Avalanche Tricolor: não dá pra não ver

 

Caxias 2 x 3 Grêmio
Gaúcho – Centenário (Caxias-RS)

 

 

Começo esta Avalanche com um pedido de desculpas. Com a quarta-feira lotada de compromissos desde às cinco horas da manhã e sem direito a adiá-los, sendo alguns extremamente complexos, já havia me comprometido a não ver o jogo do Grêmio, com horário marcado para começar às 10 da noite, momento em que deveria estar na cama, dormindo e recuperando a energia para nova maratona nesta quinta-feira. Além disso, era mais uma partida pelo Campeonato Gaúcho de pouco risco a medida que estamos muito bem obrigado na tabela de classificação. O trabalho realmente se estendeu por boa parte do dia e ao chegar em casa ainda faltavam alguns textos e projetos a serem desenvolvidos. Coincidentemente, as tarefas se encerraram às 10 da noite, quando fui para o quarto dormir. Liguei a televisão para relaxar e lá estava o Grêmio.

 

Não sei se você teve a oportunidade de assistir ao jogo. Mas desde o início viu-se uma dinâmica interessante da equipe, com nossos jogadores se movimentando de forma harmoniosa, mantendo o domínio da bola, trocando passes de pé em pé e driblando os marcadores com talento. O gol de Zé Roberto foi resultado claro desta variação de jogadas com uma conclusão de categoria desviando a bola do goleiro. Tivemos percalços na defesa, vacilos que permitiram a virada no placar após dois gols de cabeça em que o adversário estava sozinho dentro da área. Nem isso porém parecia abalar o jeito do Grêmio jogar, a ponto de termos conseguido o empate ainda no primeiro tempo com um gol e tanto do atacante Barcos. Ele queria cruzar ou chutar a gol? Pouco importa. Seja qual tenha sido a intenção, sinalizou que a sorte está mudando para o argentino. Tanto é verdade que foi o próprio Barcos quem, no segundo tempo, definiu a vitória em jogada inusitada que se iniciou com um chutão do goleiro Busatto, na cobrança do tiro de meta, que caiu atrás da defesa adversária e foi muito bem aproveitado pelo goleador redivido.

 

Como você deve ter percebido, ao contrário da minha promessa, assisti à toda partida, sem tirar o olho da televisão, sofrendo com a virada e vibrando com as boas jogadas. Não tive coragem de dormir antes do apito final, mesmo sabendo o preço que pagaria nesta quinta-feira. Aí você deve se perguntar, então, por que o Mílton pede desculpas? Peço desculpas ao Grêmio, a este Grêmio que nos tem admirado nos últimos jogos, por ter levantado a possibilidade de não ver a partida de ontem à noite. Com o futebol que o time de Enderson Moreira está apresentando, mesmo diante de algumas falhas como ontem, não dá para ficar sem o Grêmio.

Avalanche Tricolor: programa de domingo

 

Esportivo 1 x 3 Grêmio
Gaúcho – Bento Gonçalves (RS)

 

 

A costela foi salgada e levada à churrasqueira pouco fora do horário, o que se justifica pelo desacerto entre o relógio biológico e de parede, que teve de ser atrasado ontem à noite para se adaptar ao fim do horário de verão. Depois de 199 dias tentando se acertar com a hora que foi tirada no fim de outubro, precisamos de alguns dias para voltar ao normal. Por isso, ninguém se incomodou ao ver o fogo sendo feito mais tarde. O importante era acertar o ponto da carne, desafio bem mais complicado a medida que costela não é minha especialidade. Prefiro imensamente a que é feita pelo meu irmão Christian, um comandante e tanto de churrasqueira, até porque, apesar de gaúcho, sou quase um forasteiro ao lidar com carnes. Seja para dar apoio moral a este churrasqueiro seja porque sou um cara de sorte, todos (mulher e filhos) elogiaram a carne servida. E, sinceramente, também curti roer o osso que estava com sabor especial. Aliás, esse domingo estava com um jeito especial. Além da carne e do fim do horário de verão, ficamos livres do calor absurdo que tomou conta da cidade de São Paulo nestes dois primeiros meses do ano. Não apenas a temperatura ficou amena como choveu boa parte do dia. Para completar havia o Grêmio na televisão, de volta da Libertadores e disposto a se manter na liderança do grupo no Campeonato Gaúcho.

