela Graciani, coordenadora do Curso de Pedagogia da PUC-SP, e Samantha Neves, coordenadora do GT Educação da Rede Nossa São Paulo.

Os questionamentos apresentados ao ministro e ao secretário foram debatidos e elaborados pelos participantes de quatro salas temáticas: “Consequências pedagógicas e sociais da falta de vagas em creches e EMEIs”; “Legislação e direito da criança”; “Política de convênios”; e “Como a sociedade se organiza para enfrentar o problema”. Embora as respostas de ambos não atendam as reivindicações da população, o entendimento dos organizadores é que a presença deles no evento foi muito importante.

Para algumas entidades talvez seja comum ter secretários e ministros em seus eventos, mas na periferia da cidade isso é uma raridade. Razão pela qual é perfeitamente compreensível o fato de os participantes terem aplaudido os dois representantes do poder público que vieram ao Jardim Miriam dialogar com a sociedade. O secretário municipal da Educação, inclusive, se comprometeu a retornar à região em 90 dias para ouvir as demandas da população sobre creches e EMEIs, o que contribui para a continuidade do movimento.

O próximo passo será realizar uma reunião – aí, sim, focando o convite a mães de crianças que estão fora do ensino infantil – destinada a discutir e elaborar as reivindicações a serem apresentadas ao secretário. A expectativa é que este encontro possa ser o embrião de um movimento organizado por creches e EMEIs na Cidade Ademar e Pedreira.

Os organizadores do seminário informam, ainda, que 252 pessoas se inscreveram para participar do evento. De acordo com as fichas de inscrição, a grande maioria dos participantes era constituída por estudantes, educadores e integrantes de entidades sociais e movimentos populares da região.

Talvez a estratégia de focar outros objetivos – e não a presença de muitas mães no evento – não tenha sido compreendida ou aceita por quem não conhece a realidade local, mas os promotores da iniciativa têm a convicção de que foi a melhor escolha para que o movimento se fortaleça e tenha continuidade.

Outras informações sobre o seminário estão disponíveis no blog Seminário de Educação Infantil

Seminário sobre creche tinha de tudo, menos mães

 

Pintura de criança

Por Devanir Amâncio
ONG Educa São Paulo

O seminário sobre o  crônico problema da falta de creches e Emeis na cidade de São Paulo, no sábado, 26 de março,  no Jardim Míriam, região de Cidade Ademar,  Zona Sul, estava repleto de assessores de políticos, funcionários e professores da Escola Estadual Yolanda Bernardini, onde aconteceu o evento.

Nada de importante foi anunciado pelas autoridades. Poucas cobranças e muitos aplausos para o ministro da Educação, Fernando Haddad, e o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider. Ambos afirmaram que dinheiro não falta para a educação.  

Dona Maria de Fátima saiu frustrada, mora na favela Elba, perto dali, tem duas crianças à espera de vagas -,  estava com um carrinho de mão na porta da escola,por volta das duas horas,  atrás de  cesta básica e informações sobre os benefícios sociais do Governo. Dona Fátima, não  entrou para os discursos, não permitiu  que fosse fotografada, mas deu uma dica importante :
 
“Tem uma creche fechada na Av. Dona Belmira Marin, no Grajaú, desde dezembro do ano passado, os filhos de uma amiga minha eram matriculados na escolinha, é uma creche muito grande, tem dois prédios bonitos… de um, já roubaram duas janelas …. fica em frente à escola do Estado Adelaide Rosa, uma escola pixada de cima em baixo. A creche com certeza tem alguma coisa a ver com a Prefeitura, porque era um entra sai de gente da Educação… É de lá que precisa tirar foto para saber o porque a creche está fechada …se todo mundo tá procurando e falando de creche. E pode anotar aí o meu endereço.” 

