Avalanche Tricolor: consolidados na vaga da Libertadores, ganhamos um ponto

 

Cruzeiro 0x0 Grêmio
Brasileiro – Mineirão

 

Meu velho time de botão da década de 70 reforçado pelo goleiro Danrlei

Meu velho time de botão da década de 70 reforçado pelo goleiro Danrlei

 

Fui colecionador de times de botão, esporte que era muito praticado antes do surgimento dos jogos eletrônicos conquistarem a garotada com as franquias do Fifa e do PES – Pro Evolution Soccer. Claro que os botões com as cores gremistas eram os que mais faziam sucesso na minha mesa com vitórias heróicas sobre os adversários. Um deles também tinha o azul em destaque, era o do Cruzeiro, time que havia sido comprado pelo pai, se não me engano devido a admiração que ele tinha pelo volante Piazza.

 

Era uma época em que as informações não circulavam com a mesma velocidade de hoje nem era possível assistir aos jogos pela televisão com a mesma frequência. Mas os mineiros tinham conquistado a Libertadores e disputado o Mundial de Clubes, naquele tempo chamado de Copa Intercontinental, quando foram vencidos pelos alemães do Bayer de Munique. Talvez isso tenha levado o pai a encomendar o time de botão do Cruzeiro. Se não me engano, aquele time segue por aí guardado em alguma gaveta entre Porto Alegre e São Paulo.

 

Os tempos mudaram, o Grêmio já até foi campeão mundial enquanto seu adversário ainda não foi capaz de alcançar esta glória. Jogar botão não é mais uma prática tão comum, ao menos para mim, apesar de ainda ser possível encontrar muitos adeptos e minha mesa estar armazenada no depósito de casa. De qualquer forma, as partidas lá em Minas são sempre complicadas, especialmente depois da sequência de títulos que o adversário conquistou no Brasil. E hoje não seria diferente, a começar pelo fato de estarmos enfrentando um daqueles técnicos que admiramos: Mano Menezes, chegado recentemente à equipe de Belo Horizonte.

 

Muitas vezes quando empatamos é comum dizermos que perdemos dois pontos, mas, pelas circunstâncias da partida, arrisco dizer que ganhamos um. Sei lá por quais motivos, atacamos pouco e chutamos menos ainda. Foram apenas duas tentativas no gol adversário e em cobranças de escanteio finalizadas pelo zagueiro Geromel, que voltou ao time (será coincidência que ele voltou e não tomamos gol apesar da pressão sofrida?).

 

Aquela troca de bola precisa e movimentação veloz de nossos jogadores não se repetiram. Fomos incapazes de superar a marcação no meio de campo, coisa que já fizemos contra times muito mais competentes neste campeonato. Até parecia que ainda estávamos de ressaca dos acontecimentos do meio de semana.

 

Bem que Roger fez suas tentativas ao colocar no time, no segundo tempo, Fernandinho, Bobô e Max Rodriguez. Mesmo assim, nosso desempenho ficou aquém do nosso potencial. Menos mal que lá atrás nos mostramos firmes e fortes, reduzindo ao máximo o risco de gol.

 

Alguém haverá de lembrar que desperdiçamos a chance de nos aproximarmos do líder, mas jamais devemos esquecer que se há um título que queremos, este será disputado ano que vem na América, não no Brasil. E, a nove rodadas do fim do Brasileiro, estamos cada vez mais consolidados na vaga que nos credenciará a disputar a Libertadores, campeonato que na época dos meus times de botão jamais imaginara ter o direito de vencer.

 

Obs: nessa terça-feira, o técnico Roger será o entrevistado do programa Bola da Vez, da ESPN Brasil, e eu estarei na bancada de entrevistadores. Se você tiver alguma curiosidade e quiser fazer perguntas a ele, pode deixar registrada aí nos comentários.

Avalanche Tricolor: como assim, o que nos resta é a Libertadores?

 

Grêmio 1×1 Fluminense
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

0_01OCT15_GremioxFlu_371_l

 

O que nos resta é a vaga na Libertadores … Opa, que história é essa? Desde quando falamos em Libertadores neste tom de lamento quando nascemos para a Libertadores. Forjamos nossos caminhos pelos campos duros do interior do Rio Grande, subimos a Serra, invadimos o Pampa, atravessamos fronteiras e tomamos o Brasil, apenas porque queríamos ter o direito de conquistar a América.
Então, meu amigo, caro e raro leitor desta Avalanche, deixe de lamentações.

