Avalanche Tricolor: o empate no Gre-Nal

 

 

Grêmio 0x0 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Luan supera a marcação, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Não foi o massacre que alguns dos nossos anunciaram ao fim da partida. Massacre foi o 5 a 0 que fizemos, em 2015, ou o 3 a 0, do Gauchão deste ano. Ali, sim, não sobrou pedra sobre pedra.

 

 

No Gre-nal da tarde de sábado, que marcou o início da rodada do Campeonato Brasileiro, dominamos toda a partida e a bola rodou entre os pés gremistas por quase 70% do jogo. Chutamos mais a gol, cobramos muito mais escanteio, roubamos mais a bola e, provavelmente na única estatística que perdemos para o adversário, erramos menos passes.

 

 

Se quiser incluir aí nos seus números, também tivemos muito mais pênaltis não-marcados — fala-se em dois, mas podem ter sido três os lances em que o árbitro não enxergou a irregularidade. Nem ele nem o amigo dele que fica assistindo à partida na linha de fundo. Se pudesse voltar ao tempo, certamente teria me preparado para atuar nessa função — já imaginou, assistir a todos os jogos pertinho do gol, não pagar ingresso, não fazer nada e ainda ganhar uma grana para isso?

 

 

Apesar da supremacia gremista, o gol não saiu. Encontramos um adversário com 11 jogadores na marcação. Às vezes 12, como no primeiro tempo, quando Maicon enfiou a bola entre os marcadores e encontrou Cortez dentro da área e de frente para o gol — o árbitro fez o que os marcadores não tinham conseguido. Às vezes 13, como na tentativa de cruzamento de Madson, no segundo tempo, em que a bola foi parar no escanteio depois de desviar no braço do marcador — neste lance nem o juiz nem seu amigo viram nada.

 

 

Saímos de campo com sabor de derrota, como disse Luan logo após o jogo — pouco depois de ter sido agredido por um adversário que estava no banco de reservas e entrou em campo apenas para causar confusão, e não foi punido nem teve seu nome registrado na súmula pelo árbitro.

 

 

Saímos de campo descontentes, como disse Maicon ao analisar o sentimento do único time disposto e em condições de jogar bola. Descontentes porque também era o único time em campo capaz de fazer aquilo que o técnico do adversário havia desejado em entrevista antes do jogo: um futebol bonito.

 

 

O Grêmio jogou o futebol bonito que o caracteriza porque só sabemos jogar assim. Mas o futebol nem sempre privilegia os melhores — é dos poucos esportes que permite que os medíocres perseverem. E sorriam ao fim da partida, mesmo depois de terem sido completamente dominados e massacrados taticamente.

 

 
Ops, perdão! Massacre foi o 5 a 0 que fizemos, em 2015, ou o 3 a 0, do Gauchão deste ano. Ali, sim, não sobrou pedra sobre pedra. Hoje, os caras tinham mesmo que comemorar! Empataram com o melhor time do Brasil.

Avalanche Tricolor: por Marcelo, vamos ganhar este Gauchão

 

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Gaúcho – Beira Rio/Porto Alegre-RS

 

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Marcelo Grohe comemora a classificaçao em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Sofrimento não faltou neste campeonato.

 

As escolhas no início da temporada não deram o resultado esperado. Com um time de jogadores da base, salvo alguns agregados do grupo principal, o desempenho ficou aquém da expectativa. O nome do Grêmio rondou a parte mais baixa da tabela de classificação até praticamente as últimas rodadas da primeira fase.

 

Os catastróficos estavam prevendo o pior, sem levar em consideração o potencial do time que, sob o comando de Renato, se preparava nos bastidores para a temporada longa de jogos importantes. Dois deles, inclusive, logo no início do ano quando disputamos e vencemos a Recopa Sul-Americana.

 

Houve até quem fizesse discurso, diante de algumas injustiças cometidas por árbitros, que o Grêmio deveria deixar de lado o estadual para não prejudicar a campanha nas competições que realmente interessavam no ano: Libertadores e Campeonato Brasileiro, por exemplo.

 

Os matemáticos chamados a mostrar suas contas pareciam incrédulos na possibilidade de o Grêmio impor uma sequência de vitórias que lhe tirasse da parte de trás da competição e o colocasse entre os oito classificados às finais. Preferiam falar em chances para não cair. Pobres coitados! Tão obstinados pelos números, esqueciam do poder de reação que sempre marcou a história gremista.

 

Ao fim e ao cabo, o Grêmio chegou às quartas de final não na última vaga, mas em sexto lugar e com uma vitória na casa de seu principal adversário, que lutou desesperadamente por um empate apenas para não ter o dissabor de enfrentar o tricolor já na etapa seguinte. Sabia o que teria pela frente.