O advogado Manoel Del Rio , presidente da ONG Apoio – Associação de Auxílio Mútuo , justificou a sua ausência no seminário:

“Estou reunido com alguns voluntários, estudando a dívida da Prefeitura de São Paulo com o Governo Federal, dados que pegamos no Conselho Regional de Economia (CORECON – SP) . Estamos assustados ! O orçamento da Prefeitura para 2011 é de 36 bilhões de reais, a dívida é de 52 bilhões. A Prefeitura vai pagar só de juros neste ano 3 bilhões e mais 4 bilhões de parcelas da dívida. Queremos traduzir isso de forma simples para as comunidades. Pretendemos organizar um seminário nos próximos dias e trazer o Governo Federal para discutir o assunto. Não há outro caminho : é preciso renegociar a dívida de São Paulo. Os juros causam grandes estragos sociais à nossa Cidade… Se investisse um bilhão por ano dos juros da dívida na educação infantil, daria para suprir significativamente a carência de creches e Emeis, e com um pouco mais , fazer melhorias na escola pública, na rede de sáude e construir nova casas populares.”

Éramos felizes e não sabíamos ?

 

Por Milton Ferretti Jung

“Éramos felizes e não sabíamos”. Ouve-se seguidamente essa frase. Quem ainda não a escutou? Ela serve para lembrar, com prazer, o passado, nem sempre se referindo ao que as pessoas viveram. Outro dia, por exemplo – socorre-me o Google – um diretor da Rede Globo disse que os radiodifusores sentem saudade do tempo em que não havia a ameaça das novas mídias em seu modelo de negócios.

Normalmente, porém, quem pronuncia a frase é gente que vivenciou na sua infância momentos inesqucíveis, comparando-os com a realidade dos dias de hoje.

Permitam-me que regresse aos meus oito anos ou pouco mais que isso. Minha família morava diante de uma pracinha. Essa não passava de um triângulo situado no encontro de duas ruas. A prefeitura tentou em vão transformá-la numa praça de  verdade, mas nós, seus usuários, nunca permitimos porque acabaria com nossos improvisados jogos de futebol, basquete, vôlei e outras brincadeiras. Na minha rua havia também muitos terrenos baldios, os quais, às vezes ,serviam para que uma turma maior participasse de “peladas”, eis que o chão da pracinha era não só inclinado como sem um mínimo de grama.

O tempo foi passando, a pracinha permaneceu incólume. Os terrenos baldios acabaram. Em seu lugar surgiram casas. Os guris cresceram, casaram, tiveram filhos, alguns edifícios substituíram as casas mais velhas. Ainda sobraram os que, na juventude,fundaram um clubezinho – o Tijuca – que congrega parte da turma antiga em jantares de confraternização.

Meus filhos, quando visitavam seus avós, que nunca se mudaram, chegaram a conhecer a pracinha. Meus netos, porém, nunca passaram sequer perto da residência avoenga. Eles estão noutra. Brincam,hoje,como muitas crianças da idade dele, com computadores,iPod,iPad,Nintendo,Play Station, etc.

O Fernando, mais moço da turminha, filho do Christian e da Lúcia,irmão da Vitória, possui até um blog e está tentando ensinar a tia Jacque a criar o dela. Gregório e Lorenzo, filhos do Mílton e da Abigail, desde menininhos lidam melhor com computadores  que muita gente grande. Eu jogo somente Tetris no PC. E olhe lá.

Quando paro para pensar, volta e meia me ocorre a frase com a qual iniciei este texto e me pergunto quem teria mais razão para usá-la: eu, meus filhos ou meus netos? Responda quem se achar capaz.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista, trabalha na Rádio Guaíba de Porto Alegre e é meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Conte Sua História de SP: Brincadeira de criança

 

Roberto Samuel da Silva nasceu em 1962 em Alvorada do Sul, Paraná. Mas é a cidade de São Paulo, em especial o bairro Jardim Japão, que povoa suas memórias de infância. Para relatar essas lembranças, ele escreveu ao Museu da Pessoa em agosto de 2010.

Ouça o texto de Roberto Samuel da Silva sonorizado por Cláudio Antônio

Chegamos a São Paulo num dia frio e de muita garoa no ano de 1968, não sei em que mês. Viemos de trem da cidade de Alvorada do Sul, Paraná. Lembro-me pouco da viagem. Tenho uma vaga lembrança do trem. Na verdade, não sei se são lembranças ou histórias que meus pais contaram depois. Dizem que, durante a viagem, eu saí andando pelos vagões e teria me perdido. Meu irmão, João, é que me encontrou “vagando”.

