Avalanche Tricolor: Sai da frente que lá vem o Grêmio

 

Veranópolis 1 x 4 Grêmio
Gaúcho – Veranópois (RS)

 

Time comemora com Gilberto Silva primeira gol da goleada (Gremio.net)

 

O adversário era líder na chave, segunda melhor campanha de todo campeonato, invicto jogando em casa e se transformou em nada diante do poder de ataque gremista. Ataque que passa pela cabeçada de um zagueiro, o pé direito de um ala e o chute de fora da área de um volante – de onde saíram três dos quatros gols desta tarde de domingo. Nossos atacantes não deixam por menos e fragilizam os defensores com uma sequência de jogadas fulminantes, acompanhados da chegada de jogadores do meio de campo, especialmente quando Bertoglio entra (a propósito, porque ele ainda precisa entrar no segundo tempo e não é escalado desde o início?). Para o conjunto ficar completo, lembro da melhora incrível de nosso goleiro que se reafirma e oferece segurança a toda a equipe, com ótima colocação e defesas corajosas.

 

Há quem entenda que o futebol que apresentamos esteja ligado a presença do novo técnico. Sem tirar-lhe o mérito, acredito muito mais na evolução natural de um time que havia sido desconstruído, precisava de tempo para se ajeitar, fazer com que seus jogadores passassem a encontrar seu espaço em campo, ganhassem personalidade e, claro, retomassem a forma física. Resultado deste conjunto: em março, marcamos 14 gols em quatro partidas.

 

Ainda faltam algumas peças, mas começamos a entrar nos trilhos. E aí de quem estiver no nosso caminho.

Os libertadores da América e os donos do futebol

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Leoz, Tupac Amaro, Simon Bolivar e Teixeira

 

Quem gosta e entende de futebol identifica a real importância deste campeonato cujo nome homenageia os heróis que libertaram a América espanhola e portuguesa. E como o seu gabarito é testado anualmente pelos resultados dos confrontos com os europeus, acrescido agora dos demais continentes, não há dúvida que o campeão da Libertadores é força proeminente no cenário do futebol mundial. Exceção feita aos recentes episódios protagonizados pelo Internacional e pelo Santos.

 

Mas quem são estes Libertadores da América? São dignos desta homenagem? Oportuna pergunta no momento em que na política os presidentes atuais da Venezuela, da Bolívia, do Equador, da Argentina cerceiam a imprensa; no futebol, a FIFA é posta em cheque pelos ingleses, e o principal dirigente da CBF e do COL para a Copa 2014 pré-anuncia o seu afastamento depois de 23 anos e, em seguida, renuncia ao mesmo. Tudo por conta de denúncias de irregularidades.

 

Infelizmente há uma extraordinária coerência neste mundo da bola, pois tanto alguns dos nomes homenageados dos Libertadores da América quanto determinados cartolas atuais tem a permanência no poder como ponto em comum. Além do pioneiro José Gabriel Condorcanqui, o indígena graduado pela Universidade de San Martin em Lima, também conhecido como Tupac Amaro II, José de San Martin, Manuel Belgrano, José Miguel Carrera, José Artigas e Ramón Cadilla, os demais libertadores da América Simon Bolívar, Bernardo O’Higgins, Antonio José Sucre e D. Pedro I, estavam em sintonia com o poder e sua longevidade.

 

Simon Bolívar além de ajudar San Martin na Argentina dominou a Venezuela, Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá e Peru, tendo sido o segundo e terceiro presidente da Colômbia, além de presidente da Bolívia e do Peru onde mudou a Constituição e se auto-nomeou presidente Vitalício. D.Pedro I cercou o Congresso e instituiu o Poder Moderador que seria exercido por ele mesmo, acima de todos os demais poderes. Bernardo O’Higgins fez com que os governadores enviassem deputados que ele tinha indicado e com um congresso de cartas marcadas renunciou, de forma que com a combinada rejeição ficou com o mandato de Diretor Supremo do Chile.

 

No futebol, a Conmebol, entidade que responde pela Libertadores da América, é presidida por Nicolas Leoz há 25 anos que além da longevidade tem em comum com os demais o gosto pelos títulos de poder e nobreza. O inglês David Triesman, ex-presidente da Federação Inglesa de Futebol acusa-o de pedir o título de Cavaleiro do Império Britânico para pagar o seu voto para que Londres fosse sede da Copa 2018.