 

O Grêmio chegou grande e forte no momento decisivo da competição e mostrou sua superioridade no domingo passado, na Arena quando encaminhou sua classificação à semifinal com uma goleada de 3 a 0.

 

Na noite desta quarta-feira, diante da torcida adversária e de um time que tem como sua maior pretensão no ano a conquista do estadual, o Grêmio somente precisava carimbar a passagem à próxima etapa. Fez um jogo sabendo desta missão.

 

É provável que ciente de sua superioridade e da grande vantagem que havia garantido no primeiro jogo tenha sobrado soberba. E isso sempre cobra um preço por mais talento e técnica que seu time tenha.

 

O Grêmio, como diz o lugar-comum dos jornalistas esportivos, jogou com o regulamento embaixo do braço, e se expos a riscos. Riscos calculados é verdade, pois como se viu nos momentos finais da partida, bastava colocar a bola na grama, trocar alguns passes e o talento que nos deu a Copa do Brasil, a Libertadores e a Recopa, nestes últimos anos, se revelava novamente.

 

Jogou o suficiente para se classificar e aprendeu a lição. É o que espera Marcelo Grohe, segundo se ouviu na entrevista que ele concedeu ao fim da partida. Nosso goleiro confidenciou ao repórter de campo que antes do jogo se iniciar lembrou a seus colegas que neste ciclo vitorioso que estamos vivendo ainda não havíamos vencido o Gauchão.

 

Marcelo, um dos dois únicos remanescente do último título gaúcho que o Grêmio conquistou, ainda chama o estadual no aumentativo, coisa que evito há bastante tempo, pois entendo que o campeonato perdeu importância especialmente diante dos verdadeiros desafios que temos pela frente.

 

É bom que ele alerte seus colegas e chame minha atenção, também, para a necessidade de reconquistarmos este troféu. Até porque, Marcelo sabe que o Grêmio está condenado a disputar cada jogo como uma decisão. É assim que nossas história foi forjada. E, independentemente do tamanho do campeonato, o Grêmio tem de ser grande em campo, sempre.

 

Vamos ganhar o Gauchão – e o chamarei assim, a partir de agora – por Marcelo Grohe.
 

Avalanche Tricolor: foram palavras mágicas!

 

 

Grêmio 3×0 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio/Porto Alegre-RS

 

 

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Muitos motivos para sorrir (foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O saudoso estádio Olímpico está a alguns passos de onde escrevo esta Avalanche, nesta noite de domingo. A Arena fica mais distante, algo em torno de 11 a 12 quilômetros. Era para lá que seguiria nessa tarde para assistir ao Gre-Nal 414. O ingresso destinado aos sócios, no setor Oeste das cadeiras gold, ficou armazenado no meu computador a espera de ser impresso. Preferi guardá-lo. Mudei meus planos.

 

Em vez do estádio, entendi que meu lugar era na sala da casa onde passei minha infância e adolescência, na Saldanha Marinho, no bairro do Menino Deus. Naquele mesmo espaço onde nossa família se reunia no passado, onde eu e meus irmãos brincávamos, onde a mãe montava a árvore de Natal, onde ligamos a nossa primeira TV a cores … Ali mesmo, onde hoje estariam meu irmão mais novo, meu filho mais velho e, especialmente, meu pai.

 

Foi ele, o pai, quem me ensinou a ser gremista desde pequenino – usou método pouco ortodoxo, é verdade, e já escrevi sobre isso em Avalanches anteriores, mas foi fundamental na minha escolha.

 

O pai me levou pela mão ao estádio Olímpico, me apresentou muitos dos meus ídolos, me fez conhecer os bastidores e corredores do time. Me fez íntimo daquele espaço e daquelas cores. Forjou minha personalidade e educação nas conversas que tínhamos diariamente, nas quais o Grêmio era nosso motivo de interação.

 

Foram-se muitos anos desde aqueles tempos de guri. Eu já estou com 54 anos e o pai com 82. Por aquelas coisas que a idade avançada vai nos tirando da memória, a conversa com ele já não tem a mesma fluidez. A gente se esforça para dialogar, dizer algumas palavras, descobrir o que queremos falar um para o outro. Às vezes, a mensagem chega por gestos, por sorrisos ou pelo olhar.

 

Com medo que essa distância aumente de maneira acelerada, acreditei que estar ao lado dele, neste domingo, era o melhor que poderia fazer, aproveitando minhas férias na cidade. Por isso nos sentamos nos sofás e poltronas novos que ocupam a nossa velha sala de televisão para assistir ao Gre-Nal.

 

Foi mágico!

 

Falamos do jogo e dos jogadores; vibramos com as primeiras defesas de Marcelo Grohe; nos incomodamos com a falta de chute do nosso time; reclamamos do árbitro e das manias dos locutores e comentaristas esportivos. Em pouco tempo, éramos novamente pai e filho daquele passado que havia se passado bem ali ao lado, no estádio Olímpico.

