Avalanche Tricolor: para comemorar o Dia do Mágico

 

Grêmio 4×0 São Luiz
Gaúcho — Arena Grêmio/Porto Alegre-RS

 

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Maicon comemora mais um gol do Grêmio,em foto de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA

 

Hoje foi o Dia do Mágico. Confesso que somente fui apresentado à data pouco antes de iniciar meu programa matinal na rádio CBN. Soube que o dia foi destinado aos ilusionistas porque esta seria uma das muitas habilidades de São João Bosco, que morreu em 31 de janeiro de 1888.

 

Dom Bosco, como o conhecemos por aqui devido as muitas escolas salesianas que encontramos no país —- lá na minha Porto Alegre tem uma muito famosa — foi aclamado pelo Papa João Paulo II como o “Pai e Mestre da Juventude”. Na adolescência, ele fazia mágicas para ajudar a família. Além de representar os mágicos, é padroeiro de Brasília — mas este é outro assunto.

 

Lembrei dele e dos mágicos, agora à noite, enquanto assistia ao Grêmio, em Porto Alegre, na quarta partida disputada pelo Campeonato Gaúcho. Os gols foram de Everton — no rebote de uma ótima cobrança de falta de Jael —, de Marinho —- que baita gol, rapaz —, de Luan na cobrança de pênalti e do estreante Montoya — começou bem o gringo. Sem desmerecer nenhum deles — e seria injusto se agisse assim —- foi Maicon quem me inspirou a falar dos mágicos e de Dom Bosco.

 

A impressão que tenho sempre que assisto aos jogos do Grêmio é que o nosso capitão é o maestro desse time. A bola sempre passa por ele, antes de se iniciar uma boa jogada de ataque. A cabeça erguida e o olhar para a frente, já desenhando o que pode acontecer de melhor logo ali adiante, revelam a segurança com que ele comanda a equipe.

 

A facilidade com que ele troca a bola de um pé para outro, desviando-se do seu marcador e abrindo espaço para um companheiro que se aproxima ou outro que corre lá distante, é mágica pura.

 

Na partida do fim de semana, nosso volante já tinha sido protagonista de um lance genial, dentro da própria área do Grêmio. Era o último homem e estava acossado pelo atacante. Com a mesma tranquilidade com que dribla e toca a bola lá no meio de campo, livrou-se da marcação e saiu jogando — iludindo o adversário.

 

Hoje, não foi diferente. Como um mestre, sinaliza para seus companheiros o caminho certo, aponta para onde devem se deslocar, em que lugar vão receber a bola. Conversa com um e cochicha no ouvido do outro. Se necessário, fala com o árbitro para entender as sinalizações controversas. Às vezes, está na linha lateral trocando palavras com Renato. Assim como é técnico com a bola nos pés, é a extensão do técnico dentro de campo.

 

Maicon, aos 33 anos, é exemplo para os novos jogadores — os mais jovens e os recém-chegados. É referência para a equipe. É respeitado por todos. Além de esbanjar talento, vibra, briga, sofre. É a representação da nova raça tricolor, em que não basta lutar. Tem de saber jogar. E jogando muito bem em uma posição por onde passaram vários dos nossos ídolos, mudou o patamar de exigência do torcedor.

 

Maicon é mágico e nosso mestre! 

Avalanche Tricolor: é só o começo

 

Grêmio 3×0 Juventude
Gaúcho — Arena Grêmio/Porto Alegre-RS

 

 

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Luan de volta e brilhando, assim como o Grêmio, em foto de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA

 

 

Time titular em campo, gramado novo e estádio de primeira. Na segunda -feira calorenta de Porto Alegre —- 34 graus no termômetro, 38 graus de sensação térmica — nada poderia dar errado. Depois de duas partidas com equipe alternativa, nós torcedores gremistas matamos a saudade do Grêmio.

 

A formação principal, escalada por Renato, desde os primeiros momentos de jogo, esboçou o futebol que se transformou em marca registada — daquele Grêmio que nos deu quatro títulos nos últimos anos. Marcação intensa lá na frente, segurança lá atrás e muito toque de bola e movimentação dos jogadores por todo o campo. Um esboço, lógico, porque é preciso ritmo, musculatura mais solta e isso apenas o tempo vai trazer de volta.