 

No aspecto político o Brasil está tranquilo e distante de outros países latino americanos, inclusive pela análise recente de Jim O’Neil, o criador dos Brics. Trata-se do Índice de Condições de Crescimento que envolve a estabilidade política. Entretanto no âmbito do futebol é preocupante, pois as possíveis alternativas giram em torno de José Maria Marin, o apanhador de medalha, e de Marco Polo Del Nero, o protagonista do ingresso para o show da Madona que quase queima a ultima partida do principal campeonato de futebol do país.

 

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de São Paulo: Brincadeira de rua

 

As ruas de terra batida se transformavam em campos de futebol e para tanto bastavam alguns pedaços de pau que ganhavam o formato de gol e o desejo da criançada se divertir. É deste tempo que o ouvinte-internauta Sebastião Martins Vieira lembra em trecho do depoimento que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo. Seu Sebastião, pauslistano, nascido em 1941, gravou suas histórias no Museu da Pessoa.

 

Ouça a história de Sebastião Martins Vieira, sonorizada pelo Cláudio Antônio

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, a partir das 10 e meia da manhã, no CBN São Paulo. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade enviando texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa.

Avalanche Tricolor: Moderno, talvez; Imortal, sempre

 

Grêmio 4 x 1 Santa Cruz
Gaúcho – Olímpico Monumental

 

 

Se a melhor defesa é o ataque, o melhor ataque esteve na defesa na partida de sábado à noite, pelo Campeonato Gaúcho, a primeira em que a vitória se construiu com folga, mesmo que tenhamos saído em desvantagem no placar. Naldo fez dois de cabeça, o de empate e o terceiro, que nos ajudou a respirar aliviado; Douglas Grolli, não com a cabeça, mas com o pé e bem ajeitado, marcou o gol da virada – o mesmo Grolli, aliás, que havia garantido os três pontos no jogo anterior com o gol nos acréscimos. Na partida de ontem, Kleber completou a goleada.

 

Por alguns momentos lembrei da fala de Caio Júnior pouco antes de começar o Campeonato Gaúcho na qual prometeu que o Grêmio jogaria futebol moderno. Contra o Santa Cruz, havia jogadores de defesa no ataque e atacantes marcando o adversário – nem por isso Kleber e Marcelo Moreno deixaram de incomodar o goleiro; havia, também, movimentação intensa na turma do meio campo com especial destaque para os volantes, Fernando e Gilberto Silva, este dando mais segurança ao time e aquele, qualidade no passe. Muita coisa ainda nos falta, jogadores inclusive, mas havia um esboço de time interessante para assistirmos no programa de sábado à noite.

 

Digo-lhe com convicção de que estou pouco me importando se o que teremos em campo tem a ver com a modernidade desejada por Caio, o que eu quero é a volta da Imortalidade.

Avalanche Tricolor: Uma noite pouco e bem dormida

 

Ypiranga 1 x 2 Grêmio
Gaúcho – Erechim (RS)

 

 

Dormir à meia noite, acordar às 4 da manhã e ter um dia inteiro de trabalho pela frente é tarefa árdua, exige sacrifício incomum e causa especial. Feita a escolha de encarar o desafio que ao menos sejamos premiados. E foi assim que me senti ao ver a bola raspar na cabeça de Douglas Grolli (confesso que só identifiquei que era a dele na repetição do lance) e parar no fundo do poço, como diria meu pai em memoráveis narrações futebolísticas. Aquele gol, aos 48 minutos do segundo tempo, foi redentor. Já estava me lamentando por mais uma noite perdida diante da televisão a espera de um jogo mais bem qualificado. Praguejava contra as bolas mal passadas, os chutes sem direção, as defesas do goleiro inimigo e as escapadas dos atacantes adversários. Temia pelas reações dos torcedores e a falta de convicção dos diretores se o resultado não fosse positivo, pois nesta altura do campeonato – aqui não apenas como figura de linguagem – é preciso paciência para não se abortar um trabalho que pode dar resultado mais à frente. Se havia certeza na escolha do técnico Caio Junior, comissão técnica e elenco, recentemente, é de se esperar que algumas semanas apenas não sejam suficientes para uma revisão, apesar do desempenho frágil até aqui. Sem contar que mudanças agora, além de precipitadas, poderiam ser desastrosas dadas as opções que temos à disposição no mercado. Os sentimentos mudaram ao fim da noite com aquele gol de cabeça. Justiça seja feita, Marcelo Moreno ajudou e muito com o gol de empate, não apenas porque nos abriu a possibilidade da virada, mas por ter mostrado, novamente, que não está na área para brincadeiras. A bola sequer era dele, mas o que importa? Atacante é para fazer gol, sem depender de apelidos e imagens forjadas nas páginas de jornal. Moreno fez o dele. Douglas, também. E o Imortal, está de volta. Minha noite pouco e bem dormida, agradece.