 

E foi ainda mais mágico, porque o Grêmio parecia entender os instantes que estávamos experimentando juntos.

 

Para nos oferecer a primeira grande alegria, fez questão de marcar um gol, através de Everton, ainda antes do intervalo, em uma troca de passes típica deste time que tem encantando a América. Apenas não corri e me joguei nos braços do pai porque achei que ele não suportaria essa extravagância. Preferi dar-lhe um abraço e um beijo enquanto falávamos da nossa satisfação.

 

Tive de me conter mais uma vez, aos 17 minutos do segundo tempo, ao ver Jael bater falta de maneira precisa e indefensável e correr em direção a Renato com o sorriso característico deste atacante que a cada partida revela seu prazer em ser feliz. Sorrimos, o pai e eu, juntos com Jael. Voltamos a nos abraçar e trocamos palavras de felicidade.

 

Aos 31, acompanhamos quase em pé a corrida de Arthur em direção ao terceiro e definitivo gol. A medida que a bola se aproximava do “fundo do poço”, nós já nos cumprimentávamos, agora batendo as mãos no alto, uma contra a outra, como se fôssemos dois adolescentes. Era o que parecíamos mesmo, narrando novamente cada momento daquela jogada, o lançamento, o toque de ombro de Jael, a escapada de Arthur e o chute por debaixo do goleiro adversário.

 

Falávamos com satisfação, felicidade e jovialidade. Falávamos do Grêmio e das alegrias que ele nos proporcionava. E a partir da nossa fala, descobri que por mais que a memória queira ir embora, as palavras que sempre nos uniram se mantém vivas. E esta foi, mais do que a goleada, a minha maior alegria deste domingo de Gre-Nal.

Avalanche Tricolor: dos tempos da Semana Gre-Nal

 

Grêmio 1×0 São Paulo (RS)
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Maicon faz de pênalti único gol da partida

 

 

Começo essa Avalanche revelando a idade: 54 anos. E com todo orgulho. A passagem do tempo é da natureza do homem, portanto não há motivos para fugir dela. Só não passa o tempo quem já morreu. E quero viver por muitos anos ainda. Basta que tenhamos capacidade de nos adaptarmos às transformações. E esse tem sido meu esforço.

 

As confidências do primeiro parágrafo, posso garantir, não foram influenciadas pela presença, na noite de ontem, na Arena, do técnico Ernesto Guedes que, aos 68 anos e 57 clubes depois, ainda tem disposição de ficar em pé ao lado do gramado, gritando com seus jogadores na esperança de posicioná-los melhor em campo, mesmo ciente da baixa qualidade técnica do time que tem para comandar.

 

Guedes já era experiente nos tempos em que fui repórter esportivo, nas rádios Guaíba e Gaúcha, de Porto Alegre, na metade dos anos de 1980. Sempre foi dado a frases de efeito e comportamento provocativo com o objetivo de motivar seu time e seus torcedores. É daqueles entrevistados bons de conversar porque dele sempre se tira aspas de destaque  que podem render uma boa manchete (aspas é como chamamos as declarações que são transcritas palavra por palavra no jornal).

 

Não falo de minha idade por causa de Guedes, mas tenho certeza que se fossem outros os tempos e no comando de um dos times da dupla Gre-Nal, ele estaria abrilhantando o noticiário com suas afirmações, às vésperas do primeiro clássico da temporada.

 

Lembro dos meus 54 anos porque, assim como Guedes, eu também sou dos tempos em que a imprensa gaúcha dedicava enormes espaços para falar da “Semana Gre-Nal”.

 

Sim, naqueles tempos, respeitava-se uma semana inteira sem jogos para que os grandes do Rio Grande do Sul se preparassem para o clássico, os lesionados se recuperassem e – em alguns casos – os suspensos tivessem a chance de serem perdoados nos tribunais.

 

Era a oportunidade de se contar as histórias dos principais personagens de um lado e de outro: muitos dos nossos heróis tiveram sua imagem construídas dessa maneira. Alguns, inclusive, eram bem maiores na página do jornal do que dentro de campo.

 

Em reportagens que sempre traziam o selo “Semana Gre-Nal”, havia comparação do desempenho de jogadores, análise com lupa das estratégias dos técnicos e a lembrança de duelos épicos.

 

Antigamente, se andava pelo centro de Porto Alegre e se percebia um clima diferente. Um excitação que levava todos a falarem mais alto na Rua da Praia por onde ecoava uma provocação que incomodava tanto quanto era respeitada. 

 

Aqueles, porém, era outros tempos. 

