Debate em vídeo sobre os protestos históricos no Brasil

 

 

Os protestos pela qualidade do serviço público, a corrupção e mais uma variedade de temas que mobilizam o Brasil há duas semanas motivaram debate que realizei com leitores e equipe da revista Época São Paulo, através do serviço de hangout do Google. A discussão foi durante os manifestos da semana passada, dia 17 de junho.

 

Mais do que afetar a cidade, os protestos precisam ser entendidos como uma manifestação democrática. E que, como tais, eles integram a cartilha de direitos dos cidadãos paulistanos. Não tinha dúvidas de estar diante de um momento histórico para o Brasil capaz de mudar nosso destino.

 

Se você perdeu o hangout ao vivo, assista no vídeo acima.

Faltou o grito da torcida

Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

 

A apuração dos votos do Carnaval de São Paulo foi um total anti-clímax. As arquibancadas do Sambódromo estavam vazias devido a proibição de presença de torcidas, resultado da baderna realizada no ano passado. Somente alguns representantes, devidamente credenciados, puderam assistir à leitura dos votos pela diretoria da Liga de Escola de Samba de São Paulo. Na transmissão de rádio e TV, era constrangedor o silêncio que se fazia após uma nota 10 para bateria, samba-enredo, alegoria ou seja lá qual fosse o quesito analisado. Seria melhor, como disse meu colega de Hora de Expediente, Luis Gustavo Medina, mandar as notas pela internet – mais limpo, incolor, insípido e inodoro. Muita gente deve ter aplaudido a decisão em nome da ordem e dos bons costumes. Eu lamentei. Jamais entendi que eliminar pessoas seja o melhor caminho para se resolver os problemas da cidade. É como proibir que as pessoas sigam para os pontos de ônibus, que produzam lixo ou queiram estudar para acabar com a enorme pressão sobre estes serviços públicos. Educar, controlar e punir os envolvidos é melhor caminho do que, simplesmente, proibir todos os demais de se divertir. Organiza-se jogos de futebol com uma só torcida, como em Belo Horizonte, para impedir a violência; proíbi-se celular em agências para combater a saidinha de banco, como aqui na Capital; se quer tirar o carona das motos devido aos assaltos à mão armada. Soluções simplórias para assuntos complexos.

 

São Paulo merece saídas mais inteligentes, sob risco de se transformar em uma cidade sem graça, sem cor, sem alma, sem o barulho das pessoas.

Não sou uma pomba, mas sou da paz

Texto publicado, originalmente, no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

Bom dia, Revista Època,

Sr. Milton Jung será que o senhor não tinha nada mais útil à sociedade para escrever do que relatar essa sua perseguição as pombas???? Será mesmo que o problema são elas, ou você que em seu texto transborda ódio e raiva dos animais????? Sinceramente se elas o perseguem por toda parte, o senhor deve ter feito alguma coisa para tal reação da vida contra o senhor. De fato os animais podem causar doenças, mas garanto que usar cola para espantar o bando não é a atitude mais digna de um ser racional. Com certeza elas, sim, sim o símbolo da PAZ, talvez bem mais que sua atitude egoísta de escrever numa revista uma situação particular, ao invés de se preocupar com assuntos bem mais importantes, que com certeza a cidade de São Paulo tem. Boa sorte ao SENHOR, espero que como jornalista dê o exemplo às pessoas para que trate os animais bem , pois já vivemos num clima de violência incomensurável, bons exemplos sempre são bem vindos. Use seu espaço para tentar ajudar mais seu próximo,sua cidade,etc. garanto que a vida lhe será mais grata, até os pombos te libertaram de tal perseguição.

Sônia Pirrongelli

 

Minha coluna na Época São Paulo, de novembro, quando dediquei a última página da edição aos problemas que os pombos me causam – e à cidade, também -, provocou protestos da cara leitora Sônia Pirrongelli, a quem agradeço pela mensagem eletrônica enviada a sessão de cartas da revista (perdoe-me, inicialmente, por chamar assim este espaço dedicado aos leitores que há muito, imagino, não perdem tempo escrevendo missivas às redações quando podem, facilmente, enviar um e-mail). A bronca da leitora a este “perseguidor de pombas” me permite, no mínimo, retomar o assunto que se estendeu ao programa que apresento na rádio CBN. Os ouvintes-internautas, aliás, foram muito mais solidários a minha causa, o que, por si só, já desmonta o argumento de que o tema não tem importância para os cidadãos paulistanos. Imagine que no Centro de Zoonose existe um departamento especializado em combater as tais aves. Calma lá, combater não é a melhor palavra. Vamos dizer que os funcionários públicos têm o desafio de conter a proliferação de pombos.

