Avalanche Tricolor: salve, Imortal!

 

San Lorenzo 1×1 Grêmio
Libertadores – Buenos Aires

 

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Lincoln voa em foto de Lucas Uebel/Gremio FBPA

 

Um gol quando o jogo mal havia se iniciado. Um gol bem quando o jogo estava terminando. E entre um mal-feito e um bem-feito, havia Marcelo Grohe.

 

Nosso goleiro foi heróico aos 19 do primeiro tempo quando limpou a barra do nosso esquema defensivo.

 

Foi elástico, aos 42, ao despachar o chute traiçoeiro do adversário.

 

Como a sorte ajuda aos homens de boa vontade, aos 43, Grohe foi salvo pelo travessão, uma vez; pelo pé alheio, na segunda; e por seu fiel escudeiro Geromel, na terceira.

 

E ainda havia todo o segundo tempo para Grohe operar milagres.

 

Verdade que o time da casa não repetiu a artilharia dos primeiros 45 minutos, mas quando só Grohe poderia nos salvar, como naquele lance nos acréscimos, foi ele quem nos salvou.

 

Salve, Grohe!

 

Grohe, porém, não pode fazer tudo. É preciso que alguém faça gol. E Lincoln fez justo quando os descrentes já haviam abandonado a causa.

 

Salve, Lincoln!

 

O guri entrou desajeitado em meio a um time que jogava desajustado. A bola quase não chegava ao pé dele, pois não havia ninguém mais em condições de carregá-la com a precisão necessária.

 

Após um cruzamento mascado e uma bola prensada, Lincoln acertou o único chute a gol do nosso time, naqueles últimos 45 minutos de partida. A bola passou rente e entre as pernas do zagueiro deles (que não era assim um Geromel) e foi parar dentro do gol.

 

Um gol que talvez não tenha feito jus ao futebol que apresentamos. Mas que fez à história que construímos: a de Imortal Tricolor. E só por acreditar sempre nesta história, fiquei atento, ligado, sofrendo e torcendo até o apito final do árbitro, sem perceber que me restariam pouco minutos para descansar e iniciar maratona de trabalho, nesta quarta-feira.

 

Quem se importa com isso, depois de ter tido o prazer de assistir a mais um grande feito da nossa imortalidade.

 

Salve, Gremio!

Avalanche Tricolor: que o DNA de Roger prevaleça sempre

 

Cruzeiro-RS 1×3 Grêmio
Gaúcho – Estádio do Vale/Novo Hamburgo

 

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Bobô e Lincoln comemoram mais um gol Foto: Lucas Lebel/Grêmio FBPA

 

Jogadores titulares preservados para a próxima batalha logo ali na esquina, não se esperava muito da equipe escalada por Roger para a partida do fim de tarde de sábado, em Novo Hamburgo. Eram atletas que costumam treinar do mesmo lado, no time reserva, mas para os quais o técnico não dedica toda atenção tática. Treinam juntos, mas não coletivamente.

 

Verdade que alguns dos que entraram em campo a todo momento aparecem no time principal, muitas vezes sacados do banco como solução encontrada por Roger para resolver qualquer problema que por ventura ocorra no decorrer do jogo, casos de Fernandinho, Bobô e Henrique Almeida.

 

Dar oportunidade para Bruno Grassi no gol é sempre bom, pois ele demonstra segurança e personalidade no que faz. E a seleção está aí de olho em Marcelo Grohe.

 

As duas laterais apresentaram guris em ascensão: Kaio, que me pareceu mais disposto a ir ao ataque do que os próprios titulares, e Marcelo Hermes.

 

Ver Ramiro de volta ao time também me alegra, pois é daqueles jogadores que o grupo sempre precisa ter: se não deslumbra o torcedor pelo talento, o faz pela eficiência na função cumprida. Soube até que temporadas passadas foi dos que mais passes acertaram. Se não o que mais acertou. Informação a ser confirmada, mas que não me surpreenderia se verdadeira fosse.