 

O primeiro gol surgiu de uma bola roubada quando o adversário tentava sair jogando, aos 27 minutos do primeiro tempo. Ouvi comentaristas chamando atenção para o erro dos defensores. Nenhum dos que ouvi atentou-se para o fato de que o erro foi forçado. Luan pressionou e provocou o erro. Marinho aproveitou-se do erro, houve troca de passe e  Jael matou a jogada na rede.

 

No segundo tempo não foi diferente. Até o tempo do gol foi o mesmo: 27 minutos. O adversário tentou sair jogando. Maicon forçou na marcação. A bola sobrou para Everton e Jael, mais uma vez, completou para o fundo do poço — expressão cunhada pelo mestre e pai Milton Ferretti Jung, que me ensinou a gostar deste time.

 

O terceiro, quando a partida estava praticamente no fim, aos 44 minutos, saiu de outra das características que têm encantado os torcedores. Jean Pyerre — que substituiu Luan — deu um passe sutil e aéreo, cheio de talento, que encobriu os marcadores e fez a bola parar nos pés do atacante Felipe Vizeu — que estreou com nossa camisa ao entrar no lugar de Jael, aos 29 minutos. Vizeu encontrou Maicon livre na pequena área, que apenas empurrou a bola para dentro do gol. 

 

Com a vitória, o Grêmio é líder do Campeonato. Tem maior número de gols marcados: 8. E o melhor saldo: 7. Mais importante do que isso. Mostrou que já começa a ensaiar o talento e a destreza que nos colocaram no topo do futebol sul-americano e nos fez um dos times mais admirados do Brasil. Mas, calma, é só o começo de temporada. O ano promete.

Avalanche Tricolor: o torcedor é tratado como se fosse um mero detalhe

 

Aimoré 1×1 Grêmio
Gaúcho – Cristo Rei/São Leopoldo-RS

 

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Juninho Capixaba comemora o 2º gol dele no Gaúcho, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Os campeonatos estaduais têm perdido prestígio ao longo dos últimos anos, apesar de algumas rivalidades permanecerem muito fortes, como é o caso do Rio Grande do Sul. Mesmo assim, tirar as pessoas de casa para ocupar as arquibancadas é tarefa das mais complicadas.

 

No ano passado, a média de público pagante foi de 4.262 pessoas. O Grêmio, campeão de 2018, também liderou essa estatística: 16.233 pessoas por jogo — nada muito entusiasmante se levarmos em consideração que isso não chega a um terço da ocupação dos estádios em que disputou suas partidas.

 

Diante do fiasco de público, é de se esperar que as federações e os demais protagonistas do futebol adotem medidas que motivem os torcedores. De olho no noticiário, porém, percebe-se que essa não é a lógica que impera no futebol brasileiro.

 

Hoje à noite, pouco antes de se iniciar a segunda partida do Grêmio no Gaúcho, leio que a Brigada Militar estava impedindo a entrada de torcedores com a camisa do clube, no estádio Cristo Rei. Resultado de interpretação de punição imposta pelo STJD – Superior Tribunal de Justiça Desportiva à dupla Gre-Nal por briga de torcedores que aconteceu no ano passado durante um dos clássicos.

 

Ou seja, porque grupos de insanos resolveram se engalfinhar ano passado, a solução encontrada pelos tribunais foi impedir a participação do senhor, da senhora, do seu filho, do sobrinho, da dona de casa, do cidadão comum, de bem com a vida, que simplesmente curte ver a bola rolando e quer ter o prazer de vestir a camisa do seu clube de coração — talvez em uma rara oportunidade de assistir ao time jogando na cidade em que mora.

 

Para moralizar o futebol pune-se os que gostam de futebol. Afasta-se a família, tira-se o prazer do guri, corta-se o barato de nos sentirmos integrantes de um grupo, aborta-se o orgulho de usar o mesmo uniforme que nossos ídolos que estão em campo.