 

O problema não se restringe a minha casa ou a cidade onde moro. Do Rio, soube que a prefeitura demonstrou preocupação com a superpopulação de pombos, enquanto do Paraná chegou alerta para a necessidade de aplicar com estas aves os mesmos conceitos de combate a pragas na agricultura. Algumas cidades do interior do Brasil lançaram campanha para que os moradores não deem comida aos pombos e espalham pílulas anticoncepcionais para as mocinhas de asa na esperança de que os estragos a prédios públicos e à saúde da população diminuam. Aproveito para informar que de nada adiantará o senhor ou a senhora que me lê comprar uma cartela na farmácia e espalhar pílulas pelo telhado ou pátio da casa. Para a prática dar resultado seria necessário que as pombas ingerissem uma quantidade inimaginável de anticoncepcional e durante um tempo muito longo.

 

Aliás, não me faltaram sugestões para espantar as pombas que me cercam. Falaram em um apito que causaria incômodo, sugeriram a contratação de gaviões e até mesmo que me mudasse de casa – o que está fora de cogitação. Não a abandonei nem quando foi ocupada por bandidos, imagine se me renderei aos invasores alados. A dica mais bem humorada enviada por um dos ouvintes, ao qual peço desculpas por não ter registrado o nome, foi pintar o telhado de verde. Como? A pomba vai pensar que é do Palmeiras e abandonar o lugar com medo de cair junto – disse ele.

 

Para Dona Sônia, autora da revoltada carta enviada à revista, quero dizer que apesar de não gostar das pombas nunca aceitei que fizessem maldade com elas. A tal cola citada no meu artigo na Época SP, é, na realidade, um gel que não causa qualquer dano, apenas deixa desconfortável o local ocupado. Tem mais ou menos o mesmo o efeito da rede de proteção que coloquei em parte do meu telhado (e que ainda não deu resultado). Um amigo que apareceu com arma de pressão foi mandado embora. O veneno recomendado, sequer levei em consideração. Não sou uma pomba, mas sou da paz.

 

Qualquer dúvida sobre como trato os animais, pergunte ao Eros, ao Ramazzotti e ao Boccelli – o labrador, o shitzu e o persa que moram na minha casa há uns bons anos. Pensando bem, é melhor deixar o Ramazzotti fora dessa, pois ontem, por recomendação médica, tive de castrar o baixinho, e creio que a opinião dele sobre minha pessoa, neste momento, não deve ser das melhores.

O que você pediria ao próximo prefeito?

 

 

Muito rica de propostas, a edição da revista Época São Paulo chegou às bancas neste fim de semana com o perfil de 13 dos possíveis candidatos à prefeitura da capital e 50 sugestões para quem pretende governar esta cidade com cerca de 11,2 milhões de moradores e R$ 38,7 bilhões no Orçamento. Além disso, é possível identificar as prioridades de parcela da população a partir do resultado de pesquisa encomendada ao instituto Conectaí (braço on-line do Ibope) que contou com a participação de 254 entrevistados.

 

Na opinião dos paulistanos, a maior encrenca a ser resolvida pelo prefeito eleito é o transporte (40,4% indicaram este tema como o principal), o que não chega a surpreender depois que assistimos a greves em metrô e trem, há duas semanas, e congestionamento que quase bateu na casa dos 300 quilômetros, como na sexta-feira. Não tenho o detalhamento da pesquisa, mas penso que esta demanda está mais próxima da classe média e de quem ainda consegue resolver as questões de educação e saúde por conta própria. Digo isso, porque partidos políticos, em estudos de opinião pública, têm encontrado a área de saúde como a mais crítica – da mesma forma que o Ibope levantou em pesquisa encomendada pela Rede Nossa São Paulo, no início do ano. Na revista, após transporte, apareceram educação (18,4%) e saúde (14,2%).

 

Para personalidades e leitores, a revista fez a seguinte pergunta: “se você pudesse ter um encontro de 5 minutos com o próximo prefeito, o que pediria a ele?”. Falou-se de pedágio urbano, corredor de ônibus nas marginais, calçadas mais largas, fim do Minhocão, transformação de cemitério em área de lazer, menos cargos de confiança, mais e melhores bibliotecas, entre tantas outras ideias. Vou destacar duas que me chamaram atenção e deixo as demais para você ler na banca.