 

É claro que ter perdido a classificação à semifinal da Copa do Brasil em casa por não termos marcado gols fora de casa é sempre muito ruim. O resultado, porém, precisa ser analisado com a frieza que os minutos seguintes à desclassificação não permite. Entender o que impediu que a bola chegasse em condições de marcamos gols ou por que quando esta chegou até lá não entrou.

 

Azar? Jamais. Detalhe? Às vezes. Falta de precisão? Com certeza. Imaturidade? É algo a se pensar.

 

E por que falo na falta de maturidade? Porque temos de ter na nossa perspectiva a ideia de que iniciamos um ano com um time desmontado, mesmo que motivado pela relação emocional com nosso treinador na época. Vivenciamos uma reviravolta com a descoberta das qualidades de Roger e seu novo olhar na forma de jogar e se posicionar em campo. Recuperamos jogadores, revelamos outros, redescobrimos uma trajetória vencedora que nos colocou em uma privilegiada condição dentro da maratona que é o Campeonato Brasileiro. Mas é incontestável que este jogo que estamos jogando precisa amadurecer, ter suporte no plantel para que não se perca qualidade nas trocas necessárias, e reforçar alguns setores diante do desgaste natural.

 

Assim como aconteceu na época em que Mano Menezes levou o Grêmio à final da Libertadores, pouco tempo depois de nos recuperarmos da Batalha dos Aflitos, hoje, também, o time foi muito além do que estava planejado. Chegou à reta final antes da hora e por seus próprios méritos, diga-se. Produz muito mais do que a maioria de nós desenhava após os primeiros passos na temporada. E, principalmente, produz muito mais do que a maioria dos seus adversários, inclusive aquele que enfrentamos na noite de ontem, mas que, por circunstância do regulamento, nos superou no mata-mata.

 

Copa do Brasil e noves foras, o Campeonato Brasileiro está aí no nosso caminho e resistir ao assédio dos que tentam tirar nossa posição é preciso. Se os resultados paralelos colaborarem, por que não pensar em ir além, mesmo que o time ainda tenha de crescer e aprender a ser decisivo também nos momentos decisivos? Você e eu estamos ansiosos por um título, com certeza, mas não se pode perder de vista que temos de estar prontos é para vencer a Libertadores no ano que vem e, portanto, conquistar o direito de disputá-la e aproveitar o ano que nos resta para deixar o time mais “cascudo”.

Avalanche Tricolor: bela vitória e um ótimo show, mas não dá pra relaxar

 

Grêmio 3×1 Avaí
Brasileiro – Arena Grêmio

 

21122415323_6a4d0c1588_z

 

Música e futebol voltaram a se misturar no meu fim de semana e acabei distante do Grêmio, sábado à noite, para acompanhar o penúltimo dia de shows no Rock In Rio, que comemorava 30 anos de edição. Eu havia estado por lá na primeira das grandes festas, em 1985, quando recém havia concluído a faculdade de jornalismo. Naquele tempo, nosso time já fazia parte da galeria dos maiores do mundo, com os títulos da Libertadores e do Mundial, anos antes. Foi também quando iniciamos a série do hexacampeonato gaúcho.

 

Dividi as apresentações, no Rio, com consultas ao meu celular, por onde recebia as informações do desempenho gremista, em Porto Alegre. Desta vez, o aglomerado de pessoas e, por conseguinte, de celulares estreitou a banda e impediu que eu conferisse o jogo pelo APP do Premier. Quando Giuliano abriu o placar, após mais uma boa troca de passes que se iniciou por Galhardo e Pedro Rocha, e praticamente selou a vitória com o segundo gol, com menos de meia hora de jogo, já havia curtido velhos ídolos de balada: Ultraje a Rigor e Erasmo, no palco Sunset, e Lulu Santos, que abriu os trabalhos no palco Mundo com um show dançante.

 

Lá de Porto Alegre, soube da façanha de outro velho ídolo: Andre Lima, que nunca nos fez morrer de paixão pelo talento, mas sempre se fez admirado pela maneira como se entregava pelo Grêmio. Em lugar de comemorar o único tento adversário, o que seria mais do que justificável, afinal está prestando serviços para outra camisa, preferiu homenagear o torcedor gremista sinalizando com as mãos o histórico placar de 5×0.

 

Os australianos do Sheppard não entusiasmaram nada na sequência das apresentações na Cidade do Rock, por mais que tenham se esforçado para ganhar o coração da galera. Em compensação, de Porto Alegre, sou avisado de que um outro estrangeiro acabara de dar um show com um chute incrível de perna esquerda: Maxi Rodriguez, que vinha devendo o bom futebol que se espera dele, pude conferir depois nos melhores momentos, fez a bola subir o suficiente para encobrir todos os jogadores que estavam dentro da área e descer o necessário para cair dentro do gol, fora do alcance do goleiro.

 

O Grêmio fez a lição de casa e deu mais um passo em sua paciente caminhada ao topo, e me deixou tranquilo para assistir às duas apresentações que realmente valiam o ingresso no Rock In Rio naquela noite: Sean Smith e Rihanna. Bem verdade que, quando o show estava no auge, passou ao meu lado um fã de Smith vestindo a camisa do Fluminense e logo me veio a cabeça a ideia de que por melhor que esteja a festa não dá pra relaxar.

Avalanche Tricolor: com time e futebol para garantir a vaga em casa

 

Fluminense 0x0 Grêmio
Copa do Brasil – Maracanã (RJ)

 

Marcelo Oliveira, assim como o time, jogou para o gasto no Maracanã (foto: site www.gremio.net)

Marcelo Oliveira, assim como o time, jogou para o gasto no Maracanã (foto: site http://www.gremio.net)

 

Há partidas que me levam a escrever esta Avalanche antes mesmo de seu fim, tão ansioso que fico para compartilhar com os caros e raros leitores deste Blog o que vi e admirei. Outras me geram angústia, não porque não tenha gostado do que vi em campo. Muito antes pelo contrário. Geram angústia porque terminarão tarde da noite e me faltará tempo para descrever tantos feitos e fatos ocorridos no decorrer do jogo, a medida que tenho de tentar dormir imediatamente após o apito final, já que é de madrugada que se iniciam meus compromissos profissionais.

 

Desta vez demorei para chegar até aqui. Trabalhei, gravei, me reuni, conversei e, somente agora, início desta tarde infernal de São Paulo, encontrei tempo e vontade para sentar diante do computador e descrever a sensação proporcionada pelo empate na primeira partida das quartas-de-final da Copa do Brasil, na casa do adversário. É bem provável que esse meu desdém ao jogo no Maracanã tenha muito a ver com o nível de exigência do torcedor gremista nesta temporada. Quando se assiste ao time fazer apresentações de gala como tantas que assistimos desde a chegada de Roger (o 5×0 que o diga), o sarrafo fica mais alto, expressão que costumamos usar para mostrar que nos permitimos impor metas mais ousadas do que as conquistadas até então. É como se quiséssemos ver o Grêmio e sua excelência 100% das vezes. Eu sei que isso é impossível!

 

Na noite passada, o Grêmio foi competente para reduzir ao máximo o risco de tomar gol, seguiu empenhado em marcar a saída de bola do adversário e diminuir os espaços em campo, tanto quanto em mantê-la em seus pés com muita aproximação e trocas de passe. Ou seja, fez o que aprendeu a fazer bem há alguns meses sob nova orientação. Mas não fez muito mais do que isso, o que o impediu de sair com uma vitória que praticamente o encaminharia à semifinal da Copa do Brasil. A bola não passou de pé em pé com a mesma velocidade nem a troca de jogadores para abrir espaços na marcação foi tão evidente. Até vimos em um ou outro lance ensaios nesse sentido. Não o suficiente para merecer a conquista.

 

Sem ser chato, e se tem coisa que eu, como autor desta Avalanche e torcedor do Grêmio, não pretendo nunca ser é chato, apesar de acreditar que muitos pensem assim, ontem à noite, o Grêmio fez um jogo “Ôxo”, que é como o locutor esportivo Walter Abrahão definia as partidas encerradas em zero a zero, principalmente aquelas em que nenhum dos dois times fez por merecer um gol.

 

O resultado final nos faz decidir em casa por apenas um resultado: a vitória. Outro empate “Ôxo” nos remeterá ao drama da decisão de pênaltis, enquanto os demais placares todos favorecem o adversário. Na Copa do Brasil e seu regulamento estranho as coisas são desse jeito: se o time da casa empata sem gols na primeira partida não tem muito a lamentar. Enquanto quem jogou fora, fica se lamuriando por não ter marcado um golzinho só que fosse para desequilibrar a decisão no segundo jogo.

 

Seja como for, o Grêmio tem time, talento e muito futebol para chegar a semifinal com uma vitória maiúscula (perceba como hoje estou saudosista nos termos do esporte) diante de sua torcida.

Avalanche Tricolor: do Grêmio de Roger ao show de Rod Stewart

 

Palmeiras 3×2 Grêmio
Brasileiro – Pacaembú/SP

 

RodxRoger

 

As atenções estavam divididas, e não menos intensas, entre dois estádios paulistanos, na noite de sábado. Em um, o Grêmio levaria a campo as forças que lhe restaram até aqui, depois de longa maratona para sustentar-se entre os três primeiros colocados do Campeonato Brasileiro – privilégio de poucos, registre-se. Em outro, Rod Stewart elevaria-se no palco com a energia de quem resistiu a chegada dos 70 anos, mesmo após carreira em que hits e drogas foram produzidos e consumidos quase na mesma proporção.

 

Mesmo que a distância entre o Pacaembu e o Allianz Parque, ambos na zona Oeste de São Paulo, seja curta, seria logisticamente impossível assistir aos dois shows na mesma noite sem abrir mão de parte de um deles. Decidí-me por acompanhar o Grêmio, ouvindo a transmissão da CBN ou vendo alguns lances no APP do Premier, conforme permitisse o sinal da minha operadora de celular.

 

A Rod Stewart, dediquei o restante da noite, em uma cadeira da arquibancada superior da Arena que me dava o privilégio de ouvir mais do que ver. Um telão posicionado em um dos lados do palco oferecia imagens detalhadas do ídolo dos anos 70/80, que me fez perceber que o tempo deixou marcas, mas totalmente superadas pelo talento.

 

Lá no Pacaembu, as marcas do tempo eram claras na formação da equipe sem seis de seus principais jogadores, sendo três deles, Grohe, Geromel e Giuliano, insubstituíveis. Nessa lista de ausência, é sempre bom lembrar, havia ainda Maicon, o titular na frente da área, e Edinho, seu reserva direto. Galhardo também estava fora. Lesões e cartões pesaram neste jogo contra adversário que vem forte na competição e precisava da vitória para se manter vivo nela.

 

Mesmo diante de tantos desfalques, o Grêmio de Roger manteve-se fiel a sua forma de atuar, sem negar-se a jogar futebol de qualidade, mantendo o domínio da bola, apesar da dificuldade para fazê-la chegar ao gol, e marcando no campo ofensivo – foi assim que saiu o gol de empate. Contou ainda com o talento de Luan que fez os dois gols gremistas. Para ter sucesso, porém, o time de Roger necessitava de precisão na defesa, o setor que se mostrou mais fragilizado pelas ausências.

 

No Allianz Parque, Rod Stewart surpreendia com tanta disposição para repetir as músicas que marcaram diferentes etapas da nossa vida – da minha, com certeza. A voz rouca, que se temia ser perdida após cirurgia, estava de volta para embalar “Tonight’s the Night” e “It’s a Heartache”, e emocionar com “Have You Ever Seen the Rain?”, de Creedence Clearwater Revival, “Forever Young”, “Sailing” e “Da Ya Think I’m Sexy”. Havia, também, referências ao futebol com imagens do Celtics (ironicamente verde e branco) e bolas autografadas que o músico chutou para o público. Aliás, para um “senhor”de 70 anos, a força do chute também chamou atenção, apesar de as moças terem se entusiasmado mais com o rebolado.

 

Rod Stewart, no palco, mostra porque é eterno e nos emociona. Roger, no Grêmio, se lhe derem tempo, consolidará um estilo de futebol capaz de provocar muitas emoções ainda.