 

Havia, também, Pedro Rocha, que inclusive já esteve entre os titulares e de quem sempre se está a espera de uma arrancada em direção ao gol, papel que cumpriu bem aos 26 minutos do primeiro tempo, ao empatar a partida.

 

Contra um adversário que disputava “copa do mundo”, a adversidade inicial, com mais um gol tomado de cabeça, não me assustou como deveria. Pois, mesmo diante de todas as fragilidades que pudéssemos ter, havia algo que me agradava: o DNA de Roger.

 

Sim, apesar de ser a equipe reserva, percebia-se a tentativa de tocar a bola com rapidez, se deslocar com agilidade, aproximar-se para receber e passar, e reduzir o espaço para o adversário jogar. Nem sempre com a habilidade necessária para que se protagonizasse em campo o ensaiado no treino, mas do jeito que Roger quer que o Grêmio jogue.

 

A satisfação de ver o esforço de a equipe reserva colocar em campo o que Roger pensa e gosta se deve ao fato de me sinalizar de que estamos criando uma cultura diferente no futebol gremista, que o tempo ainda reconhecerá com títulos.

 

Na partida desse sábado, porém, nada me agradou mais do que assistir ao futebol jogado por Lincoln.

 

Talentoso e aguerrido, nosso guri se agiganta no meio de campo. Técnico e destemido, torna nosso ataque melhor, pelo perigo que leva aos adversários ou pela qualidade em servir aos colegas mais bem posicionados na área – como no segundo gol, marcado por Bobô, aos 42 do primeiro tempo. Foi premiado com gol de pênalti provocado por seu domínio de bola, aos 11 do segundo tempo.

 

Talvez ainda seja muito novo para assumir a responsabilidade da camisa titular, especialmente diante dos compromissos mais sérios que temos pela frente, a começar pelo de terça-feira, quando teremos de ser maior do que fomos até aqui. Porém, Lincoln se transforma em esperança (e opção) de que o futebol qualificado, que tanto defendemos, terá vida longa.

 

Que chegue logo a terça-feira e o DNA de Roger prevaleça!

Avalanche Tricolor: disposto a sofrer até o fim!

 

Grêmio 1×1 San Lorenzo
Libertadores – Arena Grêmio

 

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O ataque não funciona. Então, temos Fred. 

 

A marcação falha. Fred, de novo. E Geromel, como sempre.

 

E Marcelo Grohe faz mais uma incrível defesa.

 

O passe perde a precisão. Que a sorte nos ajude, se precisar!

 

Quando as coisas não dão certo, segure-se quem puder. E como pudermos.

 

Se o empate não era o melhor resultado, que assim seja na Libertadores!

 

Ou alguém aí imaginou que a vida seria fácil?

 

Vamos recuperar estes pontos fora de casa, por que não!?

 

Pra almejarmos o TRI, vai ter de ser assim: lutado, suado, às vezes (e que seja somente às vezes) sofrível.

 

Tem horas em que nada parece que vai dar certo … 

 

É para isso que temos Fred, temos Geromel, temos Marcelo.

 

E temos um baita coração tricolor, disposto a sofrer até o fim.

 

Até o TRI!

Avalanche Tricolor: vamos ao que realmente importa

 

Grêmio 0x0 Inter
Gaúcho/Copa Sul-Minas-RJ – Arena Grêmio

 

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Miller em mais um ataque gremista FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

O Gre-nal deste domingo era um Gre-nal estranho. Valia por duas competições ao mesmo tempo (ambas sem muito valor), e estava intrometido entre dois jogos da única competição que realmente vale alguma coisa: a Libertadores.

 

Depois daquela atuação exuberante em busca do título sul-americano, com goleada em casa e o melhor desempenho até aqui na temporada, no meio da semana, o Grêmio foi apenas um esboço daquilo que o diferencia dos demais.