Avalanche Tricolor: Os mistérios do sofrimento

 

Grêmio 2 x 2 Inter
Gaúcho – Olímpico Monumental

 

 

O dia começou na capela da Comunidade Imaculada Conceição, bem próximo de casa, endereço que visito todos os domingos pela manhã, nas missas do Padre José Bertolini. Autor de dezenas de livros religiosos, Bertolini tem fala mansa, precisa e bem humorada, fazendo daquele diálogo algo sempre bastante acolhedor. Foi apenas após algumas missas rezadas por ele, das quais participei, que descobri sermos conterrâneos, ele nascido em Bento Gonçalves, na serra gaúcha, eu em Porto Alegre, na capital, como você, caro e raro leitor desta Avalanche deve bem saber. Descobri, também, que temos algo mais em comum, a medida que ambos torcem para o Grêmio, motivo de nossas rápidas conversas ao fim da celebração religiosa, sempre com uma palavra otimista e um sorriso no rosto, seja qual for a situação de nosso time. Sabemos que não devemos jamais ter nosso cotidiano abalado por estas coisas que acontecem em campo. Eu, em particular, não gosto muito de misturar futebol e religião, creio até que já tenha comentado isso com você; imagino que o cara lá em cima tenha muito mais o que fazer em vez de ficar ajudando meu time ganhar suas partidas. Durante a homilia de hoje, porém, não consegui deixar de lembrar do Grêmio quando Padre Bertolini versou sobre o sofrimento, a partir da primeira leitura do Livro de Jó – sobre a paciência deste você já deve ter ouvido falar. Ele chamou atenção para o fato de que para os seres humanos nem sempre é simples entender o sofrimento, a compreensão da dor enfrentada acaba se transformando para muitos um mistério. Fez uma ressalva, porém: há momentos de dor que o homem sabe bem os motivos, pois foi ele quem a provocou. Padre Bertolini mais uma vez tinha razão, pois se nos faltam respostas para muitos de nossos sofrimentos, sabemos bem o que provoca este sentimento na alma do torcedor gremista, neste momento. Estamos aqui apenas passando por mais uma provação, preparando a alma para as glórias que virão. Em breve, se Deus quiser !

Avalanche Tricolor: Eram outros tempos

 

Juventude 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Caxias do Sul

 

 

Fossem as férias de inverno fossem as de verão, subir a Serra Gaúcha era programa obrigatório na época em que ainda era um guri de Porto Alegre. Em Caxias do Sul vivia boa parte dos Ferretti – tios, tias e primos de meu pai que nasceu por lá, em 1935, conforme ele próprio contou semana passada no texto semanal que escreve aqui no Blog. Pelo que consigo lembrar, as primeiras viagens foram a bordo do Gordini azul da família, no qual eu me espremia no banco de trás com meu irmão e minha irmã. Nos aventuramos de Fusca, também, por algum tempo, e somente mais tarde encaramos a estrada sinuosa com motores potentes. O mais importante não era a viagem, mas a estada no casarão da Avenida Júlio de Castilhos com três andares e um número razoável de quartos. O prédio era todo de madeira e eu sempre ficava impressionado com o tamanho das portas e das fechaduras. O poço que havia no quintal atiçava minha curiosidade, pois era quase sempre impedido de chegar perto devido ao risco de uma queda que seria fatal. As janelas se transformavam em camarotes VIPs no período da Festa da Uva, pois o desfile de carros alegóricos, em que o principal sempre trazia no topo a Rainha, passava bem diante de nós. Naquele tempo, a cidade serrana já tinha tradição no futebol e seus clubes se destacavam no cenário estadual, impondo dificuldades para os times da capital, apesar de não serem capazes de conquistar títulos – isto só foi acontecer muitos anos depois. Atualmente, não é mais surpresa chegar ao Alfredo Jaconi, estádio do Juventude, e ao Centenário, do S.E.R Caxias, e sair de lá derrotado como aconteceu neste domingo. Confesso, porém, que tenho saudade, muita saudade, daqueles tempos.

