Caro e raro leitor,

 

Volto ao ar nessa quarta-feira após uma semana afastado para reorganizar a vida que ficou um tanto confusa depois que tive minha casa invadida por uma quadrilha, meus dois filhos e dois empregados rendidos e pertences roubados. A casa sempre considerei reduto privado de nossa família, onde compartilhamos sentimentos e intimidade, por isso tê-la invadida é uma violência moral muito mais do que patrimonial. Ver seus filhos atingidos por esta violência, assim como funcionários que há décadas têm sua confiança, provoca indignação. Há uma sensação de injustiça que incomoda muito, mas costumo dizer sempre aos meninos que quando nascemos ninguém nos prometeu um mundo justo. Cabe a nós mesmos transformar este cenário agindo com respeito, inteligência e solidariedade – nunca com a mesma violência. Fiquei afastado do programa na CBN, por gentileza da emissora que entendeu meu momento. Não atualizei o Blog nem mantive minhas conversas pelo Twitter porque me faltava vontade de dizer algo. Por alguns dias a impressão é de que tinham roubado minhas palavras e alegria. Aos poucos, ambas estão voltando, graças a Deus. Estamos traumatizados ainda, o que é de se esperar em situações como essa, mas nos recuperamos bem com o apoio de muitos amigos que nos abraçaram das mais diferentes formas. A todos vocês, nosso agradecimento.

Mundo Corporativo: Bons negócios em família

 

Empresa familiar é, sim, um bom negócio. Quem defende esta ideia é o consultor José Renato de Miranda. Da consultoria De Impacto, Gestão e Marketing, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele explica como gerenciar conflitos dentro de empresas familiares e de que maneira é possível estender a longevidade destes grupos, a medida que a maioria delas acaba enfrentando dificuldades assim que a segunda geração assume o comando.

O Mundo Corporativo é apresentado às quartas-feiras, às 11 horas, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br. Aos sábados, o programa é reproduzido no Jornal da CBN.

Avalanche Tricolor: Tudo em família

 

Grêmio 2 x 3 Inter
Gauchinho – Olímpico Monumental

Os meninos estiveram ao meu lado durante toda a partida. Não é comum esta torcida tão próxima. Eles preferem acompanhar os jogos de ouvido, reservando os olhos e cérebro para as emoções proporcionadas pelo computador. É uma nova geração esta, sem dúvida. Na minha época, jamais deixei uma partida de futebol por qualquer outro atrativo.

Conosco, também, estava a mais recente adepta tricolor da casa, a sobrinha italiana que se apaixonou pelo Grêmio semana passada quando assistiu ao time do tio conquistar uma vitória incrível.

Foi uma domingueira especial ao lado da família. Rimos, lamentamos, vibramos, praguejamos e convivemos.

O espetáculo na televisão era emocionante pelas variantes do resultado, qualidades apresentadas em ambos os lados e por erros e acertos que equilibraram as forças em campo, a tal ponto que a definição do vencedor se deu apenas ao fim de 14 cobranças de pênaltis. Para quem admira o futebol, uma partida e tanto. Para quem é apaixonado, um sofrimento só.

Ao fim não houve a desejada conquista esportiva, mas ter recebido um abraço de cada filho e o beijo da sobrinha seguidos de um “na próxima a gente ganha” está de bom tamanho para este cara calejado pelas frustrações e forjado pelas satisfações.

Impossível querer vencer sempre, ser apenas campeão. Imprescindível aprender com as derrotas. E fundamental ensinar a eles que nossa Imortalidade não está no fato de jamais perdermos, mas de nunca desistirmos.

Por isso, estão todos convidados para assistir à estreia no Campeonato Brasileiro, semana que vem, contra o Corinthians, em Porto Alegre.

Um novo desafio pela frente e sei que poderei contar sempre com o apoio da gurizada.

Há 20 anos, vivendo em São Paulo

 

Acabo de gravar entrevista para Rádio Guaiba de Porto Alegre. Foi lá que comecei minha carreira jornalística, em 1984. Bem antes disso, foi no mesmo prédio na rua Caldas Junior que tive meu primeiro contato com o jornalismo quando ainda era guri de calça curta e corria pelo corredor ao lado do estúdio, chutando bola feita de lauda de papel.

