Avalanche Tricolor: Grohe, você merece nosso aplauso!

 

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Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

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Time agradece a Grohe pela classificação em foto de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA, no Flickr

 

Havia um novo técnico ao lado do campo. E pouca coisa diferente lá dentro. Começamos marcando a saída de bola, tocando rápido, deslocando-se com velocidade para abrir a defesa e buscando o gol.

 

Mas esta história já conhecemos bem: a medida que o tempo passa, as chances não aparecem e as poucas que surgirem são incrivelmente desperdiçadas. O baixo astral volta a equipe e repercute nas arquibancadas. A impaciência da torcida se reflete no time. E os erros se sucedem.

 

Basta um, bastam dois ataques do adversário para bater o desespero. Que o gol deles vai sair parece que já está escrito no roteiro. Ficamos apenas a espera de saber quem será o protagonista da história: o vilão.

 

E quis, hoje, o destino que fosse Marcelo Grohe, ao deixar a bola escapar de seus braços ainda no primeiro tempo.

 

Grohe não merece ser vaiado como o foi. Nem mesmo tendo errado. Já fez sua própria história no Grêmio. Já nos salvou de poucas e boas ao longo da carreira. E, diante dos nossos defeitos, tem se transformado no último reduto de um time que começa a falhar lá na frente quando perde gols e se permite ser atacado.

 

O futebol, porém, é incrível.

 

Sejam seus deuses – e há quem acredite nesta divindade mundana rodando os gramados – seja o acaso, o roteiro traçado para conquistarmos a classificação à próxima fase da Copa do Brasil devolveu a Grohe o direito de ser protagonista mais uma vez: o herói.

 

Em poucas oportunidades, torci tanto mais para um goleiro do que para o próprio time como nessa interminável série de penaltis.

 

Grohe merecia a chance de se redimir. E o fez não apenas uma, mas cinco vezes: com as mãos quando pode; com os pés, quando já parecia não poder mais; e mais duas vezes impondo respeito diante daqueles que estavam ali para cumprir o papel de algoz.

 

Porém, assim como o futebol é incrível também pode ser ingrato. E, portanto, para Grohe retomar o curso da história, não bastaria apenas cumprir seu papel. Dependeria de seus colegas que insistiam em lhe impor um peso cada vez maior a cada cobrança desperdiçada.

 

Grohe defendia. Eles erravam. Grohe defendia de novo. Eles voltavam a errar. E a cada erro deles, Grohe passava por mais uma provação. E ele provou ser forte o suficiente para encarar todos os desafios. E ele provou ser muito maior do que a vaia que ouviu, do que a pressão que sofreu, do que o destino que tentavam lhe traçar.

 

Grohe, obrigado! Você sempre merece nosso aplauso!

É só futebol?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Ao ler o atual post da Avalanche Tricolor do Mílton é difícil não entrar no tema para reafirmar que no futebol é só futebol.

 

Na melhor das hipóteses o ingrediente da política, se houvesse necessidade de incluí-lo, deveria ser para a melhoria do próprio futebol.

 

Infelizmente a realidade não é essa. O futebol, o esporte mais popular do mundo contemporâneo, oferece um produto apaixonante a um mercado em demanda crescente, porém os dirigentes agem pelo sistema político do proveito próprio. Um método envelhecido e envilecido.

 

Não é sem motivo que na FIFA, entidade máxima do futebol, parte de seus dirigentes estão presos. O brasileiro João Havelange, o mais ilustre de todos, e responsável pela hegemonia do futebol no mundo, ficou devendo explicações aos seus métodos nada ortodoxos de expansão.

 

Felizmente ontem, na sede de outro tricolor, o paulista, cujo centro de treinamento foi recentemente invadido, e alguns jogadores foram agredidos, em suspeitíssima ação com indícios de oposição política, surgiram propostas de profissionalização total da administração. Foi uma reunião Extraordinária para a reforma dos estatutos do clube. Desta vez com praticamente unanimidade entre situação e oposição.

 

Outros pontos importantes também foram pautados como mandato único de quatro anos, sem reeleição. Além disso, houve forte presença de empresários de renome como Abílio Diniz. Totalmente avessos a este futebol de velhacos, onde as confederações arcaicas induzem os votos e repudiam até a tecnologia para manter poder e manipulação.

 

É hora de saber se esses dirigentes amadores têm ao menos noção da grandeza das marcas que administram. O recente post de Emerson Gonçalves no Globo Esporte dá uma ordem de grandeza de SPFC e Grêmio no mercado.