 

A medida adotada no Rio Grande do Sul soma-se a outros fatos desses últimos dias, como a ameaça de termos torcida única na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior — que só não se concretizou graças a combinação de times que se classificaram para a decisão —- e o ingresso único de R$ 100,00 imposto pela diretora da claudicante Portuguesa, na segunda divisão do Campeonato Paulista.

 

Menos mal que quando a bola começou a rolar no estádio Cristo Rei, em São Leopoldo, nesta quarta-feira, pude perceber pelas imagens da televisão que havia nas arquibancadas torcedores gremistas com suas camisetas tricolores ou azuis. Não sei como entraram. Se os policias fizeram vistas grossas ou simplesmente eles esconderam suas camisetas até a partida se iniciar.

 

Independentemente do “drible” que deram na punição imposta pela Justiça, tanto no Rio Grande do Sul quanto em São Paulo, o que vemos é uma série de ações que dá a entender que o torcedor é um mero detalhe no futebol.

Avalanche Tricolor: de volta!

 

Novo Hamburgo 0x4 Grêmio
Gaúcho – Estádio do Vale/Novo Hamburgo-RS

 

 

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Pepê comemora seu gol em foto de LUCAS UEBEL/GREMIOFBPA

 

 

O Grêmio sempre teve espaço privilegiado neste blog, por motivos que o caro e raro leitor sabe bem — e se por acaso você acessou este post por engano, certamente entenderá até o fim deste texto. Em 2008, um ano depois de ter começado a escrever por aqui, criei a coluna Avalanche Tricolor, publicada sempre ao fim de cada partida disputada pelo meu time. No post de fundação, escrito em 19 de janeiro daquele ano — sim, ontem fizemos aniversário de 11 anos — já deixava evidente minhas (más) intenções: “a coluna ‘Avalanche Tricolor’ ganha espaço neste blog com o objetivo de ser o post esportivo menos imparcial possível”.

 

 

O nome da coluna era referência a maneira que nossa torcida costumava comemorar os gols nas arquibancadas de cimento do Olímpico Monumental —- o que se tornou impossível na Arena, infelizmente. Se no novo estádio, não existe mais Avalanche, a coluna seguiu firme, forte, entusiasmada e parcial aqui no blog, ao menos até a metade do ano passado. Em julho, uma série de compromissos com o lançamento do livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos” me impediu de frequentar com assiduidade o blog e menos ainda dedicar algum tempo para escrever textos que estivessem à altura da minha paixão pelo Grêmio.

 

 

Sem clamor popular e nenhuma reclamação dos caros e raros leitores deste blog, interrompi a Avalanche — mas não deixei de acompanhar meu Grêmio, é lógico. Torci, sofri, esbravejei e comemorei cada resultado alcançado até o último jogo de 2018 e, na maioria das vezes, senti falta desta coluna, pois é aqui que jorro minhas emoções, revelo meus sentimentos, algumas vezes torno públicos momentos que vivi em família, já que o Grêmio foi muito importante na minha formação em Porto Alegre, e tento explicar as coisas do futebol, de vez em quando.

 

 

Durante as férias, que se encerram hoje, pensei duas, três vezes se reassumiria o compromisso de escrever a Avalanche. Até a bola começar a rolar neste domingo, em Novo Hamburgo, quando o Grêmio fez sua estreia no Campeonato Gaúcho, tinha dúvidas se seria capaz de acompanhar todos os nossos jogos e depois ainda escrever algo que valesse a pena ler.

 

 

O primeiro tempo já sinalizava que haveria bons motivos para uma Avalanche, mesmo que o time que entrara em campo fosse alternativo, como anunciavam os locutores da TV. No decorrer da partida, encontrei não apenas um, mas quatro bons motivos — o primeiro gol de Juninho Capixaba, que gera boa expectativa na lateral esquerda, os gols marcados pelos jovens Pepê e Matheus Henrique, que são o futuro se revelando em campo, tanto quanto o gol de Marinho, que torço para que deixe de ser apenas um jogador folclórico.