 

Nos primeiros minutos, bem que ensaiou o futebol de velocidade, precisão no passe e qualificado com o qual já estamos acostumados. E quase decidiu o jogo logo no seu início. Não teve sucesso.

 

Por mais motivados que pareciam estar nossos jogadores, lutando pelos espaços em campo (e alguns lutaram muito), disputando cada bola como se fosse a última, parece-me que se ressentiu da ressaca da Libertadores. Esteve mais lento do que o normal, mais distante do que de costume.

 

A retranca armada pelo adversário, típica dos times que enfrentamos no Campeonato Gaúcho, também nos fez sair das nossas características e nos levou a exagerar naquilo que mais nos faltava até aqui: chutes de fora da área.

 

De todos em campo, destaque para Geromel, o Senhor da Área. Ganhou todas as disputas que encarou e não deu chances aos atacantes que se atreviam a se aproximar de nosso gol. Nem precisou ser violento para isso.

 

Por cima, nosso zagueiro saltava mais alto do que qualquer outro e afastava o perigo de cabeça; por baixo, despachava para longe quando necessário ou buscava um companheiro mais bem colocado, se seguro fosse. E em baixo das traves impediu a consumação de uma injustiça com uma defesa incrível, no segundo tempo.

 

Por mais que a torcida, que fez belo espetáculo lotando a Arena, desejasse a vitória, porque vencer queremos sempre, do ponto de vista da competição estadual temos pouco a lamentar pelo empate, mesmo depois de assistir ao Luan desperdiçar o gol mais feito do jogo.

 

O que me preocupa é que este Gre-nal, em meio a dois jogos realmente importantes, causou baixa significativa para o Grêmio, com a perda de Miller (ex-Bolaños) por cerca de 30 dias, agredido no início da partida, sem que seu algoz fosse punido.

 

Temos elenco suficiente para superar a ausência dele no ataque, mas quando se está em uma competição de alto nível, privilégio de poucos no Rio Grande do Sul, é sempre bom contar com força máxima.

 

Que Miller volte logo.

 

Até quarta-feira, pela Libertadores, que, afinal, é o que realmente importa!

Avalanche Tricolor: Grêmio dá show na Libertadores

 

Grêmio 4×0 LDU

Libertadores – Arena Grêmio

 

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Miller marca na estreia com a camisa do Grêmio Foto: Lucas Lebel/Grêmio Oficial

 

Bola no chão, correndo rente ao gramado e em velocidade. Jogadores próximos uns dos outros, formando triângulos e losangos. Marcação intensa, sem dar espaço para o adversário respirar. E um desejo impressionante de chegar ao gol – algumas vezes até confundido com pressa ou precipitação.

 

Foi assim que o Grêmio de Roger apresentou-se nesta noite de Libertadores, impondo um ritmo alucinante na partida.

 

Ainda antes dos 15 minutos, era possível perceber que a troca de passes, que marcou o belo desempenho da temporada passada, estava de volta. E foi assim que Maicon marcou o primeiro gol, após assistência de Luan.

 

A velocidade nos permitiu ampliar a diferença com pouco mais de meia hora de partida: Miller (ex-Bolaños), em sua estreia, desviou para o gol outra bola bem servida por Luan.

 

A vantagem se tornou possível, também, devido a expulsão de um adversário, logo na retomada do jogo no segundo tempo. Registre-se: expulso por não conseguir acompanhar a velocidade do ataque gremista.

 

Henrique Almeida e Everton, dois dos que saíram do banco para brilhar, completaram a goleada, com chutes precisos, oferecendo ao torcedor uma tranquilidade inesperada, levando-se em consideração ser esta partida de Libertadores.

 

Goleadas assim estamos mais acostumados nos clássicos gaúchos, não é verdade?

 

Miller jogou como um velho conhecido de seus colegas, apesar de estar apenas estreando na equipe. E mostrou que está pronto para dar nova dinâmica ao ataque.