Avalanche Tricolor: Sem sinal da NET e sem futebol

 

Grêmio 0 x 2 Lajeadense
Gaúcho – Olímpico Monumental

 

O adversário era dos mais difíceis que já enfrentei em início de temporada. Este é um período em que não estamos completamente preparados física e emocionalmente para tais embates. Retorno das férias, ritmo ainda lento, um calor que baixa a pressão e a falta de entrosamento dificultam nossas ações. Sem contar que ainda não estamos focados – perdão pelo termo batido, mas é assim que técnicos, jogadores e comentaristas de futebol nos ensinaram – o que acaba gerando surpresas. E, convenhamos, do lado de lá tinha gente bem preparada, com padrão de procedimento, artimanhas ensaiadas em cursos de qualificação, um pessoal disposto a fazer qualquer coisa para garantir o seu ganha pão e criando todo tipo de dificuldade para os meus ataques (de nervos). Todos psicologicamente treinados para desequilibrar o adversário. O resultado não poderia ser outro: fui derrotado.

 

Não, não me refiro a estreia do Grêmio no Campeonato Gaúcho, às nove horas de uma noite de sábado, contra o Lajeadense – time com tanta expressão local quanto nacional. A este jogo não tive o direito de assistir, apesar de há cinco anos pagar religiosamente por isso. Se duvida, é só olhar na minha fatura da NET. Pago R$ 59,90 para ser sócio de um clube do qual não pude participar, neste fim de semana, o PFC, que me oferece (ou deveria) os jogos do Campeonato Brasileiro e do Campeonato Gaúcho. Apesar disso, o texto que aparecia na tela do Canal 122, no qual a partida deveria estar sendo apresentada, insistia em me informar que precisaria desembolar R$ 75 se quissesse ver o jogo. Usei de sapiência e paciência para entrar em contato com as atendentes da operadora de TV a cabo – no feminino, pois eram todas mulheres -, recebi ao menos três intermináveis números de protocolo e fui submetido a exercícios de tortura: primeiro, fique de joelho diante da TV; depois, estique seu braço até onde não alcançar mais; em seguida, sem enxergar a parte de traz do decoder – aquela caixa preta que recebe o sinal ,- use o tato para encontrar o cabo da energia; puxe o cabo e comece a contar, vagarosamente, até 10 para, na sequência, tentar ligá-lo novamente, sem olhar, por favor; agora, aguarde até o sinal ser restabelecido, senhor. E o jogo? Vou ter que falar com meu supervisor que retornará a ligação, senhor – foi o que me prometeu a terceira pessoa a me atender. A primeira prometeu que em 15 minutos estaria tudo resolvido – como se fosse possível pedir para o juiz prorrogar o inicio da partida – e a segunda … bem , na segunda vez, sem nenhuma solução oferecida, a ligação caiu ou foi caída.

 

A propósito: estou até agora esperando a ligação do supervisor (aliás, soube que era uma supervisora) que trabalhava sábado à noite na central de atendimento da NET e teria recebido um “papelzinho” com pedido de urgência para atender meu caso – foi o que disse a atendente. Mal sabe ela que se retornasse a ligação, ouviria um elogio: : ”Obrigado, minha senhora. A incompetência da sua empresa fez com que eu não perdesse tempo assistindo à incompetência do meu time”.