 

 

Não resisti. Voltei. A Avalanche voltou. E termino esta Avalanche da retomada com o título da última coluna escrita, em 30 de julho do ano passado: “Renato sabe o que faz”.

O dia em que Tarciso encontrou o ídolo que o batizou de Flecha Negra

 

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Foi pela coluna de Hiltor Monbach — do Correio do Povo, de Porto Alegre —, meu primeiro e único editor de esportes em mídia impressa, da época em que trabalhei no jornal gaúcho, que fui lembrado de texto escrito por este blog sobre um dos maiores ídolos que tivemos na história do Grêmio: Tarciso.

 

Nosso craque morreu, aos 67 anos, na madrugada desta quarta-feira, vítima de um tumor ósseo. A última vez que o encontrei foi na final da Libertadores da América, em 2007, quando perdemos para o Boca, no estádio Olímpico. Eu estava ao lado do pai. Ele estava correndo — não na mesma velocidade que imprimia nas suas arrancadas para o gol nos tempos de jogador de futebol, é lógico. Corria para chegar ao seu lugar nas cadeiras cativas, pois o jogo estava para começar. Teve tempo de parar, voltar e dar um abraço no pai — assisti emocionado à reverência de um ídolo para o outro. O pai foi quem lhe concedeu o apelido de Flecha Negra que marcou sua carreira.

 

Monbach visitou esse blog para descrever a importância de Tarciso para o Grêmio e reproduziu o texto a seguir, que publico com orgulho:

 

Gol, gol gol…Gol de Flecha Negra

Milton Ferretti Jung, a eterna Voz do Rádio, batizou Tarciso de Flecha Negra. Pegou. Milton, seu filho, que eu chamava de Miltinho, conta essa história no seu blogue. Trabalhei com os dois, pai e filho. Mais com o pai.

 

“Jogadores com a cor do Grêmio estarão sempre na nossa memória.
E Tarciso é um desses.

 

Sua imagem nos leva a um passado de incríveis resultados, tempos em que superar adversários de Rio e São Paulo ainda eram vistos como feitos quase impossíveis.
E, também, está ligada a uma fase de transição do Imortal Tricolor, momento em que deixávamos de ser um time apenas para consumo interno para sermos temidos pelos grandes clubes do País.

 

Era ele o ponteiro direito do time campeão brasileiro em 1981, treinando pelo meu querido padrinho Ênio Andrade, que conquistou o título após duas difíceis disputas contra o São Paulo.

 

Hoje cedo, antes da partida com o mesmo São Paulo, Christian, meu irmão, e Fernando, meu sobrinho, que moram em Porto Alegre, tiveram a feliz oportunidade de encontrá-lo próximo do Estádio Olímpico.

 

Se apresentaram e pediram para tirar uma foto.

 

Nada mais natural para fãs que encontram seu ídolo.

 

Na conversa, Tarciso soube que eram filho e neto de Milton Ferretti Jung, o homem do Gol-gol-gol, que você, caro e raro leitor deste blog, conhece seja pela própria história dele, seja pelos posts de toda quinta-feira.

 

Na mesma hora deu aquele sorriso que meu irmão definiu como o de Campeão do Mundo.

 

Sim, Tarciso também fez parte daquele time que conquistou o Planeta, em 1983. E mandou “um abração para o velho Milton”.

 

Abraço enviado.

 

Foi Milton, o pai, quem o batizou de Flecha Negra, apelido que refletia bem a velocidade com que Tarciso escapava dos adversários e chegava na cara do gol.
Uma característica que, aliás, o levou para o Grêmio após marcar um gol contra o próprio, na época em que ainda vestia a camisa do América do Rio, em 1973.
Durante os 13 anos em que jogou pelo Grêmio sua postura em campo, a forma como se entregava em cada jogada e as disparadas com a bola no pé o transformaram em eterno ídolo.