 

Verdade que não era nenhum jogo especial, o adversário era o Esportivo, tradicional time do interior gaúcho, que passa por fase bastante complicada. O estádio Montanha dos Vinhedos, onde já tive oportunidade de cobrir partidas pelo Gauchão, nos tempos de repórter de campo, é acanhado e tem gramado irregular, capaz de atrapalhar o domínio de bola dos mais talentosos. E o Grêmio entrou com time misto, misto quente, formado por titulares, que estavam em Montevidéu, na quinta-feira à noite, e reservas, alguns bem qualificados, mas desacostumados a jogarem juntos. Mesmo diante desse cardápio, a simplicidade com que o Grêmio decidiu o jogo transformou a partida em excelente programa de domingo (principalmente para quem precisava resistir ao sono provocado pela carne que ainda pesava no estômago). Sem forçar muito, ensaiando alguns bons lances e dribles, deixando a marcação mais frouxa do que de costume, marcamos três gols de forma bem interessante pelo desenho das jogadas. O pênalti cobrado por Maxi, antes dos cinco minutos de partida, foi resultado da movimentação e talento de Luan que aproveitou passe perfeito de Riveros. O gol de cabeça de Werley veio depois de falta cobrada por Alán Ruiz, que havia sido derrubado após driblar dois adversários na lateral do campo. E a confirmação da vitória chegou com a triangulação entre Maxi Rodriguez, Moisés e Everaldo, que concluiu no gol.

 

Depois do sofrimento da quinta à noite, que só se encerrou no início da madrugada de sexta, merecíamos mesmo um fim de semana tranquilo e sem preocupação. Por falar nisso, Alán Ruiz deu sinais de que pode ser bastante útil na temporada e se tornar em grande preocupação para os adversários.

Avalanche Tricolor: a cara do Grêmio na Libertadores

 

Nacional 0 x 1 Grêmio
Libertadores – Montevidéu (URU)

 

 

Já passava da meia-noite quando o Grêmio garantiu a vitória na estreia da Copa Libertadores, contrariando parte das previsões, apesar da estatística ser totalmente favorável a nós. Uma vitória merecida, mesmo com os riscos que corremos, especialmente nos minutos finais do jogo quando o Nacional nos empurrou contra o gol. E foi quase de dentro do gol que Edinho tirou uma bola, Marcelo Grohe defendeu outra e nos safamos do que seria um empate injusto. O Grêmio foi maduro a começar pelo jogo jogado por seus jovens, que tiveram liberdade para criar, enquanto os “veteranos” lhe davam segurança. Acima de tudo, foi equilibrado, pois se soube usar da técnica para trocar passes e se movimentar com rapidez com a bola de pé em pé, quando o adversário tentava jogar, marcava sobre pressão e com precisão (exceção a alguns lances nos quais poderíamos ter nos adiantado e evitado os riscos de gol).

 

Apesar do adiantado da hora, e talvez pela excitação provocada pelo sofrimento e pela vitória, esperei para ouvir o que diriam os jogadores gremistas ao fim da partida. Gostei do equilíbrio das falas, semelhante ao que tivemos dentro do campo. E, principalmente, sorri ao ouvir Zé Roberto, um dos nomes que têm sido contestados neste início de temporada, que depois de um desabafo aos descrentes decretou: “esta é a cara do Grêmio”. Sempre racional, Zé foi ao ponto certo, pois o que assistimos no fim da noite dessa quinta-feira foi o Grêmio do jeito que gostamos de torcer.

 

Na estreia do Grupo da Morte, mostramos quem é o Imortal.