 

Atualmente, joga-se sábado ou domingo, depois volta-se a jogar na segunda, na quarta ou na quinta e a rotina segue no fim de semana. Falta tempo para digerir o resultado do jogo que mal acabou e já é preciso promover a próxima partida.

 

Ontem à noite, o Grêmio ainda não havia deixado o gramado, depois de mais uma vitória no Campeonato Gaúcho, contra o time treinado por Ernesto Guedes, e o repórter já perguntava sobre o clássico. Não havia tempo a perder porque o Gre-Nal é logo ali e outros tantos podem se seguir dependendo da combinação de resultados.

 

Menos mal que deu tempo para ver Arthur voltar ao gramado, dominar a bola com a elegância que marca seu futebol, de cabeça erguida, com o corpo sempre voltado em direção ao gol e o olhar em busca de um companheiro mais bem colocado. Ter nosso volante à disposição renderia uma ótima reportagem nos tempos da Semana Gre-Nal.

 

Em forma, ele poderá ajudar e muito o Grêmio a vencer o clássico no domingo. Até porque se tem alguma coisa que não mudou com o passar do tempo foi o nosso desejo de vencer sempre o Gre-Nal.

Avalanche Tricolor: clássico de muita disputa e pouco futebol

 

 

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Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Torcedores a espera do Gre-Nal em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Se você não é da terra, dificilmente será capaz de entender o sentimento que move os gaúchos em um domingo de Gre-nal. Esse clássico extrapola os interesses do futebol, vale mais do que três pontos na tabela e talvez um título não seja capaz de superar o desejo da vitória.

 

Já assisti ao meu time vencer uma partida final por 3 a 1, na casa do adversário, e apesar de o resultado não ser suficiente para o título, comemorarmos como se a conquista do jogo fosse maior do que a do campeonato. Do outro lado, a festa foi constrangida, sem graça. O contrário também deve ter ocorrido, mas prefiro não lembrar coisa ruim.

 

O resultado do Gre-nal define a segunda-feira, a semana, às vezes a temporada que se segue. Pergunte a eles se já esqueceram do 5 a 0?

 

Quando era guri, fingia uma dor qualquer para não ir a aula no dia seguinte em caso de derrota. E quando não havia a conivência da mãe, vestia a camisa tricolor e tomava um copo de leite quente misturado a uma dose extra de coragem para encarar os colegas encarnados. Aí deles, porém, se a vitória fosse minha. O dia começaria cedo com direito a homenagem já na porta da escola. E seria longo, capaz de durar até o próximo clássico.

 

Estou mais velho e vivido do que naqueles tempos de guri em Porto Alegre; e a distância do Rio Grande reduz o impacto do resultado. Mas, acredite, o Gre-nal ainda importa muito.

 

Hoje cedo, como sempre faço aos domingos, fui à Igreja perto de casa, onde a missa das 9 da manhã é rezada por um padre gremista – e isso, como já expliquei nesta Avalanche, é apenas uma feliz coincidência.

 

Padre José sabe que temos coisas mais importantes durante o ato religioso, mas é incapaz de se despedir sem uma palavra de graça: “é hoje”, disse-me de forma simpática. E imagino que a expressão foi ouvida em todo o Rio Grande, a cada troca de cumprimento na padaria, no passeio na Redenção ou a caminho da Arena.

 

“É hoje” significa muita coisa. É quando vamos vencer ou vamos derrotar. É quando, com certeza, vamos sofrer. É quando vamos viver emoção que não se encontra igual em nenhuma outra partida de futebol pelo mundo – e deixemos que os torcedores de outros clássicos pensem igual de suas disputas. Mas este é o nosso clássico a disputar.

 

“É hoje” tem a capacidade de resumir tudo que pensamos sobre o Gre-nal. E dá o clima deste jogo de características singulares no futebol brasileiro.

 

Mexe a tal ponto com os ânimos que o torcedor comemora até recorde de público, como na festa feita pelos gremistas diante da informação de que havia 53.287 pessoas assistindo ao jogo, o maior número já registrado na curta história da Arena.

 

É este ambiente que fez o gringo Kannemann se transformar em jogador de rugby ao se atirar na grama para disputar com as mãos a bola que sequer estava em jogo, e provocar a agressão do adversário. Mesmo motivo que o levou a se jogar como pode para impedir o contra-ataque que poderia ter sido fatal, quase ao fim da partida.

 

É esta sensação que nos faz vibrar (sem que isso signifique comemorar) ao assistir a cena de pugilismo travada no campo e provocada por Edílson. Soca-se o ar e depois bate uma baita vergonha, pois se percebe que nada daquilo é justificável. É uma sensação animal que toma conta da pessoa e tem de ser contida.