 

Tarciso é um exemplo para todos estes que hoje jogam no nosso time. Sei lá quantos deles serão capazes de repetir a mesma história e serem lembrados para sempre pelos torcedores. O que sei é que a disposição de cada um, desde que Celso Roth assumiu o comando, tem um pouco da raça, da determinação, da coragem e da personalidade com as quais apenas alguns foram capazes de se consagrar.
E, tenha certeza, Tarciso foi um desses.

 

Nenhum comentarista viu, os narradores não falaram, o adversário jamais poderia imaginar e duvido que o atual elenco tenha percebido. Mas o espírito de Tarciso estava em campo nesta vitória que reforça a Avalanche Tricolor recém iniciada, que só vai sossegar quanto estiver de volta a Libertadores.”

 

 

A coluna “Avalanche Tricolor”, escrita no dia 11 de setembro de 2011, que serviu de base para o artigo de Monbach você lê aqui.

Avalanche Tricolor: Renato sabe o que faz

 

 

Chapecoense 1×1 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá, Chapecó-SC

 

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Um tem 19, outro 20, outro 21 e tinha um ainda com 22 anos. Essa gurizada que entrou em campo hoje para representar o Grêmio tem a idade — ou quase — dos meus filhos. Gente muito nova, precisando ganhar cancha, como se diz na minha terra. Inexperiente ainda. E para tornar o desafio ainda maior entraram em uma equipe que não costuma jogar junto — em função da maratona de partidas que se inicia com a chegada de agosto, preferimos escalar 11 reservas.

 

Um dos meninos fez bonito logo no início: Pepê, 21 anos, trocou passe no contra-ataque com Hernane Brocador e com um tapa na bola encobriu o goleiro adversário quando tínhamos pouco mais de dois minutos de partida — é o primeiro gol dele entre os profissionais. Mais uma vez a escolha de Renato dava certo, pois todos apostavam que o titular seria Thonny Anderson e nosso técnico preferiu o outro guri. Deu certo. Dizem que é a estrela do técnico que brilha. Para mim, é a sabedoria.

 

O de 19 anos estava na lateral, era Guilherme Guedes; o de 20, Thony Anderson que entrou no segundo tempo; assim como Derlan, que aos 22 anos, substitui Bressan, lesionado.

 

Verdade que no nosso meio de campo havia um “veterano”: Douglas que está voltando ao time aos poucos, depois de um ano e meio parado devido a lesão e cirurgia. O “10”, como é chamado pelos colegas, ou o “Maestro”, como o chamam os torcedores, demonstra seu talento sempre que toca na bola. É uma enfiada entre os zagueiros, um passe de três dedos ou um toque para desmontar a marcação. Dá gosto de vê-lo em campo.

 

Entre os guris e o “velho” havia ainda muita gente tentando conquistar um espaço na equipe, mas com entrosamento insuficiente para dar ao time reserva a mesma movimentação dos titulares. Com isso, o que sempre foi nosso mérito, a posse de bola, ficou nos pés do adversário que pressionou, com o apoio de sua torcida e o desespero da ameaça de rebaixamento — e ainda contou com a falta de atenção dos árbitros que validaram gol iniciado com o atacante que estava em posição de impedimento como bem mostrou a televisão.

 

Saímos com um empate quando o que queríamos mesmo eram os três pontos — porque sempre queremos os três pontos. Diante das circunstâncias, porém, o resultado ficou de bom tamanho e encerraremos a rodada na zona da Libertadores.

 

A partir de agora é olhar para a Copa do Brasil, nesta semana que se inicia, e na Libertadores, na semana seguinte. Quanto ao Campeonato Brasileiro (bem que eu gostaria de ver os titulares atropelando o adversário e se aproximando ainda mais do líder) ….  Renato tem muito crédito com a gente. Que faça o que achar melhor para o Grêmio!

Avalanche Tricolor: salve, salve gurizada!

 

Grêmio 2×1 São Paulo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Ser torcedor gremista como sou e estar radicado em São Paulo como estou —- já falei sobre isso com você caro e raro leitor deste blog — me remete a situações estranhas. Quando você mora na terra do seu time do coração, a maior preocupação é com o clássico regional. Não dá pra perder de jeito nenhum. Quando mora fora, aumentam as chances de encontrar corneteiros no caminho.