A violência em Porto Alegre, a festa dos gaúchos e outras coisas mais

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Na semana passada, comparei Porto Alegre a Chicago,essa que conhecemos nos filmes produzidos em Hollywood nos quais a máfia estava presente. Não me arrependo de ter feito tal comparação. A situação na capital do Rio Grande do Sul confirmou o que escrevi. Roubos à mão armada,ainda mais quando as vítimas contribuem por permanecerem no interior dos seus veículos quando estacionados ou ao deixar os seus carros nas ruas de nossa cidade e esses somem e é preciso rezar para que não sejam desmanchados e tenham suas caras peças vendidas.Assassinatos viraram lugar comum. Os assaltantes ficam cada vez mais audaciosos. Caixas eletrônicas são explodidas porque os bandidos se sentem mais seguros ao usar tal sistema. Nesta semana,uma casal invadiu um ônibus de linha e roubou passageiros,principalmente os que usavam celulares. Depois disto,a mulher tentou fugir em um automóvel,mas o seu proprietário acabou prendendo-a no porta-malas e a levado para a Polícia Civil uma vez que a Brigada alegou não dispor de veículo para executar a prisão. Não sei se ela terminou por ficar presa,mas não duvido que não tenha ficado detida por muito tempo. Aliás,a impunidade é um convite a todo o tipo de crimes, principalmente quando os brigadianos participam de manifestações,porque são empregados do governo estadual. Não deveriam,mas se uniram aos demais funcionários governamentais e esqueceram que suas funções os obrigam a atuar na defesa da comunidade.

 

Nesta semana,a polícia esteve preocupada com a morte do vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores no serviço público gaúcho, Rogério da Silva Ramos. Quando concluí este texto a Polícia ainda tentava descobrir se o assassinato do líder sindical foi um latrocínio ou execução premeditada. O crime ocorreu na noite de quarta-feira. Rogério esperava a chegada da esposa em uma parada de ônibus quando foi abordado por dois homens que estavam em uma moto. Conforme a Brigada Militar,ele teria reagido a um assalto e acabou atingido por quatro disparos. A esposa da vítima,porém, não descarta a possibilidade de que o crime tenha sido planejado,porque o seu marido vinha sofrendo ameaças nos últimos dias.

 

Seja lá como for,o povo de Porto Alegre recebe os gaúchos de outras cidades que vieram para festejar o dia 20 de setembro,”Precursor da Liberdade”. A gauchada fica sediada por vinte dias no Parque da Harmonia em uma espécie de férias coletivas. Neste ano,o Parque da Harmonia, que é um local onde os nossos irmãos do interior se aboletam durante vinte dias,talvez sirva de lenitivo para as atuais preocupações dos porto-alegrenses com o dia-a-dia desta cidade abalada por tudo de ruim que vem acontecendo por aqui.A Polícia Militar está chegando cada vez mais perto dos que assaltaram um súper, feriram dois policiais da Brigada e acabaram matando o proprietário de uma padaria, situada na Avenida Getúlio Vargas, que passeava com o seu cachorro.Elvino Nunes Adamczuk foi vítima de uma bala perdida.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: vitória deixa o Grêmio na briga pelo título

 

Atlético(PR) 1×2 Grêmio
Brasileiro – Couto Pereira/Curitiba

 

Time comemora o gol da vitória em Curitiba (foto Portal Grêmio.net)

Time comemora o gol da vitória em Curitiba (foto Portal Grêmio.net)

 

Dos gremistas que andam por São Paulo, é o Sílvio quem compartilha comigo as percepções sobre o Grêmio com mais frequência. Praticamente toda a semana trocamos telefonema para falar de nosso time, em geral nos dias que antecedem a partida e, com certeza, no dia seguinte. Hoje não foi diferente, e quando o Sílvio me ligou querendo saber o que seria desta noite, em Curitiba, não tive dúvida em dizer que era o jogo definitivo.

 

Explico porque resposta tão drástica (ou definitiva): depois de duas partidas sem vitória, de vermos o líder do campeonato se distanciar e, principalmente, os demais concorrentes à vaga para Libertadores se aproximarem, teríamos pela frente duas disputas fora de casa. Vencer, hoje, poderia não nos deixar mais próximo do topo, mas nos manteria na briga do título, fora do alcance daqueles que vêm logo atrás e, fundamentalmente, dentro da Libertadores. Perder ou empatar, além de revelar uma fragilidade que ainda não havia se revelado desde a chegada de Roger, passaria a se ver ameaçado por uma quantidade grande de times que vêm reagindo nas últimas rodadas.