 

A primeira, proposta por Maria Alice Setubal, do Instituto Democracia e Sustentabilidade, que prega a extensão da jornada diária do ensino fundamental para sete horas em todas as escolas municipais. Apenas os alunos de 45 CEUs – Centros Educacionais Unificados têm esta oportunidades, em 94% das demais unidades da rede, a jornada é de cinco horas, e 6% submetem parte de seus alunos ao turno da fome, os obrigado a estudar das 11 da manhã às três da tarde. “Numa cidade voltada à educação, as escolas devem estar abertas aos estudantes pelo maior tempo possível”, disse Maria Alice à revista. Candidato que se preze tem de assumir já este compromisso e dar uma solução antes do primeiro ano de gestão.

 

A segunda ideia que gostei é do psicanalista Antonio Lancetti que propõe a criação de sala de uso seguro para dependentes de crack. Fiquei feliz em ler esta sugestão pois vai ao encontro do que escrevi recentemente na coluna Adote São Paulo que assino na Época São Paulo (leia aqui). Diz Lancetti que “para a iniciativa dar certo, as salas precisam funcionar 24 horas por dia e estar vinculadas a consultórios de rua e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)”. Importante alerta para quem acreditou que a Policia Militar resolveria o problema que assistimos na Cracolândia, região central. Aliás, não sei se você teve oportunidade de ler reportagem no Estadão de domingo que antecipou resultado de estudo encomendado pela Secretaria de Assistência Social no qual 72% dos moradores de rua disseram que a operação policial não mudou em nada a vida deles, enquanto 17% que piorou. O que apenas comprova que as soluções para o crack não são fáceis nem simplistas, assim como não o são para a mobilidade urbana, para o ensino, para a saúde, para a cidade toda. Por isso, senhores candidatos, muita inteligência e criatividade serão necessárias.

 

N.B: Na edição de junho da Época São Paulo aproveitei para escrever sobre como escolher um vereador na próxima eleição. Mas sobre isso, falo com você mais para o fim da semana. Se tiver uma chance, compre a revista, leia e comente.

Vamos discutir a cidade de São Paulo

Post publicado no Blog Adote São Paulo da revista Época São Paulo

 

Nesta semana, a revista Época São Paulo que “abriga” este meu blog e a coluna Adote São Paulo me ofereceu excelente oportunidade para falar da nossa cidade ao participar do Hangout 100, promovido pelo Google +. Pela página da revista na rede social do Google, conversei por vídeo com leitores e os colegas jornalistas, Camilo Vanucchi e Daniel Salles e respondi a perguntas sobre propostas para termos uma cidade melhor e expectativas em relação a campanha eleitoral que se aproxima.

 

A coordenadora da entrevista, Soraia Yoshida, que cuida do site da Época São Paulo, de cara pediu para que eu apontasse pontos positivos e negativos da cidade. Para mim, o gigantismo de São Paulo é sua maior fragilidade, pois torna difícil a implantação de soluções que beneficiem todos seus moradores. Ao mesmo tempo é a partir deste caos provocado por suas dimensões que encontramos saídas criativas e possibilitamos melhorias em alguns setores. Por exemplo, se a prefeitura não é capaz de estender a coleta seletiva para toda a cidade, os moradores de uma rua ou condomínio se organizam e buscam pontos para entrega do material reciclável. Ou se caminhões tem circulação restrita nas vias da cidade, as empresas e os caminhoneiros desenvolvem estratégias alternativas para atender seus clientes, mesmo que isto torne o processo mais caro.

 

Apontei a área de saúde como o tema que poderá centrar o debate eleitoral, pois este é o setor que tem aparecido com mais frequência entre as preocupações dos paulistanos nas pesquisas desenvolvidas pelos principais partidos, apesar de acreditar que, mais uma vez, se tentará nacionalizar a discussão na capital. O esforço para tornar a eleição municipal em trampolim para a disputa nacional dois anos depois não me parece que terá sucesso. Vitória na capital paulista não significa vitória nacional, como ficou claro na última eleição à presidência quando o ex-prefeito José Serra não teve sucesso, apesar de ter vencido as duas eleições anteriores (para a prefeitura e para o Governo do Estado).

 

A segurança pública também foi destaque na conversa, a medida que recentemente minha casa foi alvo de assaltantes. Não estou entre os que entendem que o bairro do Morumbi se tornou mais perigoso do que outros que temos na capital. Os assaltos à residência tem ocorrido com preocupante frequência em vários distritos da cidade e as soluções não podem focar apenas um bairro. Migrar tropas para o Morumbi e esvaziar outras regiões pode ser tarefa arriscada e midiática. É preciso aumentar o serviço de inteligência e ampliar o número de homens na polícia preventiva.

 

Outros assuntos foram tratados, mas deixo o vídeo à sua disposição para continuarmos debatendo a cidade de São Paulo: