Eles não gostam de mulher, e nós pagamos a conta

Onde estão as mulheres ? Pergunta a jornalista Morice Mendoza, da revista alemã Der Spiegel, enquanto acompanha homens engravatados discutindo o estrago que fizeram na economia,  durante o Fórum, em Davos. Se tivesse feito a pergunta aos muitos participantes do encontro não seria surpresa ouvir entre risos que “elas estão gastando o que restou do dinheiro”.

 

Morice deu-se ao trabalho de contar quantas mulheres fazem parte da organização do evento anual, na Suíça. E não precisou muito mais do que as duas mãos para tal. Entre o conselho da fundação e a diretoria do fórum, que tem 32 cargos, há apenas seis mulheres.

 

Ao reproduzir parte da reportagem no Jornal da CBN desta quinta-feira, provoquei o comentário de Miriam Leitão sempre atenta ao tema. Ela alertou que a única justificativa para a reduzida participação feminina é a falta de vontade política dos atores da economia mundial. Lembrou que o presidente dos Estados Unidos Barack Obama ao montar seu governo determinou a participação não apenas das mulheres, também dos negros e demais etnias. Rapidamente, talentos até então escondidos ganharam espaço na Casa Branca.

 

A inclusão feminina, apesar de alguns avanços, ainda é restrita no setor público, no Brasil. Nas esferas governamentais, com as exceções de praxe, limita-se a abertura de uma secretaria ou ministério para tratar de temas relacionados as mulheres. Normalmente sem verba nem poder.

 

O comportamento vai na contramão de todos os estudos internacionais realizados por organismos de credibilidade. O Banco Mundial com base em trabalho desenvolvido pela Oxford University Press mostrou que os países nos quais a participação feminina é mais intensa a corrupção tende a cair, há menor desigualdade de renda, e maior grau de instrução da juventude. São estes, também, os que lideram as estatísticas de Desenvolvimento Humando (IDH) e Índice de Transparência Internacional.

 

Não duvido que se aplicado a estes, seriam líderes no FIB, Felicidade Interna Bruta.

 

Rose Marie Muraro em texto intitulado “Mulher e Sustentabilidade” escreve que “não são as sociedades que mudam. É a própria espécie que evolui quando, além de se educarem, as mulheres partilham o poder com os homens”.

 

Davos ainda não descobriu isso, e talvez esteja aí a resposta para a encrenca que se meteram.

 

Ouça aqui o comentário de Miriam Leitão, no Jornal da CBN.

 

Leia aqui a reportagem da Der Spiegel traduzida pelo UOL.

 

E aqui você encontra o texto de Rose Marie Muraro.

2 comentários sobre “Eles não gostam de mulher, e nós pagamos a conta

  1. Todas as citadas por você,Mílton, estão cobertas de razão.As mulheres ainda precisarão batalhar muito,porém, para mostrar que seu talento nas mais diversas áreas e especialidades é,no mínimo,idêntico ao dos homens.

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