 

O que vimos no Couto Pereira foi a manutenção de um futebol que tem sido jogado desde que Roger assumiu o Grêmio. Até tivemos momentos de baixa produção neste campeonato, mas o tipo de jogo imposto pela nova gestão se manteve durante toda a competição: intensa troca de passe e movimentação de jogadores, além de marcação eficiente desde a área adversária. Isso se repetiu nesta noite, mesmo diante da forte pressão. Até poderíamos ter ficado mais tempo com a bola no pé, mas houve um ingrediente que me chamou atenção e agradou muito: privilegiamos o passe para frente em detrimento do recuo de bola. Isso faz com que o time se torne mais ofensivo ainda e fique mais perto do gol.

 

Os dois gols que assistimos foram resultado do mesmo tipo de jogo. Deslocamento de jogadores com troca de posição constante, confundindo a marcação, e passes precisos que deixaram nossos atacantes na cara do gol. Tudo isso se somou a categoria e a tranquilidade com que Douglas e Luan concluíram as duas jogadas fatais.

 

Em resumo: estamos na briga!

Avalanche Tricolor: a teoria do omelete se confirmou

 

Grêmio 1×2 São Paulo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Edinho tenta sair jogando (foto; Grêmio Oficial no Flickr)

Edinho tenta sair jogando mas tem dificuldade para driblar o omelete (foto; Grêmio Oficial no Flickr)

 

Já falei pra você da teoria do omelete? Provavelmente, não. Aproveito o domingo, então, para dividir com você esta tese muito particular que venho construindo há algum tempo. Costumo lembrar dela nas manhãs dominicais quando acordo bem mais cedo do que toda turma aqui em casa, vou para a cozinha e começo a preparar meu café. Mudo muito pouco o cardápio matutino, dando preferência para o café preto, duas xícaras, normalmente, e um omelete (tem quem prefira chamá-lo de a omelete). Pode variar a quantidade de ovos e a mistura. Às vezes faço experiências nem sempre com sucesso. Mas me divirto diante do fogão, aliás, momento raro no meu cotidiano pois tendo a ser um desastre cozinhando.

 

Vamos, porém, ao que interessa: a teoria do omelete. Você deve saber que depois de despejar os ovos batidos com um fio de leite na frigideira, o que o deixa “espumoso”, cobrir com frios e salpicar a mistura do dia – pode ser azeitona, cebola picada, tomate cortado bem fininho ou qualquer outra coisa que aparecer na frente – deve-se esperar o momento certo para virar o omelete. Com a mão direita bem posicionada e dedos firmes envolvendo o cabo é necessário um movimento rápido e preciso que permita que a massa de ovos já consistente suba a meia altura, vire de cabeça para baixo e caia novamente na frigideira. Manobra que, você que já fez um omelete há de confirmar, nem sempre é feita com sucesso.

 

É no momento da virada do omelete que minha tese se concretiza. Porque se no início do domingo, quando a maioria das pessoas ainda dorme, os bichos me acompanham da porta da cozinha com olhar preguiçoso e os santos ainda aguardam nossos pedidos na parede da Igreja, o omelete sobe, vira e desce no ponto certo, sem sujar nada no fogão, eu tenho certeza de que aquele será um domingo especial. Um dia de satisfação com a família, sem visita de gente chata, pouco trabalho extra e, claro, uma vitória no futebol da tarde.

 

Tem domingo, porém, que a virada do omelete é feita sem muita firmeza, pega-se o cabo de forma desajeitada, o movimento para o alto sai inseguro, e o ovo despenca pelas bordas da frigideira, lambuzando o fogão por inteiro. Ao assistir à esta cena e antes mesmo de correr para pegar o pano de prato e tentar limpar a sujeira feita, fico sempre com a impressão de que alguma coisa vai dar errado naquele domingo. Coisas como o goleiro titular que está voltando ao time depois de três jogos ter torcicolo e não conseguir entrar em campo; o zagueiro que vinha realizando uma sequência de atuações perfeitas e acaba de servir sua seleção errar todos os botes que tinha para dar durante a partida; o craque da equipe tropeçar na bola; e a equipe que se destaca pelo toque refinado e marcação impecável errar mais de 40 passes no jogo e ser incapaz de segurar os contra-ataques adversários.

 

Acho que não preciso dizer para você o que aconteceu com o meu omelete nessa manhã de domingo. Mas, tudo bem: vou continuar tentando acertar meu omelete e jamais deixarei de acreditar no Grêmio.

Avalanche Tricolor: futebol campeão!