 

Henrique Almeida chutou uma só bola no gol, de fora da área e depois de se livrar da marcação. Mostrou, assim como no fim de semana, qual é o seu papel no time.

 

Douglas, Giuliano e Luan formaram o trio que nos ensinou, no ano passado, que é possível fazer do futebol uma arte.

 

O Grêmio de Roger voltou a se apresentar.

 

Seja bem-vindo e eterno!

Avalanche Tricolor: gols, pipoca e rock and roll

 

Grêmio 3×2 Glória

Gaúcho – Arena do Grêmio

 

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Foi um fim de sábado intenso, que começou ali pelas cinco horas da tarde com a partida do Grêmio, na televisão, e se encerrou depois da meia-noite quando voltei a pé do Morumbi, após assistir ao show dos Rolling Stones.

 

Cheguei a titubear: ver o jogo do Grêmio até o fim e chegar em cima da hora para o show, arriscando ficar distante do palco? Não ver o jogo do Grêmio e garantir espaço nas primeiras filas da pista?

 

Não sei porque ainda encaro esses dilemas quando sei de antemão a resposta: assisto ao jogo do Grêmio, sempre (ou na maioria das vezes). Foi o que fiz e por pouco não me arrependi. Não que lá no estádio, pela hora que cheguei, não tenha conseguido uma boa visão do palco, muito beneficiada pelos incríveis telões que integravam a paisagem eletrônica.

 

O arrependimento bateu forte quando vi, já no segundo tempo, aquela escapada pelo corredor que havia no lado direito da nossa defesa, a bola cruzando toda a área para encontrar o atacante que entrava livre pelo nosso lado esquerdo.

 

Este show já havia assistido, nesta temporada. O Grêmio com muito mais futebol, chegando à defesa alheia com velocidade, chutando e desperdiçando oportunidade atrás de oportunidade. Consagrando o goleiro adversário. De repente, uma bobeada e tomamos o gol. Outra, e gol novamente. Ontem, corremos riscos mais duas ou três vezes. Ainda bem que nosso goleiro é sagrado.

 

Para ver espetáculo com o mesmo enredo, tivesse seguido mais cedo para o Morumbi, pensei cá com as listras tricolores da minha camisa. Lá estava com encontro marcado com velhos conhecidos: no palco estariam os mesmos astros e seus clássicos que curti em janeiro de 1995, no Pacaembu, e em abril de 1998, na pista de atletismo do Ibirapuera, apenas com uma roupagem diferente. Sim, eu estive com eles nas duas vezes anteriores e só não me meti entre os 1 milhão e 200 mil pessoas que assistiram à apresentação, em 2006, em Copacabana, porque casamento e filhos nos dão um certo senso de responsabilidade.

 

Gosto dos Stones e poucos são capazes de me emocionar como eles, especialmente quando somos milhares no mesmo espaço comungando o som que tocou minha geração. E, pela juventude que pulava ao meu lado, a de muitos outros, também.

 

Assim como das outras vezes, a expectativa era ouvi-los em “Jumpin’ jack flash”, “You can’t always get what you want” e “Satisfaction” – os sucessos de sempre. Já sabia que Mick Jagger conversaria com a gente em um esforçado português britânico, iria saracotear de uma lado para o outro e brincaria com a turma do palco.

 

Apesar da impressão de que tudo aquilo já havia sido visto anos atrás, mais uma vez assistir aos Stones seria único, grandioso e emocionante. Um espetáculo que queria ver de novo, e de novo, e mais uma vez se possível. Diferentemente daquele que o Grêmio apresentava na Arena, em Porto Alegre, e eu insistia em assistir até o fim, mesmo que isso pudesse atrapalhar meu compromisso mais tarde.

 

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Luan marca mais uma vez Foto Grêmio Oficial/Lucas Lebel

 

Quando o Grêmio joga, mesmo nos piores de seus dias, sempre quero acreditar que algo surpreendente possa acontecer. E estamos bem distante destes maus dias. O que ocorre hoje é apenas a necessidade de afinar melhor nossos instrumentos: o passe, a aproximação, o deslocamento, a marcação, o chute a gol e a confiança. Roger, que comanda a nossa banda, tem se esforçado neste sentido, pois conhece bem o potencial de cada um dos seus integrantes. Sabe que somos capazes de oferecer um espetáculo vitorioso. E que faremos isso, em breve.

 

A surpresa veio quando já havia trocado minha camisa tricolor pela que estampa a cara envelhecida dos Stones: minha insistência, e muito mais a de Roger e dos jogadores, foram premiadas com dois gols no fim da partida, com Henrique Almeida (que seja o primeiro de muitos) e Luan (mais um de muitos que já marcou) completando o que Giuliano e Geromel haviam iniciado. Uma goleada construída de maneira estranha, mas que foi muito mais realista ao que havia acontecido em campo.

 

Mesmo com o adiantado da hora, cheguei em tempo de entrar no gramado do Morumbi e me intrometer no meio da massa que ocupava quase todo o espaço disponível. Fiquei no centro do campo, diante do palco e com milhares de pessoas embevecidas pelo espetáculo que assistíamos desde o primeiro acorde. Emocionei-me de novo com Mick, Keith, Ron e Charlie. E fui surpreendido com algumas performances no palco, além da beleza de “She’s a rainbow” e o ineditismo de “All down the line”(ao menos nesta turnê). Assim como o Grêmio, os Stones sempre me surpreendem.

 

Na volta para casa, ainda entorpecido pelo som dos Stones, cruzei por um pipoqueiro na saída do estádio: “doce ou salgado?”, perguntou-me. Quero um grande com o sabor da alegria (e uma pitada de ironia, por favor).

Avalanche Tricolor: a imagem não estava boa

 

São Paulo-RS 3×2 Grêmio
Gaúcho – Aldo Dapuzzo/Rio Grande

 

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Everton tenta chegar ao ataque em foto do Grêmio/Lucas Uebe

 

Já havia ao menos 12 minutos de bola rolando, em Rio Grande, e a televisão insistia em mostrar outro jogo. Não que o que eu via me desagradasse (aquilo-que-você-sabe-o-que-é), mas preferia muito mais assistir ao jogo do Grêmio, afinal paguei pra ver.

 

Quando as imagens de Rio Grande surgiram na tela da minha TV não duraram muito tempo.Um contra-ataque gremista congelou. E a responsabilidade não era da defesa adversária. Era na transmissão mesmo. Problema no sinal.

 

Em seguida, com jogo em andamento, para tudo (mais uma vez): entra comercial, sei lá o que estavam anunciando. Meu interesse era o jogo, mas tive de pacientemente assistir à toda propaganda.

 

Comercial feito, vamos para a bola rolando. Mais ou menos. Alguns ataques deixaram de ser destacados, porque o diretor de TV (aquele que escolhe as imagens que vão ao ar) preferia cortar para a cena dos torcedores, dos treinadores, reproduzir o lance anterior e outros salamaleques.

 

Insisti. Continue a assistir ao jogo, apesar da imagem precária devido a iluminação ruim do estádio Aldo Dapuzzo.

 

Fui até o fim e não gostei nada do que vi … dentro de campo (e neste caso a televisão não tinha nada a ver com isso)

Avalanche Tricolor: o mais importante era a vitória

 

Grêmio 1×0 Novo Hamburgo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Bobô comemora gol da vitória FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA no Flickr

 

“O mais importante era a vitória”, foi o que disse Bobô ao fim da partida. Concordo com ele.

