Avalanche Tricolor: eu aposto!

 

Flamengo 2×0 Grêmio
1a Liga – Mané Garricha/Brasília

 

32371971410_1cd7b5e25b_z

Miller Bolaños pode ser a solução (foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA FLICKR)

 

Vamos combinar: você não levou este jogo de hoje muito a sério. Só mesmo meu amigo Juca Kfouri, para esquentar a partida desta noite, em Brasilia. No comentário feito no Jornal da CBN logo cedo, deixou no ar uma aposta: vitória do Grêmio ou empate eram meus; vitória do Flamengo, era dele. Estava de brincadeira, é lógico, pois assim como eu, você e toda a torcida do Flamengo sabíamos, a tal 1a Liga ainda não pegou. E parece que não vai pegar, pois os próprios clubes que a criaram estão revendo sua realização. Nossa aposta não valeria um tostão furado.

 

O Grêmio levou o time reserva para a capital federal. Perdão, o politicamente correto prefere chamar de time alternativo. Time e técnico alternativos. Nem mesmo Renato viajou. Preferiu permanecer em Porto Alegre trabalhando com os titulares e preparando a equipe para domingo quando enfrentaremos o Passo Fundo, na Arena.

 

Sabemos que nestes dois primeiros meses da temporada o foco é o Campeonato Gaúcho. Afinal, tá mais do que na hora de voltarmos a ganhar a competição estadual. A 1a. Liga, sem trocadilho, está em 2o. plano. Portanto, não dava para esperar nada muito melhor do que assistimos.

 

Tudo bem, a defesa poderia estar um pouco mais arrumada, a marcação na entrada da área mais firme, nossos zagueiros e goleiro mais seguros. A turma do meio para a frente bem que ajudaria se acertasse mais passes. Sem contar a falta de entrosamento que superava todo o esforço do pessoal para chegar ao gol adversário. Até criamos algum perigo, mas insuficiente para a vitória ou mesmo o empate, resultados que me levariam a vencer a aposta (fria) feita pelo Juca.

 

O que não estava nas nossas previsões, nem na minha nem nas do Juca, era o incidente que haveria de ocorrer durante os treinos em Porto Alegre: a lesão que deixará o maestro Douglas afastado do gramado por seis meses. Essa sim não é brincadeira. Nosso 10 foi genial na conquista da Copa do Brasil e seria essencial para o Gaúcho e a Libertadores. Não existe à disposição no futebol brasileiro jogador com o talento e a experiência dele.

 

A solução dependerá da criatividade de Renato e da audácia da diretoria em buscar alguém capaz de substituir Douglas. Ou então contarmos com aquelas peças que o destino nos reserva. Diante da perda do Maestro, da preocupação da comissão técnica e do lamento da torcida, quem sabe não descobriremos em casa o novo protagonista para comandar a equipe dentro de campo: Miller Bolaños.

 

Da mesma forma que o destino ofereceu a ele a oportunidade de marcar o gol do título da Copa do Brasil, no fim do ano passado – em um dos poucos bons momentos do equatoriano na temporada -, por que não pensar que a história lhe oferece uma missão especial neste primeiro semestre de 2017?

 

Em Miller Bolaños, eu aposto!

Avalanche Tricolor: melhor recepção impossível!

 

Grêmio 1×0 São Paulo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

28445298381_44c22c56d6_z

Douglas e cia festejam gol da vitória, em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Cheguei há pouco a São Paulo. As férias estão terminando. Em dois dias estarei de volta ao trabalho. Reservei o domingo para colocar o fuso horário no eixo, depois de duas semanas com o corpo e a mente “rodando” cinco horas à frente. Fui muito bem recebido em casa, onde Bocelli, o Gato, me deu as boas vindas com um miado alto e forte como se reclamasse de saudades pelo tempo afastado.

 

Fui melhor ainda recebido pelo Grêmio, que mexeu no time para se adaptar as negociações e convocações. Na escalação, algumas surpresas para o torcedor como a preferência de Roger por Negueba para substituir Giuliano. E Roger fez certo. Nosso novo meio-campo foi apontado como um dos destaques da partida.

 

Soube de fonte segura que até meu amigo Teco Medina, são paulino de coração, bateu palmas para ele ao fim do jogo.

 

No time que me deu as boas vindas, tinha também, a confirmação de Jaílson, em lugar de Walace, para formar a dupla de volantes com Maicon, e de Miller Bolaños ocupando o espaço de Luan. Os dois cumpriram muito bem o seu papel, com Miller tendo sido fundamental para a vitória e mostrando que está pronto para reassumir a posição de titular, após convocações, lesões e complicações.

 

Neste meu retorno ao Brasil, o adversário era tradicional e histórico, e mesmo que tenha tropeçado aqui e acolá, nesta temporada, é sempre perigoso. Até agora não o havíamos vencido na Arena, nas quatro partidas até então disputadas.

 

Bem que o goleiro deles se esforçou para manter a escrita. Saltou pra cá, saltou pra lá. Defendeu com uma mão, com as duas, e quando não dava para alcançar a bola, deve ter cruzados os dedos, pois ela teimava em não entrar.

 

Do outro lado do campo, Marcelo Grohe assistiu ao jogo sem qualquer esforço. Na única vez em que o perigo parecia próximo, Geromel surgiu para despachar para escanteio. Aliás, nosso zagueiro segue encantando o torcedor.

 

Na defesa, fiquei muito feliz ainda com a maneira como fui recepcionado por Edílson, para quem o adversário torce o nariz, mas que dá conta do recado e com toques de picardia.

 

Soube das mesmas fontes anteriores que Teco Medina quer ganhar de aniversário uma camisa autografada pelo nosso lateral direito. Se não tiver a dele, pode ser a do Douglas. Apesar de que a deste, guardaria comigo na coleção que estou reconstruindo.

 

A camisa 10 tem sido vestida com genialidade por Douglas. No meio de campo, ele distribui o jogo com qualidade invejável, tem um passe refinado e facilita a vida de seus companheiros como nenhum outro em campo. No jogo de hoje, deu uma sequência de passes, no segundo tempo, que merecia o replay (mas o pessoal da TV prefere repetir pontapés e encontrões). Não bastasse o talento, Douglas tem se consagrado como reboteiro e marcado gols como o deste domingo, semelhante ao que já havia feito contra Santos, Cruzeiro e Inter. Mereceu todas as palmas recebidas quando deixou o gramado (inclusive as do Teco).

 

O Grêmio jogou muito melhor, quebrou um tabu na Arena, venceu um clássico e ficou apenas a dois pontos da liderança do Campeonato Brasileiro, após 16 partidas disputadas. Ainda por cima, tive o direito de brincar com meu grande amigo e colega de trabalho Teco Medina (aquele que sempre acha que eu tiro mais férias do que mereço).

 

Melhor recepção impossível!

Avalanche Tricolor: fizemos a lição de casa com elegância e muito frio

 

Grêmio 2×0 Cruzeiro
Brasileiro – Arena Grêmio

 

27706981701_7edef63708_z

Douglas comemora com o time o segundo gol, em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Um jogo de aparente tranquilidade no qual a bola esteve quase sempre sob nosso domínio. E quando não esteve, foi logo recuperada por uma marcação eficiente que impediu riscos de gol.

 

Até demoramos para chutar, mas quando o fizemos fomos definitivos, como no fim do primeiro tempo no cabeceio de Luan que abriu o placar após cruzamento preciso de Everton, em jogada, aliás, iniciada pelo próprio Luan.

 

No segundo tempo, sequer foi preciso aquecer muito, pois aos seis minutos já havíamos ampliado para 2 a 0 após mais uma jogada de muito talento com a participação de Luan e conclusão de Douglas, também de cabeça.

 

Até a sorte esteve ao nosso lado, pois o pênalti marcado com atraso pelo árbitro, na rara oportunidade de gol do adversário, foi para fora.

 

Com a vitória na mão, a troca de passe foi ainda mais segura sem jamais perder a elegância. O torcedor deu-se até o direito de ensaiar um olé … fazia tempo que não ouvia este grito.

 

Com todo o respeito que o adversário e sua tradição merecem, nesta noite de domingo o maior desafio foi enfrentar o clima. O termômetro marcou de seis a sete graus celsius e uma forte névoa embaçou a imagem durante todo o jogo.

 

E foi o frio, pelo que pude perceber, que impactou a condição física de nossos jogadores e nos levou a perder Geromel, Walace e Michael, todos lesionados e jogadores que podem fazer muita falta nas próximas partidas, especialmente em um momento no qual estamos beirando a liderança.

 

A despeito das lesões, o importante é que fizemos a lição de casa e seguimos na briga pelo título do Brasileiro.

Avalanche Tricolor: vitória deixa o Grêmio na briga pelo título

 

Atlético(PR) 1×2 Grêmio
Brasileiro – Couto Pereira/Curitiba

 

Time comemora o gol da vitória em Curitiba (foto Portal Grêmio.net)

Time comemora o gol da vitória em Curitiba (foto Portal Grêmio.net)

 

Dos gremistas que andam por São Paulo, é o Sílvio quem compartilha comigo as percepções sobre o Grêmio com mais frequência. Praticamente toda a semana trocamos telefonema para falar de nosso time, em geral nos dias que antecedem a partida e, com certeza, no dia seguinte. Hoje não foi diferente, e quando o Sílvio me ligou querendo saber o que seria desta noite, em Curitiba, não tive dúvida em dizer que era o jogo definitivo.

 

Explico porque resposta tão drástica (ou definitiva): depois de duas partidas sem vitória, de vermos o líder do campeonato se distanciar e, principalmente, os demais concorrentes à vaga para Libertadores se aproximarem, teríamos pela frente duas disputas fora de casa. Vencer, hoje, poderia não nos deixar mais próximo do topo, mas nos manteria na briga do título, fora do alcance daqueles que vêm logo atrás e, fundamentalmente, dentro da Libertadores. Perder ou empatar, além de revelar uma fragilidade que ainda não havia se revelado desde a chegada de Roger, passaria a se ver ameaçado por uma quantidade grande de times que vêm reagindo nas últimas rodadas.

 

O que vimos no Couto Pereira foi a manutenção de um futebol que tem sido jogado desde que Roger assumiu o Grêmio. Até tivemos momentos de baixa produção neste campeonato, mas o tipo de jogo imposto pela nova gestão se manteve durante toda a competição: intensa troca de passe e movimentação de jogadores, além de marcação eficiente desde a área adversária. Isso se repetiu nesta noite, mesmo diante da forte pressão. Até poderíamos ter ficado mais tempo com a bola no pé, mas houve um ingrediente que me chamou atenção e agradou muito: privilegiamos o passe para frente em detrimento do recuo de bola. Isso faz com que o time se torne mais ofensivo ainda e fique mais perto do gol.

 

Os dois gols que assistimos foram resultado do mesmo tipo de jogo. Deslocamento de jogadores com troca de posição constante, confundindo a marcação, e passes precisos que deixaram nossos atacantes na cara do gol. Tudo isso se somou a categoria e a tranquilidade com que Douglas e Luan concluíram as duas jogadas fatais.

 

Em resumo: estamos na briga!

Avalanche Tricolor: faltam seis pontos para chegar ao topo

 

Grêmio 2×1 Goiás
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Everton comemora o gol da vitória contra o Goiás (foto do álbum do Grêmio Oficial, no Flickr)

Everton comemora o gol da vitória contra o Goiás (foto do álbum do Grêmio Oficial, no Flickr)

 

Só faltam seis….sim, é isso mesmo, só faltam seis pontos para chegar ao topo.

 

Não, você não está enganado, não! Eu comecei mesmo a contagem regressiva para alcançar a liderança do Campeonato Brasileiro. É provável que você, caro e raro leitor desta Avalanche, estranhe esta minha abordagem. Logo eu, sempre tão comedido, cuidadoso com as palavras, jamais querendo colocar a carroça na frente dos bois – como costumavam dizer antigamente -, estou aqui fazendo projeções tão otimistas?

 

Sei que pode parecer estranho e arriscado, diante do tamanho do desafio e da força dos adversários que disputam o título, mas a partida desta tarde de domingo, teve elementos que me proporcionaram esta confiança.

 

Comecemos pelo fato de que eram oito pontos de diferença do líder antes de a partida se iniciar. Apenas nossa vitória não seria suficiente para nos aproximar do topo da tabela de classificação. Havia a necessidade de os adversários, que continuo tratando com o merecido respeito, cederem dois ou três pontos para a contagem começar. E deu certo. Talvez por linhas tortas, é verdade. Mas foram essas mal traçadas linhas em campo que me trouxeram tal confiança.

 

Hoje, encarávamos mais um daqueles times que estão na categoria “touca” do Grêmio. Confesso desconhecer a origem da palavra, mas imagino que venha da expressão “marcar touca” que significa bobear diante de uma situação qualquer. No futebol, “touca” são aqueles times que, por uma razão não muito bem justificada, costumam ser difíceis de vencer. É sempre contra eles que bobeamos.

 

Para não desmerecer o título que carrega, o adversário, contra toda a lógica da partida, na qual o Grêmio tinha mais de 70% da posse de bola, jogava no ataque, tinha um pênalti à sua disposição e vantagem numérica em campo, graças a expulsão do zagueiro oponente, conseguiu se safar de um gol, com a cobrança de Douglas no poste, e, na segunda jogada de ataque em todo o primeiro tempo, marcar o seu de cabeça. Só mesmo o futebol e seus deuses alucinados para explicar essas distorções. Convenhamos que sequer podemos reclamar deles – os deuses -, pois os mesmos já conspiraram muitas vezes a nosso favor.

 

Em campo, estavam todos os elementos indispensáveis para as coisas darem errado ao tricolor. O histórico contra o adversário era apenas um deles. O pênalti desperdiçado e o gol tomado estavam ali, também, para ajudar a construir esse drama. Bem antes disso, no vestiário, Roger já havia tido a necessidade de montar uma equipe com muitos desfalques e alguns imprescindíveis, que começavam no gol, passavam de forma cruel por dentro da nossa área e se estenderiam até o comando do ataque com nosso goleador e craque Luan mais uma vez cedido para jogar sei-lá-o-que e por sei-lá-quem.

 

A retranca justificável que viríamos a enfrentar no segundo tempo apenas tornaria mais complicada nossa tarefa, pois a falta de espaço atrapalha o toque de bola e impede que o nosso jogo se desenvolva com naturalidade. Quando os times se fecham muito, o ideal é ter um atacante fincado lá na frente a espera de uma espirrada de bola. E nós não o temos.

 

Foi, então, que minha esperança começou a surgir de maneira mais concreta. Pois ficou claro que Roger pediu paciência aos nossos jogadores. Insistiu para que eles não desistissem de jogar como têm jogado desde que ele assumiu o comando da equipe, aliás contra este mesmo adversário, no primeiro turno, quando, só pra justificar o título de “touca”, lembro agora, empatamos.

 

Seguimos mantendo o domínio da bola e acelerando o passe para dar velocidade ao jogo na expectativa de uma brecha para chutar. E não esperamos mais de seis minutos para que isso acontecesse, em jogada que se iniciou na nossa defesa e com uma visão incrível de jogo do zagueiro Geromel – que baita zagueiro, amigo! – que encontrou Everton partindo para o ataque isolado no meio de campo, que viu Bobô se deslocando para a ponta esquerda, de onde cruzou para encontrar Douglas dentro da área. Nosso maestro precisou de apenas um toque para desviar a bola e fazer aquilo que não havia conseguido na cobrança de pênalti.

 

O gol de empate não seria suficiente para tirar a “touca” do caminho e ainda fez o adversário fechar-se mais, o que exigiu nova dose de paciência e muitos passes trocados até encontrar outras oportunidades de gol. Uma foi para fora, a outra ficou perdida entre os zagueiros e houve uma em que o goleiro teve de fazer um milagre.

 

Coincidência ou não, a jogada do segundo gol se iniciou novamente na defesa, desta vez no desarme de Willian Schuster que substituíra o combalido Maicon. Passou pelos pés de Giuliano, Douglas e Yuri Mamute antes de se apresentar para Everton, que, mesmo com o ângulo fechado, conseguiu encontrar um espaço entre as pernas do goleiro adversário e o travessão, onde a bola se chocou antes de entrar. Iria para fora em outros tempo. Desta vez, não!

 

Com os três pontos retomados, restou-nos fazer a bola correr de pé em pé para reduzir o risco de uma nova surpresa. Verdade que ainda passaríamos por um grande susto que me parece ter ocorrido apenas para que pudéssemos ver o nosso goleiro Tiago se redimir das saídas desvairadas que costuma dar sempre que a bola é cruzada na área. Fez uma defesa que mereceu comemoração de punhos cerrados, os dele e os meus.

 

O time mostrou maturidade apesar de todas as mudanças na escalação e adversidades que nós próprios construímos. Superou o histórico e suas fragilidades. Venceu nosso ceticismo e espantou a assombração desta “touca” em momento oportuno.

 

Só faltam seis pontos para chegarmos ao topo.

 

PS: por falar em contagem regressiva,alguém sabe quantos jogos faltam para Erazo voltar?

Avalanche Tricolor: quanto mais treina, mais sorte o Grêmio tem

 

Coritiba 0 x 1 Grêmio
Copa do Brasil – Couto Pereira (PR)

 

Marcelo Oliveira em imagem reproduzida da transmissão da SporTV

Marcelo Oliveira em imagem reproduzida da transmissão da SporTV

 

Ouve-se cada coisa no futebol. Algumas explicam bem o que acontece dentro de campo, outras se distanciam da realidade. A primeira história que lembro nesta Avalanche, aliás, sequer do futebol é, faz parte do folclore do esporte mundial. O protagonista teria sido Michael Jordan, astro do basquete americano, que, consta, falou, certa vez, que quanto mais treina, mais sorte tem no esporte. Teria dito assim – e falo no condicional porque nunca vi a afirmação de fonte oficial – para chamar a atenção para a importância de treinar exaustivamente arremessos à longa distância, o que o levava acertar bolas consideradas impossíveis. Lance de sorte, comentavam alguns. Muito treino, ensinava Jordan.

 

Outra história, bem mais antiga, que lembrei hoje, é de Neném Prancha, roupeiro, massagista e técnico de futebol, chamado pelo jornalista Armando Nogueira de o ‘Filósofo do Futebol” devido as suas frases engraçadas e definitivas. Uma delas surgiu quando tentava ensinar um jogador qualquer a tocar a bola para seus companheiros em lugar de despachá-la de qualquer maneira: “bola tem que ser rasteira, porque o couro vem da vaca e a vaca gosta de grama”. Na verdade, há quem diga que a frase nunca foi proferida por ele, mas criada por jornalistas que o admiravam. Seja qual for a verdade, o certo é que entrou para a história como sendo de sua autoria.

 

E você, caro e raro leitor deste blog, deve estar me perguntando por que abro esta Avalanche com lembranças do passado se a ideia é falarmos sobre a presente vitória gremista em gramados da Copa do Brasil? Porque as duas histórias me vieram à lembrança enquanto assistia ao Grêmio vencer, fora de casa, a primeira partida das oitavas-de-final da competição.

 

Apesar de o mau desempenho, a dificuldade para nos encontrarmos em campo e a pressão do adversário desesperado atrás de um gol no primeiro tempo, tivemos a sorte de irmos para o intervalo com o empate em zero a zero.
Mais uma vez, foi lá no vestiário que Roger acertou os ponteiros do time, literalmente. Trocou Rocha por Fernandinho, jogadores que atuam como antigamente faziam os ponteiros esquerdos, esses que o tempo aboliu, disparando com dribles pelo lado do campo. E essa troca fez uma baita diferença (aliás, mais uma vez). Que sorte que o Roger fez a mudança, não?

 

Nossa sorte voltou a prevalecer no segundo tempo, assim como a lição de Neném Prancha, pois resolvemos colocar a bola no chão e fazê-la girar com velocidade e precisão, marca deste time armado por Roger. Foi em uma dessas trocas de passe, seguindo a risca o ensinamento do “Filósofo”, que Douglas encontrou Marcelo Oliveira chegando livre, sem marcação e com espaço para disparar um bomba, que resultou no primeiro, único e necessário gol da partida. Pegou bem no pé e colocou a bola distante do goleiro. Um lance de sorte, dirão alguns. Resultado de muito treino, lembrará Oliveira.

 

Por falar em coisas que ouvimos no futebol. Hoje, acompanhei o bate-papo de meus colegas de rádio CBN, Juca Kfouri e Roberto Nonato, no Jornal da CBN 2a. Edição. O primeiro apostou na vitória do Coritiba e o segundo, no empate. Ambos concordaram com a ideia de que o time paranaense teria mais chances por seu bom histórico na Copa do Brasil e a necessidade de se recuperar do fraco desempenho no Campeonato Brasileiro. Erraram os dois, talvez porque ainda não tenham percebido que o Grêmio não segue a lógica do futebol (como, aliás, já escrevi em Avalanches anteriores). Diríamos que o Grêmio é um time de sorte, principalmente quando entende que a “bola tem que ser rasteira, porque o couro vem da vaca e a vaca gosta de grama”.

Avalanche Tricolor: o Grêmio é candidato ao título do Campeonato Brasileiro

 

 

Atlético MG 0 x 2 Grêmio
Brasileiro – Mineirão (BH)

 

 

Douglas

 

 

 

Escrevo o início deste texto muito antes de o jogo se encerrar, portanto não tenho como saber o resultado final. E o faço não devido ao horário em que a partida vai terminar, que beira o proibitivo para quem, como eu, acorda às 4 da matina. Mas fique tranquilo, caro e raro leitor desta Avalanche, não vou desperdiçar, hoje, meu tempo com a velha ladainha da incompatibilidade entre a minha agenda de torcedor e a de trabalhador. Estou aqui, cedo, ainda no intervalo, porque não me contive de satisfação com o que assisti nesse primeiro tempo de jogo, em especial ao gol que abriu o placar. A jogada se iniciou com a bola roubada pela nossa defesa na linha de fundo, lance seguido de uma sequência de passes. A moça da TV falou em dez toques, confesso que contei pelo menos 17 na repetição. Isto é o que menos importa. O impressionante na jogada foram os passes, as escolhas certeiras e rápidas que os jogadores fizeram no momento de tocar a bola e procurar seu companheiro mais bem colocado. Não houve desespero, apesar da competente marcação adversária. Não houve chutão para contar com a sorte e chegar logo no ataque. Houve precisão, confiança, velocidade e excelente articulação com os jogadores se movimentando como se fizessem parte de uma coreografia muito bem ensaiada. E, claro, houve a conclusão forte de Douglas no gol.

 

 

Comecei a escrever esta Avalanche sem saber o fim da história, mas o fiz com a convicção de que, independentemente do resultado, temos um grande time se formando. Um time pelo qual temos o prazer de torcer. E o início do segundo tempo não me desmentiu. O Grêmio foi maduro, apesar da juventude de seus jogadores. Voltou a colocar a bola no chão, trocar passe e, assim, descobriu o caminho para o segundo e decisivo gol. Novamente com a velocidade e precisão que o futebol moderno exige.

 

 

Apesar da vitória, nada estava resolvido enquanto o apito final não soasse – e como demorou para soar. Diante de um adversário que merece respeito e, empurrado pela sua torcida, é incapaz de desistir, tínhamos de ser fortes o suficiente para resistir. E o fizemos com outro talento que tem se sobressaído nos últimos jogos, a nossa defesa. De Grohe já se esperava muito mesmo. É um grande goleiro. A dupla de área foi soberana por cima e por baixo. E o restante do time voltou, marcou, lutou e se fez grande.

 

 

Assim como escrevi, convicto, o primeiro parágrafo deste texto, a despeito do resultado final, o faço agora para concluir meu pensamento, nesta Avalanche: o Grêmio é, sim, candidato ao título brasileiro.

Avalanche Tricolor: estamos na final!

 

Grêmio 2 x 1 Juventude
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

17190804061_6939bb9934_z

 

Há um toque de bola que me agrada neste time do Grêmio. Passes vão e vem, e se for preciso voltam para a defesa para chegar ao ataque novamente. A cada passe, movimenta-se um companheiro, movimentam-se dois, às vezes três. Todos os demais com olhos atentos ao que vai acontecer. Mudam de posição e a bola corre no gramado de pé em pé até encontrarem espaço entre os marcadores. Quando estes não aparecem, os produzimos.

 

Foi assim no primeiro gol, contra um fechado e bem armado adversário.

 

Giuliano, que tem sido essencial nesta temporada, carregou a bola com seu pé direito e com o jogo do corpo desvencilhou-se do primeiro, enfrentou o segundo e tocou para seu inseparável companheiro marcar. Giuliano e Luan têm formado ótima parceria e se dão muito bem com Douglas. Os três são os principais responsáveis por este toque refinado que me agrada tanto.

 

Luan segue com seu jeito “meio sem jeito”. Parece tímido, mesmo quando bate boca com seu agressor. Tenho a impressão de que corre desengonçado, mas se corre desse jeito é para driblar quem tenta lhe roubar a bola. Gostaria de vê-lo com chutes mais decisivos, fortes, matadores. O que pode parecer uma injusta cobrança diante do fato dele ser um dos goleadores da temporada.

 

Douglas é outro “come-quieto”. Executa até carrinho se for necessário. Mas é craque mesmo em colocar os companheiros bem posicionados. Sem contar sua especial forma de cobrar escanteios (alguém sabe me explicar qual a intenção da jogada ensaiada que testamos na partida de hoje?).

 

Foi assim no segundo gol, que, convenhamos, colocou ordem nas coisas, pois, pelo que jogamos, não merecíamos outro resultado que não fosse a vitória.

 

Além da excelente cobrança, com bola colocada pouco à frente da marca do pênalti, méritos para Geromel que subiu muito mais alto do que todos e cabeceou com força e distante do goleiro. Nosso zagueiro devia estar engasgado com o cruzamento que não havia conseguido cortar, no fim do primeiro tempo e resultou no gol de empate deles. O Camisa 3 foi decisivo mais uma vez, como já havia sido nas quartas-de-final, não bastasse a maneira segura com que atua ao lado de Rhodolfo na defesa.

 

Nossa defesa bem posicionada e nossos homens de meio de campo trocando passes com precisão podem desequilibrar na decisão do Campeonato Gaúcho, independentemente de quem seja o adversário. Aproveito para deixar meu voto de confiança em Braian Rodriguez que, gosto de pensar assim, está reservando seus gols para quando mais precisarmos deles: na final. Por que nós já estamos lá!

 

PS: sem saber o que disseram os médicos após o jogo, acredito que Mamute é muito mais forte do que as previsões.

 


A foto que ilustra este post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: a alegria do gol

 

Grêmio 3 x 1 Caxias
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

Gremio_Fotor_Collage

 

Foram quatro gols na partida do fim deste sábado. Claro que vou me dedicar aos três que tiveram nossa marca – apesar de o deles também ter tido, mas, convenhamos, hoje não é dia de choradeira. Vamos ao que interessa e nos dá alegria.

 

O primeiro foi especial não apenas pela maneira como ocorreu: gol Olímpico para marcar a retomada das vitória na Arena. Mais do que um jogo de palavras, a importância do gol de Douglas se dá por ter acontecido quando a impaciência já tomava conta de parte das arquibancadas. E do time, também, pois, diante de mais um ferrolho, encontrava dificuldade até mesmo para chutar. Alegra-me saber que voltamos a ter a possibilidade de marcarmos do que, erradamente, batizou-se no futebol como sendo “gol de bola parada”. É jogada que precisa ser treinada e bem aproveitada, especialmente porque retrancas serão encaradas no Campeonato Gaúcho e nas primeiras rodadas da Copa do Brasil. Estávamos precisando incluir estes lances em nosso cardápio. Ainda estamos devendo na cobrança de falta.

 

O segundo resultou da marcação forte que vem se tentando fazer ainda no campo do adversário. No clássico da semana passada foi o que nos deu vantagem em parte do jogo, e hoje foi o que levou Marcelo Oliveira a roubar a bola e permitir o contra-ataque. A velocidade até a área e o chute forte de Everaldo, que havia entrado fazia pouco tempo, permitiram que Marcelo Oliveira concluísse em gol. O sorriso no rosto do polivalente volante foi a imagem mais marcante da partida na minha opinião. Andava cansado de ver aquelas caras fechadas e testas franzidas de preocupação; ou a indiferença nas comemorações, resumidas a algumas trocas de abraços e nenhum afago para a torcida. A felicidade de Oliveira mostra bem o quanto ele está engajado na ideia de dar a nós gremistas novas alegrias.

 

O terceiro veio na hora certa (se é que existe hora errada para marcar gol)! E nos pés do cara certo, também. Yuri Mamute é promessa já faz algum tempo. Faz gols com a camisa da seleção e gols nas categorias de base. No time principal, porém, ficávamos apenas na expectativa de vê-lo explodir em campo um dia. Domingo passado, se saiu bem, mas não foi além disso. Hoje, explodiu mesmo e com aquela massa muscular que se destaca saiu em disparada para o ataque sendo caçado pelo marcador. Por mais que fosse empurrado e chutado, não perdeu o controle da bola nem mesmo diante do goleiro. Teve calma para driblar e encontrar o espaço preciso. Foi comemorar nos braços da torcida e nos deu o direito de sorrir mais uma vez no Campeonato Gaúcho.

 

Se Mamute merecia este gol pelo esforço que faz em campo sempre que veste a camisa tricolor, nós, também merecíamos a alegria desta vitória. A alegria que só a repetição de gols como os deste sábado à noite é capaz de nos oferecer.

 

As fotos deste post são do álbum do Grêmio Oficial no Flickr

Avalanche Tricolor: Na chuva, no barro e histórica

 

Santos 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro

No futebol quando o time perde vai para o brejo, se o jogador tem talento dá o drible da vaca e quando despacha a bola manda para o mato porque o jogo é de campeonato. Se a partida está ruim, dizem que é de várzea. Mato, brejo, várzea e vacas nos acompanharam no encharcado que se transformou a Vila Belmiro após dias seguidos de chuva forte em parte do Estado de São Paulo. Jogadores torciam a camisa para tirar o excesso de água, a grama foi ficando marrom do barro que subia a cada passada e a bola, pobre dela, era empurrada para frente do jeito que dava. A estatística na televisão mostrou a certa altura que as duas equipes haviam errado 70 passes sem que os 90 minutos tivessem se encerrado. Deveriam informar quantos foram os certos.

Se a chuva não para, o campo encharca e o barro aparece, azar dos outros. Para quem cresceu jogando nos gramados do interior gaúcho estes são desafios que se aprende a superar quando pequeno. Se a bola não quer entrar na primeira, empurrasse para dentro do gol na segunda, como no pênalti não convertido por Douglas e concluído por Escudero, este argentino que dribla os esteriótipos ao jogar calado, concentrado e disposto a aparecer apenas com o seu talento (repito aqui definição publicada em Avalanche anterior).

A vitória histórica – a primeira em um Campeonato Brasileiro na Vila – renova minha esperança, mesmo que o futebol jogado não tenha sido lá estas coisas. Mas ver Fernando dando um carrinho dentro da área para impedir o gol adversário, como ocorreu quando ainda estava 0 a 0, me entusiasma. Olhar a tabela de classificação e ver que saltamos dois postos neste fim de semana, me instiga pensamentos maliciosos. Ler como li em reportagens pós-jogo que o Grêmio ainda tem chances remotas de chegar a Libertadores e saber que a turma lá de cima se digladia como louca, me faz pensar. Será que ainda dá ? Não sei, não. Mas se continuar a chover deste jeito, quem sabe isto não acabe em uma incrível Avalanche Tricolor.