 

O “É hoje” de hoje só não foi capaz de levar as equipes a fazerem um jogo mais bem jogado. Apesar de a bola ter rolado muito e por boa parte do tempo, foi mal rolada e isso deixou os times muito parecidos em campo, um prejuízo para nós que estamos mais bem arrumados e ainda disputando vaga para a Libertadores.

 

PS: diante do pouco futebol jogado, o melhor do clássico foi o pedido de casamento de um torcedor gremista para a colorada que estava ao seu lado na área destina à torcida mista. É a prova de que apesar de todas as provocações e indignações, a convivência é possível e muito bem-vinda. Imagino que o casal ao sair de casa se olhou e disse um ao outro:”é hoje” – cada um com o seu significado!

Avalanche Tricolor: o sinal da vitória!

 

Inter 0x1 Grêmio
Brasileiro – Beira Rio/POA-RS

 

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Douglas comemora único gol no Gre-nal, em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

O rapaz da manutenção apareceu aqui em casa com a camisa do Grêmio, mas disse que é palmeirense: “uso a camisa porque acho a mais bonita” (eu, também!). Aproveitei para mostrar-lhe a coleção que está em fase de reconstrução desde que tive meu acervo roubado, em São Paulo.

 

O padre gremista que sempre me recebe na porta da igreja aos domingos estava de vermelho e branco. Ao cumprimentá-lo com olhar desconfiado, ele arriscou: “será uma premonição?”. Sem saber o que responder, sorri amarelo para, em seguida, ouvir outra pergunta: “pode dar azar?”.

 

Padre falando em sorte e azar? Fiz o sinal da cruz e entrei.

 

Para um domingo de Gre-nal, palmeirense com a camisa do Grêmio e gremista com as cores do adversário, convenhamos, são sinais conflitantes.

 

Antes de o jogo se iniciar, tentei decifrá-los, na tentativa de antecipar o que aconteceria em campo logo em seguida. Mas não encontrei resposta razoável, a não ser a preocupação.

 

E foi com dose extra de preocupação que me postei diante da TV, neste domingo pela manhã.

 

Assim que a bola rolou, vi nosso time com aquela marcação sob pressão já no campo de defesa do adversário. Era sinal de que jogaríamos com a postura de quem está em casa, mesmo não estando.

 

Havia pouco espaço para jogar de um lado e de outro. O passe precisaria ser muito preciso e o drible faria a diferença. Douglas, Giuliano, Luan e Everton mais à frente, ensaiavam algumas jogadas, mas sem chegar na condição ideal para o gol.

 

O melhor sinal mesmo vinha lá de trás, com a defesa firme na marcação, roubando bolas e jogando para longe quando necessário – às vezes, para escanteio, o que poderia ter sido evitado.

 

Em um jogo congestionado, o contra-ataque era a chance de se tocar a bola com menos sufoco. E foi o que aconteceu aos 19 minutos do primeiro tempo, com a roubada de bola no nosso campo e a disparada para o ataque, com passe de pé em pé, jogadores próximos um dos outros, deslocamento rápido de Everton pela esquerda, o chute que já virou uma de suas marcas e a sobra para quem aparecer dentro da área: Douglas, o camisa 10, apareceu e marcou.

 

O Grêmio saía na frente do placar, mas não seria suficiente para sinalizar o que poderia ocorrer no restante do jogo, mesmo porque esquecemos que estar com a bola no pé é a maneira mais segura de evitar qualquer risco.

 

Riscos não faltaram no segundo tempo, com bola cruzando de uma lado, cruzando de outro, passando rente a trave, sendo despachada pelos zagueiros de cabeça, com o pé ou o do jeito que desse. Tinha também Marcelo Grohe para evitar o pior que se avizinhava.

 

“Estamos dando muita sorte para o azar”, pensei em voz alta e logo lembrei de um dos diálogos com o padre na porta da igreja.

 

Sorte? Azar? Meu Deus do Céu, lá vem a bola de novo!

 

Àquela altura, a nosso favor apenas o relógio que não parava um segundo sequer e a cada segundo que passasse nos deixava mais próximos da vitória. Havia também o desespero adversário que colocou quem pode dentro da nossa área, até o goleiro . Falharam todos.

 

Diante daquela situação, o sinal mais comemorado foi mesmo o apito final do árbitro que nos garantia a vitória no Gre-nal.

 

Com a conquista do clássico, mais três pontos na tabela e as perspectivas mantidas na busca pelo título do Campeonato Brasileiro, tentei entender o que todos aqueles sinais antes da partida tentaram me dizer.

 

Do palmeirense com a camisa gremista, imagino que seja o respeito a quem está chegando para tirá-los da liderança.

 

Já o vermelho e branco que se destacavam na vestimenta do padre e na decoração da igreja eram o convite para mais uma festa. Lá na igreja, pela solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo; lá na casa do adversário, pela vitória do técnico que prefere dirigir um time de qualidade a um trator de pneu furado.