 

Pela recente pesquisa do SPC englobando as capitais:
O SPFC e o Grêmio são o 3º e o 6º do ranking, com o detalhe que o Grêmio por classe AB é o 3º e o SPFC o 4º.

 

No IBOPE:
O SPFC e o Grêmio são 3º e 8º

 

No Datafolha:
O SPFC e o Grêmio são 3º e 5º

 

Administrar equipes esportivas “TOP TEN” de mercados competitivos e em crescimento é tarefa para especialistas. Quem sair na frente ficará na frente.
Será o seu time?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: gremista acima de tudo!

 

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Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Na disputa pela bola, em foto de Rodrigo Rodrigues/GrêmioFBPA no Flickr

 

Era de se esperar pouco para este domingo. Os pontos desperdiçados nas últimas rodadas e a saída de Roger fizeram do Grêmio um coadjuvante no Campeonato Brasileiro. Com interino no comando, um time sem rumo certo e alguns poucos torcedores na arquibancada, não surpreendeu-me o resultado, apesar de sempre achar que alguma coisa possa mudar logo ali adiante.

 

Agora, o que tem me incomodado mesmo é ver que diante de todas as dificuldades, parte daqueles que poderiam mudar a história gremista está mais preocupada com seu futuro político do que com o destino do time na temporada.

 

No site tricolor – talvez por força da burocracia- , a principal notícia é a eleição para o conselho que vai ocorrer sei lá que dia. Na televisão, torcedores desfilaram vestindo camisetas com adesivos nos quais o relevante era o número da chapa que apóiam. Nos poucos blogs gremistas que visito, o bate-boca na área destinada aos comentários é de cunho eleitoral.

 

Lamento se tenho dificuldade em entender o momento político que o Grêmio enfrenta. E peço desculpas se sou incapaz de interpretá-lo de maneira correta. Tendo a desconfiar, porém, que parte da crise técnica que encaramos nas últimas rodadas do campeonato esteja relacionada a essa tensão dentro do clube.

 

Sei pouco sobre quem comanda, comandou ou quer comandar o Grêmio. Mas sei que uma boa ou má administração influencia no resultado final. Lembro, por exemplo, que, em passado recente, a forma irresponsável com que nossas contas foram administradas – em alguns casos irresponsabilidade que andou de mãos dadas com a má-fé – destruíram o clube e nos levaram à segunda divisão. Portanto, o que acontece no gabinete chega ao vestiário.

 

Se erro na avaliação, por favor, culpe a visão romântica que sempre pautou meu olhar sobre o Grêmio. Apesar de ter vivido muito tempo bem próximo dos bastidores, fui torcedor forjado na arquibancada, que se apaixonou pelo time que havia em campo e pela entrega daqueles atletas orgulhosos de vestir a camisa tricolor. Por isso, ainda me espanto quando vejo estes embates políticos se sobrepondo aos interesses do time. Antes de desperdiçarem esforços para comprovarem suas teses e alcançar o poder, deveriam todos lembrar que temos de ser gremistas acima de tudo.

 

Eu sou! E continuarei sendo, jogo após jogo, independentemente de quem seja o presidente de plantão e qual grupo político que o apoie. Se for do Grêmio, pode ter certeza, eu torço para dar certo! 

Avalanche Tricolor: é uma pena, Roger não volta mais

 

Ponte Preta 3×0 Grêmio
Brasileiro – Campinas/SP

 

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Luan em meio a marcação adversária em foto do site Grêmio.net

 

Só esperava o Jornal da CBN sair do ar para começar a escrever esta Avalanche. Abri mão de escrevê-la ontem após a partida, como é de costume, não apenas pelo adiantado da hora, mas porque, confesso, desisti de vê-la quando faltavam cinco minutos para o fim.

 

Eu não sou de desistir. Quem me conhece sabe disso. Os torcedores contrários aqui de São Paulo também sabem disso: à primeira provocação, vou sempre em busca de uma resposta à altura. Sempre acho um viés favorável ao nosso tricolor. Faço isso pelo prazer de não dar o braço a torcer e por ser adepto da ideia de que roupa suja se lava em casa (e não no WhatsApp)

 

Na noite desta quarta-feira, porém, desisti antes de o jogo se encerrar.