 

Aqui na capital paulista, para ter ideia, tenho torcedores de ao menos quatro grandes querendo tirar uma da minha cara na primeira tropeçada do Grêmio contra o time deles. Por isso, a cada rodada contra um representante paulista, sofro uma espécie de Gre-Nal fora de época.

 

Desde o início da semana já era fácil de perceber o sorriso maroto de alguns amigos tricolores —- tricolores paulistas, é lógico. Esfregavam as mãos, analisavam estratégias e faziam contas: uma vitória e estaremos na liderança do Campeonato. Tinham razão para o otimismo, afinal a equipe está embalada e tem muitos méritos.

 

Dentre eles, com as cautelas de ocasião, estava o meu companheiro de todas as manhãs no Jornal da CBN, Teco Medina, que, no ar, chegou a dizer que ficaria satisfeito com o empate na Arena —- quem o conhece sabe que o gosto da vitória era o seu preferido. Foi mais sincero no Instagram, quando pediu para seu guri mandar um recado a este escriba: “Salve, salve, Miltinho, o São Paulo vai vencer, por 1 a 0, e com gol de Diego Souza.

 

Mal começada a partida deste início de noite, em Porto Alegre, em uma rara falha de Geromel, a visão do pequeno são-paulino se realizava, com o ex-atacante gremista marcando 1 a 0 e assustando a torcida do lado de cá. Deve ter sido bonita a comemoração do meu amigo Teco e seu pimpolho. Eu e ele sabemos como é legal comemorar um gol abraçado no filho. O que eles não contavam, porém, é que o Grêmio também tinha suas armas.

 

O Grêmio tem Everton. Tem Everton enlouquecido com a bola no pé, capaz de encontrar espaço onde este não existe. Que passa correndo por um lado enquanto a bola vem pelo outro. E o pobre coitado do seu marcador não sabe para que lado vai. Pede ajuda para um companheiro, olha desesperado para o técnico, reclama qualquer coisa do árbitro — nada mais do que manobras para ver se ninguém percebe que ele está mesmo é perdido, sem saber o que fazer diante daquele guri endiabrado.

 

Everton resolveu uma vez, nos acréscimos do primeiro tempo, colocando justiça no placar, afinal o Grêmio — exceção ao gol logo no início e um contra-ataque abortado pelo incrível Kanennman quase no fim — controlou o jogo. Chegou a ter 79% de posse de bola.

 

Na volta do segundo tempo, Everton resolveu outra vez, aos 15 minutos, em lance com as mesmas características do gol anterior. Balança para cá, balança para lá e quando parece que não há mais o que fazer, ele chuta no canto mais improvável e marca.

 

Verdade seja dita: Everton só consegue resolver dessa maneira porque, além de jogar muita bola, tem ao seu lado um time talentoso, inteligente e paciente. Capaz de trocar um número incrível de passes antes de decidir a jogada. Um tipo de jogo que irrita o adversário e o obriga a cometer uma sucessão de faltas para tentar alcançar a bola —- é isso que explica os cartões amarelos distribuídos pelo árbitro.

 

Graças a Everton e ao estilo de jogo do Grêmio a festa aqui em casa foi mais completa e eu pude por duas vezes comemorar abraçado com os meus guris. E assim como eu, Teco, você sabe como é mais legal ainda comemorar dois gols com os nossos filhos. 

 

Salve, salve!

Avalanche Tricolor: a Copa vai começar, ainda bem!

 

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Brasileiro – Ilha do Retiro/Recife PE

 

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Geromel, o Mito, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Trabalhei com esporte em alguns momentos da minha carreira profissional, especialmente no início, na primeira parte dos anos de 1980 quando fui repórter de campo —- como chamamos essa turma que fica atrás do gol e correndo atrás de jogador ao fim da partida. Na época estava na rádio Guaíba, em Porto Alegre.

