Avalanche Tricolor: o Grêmio está na Libertadores!

 

Grêmio 1 x 0 Goiás
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

O Grêmio está na Libertadores!

 

Os que conhecem nossa história sabemos que se há um lugar onde nos sentimos em casa é na Libertadores. Nascemos no Rio Grande mas fomos forjados para lutar na América do Sul. Sonhamos com essa conquista, mais do que o Brasileiro, muito mais do que o Gaúcho. Mas para sonharmos é preciso estar lá. E Renato conseguiu mais uma vez. Um caminho aberto à força e muita dedicação, como ele costumava fazer diante das defesas mais duras que enfrentou quando jogador. Muitos preferem lembrá-lo como um atacante de técnica, mas, não tenha duvida, só foi capaz de romper as barreiras que se formavam entre ele e o gol devido a coragem e a explosão de seus músculos. Com o peito empurrava os zagueiros para dentro de sua própria área. Com os braços abria espaço entre os marcadores. E, claro, completava a jogada com o talento de suas pernas. A cabeça, esta nunca foi o seu forte. Mas mesmo esse aparente desequilíbrio emocional parecia conspirar em favor do seu futebol. Foi com um chutão, de costas para o campo, marcado por dois adversários e espremido na linha lateral, não esqueço jamais, que Renato jogou a bola para César Maluco completar de cabeça o gol que nos deu o título da Libertadores, em 1983. Ali não havia técnica, era pura força e determinação.

 

No comando do Grêmio, Renato fez o que pode para nos levar à Copa Libertadores. Assumiu um grupo de aparente qualidade técnica, mas pouco determinado em campo, resultado do trabalho egoísta do treinador que o antecedeu. Testou diferentes formações, jogou com dois e três zagueiros dependendo da partida, colocou três volantes quando entendeu necessário, arriscou com três atacantes quase toda a competição, tirou gente consagrada e querida pela torcida, não teve vergonha de ouvir o grito das arquibancadas e mudar novamente quando percebeu seu erro. Mesmo diante das críticas de que o time rendia abaixo de seu potencial, manteve-o entre os quatro melhores do campeonato em boa parte da disputa. Jamais esteve ameaçado pelo rebaixamento ou pela falta de competição. Sabia que os gols eram escassos, que a defesa não tinha chance de errar, que alguns de seus titulares eram limitados, que seu goleador poderia ser útil na defesa e seus zagueiros poderiam salvar a lavoura. Sabia também que a torcida iria reclamar. Foi corajoso, às vezes teimoso. Arriscou sua história no clube em busca de um objetivo, mesmo que tivesse de abdicar de craques e do bom futebol. Sempre acreditou que poderíamos estar com uma das vagas da Libertadores mesmo quando as vitórias deixaram de aparecer com a mesma frequência.

 

Com uma rodada de antecedência, Renato e seus comandados levaram o Grêmio onde o Grêmio sempre sonhou estar. E por mais esse feito, obrigado, Renato!

Avalanche Tricolor: se aprendeu a lição, tudo bem!

 

Goiás 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Serra Dourada (GO)

 

O esporte é rico em histórias engraçadas. Lembrei na noite de hoje do caso de um colega do time de basquete que chegou no vestiário, colocou o uniforme, vestiu o abrigo e atentamente ouviu a orientação do técnico. Ficaria na reserva, mas com boas chances de entrar e, quem sabe, mostrar todo seu talento, garantindo lugar entre os cinco titulares nos próximos jogos. A partida se iniciou, a disputa era equilibrada, a marcação forte, mas o adversário tinha vantagem no placar. O treinador fez uma substituição, fez outra, tentou uma terceira, uma quarta formação, até que olhou para o banco e chamou meu colega. Chegava a chance de mostrar todo seu valor. Aqueceu tempo suficiente para pegar o ritmo do jogo. Quando estava pronto para entrar na quadra, arriou o abrigo e ficou apenas de cueca para a gargalhada dos torcedores. Havia esquecido de vestir o calção e com isso jogara fora a chance de assumir posição de destaque no time.

 

O jogador sem calção foi o Grêmio na noite dessa terça-feira, em Goiânia. Ficou preso no congestionamento, entrou atrasado em campo, perdeu o Hino Nacional, o pique do jogo e o toque de bola. Desatento, cometeu erros infantis e foi incapaz de superar suas limitações, ao contrário das partidas anteriores quando cometemos erros, tivemos dificuldades para executar jogadas, mas, mesmo assim, éramos maiores do que todas as nossas falhas. Com isso, desperdiçamos a oportunidade de seguir na disputa pela liderança do Campeonato e corremos o risco de cair na tabela de classificação.

 

Apesar de tudo isso, não há motivos para desespero. Nossos adversários também cometerão seus tropeços no decorrer das rodadas, quem sabe já nessa quarta-feira. O importante é aprender a lição, compreender nossas carências e resolvê-las durante a semana para que no próximo sábado quando nova chance surgir estarmos preparados para chegar à liderança (sem esquecer de vestir o calção).

Avalanche Tricolor: Tem de decolar

 

Atlético GO 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Serra Dourada (G)




Dentre os caros e raros leitores deste blog, um ou dois devem ter percebido a ausência desta Avalanche, que costuma ser publicada ao fim de cada partida, desde 2008. Meu silêncio desde o fim da tarde de domingo, ao contrário do que a maioria possa imaginar, não se deve ao desempenho e resultado – este consequência daquele – na penúltima rodada do Campeonato Brasileiro, véspera de um clássico. Estive fora de São Paulo no fim de semana e meu retorno, coincidência apenas, se deu na hora da partida. Como se sabe, nos aeroportos temos outras preocupações. O de Salvador, que leva o nome de Luis Eduardo Magalhães, de família com tradição na prática política, não se difere dos demais. A agilidade que a empresa área tenta oferecer com equipamentos eletrônicos para check-in nos leva rapidamente para uma enorme fila onde teremos de, pacientemente, esperar os trâmites de segurança que permitirá acesso à área de embarque. São minutos intermináveis que nos separam da poltrona do avião, marcados por cenas de angustia de passageiros que correm o risco de perder o voo, funcionários das empresas tentando acelerar o processo para que a decolagem ocorra na hora certa e agentes de segurança tocando a manada – desculpe-me pela expressão, mas é a sensação que tenho ao participarmos desta cena, mesmo quando a pressa não me aflige.

Dentro do avião, outro reflexo da desorganização. Passageiros pouco dispostos a perder tempo a espera das malas no aeroporto de desembarque preferem levar o que podem e não podem dentro do avião. Os primeiros que chegam tomam o espaço dos bagageiros, deixando para os demais a dura tarefa de encontrar um lugarzinho que seja para tudo que têm em mãos. A medida que cresce a falta de confiança na entrega das malas, aumenta o número de bagagens dentro do avião. Não sei como alguns conseguem burlar a vigilância carregando tanta tralha, como nas cenas que víamos naqueles caminhões pau-de-arara – e aqui não vai nenhuma conotação perjorativa à classe social, mesmo porque amassadas entre uma bagagem e outra nota-se muitas bolsas de grife e marcas de lojas famosas.

A chegada em Congonhas, São Paulo, que não leva nome de político, mas é resultado da falta de respeito que muitos deles têm por nós, não se difere muito da situação em Salvador. Em plena noite fria na capital paulista, os passageiros são deixados no meio do pátio para embarcar em um ônibus, pois não há lugar para todos os aviões que chegam. E a espera das malas segue interminável, somente superada pelo tempo que se perde para pegar um táxi.

Soube do placar da partida quando cheguei em casa, apenas após enfrentar estes desafios aeroportuários que, registre-se, não foram suficientes para estragar o prazer de uma estada na Praia do Forte, onde o sol, o calor e o cenário em nada se pareciam com aquilo que os paulistas – meus conterrâneos gaúchos e muitos outros brasileiros de Sudeste a Sul do País, também – tiveram de encarar nesse fim de semana.

Quer saber se a derrota me tirou o humor, como alguns colegas da CBN chegaram a supor nesta manhã ? De jeito nenhum. Nem o futebol apresentado pelo Grêmio nem a falta de estrutura dos aeroportos são suficientes para tal, apesar de que está cada vez mais difícil encontrar uma solução para os dois. Bem, ao menos para o Grêmio eu ainda tenho esperança. E nada como um Gre-Nal para decolar de vez.

Avalanche Tricolor: Em alta velocidade

 

Goiás 0 x 2 Grêmio
Brasileiro – Serra Dourada (GO)

Em uma acelerada típica dos carros de fórmula 1, o Grêmio chegou ao gol em 13 segundos e oito toques.

Mérito de Vítor – ele sempre tem méritos – que não apenas interrompeu o ataque adversário como repôs a bola com a rapidez necessária para fazer Gabriel acelerar da intermediária ao campo contrário.

Os marcadores foram ficando para trás e sem tempo de pensar viram a bola correr até Jonas que soma o fato de ser goleador e solidário. Nosso atacante não teve dúvidas, virou o corpo para o lado onde seus olhos já miravam e viram Lúcio aparecer como uma flecha pelo lado esquerdo.