 

Deveria tê-lo feito já na primeira meia hora de partida quando percebi que a ligação direta, o chutão da defesa para o ataque, voltara. Uma estratégia que tem tudo para dar errado, especialmente em um time que não tem o centroavante típico, aquele grandalhão que fica trombando com os zagueiros e faz qualquer coisa pra empurrar a bola para o gol. Nossos atacantes precisam da bola rolando, passando de pé em pé e colocada em posição privilegiada.

 

Esperei o intervalo na esperança de que haveria mudanças. Houve, mas apenas na escalação. Mesmo porque no meio de campo não tinha ninguém com capacidade de receber a bola, fazer a transição e entregá-la em boas condições ao ataque. Giuliano que ajudava muito nesta função e também na marcação, protegendo nossos volantes e a defesa, já não veste mais nossa camisa, foi para o estrangeiro para em seguida ser convocado à seleção brasileira. Por força dos cartões amarelos, Douglas que faz isso com maestria também estava fora da equipe (menos mal que volta em seguida). E fez uma tremenda falta naquele jogo truncado de ontem.

 

Mesmo assim, insisti. Acreditei na possibilidade que em uma escapada qualquer, um dos nossos conseguiria chegar ao gol adversário. E quase sem querer, empurrando a bola pra frente, Marcelo Oliveira criou essa oportunidade.

 

Deveria ter desistido quando vi o primeiro gol do adversário. Mais um de cabeça. Mas acreditei que, mesmo que fosse em um lance de sorte, poderíamos empatar. Quem sabe, virar.

 

Poderia ter desistindo ao assistir ao segundo gol de cabeça do adversário. Mas pensei comigo mesmo: não somos nós os Imortais? Quis acreditar que poderia estar diante de mais uma epopeia da nossa história.

 

Nos minutos que se seguiram, perdemos uma cobrança de escanteio, batemos falta na barreira e desperdiçamos cruzamentos na cabeça dos defensores. Sem contar que escapamos de tomar mais um ou dois gols. Mesmo assim, eu insisti.

 

Só fui abatido quando faltavam cinco minutos e em rara tentativa de ataque: logo após termos tropeçado na bola, erramos mais um passe em direção ao gol.

 

Apaguei a televisão e desisti.

 

Ainda de madrugada, quando acordei para trabalhar, soube que havíamos tomado mais um gol. Mais triste do que isso: Roger, assim como eu, também havia desistido. A diferença é que eu, amanhã, estarei de volta à “arquibancada”, torcendo e sofrendo pelo Grêmio. Acreditando que dá pra dar a volta pro cima. Que as coisas vão dar certo para nós. E Roger não estará mais.

 

É uma pena! Ele era a esperança de que estávamos diante de um outro olhar sobre o futebol. Fez-me acreditar que seríamos capazes de implantar um modelo inteligente de atuar. Cheguei imaginar que a política interna do clube seria insuficiente para influenciar o trabalho dele. Que conseguiríamos desenvolver um planejamento de longo prazo, como fazem as grandes equipes do futebol mundial. Que formaríamos um time de dar orgulho pela maneira de jogar e, claro, em breve, nos desse também os títulos que tanto almejamos.

 

Avalanche Tricolor: merecíamos a vitória

 

Grêmio 0x0 Palmeiras
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Guilherme e Batista de olho na bola, em foto de RODRIGO RODRIGUES/GREMIOFBPA

 

Fomos melhores do que o adversário. E, especialmente, melhores do que vínhamos sendo. 

 

Fomos consistentes na defesa, setor que preocupava por motivos óbvios. A transição para o ataque também funcionou. Chegamos com mais rapidez lá na frente. E não faltaram oportunidades para marcar. 

 

A bola voltou a rolar na grama e a movimentação da equipe tinha uma lógica em campo. O passe nem sempre foi no ponto certo e o chute foi um pouco além do necessário. A ansiedade em fazer o gol talvez tenha impedido jogadas mais precisas.

 

Merecíamos a vitória.

 

Nada disso nos fez somar três pontos na tabela de classificação, é verdade. E nessa fase pontos são fundamentais para não deixar os da frente se desgarrarem. Precisamos manter todos os cinco adversários diretos na nossa mira para mantermos as chances de dar o bote na hora certa.

 

A partida era em casa e somamos apenas um ponto. Também é verdade. Mas esse ponto valeu pelo futebol jogado. Já obtivemos empates com um nível bem abaixo do que vimos neste fim de domingo.   

 

Depois dos últimos acontecimentos, principalmente do desastre no meio da semana, o que precisávamos era saber se a equipe voltaria a ter equilíbrio e tranquilidade. Tivemos mais equilíbrio do que tranquilidade.

 

Mas, repito, precisávamos ver de volta o Grêmio de Roger com os fundamentos que o diferenciaram nesta competição. Vimos um esboço daquele Grêmio e a esperança de que nosso técnico será capaz de nos colocar novamente no caminho certo.

 

O campeonato está aberto e eu sigo acreditando. Desistir é para os fracos.

 

Você é um deles? Eu, não!

Avalanche Tricolor: hora de transformar limão em limonada

 

Coritiba 4×0 Grêmio
Brasileiro – Couto Pereira/Curitiba-PR

 

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Ramiro (foto do site Grêmio.Net)

 

Foi uma goleada como a de ontem à noite que eternizou na alma tricolor a ideia da imortalidade. Em 2005, quando ainda nos acostumávamos com os jogos da segunda divisão – se é que dá pra se acostumar com estas coisas -, levamos quatro do Anapolina, em Goiás, e voltamos para casa na 12a posição da série B. Coisa pra envergonhar qualquer vivente.

 

No Olímpico, sim, naquela época tínhamos o Olímpico e sua história para preservar, Mano Menezes reuniu o grupo e conseguiu transformar em obstinação a tragédia que se aproximava. Como dizem no popular: transformar limão em limonada.

 

Mano reconstruiu a equipe, mexeu no espírito e na cabeça de cada um de nossos jogadores, ao menos aqueles em quem ele ainda podia confiar, e nos levou a um dos momentos mais épicos do futebol mundial.

 

O resultado de ontem está longe da catástrofe de 2005, pois estamos muito mais bem posicionados e distante da zona de rebaixamento – o que nem todos que nos leem podem dizer com a mesma firmeza. A Libertadores segue logo ali. Verdade que o título ficou bem mais difícil. Apesar de não ser impossível.

 

Tudo vai depender de como Roger recuperará a cabeça dos jogadores que não anda bem e não é de ontem. Terá de mostrar que a recuperação depende de nós mesmos, já no próximo domingo, diante de sua torcida e contra o líder.

 

Aliás, aqui vai mais uma coincidência: logo após a goleada de 2005, encaramos o líder naquela altura do campeonato e em casa, o Santo André. Ganhamos, avançamos e fizemos história.

 

Tudo bem, o Santo André não é o Palmeiras. Mas o Grêmio daquela época estava anos luz atrás do Grêmio de hoje.

 

Sei que hoje no Rio Grande do Sul falar de Segunda Divisão não é bem nossa preocupação. Porém, talvez resgatar a história e mostrar o quanto somos capazes, pode ajudar neste momento de abatimento.

 

Da partida de ontem à noite, peço licença apenas para mais um registro: o juiz errou duas vezes contra nós, no início do primeiro e no início do segundo tempo; mas nós erramos muito mais ao longo de toda partida.

Avalanche Tricolor: estas mal traçadas linhas

 

Botafogo 2×1 Grêmio
Brasileiro – Arena Botafogo

 

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Luan bem que tentou nesta jogada, em foto do site Gremio.Net

 

Imagino que você, caro e raro leitor desta Avalanche, já tenha se deparando com o desafio de ter de começar a escrever um texto e a falta de criatividade impedir-lhe de avançar além do primeiro parágrafo. Escreve, descreve e reescreve. Vai e volta. Arrisca seguir por um lado. Não dá certo. Tenta o outro. Também não rola. Apaga tudo e recomeça.

 

Algum tempo depois, diante da página vazia ou cheia de frases mal começadas, você percebe que pouco tinha a dizer. E o que tinha, não sabia como fazer. Pensa em desistir, mas o texto já está encomendado. Não tem jeito. Chuta pra frente e torce para que uma frase colada na outra faça algum sentido. Na maioria das vezes, o máximo que se consegue são mal-traçadas linhas.

 

Assim foi o futebol do Grêmio na tarde deste domingo.

 

Esqueceu da inspiração em algum lugar qualquer no caminho entre Porto Alegre e Rio de Janeiro. O comentarista que ouvi na televisão chegou a supor que o problema se devia aos desfalques na equipe. Estranhei, porque exceção a Miller, que sequer é unanimidade entre os torcedores, os demais ausentes estão longe de serem artífices da criatividade, apesar de importantíssimos para a segurança do time. E nesse caso, claro, refiro-me a Marcelo Grohe e Geromel.

 

O time simplesmente não conseguiu jogar. Parecia desconfortável naquele estádio com cara de interior, apelidado de Arena e gramado precário. Apresentou-se desajeitado, com jogadores fora de posição e se deslocando de maneira acanhada, o que prejudicou a qualidade do passe.