Fomos morar no Jardim Japão, na rua Nigata. Acho que, na época, o povo chamava essa rua de Niagata. Ali passei minha infância e fiz meus primeiros amigos. Lembro-me do senhor Zacarias. Ele trabalhava em uma grande fábrica de pneus e me ensinou a torcer pelo Santos Futebol Clube. Esse senhor tinha três filhos e uma filha: Carlos, o mais velho, depois o Airton, o filho do meio, apelidado de Tito e o Rui, o mais novo dos meninos. A menina era a mais nova, chamava-se Sonia. Ela tinha a mania de chupar os dedos indicador e médio. De tanto chupá-los, ela ganhou duas verrugas neles. Ouvi essa história da matriarca dessa família, Dona Isolina. Achava-a bonita, no entanto, não lembro mais de seu rosto.

Eu era um “televizinho” deles, ou seja, um sujeito que não possuía televisão e ia à casa do vizinho para aproveitar um pouquinho daquela maravilha. Era uma TV da marca Telefunken.

Com mais ou menos a minha idade, havia uma garota chamada Marlene e um garoto chamado Cido. Brincávamos nas ruas e na enorme praça. Aliás o pai do Cido, “Seo” João, era vigilante e morreu, durante o serviço, no início dos anos 70, não lembro se foi de enfarte ou derrame. O então menino chorou muito. Coube à dona Maria Teixeira (lembrei do nome dela) conduzir a vida. Essa família era muito amiga da nossa.

Minha primeira escola foi a Escola Imperatriz Leopoldina, até hoje na rua Togo. Ali estudei até o quarto ano do primário. Dessa fase, guardo o nome de apenas duas professoras: Cecília, minha primeira mestra, e Sonia Agosto, a professora do segundo ano primário. Ah, havia também a toda poderosa diretora: Dona Ada.

Falando nisso, dia desses aconteceu algo muito estranho. Eu estava tomando uma cerveja com um amigo, hoje secretário de Esporte de Guarulhos, e falávamos do passado quando ele revelou que estudou nessa escola, na mesma época que eu, e era morador da rua Osaka, rua paralela à minha querida rua Nigata. Incrédula, pedi que ele dissesse o nome da diretora e confirmou: “Dona Ada”. Lembrou inclusive do “grande” porte físico que nos parecia ainda maior quando sua poderosa voz ecoava pelos corredores da escola.

A história parece-me ainda mais inverossímil quando esse meu amigo revela: “Morava ao lado da fábrica de balas”. Eu vivia por ali. Apenas para constar, todas as balas tinham o mesmo sabor: eram de açúcar puro, apenas açúcar. Mas havia papéis de várias cores e com desenho de diversas frutas. Um verdadeiro engodo. Mas eu olhava para o papel cheio de desenhos de abelhas e sentia o sabor de mel. Para complementar a renda familiar, era comum as pessoas pegarem essas balas para embalar em casa. Havia uma família na rua Osaka, com muitas crianças, que embalavam as balas e também ensacavam figurinhas.

Lembro-me do início das obras do Praça Oyeno, situada no centro do bairro e em frente à minha casa. Minha mãe chegou a fazer lanches e vender aos trabalhadores da obra, mas não deu muito certo. O parque ficou muito bonito. Muitas árvores foram plantadas e tinha até minas de água. Ele começava na avenida das Cerejeiras, seguia até próximo à rodovia Presidente Dutra. O lugar era bonito, pois as transportadoras ainda não tinham se instalado naquela região.

Morei também um tempo em uma casa da avenida das Cerejeiras. Foram tempos de muitas dificuldades. Meu pai lutava muito, éramos oito. Meu irmão João casou pouco depois de chegarmos a São Paulo e foi morar na Vila Maria Baixa, perto da avenida Guilherme Cotching. Apenas meu pai trabalhava. De vez em quando faltava alguma coisa, o feijão, a carne, o pão… Minhas irmãs, a Cida e a Cícera, começaram a trabalhar muito cedo para ajudar. Tenho um carinho e um respeito muito grande por elas. Se você acha que hoje existe exploração, nos anos setenta havia muito mais.

Em 1974, deixamos São Paulo e mudamos para a cidade de Guarulhos. Perdi o contato com meus amigos de infância e com os vizinhos. Tentei, ainda manter contato, mas meus amigos ficaram no passado.

Você participa do Conte Sua História de São Paulo enviando seu texto para o site do Museu da Pessoa ou agendando entrevista para gravar seu depoimento em áudio e vídeo

Coisas de criança grande

 

Por Dora Estevam
 
Crianças adoram, mas os adultos não ficam atrás quando o tema são acessórios com imagens de bichinhos selvagens e fofinhos.

O estilista Marc Jacobs, Louis Vuitton, acaba de lançar a coleção Primavera’11. Tem calças com girafa nas pernas, suficiente para fazer alguém sorrir. Até aí, tudo bem. Eis que surgem sapatos com calcanhares moldados em animais minúsculos com pernas e cascos. Uns diriam que o modelo é exagerado, outros que foi um show exuberante. Eu não sei como ficaria em uma moça de escritório. Mas esse Marc Jacobs está sempre tentando fazer as mulheres felizes, de uma forma ou de outra.

Um dos fotógrafos favoritos das editoras de moda é Tommy Ton, que anda por aí clicando imagens interessantes e com estilo. As fotos dele traduzem bem o que as pessoas estão usando nas várias capitais mundiais.  O moço já mostrou novidades como os estilos curiosos de Kirkwood, das meias tie-dye, dos turbantes de Catherine Baba, dos predomínios das maquiagens, enfim. Mas o que surpreendeu as produtoras da redação da Style foi, certamente, a bolsa Gremlin.

Fascinante saber que alguém pode sair às ruas com uma bolsa nesta apresentação. Vale uma reflexão.
 
Outra figura interessante e arrojada é a diretora e consultora de moda criativa da Revista Vogue Nippon, Anna Dello Russo. É muito comum encontrarmos fotos que destacam o estilo dela em todos os editoriais de internet, em sites, blogs e comentários. Anna está sempre com roupas e acessórios extravagantes, e não poderia deixar de usar frutinhas em suas tiaras. Ela aflorou o lado menininha exagerada com os adereços na cabeça.
 
Sem problema, Anna ! Todas nós gostamos de usar de vez em quando umas peças infantis.
  
Agora, tem gente abusada que põe uma coisa na cabeça e sai assim mesmo. É o caso desta moça, que teve vontade de passear feito Mulher-aranha e cheia de personalidade foi embora. Sem dúvida, é um caso para se pensar.

 
É aquilo que eu falo (e escrevo), tem vontade faz, pensou em uma produção vai e veste. Pode até ser uma simples camiseta, mas se for o seu momento nem pense em desistir da proposta.

 

E para encerrar o nosso momento adulto-infantil, vejam que par de botas incrível esta exposta na vitrine da Miu Miu, clicada por Jack and Jill.

 
Sem dúvida você não passaria sem ser notada em uma festa com estas maravilhosas obras de arte.
 
Vamos ver quais serão as próximas manias dos adultos por aqui. O verão está chegando e com os calor as extravagancias todas são permitidas.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de São Paulo: Brincadeira de criança

 

Geraldo GarducciNo Conte Sua Historia de São Paulo, o paulistano Geraldo Garducci Junior fala de momentos importantes e engraçados da sua infância. Nascido em 1961, morou na então distante região de AE Carvalho, zona leste da capital, onde fazendas ainda eram mantidas por imigrantes enquanto a vida urbana se aproximava. Foi lá que seu Geraldo, o pai, e dona Odília criaram o garoto, em uma casa, ao lado da sede do Esporte Clube Urca. Aliás, o bairro era rico de agremiações, onde o garoto se divertia com os amigos.

Ouça o depoimento de Geraldo Garducci Junior, ao Museu da Pessoa, que foi ao ar no CBN SP

Seja também um personagem do Conte Sua História de São Paulo. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150 ou pelo site do Museu da Pessoa.

“Beliscão dói pra cacete” *

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

Pain/une souffrance~

No lar, unidade física, social e emocional do ser humano, o ordenamento das relações concretas e abstratas é balizado pelo estado.

Para construí-lo é preciso seguir normas e padrões municipais. Água, luz, telefone são fornecidos dentro de critérios pré-estabelecidos. As relações sociais e humanas devem respeitar a constituição e as leis sociais e trabalhistas. É proibido o incesto, a pedofilia, o uso de drogas, etc.

É um sistema que preserva a ordem necessária para manter a liberdade dos cidadãos sem infringir o espaço e a dignidade dos demais.

O governo, atendendo a solicitação da Rede “Não bata, eduque”, que reúne entidades de defesa das crianças, propôs a proibição de castigos corporais, para complementar o Estatuto da Criança e do Adolescente, passando “maus tratos” para “uso de castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante”.

A criança, peça mais frágil dos componentes do lar, ficará mais protegida com uma lei que deverá servir, como na Suécia, para inibir eventuais transgressões de modo que esta anomalia possa ser extirpada.

Tal qual aconteceu na Suécia em 1980 quando foi criada, e está ocorrendo nos países mais conservadores da Europa, como França e Grã Bretanha, 58% dos brasileiros são contra a lei, de acordo com o Datafolha. Esta população que está contra a “lei das palmadas” em sua maioria (72%) já apanhou dos pais, numa evidente demonstração de conservadorismo.

Herdamos o gosto pelo banho dos indígenas, mas não o respeito pelas crianças. Índio não bate em criança. Contrapondo-se aos “selvagens”, Lino de Macedo do Instituto de Psicologia da USP considera que o projeto “quer regular a intimidade da casa, da relação pai e filho”.

Nesta linha de preocupação com a interferência do estado, uma série de conservadores e intelectuais se manifestou contra a lei. Cony e Viviane Mosé, por exemplo , assim como o secretário de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, José Gregori. Neste caso os Direitos Humanos dos adultos.

E as crianças?

Bem, perguntei ao meu filho Rodolfo, 7 anos, que respondeu favoravelmente à lei. Informei, entretanto que muitos brasileiros eram contra a lei. “Mas são bandidos, não?”

*Frase do Presidente Lula

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, é pai do Rodolfo e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

 Imagem da galeria digital de Constanza Hernandez, no Flickr

Desprendendo-me

 

Por Abigail Costa

A maternidade chegou, digamos, na fase madura. Depois dos 30. Estava tão acostumada em ser eu – e quando tinha que dividir era só com meu marido – que quando aquele pequeno homem chegou em casa desorganizou minha vida.

As noites não seriam mais as mesmas. De fato não foram. E quantas delas passei em claro com ele berrando no colo. O pensamento era só esse:”acabou meu sossego”.

Era uma sensação de perda de liberdade, de tranquilidade, de sono gostoso depois de namorar muuuuuuuuuuito.

Agora, eu tinha uma responsabilidade que pesava. Não só porque tinha sono e não podia ir pra cama. Vestir aquela blusa cheias de botões, durante meses (não por opção) para ter praticidade na hora de amamentar, confesso nem sempre me dava prazer.

Mas o tempo, sempre ele, se encarregou de colocar os pingos dos is.

Daquelas noites sobraram as olheiras na fotografia; das mamadas do meu bebê, saudade.

Ele se desprendendo, a vida voltando ao jeito que era.

Meu pequeno grande homem já tem suas responsabilidades e as desempenha muito bem. A mim cabem pequenas complementações como mãe.

Você já não é tão requisitada como antes. Definitivamente, ele não morrerá de sede sem você.

De vez em sempre um carinho, que mal tem ?

Numa dessas voltas, eu, cortando as unhas naqueles dedinhos já crescidos, comecei a fazer perguntas com aquela voz quase idiota que usamos para conversar com animais e crianças:

– Já não precisa mais da mamãe pra trocar as fraldas, não é? Nem pra mamar?

Consegui perguntar mais meia dúzia de besteiras até cair em prantos.

Ele “pensando” ser mais uma das minhas brincadeiras disse inocentemente:

– Você é uma atriz e tanto, não é mamãe?

– Pois é – respondi, passando as mãos no rosto e disfarçando as lágrimas.

Fui pro banheiro pra me olhar sozinha no espelho. “Tá louca mulher?” Perguntei pra mim mesma.

Passei uns dias pensando nesse episódio.

Louca não. Lúcida.

Estamos nos desprendendo.

Assim como foi preciso me acostumar com a chegada do meu bebê, estou me acostumando com as outras etapas. Sofrer como lá atrás sofri quando ele chegou mudando a minha vida, sei que não vai dar pra escapar. Sofrerei.

De novo me lembro da frase preferida da minha mãe.

“Com o tempo tudo passa”.

Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

Escola sem medo

 

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Por Carlos Magno Gibrail

A FOX TV em 20 de abril de 1999 espetacularizou a chacina protagonizada por Eric e Dylan no cenário da Columbine High School, em Colorado, nos Estados Unidos, através de transmissão nacional ao vivo. Na hora do almoço entram no refeitório, matam um professor e em seguida caminham carregados de armas automáticas procurando suas vitimas. Depois de 900 tiros e 12 mortos, se suicidam.

Os “bocós” de 17 e 18 anos, como Eric e Dylan eram chamados não tinham efetivado uma ação, mas uma reação.

Lamentável que este preço tão alto para a sociedade americana não tivesse servido de estímulo para que a origem e a causa do “Bullying” não fossem abrandadas.

Ainda hoje, algozes e vítimas carecem de atenção, tanto na América quanto no Brasil.

Aqui, país menos armamentista, mas com estatística vergonhosa, quando de 8ª Economia ostenta 88º em Educação é de se perguntar, preocupadamente, como vamos nesta questão dos maus tratos aos colegas e da violência nas Escolas.

A Plan Brasil, afiliada da Plan International, organização presente em 66 países, que cuida de 75.000 crianças brasileiras, contratou a CEATS – Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor e a FIA – Fundação Instituto de Administração da USP, para pioneiramente efetivar um mapeamento sobre o “Bullying escolar no Brasil”.

O resultado desta pesquisa foi apresentado, hoje, no auditório da Ação Educativa, em São Paulo.

Moacyr Bittencourt, Country Director da Plan Brasil, antecipou a apresentação da pesquisa, que, responsavelmente, apresentamos um resumo, desejando que este levantamento chame a atenção de todos para que a violência física ou moral possa ser combatida em nossas escolas.

Foram pesquisados 5.160 alunos, 14 grupos com 55 alunos, 14 pais e 64 técnicos, nas 4 regiões do Brasil. Houve fase quantitativa e qualitativa.

70% já viram pelo menos uma vez algum colega ser maltratado na escola

10% vêem todos os dias maus tratos em colegas

9% vêem várias vezes por semana

29% já maltrataram colegas

Regionalmente aparecem as seguintes taxas de maus tratos: nordeste 5,4%, norte 6,2%, sul 8,4%, sudeste 15,5%%.Desconcertante verificar que nas regiões mais ricas as taxas são maiores.

Na internet a incidência constatada é de 17%, com duração de uma semana de ofensas e ataques.

As formas mais comuns de Bullyng são: xingamentos, apelidos, insultos e ameaças. Os locais mais incidentes são a sala de aula e o pátio de recreio. O que é inexplicável, pois denota falta de controle da escola por serem locais de fácil visibilidade e controle.

As reações da vítima: 49,5% nega maltrato 6,6% fica magoada, 6,3% se defende, 5,4% fala com o pai, 5% revida, 4,7% fala com o diretor, 4% pede que parem, 3,3% fala com os amigos, 1,6% fala com irmãos.

As consequências na vítima são a perda do entusiasmo, da concentração e medo de ir à escola. No agressor são as mesmas, isto é, perda do entusiasmo na escola e falta de concentração.

As características da vítima não estão nem na cor nem na etnia. As diferenciações são outras, enquanto o dos agressores concentra-se no desejo de aceitação social, da necessidade de exercer influência sobre os colegas e a busca de popularidade. Além da ausência do medo da punição.

Os professores opinam que por serem externas as causas, isto é, família e sociedade, não podem resolver definitivamente a questão. Agem punindo os agressores com suspensões e advertências, chamando os pais para conversar com educadores e equipes técnicas. Sugerem campanhas, palestras e grupos de discussão. O que faz sentido porque ficou claro na pesquisa que os alunos não identificam o Bullyng.

Os pais afirmam que a escola não sabe lidar e transferem para eles a responsabilidade de resolver conflitos.

Qualquer observador mais atento não terá duvida em afirmar que a solução está na junção da escola com o lar. Lastreado na pesquisa, fica aberto o caminho para a melhoria do ensino em nosso país. Uma grande oportunidade para que o conhecimento obtido da pesquisa venha a ajudar o conhecimento das crianças e adolescentes de hoje.

E, principalmente, a sua felicidade.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung