Demanda reprimida e esquecida, em São Paulo

Por Carlos Magno Gibrail

Cidadãos urbanos atentos, observamos nas grandes cidades como São Paulo – 11 milhões de habitantes, 6 milhões de automóveis, 6 milhões de passageiros transportados diariamente – obras civis pontuais serem executadas, como pontes , viadutos e ampliações de avenidas, sem trazer resultados esperados. Ou seja, a fluidez buscada não acontece.

Aparentemente é uma questão de geografia ou geometria, quando se percebe apenas um deslocamento de gargalos. Exatamente isto, quantias substanciais investidas e o resultado é apenas uma transferência de gargalos no trânsito de veículos.

E em alguns casos parece que o congestionamento aumenta. O que acontece é a questão da demanda reprimida, que, represada, não surgia antes das novas obras.

Depois de construídas, pontes, viadutos e avenidas, passam a ser utilizadas por pessoas que começam a usá-las ocupando espaços que antes não ocupavam.

É o que os economistas chamam de “Demanda Reprimida”.

“Em economia, Demanda ou Procura é a quantidade de um bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir por um preço definido em um dado mercado, durante uma unidade de tempo”.Wikipédia

É parte da lei da oferta e procura, que pode estar inserida num mercado de concorrência perfeita, imperfeita, oligopolista ou monopolista.

Cuja demanda, perfeita, elástica ou inelástica, pode estar reprimida por procura ou oferta.

A identificação da demanda reprimida é recomendável em todos os setores, públicos ou privados, bens ou serviços, antes que apareça de surpresa. O plano cruzado foi um dos momentos em que a demanda reprimida liberada não encontrou a oferta necessária de bens e serviços.

O contemporâneo Twitter que dá quase 3 milhões de seguidores para Britney Spears e quase 2 milhões para Obama , certamente represa quantidade significativa de usuários brasileiros por falta de procura com capacidade financeira.

Para as obras públicas na capital paulistana certamente não estão incluindo nos estudos a demanda reprimida potencial.

Na Marginal Tietê será construída uma nova pista com 23 km de extensão e três faixas de cada lado da marginal, além de quatro pontes e três viadutos ao longo da via. O investimento será de R$ 1,3 bilhão.

O governo acredita que, haverá uma redução no tempo gasto em congestionamentos na marginal em 35%. Segundo cálculos apresentados no projeto, a Marginal Tietê apresenta filas de 30 km, em média, nos horários de pico, 25% do total na cidade. O desperdício de tempo é de 1,7 milhões de horas/ano e o de combustível, 1,5 milhões de litros/ano.

A Prefeitura de São Paulo, no dia 5, declarou de utilidade pública duas áreas na região do Butantã, para atender ao projeto de ampliação do Túnel Jânio Quadros.

Uma das áreas tem 2.546 metros quadrados e a outra, 1.420 metros quadrados. A obra prevê a construção de uma interligação da Avenida Lineu de Paula Machado por intermédio de um túnel que se unirá ao Túnel Sebastião Camargo, antes da travessia do Rio Pinheiros.

Uma boa comparação com o represamento de água pode elucidar a crucial questão do trânsito em SP Cap.

Para esgotarmos a água numa represa cheia abrindo orifícios e fazendo canais, sempre teremos estes canais cheios d’água. É o que acontece com as vias acrescidas através de obras como as do Tietê ou do Túnel Jânio Quadros. Os veículos “represados” ocuparão todos os espaços novos.

Alguma dúvida que isso irá acontecer?

Ou os 35% de melhoria que Serra e Kassab, economistas renomados acreditam?

Acreditam?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas escreve no Blog do Milton Jung, sempre disposto a congestionar este espaço de boas ideias.

Dinheiro na mão é solução…

Por Carlos Magno Girbail

Imagem do álbum de Andyzeo, no Flickr

Há três décadas o cartão de crédito veio de meio dígito de participação no comércio de bens e serviços para mais de 70% nos dias de hoje. Tal expansão em um mercado livre deveria ter gerado aumento de empresas do setor. A reação foi inversamente proporcional: extraordinário crescimento da demanda e redução das empresas fornecedoras.

Fenômeno mundial encontrou no Brasil solo fértil e propício para anomalias econômicas. Cartéis, oligopólios e monopólios já existentes devem ter inspirado Visanet e Redecard a deter 92% do mercado no segmento de crédito e 95% no débito.

Paulo Sant’Ana,  gaúcho  e jornalista , dentro de um oligopólio da comunicação, já em 1993 denunciava :“País do cartel. Tudo está cartelizado, o leite, o pão, o cigarro, a cerveja, o remédio, ai de quem ferir os preços uniformes quando os produtores são múltiplos; quando não o são, pobres dos que se sentem impotentes para enfrentar os monopólios. E os agentes desta verdadeira exploração que são os preços únicos só falam em liberdade mas só pensam em dinheiro…. Que economia de mercado é esta? Que país é este? Mas será que não estão vendo que isto tudo vai ter que explodir?”

O cartel do cimento já tem décadas. Investigação do Ministério da Justiça (Secretaria de Direito Econômico, Advogacia-Geral da União e Polícia Federal) demonstrou tentáculos do acordo entre Votorantin, Camargo Corrêa, Cimpor, Lafarge, Holcim, Itabira, Soelcom, Itambé, etc. www.crimesdocolarinhobranco.adv.br/livro

O mercado para os cartões de crédito ficou tão grande e a oferta tão concentrada que o governo vai fazer uma ofensiva para desmontar o oligopólio existente, detectado por amplo diagnóstico do setor, feito pelo Banco Central (BC), Secretaria de Direito Econômico (SDE) e Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE).

“Com lucratividade muito acima da média praticada na economia brasileira, o ganho do setor de cartões de crédito supera o do sistema financeiro. Em sua ofensiva contra o que considera oligopólio no mercado de cartões de crédito, o governo tentará convencer os acionistas de Visanet e Redecard a que eles próprios tomem a iniciativa de se desfazer de dois dos três negócios que controlam no mercado. Se a estratégia não funcionar, a Secretaria de Direito Econômico deverá denunciar, por prática monopolista, os contratos de exclusividade. Visanet e Redecard são credenciadores exclusivos no país das bandeiras Visa e Mastercard, respectivamente. Hoje, as empresas de cartão de crédito controlam todo o processo: credenciamento, fornecimento de terminais de pagamento, captura e processamento de transações, encaminhamento de pedido de autorização e compensação e liquidação”. Valor Econômico.

O senador Adelmir Santana autor de projetos na área de meios de pagamento e também analista de mercado acredita que o executivo vai encampar a tarefa de regulamentar a área. “O setor precisa sofrer uma intervenção do Estado. O mercado de cartões sempre foi auto-regulado, o que favoreceu a existência de taxas excessivas e práticas monopolistas, cuja conta, em última instância, quem paga é o consumidor. Por isso, está carecendo de um marco regulatório que abranja as relações dos cartões com consumidores e empresas comerciais”.

Ganhos exorbitantes ou controles totais do mercado são menos gritantes do que a estratégia que privilegia a maximização em detrimento da otimização. Ou, para falar a linguagem de Porter, dos clusters da Vantagem Competitiva, ignorar incrementos de produtividade, aportes de inovação e estímulo a criação de novas empresas, é no mínimo operar com metas apenas de curto prazo.

O monopólio a longo prazo evidencia menos estímulo ao crescimento do mercado e pode jogar contra o próprio monopolista. No caso brasileiro certamente  míope diante de tanto lucro fácil.

Estamos identificando um crescer de estabelecimentos que oferecem apenas um cartão, o que mesmo convergindo com o cartão do consumidor pode deixá-lo insatisfeito na medida em que prefira usar outro que tenha melhor data de pagamento.

Além disso, operações maiores como Shoppings Centers aderiram ao cartão monopolista, que obriga a posse de dinheiro caso não se possua aquele cartão.

São situações que começam a irritar o consumidor e gerar uma antipatia colocando as operadoras de cartão de crédito iguais aos demais serviços oligopolizados do país.

Dinheiro na mão é solução…    ou vendaval.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, não sai mais de casa sem dinheiro no bolso e escreve às quartas-feiras no Blog do Milton Jung

Substituição tributária encarece produtos

Foi a série de mensagens de pequenos e médios industriais e comerciantes enviada ao CBN São Paulo que nos levou a conversar no programa sobre o sistema de substituição financeira que, desde junho, está implantado, também, no segmento de eletro-eletrônicos do Estado. Semana passada, a Secretaria Estadual da Fazenda criticou o desconhecimento dos contribuintes e negou que haveria aumento no preço dos produtos. Hoje, o CBN SP consultou a pesquisadora do Núcleo de Estudos Fiscais da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, Vanessa Raal Canado. Ela concorda com a susbstituição tributária, vê vantagens para a fiscalização em alguns setores, lembra que o aumento de arrecadação pode levar à queda de impostos mais à frente, mas entende que os preços podem, sim, aumentar.

Ouça a entrevista com Vanessa Raal Canado

Ibirapuera e Faria Lima sem fio

Postes

Desaparecer com a fiação elétrica pode se transformar em avanço tão significativo para a paisagem urbana como o foi a Lei Cidade Limpa. Um passeio pela avenida Paulista comprova esta sensação de bem estar gerada pelo sumiço dos fios que se transformam em impressionantes emaranhados entre um poste e outro. Acordo entre a prefeitura de São Paulo e a Eletropaulo permitirá o enterramento da fiação na avenida Faria Lima e no Parque do Ibirapuera, a partir do 2º semestre deste ano.

A Oscar Freire passou por processo semelhante com prefeitura e comerciantes dividindo os custos do projeto. Desta vez, parte da dívida de mais de R$ 400 mi da prefeitura com a empresa de energia elétrica será usada na iniciativa. De acordo com o diretor executivo da Eletropaulo Roberto Di Nardo, o investimento também vai trazes eficiência energética para escolas públicas do município e túneis da cidade.

Ouça na entrevista com Roberto Di Nardo, Eletropaulo, como serão os projetos

E o Senado não é mais aquele…

Por Carlos Magno Gibrail

Senado e Câmara na imagem de Rafael Lopes

Palmas para ele!

A cláusula que abordaria a questão do IPI para os exportadores, que os interessados não conseguiram incluir na votação na Câmara dos Deputados, também não teve acolhida no Senado.

É o que nos garantiu a assessoria do relator da Medida Provisória 449, senador Francisco Dornelles (PP-RJ), na palavra atenciosa de Ana Paula Azevedo Carvalho.

Afinal de contas estariam envolvidas quantias de R$ 250 bilhões ou R$ 53 bilhões de reais, dependendo do lado, isto é, Governo ou FIESP.

Na Câmara, segundo notícias divulgadas, não houve acordo entre os lobbies e deputados, tal o valor exigido.

E a pretensão da FIESP e de grandes empresas interessadas na liberação dos 15% do IPI devido nas exportações, envolve  significativas empresas de Consultoria.

Como se costuma dizer no pugilismo competitivo, pesos pesados.

E influentes, Belluzzo e Associados e LCA Consultores. Nada menos que o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, notável no meio econômico, além da proximidade com o Presidente Lula e recém agregada no currículo a presidência da Sociedade Esportiva Palmeiras. Outro notável é o economista Luciano Coutinho, ex-Unicamp, ex-LCA e atual presidente do BNDES.

O Diretor de Comércio Exterior da FIESP Roberto Gianetti, baseado nos estudos da Belluzzo Associados e LCA Consultores, contratadas pela entidade, argumenta que a decisão via STF causará grande prejuízo a União ou acarretará a inviabilização de boa parte do setor exportador. Daí a sugestão de acordo no Congresso utilizando o mecanismo da compensação de créditos-prêmios e outros.

O Senado momentaneamente sob a luz dos refletores refugou o assunto, que melhor será tratá-lo no Executivo, embora sua origem venha de 1983. A União corre o risco de assumir um enorme prejuízo se o Executivo não tomar a rédea da negociação, evitando levar ao Poder Judiciário a decisão, ou deixar para os lobistas atuantes na Câmara, que é para onde volta a MPV 449. Além da obrigação de precaver-se da interferência dos “de casa” principalmente os consultores aparentes e ocultos.

Deixar o tempo passar só irá piorar a situação. Rapidez e transparência são ingredientes fundamentais para uma solução justa, neste que é:

“O maior encontro de contas feito na história do país”, de acordo com o próprio Gianetti.

Curioso é que tal quantia em pauta não tivesse cobertura na mídia após a votação no Senado. Não encontrei nenhuma reportagem que trouxesse esta informação da não inclusão na  MPV 449 do caso dos R$ 250 bilhões ou R$ 53 bilhões. Banalizamos os bilhões?

Mas, se a imprensa não informou você pode contatar diretamente o Senado Federal e surpreender-se da facilidade de comunicação e atenção que irá receber. O Senado é 0800 612211; o gabinete do relator, Senador Francisco Dornelles é 61 33034229. Mais fácil que falar com qualquer empresa privada ou prestadora de serviço. E, não há maquinas, apenas pessoas.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e às quartas escreve no Blog do Milton Jung sem nunca perder a noção de quanto vale 1 bilhão

Conheça o trabalho fotográfico de Rafael Lopes

Nome sujo ?

Por Carlos Magno Gibrail

Imagem do album de Jose Luis Duron no Flickr

Zélia Cardoso, momentos antes de aprovação do plano econômico COLLOR DE MELO, dirige-se ao presidente e ressalta que a medida irá impactar toda a população. A ponto de matar cidadãos que estarão para efetuar cirurgias e não mais poderão fazê-las, etc..

O presidente reafirma a decisão, o plano não é micro, detalhes não serão levados em conta. Fica estabelecido um saldo bancário único, inadimplência geral e irrestrita pela proa. O resultado todos lembram, excluindo talvez parte da Câmara.

No mesmo país, numa reunião de diretoria, um consultor chama a atenção da gerência de crédito que está comemorando taxa de 0% de inadimplência. “Se continuarmos assim vamos perder clientes para a concorrência”
Para ter taxa zero cortou-se crédito de clientes que poderiam ter sido atendidos.

Vemos hoje uma mudança acentuada dentro dos condomínios, em função das novas regras para os inadimplentes, que num primeiro momento veio reordenar a relação dos condôminos. Entretanto observamos um crescer de autoritarismo e cerceamento aos moradores. Começa a ser cogitada a proibição do uso das dependências comuns e inclusive do elevador.

Estes excessos iniciam a criação de embaraços jurídicos e sociais.

No sistema bancário e no comércio os lobbies respectivos conseguiram uma informação BBB. Significa que o cidadão que tiver qualquer restrição fica automaticamente impossibilitado de pertencer ao sistema. A informação on line e geral cria uma transparência absoluta, que em princípio previne o atendimento ao mal pagador. Entretanto a falta de crédito leva a impossibilidade de o devedor socorrer-se do sistema para cobrir a dívida existente. Ignora-se o processo natural de cura, que é usar como antídoto o elemento causador do mal. Para sanar é usar o crédito em doses diferentes daquela que originou a anomalia. É assim na ciência natural com as bactérias e com o veneno da cobra.

E como uma pessoa que ficou inadimplente por ter perdido seu emprego, por exemplo, pode recuperar o seu status de bom pagador? Quitando a dívida, é claro. Mas para isso, deverá obviamente arrumar outro emprego. Certo? Para bancos, empresas financeiras e afins, errado. Pois eles não contratam quem está nas listas de pendências financeiras (leia-se Serasa, SNPC, Associações Comerciais).

E como essa pessoa pode proteger o seu patrimônio que restou? Fazendo seguro, certo? Para seguradoras, errado. Elas não fazem seguro para quem está nas listas de inadimplentes, mesmo que estes paguem à vista. É como se um devedor fosse à padaria e ao pedir meia dúzia de pãezinhos pagos a vista e  o padeiro dissesse: para você eu não vendo, pois você tem pendência financeira.

Sorte destes que as padarias ainda não alçaram o mundo das bancadas do Congresso. De 1997 a 2001 funcionou o Cadastro Positivo com o intuito de beneficiar o consumidor adimplente. Não se teve notícia que benefícios de ordem financeira tivessem sido dados. Apenas que uma juíza determinou que fosse avisado pelo Serasa através de carta registrada, o que encarecia o sistema e acarretou o fim.

Michel Temer prioriza a votação do Cadastro Positivo de Consumidores para os próximos dias. Cobrado por Fabio Barbosa, presidente da FEBRABAN, que sinaliza a diminuição da inadimplência e conseqüente queda das taxas de juros.

A PRO TESTE – Associação de consumidores protesta: “A regulamentação de um cadastro de bons pagadores levaria a uma situação discriminatória e, além disso, os bancos já possuem ferramentas necessárias para distinguir os consumidores, como os cadastros negativos. Na prática, funcionará como mais um funil pelo qual passarão ainda menos consumidores”.

É provável que estejamos na mesma situação dos impostos, que os reduzindo teríamos mais adimplentes, ou dos encargos trabalhistas, que se diminuídos os empregos aumentariam, cuja prova recente é a dos estagiários.

A Ciência Econômica ensina que melhor que maximizar é otimizar.Entre buscar extremos e limites, é mais sábio encontrar o equilíbrio. Para homens e máquinas, animais e plantas.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta-feira paga sua dívida com seus leitores aqui no blog, com juros e correção monetária.

Eles não gostam de mulher, e nós pagamos a conta

Onde estão as mulheres ? Pergunta a jornalista Morice Mendoza, da revista alemã Der Spiegel, enquanto acompanha homens engravatados discutindo o estrago que fizeram na economia,  durante o Fórum, em Davos. Se tivesse feito a pergunta aos muitos participantes do encontro não seria surpresa ouvir entre risos que “elas estão gastando o que restou do dinheiro”.

 

Morice deu-se ao trabalho de contar quantas mulheres fazem parte da organização do evento anual, na Suíça. E não precisou muito mais do que as duas mãos para tal. Entre o conselho da fundação e a diretoria do fórum, que tem 32 cargos, há apenas seis mulheres.

 

Ao reproduzir parte da reportagem no Jornal da CBN desta quinta-feira, provoquei o comentário de Miriam Leitão sempre atenta ao tema. Ela alertou que a única justificativa para a reduzida participação feminina é a falta de vontade política dos atores da economia mundial. Lembrou que o presidente dos Estados Unidos Barack Obama ao montar seu governo determinou a participação não apenas das mulheres, também dos negros e demais etnias. Rapidamente, talentos até então escondidos ganharam espaço na Casa Branca.

 

A inclusão feminina, apesar de alguns avanços, ainda é restrita no setor público, no Brasil. Nas esferas governamentais, com as exceções de praxe, limita-se a abertura de uma secretaria ou ministério para tratar de temas relacionados as mulheres. Normalmente sem verba nem poder.

 

O comportamento vai na contramão de todos os estudos internacionais realizados por organismos de credibilidade. O Banco Mundial com base em trabalho desenvolvido pela Oxford University Press mostrou que os países nos quais a participação feminina é mais intensa a corrupção tende a cair, há menor desigualdade de renda, e maior grau de instrução da juventude. São estes, também, os que lideram as estatísticas de Desenvolvimento Humando (IDH) e Índice de Transparência Internacional.

 

Não duvido que se aplicado a estes, seriam líderes no FIB, Felicidade Interna Bruta.

 

Rose Marie Muraro em texto intitulado “Mulher e Sustentabilidade” escreve que “não são as sociedades que mudam. É a própria espécie que evolui quando, além de se educarem, as mulheres partilham o poder com os homens”.

 

Davos ainda não descobriu isso, e talvez esteja aí a resposta para a encrenca que se meteram.

 

Ouça aqui o comentário de Miriam Leitão, no Jornal da CBN.

 

Leia aqui a reportagem da Der Spiegel traduzida pelo UOL.

 

E aqui você encontra o texto de Rose Marie Muraro.

PIB, IDH, FIB, IFF, você sente e pressente

Por Carlos Magno Gibrail

Siglas variadas para buscar única sensação, a do bem estar.

PIB, Produto Interno Bruto, representa a soma em valores monetários de todos os bens e serviços finais produzidos num determindo período.

O Brasil está em 9º lugar no ranking do PIB mundial.

Como sabemos, índices gerais não mostram condições específicas, que as escondem, quanto maior a concentração da riqueza.

Para considerar saúde, renda e educação, criou-se o IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, que além de calcular a renda per capita, leva em conta a expectativa de vida ao nascer para definir as condições de saúde. Para a educação inclui-se o percentual de adultos alfabetizados e a taxa bruta de matrícula, medida pela razão entre o total de estudantes nos ensino fundamental, médio e superior e a população em idade escolar.

O Brasil ocupa o 70º posto na classificação geral do IDH.

“O PIB foi elaborado na década de 1950 e está defasado há muito como indicador de desenvolvimento de um país. O FIB, Felicidade Interna Bruta, complementa os indicadores de qualidade de vida, juntamente com o IDH”, afirma o economista Ladislau Dowbor, da PUC SP.

“A idéia do FIB é incorporar a felicidade, medida por critérios técnicos”, explica Susan Andrews, psicóloga e antropóloga de Harvard, e coordenadora do FIB no Brasil. Para medir o FIB, a percepção dos cidadãos em relação a sua felicidade é analisada em nove dimensões: padrão de vida econômica, critérios de governança, educação de qualidade, saúde, vitalidade comunitária, proteção ambiental, acesso à cultura, gerenciamento equilibrado do tempo e bem-estar psicológico.

Pela pesquisa World Values Survey, deste ano, que envolveu 350 mil pessoas em 97 países e territórios, a Dinamarca lidera, Rússia e Iraque estão entre os dez menos felizes e o Zimbábue, na África, ficou em último lugar. O país mais rico, os Estados Unidos, ocupou o 16º lugar na lista.

O Brasil é o 30º país no ranking do FIB.

Um protótipo do FIB foi colocado em prática em abril, em Angatuba, São Paulo. Na capital paulista, o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge, propõe, a partir de 2009, iniciar pesquisas de medição do FIB em subprefeituras.

O IFF, Índice de Felicidade Futura, foi concebido e pesquisado para o BID pela FGV. Foram 150 mil entrevistados pelo Gallup World Poll, em uma amostra de 132 países. A pesquisa mostra a satisfação prospectiva de um cidadão do mundo com a vida. A perspectiva de felicidade futura cai com a idade do indivíduo, de 7,41 aos 15 anos até 5,45 para aqueles com mais de 80 anos, quando a felicidade presente e futura se equivalem.

A juventude é um estado de espírito não determinado pela idade em si, mas pela postura da pessoa diante do seu futuro. O jovem acredita que o melhor da vida ainda está por vir.
No Brasil, é particularmente alta a expectativa em relação ao futuro – na escala de 0 a 10, nossa nota média é 8, 78, mais do que qualquer um dos 132 países pesquisados.

O Brasil é número 1 no IFF do mundo.

“Em estudo da FGV, sobre a classe média – O brasileiro é aquele que apresenta a maior expectativa de felicidade futura, superando inclusive os EUA, 9º do ranking, e Dinamarca, líder mundial de felicidade presente, mas 3ª do ranking de felicidade futura”. Marcelo Néri, FGV.
PIB 9º, IDH 70º, FIB 30°, FIF 1° demonstra acentuada concentração de renda e que somos efetivamente um país do futuro. Condição, que bem trabalhada pode nos levar mais rápido a presente próspero e mais justo. Ou não?

Dê a sua opinião.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda semana escreve neste espaço para a felicidade geral da nação (do blog, com certeza).

Liberar demissões para aumentar admissões

Por Carlos Magno Gibrail

Reduzir benefícios trabalhistas para aumentar empregos e salários. São proposições que poderiam ficar como utopia capitalista ou liberal, não fosse a Dinamarca.

Melhor ambiente de negócios do mundo, menor corrupção do mundo, menor taxa de desemprego do mundo ” quase o sonho do pleno emprego ” 1,5% , maior flexibilidade do mercado de trabalho do mundo. Seguro-desemprego de 2.000 euros durante quatro anos, apoio total ao novo empreendedor durante um ano e meio. Se não der certo, a empresa é fechada sem nenhum ônus.

Não existe salário mínimo, garantias ou benefícios no emprego e a demissão pode ser feita a critério da empresa. Não há contribuições sobre a folha de pagamento dos salários.

O primeiro-ministro dinamarquês Anders Fogh Rasmussen está em seu terceiro mandato, e cada vez mais popular está convicto que o livre mercado é bom para todos.

Com meta de inflação em 2%, sendo que ela sempre fica abaixo, com cautela em relação à burocracia da UE e crítica permanente ao excesso de medidas, com redução da dívida pública, que hoje esta em 23,2% do PIB, e em rota decrescente, e com
superávit nominal e receitas superando as despesas em 7%, caminha para uma invejável posição de liderança.

É a passagem do “estado bem-feitor” para o “estado possibilitador”.

Economia forte, com sindicatos e empresas fortes, governo atuante , gerando trabalhadores qualificados e muito paparicados pelas companhias recrutadoras.

O presidente Lula esteve o ano passado em Copenhagen, pela segunda vez, talvez para estudar um pouco mais o fenômeno nórdico, embora especialistas considerem difícil a exportação para o Brasil devido a diferenças quantitativas e qualitativas.

A população é de 5 milhões contra 190 milhões, os impostos são da ordem de 50%, embora os dinamarqueses, dada a quantidade dos benefícios sociais, estejam satisfeitos com o seu peso.

A cultura também é diferente, são pessoas muito ligadas ao meio ambiente, com muita consciência sustentável, preocupadas com o coletivo. A mão de obra é qualificada e se concentra em design, logística, comunicação e em novas fontes de energia, principalmente a eólica.

De todo modo Erik Nielsen, conselheiro para assuntos internacionais da LO, a central sindical que Lula visitou, disse que os trabalhadores não devem temer as reformas trabalhista ou sindical ” desde que elas venham para fortalecer a posição de empregados em uma economia mais flexível. “Esse tipo de reforma não é ruim”

Diferenças à parte, é claro que vale a pena estudar o fenômeno dinamarquês. Pelo menos fica evidenciado o acerto do sistema aberto com suporte do governo garantindo os benefícios sociais de emprego, escola e saúde.

Ponto crucial nem é a diferença, que pode receber adaptação, mas o início. Ovo ou galinha? Tostines?

Com certeza a partida não será o “homem grávido”, mas a liberação para desagravar os encargos trabalhistas e mudanças na justiça do trabalho. Que visitem mais a Dinamarca!

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve toda quarta-feira aqui no blog e ainda não visitou a Dinamarca, mas já viajou na idéia dele.