 

Se na frente a coisa não andava, atrás desandava.

 

A impressão é que o sistema defensivo jamais havia jogado junto. Sempre aparecia um atacante livre para receber e colocar perigo no nosso gol. Era tanta liberdade que até o árbitro e seu auxiliar se atrapalharam logo no início da partida quando não sabiam se davam impedimento ou validavam o gol adversário. Acertaram ao anular o lance, não sem antes fazerem uma baita confusão e influenciarem os ânimos dos jogadores dos dois times.

 

Diante dos fatos, deixamos de somar mais três pontos, no Campeonato Brasileiro. Dos nove últimos disputados, conseguimos apenas um. Nos afastamos ainda mais do líder. E seguimos fora da zona de classificação. O jogo que deveria ter acontecido no início de agosto, nos pegou no pior momento desta temporada nacional.

 

E agora?

 

Apaga tudo e começa de novo, até porque apesar da falta de criatividade deste domingo, ainda confio muito no talento de Roger e sua turma. E o Grêmio sempre encontra inspiração para reescrever sua história.

Avalanche Tricolor: com algum atraso, mas em condições de se recuperar

 

Grêmio 1×1 Atlético-MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Miller, Luan e Walace comemoram gol, em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Havia tempo que não ouvia uma partida inteira pelo rádio. Os compromissos dominicais, porém, me tiraram da frente da televisão e o APP da CBN_BH salvou-me aqui em São Paulo. Claro que dizer que ouvi pelo rádio é apenas força do hábito, pois, a bem da verdade, ouvi pelo celular. O problema, nesse caso, é que as “ondas” digitais, captadas pelo meu aparelho – e pelo seu, também -, têm tempo de resposta um pouco menor do que as ondas de rádio. Ou seja, fico sabendo dos acontecimento segundos depois. E isso pode fazer uma baita diferença.

 

O gol do Grêmio, para ser justo com você, eu sabia que sairia muito antes dele acontecer. A forma como construímos o jogo, mantivemos a bola no pé, demos velocidade nas jogadas e pressionamos o adversário abria o caminho para o gol que sairia a qualquer momento. Até demorou demais, pois no primeiro tempo já tínhamos somado chances consideráveis de ataque. Foi o promissor goleiro do adversário quem impediu nosso sucesso.

 

Assim que o time voltou para o segundo tempo, via-se que o ritmo do primeiro seria mantido, ao menos até abrir o placar aos sete minutos, após a bola chutada por Luan desviar na defesa e encobrir o goleiro. Ouvi críticos dizendo que se não fosse o desvio a bola não entraria. Prefiro dizer que a bola entrou porque o Grêmio insistiu em jogar para frente e chutar sempre que surgisse espaço. Em uma delas, quem mais atacou foi premiado.

 

Por curiosidade, a mensagem eletrônica confirmando o gol de Luan e enviada por outro APP no meu celular, o do GremistaZH, caiu na minha tela antes de o locutor do rádio gritar. São aqueles segundos de atraso na transmissão de áudio por via digital que expliquei lá no primeiro parágrafo. O atraso também ocorre na comparação com o envio na transmissão de texto. Coisas da tecnologia.

 

Por isso, foi no alerta enviado por texto, também, que fiquei sabendo do empate cedido aos 41 minutos do segundo tempo, curiosamente no segundo chute desferido pelo adversário em toda a partida. Foi o tempo de pensar em voz alta “eu não acredito” e o grito de gol do locutor de rádio soou alto nos meus ouvidos confirmando a crueldade e a injustiça por tudo que havíamos feito até então.

 

O que nem o alerta de texto nem mesmo o locutor do rádio tinham me contado – e só fui descobrir ao assistir aos lances na internet – é que assim como as informações por meio digital atrasam alguns segundos para serem recebidas, nossa marcação também havia atrasado. Deixou livre o lado esquerdo para a descida do atacante adversário, deu espaço suficiente para o cruzamento e ficou assistindo à entrada do artilheiro sozinho no meio da área. O gol não foi uma injustiça, foi uma condenação.

 

Os dois pontos a menos na tabela atrasam nossa recuperação no campeonato e nos deixam mais uma rodada fora do G4. Tem-se de levar em consideração, porém, que temos uma partida a menos do que os adversários diretos, portanto ainda estamos na batalha. Mas não dá mais para marcar passo.