 

Já em 1990, fui produtor de programa de esportes da rádio Gaúcha, durante a Copa da Itália. De Porto Alegre, marcava e gravava entrevistas, redigia textos e preparava o roteiro que o âncora apresentava aos ouvintes. Fiquei apenas no mês do Mundial e cheguei a fazer alguns jogos do Campeonato Gaúcho até receber convite para trabalhar com uma produtora de vídeo que me fez viajar por boa parte das cidades do Rio Grande do Sul — e aí o assunto não era mais futebol.

 

Em São Paulo, no início dos anos 2000, graças a Juca Kfouri e a RedeTV! tive a oportunidade de narrar jogos de futebol — da Champions League, do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil — além de algumas partidas de tênis. Foi uma experiência e tanto: imagine que transmiti a final da Copa do Brasil de 2001, entre Corinthians e Grêmio, na qual fomos campeões, sob o comando de Tite.

 

Quando pensei que a cobertura esportiva se resumiria a bate-papos nos programas de rádio e TV que apresentei em diferentes emissoras aqui na capital paulista, o Portal Terra me ofereceu uma chance única: cobrir a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Diretamente da Cidade do Cabo apresentei programa que movimentava repórteres pelo país e trocava opinião com comentaristas e internautas. Foi emocionante.

 

O clima que envolve uma Copa do Mundo é contagiante. Turistas de todas as partes se encontram, se fantasiam e se divertem. Você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve ter vivenciado parte dessa sensação durante o Mundial aqui no Brasil — mesmo que a maioria de nós prefira deixar para lá o que aconteceu naquela competição e continue a pagar a conta dos gastos mal feitos.

 

A Copa vai começar novamente, nessa quinta-feira, e independentemente do mau humor de alguns brasileiros — há quem diga que não são apenas alguns —, estou bastante entusiasmado com o que veremos nos gramados. A história dessa competição nos dá certeza de que atos heróicos estão para acontecer a qualquer momento. São jogadores, muitos dos quais jamais ouvimos falar, que superam dores e decepções, que se tornam heróis e algozes, que alegram e frustram, que estão a beira de cair no ostracismo da mesma maneira que podem se transformar em ícones de uma nação.

 

Cada Mundial é um capítulo à parte do futebol. Cada seleção tem seu próprio desafio. Cada jogador, uma expectativa diferente. Para uns estar em campo é a vitória; para outros só a vitória interessa. Há os que se satisfarão se tiverem a chance de perfilar ao lado de seus colegas na foto antes do jogo. Há os que só terão a alegria confirmada quando registrarem um selfie agarrado na taça de campeão.

 

Gosto de Copa e desta vez no papel de admirador do futebol me programarei para assistir aos principais jogos na TV. Vou parar para ver o Brasil de Tite. E, evidentemente, vou dedicar uma torcida especial para Geromel, que sonho ver saindo do banco de reservas para decidir um jogo complicado da nossa seleção. Sim, porque mesmo que eu goste de Copa e torça para o Brasil, a camisa que visto continuará sendo a mesma: a do Grêmio.

 

Aliás, o Grêmio é um dos motivos pelos quais não via hora desta Copa na Rússia começar. Estávamos precisando urgentemente de uma longa parada para colocar as coisas no lugar, respirar fundo, recuperar condicionamento físico, curar lesões e dores e voltar a jogar o futebol mais bonito do Brasil que, sem dúvida, não foi esse que mostramos na noite desta quarta-feira.

 

A Copa vai começar, ainda bem.

Avalanche Tricolor: um futebol que vai deixar saudades

 

Grêmio 1×0 América-MG
Brasileiro – Arena Grêmio

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Eram 37 minutos do segundo tempo e o Grêmio já vencia a partida. Havia uma lateral a nosso favor — daqueles lances que na maior parte das vezes é marcado pela burocracia de um arremesso com a mão para alguém que esteja mais próximo e sem marcação. Cortez arremessou a bola para Thaciano, que havia escapado por trás dos zagueiros ao lado da grande área. Nosso atacante dominou e devolveu a bola para Cortez, que passou para Cícero, que recuou para Luan, que viu Cortez correndo entre os zagueiros em direção ao gol. Nosso lateral voltou a receber a bola pelo alto e de cabeça procurou Jael. O marcador foi mais rápido e fez o corte, mas Arthur recuperou em seguida, passou para Everton e nosso atacante chutou para a defesa parcial do goleiro adversário (veja o lance acima).