Na conversa com o repórter João Batista, a intenção era falar sobre as expectativas para o Grêmio, em 2011. Mas foi a oportunidade de lembrar algo que me emocionou. Há 20 anos, nas primeiras horas do primeiro dia do mês de janeiro, eu desembacara de um avião da Varig, com mala e sem cuia nas mãos, na cidade de São Paulo para dar um salto em minha vida profissional e pessoal.

Retornava à capital paulista uma semana depois de ter estado por aqui para a festa de casamento de um amigo. Sem querer, descobri um teste para repórter da TV Globo. A pauta parecia simples: incêndio em casa antiga na Mooca. Transformei-a em discussão sobre o patrimônio histórico da cidade. Fui convidado para trabalhar de madrugada.

Da Globo, para a TV Cultura, de repórter de rua para âncora. Nesta caminhada, ainda passei pela Rede TV! e Portal Terra, época em que já estava de volta ao rádio por convite e obra de meu colega Heródoto Barbeiro. São mais de 10 anos na mesma emissora e na construção de projetos profissionais variados.

Mais importante, porém, foram as oportunidades que esta viagem me proporcionou de conhecer pessoas especiais e compartilhar, antes com minha mulher e, em seguida, com os dois filhos, a formação de uma família. Aqui, estruturei meu caráter, desenvolvi habilidades e, evidentemente, revelei carências para as quais estou sempre em busca de solução.

Se fim de ano é momento de reflexão e balanços (estão por todos os cantos da programação e das páginas de jornais), completar 20 anos em São Paulo, como acontecerá nesse 1º de janeiro de 2011, é motivo de muita satisfação.

Descobri-me maduro para profissão tão importante quanto o jornalismo; descobri-me cidadão para pautar minhas atitudes na cidade e na sociedade; e me descobri pai e marido, papéis que exerço com orgulho, mesmo com todas as falhas que me incomodam.

A viagem que começou em 1991 com medo e incerteza ainda não se encerrou, mas as conquistas alcançadas até aqui me fortalecem para mais esta etapa que se inicia em 2011.

Um ano de boas notícias para todos nós !

Os presentes de Natal

 

Paz e reflexão : )

O relógio não havia chegado às quatro da tarde e todos estávamos de cabelo lambido e roupa impecavelmente nova. A casa cheirava à colonia que completava o banho dos três irmãos ansiosos pelo passeio prometido. Na véspera de Natal, sair com o pai até o Morro da TV era a senha para o Papai Noel chegar e deixar os presentes embaixo da árvore. Mal aproveitávamos a bela vista de Porto Alegre que aquela altura toda nos proporcionava, queríamos mesmo é ver o tempo passar rápido, voltar e nos deliciar com os brinquedos e roupas comprados por minha mãe.

Hoje, a árvore está vazia, não há presentes nem passeio ao Morro. E não pense que o trânsito complicado, o shopping lotado e o tempo sempre escasso justificam a ausência das caixas coloridas que costumam decorar a sala. Deixamos pra lá as roupas dos filhos, a bolsa da mãe, a traquitana eletrônica que sempre agrada o pai, os DVDs, livros e lembrancinhas que satisfazem as visitas e parentes. Estas ausências não serão sentidas por ninguém.

Nossos presentes, este ano, não cabiam lá na árvore. Nossas conquistas não estavam ao alcance do cartão de crédito O bem estar que domina nosso espírito tinha preço incalculável, impossível de parcelar, o queremos sempre à vista.

Quando a noite chegar, vamos celebrar a consciência tranquila de quem buscou fazer o melhor, mesmo nas muitas vezes em que este não se realizou. Comemoraremos o equilíbrio sentimental buscado por um, o emprego merecido do outro, a força encontrada pelos que viam dificuldades, o ano saudável que se seguiu após a doença, os filhos que surpreenderam pelo carinho e amadurecimento, o resgate à vida de um ente que não era mais tão querido mas sempre foi amado – ser que descompassado faz uma caminhada que me leva a analogias com o renascimento de Jesus, personagem maior desta festa.

Vamos agradecer à Deus, não mais ao Papai Noel, por ter nos permitido preservar a nossa família e tê-la tornado mais rica de sentimentos. E por todas as demais que cresceram a nossa volta, seja com as trapalhadas típicas de quem está vivo seja com as gargalhadas que proporcionaram.

A árvore está vazia, sim. Nossa festa, porém, está completa. A mesa é farta de bons motivos. E os presentes atenderam todos os pedidos que fizemos neste ano, ao menos os que realmente importam para a vida.