 

Corinthians 1×1 Grêmio
Brasileiro – Arena Corinthians

 

Orgulho de ver o Grêmio em campo (foto de Fabiani Dutra)

Orgulho de ver o Grêmio em campo (foto de Fabiani Dutra)

 

O intervalo de tempo entre o fim da partida e a escrita desta Avalanche me ofereceu a oportunidade de ratificar pensamento que foi sendo construído no decorrer do jogo na noite de ontem. Naquelas entrevistas feitas na beira do gramado quando os jogadores ainda tentam recuperar o ar e, imagino, a maioria sequer consegue fazer uma reflexão mais profunda sobre o que aconteceu em campo, ouvi de um dos nossos, se não me falha a memória foi o goleiro Tiago, a afirmação de que o empate teria tido sabor de derrota. Imagino que o pensamento se deva ao fato de, jogando na casa do adversário, termos saído na frente no placar para depois cedermos o empate. Justificável a frustração, pois os três pontos fariam uma tremenda diferença e nos ofereceriam uma vantagem incrível na disputa pelo título.

 

Obrigado a ir para cama logo após a partida, por motivos mais do que descritos nestas Avalanches, deitei com aquela frase na cabeça. Durante todo o jogo, minha sensação tinha sido bem diferente, mesmo após o gol de empate, tomado em bola cruzada na área e de cabeça – o que, aliás, não me surpreendeu em nada. Pela maneira madura e qualificada com que o Grêmio se apresentou, a estratégia ofensiva imposta durante toda a disputa, sem abrir mão da marcação forte e precisa, exercida mesmo nos minutos finais quando o cansaço já deveria ter tomado conta do time, além do talento demonstrado por alguns jogadores gremistas, assisti ao jogo com satisfação e orgulho.

 

Em nenhum momento senti o tal sabor de derrota até porque o empate, na casa do adversário, impediu que o líder se desgarrasse na ponta, manteve a mesma diferença de pontos e nos deixou vivo na disputa do título – sim, porque eu vejo o Grêmio com esta pretensão, independentemente dos desfalques e dificuldades que a dupla jornada – no Brasileiro e na Copa do Brasil – gera à equipe.

 

Durante toda a manhã de hoje, a reação que vi de torcedores adversários, em São Paulo, apenas confirmou meu pensamento. O Grêmio saiu de campo ainda mais respeitado do que entrou. Àqueles que apenas ouviam falar do nosso futebol e assistiam à arrancada em direção ao topo da tabela, tiveram a revelação do que nós, que acompanhamos o Grêmio onde o Grêmio estiver, já sabemos há algum tempo: o time montado por Roger é um time campeão, independentemente do que conquiste neste campeonato.

Avalanche Tricolor: faltam seis pontos para chegar ao topo

 

Grêmio 2×1 Goiás
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Everton comemora o gol da vitória contra o Goiás (foto do álbum do Grêmio Oficial, no Flickr)

Everton comemora o gol da vitória contra o Goiás (foto do álbum do Grêmio Oficial, no Flickr)

 

Só faltam seis….sim, é isso mesmo, só faltam seis pontos para chegar ao topo.

 

Não, você não está enganado, não! Eu comecei mesmo a contagem regressiva para alcançar a liderança do Campeonato Brasileiro. É provável que você, caro e raro leitor desta Avalanche, estranhe esta minha abordagem. Logo eu, sempre tão comedido, cuidadoso com as palavras, jamais querendo colocar a carroça na frente dos bois – como costumavam dizer antigamente -, estou aqui fazendo projeções tão otimistas?

 

Sei que pode parecer estranho e arriscado, diante do tamanho do desafio e da força dos adversários que disputam o título, mas a partida desta tarde de domingo, teve elementos que me proporcionaram esta confiança.

 

Comecemos pelo fato de que eram oito pontos de diferença do líder antes de a partida se iniciar. Apenas nossa vitória não seria suficiente para nos aproximar do topo da tabela de classificação. Havia a necessidade de os adversários, que continuo tratando com o merecido respeito, cederem dois ou três pontos para a contagem começar. E deu certo. Talvez por linhas tortas, é verdade. Mas foram essas mal traçadas linhas em campo que me trouxeram tal confiança.

 

Hoje, encarávamos mais um daqueles times que estão na categoria “touca” do Grêmio. Confesso desconhecer a origem da palavra, mas imagino que venha da expressão “marcar touca” que significa bobear diante de uma situação qualquer. No futebol, “touca” são aqueles times que, por uma razão não muito bem justificada, costumam ser difíceis de vencer. É sempre contra eles que bobeamos.

 

Para não desmerecer o título que carrega, o adversário, contra toda a lógica da partida, na qual o Grêmio tinha mais de 70% da posse de bola, jogava no ataque, tinha um pênalti à sua disposição e vantagem numérica em campo, graças a expulsão do zagueiro oponente, conseguiu se safar de um gol, com a cobrança de Douglas no poste, e, na segunda jogada de ataque em todo o primeiro tempo, marcar o seu de cabeça. Só mesmo o futebol e seus deuses alucinados para explicar essas distorções. Convenhamos que sequer podemos reclamar deles – os deuses -, pois os mesmos já conspiraram muitas vezes a nosso favor.

 

Em campo, estavam todos os elementos indispensáveis para as coisas darem errado ao tricolor. O histórico contra o adversário era apenas um deles. O pênalti desperdiçado e o gol tomado estavam ali, também, para ajudar a construir esse drama. Bem antes disso, no vestiário, Roger já havia tido a necessidade de montar uma equipe com muitos desfalques e alguns imprescindíveis, que começavam no gol, passavam de forma cruel por dentro da nossa área e se estenderiam até o comando do ataque com nosso goleador e craque Luan mais uma vez cedido para jogar sei-lá-o-que e por sei-lá-quem.

 

A retranca justificável que viríamos a enfrentar no segundo tempo apenas tornaria mais complicada nossa tarefa, pois a falta de espaço atrapalha o toque de bola e impede que o nosso jogo se desenvolva com naturalidade. Quando os times se fecham muito, o ideal é ter um atacante fincado lá na frente a espera de uma espirrada de bola. E nós não o temos.

 

Foi, então, que minha esperança começou a surgir de maneira mais concreta. Pois ficou claro que Roger pediu paciência aos nossos jogadores. Insistiu para que eles não desistissem de jogar como têm jogado desde que ele assumiu o comando da equipe, aliás contra este mesmo adversário, no primeiro turno, quando, só pra justificar o título de “touca”, lembro agora, empatamos.

 

Seguimos mantendo o domínio da bola e acelerando o passe para dar velocidade ao jogo na expectativa de uma brecha para chutar. E não esperamos mais de seis minutos para que isso acontecesse, em jogada que se iniciou na nossa defesa e com uma visão incrível de jogo do zagueiro Geromel – que baita zagueiro, amigo! – que encontrou Everton partindo para o ataque isolado no meio de campo, que viu Bobô se deslocando para a ponta esquerda, de onde cruzou para encontrar Douglas dentro da área. Nosso maestro precisou de apenas um toque para desviar a bola e fazer aquilo que não havia conseguido na cobrança de pênalti.

 

O gol de empate não seria suficiente para tirar a “touca” do caminho e ainda fez o adversário fechar-se mais, o que exigiu nova dose de paciência e muitos passes trocados até encontrar outras oportunidades de gol. Uma foi para fora, a outra ficou perdida entre os zagueiros e houve uma em que o goleiro teve de fazer um milagre.

 

Coincidência ou não, a jogada do segundo gol se iniciou novamente na defesa, desta vez no desarme de Willian Schuster que substituíra o combalido Maicon. Passou pelos pés de Giuliano, Douglas e Yuri Mamute antes de se apresentar para Everton, que, mesmo com o ângulo fechado, conseguiu encontrar um espaço entre as pernas do goleiro adversário e o travessão, onde a bola se chocou antes de entrar. Iria para fora em outros tempo. Desta vez, não!

 

Com os três pontos retomados, restou-nos fazer a bola correr de pé em pé para reduzir o risco de uma nova surpresa. Verdade que ainda passaríamos por um grande susto que me parece ter ocorrido apenas para que pudéssemos ver o nosso goleiro Tiago se redimir das saídas desvairadas que costuma dar sempre que a bola é cruzada na área. Fez uma defesa que mereceu comemoração de punhos cerrados, os dele e os meus.

 

O time mostrou maturidade apesar de todas as mudanças na escalação e adversidades que nós próprios construímos. Superou o histórico e suas fragilidades. Venceu nosso ceticismo e espantou a assombração desta “touca” em momento oportuno.

 

Só faltam seis pontos para chegarmos ao topo.

 

PS: por falar em contagem regressiva,alguém sabe quantos jogos faltam para Erazo voltar?