De seu Antônio

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Seu Antônio”, escrito, falado, fotografado e sonorizado pela autora

Céu por Maria Lucia Solla

ah seu Antônio
andei pensando melhor
e cheguei à conclusão

não sou eu que tenho a vida
mas é ela que me tem

viemos aqui para ser
às vezes brincar de ter
olhar e acreditar ver
dizer e acreditar saber

mas na verdade seu Antônio
o que a gente tem
é pura e simples ilusão
e mais nada não

mesmo a dor
aquela que dói de verdade
mesmo o amor
aquele que sacode aprisiona
e te joga de cara na lona
não existe

acredita?

a vida é sonho
que quando pesadelo
dá um medo medonho
um arrepio constante
que parece frio
tem jeito de calafrio
mas que nunca é feio o bastante
pra que a gente dele desista
pra que a gente perca o rumo de vista

uma curva mais fechada aqui
um descampado ali
uma cabana com lenha no fogão
e desenho de fumaça vindo lá do galpão

isso é viver de verdade
não ter de nada e de ninguém saudade
se aninhar na cabana
tendo um anjo de proteção
de campana
e amar
amar
amar

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung pra alegria de todos nós, Antônios


Eles existem, pode acreditar !

Por Abigail Costa

Já não é de hoje que uma das frases mais ditas em meio a crise – não a financeira – a de egoísmo é “cada um por si e Deus por todos”.

É assim mesmo ?

Nem tanto.

Aconteceu comigo. Outro dia, em uma situação difícil, de necessidade em dividir o problema de tão pesado que era, me deparei com anjos, alguns vestidos de calça jeans, outros com ternos e sapatos sociais. Gente de verdade.

Nem foi preciso pedir ajuda, eles se aproximaram pelos olhares, conselhos, orações …

Estava na maquiagem e além de um bom dia não havia dito mais nada. Não tinha condições. Foram instantes de silêncio entre nós duas. Silêncio para mim. Ela orava. A cada pincelada de blush me sentia mais leve.

Levantei-me da cadeira e a pergunta me desconcertou: “O seu coração está mais tranquilo ?” Minha resposta, um abraço. O buraco dentro do meu peito já não ardia tanto.

Essa foi uma entre tantas outras pessoas amigas, algumas conhecidas, que tiveram sensibilidade de perceber que aquele problema eu  jamais conseguiria carregar e resolver sozinha, por mais forte que imaginava ser.

A vontade era calçar um chinelo, andar numa estrada reta até não aguentar mais, até não ter mais condições de pensar. Não precisei andar. Eles perceberam que eu não teria forças. Cada um dentro das suas possibilidades foi aliviando o fardo das minhas costas e, por fim, todos me carregaram no colo.

Pode ter certeza, os amigos existem, na hora certa.A eles, muito obrigada !

Abigail Costa é jornalista e as quintas-feiras revela-se aqui no blog.