A televisão não mostrou, mas o ala/meio-campo gremista estava dentro da área onde a jogada havia começado pelas mãos de Vítor e estava dentro da área onde se encerrou nos pés de André Lima – do outro lado do campo.

Coube a nosso outro atacante repetir o que havia feito nos primeiros minutos de jogo, agora, porém, sem a interferência do árbitro. Correu em direção a bola, transformou velocidade em força e estufou a rede.

Verdade, foi um raro momento nesta partida, mas que já havia se feito presente em outros jogos deste segundo turno, quando passamos a atropelar nossos concorrentes em uma avalanche de gols, pontos e vitórias que nos aproximam dos líderes.

Faltam cinco jogos, teremos mais 15 pontos em disputa, adversários complicados, alguns motivados, outros desesperados. E muita gente ainda para ultrapassar. Mas no embalo que estamos por que não acreditar nesta arrancada final.

Nosso histórico é nossa certeza de que somos capazes. E velozes.

Avalanche Tricolor: Alegria está de volta

 

Grêmio 2 x 0 Goiás
Brasileiro – Olímpico Monumental

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A felicidade está de volta ao Olímpico Monumental. Pela vitória, sim, afinal escassa neste segundo semestre, e temida por aqueles que não sabem reconhecer o sabor de uma conquista. O sentimento que tomou a torcida no início desta noite gelada, em Porto Alegre, porém, foi resultado de algo mais do que um placar que estará nas páginas dos jornais amanhã.

A satisfação cantada nas arquibancadas tem relação com as investidas do garoto Neuton que parece ter retomado a coragem de jogar, com as aparições de Fábio Santos que atuo muito mais no ataque do que em sua posição original, com a distribuição de jogo comandada pelos pés de Souza e pela insistência de Jonas.

Os carrinhos, as roubadas de bola e as divididas vencidas também causaram esta sensação em quem se atreveu assistir à partida de um time que há 10 jogos havia esquecido de vencer.

Os gritos ouvidos lá pelos lados da Azenha, é claro, estão ligados ainda pelo que nosso menino, já bem amadurecido, William Magrão fez em campo, partindo para cima do adversário, invadindo a área em meio aos marcadores e chutando do jeito que a bola vem. Ou cabeceando quando esta chega pelo lado.

O desempenho de Magrão e seus dois gols me fez pensar sobre a força que a mente tem sobre nossos atos. Numa equipe que apostou na mística de seu ex-camisa 7 para virar a história desta temporada, foi curioso ver que a vitória de hoje foi conduzida pelo número 9 às costas de um volante. Ele foi para o ataque, acreditou na sua capacidade e decidiu o jogo como um atacante.

Sim, no meu time o volante veste a 9 e faz gols.

O Grêmio precisará muito desta força que surge dentro de cada um dos indivíduos que compõem seu coletivo. E da crença de seus torcedores que, após a partida, demonstraram seu entusiasmo comemorando ao lado dos jogadores, no fundo do campo. E depois invadiram o Twitter e colocaram o nome do nosso time nos primeiros postos do trending topics.

Aquela camisa 9, aquele eterno camisa 7 e todas as demais camisas tricolores se movem agora em uma Avalanche que só vai parar quando chegarmos ao topo do Brasileiro.

Avalanche Tricolor: Democracia e futebol

Moro na borda do Morumbi, bairro que nesta quarta-feira viveu uma noite especial.

Desde o fim da tarde – fria como tem sido todas desta semana – havia uma agitação saudável pelas principais avenidas, que causava um murmurinho capaz de alcançar as ruas mais calmas da região. Havia muito congestionamento, também, de onde se podia perceber uma mistura de ilusão e confiança que tomava conta dos militantes que seguiam para a sede da TV Bandeirantes; e dos muitos torcedores que caminhavam para o estádio.

Democracia e futebol dominavam o ambiente. E assim que os dois jogos se iniciaram o esforço de cada partido e equipe para conquistar a vitória se evidenciava. Alguns dissimulados, outros nervosos. Gente que batia acima da canela, pessoas que tiravam de letra. O do estádio me parecia mais instigante do que o do estúdio, apesar de que este não deixou de ser esclarecedor.

Houve vacilos, como a bola que teimou em escapar das mãos do goleiro, como os dados estatísticos usados de maneira incorreta. Houve grandes lances, como a pergunta capciosa respondida de forma assertiva, como o chute de lado de pé que quase enganou o adversário, mas que gerou uma bela defesa.