Avalanche Tricolor: empate no último jogo-treino antes da Libertadores

 

Grêmio 1 x 1 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Choveu no domingo paulistano, ao menos na parte da cidade em que moro. Pela quantidade de água percebo, porém, que não foi o suficiente para melhorar a situação dos reservatórios, em especial o Cantareira, que atende cerca de 9 milhões de pessoas, quase metade da Região Metropolitana de São Paulo. Segundo os números divulgados, menos de 20% do reservatório têm água à disposição, a menor marca desde sua criação em 1974. Apesar de as autoridades insistirem que não haverá racionamento, vê-se cidades pelo interior com medidas de contenção. Nesta altura do campeonato, admitirem o corte no abastecimento é confessar que não se precaveram para o período de escassez. Sabe-se que políticas de prevenção são fundamentais, é preciso desenhar cenários possíveis e programar as ações para esses momentos mais críticos. Empresas e órgãos públicos têm de trabalhar no sentido de criar condições para que estratégias de redução de consumo, abastecimento e reaproveitamento de água sejam eficazes. Enquanto as pessoas têm de ser mobilizadas em torno da causa, a partir de campanhas permanentes de economia de água, não apenas quando está faltando.

 

O caro e cada vez mais raro leitor deste Blog talvez estranhe o fato de o primeiro parágrafo desta Avalanche ter se dedicado a escassez de água. Peço desculpa se isto lhe incomoda já que a ideia neste espaço é escrever sobre futebol, especialmente o Grêmio. O que eu quero, além de chamar atenção para o momento alarmante que São Paulo está enfrentando, é mostrar que planejamento é importante nas diversas áreas. O Grêmio, por exemplo, voltou aos trabalhos há pouco mais de um mês, identificou suas prioridades, traçou metas, preservou seus principais jogadores neste início de campeonato e os colocou em campo apenas três ou quatro vezes com a intenção de não desgastá-los e ao mesmo tempo mantê-los com ritmo de jogo. Um planejamento que tem como objetivo maior a Libertadores, competição que se inicia na quinta-feira, contra o Nacional, em Montevidéu, no Uruguai. E visando esta disputa é que digo que o Gre-Nal foi um bom jogo-treino, onde pudemos identificar pontos positivos, como a marcação forte e a pressão na saída de jogo, na primeira parte da partida; tivemos a certeza de que alguns jogadores têm lugar no time, outros ainda são incógnitas e há os que talvez só tenham espaço no banco; houve pontos negativos como o descuido da defesa que permitiu o gol adversário e a precipitação na troca de passe que atrapalhou a chegada ao ataque; mas teve a superação dos defeitos e das dores (caso particular de Marcelo Grohe), também.

 

Enfim, depois desse jogo-treino, ainda temos dúvidas em relação ao que nos espera na Libertadores, mas sabemos que há um plano em andamento e somado a isso há a disposição de uma nação inteira – a tricolor – em voltar para a competição sul-americana e conquistá-la. É isso que nos interessa. É isso que queremos

Avalanche Tricolor: um jogo de paciência e tolerância

 

Grêmio 1 x 0 Veranópolis
Campeonato Gaúcho – Arena do Grêmio

 

 

Há uma certa impaciência no ar. Das arquibancadas têm-se ouvido bochichos desde cedo como se ninguém estivesse disposto a esperar pelo período de adaptação que os times passam no início de temporada. Veja que, apesar deste espaço ser dedicado ao Grêmio, escrevi na frase anterior times (assim mesmo, no plural), pois é o que tenho percebido em muitos Estados. A mais absurda das cenas foi o que aconteceu no Centro de Treinamento Joaquim Grava, do Corinthians, quando gente criminosa invadiu o local e colocou em risco a vida de profissionais do clube. Bem antes disso, porém, o técnico Osvaldo de Oliveira, do Santos, por duas vezes, durante as partidas, teve de brigar com torcedores que o chamavam de burro já nas primeiras rodadas do Campeonato Paulista, apesar de seu time estar sendo reconstruído com jovens talentos que, aliás, têm feito belas partidas e goleado adversários, inclusive em clássico como ocorreu contra o Corinthians. Ontem foi Paulo Autuori o alvo das críticas dos torcedores do Atlético Mineiro devido ao desempenho frágil de sua equipe no começo do Campeonato Mineiro.

 

Na Arena, as reclamações também surgiram diante de uma performance sofrível no primeiro tempo, quando se repetiram muitos dos erros da partida anterior (e do ano passado). Já disse na Avalanche publicada domingo que também andava com um pé atrás em relação às nossas pretensões, mas que a recomendação de amigos e colegas logo mudaram minha disposição e estou pronto para a temporada. É preciso mais paciência com jogadores que estão sendo submetidos a regime especial de treinamento visando não as partidas do Campeonato Gaúcho, mas a longa temporada de competições importantes como a Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro. Neste momento, a musculatura ainda se adapta ao ritmo do jogo, a perna está presa e não acompanha o pensamento, o drible sai truncado e o chute perde a precisão. Alguns conseguem melhor resultado do que outros e não por acaso são os mais jovens os que estão tendo mais destaque. Ontem mais uma vez, assistimos ao talento de Jean Deretti, à presença de Luan e às chegadas de Wendell no ataque. Soma-se a garotada o fato de Barcos ter marcado o gol da vitória, o que sempre nos oferece a esperança de que o goleador está de volta. Tudo isso foi mais do que suficiente para nos manter na liderança do grupo e no caminho da decisão do título estadual. No próximo domingo temos o clássico que se antecipa a estreia na Libertadores (fico pensando quem é capaz de fazer um calendário como este) e tudo que peço é que se tenha um pouco mais de paciência com nosso time. E tolerância uns com os outros. No futebol e, principalmente, na vida.

A Avalanche Tricolor está de volta

 

Juventude 1 x 1 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi (Caxias do Sul)

 

 

Faz algumas semanas tenho ensaiado retomar a Avalanche Tricolor, esta coluna que escrevo desde 2007, iniciada praticamente junto com o Blog, com a intenção de revelar meus sentimentos pelo Grêmio, time pelo qual sou torcedor confesso. Pela primeira vez desde que comecei essa maratona, que às vezes me leva a dormir de madrugada para publicá-la após a partida, compromisso que assumi comigo mesmo mas que tendo a cumprir cada vez menos, deixei de falar dos primeiros jogos da temporada. Inicialmente, porque estava retornando das férias no dia em que o Grêmio estreava no Campeonato Gaúcho, depois por falta de motivação provocada não apenas pelo uso do time Sub-20. Estava pouco entusiasmado com as mudanças restritas no elenco, a ausência de contratações que gerassem alvoroço no noticiário e, me desculpe, pelo técnico sem experiência para um ano de Libertadores e no qual não teremos muita paciência para esperar a conquista de um título, nesta ou em qualquer das competições que disputarmos.

 

Inesperadamente se iniciou uma campanha para mudar meu ânimo. Colegas do esporte da CBN disseram que Enderson Moreira poderia se transformar em revelação no comando gremista, assim como foram Felipão, Tite e Mano Menezes. Meu pai, que vocês costumam ler às quintas-feiras aqui no Blog, fim de semana passado, ao vivo, por algum tempo, se esforçou para me convencer de que o elenco era bom, havia mudanças sutis mas importantes, como a troca de Alex Telles por Wendell na lateral esquerda, uma garotada talentosa da base que poderia compor o time, a volta de Marcelo ‘Gremista’ Grohe para o gol, a manutenção de Rhodolfo no papel de Xerife, além dos velhos nomes que, segundo ele, deveriam voltar a jogar à altura de seu talento, tais como Zé Roberto, Kleber e Barcos. A conspiração pela volta da Avalanche ganhou o reforço de dois colegas de profissão, gremistas como eu: Sílvio Bressan, que vive em São Paulo, também, descreveu-me, por telefone, o Grêmio pós-goleada contra o Aimoré, na Arena, como um time taticamente melhor do que no ano passado e com capacidade de conquistas na temporada; e o Bruno Zanette, que mora em Foz do Iguaçu, no Paraná, dos raros e caros leitores deste Blog, pelo Twitter, me cobrou a coluna nesta semana.

 

Atender aos pedidos e se entusiasmar com as palavras dos amigos não foi difícil para um cara sempre disposto a acreditar que ‘agora-vai’, por isso preparei-me neste domingo para assistir ao primeiro jogo do Grêmio na temporada. Meu primeiro jogo, claro, pois nosso time já havia disputado quatro partidas pelo Gauchão, apelido que está bem longe de dar a verdadeira dimensão do campeonato estadual no Rio Grande do Sul. Havíamos vencido duas, empatado uma e perdido uma, campanha suficiente para nos colocar na liderança do Grupo B e bastante razoável se levarmos em conta que o time principal tinha jogado apenas uma partida até agora. Ver a troca de passe claudicante, a falta de criatividade do meio campo e de presença dos jogadores de ataque, além de levar um gol do adversário antes do primeiro quarto de jogo, confesso, abalaram meu otimismo. Parecia estar revendo as partidas do ano passado e sem a esperança de que a mística de Renato Gaúcho mudaria alguma coisa, já que nem ele estava no banco. Dois meninos, porém, me fizeram sorrir novamente e enxergar nosso desempenho com parcimônia: Jean Deretti, que mudou o ritmo do meio de campo e passou a acionar o time pelo lado direito, já que até então só se descia pela esquerda; e Wendell com belíssima jogada que deu início ao gol marcado por ele e contou com a participação importante do próprio Deretti (o pai tinha razão, Wendell é bom de bola).

 

Eu sou assim mesmo. Não preciso de muito para acreditar na nossa capacidade e encontrar aspectos positivos que possam nos levar às conquistas desejadas. Tenho sempre a tendência de acreditar que a força de nossa história será suficiente para nos levar à frente e superar fragilidades. Por isso, preparem-se, pois estou pronto para acompanhar a temporada, certo de que este ano teremos muito a comemorar e disposto a escrever novas Avalanches mesmo que isso sacrifique algumas horas de sono.

 

PS: tem certas coisas que parece jamais vão mudar, por exemplo, os idiotas de plantão que vão para os estádios expor suas frustrações e cometem atos de imbecilidade como os de hoje quando duas bombas foram arremessadas contra o goleiro do Juventude. Precisamos nos livrar dessa gente que além de gerar violência e pôr em risco a saúde física dos demais torcedores, atletas e profissionais que estão no estádio, podem prejudicar o Grêmio.

Avalanche Tricolor: eu fui ao estádio

 

Portuguesa 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Estádio do Canindé (SP)

 

 

Fui ao estádio. Faço a confissão logo no início desta Avalanche quase como um pedido de desculpas a mim mesmo. Porque ir ao estádio é um desrespeito que nos impomos em nome do clube que aprendemos a gostar. Neste domingo, especialmente, em nome de uma tradição (?) que começou há três anos: assistir ao último jogo da temporada do Grêmio.

 

Desta vez, o encontro estava marcado para o Canindé onde já estive em anos anteriores, portanto sabendo o que me esperava. Estacionar o carro é simples. Comprar o ingresso, razoavelmente fácil, ao menos em partida de pouco público. Verdade que a pequena janela com grade, pela qual você é atendido, faz o bilheteiro se parecer mais um prisioneiro. Não sinta pena dele, porque, em seguida, você será submetido à revista pelo PM e terá a sensação de que é um parente prestes a visitá-lo na cela. Parte das catracas eletrônicas funciona manualmente e metade está desativada. Irônico, porém, é ter em mãos um bilhete com número da fila e assento – B 22, no meu caso – e descobrir, assim que chega ao local, que não passa de uma pintura no cimento – escolhi a última fileira, “cadeira” 13, na sombra. O estádio está mais cuidado do que das vezes anteriores. Lamentei apenas pelo sumiço do funcionário que era responsável pelo rudimentar placar no alto da torre. Espero que ele tenha se qualificado para fazer manutenção no telão que agora registra o resultado da partida.

 

A Geral do Grêmio estava presente e entrou no estádio quase no fim do primeiro tempo, devido aos necessários cuidados com a segurança, com charanga, faixas, gritos de apoio e subindo no alambrado. Um certo tom de desrespeito, mas até bem comportada levando em consideração os absurdos que vimos em outros jogos pelo Campeonato Brasileiro. São marcantes na arquibancada por sua força, mas a maior parte dos torcedores que vai ver jogo fora de casa é formada por gente que mora longe do Rio Grande e aproveita a oportunidade para matar a saudade, como eu. Havia muitos pais com seus filhos, alguns assistindo a um jogo pela primeira vez, como Matheus, com quem até tirei fotografia ao lado (e o pai dele vai ter de me mandar a foto para publicar), que ganhou o ingresso de presente de aniversário. Dadas as circunstâncias da partida, o skate que havia ganhado um dia antes vai lhe render mais emoções. Ele, assim como todas as crianças presentes, se não tiveram muitos motivos para se manterem acordadas até o fim nesse domingo, pelo menos estão aprendendo a torcer por um time que não se contenta em ser coadjuvante nas competições que disputa e tem uma obsessão: jogar Libertadores da América. É isso que justifica a cantoria entoada ao fim da partida, mesmo com desempenho tão comedido diante de um adversário que também entrou em campo disposto a não correr riscos.

 

O Grêmio, aos trancos e barrancos, termina o Campeonato Brasileiro como vice-campeão e capacitado a planejar o título continental no ano que vem, quando eu estarei novamente na torcida e disposto a assistir, no estádio, ao último jogo da temporada de 2014. De preferência no Marrocos.

Avalanche Tricolor: o Grêmio está na Libertadores!

 

Grêmio 1 x 0 Goiás
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

O Grêmio está na Libertadores!

 

Os que conhecem nossa história sabemos que se há um lugar onde nos sentimos em casa é na Libertadores. Nascemos no Rio Grande mas fomos forjados para lutar na América do Sul. Sonhamos com essa conquista, mais do que o Brasileiro, muito mais do que o Gaúcho. Mas para sonharmos é preciso estar lá. E Renato conseguiu mais uma vez. Um caminho aberto à força e muita dedicação, como ele costumava fazer diante das defesas mais duras que enfrentou quando jogador. Muitos preferem lembrá-lo como um atacante de técnica, mas, não tenha duvida, só foi capaz de romper as barreiras que se formavam entre ele e o gol devido a coragem e a explosão de seus músculos. Com o peito empurrava os zagueiros para dentro de sua própria área. Com os braços abria espaço entre os marcadores. E, claro, completava a jogada com o talento de suas pernas. A cabeça, esta nunca foi o seu forte. Mas mesmo esse aparente desequilíbrio emocional parecia conspirar em favor do seu futebol. Foi com um chutão, de costas para o campo, marcado por dois adversários e espremido na linha lateral, não esqueço jamais, que Renato jogou a bola para César Maluco completar de cabeça o gol que nos deu o título da Libertadores, em 1983. Ali não havia técnica, era pura força e determinação.

 

No comando do Grêmio, Renato fez o que pode para nos levar à Copa Libertadores. Assumiu um grupo de aparente qualidade técnica, mas pouco determinado em campo, resultado do trabalho egoísta do treinador que o antecedeu. Testou diferentes formações, jogou com dois e três zagueiros dependendo da partida, colocou três volantes quando entendeu necessário, arriscou com três atacantes quase toda a competição, tirou gente consagrada e querida pela torcida, não teve vergonha de ouvir o grito das arquibancadas e mudar novamente quando percebeu seu erro. Mesmo diante das críticas de que o time rendia abaixo de seu potencial, manteve-o entre os quatro melhores do campeonato em boa parte da disputa. Jamais esteve ameaçado pelo rebaixamento ou pela falta de competição. Sabia que os gols eram escassos, que a defesa não tinha chance de errar, que alguns de seus titulares eram limitados, que seu goleador poderia ser útil na defesa e seus zagueiros poderiam salvar a lavoura. Sabia também que a torcida iria reclamar. Foi corajoso, às vezes teimoso. Arriscou sua história no clube em busca de um objetivo, mesmo que tivesse de abdicar de craques e do bom futebol. Sempre acreditou que poderíamos estar com uma das vagas da Libertadores mesmo quando as vitórias deixaram de aparecer com a mesma frequência.

 

Com uma rodada de antecedência, Renato e seus comandados levaram o Grêmio onde o Grêmio sempre sonhou estar. E por mais esse feito, obrigado, Renato!

Avalanche Tricolor: quem diria, Pelé quase foi um Imortal!

 

Ponte Preta 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Campinas (SP)

 

 

Em reportagem que li no site ClicRBS, publicada no jornal gaúcho Zero Hora, neste domingo, Pelé confidencia ao jornalista Luiz Zini Pires que quase jogou no Grêmio. Quando estava no início da carreira, o Santos costumava emprestar seus jogadores mais jovens para que ganhassem experiência. O time paulista esteve em excursão no Sul, jogou em Pelotas e Rio Grande, no interior gaúcho, e foi consultado se alguns dos garotos poderiam ficar. Pelé era um deles. “Quase que eu reinicio minha carreira no Grêmio”, disse ao repórter. Tivesse um cartola santista aceitado a proposta, naquela época, haveria a chance de Pelé ter se imortalizado no cenário futebolístico com a camisa do Grêmio e, provavelmente, nossas conquistas nacionais e projeção mundial teriam chegado mais cedo. Por outro lado, a facilidade com que alcançaríamos nossas façanhas impediria que forjássemos a nossa imortalidade. O destino quis que cada um construísse sua própria história.