Avalanche Tricolor: vamos ao que realmente importa

 

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Gaúcho/Copa Sul-Minas-RJ – Arena Grêmio

 

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Miller em mais um ataque gremista FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

O Gre-nal deste domingo era um Gre-nal estranho. Valia por duas competições ao mesmo tempo (ambas sem muito valor), e estava intrometido entre dois jogos da única competição que realmente vale alguma coisa: a Libertadores.

 

Depois daquela atuação exuberante em busca do título sul-americano, com goleada em casa e o melhor desempenho até aqui na temporada, no meio da semana, o Grêmio foi apenas um esboço daquilo que o diferencia dos demais.

 

Nos primeiros minutos, bem que ensaiou o futebol de velocidade, precisão no passe e qualificado com o qual já estamos acostumados. E quase decidiu o jogo logo no seu início. Não teve sucesso.

 

Por mais motivados que pareciam estar nossos jogadores, lutando pelos espaços em campo (e alguns lutaram muito), disputando cada bola como se fosse a última, parece-me que se ressentiu da ressaca da Libertadores. Esteve mais lento do que o normal, mais distante do que de costume.

 

A retranca armada pelo adversário, típica dos times que enfrentamos no Campeonato Gaúcho, também nos fez sair das nossas características e nos levou a exagerar naquilo que mais nos faltava até aqui: chutes de fora da área.

 

De todos em campo, destaque para Geromel, o Senhor da Área. Ganhou todas as disputas que encarou e não deu chances aos atacantes que se atreviam a se aproximar de nosso gol. Nem precisou ser violento para isso.

 

Por cima, nosso zagueiro saltava mais alto do que qualquer outro e afastava o perigo de cabeça; por baixo, despachava para longe quando necessário ou buscava um companheiro mais bem colocado, se seguro fosse. E em baixo das traves impediu a consumação de uma injustiça com uma defesa incrível, no segundo tempo.

 

Por mais que a torcida, que fez belo espetáculo lotando a Arena, desejasse a vitória, porque vencer queremos sempre, do ponto de vista da competição estadual temos pouco a lamentar pelo empate, mesmo depois de assistir ao Luan desperdiçar o gol mais feito do jogo.

 

O que me preocupa é que este Gre-nal, em meio a dois jogos realmente importantes, causou baixa significativa para o Grêmio, com a perda de Miller (ex-Bolaños) por cerca de 30 dias, agredido no início da partida, sem que seu algoz fosse punido.

 

Temos elenco suficiente para superar a ausência dele no ataque, mas quando se está em uma competição de alto nível, privilégio de poucos no Rio Grande do Sul, é sempre bom contar com força máxima.

 

Que Miller volte logo.

 

Até quarta-feira, pela Libertadores, que, afinal, é o que realmente importa!

Avalanche Tricolor: ainda bem que no primeiro turno nós goleamos

 

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Brasileiro – Beira Rio

 

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A grandeza de nossos feitos pode ser medida pelo esforço do inimigo em nos vencer.

 

Lembrei-me dessa verdade enquanto assistia ao clássico deste domingo, em Porto Alegre, apesar de não gostar muito de trabalhar com essa dicotomia quando trato do futebol, esporte que já foi palco de intolerância e mortes. Amigos e inimigos. Vida ou morte. Paz e guerra. É sempre perigoso usar essas expressões quando estamos diante de pessoas que nem sempre são capazes de compreender que a co-existência de paixões e opiniões é possível.

 

Feita a ressalva, volto ao futebol propriamente dito. Hoje era perceptível a necessidade que o adversário tinha de ganhar, uma questão de sobrevivência. De honra, talvez. Especialmente após a goleada retumbante que levou no primeiro turno, 5 a 0 – repito o placar para caso você já tenha esquecido. Não esqueceu, né?

 

Se jogávamos apenas futebol – ou tentávamos jogar futebol, pois deixamos muito a desejar, tendo como referência a qualidade do jogo que apresentamos até aqui neste campeonato -, do outro lado havia alguém jogando a vida. E talvez isto tenha feito diferença nas bolas divididas, na força imposta para superar o marcador, na insistência em chegar ao gol mesmo com a falta de talento.

 

É claro que para o torcedor um Gre-nal nunca é apenas um Gre-nal. Queremos ganhar todos, um atrás do outro, em casa ou fora e de goleada sempre, apesar de que estas costumam acontecer só de vez em quando e, ultimamente, a nosso favor.

 

A segunda-feira é sempre mais dolorida quando não é o nosso time que vence o clássico. Mas não se preocupe, caro e raro leitor gremista deste blog, se servir de consolo, nesta segunda-feira, aqui em São Paulo, a dor será bem maior para outros tricolores. Seis vezes maior.