Avalanche Tricolor: começamos muito bem a Copa do Brasil

 

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Copa do Brasil – Arena da Baixada/Curitiba

 

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Grêmio comemora gol da vitória em foto do site Grêmio.net

 

Começamos bem. O jogo e a Copa do Brasil.

 

A Copa começamos bem porque marcamos gol fora de casa, o que sempre faz diferença, e vencendo, o que faz uma baita diferença.

 

O jogo começamos bem porque o time se movimentou com uma desenvoltura incrível, no primeiro tempo.

 

Molharam o piso para atrapalhar o domínio de bola, mas sequer essa estratégia foi suficiente para nos fazer parar. Nossos jogadores deslizavam pelo gramado artificial com uma facilidade de impressionar.

 

Supostamente havia três volantes na equipe: Wallace, Jaílson e Ramiro. E provavelmente houve quem torcesse o nariz imaginando que jogaríamos fechado atrás.

 

Assim que pegávamos a bola, e a mantivemos sob domínio quase todo o primeiro tempo, os homens de trás disparavam pelos lados, e os da frente encostavam para tabelar O time dos três volantes ganhava ao menos quatro atacantes. Coisas típicas do Roger, este técnico que nos ensinou a jogar diferente.

 

Ninguém guardava posição do meio para a frente. Ninguém ficava fixo a espera da bola. Todos se deslocavam de uma lado para o outro, deixando a defesa adversária atordoada. E foi dessa maneira que chegamos ao gol.

 

Walace conduziu a bola pela intermediária, Douglas apareceu centralizado para receber e com um passe daqueles que só se dá na pelada do fim de semana colocou Miller na cara do gol. Era só matar. E ele matou. E eram apenas seis minutos de partida.

 

Só percebemos que havia adversário no segundo tempo quando até tivemos boas chances de ampliar o placar, mas perdemos o domínio da bola e nos deixamos pressionar. Foi então que entraram em cena o protagonismo de Marcelo Grohe e Geromel, tendo Kannemann como coadjuvante em sua estreia.

 

Começamos muito bem a Copa do Brasil!

Avalanche Tricolor: nossos meninos de ouro

 

Flamengo 2×1 Grêmio
Brasileiro – Mané Garrincha/Brasília

 

futebol

 

O estádio Mané Garrincha mantinha resquícios dos Jogos Olímpicos que passaram por lá. No alto do túnel por onde as duas equipes entrariam no gramado, a marca Rio2016 aparecia em destaque. Assim que a vi, lembrei de Luan e Walace e a conquista de ambos no dia anterior. Os dois meninos gremistas que saíram do banco e ajudaram a por ordem na equipe brasileira. Uma garotada que amadureceu durante a competição, colocou a bola no chão, teve talento para passá-la e se movimentou em campo com maestria.

 

Walace, mais atrás do que Luan, deu segurança à defesa e jogou como volante moderno, que desarma, eleva a cabeça e não se limita a tocar a bola para o companheiro mais próximo. Tenta sempre o mais bem colocado, aquele que pode dar sequência na jogada. Ainda tem a aprender, é lógico. Às vezes, ele esquece que na posição em que está faz parte do roteiro o chutão de bico para frente.

 

Luan, mais à frente do que Walace, manteve na seleção o toque refinado na bola que estamos acostumados a ver. Movimentou-se com desenvoltura como se veterano fosse. Rodava no meio de campo em busca da melhor jogada. Tocava para seus companheiros, deslocava-se para facilitar o passe dos companheiros e apareceu dentro da área para marcar quando foi exigido – como se estivesse no Grêmio. A cobrança de pênalti que encaminhou o ouro brasileiro foi a síntese do futebol elegante que imprime em campo.

 

Eles não eram os titulares quando a Olimpíada começou, mas os percalços nas primeiras partidas os levaram para o time. E ao entrarem, os dois provaram que de lá não deveriam sair. Tiveram talento e personalidade para assumirem o posto que lhes dariam o mérito de fazer parte da primeira equipe de ouro olímpico do futebol brasileiro.

 

Hoje, nossa bandeira tem uma estrela dourada para celebrar Everaldo que foi tricampeão mundial, em 1970. Já podemos pensar em ter mais duas para representar o ouro olímpico que ajudamos a garimpar.

 

Sobre a partida da manhã desse domingo, assim que os dois times deixaram aquele túnel com a marca da Rio2016 em destaque, percebi que Luan e Walace não estavam ali e fariam falta. E fizeram mesmo!