 

Sei que vencer é sempre importante. Desta vez, porém, os três pontos valiam muito mais. Diante da maratona que o Grêmio tem de enfrentar nestes primeiros meses do ano, é preciso manter todos os adversários ao nosso alcance. Não podemos permitir que alguém se desgarre ou a pressão dos que vêm de baixo exija esforço extra. Conseguimos isso ao chegarmos na quinta rodada do Campeonato Gaúcho somente a três pontos do líder e com gente metida a grande atrás de nós.

 

A vitória também era o mais importante, neste fim de tarde de domingo, porque somente esta seria capaz de controlar os intolerantes, uma turma incapaz de perceber que time de futebol não se contrói do dia para a noite. Especialmente um time que pretende impor uma forma de jogar diferente da maioria dos demais clubes brasileiros. O futebol qualificado, de toque de bola veloz e eficiente, com aproximação e tomada de espaço, além de marcação precisa, exige ajuste fino por parte do técnico e muito treino e boa condição física por parte do elenco. Isso não se alcança logo no início da temporada.

 

Tenho a impressão de que alguns torcedores têm a necessidade de encontrar um herói para a sua vida, buscam o salvador da pátria, aquele capaz de resolver todos os problemas do time dentro de campo e todas as suas frustrações fora do futebol. Agindo assim, nos transformamos em máquina de moer talentos. O herói de um jogo vira anti-herói no seguinte. E se o time não funciona, este é bode expiatório, vaiado e injustiçado, como chegamos a assistir na partida de hoje.

 

Sair de campo vencedor também foi importante para o autor da frase que abre esta Avalanche. Bobô terminou a temporada passada sem convencer, mesmo diante de seu esforço e alguns poucos gols. A chegada de novos atacantes deixou-o em segundo plano, para muitos até fora dos planos. Já ao entrar no lugar de Henrique Almeida, aos 10 minutos do segundo tempo, em vez de o coadjuvante das partidas anteriores transformou-se em protagonista. Apareceu três vezes seguidas em frente ao gol adversário, duas delas impedido de seguir as jogadas por irregularidades sinalizadas pelo árbitro, e a terceira para garantir a vitória. Será muito bom se sempre pudermos contar com o Bobô que assistimos em campo hoje.

 

Os três pontos ainda valiam a tranquilidade para Roger trabalhar com seu grupo, adaptar os novos atacantes, ter tempo para acertar a dupla de zaga e testar alternativas na equipe, mesclando jogadores titulares e reservas, conforme a conveniência. Sem a vitória, teríamos de arriscar o planejamento e expor alguns dos principais talentos da equipe a uma sequência perigosa de jogos.

 

Se já não fossem motivos suficientes todos os relacionados nesta Avalanche, a vitória marcou o 50º jogo de Roger como técnico do Grêmio, que chegou até aqui com 62% de aproveitamento, 27 vitórias, 12 empates e 11 derrotas. Mais do que esses números todos: Roger foi o responsável pela transformação que o futebol gremista sofreu do ano passado para cá. Por tudo que tem feito ao Grêmio, ele merecia esses três pontos, neste momento.

 

“O mais importante era a vitória”, sim, e tudo mais que esta representava para Roger, para o time, para Bobô e para todos nós que torcemos pelo Grêmio.

Avalanche Tricolor: um sonho mal sonhado

 

Toluca 2 x 0 Grêmio
Libertadores – Nemésio Diez/Toluca (MEX)

 

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O desafio era enorme para o time que começa a temporada tendo de acelerar o ritmo pois tem de cara sua principal competição. Pois tinha a obrigação de fazê-lo a 2,6 mil metros de altura, o que sempre gera transtornos e trapalhadas. Para o torcedor que ficou aqui no Brasil, como eu, acrescente-se o fato de a partida ser de madrugada. Assistir ao jogo, independentemente do resultado, seria um sacrifício com preço a ser cobrado no dia seguinte, durante o expediente de trabalho.