 

Perdão, lá estou de novo falando em goleada.

 

É que isso não me sai da cabeça e parece que também não sai da cabeça do adversário, pois comemorou a vitória por um a zero de hoje como se tivesse ganhado a Copa do Mundo. Fez volta olímpica? Foi o que ouvi o locutor da televisão dizer. Deve ser exagero desse pessoal da crônica esportiva.

 

Para o Grêmio, o resultado atrasou o carimbo definitivo no passaporte para a Libertadores que, como você já sabe, é o nosso grande objetivo. Pelos meus cálculos é necessário apenas mais um ponto nos dois próximos jogos. Dadas as circunstâncias, até arriscaria dizer que do jeito que está já chegamos lá, pois mesmo que o Gremio não marque um só ponto e os adversários ganhem todas suas partidas, ainda teriam de golear em seus jogos, devido a grande vantagem no saldo de gols gremista.

 

Goleada? Desculpe-me, teimo em repetir a palavra que ainda soa mal no ouvido de alguns amigos gaúchos. Prometo não repeti-la mais até porque está na hora de me recolher e me preparar para a semana que se inicia. E, também, porque do Grêmio de hoje tenho muito pouco a escrever, já que, vamos ser sincero, deixamos a desejar.

 

Ainda bem que no primeiro turno nós goleamos, ops!

 

A foto deste post é do álbum Grêmio oficial, no Flickr

Avalanche Tricolor: Pai, obrigado!

 

Grêmio 5×0 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Time comemora a goleada no Gre-Nal (Foto álbum oficial do Grêmio no Flickr)

Time comemora a goleada no Gre-Nal (Foto álbum oficial do Grêmio no Flickr)

 

Fui cedo à igreja como sempre faço aos domingos. E na igreja que vou o padre é gremista. Não todos, mas o que reza as missas nas manhãs de domingo, José Bertolini, de quem já bem falei nesta Avalanche, o é. Para que não haja dúvida, ratifico, também, o que já escrevi por aqui: não vou a igreja porque ele é gremista nem por causa do futebol. No campo em que a bola rola, nossos deuses são profanos e nossas atitudes nem sempre são santas. De qualquer forma, é bom encontrá-lo por lá, pois fico sempre a espera de um cumprimento na porta da capela. Assim que cheguei, acenou com a mão aberta e os cinco dedos à mostra para em seguida balbuciar: e hoje, heim?! Que façamos por merecer, respondi de bate-pronto.

 

Lá dentro, na dinâmica que emprega, Bertolini aproveitou a data especial (e me refiro ao Dia dos Pais) para convidar os fiéis a falarem sobre seus pais. Antecipei-me na jogada, tomei o microfone e com duas palavras defini o meu, que você, caro e raro leitor desta Avalanche, já conhece muito bem, como incentivador e inspirador. Motivos não me faltam para descrevê-lo desta maneira e poderia, talvez, exemplificar com a escolha profissional que fiz, seguindo seus passos na carreira. Ou, ainda, lembrar as centenas de vezes em que esteve ao meu lado, sofrendo em cada jogada que me envolvia nas partidas de basquete e de futebol, esportes que pratiquei por muitos anos.

 

Hoje, porém, permita-me falar sobre apenas um dos aspectos que o tornaram tão especial para mim: a crença de que eu deveria ser gremista. Foi meu pai quem me guiou pela mão em direção ao Estádio Olímpico quando eu tinha seis anos de vida. E o fez usando sua autoridade de pai, pois percebeu que um primo de segundo grau tentava seduzir-me e levar-me a torcer para o time que, naquele ano, inaugurava seu novo estádio e quebrava sete temporadas seguidas de hegemonia regional do Grêmio. Fosse nos dias de hoje talvez sua atitude tivesse sido condenada, mas ao me ver com a bandeira do adversário na mão, tirou-a de mim e me passou um corretivo. Nada como um pai convicto de suas decisões e disposto a tudo para colocar o filho no caminho correto.

 

Neste domingo, foram intensas as lembranças provocadas graças a atitude de meu pai.

 

Lembrei de meu pai e a atitude dele ao ver nosso time trocar passes – olha eu aqui mais uma vez enaltecendo o passe – com precisão, rapidez e criatividade.

 

Lembrei de meu pai e a atitude dele ao ver nossos jogadores marcando com a força e a prudência necessárias para impedir que o adversário jogasse.

 

Lembrei de meu pai e atitude dele ao ver Marcelo Grohe comemorando com os punhos cerrados um das poucas vezes em que foi exigido.

 

Lembrei de meu pai e a atitude dele no golaço com o pé esquerdo de Giuliano, no segundo e no terceiro gols com o pé direito de Luan, no quarto marcado após o drible em velocidade de Fernandinho e no quinto em que o adversário capitulou jogando contra sua própria rede.