São Paulo fica distante dos irmãos e do pai que permanecem no Sul – minha mãe morreu há muito anos, infelizmente. Claro que tenho saudade daqueles Natais em que subíamos o Morro a espera de presentes, mas sou muito feliz pelos que tenho recebido nestes anos todos. E por todos aqueles que os proporcionaram.

Feliz Natal !

Entre o Ser e o Estar

 

Por Abigail Costa

O trabalho é fascinante. Te dá a oportunidade de se posicionar.

Em determinados casos, no cargo as pessoas tem a sensação de chegar ao olimpo.

O mandar e desmandar. O gerenciar a vida dos outros assim como a troca das estações no ano.

A tecnologia que nos manda a lugares sem sair do próprio escritório nos dá poder – e torna alguns menos toleráveis

Esse é o lado estar.

De volta a realidade mais primitiva, somos.

Somos filhos, somos pais.

Num peso e intensidade que só quem tem e valoriza sabe a importância do ser.

No trabalho nos vestimos para estar bem, pra mandar bem, pra executar bem.

Em casa nos despimos para ser.

Enquanto caminham para estar mais a frente, para estar mais ricos, damos um passo atrás nos sentimentos.

Os botões do “progresso” vão avançando, as emoções empobrecendo.

A pesquisa pode sim ficar para amanhã, a teoria pode esperar.

Na prática, a ausência no jantar, o não saber do elogio que o filho recebeu do professor…. Ele queria ter dito isso ontem. O pai ficou sabendo pela mãe, por telefone.

Não ter ouvido da boca do menino pode parecer pouca coisa, mas vai pesar na balança.

Este momento já passou, como passaram tantos outros.

O que você já deixou de fazer por causa do “estar”?

Não se preocupe ainda dá tempo. Se não for hoje poderá ser amanhã…. Poderá.

Ser militante com o controle na mão exige pulso forte.

Coordenar as emoções exige sensibilidade.

Se tivesse que responder em segundos a última pergunta de sua vida.

O que você prefere terminar: o relatório da firma ou a conversa da escola com seu filho?

Decidiu pelo filho?

Então a situação ainda está sob controle.

As diferenças entre o SER e o ESTAR podem ser revistas.

Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

Divórcio

 


Por Abigail Costa

Entre mãe e filha a conversa era sobre o casamento mal sucedido da pequena. O filme mostrava uma história que se passava em décadas dos “entas”.

Com mais experiência a cinquentona dizia:

“É preciso sabedoria pra manter um casamento; a rotina, dias mais pesados…. é preciso fazer vistas grossas a traição do marido”

“Mas e a minha felicidade mamãe”, implorava a coitada aos prantos.

Com a voz embargada pelas lágrimas tomou coragem e largou: “Quero o divórcio!”

“Nem pense nisso – a voz da mãe soou mais alto – você ficará marcada”.

Nos anos de mil-novecentos-e-alguma-coisa, ser divorciada era coisa de mulher que não prestava. Pelo menos isso ficou bem claro no filme.

Convivendo com amigas que passaram pelo outro lado do casamento, me pego pensando no assunto. Quanto mais pergunto mais fico impressionada com a coragem dessas mulheres.

Não pela coragem de deixar uma vida confortável de contas pagas e viagens programadas com direito a presentes inusitados.

Coragem de reconhecer que a felicidade acabou. De não se contentar com a vida cheia de surpresas, mas vazia de sentimento.

Mulheres que querem muito mais do que reconhecimento no estado civil.

Deve e é difícil olhar no olho do outro e dizer: não te amo mais, quero me separar de você.

Imagine não saber a reação do parceiro.

Claro que até pode acontecer de um belo dia alguém acordar e ter vontade de ficar só, sair de casa e não voltar mais.

O normal, eu penso, é a relação ir escorregando por entre os dedos, feito xampu mal posicionado na mão.

Mesmo assim, há de se pesar os anos vividos, a vida confortável, os filhos e a tal sociedade.

Perguntei sobre isso. O troco foi ótimo.

“Sociedade quer dizer os outros, é isso? Os outros vão ficar como estão, cuidando de suas vidas. A opinião deles não me conforta a ponto de voltar no tempo, àquela felicidade que existiu.

Me alegra a coragem. Mais ainda quando esta é em nome da felicidade.

Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung


Aos 133 anos, São Caetano tem negócio de família

 

No setor de transportes, duas famílias se destacaram e tiveram participação importante no desenvolmento da cidade do ABC Paulista que comemorou mais um aniversário, nesta semana

BENFICA

Por Adamo Bazani

Dizem que a família é a estrutura da sociedade e sem uma família unida é impossível ter sucesso. A história de duas famílias empreendedoras no setor de transportes confirma essas máximas na cidade de São Caetano do Sul, que completou 133 anos em 28 de julho. Aliás, boa parte dos negócios da cidade ainda é baseada em estruturas familiares, mesmo abrigando gigantes internacionais como a General Motors que está por aqui desde 1930.

Tais famílias presenciaram o simples distrito de Santo André se tornar município independente, com um dos melhores índices de qualidade do País, segundo o IBGE.

Assim como em todas as cidades, os transportes foram fundamentais para o crescimento urbano e integração entre o local de trabalho e a casa de operários e profissionais. Além disso, os desbravadores urbanos do transporte também integravam os municípios que cresciam cada vez mais e se aproximavam de maneira a confundirem seus limites.

São Caetano do Sul teve várias empresas de ônibus. Porém duas delas, sem desmerecer as outras, sintetizam bem a época em que a cidade cresceu muito e sofrer com a carência de mobilidade urbana: o Grupo Benfica e a Vipe – Viação Padre Eustáquio.

A história das duas famílias responsáveis por estas empresas começa em lugares bem diferentes.

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A difícil arte de confiar

 

Por Abigail Costa

Penso que ninguém escolhe ninguém pra ficar ao lado já com desconfiança.
Isso no caso de pessoas normais.
Ninguém escolhe amigos e desta relação manter o pé sempre atrás.
Entre irmãos o natural é se doar, não renegar.
Mas em todo o momento da vida a pessoa se vê obrigada a fazer escolhas.
Quando acontece alguma coisa fora do esperado, puxamos o breque.

Sempre tive dúvidas em relação a uma traição.
– Dá pra recomeçar sem a desconfiança natural?
– É possível encarar o outro de novo sem fantasmas ?
– Será que vai se repetir ?

Numa relação de intimidade entre amigos, onde se faz tudo junto, se diz tudo despreocupado e se toma uma bola nas costas, por experiências pessoais, nada é como antes
Desculpas são aceitas. Mágoas esquecidas.
Mas dá pra sentar num restaurante e brindar a amizade?

Tenho que melhorar isso com a meditação.
Na família isso é complicadíssimo.
Se tira a pessoa das listas de festas, dos almoços de domingo.
Foge dos telefonemas desagradáveis.
Mas não se deleta do coração.

É um conflito entre a razão e a emoção.
Crescemos lado a lado, dormimos juntos, fizemos planos.
E, agora, cada um para um lado.

Deveria ser assim: O médico prescreve um remédio, alguns meses de tratamento e….
A confiança de volta!
Sem o remédio pra isso, fica o amargo de um sentimento que era, não é mais, e quem sabe se um dia voltará a ser.
Enquanto isso vamos no lema dos que umdia se entregaram ao vício e estão se recuperando.
Pelo menos por hoje vou confiar.

Abigail Costa é jornalista e, confiante, escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

“Filhos são mais leais que seu chefe’”, alerta Kanitz

 

Um pouquinho de egoísmo não faz mal a ninguém e pensar na sua própria família antes de dar prioridade à sua empresa, à sociedade e aos outros é recomendável. Quem diz isto é um mestre em administração por Harvard, Stephen Kanitz, que tem dedicado seu tempo à família – a dele e a dos outros, pois além de ser autor do blog famílias.melhores.com.br, acaba de lançar o livro “Família acima de tudo”(Thomas Nelson Brasil).

Na entrevista que você ouve aqui no blog, Kanitz faz um alerta aos puxa-sacos e workaholics: os filhos são mais leais do que seu chefe no trabalho e serão eles que lembrarão de você na aposentadoria. Critica as empresas que não respeitam o tempo de seus profissionais e os impedem de se dedicar a mulher, ao marido ou aos filhos. E defende uma mudança de hábitos radical: “o prazer de ter um filho não pode ser menor do que o de ter um carro novo”.

Ouça a entrevista de Stephen Kanitz e reflita sobre seu comportamento profissional e familiar