 

Surpreendeu-me, porém, ao ver a bola deslizando no gramado de pé em pé e com movimentação tão intensa de nossos jogadores. Intensidade e velocidade não só rimavam como combinavam em campo. 

 

Ao adversário, empurrado pela torcida e animado pelos pulmões bem acostumados às alturas, restava pouco espaço. Seus atacantes não tinham liberdade para jogar. Os cruzamentos na área eram cortados na origem da jogada, por nossos laterais  sempre bem posicionados. Se por ventura a bola fosse alçada em direção ao nosso gol, contávamos com dois zagueiros saltando no tempo certo, despachando-a para longe, muitas vezes oferecendo a oportunidade do contra-ataque.

 

E lá na frente, aqueles meninos correndo de um lado para o outro, sempre em posição para o chute final proporcionado pelos passes que chegavam redondo dos pés dos meio-campistas. O gol era iminente; a vitória, uma certeza. 

 

Diante deste cenário, um relâmpago fora de hora estourou na madrugada paulistana, aqui perto de casa. Eu acordei desorientado, olhei para a TV e o jogo já havia se encerrado. Peguei o celular para conferir o APP do Grêmio que já anunciava a derrota na estreia da Libertadores.

 

Tudo não havia passado de um sonho mal sonhado. E nos meus sonhos, assistia ao Grêmio que Roger nos ensinou a admirar, em 2015. Que, queira ele, queiram os jogadores e queiramos nós, voltará a campo o mais breve possível.

 

Para meu consolo: um sonho mal sonhado está muito distante de um pesadelo. 

Avalanche Tricolor: agora é Libertadores!

 

Grêmio 0x2 São José
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Luan é um dos destaques do elenco OTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA, no Flickr

 

Malas prontas. Bilhete na mão. Passaporte no bolso.

 

Nesse sábado, o Grêmio embarca para o México, primeira parada desta longa jornada até o topo da América. Caminhada das mais difíceis que já enfrentamos em todos estes últimos anos.

 

De um lado, adversários nas alturas e competitivos. Desde o ano passado, leio que fazemos parte do Grupo da Morte, o que deve ser motivo de preocupação e muita atenção, sem dúvida. Sem jamais esquecer, porém, de que consagrados como Imortal somente nós.

 

De outro, temos um grupo de jogadores jovens, alguns despontando como craques e outros com talento em formação. Muitos em busca da consagração. E todos sob a batuta de uma das maiores revelações do comando técnico do futebol brasileiro: Roger.

 

Como se não bastasse a manutenção do grupo que surpreendeu os adversários e críticos brasileiros no ano passado, ainda ganhamos adesões importantes, nesta temporada: Henrique Almeida, que estreou hoje, e Miller (ex-Bolaños), que começará em breve – o mais breve possível. Ambos chegam não apenas para reforçar o ataque. Vestirão a camisa tricolor para fortalecer a artilharia.

 

Se sentimos falta de alguma coisa nesta ascensão que se iniciou com a chegada de Roger, é daquele jogador que gostamos de chamar de matador, daquele tipo que está predestinado ao chute fatal, mesmo que a bola desvie no zagueiro, esbarre no travessão ou esteja diante de um goleiro considerado intransponível.

 

A partida do início da noite desta sexta-feira nos mostrou isso com clareza. Tivemos velocidade no passe e pressão sobre o adversário em parte do jogo. Boas oportunidades apareceram, especialmente no primeiro tempo. Chegamos muitas vezes na cara do gol. Faltou-nos, no entanto, o cara capaz de superar-se, mesmo quando os fatos em campo não conspiram a nosso favor.

 

Na Libertadores, não nos faltará.

 

Os matadores chegaram. O time está mais maduro do que na temporada passada. E Roger saberá como poucos tirar proveito da derrota desta noite para chamar a atenção da equipe de que se pretendemos conquistar a América temos de ser resilientes diante da adversidade e perseverantes na superação de nossos próprios limites.

 

Que venha a Libertadores!