 

Como disse, tudo aconteceu aos 37 minutos do segundo tempo e o Grêmio já vencia a partida. O lance talvez apareça no resumo do jogo que as emissoras de televisão costumam mostrar nos programas esportivos — caso contrário corre o risco de ficar esquecido diante do gol que marcamos aos 32 do primeiro tempo, que por sinal foi uma pintura: Cícero, que estava no campo de defesa, foi capaz de ver a disparada de Everton e com um lançamento preciso o colocou dentro da área em condições de empurrar a bola para dentro do gol.

 

O gol foi realmente belíssimo, mas preferi destacar o lance descrito no primeiro parágrafo desta Avalanche — e destacado no vídeo que ilustra este post — porque vejo nele muito do que é o Grêmio dos tempos atuais — do que é o Grêmio de Renato: jogadores que impõem uma dinâmica muito veloz de troca de posições, que passam a bola com confiança e têm coragem de arriscar jogadas de efeito, sem medo de errar.

 

Nem sempre tudo isso se realiza em gol, mas confesso minha felicidade em ver meu time jogando dessa maneira, valorizando a posse de bola e a tratando com o talento que somente os grandes times do futebol mundial são capazes de fazer. Houve outros tantos momentos interessantes na partida, como o drible de Everton na lateral de campo, aos 33 do segundo tempo, quando girou no ar, trocou a bola de um pé para o outro e deixou seu marcador caído no gramado.

 

Mais importante ainda é saber que esses não são lances raros de serem vistos nas partidas jogadas pelo Grêmio, mesmo quando o resultado não é o que desejamos. Digo tudo isso para registrar aqui, caro e raro leitor desta Avalanche, que independentemente da posição que estejamos até a parada do Campeonato Brasileiro — que acontecerá no meio dessa semana que se inicia —, terei de encontrar algo para conter minha ansiedade em ver novamente o Grêmio em campo. A competição nem parou para a Copa do Mundo e eu, confesso, já estou com saudades.

Avalanche Tricolor: um baita jogo, pena que …!

 

Grêmio 0x2 Palmeiras
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Luan em mais uma tentativa de drible, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOGBPA

 

Há muito não se assistia a jogo tão bem jogado como na noite desta quarta-feira.

 

Duas equipes com qualidade no toque de bola, inteligentes na movimentação, agressivas no ataque e com defesas muito precisas. Uma realidade somente possível pelo talento dos jogadores em campo e pela forma como os dois técnicos comandam seus times.

 

O primeiro tempo, em especial, foi um show à parte. De um lado e de outro víamos o resultado de um futebol bem planejado. As equipes chegavam com velocidade à frente, pressionavam a marcação e chutavam muito a gol. Teve bola na trave, bola no travessão, bola espalmada pelo goleiro, bola despachada para escanteio, bola para um lado e para o outro.

 

No segundo tempo, perdemos parte de nossa qualidade no meio de campo, pois nossos dois volantes — que jogam muito acima da média dos demais meio campistas do futebol brasileiro — tiveram de deixar o gramado desgastados fisicamente pela sequência de partida: Maicon no intervalo e Arthur quando já estávamos em desvantagem — e claro que isso pesa, ainda mais que já entramos sem outro pilar deste setor, Ramiro.

 

A diferença se viu no comando do ataque. O deles mais decisivo do que o nosso, apesar de termos dominado o jogo — mostra a estatística que estivemos com a bola muito mais do que eles.

 

A partida que presenciamos na Arena do Grêmio nessa quarta-feira privilegiou o futebol,apesar do excesso de faltas do adversário — mas isso também tem a ver com a qualidade do jogo jogado. Foi o recurso para impedir os avanços do Grêmio.

 

Foi uma baita jogo, pena que … você sabe o quê !