 

A verdade é que o futebol, assim como a vida, pode ter seu destino definido pelo acaso. Uma bola no poste, o chute descuidado que esbarra no zagueiro, a marcação equivocada do árbitro ou uma série de outros detalhes que fazem parte do jogo influenciam no placar final e na classificação de um time. Mas se o imponderável pode ser definitivo, também é verdade que existem fatores preponderantes que conspiram a favor do resultado, tais como o talento individual e a qualidade do elenco. Também coloco na lista a estratégia planejada pelo técnico. Quando esses não se sobressaem nos resta torcer por um lance de sorte.

 

Neste domingo, talento e sorte se uniram para levar o Grêmio ao empate com a Ponte Preta, em Campinas, e nos manter na luta pela vice-liderança, que dará passagem direta a Libertadores. O drible curto de Zé Roberto e o cruzamento com o bico da chuteira que iniciou a jogada do gol foram marcados pela qualidade técnica que diferencia nosso camisa 10. Já a sorte nos ajudou ao fazer a bola cabeceada por Vargas desviar no corpo de um adversário e entrar no gol. O resultado, antes de ser lamentado, tem de ser visto como normal em competição da dimensão do Brasileiro, principalmente se levarmos em consideração o desespero do adversário. Com o ponto conquistado, a disputa pela competição sul-americana está aberta e na nossa mão. Estão faltando apenas dois jogos, os quais temos todas as chances de vencer, bastando um lance de sorte (ou de talento).

 

Em tempo: jogadores de Grêmio e Ponte repetiram o gesto que marcou o protesto do Bom Senso Futebol Clube, na rodada do fim de semana, sentando no gramado antes de a partida se iniciar, em mais uma demonstração que estão unidos e dispostos a enfrentar a CBF.

Avalanche Tricolor: um craque para vestir a camisa do Grêmio

 

Maxi 2 x 0 Flamengo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

O Grêmio consegue chegar à vice-liderança do Campeonato Brasileiro mesmo depois de uma sequência ruim de resultados e desempenhos questionáveis. A impaciência do torcedor ilustra este cenário. Nossas vitórias vinham sendo resultado muito mais da forma voluntariosa, raramente qualificada, com que o grupo se comporta quando veste a camisa tricolor. Talvez o atacante Barcos, alvo de muitas críticas nas últimas partidas, seja o melhor exemplo disso. Pode-se reclamar que ele não tem feito aquilo para o qual foi contratado, mas ninguém pode dizer que ele não tem cumprido o papel para o qual está escalado. É sempre ele que tira a bola de dentro da nossa área nas cobranças de escanteio e de falta do adversário. Lá na frente, é um guerreiro contra os seus marcadores. Seja para segurar a bola quando esta é lançada normalmente por nossos zagueiros, seja para impedir que os zagueiros inimigos consigam sair jogando. Muitas vezes, o vemos no meio de campo roubando a bola do adversário e tentando armar a jogada. Sofre na luta pela bola tanto quanto sofremos ao vê-lo não marcando gols. Essa vontade de acertar, que não é só de Barcos, para, porém, na movimentação claudicante das peças em campo e nos frequentes passes errados.

 

Há algum tempo venho esperando um atuação individual marcante. Aquele jogador que entra em campo e desequilibra a partida com seu talento. Capaz de driblar o adversário, desconcertar o marcador, limpar a jogada e se colocar em condições de fazer o gol. E, claro, fazendo o gol depois de criar essas condições. Na noite deste domingo, fui premiado. Eu e toda a torcida do Grêmio. Máxi Rodriguez mostrou em duas jogadas que está à altura da paixão dos torcedores por ele. Tem categoria e garra. Tem classe e suor. Tem futebol e carisma para ser titular do Grêmio.

 

Que assim o seja para o todo o sempre!