De casa, ouvi a torcida se lamuriar quando o atacante perdeu a chance de gol e se vangloriar na hora do gol. Era uma barulho mais sincero do que aquele que vazava do estúdio onde assessores – os pagos e os partidários – tentavam demonstrar entusiasmo e intimidar o adversário (convenhamos, o futebol também tem disso).

No paralelo dos dois embates, destacaram-se até mesmo as lágrimas ao final. Ou tentativas de lágrimas, no caso dos políticos.

Tentar assistir a estes espetáculos ao mesmo tempo – com duas televisões ligadas a minha frente – talvez tenha prejudicado minha avaliação. Mas não me impediu de ver que tanto os candidatos no debate como os jogadores na decisão lutavam pelos objetivos que haviam traçado no início da disputa, suaram a camisa (ou o tailleur) para defender seus ideais, não deixaram seus torcedores/eleitores envergonhados.

No futebol, o vencedor ficou bem claro; na política ainda tem muito jogo pela frente, apesar de o nome dos favoritos serem bastantes conhecidos.

Foi uma noite especial esta no Morumbi – já não posso dizer o mesmo daquela que vi, mais cedo, também pela televisão, no Serra Dourada, onde meu time do coração empatou em 1 a 1 com o Goiás, pela Copa Sul-Americana.

Avalanche Tricolor: Um domingo de trabalho

 

Goiás 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – Goiânia

 

Trabalhar é preciso. Mesmo que seja em um domingo. O sol de São Paulo foi tentador, mas obrigações profissionais exigiram um esforço extra. Deixei-o entrar pela porta da sala para sentir o calor da rua. Durante boa parte da tarde iluminou a mesa tomada por papéis, livros, anotações e o meu inseparável Macbook Air. Nele assisti a vários vídeos relacionados a comunicação. Gravações em áudio também estavam lá. Além das minhas apresentações construídas cuidadosamente no Keynote, programa que dá de goleada no tradicional Power Point, o preferido da galera.

Encerrei a reunião de trabalho quando a lua tomava conta do céu, mas a temperatura ainda era alta. Com garra e determinação – jargão típico da turma do futebol -, foi produtiva esta tarde-noite de domingo. Com minha parceira de reunião, discutimos assuntos sérios, às vezes com bom humor; dividimos ideias, mais as delas do que as minhas; exploramos o que havia de conhecimento e criatividade, fatores importantes para quem pretende atender a demanda de uma plateia interessada em se comunicar melhor. E terminamos o dia orgulhosos do trabalho realizado até ali.

Havíamos vencido mais uma etapa.

Poucas vezes a vitória chega àqueles que não se esforçam, aos que não demonstram merecimento, não planejam de maneira séria ou não são apaixonados pelo que fazem. Às vezes, ela não chega sequer a estes, pois está reservada a alguns. Mesmo os abençoados pelo olhar divino custam a encontrá-la.

O futebol desta tarde me chegou apenas pelos ouvidos, com gritos e foguetes de torcedores paulistanos comemorando os gols de São Paulo e Corinthians. O estádio do Morumbi é aqui perto de casa. Preferi me afastar da tensão de Goiânia e me limitei a acessar a internet quando a partida estivesse no intervalo e no seu final. Tinha de me concentrar no trabalho.

Do jogo mesmo, soube por telefone quase oito da noite quando minha tarefa se encerrara. E do outro lado da linha, ouvi um torcedor incomodado com algo que jamais poderemos admitir em quem veste a camisa do Imortal Tricolor: a aceitação da derrota. O discurso de que as coisas são assim mesmo, o cansaço atrapalha, estava muito calor, sem contar a qualidade do adversário, não combina com a nossa história.

Neste domingo, começamos a disputar uma espécie de mata-mata particular, contra adversários que estão na briga direta pela Libertadores. Nada mais pode ser justificativa para não alcançarmos nosso objetivo. Nossos competidores podem ser superiores no placar e no futebol jogado, nunca no desejo da conquista. Isto sempre nos diferenciou.

A derrota não me assusta, não me tira o desejo de vencer, menos ainda a esperança de que estaremos na Libertadores, em 2010. Mas quando esta acontecer que o seja de maneira suada, que o adversário tenha tido que nos arrancar o resultado do coração, que saíamos do campo orgulhosos do que fizemos como ensinou o educador Darcy Ribeiro em vida, autor de um dos muitos textos consultados neste domingo de trabalho:

“Fracassei em tudo que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças, não consegui.
Tentei salvar os índios não consegui.
Tentei uma universidade séria, não consegui,
Mas meus fracassos são minhas vitórias.
Detestaria estar no lugar de quem venceu”