 

Lembrei dele até no pênalti desperdiçado (sim, a goleada poderia até ser maior), pois me ensinou que nada está perdido enquanto se tem dignidade para lutar. E que força o Grêmio demonstrou na partida desta noite!

 

Foram tantas as lembranças e alegrias nesta goleada dominical, proporcionadas pelo caminho oferecido por meu pai, lá em 1969, que só posso encerrar esta Avalanche com um agradecimento:

 

Pai, obrigado por eu ser gremista!

Avalanche Tricolor: que venha o Gre-Nal!

 

Fluminense 1×0 Grêmio
Brasileiro – Maracanã (RJ)

 

17546855

 

Já disse nesta Avalanche que de futebol costumo entender tanto quanto qualquer outro torcedor apaixonado por um clube que, provocado pelo coração, distorce os fatos em campo e retorce a verdade a seu favor. Jamais daria, por exemplo, aquele segundo cartão amarelo a Wallace – que nos custou o jogo, ao nos deixar em menor número em um gramado com aquelas dimensões – e, sem titubear, teria tirado o vermelho para o carrinho que o camisa 10 deles deu em nosso zagueiro quando, mesmo em menor número, continuávamos levando perigo ao gol adversário. Teria sinalizado impedimento no lance que os levou a marcar o único gol da partida, mesmo que a linha digital da televisão me provasse por A mais B que a posição era legal. Como disse, sou apenas torcedor. Também apitaria sem perdão o pênalti em Edinho quase no fim da partida que poderia nos levar ao empate. Aliás, para apitar esse não precisava ser um torcedor, bastava um pouco de boa vontade e precisão até porque – e a televisão provou isso – houve puxão na camisa do nosso volante.

 

No entanto, não estou aqui para falar do futebol em si, mas de um tema sobre o qual tendo a entender um pouco mais até porque, como diria meu pai, o diabo sabe mais por velho do que por diabo. Quero falar de comunicação, para a qual me dedico há cerca de 30 anos e foi assunto central de livro que lancei recentemente: “Comunicar para liderar”, pela Editora Contexto (momento jabá). E falo hoje, especificamente, da comunicação dos jogadores, pois, creia ou não, os considero geniais. Imagino que você, caro e raro leitor desta Avalanche, deva estar estranhando esse meu elogio, afinal as entrevistas ao fim das partidas por muitas vezes são motivos de deboche, dada a repetição de frases feitas e expressões sem muito sentido que nossos “craques da palavra” usam para atender as perguntas dos repórteres.

 

Agora, vamos pensar com carinho. O cara passa 90 minutos correndo atrás da bola, disputando cada pedaço do gramado, recebendo botinada de uns e dando botinadas nos outros, cai no chão, se levanta, corre de novo, ouve vaia do torcedor, bronca do professor e não desiste. Ao fim e ao cabo, sai de campo derrotado (ou não) e, sem chance de recuperar o fôlego, já é alvejado com uma pergunta do jornalista. Convenhamos, às vezes alvejado com cada pergunta que pelo amor de Deus! Sem pestanejar, o cara tem de responder de bate pronto.

 

Coloque-se no lugar dele e pense se você seria capaz de articular alguma frase depois de passar pelo que ele passou em campo? Tem doutor que estuda, planeja e treina para falar bem e quando é perguntado, em uma entrevista programada e sem estresse, diz um monte de asneira. Tem autoridade que decora a fala e se dá mal. O jogador é obrigado a responder ali, no calor da emoção, mal conseguindo puxar o ar. E nós queremos que ele diga algo espetacular, com início, meio e fim, e que ainda faça algum sentido?

 

O incrível é que, na maioria das vezes, eles se saem bem, sem se comprometer. Não aprofundam muito na análise do jogo, mas resumem as coisas com uma frase que acaba virando manchete em seguida. No sábado, aliás, um dos nossos se saiu muito bem, inclusive foi melhor nas palavras do que na bola jogada. Refiro-me a Edinho que, ao lado do campo, após ter corrido dobrado na ausência de um de seus colegas e perdido três pontos importantes, foi perguntado sobre o fato de ter sido derrotado e já ter que encarar um Gre-nal na próxima rodada. Poderia ter concordado com o ar de dificuldade que a jornalista usou na pergunta, mas, não, nosso volante com a sutileza que lhe é peculiar tascou: “ainda bem que tem um Gre-nal!”.

 

Ou seja, que bom que teremos uma partida importante para disputarmos, um clássico pela frente, pois é a oportunidade para se mostrar grande, vencer e crescer na tabela de classificação, antes que seja tarde. Faço minhas as palavras de Edinho. Que venha o Gre-nal!