 

Em tempo: dois dias e cinco protocolos depois, descubro que a NET havia mudado meu contrato e me oferecido o Campeonato Paulista em lugar do Gaúcho. Se em 20 anos de São Paulo não me motivei a torcer por um time da terra – imagine se trocaria meu Grêmio por qualquer outro ou por outro qualquer -, por que agora o faria? Outra dúvida: por que isto não foi constatado na primeira ligação que fiz para NET? Já sei: pelo mesmo motivo que o Grêmio não venceu do Lajeadense.

Futebol brasileiro, um negócio mal feito

 

Futebol arteO futebol brasileiro deixa de faturar R$ 51 bilhões por ano graças a incapacidade de gestão dos clubes e a desorganização de seu calendário, demonstrou pesquisa coordenada pelo professor Pedro Trengrouse, da FGV, encomendada pelo Ministério dos Esportes. Atualmente, este negócio movimenta R$ 11 bilhões e emprega pouco mais de 371 mil pessoas, mas tem potencial para chegar a R$ 62 bilhões e oferecer mais de 2,1 milhões de empregos.

Os cartolas brasileiros, com as exceções de praxe, ainda comandam seus clubes como no século 19, quando o futebol se iniciou para agregar grupos sociais, atender as necessidades de diversão de amigos e conhecidos, e tinha caráter lúdico. Boa parte das equipes (83%) é formada para jogar apenas quatro meses ao ano, enquanto os grandes clubes muitas vezes se entopem de jogos com baixo retorno financeiro. Da bilheteria tiram 15% de seu faturamento e com a exploração dos seus estádios somente 4% – de onde clubes europeus, caso do inglês Arsenal, arrecadam até 50%. As 12 arenas que estão em construção para a Copa do Mundo colocam o Brasil em um outro patamar, aposta Tregrouse. Sem ilusão, porém. Os estádios somente se transformam em fonte de renda significativas se tiverem a prática de seu negócio principal: o futebol.

A televisão que transformou este esporte em um negócio midiático, nos anos de 1970, é quem banca a maior parte dos clubes – mais de 1/3 do dinheiro que entra nos seus cofres é referente a direito de imagem. A venda de jogadores é a segunda maior fonte de renda dos times brasileiros, 21%.

“Evoluções histórica, social e econômica não foram acompanhadas pelos clubes de futebol no Brasil”, disse Trengrouse em entrevista, hoje, ao Jornal da CBN, que você ouve aqui.

Brasil: bom na produção, mau na distribuição

 

Por Carlos Magno Gibrail

Dim Dim!

Vaidade e humildade são tudo que precisamos neste momento em que passamos a ocupar a sexta posição no ranking mundial do PIB. Estar atrás apenas dos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França na produção de riquezas é tão importante quanto ter preenchido o lugar do Reino Unido – potência econômica e política mundial que liderou globalmente de 1820 até a primeira Grande Guerra, quando apresentava um PIB 12,4 vezes o brasileiro.

Previsto inicialmente pela EIU Economist Intelligence Unit da revista The Economist e pelo CEBR Centre for Economics and Business de Douglas Mc Williams, o avanço nacional foi ratificado pelo FMI ao informar que o PIB do Brasil atingirá US$ 2,51 trilhões e o britânico US$ 2,48 trilhões.

É um feito inédito que merece ser olhado como tal. O fato da concentração de renda fica mais visível e mais premente à solução. Se levamos 92 anos para tirar uma diferença de mais de 12 vezes, vamos certamente precisar de tempo menor para empatar uma distância de 3,2 vezes. É o que indica os US$ 39 500 de PIB per capita britânico contra US$ 12 500 de PIB per capita brasileiro. Como o aumento per capita não garante a distribuição mais humana, vamos precisar encarar a tarefa com humildade e determinação.

Corrupção, corporativismo, incompetência administrativa, terão que ser combatidas com educação, saúde, habitação. É hora de agir, mesmo porque o ano de 2015 está aí e o FMI sinaliza que até lá seremos a quinta potência econômica do mundo. 2011 fica na história do nosso país quando a economia ocupa o lugar do futebol, ainda que não percebida por Douglas Mc Williams, o CEO do CERB. Ele ainda nos vê derrotando os europeus.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung


A imagem deste post é da Galeria de CRLSE (Carlos Eduardo), no Flickr